Baseado nos artigos publicados da matéria Semiologia e Propedêutica Médica da Central de Estudos (fonte principal) e nas séries JAMA Rational Clinical Examination, revisões NEJM/BMJ, diretrizes ACC/AHA 2017, SBC 2020, AHA/ASA 2019, AAO-HNS 2017, INS 2024 e protocolo BLUE (complemento, sempre com DOI). Resumo de estudo — na prática real, siga o protocolo institucional vigente.
01
Anamnese e história clínica
estrutura da anamnese · queixa principal e HDA · análise dimensional dos sintomas · técnica da entrevista (Calgary-Cambridge) · rendimento diagnóstico
Anamnese
66/80
pacientes com diagnóstico pela história (Hampton, BMJ 1975)
Exame físico
7/80
contribuição isolada do exame no mesmo estudo
Exames
7/80
contribuição dos laboratórios no ambulatório
Dimensões
7
atributos que caracterizam qualquer sintoma
1. Estrutura obrigatória da anamnese
Identificação: nome, idade, sexo, cor/etnia declarada, estado civil, profissão, naturalidade e procedência (epidemiologia em uma linha).
Queixa principal (QP): em palavras do paciente, sem tradução técnica — dor de barriga, não abdome agudo.
História da doença atual (HDA): narrativa cronológica da QP com os atributos dimensionais e os sintomas associados.
Interrogatório sintomatológico (revisão por sistemas): cardiovascular, respiratório, digestivo, urinário, neurológico, ginecológico, etc.
sintomas concomitantes que definem síndrome (febre, sudorese, náusea, síncope)
Contexto e tratamentos prévios
o que desencadeou, o que já usou e com qual resposta
3. Técnica da entrevista: o método Calgary-Cambridge
Iniciar a sessão: preparação, saudação, apresentação, obtenção do motivo da consulta (pergunta aberta inicial).
Colher informação: exploração do problema com perguntas abertas antes das fechadas, facilitação, silêncio estratégico, escuta sem interromper, checagem e clarificação, uso da linguagem do paciente.
Estrutura interna: sondar a perspectiva do paciente — ideias, preocupações e expectativas (ICE) e o impacto da doença na vida (contexto).
Explicação e planejamento: fornecer informação em blocos, checar a compreensão, envolver o paciente nas decisões.
Fechar a sessão: resumo final, contrato dos próximos passos e encerramento com segurança.
4. Do sintoma à hipótese: rendimento e armadilhas
A anamnese dirige o resto da propedêutica: define qual exame tem valor e qual achado esperado confirmará a hipótese. O erro oposto ao da anamnese fraca é o excesso de confiança no teste complementar: no estudo clássico de Hampton, os exames acrescentaram 7 diagnósticos em 80 pacientes ambulatoriais — a minoria. Sintomas-guia que organizam o raciocínio:
Sintoma-guia
Pensar primeiro em
Dor torácica aguda
isquêmica (aperto + esforço + irradiação), dissecção (rasgamento para as costas), pleuropulmonar (pleurítica), digestiva
Dispneia
cardíaca (ortopneia, dispneia paroxística noturna), pulmonar (sibilos, tosse), anemia, TEP
tensional, migrânea (aura, pulsátil), hipertensiva, sintoma de alerta (súbita em trovoada, febre + rigidez de nuca, déficit focal)
Perda de peso
hipertireoidismo, diabetes, neoplasia, tuberculose, depressão — sempre quantificar em tempo
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalEstudante conduz a anamnese de paciente com dor precordial. Para caracterizar corretamente a queixa dentro da análise dimensional dos sintomas, ele deve obrigatoriamente investigar:
2.IntermediárioSobre o rendimento diagnóstico dos métodos propedêuticos, o estudo clássico de Hampton e colaboradores (BMJ, 1975) em ambulatório geral demonstrou que:
inspeção global · pressão arterial: técnica e classificação · pulso e frequências · respiração e SpO₂ · temperatura (o mito de 37 °C) · escores de deterioração (NEWS2)
PA normal
< 120/80
mmHg — sistólica e diastólica (ACC/AHA 2017)
FC adulto
60–100
bpm em repouso
FR adulto
12–20
irpm — taquipneia é sinal precoce de gravidade
Temperatura
36,8
°C média oral; limite superior à tarde ≈ 37,7
1. Exame físico geral: a inspeção que começa na porta
Estado geral, nível de consciência, atitude (repouso forçado, posição antálgica, ortopneia) e decúbito preferido.
