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Revisão completa da anatomia do sistema vascular periférico: trajetos arteriais dos membros com pontos de pulso, sistemas venosos superficial, profundo e perfurantes, drenagem linfática, variações anatômicas e correlação clínica com acessos vasculares, fístulas e enxertos.
[1] Moore KL, Dalley AF, Agur AMR. Anatomia Orientada para a Clínica. 8ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2018 | [2] Standring S. Gray's Anatomy: The Anatomical Basis of Clinical Practice. 42nd ed. Elsevier; 2020 | [3] Netter FH. Atlas de Anatomia Humana. 8ª ed. Elsevier; 2023 | [4] Mazzolai L, Aboyans V, Aboyans V, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of peripheral arterial and aortic diseases. Eur Heart J. 2024;45(36):3538-3700 · DOI 10.1093/eurheartj/ehae178
O sistema vascular periférico — o conjunto de artérias, veias, capilares e vasos linfáticos que irriga e drena os membros e as estruturas superficiais do tronco, cabeça e pescoço — é o território da medicina em que o conhecimento anatômico se converte mais diretamente em conduta: decidir o ponto de punção da artéria femoral, interpretar a ausência do pulso pedioso, planejar uma fístula arteriovenosa para hemodiálise, retirar a veia safena magna para um enxerto coronariano ou interpretar uma úlcera venosa no maléolo medial depende de dominar trajetos, relações e anastomoses com precisão de centímetros. A doença arterial obstrutiva periférica atinge cerca de 113 milhões de pessoas com 40 anos ou mais no mundo e aproximadamente 10% a 15% dos indivíduos acima de 60 anos na Europa, segundo a diretriz europeia de doenças arteriais periféricas e aórticas de 2024 — uma população que será examinada, puncionada e operada por você exatamente com a anatomia revisada neste artigo.
Toda a árvore vascular compartilha a organização em três túnicas: íntima (endotélio sobre membrana basal e fina camada subendotelial), média (músculo liso e lâminas de elastina, delimitada pelas lâminas elástica interna e externa) e adventícia (colágeno, nervi vasorum e, nos grandes vasos, os vasa vasorum, vasos que nutrem a própria parede). As artérias de grande calibre — aorta, tronco pulmonar, subclávias e carótidas comuns — são artérias elásticas, ricas em elastina, que amortecem o pulso sistólico (efeito Windkessel) e transformam o fluxo pulsátil em contínuo. As artérias de médio calibre nomeadas nos membros (braquial, femoral, tibiais) são artérias musculares, com média predominante em músculo liso, capazes de vasoconstricção e vasodilatação. As arteríolas, de 20 a 100 micrômetros, são o principal sítio de resistência e de regulação da pressão arterial e do fluxo regional; os capilares, de 7 a 10 micrômetros e parede formada por uma única camada de células endoteliais sobre a membrana basal, são o sítio de trocas; as vênulas pós-capilares são o sítio de marginação leucocitária e da resposta inflamatória; e as veias têm parede mais fina que as artérias correspondentes, com menos músculo liso e, nos membros, valvas que direcionam o sangue rumo ao coração.
| Segmento vascular | Calibre aproximado | Papel funcional dominante |
|---|---|---|
| Aorta abdominal | cerca de 2 cm | conduta elástica (Windkessel) |
| Artéria femoral comum | 6 a 10 mm | conduta muscular de membro inferior |
| Artéria radial | 2 a 3 mm | conduta; acesso arterial e colheita de gases |
| Arteríola | 20 a 100 mícrons | resistência e regulação do fluxo regional |
| Capilar | 7 a 10 mícrons | trocas gases, nutrientes e metabólitos |
| Veia safena magna normal | 2 a 4 mm | drenagem superficial do membro inferior |
A artéria subclávia direita nasce do tronco braquiocefálico e a esquerda diretamente do arco aórtico; cada uma se estende da articulação esternoclavicular até a borda lateral da primeira costela, sendo cruzada pelo músculo escaleno anterior, que a divide em três partes: a primeira, medial ao escaleno, origina a artéria vertebral, a torácica interna e o tronco tireocervical; a segunda, posterior ao escaleno, origina o tronco costocervical; a terceira, lateral ao músculo, origina a artéria escapular dorsal (inconstante). Ao cruzar a primeira costela, a subclávia torna-se artéria axilar, que corre da borda lateral da primeira costela até a borda inferior do músculo redondo maior, dividida em três partes pelo músculo peitoral menor: a primeira parte origina a torácica superior; a segunda, posterior ao peitoral menor, origina o tronco toracoacromial e a torácica lateral; a terceira, inferior ao peitoral menor, origina a subescapular (maior ramo, com as circunflexas escapulares), e as artérias circunflexas umerais anterior e posterior, que cercam o colo cirúrgico do úmero e se rompem nas fraturas dessa região.
