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Revisão completa do câncer de pele para provas: epidemiologia INCA, carcinogênese pela radiação UV, apresentação clínica de CBC, CSC e melanoma, dermoscopia e regras de biópsia, fotoproteção baseada em evidência, quimioprevenção com nicotinamida, margens cirúrgicas e seguimento.
[1] Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022 · https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-2023.pdf | [2] US Preventive Services Task Force. Behavioral Counseling to Prevent Skin Cancer: USPSTF Recommendation Statement. JAMA. 2023;330(16):1552-1558 · https://www.uspreventiveservicestaskforce.org/uspstf/recommendation/skin-cancer-counseling | [3] Vestergaard ME, Macaskill P, Holt PE, Menzies SW. Dermoscopy compared with naked eye examination for the diagnosis of primary melanoma: a meta-analysis of studies performed in a clinical setting. Br J Dermatol. 2008;159(3):669-676 · DOI 10.1111/j.1365-2133.2008.08713.x | [4] Chen AC, Martin AJ, Choy B, et al. A Phase 3 Trial of Nicotinamide for Skin-Cancer Chemoprevention. N Engl J Med. 2015;373(17):1618-1626 · DOI 10.1056/NEJMoa1506197 | [5] Schadendorf D, van Akkooi ACJ, Berking C, et al. Melanoma. Lancet. 2018;392(10151):971-984 · DOI 10.1016/S0140-6736(18)31559-9 | [6] INCA. Câncer de pele não melanoma (portal gov.br) · https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/pele-nao-melanoma · DOI 10.1016/S0140-6736(18)31559-9
O câncer de pele é o tumor maligno mais comum do país e do mundo: no Brasil, a Estimativa 2023 do INCA projetou cerca de 220.490 novos casos por ano de câncer de pele não melanoma (101.020 em homens e 118.570 em mulheres) para o triênio 2023-2025, o que corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. O melanoma, embora muito menos frequente (estimativa de ~8.980 novos casos por ano no mesmo período), concentra a mortalidade: responde pela maioria das mortes por câncer de pele, enquanto o carcinoma basocelular quase não metastiza. Para o estudante, a mensagem central é dupla: o câncer de pele é o mais prevenível dos tumores (radiação UV evitável) e o mais curável quando detectado cedo — melanomas com espessura de Breslow menor que 1 mm têm sobrevida em 5 anos acima de 95%, contra aproximadamente 30% na doença metastática.
Câncer de pele é o crescimento maligno não controlado de células da epiderme e estruturas anexas. Divide-se operacionalmente em não melanoma (origem queratinocitária ou anexial) e melanoma (origem melanocitária). O carcinoma basocelular (CBC) responde por cerca de 70-75% dos casos e origina-se das células basais do folículo piloso e da epiderme; o carcinoma espinocelular (CEC/CSC), por cerca de 20-25%, origina-se de queratinócitos e pode surgir de lesões pré-malignas, sobretudo ceratoses actínicas. Existem ainda tumores menos frequentes, como o carcinoma de Merkel (agressivo, neuroendócrino) e carcinomas anexiais. O melanoma clasifica-se por subtipos anatomoclínicos: extensão superficial (o mais comum em pele clara, 60-70% dos casos), nodular (10-15%, vertical desde o início e mais agressivo), lentigo maligno (face de idosos, crescimento lento) e lentiginoso acral (palmas, plantas e leito ungueal — subtipo proporcionalmente mais comum em pacientes de pele morena e negra, população numerosa no Brasil). Lesões precursoras incluem a ceratose actínica (para o CEC) e o nevo displásico/atípico (marcador de risco para melanoma, embora a maioria dos melanomas surja de novo na pele aparentemente normal).