Hidratação (turgor da pele, mucosas, olhos encovados), nutrição (IMC, perda de massa), coloração de pele e mucosas.
Palidez cutaneomucosa, icterícia (escleras primeiro), cianose central (língua e lábios) × peripheral (extremidades), hiperemia.
Edema: godet (fóvea) — graus; localização (tornozelos, sacral no acamado, periorbitária na nefrótica).
Linfonodos palpáveis de rotina: cervicais, axilares e inguinais (ver módulo de cabeça e pescoço).
2. Pressão arterial: técnica correta antes do número
Paciente sentado, costas apoiadas, pés no chão, braço apoiado na altura do coração, sem conversa, 5 minutos de repouso prévios.
Manguito com largura de ~40% da circunferência do braço e bolsa cobrindo 80–100% do perímetro — manguito estreito SUPERESTIMA a PA.
Palpar o pulso radial e inflar 20–30 mmHg acima do desaparecimento; desinflar 2–3 mmHg por batimento.
Fase I de Korotkoff = sistólica; fase V (desaparecimento) = diastólica; registrar em mmHg com braço e manguito usados.
Primeira consulta: medir nos DOIS braços (diferença relevante sugere subclávia/dissecção) e, em idosos, considerar ortostatismo (1 e 3 min).
Classificação ACC/AHA 2017
Sistólica
Diastólica
Normal
< 120
e < 80
Elevada
120–129
e < 80
Hipertensão estágio 1
130–139
ou 80–89
Hipertensão estágio 2
≥ 140
ou ≥ 90
Crise (avalie dano agudo)
≥ 180
e/ou ≥ 120
Nota de divergência: as diretrizes europeia e a brasileira (SBC 2020) mantêm ≥ 140/90 mmHg como limiar de hipertensão no consultório — a acusa de estágio 1 em 130–139/80–89 é particular do ACC/AHA 2017. Em prova brasileira, sem menção à diretriz, dê preferência ao corte ≥ 140/90 e conheça as duas classificações.
3. Pulso, frequência cardíaca e frequência respiratória
Pulso radial (ou braquial em choque): frequência, ritmo, amplitude e tensão — 15 s × 4 quando regular; contar 1 minuto inteiro se irregular.
Déficit de pulso (radial < apical): fibrilação atrial — contrações sem ejeção eficaz.
Pulsos alternantes, paradoxais e finos: baixo débito/tamponamento; assimetria entre membros: dissecção, coarctação, oclusão periférica.
FR: contar SEM AVISAR o paciente, observando o tórax — a taquipneia é o sinal vital mais subestimado; padrão de Cheyne-Stokes (insuficiência cardíaca terminal, encefalopatia).
SpO₂ de pulso: normal ≥ 95% no ar ambiente ao nível do mar; falsas leituras com má perfusão, esmalte, icterícia e intoxicação por monóxido de carbono.
4. Temperatura: o fim do mito de 37 °C
Mackowiak e colaboradores (JAMA, 1992) reavaliaram a temperatura oral de voluntários sadios: a média é 36,8 °C — e não 37 °C —, com variação circadiana de cerca de 0,5 °C e limite superior da normalidade ao redor de 37,7 °C no final da tarde. Logo, 37,2 °C ao entardecer pode ser normal. A febre clássica se define como temperatura central acima dos limites normais para o horário — na prática, ≥ 38,0 °C (sítio central/axilar com correção).
Sinal vital alterado
Associação que a prova cobra
Taquipneia com febre
pneumonia, sepse — o par que mais antecede deterioração
Bradirritmia com síncope
bloqueio atrioventricular, disfunção do nódulo sinusal
broncoespasmo com hipoxemia — oxigênio já é terapia
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalTécnico mede a PA de mulher obesa com manguito padrão adulto em braço de circunferência grande, obtendo 152/94 mmHg. O exame físico é normal e a paciente assintomática. A conduta correta é:
2.IntermediárioHomem, 78 anos, chega com sonolência, FR 26 irpm, SpO₂ 90% em ar ambiente, T 36,1 °C, PA 92/58 mmHg, FC 118 bpm. Sobre a interpretação desses sinais vitais:
5º espaço intercostal esquerdo, linha hemiclavicular
valva mitral — com campânula e paciente em decúbito lateral esquerdo
2. Inspeção e palpação: ictus, frêmito e impulso ventricular
Ictus cordis normal: 5º espaço intercostal esquerdo, cerca de 1 cm medial à linha hemiclavicular, ocupa ~1 cm², mais evidente em magros e melhor palpado no fim da expiração.