Na borda inferior do redondo maior inicia-se a artéria braquial, que desce medial ao bíceps braquial no sulco bicipital medial, acompanha o nervo mediano (que a cruza de lateral para medial), emite a artéria braquial profunda (que segue com o nervo radial no sulco do nervo radial do úmero) e colaterais ulnares. Na fossa cubital, a braquial situa-se medial ao tendão do bíceps, separada das veias superficiais pela aponeurose bicipital (que protege a artéria durante punções venosas), e bifurca-se ao nível do colo do rádio nas artérias radial e ulnar. A ulnar, de maior calibre, emite a interóssea comum; a radial emite a recorrente radial e a palmar superficial. A união dos ramos forma os arcos palmares: o arco palmar superficial, predominantemente da ulnar (completo em cerca de 80% das pessoas), e o arco palmar profundo, predominantemente da radial, conectados entre si — circuito que garante irrigação da mão mesmo com oclusão de uma das artérias.
Antes de puncionar, cateterizar ou colher a artéria radial (ou colher enxerto radial para revascularização coronariana), testa-se a integridade do arco palmar e da circulação colateral ulnar pelo teste de Allen: comprimem-se simultaneamente as artérias radial e ulnar no punho com a mão fechada por cerca de 30 segundos; ao abrir a mão, ela fica pálida; libera-se então a compressão ulnar e cronometra-se o retorno da cor: reperfusão em até 5 a 10 segundos indica arco palmar pérvio e via colateral ulnar competente; demora maior que 10 a 15 segundos contra-indica o uso da radial daquele lado. A variante com oxímetro de pulso e pletismografia (teste de Barbeau) é utilizada nos laboratórios de hemodinâmica antes do acesso radial transluminal. Complementarmente, a anastomose escapular — que conecta as artérias subescapular (axilar), escapular dorsal e transversa do pescoço, escapular superior e torácica interna via ramos intercostais — mantém a perfusão do membro superior em oclusões crônicas da subclávia proximal.
A aorta abdominal termina na altura da vértebra L4, bifurcando-se nas artérias ilíacas comuns. Cada ilíaca comum bifurca-se em frente à articulação sacroilíaca em ilíaca interna (hipogástrica, que irriga os órgãos pélvicos, glúteos e períneo, com parietais e viscerais) e ilíaca externa, que segue no ligamento inguinal e, ao passar sob ele — no ponto médio entre a espinha ilíaca anterossuperior e o tubérculo pubiano —, torna-se artéria femoral comum, já no triângulo femoral. O triângulo femoral é delimitado superiormente pelo ligamento inguinal, lateralmente pelo músculo sartório e medialmente pelo adutor longo; seu assoalho é formado por iliopsoas (lateral) e pectíneo (medial) e seu teto pela fáscia lata, perfurada pelo hiato safeno. Da lateral para a medial, o conteúdo segue a regra NAVEL: nervo femoral, artéria femoral, veia femoral, espaço vazio (canal femoral, com linfonodos) e linfáticos — sequência cobrada em toda prova de anatomia dos membros.
Cerca de 3 a 4 cm abaixo do ligamento inguinal nasce a artéria femoral profunda (profunda femoris), posterolateral à femoral comum: é a principal irrigação da coxa, dando as circunflexas femoral medial e lateral (irrigação da cabeça femoral — a medial é crucial na necrose avascular) e as artérias perfurantes para o compartimento posterior. A femoral comum, já denominada femoral superficial ou apenas femoral, entra no canal adutor (canal de Hunter), conduto musculoaponeurótico de cerca de 15 cm na coxa média, limitado lateralmente pelo vasto medial, medialmente pelos adutores e coberto por aponeurose sobre a qual passa o sartório. Dentro do canal viajam artéria femoral, veia femoral e o nervo safeno (com o nervo para o vasto medial) — o nervo femoral em si não entra no canal, pois se divide cedo no triângulo femoral. Na porção distal da coxa, a femoral atravessa o hiato adutor (abertura no tendão do adutor magno) e torna-se artéria poplítea.
