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Revisão dos tipos de mutação e dos agentes mutagênicos físicos, químicos e endógenos, com as seis vias de reparo do DNA (BER, NER, MMR, NHEJ, recombinação homóloga e TLS), as síndromes de instabilidade genômica, as assinaturas mutacionais do câncer e as particularidades de plantas, de fotoliases a mutagênese induzida no melhoramento. Inclui testes de mutagenicidade e aplicações terapêuticas.
[1] Negrini S, Gorgoulis VG, Halazonetis TD. Genomic instability: an evolving hallmark of cancer. Nat Rev Mol Cell Biol. 2010;11(3):220-228 · DOI 10.1038/nrm2858 | [2] Jackson SP, Bartek J. The DNA-damage response in human biology and disease. Nature. 2009;461(7267):1071-1078 · DOI 10.1038/nature08467 | [3] Alexandrov LB, Nik-Zainal S, Wedge DC, et al. Signatures of mutational processes in human cancer. Nature. 2013;500(7463):415-421 · DOI 10.1038/nature12477 | [4] Ossowski S, Schneeberger K, Lucas-Lledó JI, et al. The rate and molecular spectrum of spontaneous mutations in Arabidopsis thaliana. Science. 2010;327(5961):92-94 · DOI 10.1126/science.1180677 | [5] Friedberg EC, Walker GC, Siede W, Wood RD, Schultz RA, Ellenberger T. DNA Repair and Mutagenesis. 2nd ed. ASM Press; 2006. · DOI 10.1038/nrm2858
Cada célula humana sofre entre dez mil e cem mil lesões de DNA por dia, produzidas por hidrólise espontânea, espécies reativas de oxigênio da própria respiração celular, erros de replicação e agentes ambientais como radiação ultravioleta e químicos. O que mantém o genoma legível é uma rede de vias de reparo que opera sem descanso; quando essa rede falha por mutação em seus genes, o resultado são síndromes de instabilidade genômica que vão de fotossensibilidade extrema a cânceres precoces, e, no plano populacional, o próprio câncer, que a instabilidade genômica converteu em característica central da biologia tumoral. O tema tem peso grande em provas porque é cumulativo: classificações de mutação, mecanismo de cada agente, via de reparo correspondente e síndrome associada formam uma única cadeia lógica. O aluno deve levar essa cadeia montada, acrescida das particularidades de plantas, organismos sésseis que transformaram tolerância e mutagênese em estratégia evolutiva e agronômica.
Mutação é qualquer alteração hereditária na sequência ou estrutura do DNA; mutagênese é o processo que gera essa alteração, seja espontâneo (erros de replicação, desaminação, depurinação), seja induzido por agentes mutagênicos físicos, químicos ou biológicos, como vírus e transposons. Instabilidade genômica é o estado de tendência aumentada a adquirir mutações, por defeito de reparo, de checkpoint ou de segregação cromossômica, e é ela que permite a um clone acumular os drivers necessários à transformação maligna. Dois cortes classificatórios organizam o resto do estudo: mutação germinativa, presente em todas as células do indivíduo e transmissível, versus mutação somática, restrita a um clone e suas descendentes; e mutação pontual, de um a poucos nucleotídeos, versus mutação cromossômica, estrutural (deleção, duplicação, inversão, translocação) ou numérica (aneuploidia).