Ictus deslocado para baixo e fora (lateral), alargado ou difuso: hipertrofia/dilatação do VE; ictus sustentado (pressivo): sobrecarga de pressão; hipercinético: sobrecarga de volume.
Frêmito vibratório (purr-like) = sopro de alta intensidade (grau ≥ 4/6): estenose aórtica (2º RCD irradiando para o pescoço) e estenose mitral no ápice.
Impulsão paraesternal esquerda baixa: sobrecarga/dilatação do VD; frêmito sistólico no foco aórtico irradiando para o pescoço: estenose aórtica.
3. Veias jugulares: a coluna que mede o lado direito
Paciente a 45°, cabeça levemente girada para o lado oposto, luz tangencial: localize a pulsação venosa interna acima das clavículas — pulsação dupla (ondas a e v), de baixa amplitude, que colapsa com a inspiração.
Referência: ângulo esternal (de Louis) situa-se ~5 cm acima do átrio direito; normal = pulsação visível até 3 cm acima do ângulo; acima disso, pressão venosa elevada (congestão direita, IC, tamponamento).
Refluxo hepatojugular: compressão sustentada do hipocôndrio direito por 10–15 s com elevação persistente da coluna = congestão direita/IC com pressão de enchimento elevada.
Sinal de Kussmaul (jugulares ENCHENDO na inspiração): constricção pericárdica, infarto de VD — não confundir com pulso paradoxal.
4. Bulhas: B1, B2, B3 e B4, e os desdobramentos
Achado
Significado
B1 intensificado
est. mitral (valva ainda móvel), taquicardia, curto PR
B1 abafado
est. mitral calcificada, bloqueio de ramo esquerdo, insuf. aórtica grave
B2 (componente pulmonar) intensificado
hipertensão pulmonar
B3 (terceira bulha, galope ventricular)
ventrículo dilatado e cheio: IC, insuficiências valvares graves — em adulto é patológico
B4 (quarta bulha)
ventrículo rígido e hipertrofiado: HAS, est. aórtica, miocardiopatia hipertrófica — perda de complacência
Desdobramento fisiológico de B2
inspiração separa A2-P2 — normal no jovem
Desdobramento FIXO de B2
comunicação interatrial (CIA)
Desdobramento PARADOXAL de B2
bloqueio de ramo esquerdo
B1 intensificado + estalido de abertura mitral
estenose mitral reumática
Sobre acurácia: a literatura de exame físico baseado em evidências mostra que a terceira bulha e a turgência jugular têm sensibilidade baixa, porém especificidade alta para disfunção/congestão do ventrículo esquerdo — quando presentes, pesam fortemente a favor (McGee, Evidence-Based Physical Diagnosis). Na diretriz ESC 2021 de valvopatias, a ausculta permanece o rastreio inicial: sopro diastólico, sopro sistólico intenso (≥ 3/6, com frêmito) ou sopro com sintomas encaminham ao ecocardiograma.