Na fossa poplítea, a artéria poplítea é a estrutura mais profunda, justaposta ao plano ósseo femoral e à cápsula articular do joelho — por isso é lesionada nas fraturas supracondilianas do fêmur e nas luxações do joelho; do superficial para o profundo encontram-se nervo tibial, veia poplítea e artéria poplítea. A poplítea emite os geniculares para a rede articular do joelho e, na borda inferior do músculo poplíteo, divide-se em artéria tibial anterior e tronco tibioperoniero; este último origina as artérias tibial posterior e fibular (peroneal). A tibial anterior atravessa a membrana interóssea, irriga o compartimento anterior e, no dorso do pé, torna-se artéria pediosa. A tibial posterior desce na panturrilha medial, passa por trás do maléolo medial dentro do túnel tarsiano (com o nervo tibial e tendões flexores) e divide-se nas artérias plantares medial e lateral; a plantar lateral une-se ao ramo plantar profundo da pediosa para formar o arco plantar, do qual nascem as metatársicas plantares — garantia de dupla irrigação do pé, anterior e posterior.
| Artéria | Ponto de palpação | Referência anatômica | Nota clínica |
|---|---|---|---|
| Femoral comum | abaixo do ligamento inguinal | ponto médio entre espinha ilíaca anterossuperior e tubérculo pubiano | pulsátil e acessível: punção para cateterismo; punção muito alta causa hematoma retroperitoneal |
| Poplítea | profundamente na fossa poplítea | joelho flexionado a 30 graus e mãos em concha ao redor do joelho | a mais difícil de palpar; sede do aneurisma poplíteo, o mais comum dos aneurismas periféricos |
| Tibial posterior | retromaleolar medial | sulco entre maléolo medial e tendão calcâneo (túnel tarsiano) | avalia a perfusão posterior do pé; pulso chave no exame vascular |
| Pediosa | dorso do pé | lateral ao tendão do extensor longo do halux, no 1º espaço intermetatarsal | ausente de forma congênita em 5% a 10% dos assintomáticos; nunca afirme isquemia só por ela |
| Braquial | sulco bicipital medial | medial ao bíceps, no terço médio do braço | ponto de ausculta da pressão arterial; lesão em fraturas diafisárias do úmero |
| Radial | face anterior do punho | lateral ao tendão do flexor radial do carpo | acesso arterial para hemodinâmica; exigir teste de Allen ou Barbeau prévio |
No membro superior, a rede venosa dorsal da mão dá origem à veia cefálica, que ascende pela borda lateral do antebraço e braço, sulca o sulco deltopeitoral e perfura a fáscia clavipeitoral para desaguar na veia axilar — trajeto que a torna o local clássico de cutdown venoso central —, e à veia basílica, que sobe pela borda medial, perfura a fáscia profunda no terço médio do braço e junta-se às venas braquiais para formar a axilar. Na fossa cubital, a veia mediana cubital conecta cefálica e basílica e é o sítio padrão de venopunção: a aponeurose bicipital a separa da artéria braquial e do nervo mediano, o que explica a segurança relativa do acesso. A veia mediana do antebraço drena a face anterior e se bifurca em cefálica e basílica acessórias.
No membro inferior, o sistema superficial tem duas veias âncora. A veia safena magna nasce da veia dorsal medial do pé, passa anteriormente ao maléolo medial (relação constante e clássica para cutdown de emergência), sobe pela face medial da perna acompanhada pelo nervo safeno — cuja lesão na retirada da veia causa parestesia da face medial da perna e do dorso medial do pé —, contorna posteriormente o côndilo femoral medial e ascende pela face anteromedial da coxa até desaguar na veia femoral através do hiato safeno (fossa oval), cerca de 3 a 4 cm inferolateral ao tubérculo pubiano; possui 10 a 20 valvas e, junto à junção safenofemoral (crosse), recebe as veias epigástrica superficial, circunflexa ilíaca superficial, pudenda externa e safenas acessórias. A veia safena parva (menor) nasce da veia dorsal lateral do pé, passa posterior ao maléolo lateral, sobe pelo meio da panturrilha acompanhada do nervo sural, perfura a fáscia e termina na veia poplítea na junção safenopoplítea, cujo nível varia.
