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Revisão clínica dos distúrbios hidroeletrolíticos: fisiologia dos compartimentos e regulação da osmolalidade, abordagem passo a passo das disnatremias com tabelas de decisão, SIADH, tratamento da hiponatremia sintomática com bólus de salina hipertônica e limites de correção, hipernatremia e diabetes insipidus, hipopotassemia e hiperpotassemia com doses de cada intervenção, além de magnésio, cálcio e escolha dos cristaloides.
[1] Adrogué HJ, Madias NE. Hyponatremia. New England Journal of Medicine. 2000;342(21):1581-1589 · DOI 10.1056/NEJM200005253422107 | [2] Adrogué HJ, Madias NE. Hypernatremia. New England Journal of Medicine. 2000;342(20):1493-1499 · DOI 10.1056/NEJM200005183422006 | [3] Sterns RH. Disorders of plasma sodium: causes, consequences, and correction. New England Journal of Medicine. 2015;372(1):55-65 · DOI 10.1056/NEJMra1404489 | [4] Verbalis JG, Goldsmith SR, Greenberg A, et al. Diagnosis, evaluation, and treatment of hyponatremia: expert panel recommendations. American Journal of Medicine. 2013;126(10 Suppl 1):S1-S42 · PMID 23993829 | [5] Loscalzo J, Fauci AS, Kasper DL, et al. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21st ed. New York: McGraw-Hill, 2022 · DOI 10.1056/NEJM200005253422107
Distúrbios de sódio e potássio são os desequilíbrios mais frequentes em pacientes hospitalizados e os que mais matam quando manejados com pressa: hiponatremia ocorre em 15 a 30% dos internados (atingindo 40% em UTIs), a hiperpotassemia grave mata em minutos por arritmia e a correção rápida demais de um sódio cronicamente baixo causa desmielinização osmótica, lesão neurológica devastadora e evitável. A prova de Clínica Médica cobra a lógica em três degraus: classificar o distúrbio com osmolaridade sérica, sódio e osmolaridade urinários e exame de volume; saber o limite de velocidade de correção do sódio; e dominar a sequência de tratamento da hiperpotassemia com as doses de cada droga. Este artigo percorre esses degraus com fórmulas, tabelas de decisão e protocolos numéricos.
A água total corresponde a cerca de 60% do peso corporal do homem adulto (50% na mulher e no idoso, 70% no recém-nascido): dois terços ficam no compartimento intracelular e um terço no extracelular, que se subdivide em plasma (25% do extracelular) e líquido intersticial (75%). Um homem de 70 kg tem, portanto, cerca de 42 L de água total, 28 L intracelulares, 14 L extracelulares e 3,5 L plasmáticos. O sódio é o cátion extracelular que determina o volume do compartimento extracelular, e sua concentração plasmática reflete o balanço entre água e sódio, ou seja, a osmolalidade.
Toda disnatremia começa pela osmolaridade sérica medida, que separa as pseudo-hiponatremias e as hiponatremias hipertônicas das hipotônicas, as únicas que interessam ao protocolo. A pseudo-hiponatremia é artefato de laboratório (hiperlipidemia ou hipoproteinemia intensas, com sódio normal na osmolaridade medida); a hipertônica ocorre quando osmoles eficazes (glicose, manitol) puxam água para o extracelular, diluindo o sódio. Na hiperglicemia, o sódio cai cerca de 1,6 a 2,4 mEq/L para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100, e o valor deve ser corrigido antes de qualquer decisão terapêutica.