5. Sopros: classificação e manobras que a prova cobra
Todo sopro DIASTÓLICO é patológico. Sistólicos se dividem em ejetivos (crescente-decrescente, estenoses) e regurgitativos (holossistólicos, insuficiências). Graduação 1–6/6; frêmito a partir de 4. As manobras à beira do leito mudam a pré e a pós-carga e diferenciam sopros (Lembo et al., NEJM 1988):
Manobra
O que muda
Aplicação clássica
Inspiração profunda
↑ retorno venoso direito
aumenta sopros do lado DIREITO (est. tricúspide, insuf. tricúspide) — sinal de Carvallo
Manobra de Valsalva (fase de esforço)
↓ pré-carga (↓ retorno venoso)
AUMENTA o sopro da miocardiopatia hipertrófica e DIMINUI o da estenose aórtica e das regurgitações
Agachamento / handgrip
↑ pós-carga (↑ resistência periférica)
aumenta insuf. aórtica e IM; diminui miocardiopatia hipertrófica e est. aórtica
Sentado, inclinado à frente, em expiração
aproxima a aorta do tórax
melhor ouvir a insuficiência AÓRTICA (borda esquerda)
Decúbito lateral esquerdo
aproxima o ápice da campânula
melhor ouvir est. mitral e IM (sopro em foco mitral)
Sopro
Padrão clássico
Estenose aórtica
ejetivo, crescente-decrescente, 2º RCD → carótides, frêmito, pulsos parvos e tardios (parvus et tardus)
Insuficiência aórtica
diastólico, decrescente, borda esquerda (Erb), sentado inclinado em expiração; pulsos amplos (Corrigan), pressão de pulso larga
Estenose mitral
diastólico, rumble no ápice + estalido de abertura, decúbito lateral esquerdo, B1 forte
Insuficiência mitral
holossistólico, ápice → axila, irradiando para a axila, 3ª bulha frequente
Miocardiopatia hipertrófica obstrutiva
ejetivo em borda esternal esquerda, AUMENTA com Valsalva, diminui com agachamento
Sopro inocente/funcional
sistólico ejetivo curto, grau ≤ 2/6, jovem, sem frêmito, varia com posição, sem outras anormalidades
6. Pulsos: o que a palpação agrega
Parvus et tardus (pequeno e de ascensão lenta): estenose aórtica grave.
Pulsos amplos e saltantes (Corrigan) com pressão de pulso ampla: insuficiência aórtica importante.
Pulsus paradoxus: queda da sistólica > 10 mmHg na inspiração — tamponamento cardíaco, asma grave.
Assimetria entre braços ou braços × pernas (fêmur): dissecção de aorta e coarctação, respectivamente.
1.IntermediárioJovem de 19 anos, atleta, sopro sistólico ejetivo grau 2/6 em foco pulmonar, sem frêmito, sem irradiação, varia com a posição, exame cardíaco de resto normal e assim sintomático. Conduta propedêutica:
2.AvançadoDurante a ausculta, sopro sistólico ejetivo em borda esternal esquerda que AUMENTA intensidade com a manobra de Valsalva e DIMINUI com o agachamento, com B4 audível. O achado sugere:
sequência do exame · expansibilidade e frêmito · percussão · murmúrio vesicular e ruídos adventícios · padrões sindrômicos · acurácia dos sinais
1. Sequência e o que cada tempo avalia
Inspeção: frequência, ritmo e padrão respiratório (torácico × toracoabdominal), tiragem, uso de musculatura acessória, cianose; deformidades: tórax em barril (hiperinsuflado), peito de pombo, tórax escavado, cifoescoliose.
Palpação: expansibilidade (polegares divergentes no esterno/nivel superior — simetria), frêmito tóraco-vocal (fale trinta e três), elástica/crepitações de estertores de origem óssea/muscular, pontos dolorosos (costela, processo espinhoso).
Percussão: som claro pulmonar é o normal; som maciço ou submateza indicam consolidação/derrame; timpanismo indica pneumotórax/cavidades; hipersonoridade indica hiperinsuflação; definir altura da macicez hepática e a borda cardíaca.
Ausculta: comparar os dois lados em locais simétricos, de cima para baixo, anterior e posterior, com o paciente respirando pela boca — murmúrio vesicular, ruídos adventícios, voz (egofonia, pectoriloquia).
2. Murmúrio vesicular e a voz através do pulmão
Murmúrio vesicular normal: inspiratório mais longo e intenso que o expiratório, presente difusamente.
Sopro brônquico (bronquial): expiração mais longa, som tubular — consolidação alveolar (pneumonia) e às vezes acima de derrames.