| Tipo | Célula de origem | Comportamento típico | Metástase |
|---|---|---|---|
| Carcinoma basocelular (CBC) | Células basais do folículo/epiderme | Crescimento lento e localmente infiltrativo; úlcera de roedura; face em zona H | Raríssima (< 0,1% dos casos) |
| Carcinoma espinocelular (CEC) | Queratinócitos; frequentemente sobre ceratose actínica | Pápula queratósica induzada; lábio, orelha, couro calvo | Ocorre em 2-5% dos casos de pele (mais no lábio e em imunossuprimidos) |
| Melanoma | Melanócitos | Lesão pigmentada assimétrica em evolução; subtipos variam por idade e fototipo | Frequente se tardio; potencial linfático e hemático |
| Carcinoma de Merkel | Células neuroendócrinas da pele | Nódulo rápido, violáceo, de idosos/áreas fotoexpostas | Alta; mortalidade significativa |
Globalmente, estimativas do GLOBOCAN 2020 apontam mais de 1,2 milhão de casos novos de câncer de pele não melanoma e cerca de 324 mil melanomas por ano, com os maiores índices em populações de pele clara e alta exposição solar (Austrália e Nova Zelândia). No Brasil, o INCA chama atenção para a incidência crescente e para o sub-registro do não melanoma. Fatores de risco centrais: exposição UV cumulativa (CEC) e intermitente com queimaduras, sobretudo na infância (CBC e melanoma); fototipos I e II de Fitzpatrick (pele clara, olhos claros, cabelo loiro/ruivo, sardas); imunossupressão (transplantados de órgão sólido têm risco de CEC 65-100 vezes maior, e o tumor pode ser múltiplo e agressivo); história familiar ou pessoal prévia de câncer de pele; mais de 50 nevos, nevos atípicos ou síndrome dos neves displásticos; xerodermia pigmentosa (defeito do reparo por excisão de nucleotídeos, com risco milhares de vezes maior); HPV epidermodisplásico e cicatrizes crônicas/úlcera de Marjolin para o CEC; idade acima de 50 anos e exposição ocupacional a arsênio e alcatrão. Para o melanoma acral, a exposição solar é menos determinante, o que muda a estratégia: examinar palmas, plantas e unhas em todos os fototipos.
| Fator de risco | Tipo associado | Magnitude/observação de prova |
|---|---|---|
| Exposição UV crônica cumulativa | CEC, queratose actínica | Ocupações ao ar livre; cabeça e pescoço |
| Queimaduras solares intermitentes na infância | Melanoma, CBC | Férias na praia sem proteção; queimaduras com bolhas na infância e adolescência aumentam claramente o risco (coortes prospectivas) |
| Fototipos I-II (sempre queima, nunca bronzeia) | Todos | Base do aconselhamento USPSTF seletivo |
| Imunossupressão (transplante, HIV, azatioprina) | CEC sobretudo | Risco 65-100×; CEC múltiplos e mais agressivos; azatioprina fotossensibiliza via UVA |
| Mais de 50 neves ou nevos atípicos; história familiar | Melanoma | Indica mapeamento corporal e acompanhamento dermatológico regular |
| Xerodermia pigmentosa | Todos, na infância | Defeito de reparo do DNA (excisão de nucleotídeos) |
| Cicatriz crônica, úlcera de Marjolin, HPV/epidermodisplasia | CEC | CEC de alto grau em lesão crônica de longa data |
A radiação UVB (290-320 nm) é o carcinógeno físico mais importante: é absorvida diretamente pelo DNA e gera dímeros de pirimidina (cíclo-butano e 6-4 fotoprodutos) entre bases adjacentes, que, se não reparados pela via de excisão de nucleotídeos, produzem a assinatura mutacional C para T (e CC para TT) — mutações no gene supressor p53 encontradas na maioria das ceratoses actínicas e CECs. No CBC, a via alterada é a sinalização Hedgehog: mutações inativadoras do gene supressor PTCH1 (cromossomo 9q22) liberam a SMO e o GLI, drive do crescimento tumoral — alvo dos inibidores orais vismodegibe e sonidegibe. No melanoma, cerca de 40-50% dos tumores (sobretudo em jovens e no subtipo de extensão superficial) carregam a mutação BRAF V600E, que ativa a via MAPK constitutivamente e é o alvo das combinações BRAF+MEK (dabrafenibe+trametinibe, vemurafenibe+cobimetinibe); NRAS (15-20%) e NF1 completam o cenário. A UVA (320-400 nm) penetra mais profundamente, gera estresse oxidativo (espécies reativas que lesam DNA e membranas) e está implicada na fotoenvelhecimento e no dano imunológico cutâneo (imunossupressão local que reduz a vigilância antitumoral). A imunossupressão terapêutica acrescenta risco próprio: a azatioprina incorpora 6-tioguanina ao DNA, que absorve UVA e gera radicais livres, funcionando como fotossensibilizante sistêmico — motivo pelo qual transplantados devem ser orientados à fotoproteção rigorosa e à troca do imunossupressor quando possível.