| Passo | Exame | Interpretação prática |
|---|---|---|
| 1. Tonicidade | Osmolaridade sérica | Acima de 295: hipertônica (glicose, manitol); entre 275 e 295: pseudo-hiponatremia; abaixo de 275: hiponatremia hipotônica, a real |
| 2. ADH atuante | Osmolaridade urinária | Abaixo de 100 mOsm/kg: ADH suprimido (polidipsia psicogênica, potomania, baixa oferta de soluto); acima de 100: ADH ativo e rim concentrando |
| 3. Fonte do sódio | Sódio urinário | Abaixo de 20-30 mEq/L: perdas extrarrenais ou hipovolemia com retenção renal; acima de 30-40: perda renal (diurético, SIADH, insuficiência adrenal) |
| 4. Volemia clínica | FC, PA ortostática, JVP, edema, pele e mucosas | Define hipovolêmico, euvolêmico ou hipervolêmico e muda a primeira linha de tratamento |
| 5. Hormonais | TSH e cortisol matinal | Hipotireoidismo e insuficiência adrenal causam hiponatremia euvolêmica e são reversíveis com reposição |
| Grupo | Causas típicas | Na urinário | Primeira conduta |
|---|---|---|---|
| Hipovolêmico | Tiazídico (mulher idosa), vômitos, diarreia, queimaduras, insuficiência adrenal | Menor que 20 se perda extrarrenal; maior que 40 se renal ou adrenal | NaCl 0,9% EV até euvolemia; suspender diurético; hidrocortisona se adrenal |
| Euvolêmico | SIADH, hipotireoidismo, adrenal, polidipsia psicogênica e potomania (osm urinária menor que 100), exercício extenuante | Maior que 30 no SIADH; variável nas demais | Tratar causa; SIADH: restrição hídrica, sal, ureia ou vaptânico |
| Hipervolêmico | Insuficiência cardíaca, cirrose com ascite, síndrome nefrótica, doença renal crônica avançada | Menor que 20 (retenção sódio), exceto na DRC | Restrição de água e sódio, diurético de alça; corrigir o estado de base |
O tiazídico é a droga que mais induz hiponatremia em ambulatório: age no túbulo distal, prejudica a diluição da urina e, em idosas com baixa massa corporal, pode derrubar o sódio abaixo de 120 em dias. O diurético de alça, ao contrário, gera hiponatremia menos comum, porque também prejudica a concentração (medular washout). Paciente hiponatrêmico em uso de tiazídico, sertralina, carbamazepina ou oxcarbazepina deve ter a droga suspensa e o sódio reavaliado, lembrando que após a correção da volemia a natriurese pode acelerar a correção do sódio e exigir freio com desmopressina.
A síndrome de secreção inadequada de ADH é a causa mais comum de hiponatremia hipotônica euvolêmica em serviços de clínica médica. Os critérios essenciais: hiponatremia hipotônica com osmolaridade sérica menor que 275, urina concentrada não maximamente diluída (osmolaridade urinária maior que 100 mOsm/kg), sódio urinário maior que 30 mEq/L com ingestão normal de sal, euvolemia clínica, função renal, tireoidiana e adrenal normais e ausência de diurético recente. A uréia baixa (frequentemente menor que 30 mg/dL) e o ácido úrico baixo (menor que 4 mg/dL) completam o perfil; no hipotireoidismo e na insuficiência adrenal o quadro imita, por isso a dosagem hormonal é obrigatória antes de rotular SIADH.
A decisão terapêutica depende da gravidade dos sintomas, não do número absoluto. Sintomas graves (convulsão, coma) refletem edema cerebral e pedem salina hipertônica imediata: bólus de 100 a 150 mL de NaCl 3% IV em 10 a 20 minutos, repetido até três vezes ou até o sódio subir 4 a 6 mEq/L, elevação suficiente para abolir convulsões e reduzir a pressão intracraniana. Sintomas moderados (confusão, letargia, náuseas) podem receber infusão contínua de NaCl 3% a 0,5 a 2 mL/kg/h. O limite de segurança é não exceder 8 mEq/L em 24 horas (diretrizes europeias aceitam até 10 na primeira jornada), seguido de 8 mEq/L em cada 24 h subsequente; algumas referências clássicas citam o teto histórico de 10 a 12 mEq/L em 24 h, e o painel americano recomenda reiniciar a contagem a cada 24 h após bólus.