bolhoso, início da inspiração/expiração, muda com a tosse
secreções em vias aéreas: bronquite, bronquiectasia
Sibilos
musical, contínuo, predominantemente expiratório
broncoespasmo: asma, DPOC; sibilo fixo monótono localizado = obstrução (corpo estranho, tumor)
Roncos
grave, contínuo, grande via aérea, some com tosse
secreções/edema de parede brônquica
Atrito pleural
crepitação de couro, superficial, dor concomitante
pleurite inflamatória
4. Padrões sindrômicos: a tabela que resume o tórax
Achado
Consolidação (pneumonia)
Derrame pleural
Pneumotórax
Atelectasia/obstrução
Broncoespasmo
Frêmito tóraco-vocal
aumentado
diminuído/abolido
diminuído/abolido
diminuído
normal
Percussão
submateza/macicez
macicez (nível superior)
timpanismo
submateza
hipersonoridade (DPOC)
Murmúrio vesicular
sopro brônquico
abolido
abolido
abolido
globalmente reduzido
Voz
egofonia/pectoriloquia
abolido
abolido
abolido
normal
Ruídos adventícios
crepitantes finos
atrito pleural acima do derrame
nenhum
nenhum
sibilos difusos
5. Acurácia dos sinais: o que a evidência mostra
Metlay e colaboradores (JAMA, 1997 — série Rational Clinical Examination) revisaram o diagnóstico de pneumonia comunitária por história e exame físico: nenhuma achado isolado, nem combinação de achados clínicos, é capaz de CONFIRMAR pneumonia; em contrapartida, a ausência de qualquer alteração dos sinais vitais combinada à ausculta normal reduz substancialmente a probabilidade. Tradução prática: o exame físico serve muito mais para levantar e para afastar a hipótese do que para fechá-la — a imagem confirma. Achados isolados de alta especificidade (p.ex. egofonia) têm baixa sensibilidade: raros, mas fortes quando presentes.
Da ausculta à conduta propedêutica
Padrão sindrômico identificado no exame físico do tórax?
1.FundamentalHomem, 60 anos, febre e tosse. Exame: frêmito aumentado na base direita, submateza à percussão, sopro brônquico e crepitantes finos tardios na mesma área. O padrão sindrômico é:
2.AvançadoSobre a acurácia da história e do exame físico no diagnóstico de pneumonia comunitária, a revisão da série JAMA Rational Clinical Examination (Metlay et al., 1997) concluiu que:
sequência (ausculta antes!) · inspeção e percussão · palpação de fígado e baço · sinais de peritonite · Murphy, McBurney e pontos dolorosos · ascite · acurácia dos sinais
1. Inspeção e ausculta
Inspeção: forma (globoso, escavado, em batráquio com circulação colateral — hipertensão portal, com sopro venoso de Cruveilhier-Baumgarten), abaulamentos localizados (hérnias, massas), cicatrizes cirúrgicas, umbigo (hérnia, cianose periumbilical — sinal de Cullen na pancreatite), peristalse visível (obstrução de delgado), pulsações (aneurisma de aorta).
Ausculta: ruídos hidroaéreos presentes e ritmados (nas séries clássicas, cerca de 5–30/min); amplificados e metálicos (sino) na obstrução intestinal; abolidos no íleo paralítico/peritonite; sopros (epigástrico: estenose de artéria renal ou ateroma aórtico).
2. Percussão: bordas, timpanismo e ascite
Timpanismo predomina no abdome normal; macicez hepática fisiológica no hipocôndrio direito.
Altura do fígado pela linha hemiclavicular: aproximadamente 6–12 cm — acima disso hepatomegalia, abaixo atrofia.
Ascite: macicez flutuante/deslocável com mudança de decúbito (o sinal manual mais útil), sinal da onda líquida (onda transmitida ao lado oposto), sinal da poça (decúbito lateral, detecta volumes menores).
Macicez fixa sobre massa ou bexiga retida; timpanismo difuso exagerado no meteorismo/obstrução.
3. Palpação: técnica e vísceras
Paciente em decúbito dorsal, quadris e joelhos fletidos, respiração pela boca; palpe PRIMEIRO a região INDOLORA; palpação superficial (cutânea e muscular) antes da profunda, em todos os quadrantes, acompanhando a expiração.
Fígado: palpação em gancho na borda inferior durante a inspiração — registre borda (regular/nodular), consistência (macia/dura), sensibilidade e projeção abaixo do rebordo costal (borda até 1–2 cm abaixo do rebordo pode ser normal em magros; além disso, ou altura hepática > 12 cm, define hepatomegalia).
Baço: começa a crescer para baixo e à esquerda; classicamente só se torna palpável quando aumenta cerca de 2–3 vezes — baço palpável é achado anormal que pede investigação.
Rins: manobra de punho-percussão bimanual (ballottement); punho-percussão lombar positiva (sinal de Giordano) sugere pielonefrite/litíase.
Aorta: palpar o pulso aórtico no epigástrio e medir sua largura em pacientes de risco — massa pulsátil e expansiva sugere aneurisma.