| Tipo de mutação | O que muda | Exemplo cobrado em prova |
|---|---|---|
| Substituição sinônima | Base trocada, mesmo aminoácido codificado | Geralmente silenciosa, mas pode criar ou abolir sítio de splicing |
| Substituição missense | Um aminoácido é trocado por outro | Hemoglobina S: GAG vira GTG, glutamato 6 substituído por valina |
| Substituição nonsense | Cria códon de parada precoce | Mutações truncantes no gene DMD na distrofia muscular de Duchenne |
| Frameshift | Inserção ou deleção não múltipla de três bases | Inserção de 4 pares de base no gene HEXA na doença de Tay-Sachs |
| Sítio de splicing | Alteração de doador ou aceptor de intron | Mutações de splicing do HBB causam beta-talassemia |
| Mutação dinâmica | Expansão de repetição de trinucleotídeo | Huntington (CAG) e X frágil (CGG), com antecipação |
| Estrutural cromossômica | Deleção, duplicação, inversão, translocação | Cromossomo Philadelphia t(9;22), gene BCR-ABL na LMC |
| Numérica (aneuploidia) | Ganho ou perda de cromossomo inteiro | Trissomia 21, monossomia X |
A escala do dano espontâneo impressiona e costuma ser cobrada em números: por dia, uma célula humana perde da ordem de milhares de bases por depurinação, sofre múltiplas desaminações e acumula de dez mil a cem mil lesões oxidativas, sendo a 8-oxo-guanina a lesão oxidativa mais abundante. A fidelidade final da replicação resulta de três filtros em série: a seletividade da DNA polimerase (erro bruto de 1 em 100 mil a 1 milhão de bases), a revisão 3 para 5 da exonuclease de prova de leitura (ganho de cerca de cem vezes) e a correção de pareamentos errados pelo MMR (outro ganho de cem a mil vezes), levando a taxa final a cerca de 1 erro por bilhão a dez bilhões de bases por divisão. No câncer, esses números explodem: tumores comuns de adultos carregam de milhares a centenas de milhares de mutações, dos quais apenas 2 a 8 são drivers functionalmente relevantes, e mais de 99% são passageiras. Em plantas, a taxa de mutação espontânea medida em linhas de acumulação de Arabidopsis thaliana é de aproximadamente 7 por bilhão de sítios por geração, na faixa da humana.
Cada agente mutagênico produz um tipo previsível de lesão, e essa previsibilidade virou ferramenta forense com as assinaturas mutacionais. A radiação ultravioleta B forma dímeros de pirimidina ciclobutano entre bases de timina ou citosina adjacentes (cerca de 80 a 85% das lesões) e fotoprodutos 6-4 (10 a 20%), que distorcem a dupla hélice e geram as clássicas mutações C para T e CC para TT; a radiação ionizante produz quebras duplas de fita e bases oxidadas, origem de deleções e translocações. Alquilantes como o EMS de laboratório, a mostarda nitrogenada e a temozolomida terapêutica transferem grupos metila, destacando-se a O6-metilguanina, que pareia com timina e fixa transições G:C para A:T. A 8-oxo-guanina oxidada pareia equivocadamente com adenina, resultando em transversão G:C para T:A. Intercalantes como o brometo de etídio e as acridinas deslizam entre os pares de bases e provocam inserções ou deleções de uma base (frameshift), e ligações cruzadas como as da cisplatina e da mitomicina C bloqueiam completamente a replicação.