| Cenário | Conduta de primeira linha | Meta e observações |
|---|---|---|
| Grave sintomática (convulsão, coma) | Bólus de 100-150 mL de NaCl 3% em 10-20 min, repetir até 3 vezes | Subir 4-6 mEq/L imediatamente; depois manter correção abaixo de 8 mEq/L/24 h |
| Sintomática moderada | NaCl 3% contínuo 0,5-2 mL/kg/h com Na sérico a cada 2-4 h | Reavaliar velocidade a cada mensuração; reduzir a infusão ao atingir 120-125 mEq/L |
| SIADH assintomático crônico | Restrição hídrica 800-1.000 mL/d + sal de cozinha 2-3 g/d ou ureia 15-30 g/d; vaptânicos se refratário | Tolvaptana 15 mg VO com titulação até 60 mg; monitorar Na a cada 6 h no início; risco hepático |
| Hipovolêmica | NaCl 0,9% EV para restaurar volemia e suspender a causa (diurético, adrenal) | Após euvolemia o sódio pode subir rápido: vigiar e frear com desmopressina se necessário |
| Hipervolêmica (IC, cirrose) | Restrição de água e sódio, diurético de alça (furosemida 20-40 mg EV) | Correção lenta; vaptânicos contraindicados em hipovolemia e cirrose descompensada |
| Correção acidentalmente rápida | Desmopressina 2-4 mcg EV a cada 6-8 h + glicose 5% ou água livre | Reduzir o sódio de volta à meta de correção do dia; manter Na em plateau |
Duas fórmulas resolvem as contas de prova. A de Adrogué-Madias estima a variação do sódio após 1 litro de qualquer infusato: variação do Na = (Na do infusato menos Na sérico) dividido por (água corporal total mais 1); a água corporal total usa 0,6 x peso nos homens e 0,5 x peso nas mulheres (0,5 e 0,45 se idosos). Um paciente de 70 kg com Na 110 recebendo 1 L de NaCl 3% (513 mEq/L) sobe cerca de (513 menos 110)/(42 mais 1) = 9,4 mEq/L, o que explica por que bólus pontuais são mais seguros que infusões livres. A segunda é a da correção da hiperglicemia já vista: sódio corrigido = sódio medido mais 1,6 a 2,4 mEq/L para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100.
Hipernatremia (Na maior que 145 mEq/L) é sempre hipertonicidade e quase sempre implica perda de água hipotônica com acesso prejudicado à água (idosos acamados, alteração de consciência, diuréticos, febre, ventilação mecânica) ou ganho de sódio (bicarbonato de sódio, erro de diluição de fórmula infantil). O déficit de água calcula-se por: água total x (Na sérico/140 menos 1); um homem de 70 kg com Na 160 tem déficit de 42 x (160/140 menos 1) = 6 litros. A velocidade máxima de correção é de 10 a 12 mEq/L em 24 h (cerca de 0,5 mEq/L/h), porque o cérebro hipertônico acumulou solutes idiogênicos e uma reposição torrencial causa edema cerebral e convulsão: metade do déficit nas primeiras 24 h e o resto em 48-72 h, com glicose 5% ou salina 0,45% conforme a volemia.
| Característica | DI central | DI nefrogênica |
|---|---|---|
| Defeito | Secreção deficiente de ADH (neuro-hipófise) | Resposta renal deficiente à ADH (receptor V2 ou aquaporina-2) |
| Causas | Cirurgia ou trauma hipofisário, craniofaringioma, metástases, meningite, idiopática | Lítio (a maior causa), hipercalcemia, hipopotassemia, demeclociclina, amfotericina B, DRC, obstrução ureteral |
| Teste da desmopressina | Osmolaridade urinária sobe mais de 50% (ex.: de 150 para 400 mOsm/kg) | Sem resposta significativa à desmopressina |
| Tratamento | Desmopressina 10-20 mcg intranasal ou 60-120 mcg VO, dividido em 2-3 doses | Retirar a causa; hidratação livre; hidroclorotiazida 25-50 mg/d (efeito paradoxal) + amilorida 5-10 mg (protege contra lítio) + indometacina |
O diabetes insipidus central manifesta-se por poliúria (maior que 3 L/d, urina diluída com osmolaridade menor que 300 mOsm/kg) e polidipsia; após cirurgia hipofisária pode ser trifásico (DI, depois SIADH por liberação do hormônio estocado, depois DI definitiva). No teste terapêutico, aplica-se desmopressina e mede-se a osmolaridade urinária: subida maior que 50% confirma o defeito central. Na nefrogênica por lítio, o tiazídico paradoxalmente reduz o débito urinário (depleção leve de volume aumenta a reabsorção proximal de água) e a amilorida bloqueia a entrada do lítio pelo canal de sódio epitelial, protegendo o néfron distal.
Potássio abaixo de 3,5 mEq/L define hipopotassemia; abaixo de 2,5 mEq/L é grave. Os mecanismos se agrupam em três: redistribuição para o intracelular (alcalose, insulina, beta-2 agonistas, refeeding), perdas gastrointestinais (vômitos com perda renal de potássio por alcalose e aldosterona, diarreia com perda fecal direta) e perdas renais (diuréticos, hiperaldosteronismo, acidose tubular renal, magnésio baixo). O sódio urinário e o potássio urinário orientam: potássio urinário maior que 20-25 mEq/L sugere perda renal; menor que 20, perda digestiva ou redistribuição. Hipopotassemia com hipertensão faz pensar em hiperaldosteronismo (dosar renina e aldosterona); com alcalose e pressão normal, em vômitos ou diuréticos.