O CBC típico é uma pápula ou nódulo perolado, translúcido, com telangiectasias finas na superfície e borda elevada em roda de carruagem, na face (nariz, pálpebra, sulco nasogeniano, orelha — a zona H de risco); ao ulcerar, forma a úlcera de roedura (bordas elevadas, base necrótica), que dá o nome histórico rodent ulcer. Subtipos com cara própria: nodular (60-80% dos CBCs), superficial (10-15%, placas eritematoescamosas planas em tronco de pacientes mais jovens, simulando eczema ou psoríase) e morfeforme/esclerodermiforme (5-10%, placa endurecida tipo cicatriz, sem bordas definidas, com invasão agressiva e maiores taxas de margens positivas). O CEC surge geralmente sobre ceratose actínica: pápula ou nódula queratósico, indurado, doloroso ao palpar, com crosta aderente e sangramento fácil, em lábio inferior, orelha, couro calvo e dorso das mãos; a induração basal e a sensibilidade são os sinais de alerta que diferenciam da ceratose simples. Ceratoses actínicas são máculas/pápulas rugosas, como lixa, em áreas fotoexpostas de idosos — apenas uma minoria progride para CEC (risco por lesão pequeno ao ano, mas relevante ao longo da vida em pacientes com dano actínico difuso).
O melanoma suspeito segue a regra ABCDE: Assimetria, Borda irregular, Cor variada (marrom, preto, vermelho, branco, azul), Diâmetro maior que 6 mm e Evolução (mudança de tamanho, forma, cor ou sintoma). Some-se o sinal do patinho feio (ugly duckling): qualquer lesão que destoe do padrão dos demais nevos do paciente merece investigação. Formas que enganam: melanoma nodular pode ser simétrico e uniforme, crescendo em semanas; melanoma amelânótico (2-8%) é rosado e simula granuloma piogênico; o lentiginoso acral surge na planta, palma ou sob a unha (melanoníquia estriada com sinal de Hutchinson — pigmentação da lâmina estendendo-se à cutícula). Em imunossuprimidos e em pele negra/morena, a localização muda: plantares, subungueais e palmares dominam, e o diagnóstico costuma ser tardio, com Breslow maior — por isso o exame dos pés e unhas é obrigatório. Linfonodos regionais satélites, nódulos em trânsito e sintomas constitucionais indicam doença avançada.