O sistema venoso profundo dos membros inferiores começa nos seios musculares do sóleo e gastrocnêmios — origem clássica da trombose venosa profunda —, segue como pares de venas comitantes das artérias tibiais e fibular, converge para as veias poplítea e femoral e depois ilíaca externa. As veias perfurantes atravessam a fáscia profunda e conectam o sistema superficial ao profundo; suas valvas direcionam o fluxo de fora para dentro (superficial para profundo), e a bomba muscular da panturrilha, ao comprimir as veias profundas durante a deambulação, aspira o sangue superficial através delas. As perfurantes de Cockett, na face medial do terço distal da perna, ao se tornarem incompetentes, transmitem a hipertensão profunda ao território supramaleolar medial — a área da meia (gaiter area), sede clássica da úlcera venosa. O refluxo e a dilatação crônica da crosse e da safena constituem a base fisiopatológica das varizes primárias e da insuficiência venosa crôniana.
A linfa dos membros segue dois plexos: o superficial, que acompanha as veias superficiais, e o profundo, que acompanha as artérias. No membro inferior, os coletores superficiais drenam para os linfonodos inguinais superficiais (arranjados ao longo da veia safena magna e do ligamento inguinal) e os profundos drenam primeiro para os linfonodos poplíteos; todos convergem aos linfonodos inguinais profundos, no canal femoral, e destes para as cadeias ilíacas externa, comum e paraaórtica. A linfa paraaórtica desemboca na cisterna do quilo, estrutura dilatada situada à direita da aorta em frente às vértebras L1 e L2, que continua como ducto torácico: um vaso de 38 a 45 cm que entra no tórax pelo hiato aórtico (T12), ascende entre a aorta e a veia ázigos, cruza para a esquerda por volta de T5 e termina no ângulo venoso esquerdo (junção das veias jugular interna esquerda e subclávia esquerda). O membro superior direito, a metade direita da cabeça e do pescoço e as estruturas torácicas direitas drenam pelo pequeno ducto linfático direito (cerca de 1 a 1,5 cm) no ângulo venoso direito.
Essa arquitetura explica sinais cobrados em provas e provas de clínica: o linfonodo supraclavicular esquerdo (sinal de Virchow-Troisier) recebe linfa do território abdominal pelo ducto torácico, e sua palpação duro-elástica levanta suspeita de neoplasia gástrica, pancreática, ovarian ou pulmonar; os linfonodos axilares organizam-se em três níveis em relação ao músculo peitoral menor (nível I lateral ou inferior, nível II posterior e nível III medial ou apical) e recebem cerca de 75% da drenagem linfática da mama, base da biópsia do linfonodo sentinela e da linfadenectomia axilar; e o linfonodo de Cloquet, mais proximal dos inguinais profundos, na fronteira femoral, marca a rota de disseminação de tumores de genitália externa e de membros inferiores. Dissecções dessas cadeias (axilar, inguinal) interrompem a drenagem e explicam o linfedema pós-operatório de membro.
A punção da artéria femoral para cateterismo cardíaco e intervenções vasculares usa referências ósseas, não a prega inguinal (que varia): palpa-se a espinha ilíaca anterossuperior e o tubérculo pubiano, marca-se o ponto médio do ligamento inguinal e punciona-se a artéria 1 a 2 cm abaixo dele. Punções muito altas (acima do ligamento) podem lesar a ilíaca externa e causar hematoma retroperitoneal silencioso e potencialmente fatal; punções muito baixas trespassam a bifurcação ou a femoral profunda, aumentando o risco de pseudoaneurisma e de fistulação arteriovenosa. O acesso radial, preferido na coronariografia, exige comprovação prévia da dupla circulação da mão (teste de Allen ou Barbeau) e compressão pós-procedimento controlada, com vantagens de deambulação imediata e menos complicações vasculares locais.
Na doença renal terminal, a fístula arteriovenosa interna é o acesso de eleição por maior sobrevida e menos infecções que cateteres. A primeira opção é a fístula rádio-cefálica (Brescia-Cimino) no punho ou na tabaqueira anatômica, preferencialmente no braço não dominante; seguem-se a braquiocefálica (cefálica no sulco deltopeitoral anastomosada à braquial, com bom fluxo e boa maturação) e a braquiobasílica com transposição da basílica para subcutâneo (mais complicada, porém de salvage). A maturação da fístula exige 6 a 8 semanas para que a veia arterializada aumente de calibre e fluxo; complicações incluem furto de fluxo isquêmico da mão (steal), insuficiência cardíaca de alto débito em fístulas proximais de alto fluxo e aneurismas de punctura. Procedimentos de resgate usam a anatomia das anastomoses para descomprometer o arco palmar.