Potássio maior ou igual a 5,5 mEq/L exige ECG imediato, porque a progressão é silenciosa e letal: T apiculada e estreita (fase inicial), alargamento do QRS, achatamento e desaparecimento da onda P, aumento do intervalo PR e, na fase final, padrão em onda senoidal e parada. Excluir sempre a pseudo-hiperpotassemia (hemólise da amostra, plaquetose acima de 1 milhão, leucocitose extrema, garrote prolongado na coleta) repetindo a amostra antes de tratar paciente assintomático com ECG normal. Causas: insuficiência renal, ACEi/ARB, espironolactona, trimetoprim, AINEs, acidose metabólica (o K sobe cerca de 0,6 mEq/L para cada queda de 0,1 no pH), insulina deficiente, catabolismo tisular (rhabdomiólise, lise tumoral), hipoadrenalismo e doença de Addison.
| Mecanismo | Intervenção e dose típica | Início e observações |
|---|---|---|
| Estabilizar membrana | Gluconato de cálcio 10%: 10-30 mL IV em 5-10 min (ou cloreto de cálcio 10% por via central) | 1-3 minutos; não reduz o K; repetir se ECG volta a piorar; cuidado com digitálicos |
| Deslocar para dentro da célula | Insulina regular 10 U IV com 25 g de glicose (50 mL de G50%) | 15-30 min; queda de 0,5-1,2 mEq/L; monitorar glicemia por 4-6 h (risco de hipoglicemia) |
| Deslocar para dentro da célula | Salbutamol nebulizado 10-20 mg em 4 mL de solução | 30-90 min; queda adicional de 0,5-1,0 mEq/L; taquicardia e tremor |
| Deslocar (se acidose) | Bicarbonato de sódio 8,4% 50-100 mEq IV | 30-60 min; pouco eficaz sem acidose; carga de sódio |
| Remoção | Furosemida 40-80 mg IV (se diurese preservada); patiromer 8,4 g/dia VO; ciclossilicato de zircônio sódico 10 g 3x/dia | Horas; as resinas orais são lentas e a resina de poliestireno tem risco de necrose colônica |
| Remoção definitiva | Hemodiálise | Minutos; indicação: K maior que 6,5 com ECG alterado, anúria ou insuficiência renal estabelecida |
Hipomagnesemia (Mg menor que 1,7 mg/dL) acompanha diuréticos, inibidores de bomba, álcool, diarreia e diabetes mal controlado, e apresenta-se com tremores, tetania, convulsões e arritmias (torsades). É a causa clássica de hipopotassemia refratária: o magnésio baixo remove o bloqueio dos canais ROMK e aumenta a perda urinária de potássio. Trata-se com sulfato de magnésio 10%: 1 a 2 g IV diluídos em 15-30 minutos na sintomática, seguidos de 2 a 4 g/dia, corrigindo-se o déficit total de 1 a 2 mEq/kg em 3 a 5 dias; na torsades com QT longo, bólus de 1 a 2 g em 10 minutos. Hipermagnesemia ocorre na insuficiência renal ou uso excessivo de antiácidos e laxantes de magnésio: hiporreflexia (sinal precoce), bradicardia, hipotensão, paralisia respiratória; o antagonista agudo é o gluconato de cálcio e a remoção definitiva é a hemodiálise.
O cálcio total deve ser corrigido para a albumina: cálcio corrigido = cálcio medido + 0,8 x (4,0 menos albumina em g/dL), ou dosar o cálcio iônico. Hipercalcemia (corrigido acima de 10,5 mg/dL; crítica acima de 13,5 ou sintomática) tem como grandes causas hiperparatireoidismo primário (ambulatório) e malignidade com PTHrP ou metástases (hospital): cálculos renais, dor óssea, dor abdominal, constipação e confusão. Tratamento da crise hipercalcêmica: hidratação com salina 0,9% a 200-300 mL/h (3 a 4 L nas primeiras 24 h), furosemida apenas após repor a volemia, calcitonina 4 U/kg IM a cada 12 h (ação em horas, taquifilaxia em 48 h) e zoledronato 4 mg IV em 15-30 min (nadir em 4 a 10 dias); denosumabe 60 mg SC na insuficiência renal e hemodiálise nos refratários. Hipocalcemia com Chvostek e Trousseau: corrigir primeiro o magnésio, depois gluconato de cálcio 10% 10-20 mL IV diluídos, e repor vitamina D.