| Agente | Lesão característica | Assinatura e consequência clínica |
|---|---|---|
| UVB e UVC | Dímeros de pirimidina ciclobutano e fotoprodutos 6-4 | Mutações C para T e CC para TT; câncer de pele; assinatura SBS7 no melanoma |
| Radiação ionizante | Quebras duplas de fita e bases oxidadas | Deleções, translocações e aberrações cromossômicas; dosimetria biológica |
| Alquilantes (EMS, temozolomida) | O6-metilguanina e adutos metílicos | Transições G:C para A:T; efeito da temozolomida em gliomas depende da metilação do MGMT |
| 8-oxo-guanina (ROS endógenos) | Base oxidativa que pareia com adenina | Transversão G:C para T:A, mutação comum em oncogenes e supressores |
| Intercalantes (etídio, acridinas) | Inserção entre pares de bases | Mutações de frameshift por deslizamento durante a replicação |
| Aflatoxina B1 | Aduto de epóxido com guanina | Transversão G para T no códon 249 do TP53 (R249S) no hepatocarcinoma |
| Aristolochia (aristolócicos) | Adutos de aristolactama com adenina | Assinatura A:T para T:A (SBS22); nefropatia e carcinoma urotelial |
| Benzo[a]pireno do tabaco | Adutos volumosos de guanina | Assinatura SBS4 com transversões G para T; câncer de pulmão |
O reparo é organizado por tipo de lesão, e cada via tem seu conjunto de proteínas e sua síndrome humana associada quando falha. A excisão de base (BER) corrige pequenas lesões químicas, como bases oxidadas, desaminadas e alquiladas: uma DNA glicosilase específica, como a OGG1 que reconhece 8-oxoG e a UNG que remove uracila, cliva a base alterada, e o corte e ressíntese da fita são completados por AP-endonuclease, XRCC1 e ligase. A excisão de nucleotídeos (NER) cuida de lesões volumosas que distorcem a dupla hélice, incluindo dímeros de UV e adutos de benzo[a]pireno, e se divide em NER global do genoma, iniciada pelo sensor XPC, e NER acoplada à transcrição, disparada quando a RNA polimerase II trava em uma lesão na fita transcrita, com CSA e CSB; o corte remove um oligonucleotídeo de 24 a 32 bases, ressintetizado por polimerases delta e épsilon. O reparo de pareamentos errados (MMR) corrige desparejamentos e alças de inserção-deleção pós-replicação por meio dos heterodímeros MutS alfa (MSH2-MSH6) e MutL alfa (MLH1-PMS2), exicionados por EXO1. Para quebras duplas de fita restam duas opções: a junção de extremidades não homólogas (NHEJ), rápida, ativa em G1 e propensa a erro, com Ku70/80, DNA-PKcs, Artemis, XRCC4 e ligase IV, e a recombinação homóloga (HR), lenta, restrita a S e G2 por depender da fita irmã, e precisa, com BRCA1, BRCA2, PALB2 e RAD51. Por fim, a síntese translesão (TLS) não repara, mas contorna: polimerases especializadas e de baixa fidelidade, como a polimerase eta, replicam através de lesões que travariam as polimerases replicativas.
| Via | Lesão atendida | Proteínas centrais | Síndrome quando falha |
|---|---|---|---|
| BER (excisão de base) | Bases oxidadas, desaminadas, alquiladas | Glicosilases OGG1 e UNG, AP-endonuclease, XRCC1, ligase III | MUTYH: polipose adenomatosa atenuada (MAP) |
| NER (excisão de nucleotídeos) | Adutos volumosos, dímeros de UV | XPC (global), CSA/CSB (acoplada à transcrição), XPA a XPG, XPF/ERCC1 | Xerodermia pigmentar; síndrome de Cockayne; tricotiodistrofia |
| MMR (pareamento errado) | Desparejamentos e alças de inserção-deleção | MSH2-MSH6, MLH1-PMS2, EXO1; forma esporádica por metilação do MLH1 | Síndrome de Lynch; tumores MSI-altos |
| NHEJ (junção de extremidades) | Quebras duplas de fita em G1 | Ku70/80, DNA-PKcs, Artemis, XRCC4, ligase IV | Imunodeficiência combinada por defeito de Artemis; radiosensibilidade |
| HR (recombinação homóloga) | Quebras duplas em S/G2; ligações cruzadas | BRCA1, BRCA2, PALB2, RAD51, complexo Fanconi | Câncer de mama e ovário hereditário; anemia de Fanconi |
| TLS (síntese translesão) | Lesões que travam a forquilha | Polimerases eta, iota, kappa e zeta, PCNA ubiquitinada | Xerodermia pigmentar variante (POLH): NER normal, câncer tardio |
A instabilidade genômica tumoral se expressa em três padrões. A instabilidade de microssatélites (MIN) é a perda de repetições curtas de 1 a 6 bases por falha do MMR: microssatélites mononucleotídicos como BAT25 e BAT26 alongam ou encurtam, e o tumor é classificado como MSI-alto quando uma fração grande dos marcadores do painel (costuma-se exigir algo em torno de 30 a 40% ou mais) está instável, MSI-baixo quando poucos, e estável quando nenhum. A instabilidade cromossômica (CIN) é a mais comum nos carcinomas: erros de anexação do fuso e de segregação, centrosomos ampliados e falhas de checkpoint geram aneuploidia e perda de heterozigosidade, o padrão clássico da via do câncer colorretal esporádico iniciada por APC. A instabilidade de nucleotídeos (NIN) designa taxas elevadas de mutação pontual, exemplificada pelos tumores com defeito da MUTYH e, de forma extrema, pelos tumores ultramutados com mutações na prova de leitura das polimerases POLE e POLD1, que superam 100 mutações por megabase.