| Tumor/lesão | Achado clínico marcante | Localização típica | Simulador frequente |
|---|---|---|---|
| CBC nodular | Pápula perolada com telangiectasias | Face, zona H | Nevo, cisto epidermoide |
| CBC superficial | Placa eritematoescamosa de crescimento lento | Tronco | Eczema, psoríase, Bowen |
| CBC morfeforme | Placa endurecida tipo cicatriz | Face | Cicatriz, esclerodermia localizada |
| CEC | Nódulo queratósico indurado, sangrante | Lábio, orelha, couro calvo, mãos | Ceratose actínica hipertrófica, verruga |
| Ceratose actínica | Mácula/pápula rugosa como lixa | Áreas fotoexpostas | Psoríase, líquen simples |
| Melanoma extensão superficial | Mácula pigmentada ABCDE+, mudando por meses-anos | Costas (homens), pernas (mulheres) | Nevo displásico |
| Melanoma nodular | Nódulo pigmentado ou amelânico de crescimento rápido | Tronco, extremidades | Granuloma piogênico, hemangioma |
| Melanoma lentiginoso acral | Mancha escura irregular na planta/unha; sinal de Hutchinson | Plantas, palmas, leito ungueal | Hematoma subungueal, verruga plantar |
A dermoscopia (microscopia de epiluminescência) é o passo intermediário entre a inspeção e a biópsia: a metanálise de Vestergaard (2008) mostrou sensibilidade de cerca de 90% para melanoma com dermoscópio contra 74% com olho nu em ambiente clínico, com razão de chances diagnóstica cerca de 15 vezes maior quando combinada ao exame clínico. Padrões deroscópicos que sugerem melanoma: retículo pigmentado atípico, véu azul-acinzentado, pontos e glóbulos irregulares, vasos polimórficos e áreas de regressão (pontos pepper); telangiectasias arborizantes e estruturas em folha são típicas do CBC; glóbulos brancos sem estrutura e vasos em forquilha ou em espaguete apontam para tumores queratinocíticos. A confirmação, porém, é SEMPRE histopatológica.
O estadiamento do melanoma segue a 8ª edição do AJCC: T1 menor ou igual a 1 mm (T1a menor que 0,8 mm sem ulceração; T1b menor que 0,8 mm ulcerado ou 0,8-1,0 mm), T2 de 1,01 a 2 mm, T3 de 2,01 a 4 mm e T4 maior que 4 mm, com sufixo b para ulceração. A taxa mitótica deixou de definir T1 nesta edição, mas segue relatada por seu valor prognóstico. Exames de imagem (tomografia, PET-CT, ressonância) não são rotina no melanoma inicial, reservando-se a estadios regionais/avançados, sintomas ou seguimento dirigido. Diagnóstico diferencial em consulta: nevo melanocítico comum e displásico, ceratose seborreica (criptas e cistos milia-like), hemangioma, dermatofibroma (sinal do dimple), angioma cerejiforme, granuloma piogênico e, para CEC, psoríase e doença de Bowen (CEC in situ).
A fotoproteção correta combina medidas físicas e químicas com adesão real. Recomendações operacionais: fotoprotetor de amplo espectro (UVA e UVB) com FPS no mínimo 30, aplicado na dose de 2 mg por cm quadrado (cerca de 30 g para o corpo inteiro de adulto — a subdosificação típica de 0,5-1 mg/cm2 reduz drasticamente o FPS real), reaplicado a cada 2 horas e após suor intenso ou imersão; evitar a exposição entre 10h e 16h (horário de pico de UVB, que varia com horário de verão e latitude); roupas escuras e de trama fechada (proteção equivalente a UPF 50+ em tecidos adequados), chapéu de aba larga de pelo menos 7 cm e óculos com proteção UV 400; buscar sombra sem substituir o protetor (areia, água e neve refletem UV). Cuidados especiais: vidro comum bloqueia UVB mas não UVA (proteção só com película adequada); altitude e proximidade da linha do equador aumentam a dose (no Brasil, índices UV chegam a extremos no verão); a radiação artificial de câmaras de bronzeamento é carcinógeno do Grupo 1 da IARC, e no Brasil a Anvisa proibiu o uso de equipamentos de bronzeamento com finalidade estética (RDC 51/2009) — ponto que aparece em provas de saúde pública.
Quimioprevenção tem evidência para um único agente de rotina: a nicotinamida (amida da niacina, sem rubor facial) na dose de 500 mg por via oral duas vezes ao dia reduziu em 23% a taxa de novos cânceres de pele não melanoma em 12 meses em pacientes de alto risco com pelo menos dois tumores prévios (ensaio ONTRC, NEJM 2015), com redução de cerca de 30% nos CECs; o efeito desaparece ao suspender a droga. Não confundir com a niacina (ácido nicotínico). Outros pontos: antioxidantes e betacaroteno NÃO têm evidência de proteção (betacaroteno até aumentou risco em fumantes em outros tumores); a suplementação de vitamina D não deve ser feita com exposição intencional e queimaduras — a síntese adequada ocorre com exposições curtas, e pacientes de alto risco devem orientar reposição por via oral quando indicada. A educação do paciente inclui autoexame da pele mensal com auxílio de espelho ou parceiro (costas, couro cabeludo, plantas, unhas e região glútea são os pontos cegos), fotografia de lesões suspeitas para comparação e a campanha Dezembro Laranja da Sociedade Brasileira de Dermatologia como reforço sazonal.