4. Sinais e pontos dolorosos: sinal → estrutura
Sinal/ponto
Como se examina
Aponta para
Murphy
palpação do hipocôndrio direito durante a inspiração profunda — interrupção da inspiração pela dor
colecistite aguda
McBurney
ponto na junção do terço externo com os dois terços internos da linha espinha ilíaca anterossuperior direita-umbigo
apendicite (dor localizada)
Blumberg (descompressão)
compressão lenta seguida de descompressão brusca — dor à retirada
peritonite (irritação parietal)
Rovsing
palpação do quadrante inferior esquerdo gera dor no direito
peritonite apendicular
Psoas
dor à extensão passiva/ativa da coxa direita contra resistência
apendicite retrocecal/abscesso psoas
Obturador
dor à rotação interna do fêmur fletido
apendicite pélvica
Punho-percussão lombar (Giordano)
golpe leve com o punho no ângulo costovertebral
pielonefrite, litíase renal
5. Acurácia dos sinais: colecistite como exemplo
Trowbridge e colaboradores (JAMA, 2003 — Rational Clinical Examination) revisaram o diagnóstico de colecistite aguda: o sinal de Murphy tem razão de verossimilhança positiva de apenas 2,8 (IC 95% 0,8–8,6) — útil, mas inconclusivo isolado; a dor/dor à palpação do hipocôndrio direito tem LR− de 0,4 quando ausente; e a IMPRESSÃO clínica global do examinador é o que performa melhor, com LR+ de 25–30. A lição de prova: sinais isolados orientam, o conjunto do examinador experiente decide, e a ultrassonografia confirma ( Murphy ultrassonográfico incluído).
Abdome agudo: da palpação à conduta
Dor abdominal aguda — há sinais de peritonite ou instabilidade?
▼
Peritonite (Blumberg, abdome em tábua, RHA abolidos) ou instabilidade
Nada por via oral, acesso venoso, analgesia, exames e cirurgião — a causa (perfuração apendicular, úlcera perfurada, isquemia) define o tratamento.
Dor localizada sem peritonite — use os pontos
McBurney + migração peri-umbilical → quadrante direito: apendicite — escores clínicos + ultrassom e beta-hCG quando dúvida.
Murphy + dor pós-prandial gordurosa: colecistite — ultrassonografia confirma.
Giordano + dor lombar em cólica: uropatia/litíase — tomografia sem contraste se persistir.
Dor difusa com peristalse aumentada e timpanismo
Obstrução intestinal: radiografia simples (níveis hidroaéreos), identificar ponto de transição e causa cirúrgica × aderencial.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalAo examinar paciente com dor abdominal, o estudante inicia pela palpação profunda do quadrante doloroso, depois percute e por fim ausculta. Qual o erro e sua consequência?
2.IntermediárioMulher, 44 anos, dor no hipocôndrio direito iniciada após refeição gordurosa, febre baixa, náuseas. Ao exame, interrupção da inspiração profunda à palpação do hipocôndrio direito. Sobre o sinal descrito e seu valor diagnóstico:
TCE grave ≤ 8, moderado 9–12, leve 13–15 (Teasdale e Jennett, Lancet 1974). O detalhe de prova: Glasgow 8 ou menos = indicação de proteção da via aérea. Use sempre o MELHOR lado motor e registre o lado examinado; na escala rápida, AVPU (alerta, resposta à voz, resposta à dor, sem resposta) correlaciona-se com o nível de consciência.
2. Pares cranianos: o essencial por par
I: olfato com cada narina (anosmia pós-TCE). II: acuidade visual e fundo de olho (papiledema, atrofia).
II, III: pupilas — tamanho, simetria, fotorreagência e acomodação; anisocoria com midríase fixa = urgência (herniação).
III, IV, VI: movimentos oculares nos 6 campos (diplopia, ptose, estrabismo).
V: sensibilidade nos 3 ramos, reflexo corneano, masseteres. VII: movimentos faciais — fechar olhos, mostrar dentes, franzir testa (lesão CENTRAL poupa o terço superior).
VIII: sussurro, Weber e Rinne (condução × neurossensorial). IX-X: elevação do paladar — úvula desvia para o lado SÃO; reflexo de náusea.
XI: encolher ombros e girar a cabeça contra resistência. XII: protrusão da língua — desvia para o lado da LESÃO.
