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Revisão completa da replicação semiconservativa, maquinaria enzimática da forquilha, telomerase, checkpoints e dos sistemas de reparo (MMR, NER, BER, HR e NHEJ), com síndromes de instabilidade genômica e a ponte com a oncofarmacologia: análogos de nucleosídeos, platina, inibidores de PARP e radioterapia.
[1] Alberts B, Heald R, Hopkin A, et al. Molecular Biology of the Cell. 7ª ed. Nova York: W. W. Norton, 2022 · capítulos de DNA replication, repair and recombination | [2] Meselson M, Stahl FW. The Replication of DNA in Escherichia Coli. Proc Natl Acad Sci USA. 1958;44(7):671-682 · DOI 10.1073/pnas.44.7.671 | [3] Jackson SP, Bartek J. The DNA-damage response in human biology and disease. Nature. 2009;461(7267):1071-1078 · DOI 10.1038/nature08467 | [4] Pujade-Lauraine E, Ledermann JA, Selle F, et al. Olaparib tablets as maintenance therapy in patients with platinum-sensitive, relapsed ovarian cancer and a BRCA1/2 mutation (SOLO2/ENGOT-Ov21). N Engl J Med. 2017;377(6):523-533 · DOI 10.1056/NEJMoa1706450 | [5] Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran: Bases Patológicas das Doenças. 10ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021 · capítulos 5 a 7 · DOI 10.1073/pnas.44.7.671
Cada divisão celular duplica cerca de 6 bilhões de bases e o faz com espantosa precisão: graças à seletividade das polimerases, à revisão 3' para 5' e ao reparo de erros de pareamento, a taxa final de erro cai para aproximadamente 1 base alterada a cada 10^9 nucleotídeos copiados. Quando esse sistema falha, as consequências aparecem em todas as disciplinas: síndrome de Lynch no câncer de colorretal, xeroderma pigmentoso na dermatologia, ataxia telangiectasia na neurologia e mutações de BRCA1 e BRCA2 na mastologia. Além disso, metade da quimioterapia e toda a radioterapia funcionam justamente criando lesões de DNA que as células tumorais não conseguem reparar. Dominar replicação e reparo é, portanto, dominar genética do câncer e farmacologia antineoplásica ao mesmo tempo.
Em 1953 Watson e Crick propuseram a estrutura de dupla hélice e sugeriram, implicitamente, três modelos de replicação: conservativo (a molécula parental permanece intacta e uma filha totalmente nova é sintetizada), semiconservativo (cada molécula filha mantém uma fita parental e uma nova) e dispersivo (fitas parental e nova se entremeiam em segmentos). Em 1958, Meselson e Stahl resolveram a questão com bactérias marcadas isotopicamente, experimento apelidado de o mais belo da biologia.
A replicação começa em sequências específicas chamadas origens: em Escherichia coli, uma única origem (oriC); em eucariotos, múltiplas origens por cromossomo, ativadas simultaneamente para completar a duplicação do genoma dentro da fase S. Nas origens, a helicase quebra as pontes de hidrogênio e abre a dupla hélice, criando duas forquilhas de replicação que avançam em sentidos opostos (replicação bidirecional), com as fitas simples expostas estabilizadas por proteínas. Como a dupla hélice se torce, a abertura gera superenrolamento positivo à frente da forquilha, aliviado por topoisomerases. A partir de cada forquilha, as duas fitas novas são sintetizadas obrigatoriamente na direção 5' para 3', o que cria uma fita líder contínua e uma fita tardia descontínua.