| Solução | Na (mEq/L) | Composição e osmolaridade | Uso principal |
|---|---|---|---|
| NaCl 0,9% | 154 | Cloreto 154; 308 mOsm/L | Expansão de volume e hiponatremia hipovolêmica; volumes grandes causam acidose hiperclorêmica |
| Ringer com lactato | 130 | K 4; Ca 2,7; lactato 28; Cl 109; 273 mOsm/L | Reanimação equilibrada; evitar na insuficiência hepática grave e com drogas sanguíneas na mesma linha |
| Cristaloide balanceado (Plasma-Lyte) | 140 | Cl 98; acetato 27; gluconato 23; K 5; Mg 1,5; 294 mOsm/L | Alternativa com menos cloro aos volumes altos; hipotônico em relação ao plasma na osmolaridade eficaz em alguns contextos |
| NaCl 3% | 513 | Cloreto 513; 1.027 mOsm/L | Hiponatremia sintomática grave; bólus de 100-150 mL |
| Glicose 5% | 0 (após metabolizar) | 50 g de glicose por litro; 278 mOsm/L | Água livre: hipernatremia e veículo de medicamentos; não expande o intravascular |
A escolha do fluido muda o sódio: salina 0,9% na hiponatremia hipovolêmica corrige a volemia e o ADH inadequado; entretanto, em pacientes com SIADH e osmolaridade urinária acima de ~500 mOsm/kg, a salina isotônica pode sair hipertônica em relação ao que o rim consegue excretar e derrubar ainda mais o sódio (salina paradoxalmente hipotônica). Cristaloides balanceados reduzem acidose hiperclorêmica e, em grandes volumes, associam-se a menos eventos renais em estudos contemporâneos de terapia intensiva, sem diferença convincente em mortalidade. Glicose 5% não é expansora: é água livre com açúcar, escolha para repor déficit de água na hipernatremia euvolêmica.
A mortalidade de pacientes hospitalizados com sódio menor que 125 mEq/L chega a ser várias vezes maior que a de pacientes com sódio normal, em parte pela gravidade da doença de base, em parte por iatrogenia. As armadilhas que sustentam provas e auditorias: corrigir hiponatremia crônica rápido demais (desmielinização osmótica) ou devagar demais em sintomático grave (herniação); interpretar sódio sem osmolaridades; esquecer de corrigir o sódio na hiperglicemia; repor potássio sem magnésio; tratar hiperpotassemia apenas com cálcio, sem plano de remoção; e prescrever água livre (glicose 5%) em hiponatremia hipovolêmica, que piora o sódio. Sódio deve ser dosado a cada 2 a 4 horas durante correção ativa, com metas escritas na prescrição: 4 a 6 mEq/L nas primeiras horas do resgate e limite de 8 mEq/L em 24 horas.
1.Paciente chega com sódio 112 mEq/L e convulsão tônico-clônica. Qual a conduta imediata?
2.Qual o limite seguro de correção do sódio em 24 horas na hiponatremia crônica?
3.Perfil compatível com SIADH:
4.Paciente com glicemia de 500 mg/dL e sódio medido de 130 mEq/L. Qual o sódio corrigido aproximado (1,6 mEq/L por 100 mg/dL)?
5.A complicação temida da correção rápida da hiponatremia crônica é:
6.Hipopotassemia de 2,4 mEq/L que não sobe apesar de 120 mEq/dia de KCl. Qual a próxima conduta?
7.A primeira alteração eletrocardiográfica usual da hiperpotassemia é:
8.Sobre o gluconato de cálcio na hiperpotassemia, é correto afirmar:
9.Paciente com poliúria de 5 L/d, osmolaridade urinária de 150 mOsm/kg e, após desmopressina, urina sobe para 450 mOsm/kg. O diagnóstico é:
10.Homem de 70 kg com sódio de 160 mEq/L. Qual o déficit aproximado de água (água total = 0,6 x peso)?
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