Detecção precoce é o braço que mais reduz mortalidade por melanoma. Ferramentas: exame dermatológico completo com dermoscopia em pacientes de risco (mais de 50 nevos, nevos atípicos, imunossuprimidos, xerodermia, história pessoal ou familiar de melanoma); fotografia corporal total (mapeamento) para identificar lesões novas ou em mudança em pacientes com muitos nevos; seguimento estruturado — em média a cada 3-6 meses nos primeiros anos após melanoma e a cada 6-12 meses em pacientes de alto risco sem melanoma; dermatologia digital e teledermatologia ampliam o alcance no SUS, com triagem fotográfica de lesões suspeitas. Em transplantados, exame dermatológico a cada 6-12 meses e manejo agressivo de ceratoses actínicas (o campo de cancerização é tratado, não apenas a lesão individual). O autoexame orientado ensina o paciente a aplicar ABCDE e o sinal do patinho feio, medindo com régua as lesões marcadas e fotografando-as ao lado de uma referência de tamanho.
Embora o foco deste artigo seja prevenção e diagnóstico, as margens cirúrgicas caem em toda prova. Cirurgia é o tratamento padrão do câncer de pele localizado: excisão com margens clínicas fixas ou cirurgia de Mohs (micrográfica, com controle de margens intraoperatório), indicada em tumores de alto risco (zona H da face, recidivados, maiores que 2 cm em tronco/extremidades, subtipos agressivos como morfeforme, perineural ou pobremente diferenciado). Radioterapia é alternativa em pacientes não cirúrgicos e adjuvante em casos selecionados (perineural extenso, margens positivas irresecáveis). Destruição por curetagem e eletrodissecação ou crioterapia é aceitável para CBC/CEC de baixo risco em áreas de baixa recorrência, desde que não haja dúvida histológica prévia e o paciente aceite o seguimento.
| Tumor/estadio | Margem clínica recomendada | Observação |
|---|---|---|
| Melanoma in situ | 0,5 a 1 cm | Margem menor quando restrição anatômica |
| Melanoma menor ou igual a 1 mm (T1) | 1 cm | Breslow menor que 0,8 mm sem ulceração permite margem menor em sítios críticos |
| Melanoma 1,01 a 2 mm (T2) | 1 a 2 cm | Breslow domina a decisão |
| Melanoma 2,01 a 4 mm (T3) e maior que 4 mm (T4) | 2 cm | Linfonodo sentinela indicado se doença clinicamente oculta |
| CBC de baixo risco (nodular/superficial) | 4 mm (algumas diretrizes 4-5 mm) | Cura acima de 95% com margens adequadas |
| CBC de alto risco (morfeforme, recidivado, zona H) | 6 a 10 mm ou cirurgia de Mohs | Invasão perineural exige atenção |
| CEC de baixo risco | 4 a 6 mm | Incluir tecido subcutâneo |
| CEC de alto risco | 6 a 10 mm ou Mohs | Alto risco: maior que 2 cm, lábio/orelha, pobremente diferenciado, perineural, imunossuprimido |
Terapia tópica e de campo: imiquimode 5% creme é opção para CBC superficial de baixo risco (aplicação 5 vezes por semana por 6 semanas, taxa de clearance em torno de 80% em séries) e para ceratoses actínicas (2 a 3 vezes por semana por 2-4 semanas conforme protocolo, com reação inflamatória esperada); 5-fluorouracil 5% creme trata campo de cancerização (1 a 2 aplicações/dia por 2 a 4 semanas) e a doença de Bowen. Doença avançada: CBC localmente avançado ou metastático sem indicação cirúrgica recebe inibidores da via Hedgehog — vismodegibe 150 mg/dia ou sonidegibe 200 mg/dia, por via oral, com respostas em torno de 30-50% no metastático, ao custo de espasmos musculares e alopecia; CEC avançado tem opção imunoterápica com cemiplimabe (anti-PD-1, 350 mg IV a cada 3 semanas), com taxas de resposta global em torno de 50% nos metastáticos/cirurgicamente irressecáveis. Melanoma avançado: imunoterapia com anti-PD-1 (nivolumabe, pembrolizumabe) e combinação com anti-CTLA-4 (ipilimumabe), ou terapia-alvo BRAF+MEK nos tumores BRAF V600 mutados — mudou a sobrevida global em 5 anos de menos de 10% para mais de 50% em populações selecionadas com combinações modernas.