| Componente | Função na forquilha | Detalhe cobrado em prova |
|---|---|---|
| Helicase (DnaB em bactérias; complexo MCM2-7 em eucariotos) | Rompe as pontes de hidrogênio e abre a dupla hélice | Em eucariotos, o complexo MCM é carregado na origem na fase G1 (licenciamento, com CDC6 e CDT1) e ativado na fase S pelas CDKs; re-replicação é bloqueada pela degradação de CDC6 |
| Proteínas SSB (bactérias) e RPA (eucariotos) | Estabilizam a fita simples exposta | Evitam formação de hairpins e protegem a fita simples de nucleases |
| Topoisomerase I | Corta uma fita e alivia o superenrolamento | Passagem controlada; alvo da irinotecana e topotecana no homem |
| DNA girase (topoisomerase II bacteriana) | Corta as duas fitas e introduz superenrolamento negativo à frente da forquilha | Alvo das quinolonas (ciprofloxacino): estabilizam o complexo girase-DNA cortado e levam a quebras letais |
| Primase (DnaG; pol alfa-primase em eucariotos) | Sintetiza o primer de RNA necessário para iniciar a síntese | Nenhuma polimerase inicia cadeia de novo; o primer fornece o 3'-OH livre |
| DNA polimerase III (bactérias) | Polimerase replicativa principal | Sintetiza as duas fitas associada ao clamp deslizante beta; alta processividade |
| DNA polimerase I (bactérias) | Remove primers de RNA e preenche os espaços | Única com exonuclease 5' para 3' (tradução do nick); também revisa 3' para 5' |
| DNA ligase | Sela os nick fosfodiéster restantes | Consome NAD+ em bactérias e ATP em eucariotos; em eucariotos a ligase I sela os fragmentos de Okazaki |
| Telomerase | Alonga as extremidades dos telômeros | Contratranscriptase (TERT) com molde de RNA próprio (TERC) que estende a repetição TTAGGG |
Toda questão de polimerase se resolve com três regras. Primeira: a síntese ocorre apenas na direção 5' para 3', porque o grupo 3'-hidroxila do extremo da cadeia ataca o alfa-fosfato do desoxirribonucleotídeo entrante; é por isso que a fita que corre no sentido da abertura (líder) é contínua e a antiparalela (tardia) precisa ser feita em pedaços. Segunda: as polimerases replicativas têm atividade exonuclease 3' para 5', a leitura de prova que remove imediatamente a base mal pareada do extremo 3', reduzindo o erro em cerca de 100 vezes. Terceira: nenhuma polimerase inicia cadeia de novo, todas precisam de primer com 3'-OH livre, feito de RNA pela primase; a exceção funcional é a telomerase, que carrega seu próprio molde de RNA interno.
Na forquilha, a fita que é sintetizada afastando-se da abertura (tardia) precisa recomeçar a cada trecho exposto, gerando os fragmentos de Okazaki: cerca de 1.000 a 2.000 nucleotídeos em bactérias e 100 a 200 em eucariotos. Cada fragmento começa com primer de RNA, que depois é removido (RNase H e endonuclease FEN1 em eucariotos; exonuclease 5' para 3' da pol I em bactérias), o vão é preenchido e a ligase sela o nick. A extremidade 3' da fita tardia, porém, não pode ser completamente preenchida após a remoção do primer terminal: a cada divisão, o cromossomo linear encurta cerca de 50 a 100 pares de bases, o chamado problema do fim da replicação. A solução são os telômeros, tractos de repetições TTAGGG com proteínas shelterin que protegem as pontas de serem reconhecidas como quebras. A telomerase, uma contratranscriptase formada pela proteína TERT e pelo RNA molde TERC, alonga a ponta 3' adicionando repetições que compensam o encurtamento.
A telomerase é ativa em células germinativas, em células-tronco e em linfócitos ativados, e reprimida na maioria das células somáticas, que encurtam seus telômeros até entrar em senescência replicativa, um dos mecanismos antitumorais intrínsecos. Entre 85% e 90% dos cânceres humanos reativam a telomerase para replicar indefinidamente. Síndromes de telômero curto, como a disqueratose congênita (mutações em TERC, TERT ou reguladores), causam anemia aplásica, fibrose pulmonar, displasia ungueal, leucoplasia oral e hiperpigmentação reticular, ligando biologia molecular direto à hematologia.