A leitura forense dessas mutações virou prática clínica com o catálogo COSMIC de assinaturas mutacionais: padrões de contexto de substituição que denunciam o processo causador. Exemplos de alta produtividade em prova: SBS1, desaminação espontânea de 5-metilcitosina em CpG, relógio molecular do envelhecimento; SBS2 e SBS13, atividade das citidina desaminases APOBEC; SBS4, tabagismo; SBS7, radiação ultravioleta; SBS5 e SBS40, processos tipo relógio ainda não plenamente atribuídos; SBS6, SBS15, SBS20, SBS26 e SBS44, deficiência de MMR; SBS22, ácido aristolóquico. A carga mutacional tumoral, expressa em mutações por megabase, acompanha esse raciocínio: melanomas e cânceres de pulmão de tabagistas apresentam dezenas de mutações por megabase, tumores pediátricos frequentemente menos de uma, e os extremos são os MSI-altos e os POLE-mutados. Carga alta de mutação e MSI-alto geram mais neopeptídeos, o que explica a resposta desses tumores à imunoterapia.
| Síndrome | Gene ou defeito | Fenótipo marcante | Risco tumoral |
|---|---|---|---|
| Xerodermia pigmentar | XPA a XPG (NER global) | Fotossensibilidade extrema, lentigens, queratoses antes dos 2 anos | Câncer de pele até 10 mil vezes; na infância |
| Xerodermia variante | POLH (TLS) | Fotossensibilidade com início mais tardio, NER normal | Câncer de pele, mais tardio |
| Cockayne | ERCC6/CSB ou ERCC8/CSA (NER acoplada à transcrição) | Baixa estatura cacética, face de pássaro, ataxia, calcificações dos gânglios da base | Sem aumento de câncer |
| Ataxia-telangiectasia | ATM (resposta à quebra dupla) | Ataxia cerebelar, telangiectasias oculares, IgA baixa, alfa-fetoproteína elevada | Leucemias e linfomas; radiosensibilidade |
| Bloom | BLM (helicase RecQ) | Baixa estatura, eritema malar, imunodeficiência leve | Vários tumores; trocas entre cromátides-irmãs elevadas |
| Anemia de Fanconi | FANCA e outros 20 genes (ligações cruzadas) | Anomalias do rádio e do polegar, aplasia medular progressiva | MDS, leucemia, carcinomas escamosos |
| Lynch | MLH1, MSH2, MSH6, PMS2, deleção de EPCAM | Câncer colorretal e de endométrio, geralmente direitos, MSI-alto | Colorretal de 10 a 80% até os 70-80 anos conforme o gene |
| Li-Fraumeni | TP53 | Sarcomas, mama precoce, tumor adrenocortical, tumores de SNC na infância | Múltiplos tumores primários ao longo da vida |
Plantas enfrentam o mesmo dano de DNA com três restrições a mais: são sésseis e não podem fugir do sol nem do poluente, não têm temperatura corporal regulada, e sua linhagem germinativa só se define tardiamente, a partir de células somáticas, de modo que mutações somáticas acumuladas no corpo podem entrar na linhagem germinativa e ser herdadas, o inverso do que ocorre nos animais. Para sobreviver a essa exposição, as plantas mantêm ativo um sistema que os mamíferos placentários perderam evolutivamente: as fotoliases, enzimas que revertem dímeros de pirimidina ciclobutano e fotoprodutos 6-4 diretamente na reação dependente de luz chamada fotoreativação, além, claro, do NER conservado. Somam-se a camada química de proteção, com flavonoides que agem como filtro molecular, e a via de sinalização do fotoreceptor UVR8, que induz genes de proteção e reparo ao UV-B. A tolerância também é arquitetural: poliploidia e duplicações gênicas inteiras criam redundância que amortiza mutações deletérias, permitindo que trigo hexaploide e cana-de-açúcar de genomas múltiplos carreguem cópias funcionais alternativas de genes essenciais.