Nos enxertos arteriais, a safena magna invertida continua sendo o conduto padrão-ouro para revascularização de membros inferiores (femoropoplítea e distal), com patência superior aos enxertos protéticos de politetrafluoretileno, sobretudo abaixo do joelho; quando indisponível, usam-se safena parva, veia do braço (cefálica ou basílica) ou condutos protéticos. O aneurisma poplítico é o mais comum dos aneurismas periféricos (cerca de 70% deles), frequentemente bilateral e associado a aneurisma de aorta abdominal; o risco maior não é a rotura, mas a trombose e a embolização distal com ameaça de membro — o tratamento clássico é a exclusão do aneurisma com bypass venoso, e o endovascular cresce como alternativa. Fraturas supracondilianas do fêmur e do úmero (colo cirúrgico, com as circunflexas) e luxações do joelho quedam como as lesões vasculares agudas traumáticas dependentes destas relações anatômicas: pé ou mão pálidos, frios e sem pulso após trauma exigem avaliação vascular imediata.
Variações vasculares são frequentes e mudam a conduta de punção, dissecção e interpretação de imagem. As mais cobradas: origem alta da artéria radial (a partir da axilar ou da braquial proximal, em aproximadamente 10% das pessoas, com séries variando de 6% a 14%), que pode ser confundida com a própria braquial e lesionada em procedimentos de antebraço; artéria ulnar superficial (relação subcutânea no antebraço, 1% a 4% conforme a série), com risco de injeção intra-arterial acidental; artéria persistente do nervo isquiático (continuação embrionária da artéria isquiática, cerca de 0,05%, frequentemente aneurismática e fonte de embolia distal); artéria subclávia direita aberrante ou lusória (nasce da aorta descendente e passa atrás do esôfago, 0,5% a 1%, causando disfagia lusória); veia cava inferior duplicada (cerca de 1% a 2%, com continuidade pela veia ázigos, relevante em filtros de cavas e cateterismos); e veia renal esquerda retroaórtica (cerca de 2%), relevante na cirurgia da aorta e na síndrome do quebra-nozes.
| Variação anatômica | Frequência aproximada | Implicação clínica |
|---|---|---|
| Origem alta da artéria radial | cerca de 10% (6% a 14%) | confusão com a braquial; lesão iatrogênica em acessos e cirurgias de antebraço |
| Artéria ulnar superficial | 1% a 4% | risco de injeção intra-arterial acidental em punção venosa de antebraço |
| Subclávia direita aberrante (lusória) | 0,5% a 1% | disfagia lusória por compressão retroesofágica |
| Veia cava inferior duplicada | 1% a 2% | drenagem pela ázigos; altera implante de filtro e acessos centrais |
| Artéria persistente do isquiático | cerca de 0,05% | aneurisma e trombose com isquemia de membro |
| Veia renal esquerda retroaórtica | cerca de 2% | lesão em pinçamento aórtico; síndrome do quebra-nozes |
1.Ao nível de qual estrutura a artéria braquial se bifurca nas artérias radial e ulnar?
2.Quais estruturas atravessam o canal adutor (de Hunter)?
3.Na fossa poplítea, qual é a estrutura mais profunda?
4.A veia safena magna passa por qual relação clássica no tornozelo?
5.O conteúdo do triângulo femoral, da lateral para a medial, segue qual sequência?
6.Qual é a principal utilidade prática do teste de Allen antes de punção ou cateterismo da artéria radial?
7.Qual artéria é palpada imediatamente posterior ao maléolo medial, entre este e o tendão calcâneo?
8.A veia cefálica desagua habitualmente em qual veia após percorrer o sulco deltopeitoral?
9.A retirada cirúrgica da veia safena magna para enxerto coronariano pode causar parestesia em qual território cutâneo?
10.O linfonodo supraclavicular esquerdo (sinal de Virchow-Troisier) recebe linfa de qual grande conduto, explicando sua associação com neoplasias abdominais?
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