Lesões de DNA acionam uma cascata de sinalização que pausa o ciclo, ativa o reparo ou, se o dano é irreparável, induz apoptose. Quebras de dupla fita são reconhecidas pelo complexo sensor MRN (MRE11-RAD50-NBS1), que recruta e ativa a ATM; estresse de replicação e fita simples exposta ativam ATR via ATRIP e RPA. ATM fosforila CHK2 e ATR fosforila CHK1, e ambas convergem para p53: p53 transativa p21 (inibidor de CDK) e BAX/PUMA. Daí os três checkpoints: G1/S impede a entrada em fase S com DNA lesado; intra-S desacelera a síntese; G2/M impede a mitose com replicação incompleta ou cromossomos quebrados.
O sistema mismatch repair corrige bases mal pareadas e pequenas alças de inserção-eliminação que escapam da revisão da polimerase. Em bactérias, MutS reconhece o erro, MutL orquestra a resposta e MutH corta a fita recém-sintetizada (identificada por estar temporariamente não metilada). Em humanos, o homólogo de MutS é o heterodímero MSH2-MSH6 (MutS alfa, para pareamentos errados e alças de 1 base) ou MSH2-MSH3 (MutS beta, para alças maiores); o homólogo de MutL é MLH1-PMS2 (MutL alfa). Após o reconhecimento, EXO1 degrada o trecho com erro, pol delta ressintetiza e a ligase sela. A falha congênita de um alelo desse sistema causa síndrome de Lynch; a falha de ambos ou a metilação somática do promotor de MLH1 causa instabilidade de microssatélites (MSI) nos tumores.
A síndrome de Lynch (câncer colorretal hereditário não polipósico, HNPCC) é autossômica dominante, com mutação germinativa em MLH1 ou MSH2 na maioria dos casos, seguidas por MSH6, PMS2 e deleções de EPCAM que silenciam MSH2 vizinho. Cumpre-se o modelo de dois eventos: o alelo selvagem remanescente é perdido nas células do epitélio colônico, o MMR falha e mutações acumulam-se em microssatélites de genes de crescimento (TGFBR2, BAX). Clínica: câncer colorretal de cólon direito, precoce (antes dos 50 anos), com mucina e infiltração linfocitária; segundo tumor mais comum é o endométrio, seguidos por ovário, estômago, urotélio, intestino delgado, pâncreas e cérebro; variantes são Turcot (tumor cerebral) e Muir-Torre (carcinomas sebáceos). Critérios de Amsterdam (regra 3-2-1): pelo menos 3 familiares com câncer associado, em 2 gerações, 1 deles antes dos 50 anos. Tumores MSI-high têm melhor prognóstico, pouco benefício de quimioterapia com 5-fluorouracil isolado e resposta excepcional aos inibidores de PD-1 como pembrolizumabe, aprovados justamente para tumores com dMMR/MSI-high independente da origem.
O NER repara lesões que distorcem a dupla hélice, os adutos volumosos: dímeros de pirimidina induzidos por UV (ciclobutano e 6-4 fotoproduto), metabólitos de benzo[a]pireno da fumaça e adutos intrafita de cisplatina. Opera por duas vias que convergem. A via global do genoma (GG-NER) varre todo o DNA com o complexo XPC-RAD23B (auxiliado por DDB2/XPE nos dímeros de timina); a via acoplada à transcrição (TC-NER) é disparada quando a RNA polimerase II trava sobre uma lesão no filamento transcrito, sinalizada pelas proteínas CSA e CSB. A partir daí, TFIIH (helicases XPB e XPD) abre a hélice, XPA-RPA confirmam a lesão, a endonuclease XPF-ERCC1 corta 5' e XPG corta 3', liberando um oligonucleotídeo de cerca de 30 bases, que é ressintetizado por pol delta/épsilon e selado.