O CBC raramente mata, mas destrói localmente (pálpebra, nariz, órbita, base do crânio) quando negligenciado; o subtipo morfeforme e a invasão perineural elevam a recidiva. O CEC pode metastizar para linfonodos regionais (risco global de 2-5%, mas 10-15% ou mais em lábio e orelha e bem maior em imunossuprimidos) e é o câncer de pele não melanoma que mata. Melanoma: sobrevida em 5 anos aproximada de 99% na doença localizada, 68% na regional e 30% na distante (EUA, era anterior à imunoterapia moderna, com melhoras recentes na doença avançada). Pacientes tratados de um câncer de pele têm risco alto de novos tumores — em torno de 40-50% desenvolvem novo não melanoma em 5 anos — e por isso seguem em vigilância dermatológica vitalícia em muitos serviços. Seguimento típico: melanoma estádios I-II a cada 6-12 meses por 5 anos (exame físico completo com linfonodos e pele, exames de imagem apenas se sintomas); CBC/CEC a cada 6-12 meses no primeiro quinquênio, com ênfase em autoexame, fotoproteção e tratamento precoce de recidivas (a maioria recidiva nos primeiros 2-3 anos, ou até 5 no morfeforme).
Para fixar a lógica preventiva em três frases: a radiação UV é o carcinógeno evitável mais importante da pele, com assinatura molecular distinta entre queratinócitos (p53 via dímeros de pirimidina) e melanócitos (BRAF/NRAS); a prevenção primária combina reduzir a dose (horários, sombra, roupas) e bloquear o espectro (FPS 30+, reaplicação), com a quimioprevenção restrita a pacientes de alto risco; e a prevenção secundária vive da dermoscopia, da biópsia correta e do seguimento estruturado, porque cada milímetro de Breslow a mais custa sobrevida. Domine as tabelas de margens e os números do INCA e da USPSTF: é exatamente isso que a prova cobra.
1.Segundo a Estimativa 2023 do INCA, qual tumor é o mais frequente no Brasil?
2.Qual caracteriza classicamente o carcinoma basocelular?
3.A metanálise de Vestergaard (2008) sobre dermoscopia mostrou que, em ambiente clínico, a sensibilidade para melanoma é de aproximadamente:
4.Diante de uma lesão pigmentada altamente suspeita de melanoma, qual conduta é a correta?
5.O ensaio ONTRC (NEJM, 2015) demonstrou que a nicotinamida oral em pacientes de alto risco:
6.Sobre a recomendação da USPSTF 2023 para aconselhamento comportamental de prevenção de câncer de pele:
7.No Brasil, o uso de câmaras de bronzeamento artificial com finalidade estética:
8.Um melanoma com Breslow de 1,5 mm, não ulcerado, com linfonodos clinicamente negativos. Qual margem de excisão definitiva é recomendada?
9.Paciente transplantado renal em uso de azatioprina e prednisona. Qual tumor cutâneo tem o aumento de risco mais dramático nesses pacientes?
10.Qual sinal deve levantar suspeita de melanoma subungueal?
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