Do lado da instabilidade, plantas têm transposons particularmente ativos: os elementos Ac/Ds do milho descritos por Barbara McClintock saltam e reativam-se sob estresse genômico, gerando mutação insercional e rearranjos, hoje explorados como ferramenta de genética reversa ao lado de populações de inserção de T-DNA em Arabidopsis. O silenciamento epigenético por pequenos RNAs de 24 nucleotídeos dirige metilação de DNA novo (via RdDM) e mantém transposons quietos, o que liga instabilidade genômica a instabilidade epigenômica. O lado aplicado é antigo e poderoso: a mutagênese induzida por raios gama, raios X e EMS vem gerando cultivares desde os anos 1930, e o banco da FAO e da AIEA registra milhares de cultivares oficiais derivados de mutação, mais de 3 mil segundo as contagens mais citadas, incluindo arrozes semianões e variedades de cevada, amendoim e trigo. A técnica TILLING combina mutagênese por EMS com triagem dirigida de lesões pontuais em genes-alvo, permitindo encontrar alelos de interesse em populações de milhares de plantas; e a edição por CRISPR/Cas9, ao contrário da mutagênese ao acaso, introduz cortes dirigidos que o próprio NHEJ ou a HR da planta repara, criando mudanças planejadas.
O teste de Ames é o rastreio inicial clássico de mutagenicidade: cepas auxotróficas de Salmonella typhimurium incapazes de sintetizar histidina (his negativas) são expostas à substância em placas sem histidina, e apenas as bactérias que reverteram a mutação voltam a crescer; as colônias revertantes são contadas e comparadas ao controle. Cepas diferentes detectam mecanismos diferentes, com TA98 sensível a mutagênicos de frameshift e TA100 a mutagênicos de substituição de par de bases, e o ensaio é realizado com e sem fração S9, preparado de fígado de rato induzido, para ativar pró-mutagênicos que só se tornam mutagênicos após metabolismo. O Ames é rápido e barato e identifica a maioria dos carcinógenos genotóxicos, mas falha para agentes aneugênicos e epigenéticos e para compostos tóxicos especificamente a eucariotos, por isso a bateria regulatória o complementa com testes em células de mamífero e in vivo.