Xeroderma pigmentoso é a doença do NER: herança autossômica recessiva por mutações em XP-A a XP-G (via clássica) ou na pol eta (variante, com NER intacto). Os pacientes têm fotossensibilidade extrema, sardas antes dos 2 anos e risco de câncer de pele milhares de vezes maior, com melanoma e carcinomas escamosos antes dos 10 anos de idade em muitos casos; nos grupos XP-A e XP-D pode haver degeneração neurológica progressiva. Nas crianças que não podem reparar dímeros de UV, qualquer exposição solar acumula mutações. Síndrome de Cockayne defeita apenas a TC-NER (CSA/CSB): fotossensibilidade com nanismo caquético, face de pássaro, calcificações basais e retinopatia, mas sem excesso de câncer, porque a via global continua a reparar o restante do genoma; a tricotiodistrofia (XPB/XPD) soma cabelo quebradiço com baixo enxofre.
O BER corrige lesões pequenas que não distorcem a hélice: desaminação espontânea (citosina vira uracilo a cerca de 100 bases por célula ao dia; a 5-metilcitosina vira timina), despurinação (milhares de sítios abásicos por célula ao dia), oxidação (8-oxoguanina, que pareia com adenina e gera transversão G-T) e alquilação. Cada DNA glicosilase reconhece um tipo de base alterada (UNG remove uracilo, OGG1 remove 8-oxoguanina, MUTYH remove a adenina mal pareada com 8-oxoG) e a cliva da fita, criando sítio AP; a endonuclease APE1 corta o backbone; pol beta preenche uma base nova e a ligase III com XRCC1 sela. Aplicação clínica direta: a polipose associada à MUTYH é herança autossômica recessiva com dezenas a centenas de pólipos e câncer colorretal por transversões G-T no gene APC.
A quebra da dupla fita é a lesão mais letal ao genoma, induzida por radioterapia, radicais livres, agentes bifuncionais como a platina interfilamentos e colapsos de forquilha. Duas vias a reparam, e a escolha depende da fase do ciclo. A recombinação homóloga (HR) opera nas fases S e G2, quando existe a cromátide irmã como molde: as pontas 5' são resecionadas (MRN-CtIP, EXO1, BLM), RPA cobre a fita simples, BRCA2 carrega RAD51, o filamento RAD51 invade a cromátide irmã e copia a informação perdida, com resolução sem erros. A junção de extremidades não homólogas (NHEJ) opera preferencialmente em G0 e G1: o heterodímero Ku70-Ku80 abraça as pontas, recruta a DNA-PKcs e a nuclease Artemis, que aparam as extremidades, e o complexo XRCC4-ligase IV sela a junção, frequentemente com perda ou ganho de poucas bases, sendo mutagênica. O NHEJ é também a maquinaria da recombinação V(D)J dos linfócitos; defeitos causam imunodeficiência combinada grave com radiossensibilidade.
| Característica | Recombinação homóloga (HR) | Junção de extremidades não homólogas (NHEJ) |
|---|---|---|
| Fase do ciclo | S e G2 (precisa da cromátide irmã) | G0 e G1 (não precisa de molde) |
| Molde | Cromátide irmã idêntica | Nenhum; as pontas são ligadas diretamente |
| Fidelidade | Alta, sem erros | Baixa; perdas e adições de bases (mutagênica) |
| Proteínas centrais | MRN, CtIP, BRCA1, BRCA2, RAD51, BLM | Ku70-Ku80, DNA-PKcs, Artemis, XRCC4, ligase IV |
| Contexto clínico | Cânceres de mama, ovário, pâncreas e próstata com BRCA1/2; sensibilidade a inibidores de PARP e platina | Imunodeficiência SCID com radiossensibilidade quando deficiente; fonte de rearranjos em linfomas |
Mutações germinativas de BRCA1 e BRCA2 causam a síndrome hereditária de câncer de mama e ovário, autossômica dominante. O risco acumulado de câncer de mama até os 70-80 anos é de aproximadamente 55 a 72% em portadoras de BRCA1 e 45 a 69% em BRCA2; o risco de câncer de ovário é maior em BRCA1 (cerca de 40%) do que em BRCA2 (cerca de 10 a 20%). BRCA2 também eleva o risco de pâncreas, próstata agressivo e melanoma. Tumores com perda de HR são profundamente sensíveis a sais de platina e, de forma específica, aos inibidores de PARP, por letalidade sintética: a PARP1 detecta e sela quebras de fita simples; o inibidor trava a enzima no DNA (trapping) e as quebras acumuladas colapsam as forquilhas gerando quebras de dupla fita letais apenas nas células sem HR funcional.
| Síndrome | Via defeituosa | Gene/proteína | Herança | Achados e cânceres associados |
|---|---|---|---|---|
| Xeroderma pigmentoso | NER (global e acoplada à transcrição) ou síntese translesão (variante) | XPA a XPG; POLH (pol eta) na variante | Autossômica recessiva | Fotossensibilidade, sardas precoces, carcinomas escamosos e melanomas antes dos 10 anos, risco multiplicado por milhares; degeneração neurológica em XP-A/XP-D |
| Cockayne | NER acoplada à transcrição apenas | CSA (ERCC8), CSB (ERCC6) | Autossômica recessiva | Fotossensibilidade, nanismo caquético, face de pássaro, calcificações dos núcleos da base, sem excesso de câncer |
| Síndrome de Lynch | Mismatch repair (MMR) | MLH1, MSH2, MSH6, PMS2, EPCAM | Autossômica dominante | Câncer colorretal de cólon direito precoce, endométrio, ovário, estômago, urotélio, pâncreas; tumores MSI-high |
| Ataxia telangiectasia | Resposta a quebra de dupla fita (checkpoint) | ATM | Autossômica recessiva | Ataxia cerebelar, telangiectasias, IgA baixa, radiossensibilidade extrema, linfomas e leucemias |
| Li-Fraumeni | Checkpoint de p53 | TP53 | Autossômica dominante | Sarcomas, mama precoce, tumores cerebrais, leucemias, carcinoma adrenocortical infantil |
| Bloom | Helicase da recombinação homóloga | BLM (RecQ) | Autossômica recessiva | Baixa estatura, eritema facial, imunodeficiência, trocas entre cromátides irmãs elevadas, leucemias e linfomas |
| Anemia de Fanconi | Reparo de ligações cruzadas interfilamentos (via HR) | FANCA a FANCN (inclui BRCA2 como FANCD1) | Autossômica recessiva (a maioria) | Anemia aplásica progressiva, malformações do polegar e rádio, manchas café com leite, sensibilidade à mitomicina e à platina, risco de MDS e LMA |
| Disqueratose congênita | Manutenção de telômeros | TERC, TERT, DKC1 e outros | Ligada ao X, autossômica dominante ou recessiva | Displasia ungueal, leucoplasia, hiperpigmentação reticular, anemia aplásica, fibrose pulmonar |
| Hereditário de mama e ovário (HBOC) | Recombinação homóloga | BRCA1, BRCA2 | Autossômica dominante | Mama triplo negativo (BRCA1), ovário seroso de alto grau, pâncreas, próstata; sensibilidade a platina e inibidores de PARP |
Quimioterápicos e radioterapia exploram o fato de que a célula tumoral divide-se mais e repara menos. A platina forma adutos intrafita (reparados por NER) e ligações cruzadas interfilamentos (reparadas pela via de HR e Fanconi): tumores com NER eficiente, como câncer de cólon, respondem pouco à cisplatina, e níveis altos de ERCC1 predizem resistência. Os análogos de nucleosídeos competem com os precursores naturais e travam a síntese ou incorporam-se ao DNA. Os inibidores de PARP exploram a letalidade sintética nas células BRCA-deficientes. A radioterapia ioniza a água e gera radicais hidroxila que produzem quebras de dupla fita justamente quando a célula tenta dividir-se, e a oxigenação do tecido fixa o dano (por isso tumores hipóxicos são mais radiorexistentes).