| Teste | O que detecta | Modelo | Observação prática |
|---|---|---|---|
| Ames | Mutagênese pontual (reversão his negativa) | Salmonella typhimurium com e sem S9 | TA98 frameshift, TA100 substituição; rastreio inicial padrão |
| Micronúcleo com bloqueio de citocinese | Quebras cromossômicas e perdas cromossômicas | Linfócitos humanos ou medula de roedores | Padrão regulatório; contam-se micronúcleos em células binucleadas |
| Cometa (eletroforese em célula única) | Quebras de fita e sítios álcali-lábeis | Qualquer célula nucleada | Sensível e barato, porém pouco específico quanto ao tipo de lesão |
| Aberrações cromossômicas em metáfase | Rearranjos estruturais | Linfócitos em metáfase | Usado em dosimetria biológica de acidentes radiológicos |
| Ensaios transgênicos MutaMouse e Big Blue | Taxa de mutação in vivo em genes repórter | Roedores transgênicos | Quantifica mutações pontuais em lacl ou lacZ em qualquer tecido |
Se a instabilidade genômica cria a fraqueza do tumor, ela também cria a sua vulnerabilidade terapêutica. O exemplo canônico é a letalidade sintética dos inibidores de PARP em tumores com BRCA1 ou BRCA2 defeituosos: a célula sem recombinação homóloga não consegue reparar as quebras que o inibidor de PARP induz e trava, morrendo por colapso da forquilha de replicação, enquanto células com HR íntegra sobrevivem; olaparibe na dose oral de 300 mg a cada 12 horas é o paradigma de manutenção no câncer de ovário com BRCA mutado, seguido por niraparibe 300 mg ao dia. Tumores com MMR deficiente e MSI-alto são excepcionalmente reativos ao pembrolizumabe, aprovado de forma agnóstica de tecido, porque milhares de mutações geram neopeptídeos visíveis ao sistema imunológico. No glioblastoma, a metilação do promotor do MGMT prediz resposta à temozolomida, já que a enzima removeria a lesão O6-metilguanina que o quimioterápico causa. E a estratégia continua se expandindo com inibidores de ATR e CHK1 em tumores ATM-deficientes e de WRN nos MSI-altos, todos seguindo a mesma lógica de empurrar o tumor para além da sua capacidade residual de reparo.
O prognóstico das síndromes de reparo depende do tecido exposto e da via perdida: pacientes com xerodermia pigmentar desenvolvem câncer de pele na infância e exigem proteção solar absoluta e vigilância dermatológica trimestral; os portadores de mutação de TP53 (Li-Fraumeni) precisam de protocolos de vigilância intensiva com ressonância de corpo inteiro e mastectomia preventiva a considerar; o portador de Lynch colhe benefício claro de colonoscopia a cada 1 a 2 anos a partir dos 20 a 25 anos ou 10 anos antes do caso mais precoce da família, reduzindo incidência e mortalidade por câncer colorretal. A ataxia-telangiectasia e a anemia de Fanconi combinam risco tumoral a falência progressiva de órgãos, medula e cerebelo, e impõem cuidado especial com radioterapia e quimioterapia radiomiméticas, que podem ser intoleráveis. Do lado reprodutivo, o aconselhamento genético identifica risco de recorrência, como os 25% autossômicos recessivos das xerodermias e anemias de Fanconi e a herança dominante de Lynch e Li-Fraumeni, com penetrância variável.
1.A O6-metilguanina formada por alquilantes gera qual padrão de mutação?
2.O teste de Ames utiliza cepas de Salmonella typhimurium his negativas. O que se mede e o que distingue TA98 de TA100?
3.Criança com fotossensibilidade extrema, múltiplos carcinomas espinocelulares antes dos 10 anos e NER global deficiente. Além do risco de câncer de pele até 10 mil vezes maior, o defeito está em:
4.Paciente com câncer colorretal direito, idade inferior a 50 anos e perda imuno-histoquímica de MLH1 e MSH2 no tumor. O padrão molecular esperado e a síndrome são:
5.Por que tumores com BRCA1 ou BRCA2 defeituosos são sensíveis a inibidores de PARP?
6.A principal consequência mutagênica da 8-oxo-guanina oxidativa é:
7.Sobre reparo de DNA em plantas versus humanos, marque a correta:
8.A diferença crucial da linhagem germinativa das plantas em relação à dos animais é que:
9.O que caracteriza a instabilidade cromossômica (CIN), a via mais comum nos carcinomas?
10.A assinatura mutacional SBS7, com mutações C para T e CC para TT em contexto de dinucleotídeos de pirimidina, indica qual processo etiológico?
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