| Classe | Exemplos com dose representativa | Lesão produzida | Nota de prova |
|---|---|---|---|
| Análogos de pirimidina e purina | 5-fluorouracil (bolus 425 mg/m2 com leucovorina); capecitabina 1250 mg/m2 via oral 2x ao dia; gemcitabina 1000 mg/m2 IV semanal; citarabina 100-200 mg/m2/dia (LMA); 6-mercaptopurina e azatioprina | Análogos incorporados ao DNA e ao RNA; 5-FU inibe a timidilato sintase (efeito limitante); gemcitabina inibe a ribonucleotídeo redutase e provoca terminação de cadeia disfarçada | São fase-S específicos: atingem populações em divisão rápida (medula, mucosas, folículos) |
| Antivirais análogos nucleosídeos | Aciclovir 200-800 mg via oral 5x ao dia; ganciclovir 5 mg/kg IV 2x ao dia | Terminação de cadeia no DNA viral | Seletividade por ativação bifásica: a timidina cinase viral fosforila o análogo primeiro; hospedeiro normal não o fosforila |
| Sais de platina | Cisplatina 75-100 mg/m2 IV a cada 3 semanas; carboplatina por AUC; oxaliplatina 85 mg/m2 | Adutos intrafita e ligações cruzadas interfilamentos | Reparo por NER (intrafita) e HR/Fanconi (interfita); deficiência de MMR confere resistência a cisplatina por tolerância à lesão |
| Inibidores de PARP | Olaparibe 300 mg via oral 2x ao dia; niraparibe 300 mg/dia; talazoparibe 1 mg/dia | Trapping de PARP1 no DNA, com acúmulo de quebras de fita simples que colapsam forquilhas | Letalidade sintética em tumores BRCA1/2; manutenção em ovário sensível a platina (SOLO2) |
| Veneno de topoisomerase | Etoposídeo 100 mg/m2 IV; doxorrubicina 60-75 mg/m2; irinotecano 180 mg/m2 | Estabiliza o complexo topo-DNA cortado, convertendo a nick em quebra de dupla fita | Etoposídeo e doxorrubicina agem na topoisomerase II; irinotecano e topotecano na topoisomerase I |
| Radioterapia | Fracionamento convencional 1,8-2 Gy/dia, 5 dias por semana | Radical hidroxila (ionização da água) com quebras de dupla fita | Células de ataxia telangiectasia morrem com doses mínimas: o defeito de ATM abole o checkpoint de resposta ao dano |
1.No experimento de Meselson e Stahl, DNA de Escherichia coli crescido em 15N foi transferido para meio com 14N. Após UMA geração, a ultracentrifugação em gradiente de CsCl mostrou:
2.Qual enzima alivia o superenrolamento positivo à frente da forquilha de replicação em bactérias, cortando as duas fitas do DNA?
3.A atividade exonuclease 3' para 5' das DNA polimerases replicativas corresponde a:
4.A enzima que resolve o encurtamento cromossômico a cada divisão celular é a telomerase. Sobre ela, é correto afirmar:
5.Homem de 44 anos com adenocarcinoma de cólon direito; a mãe e um tio tiveram câncer colorretal antes dos 50 anos. A imuno-histoquímica mostra perda de MLH1 e PMS2. Qual o defeito molecular e a consequência genética?
6.Criança de 6 anos com sardas em áreas expostas, queimaduras solares de repetição e carcinoma escamoso de face. A biópsia de pele e o estudo genético confirmam xeroderma pigmentoso grupo A. Qual via de reparo está deficiente?
7.Qual das assertivas sobre recombinação homóloga (HR) e junção de extremidades não homólogas (NHEJ) está correta?
8.O mecanismo de letalidade sintética que explica a eficácia dos inibidores de PARP em tumores com mutação de BRCA1/2 é:
9.Paciente com ataxia cerebelar progressiva, telangiectasias oculares, IgA sérica baixa e linfoma. Qual gene está mutado e qual a consequência prática em radiologia?
10.Sobre a polimerase I de Escherichia coli, a atividade exclusiva que ela apresenta e que a torna essencial na maturação da fita tardia é:
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