3. Motricidade: força, tônus e a tabela UMN × LMN
Força pelo Medical Research Council: 0 = sem contração; 1 = contração sem movimento; 2 = movimento com gravidade eliminada; 3 = vence a gravidade sem resistência; 4 = vence resistência parcial; 5 = normal. Teste grupos proximais e distais, compare os lados e procure sinais de liberação piramidal:
Achado
Lesão de neurônio motor superior (piramidal)
Lesão de neurônio motor inferior (corno anterior/raiz/nervo)
Força
diminuída em padrão piramidal (extensores do braço, flexores da perna)
poliomielite, radiculopatia, neuropatia periférica, ELA (combina ambos)
Pronator drift (braços estendidos, olhos fechados): o lado piramidal supina e cai — teste sensível de lesão sutil.
Babinski: extensão do hálux (e abertura dos dedos) ao estímulo lateral plantar = lesão do tracto corticoespinhal em adultos.
Marcha: hemiparética (circundução), parkinsoniana (anteflexão, passos curtos, festinação), atáxica cerebelar (base alargada, irregular de olhos abertos), em tesoura (paraparesia espástica).
4. Sensibilidade, coordenação e meninges
Sensibilidade superficial: tato fino, dor (agulha), temperatura; profunda: vibração (diapasão 128 Hz no estilóide/maléolo) e propriocepção (mover o dedo do pé); cortical: grafestesia, estereognosia, extinção bilateral (comparar com as primárias).
Romberg: INESTABILIDADE QUE PIORA AO FECHAR OS OLHOS = via proprioceptiva/vestibular; o cerebelar já está instável de olhos abertos.
Meninges: rigidez de nuca, Kernig (resistência à extensão do joelho com quadril fletido), Brudzinski (flexão do pescoço flexiona os quadris) — sensibilidade baixa, especificidade alta: sinais ausentes NÃO excluem meningite (idosos, imunossuprimidos).
Nível sensitivo em tórax/abdome localiza lesão medular — demarcar o dermátomo onde a sensibilidade se altera e examinar a região de transição com cuidado.
5. AVC agudo: reconhecer e acionar
Escala pré-hospitalar tipo Cincinnati (FACE-Arms-Speech-Time): assimetria facial, fraqueza de braço, fala alterada — qualquer achado aciona a via de AVC; anotar o horário de início (última hora em que o paciente estava bem).
Hipoglicemia imita AVC: glicemia capilar em todo déficit focal agudo antes de rotular.
A diretriz AHA/ASA 2019 organiza a triagem por tempo para terapias de reperfusão (trombólise até 4,5 h; trombectomia em janelas estendidas com seleção por imagem) — o exame físico consistente e o relógio decidem a elegibilidade.
NIHSS: escore focal de gravidade aplicado na admissão; domínios centrais: consciência, olhar, campos visuais, paresia facial, motor de braço/perna, ataxia, sensibilidade, linguagem, disartria, extinção/negligência.
6. Semiologia psíquica: o exame do psiquismo em sequência
Humor e afeto: como o paciente se sente (humor) e como o afeto é expresso (congruente, lábil, embotado, restrito).
Percepção: alucinações (sem estímulo externo — auditivas na esquizofrenia, visuais no delirium) × ilusões (estímulo mal interpretado).
Pensamento — curso: fuga de ideias, tangencialidade, incoerência, bloqueio; conteúdo: delírios (certeza errônea não corrigível), ideação suicida/homicida, obsessões.
Consciência e insight: orientado? reconhece a doença? aderirá ao tratamento?
Cognição: MEEM/MoCA — orientação, memória, atenção/cálculo, linguagem e capacidade visuoespacial; interpretar sempre conforme escolaridade.
Quadro
Delirium
Demência
Depressão
Início e curso
agudo, flutuante ao longo do dia
insidioso, progressivo
subagudo, relacionado a humor
Atenção
gravemente prejudicada
preservada até fases tardias
pouco prejudicada
Alucinações
visuais frequentes
tardias/variáveis
auditivas ocasionais graves
Reversibilidade
frequentemente reversível (tratar a causa)
não reversível
tratável
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 67 anos, com força 3/5 no braço direito, tônus aumentado, reflexos bicipital e patelar 4+ com clônus no tornozelo, e Babinski à direita. O padrão lesional é:
2.FundamentalPaciente com infecção respiratória há 3 dias evolui com febre, cefaleia intensa e confusão. Ao exame, rigidez de nuca sem déficits focais. Sobre os sinais meníngeos:
olhos, otoscopia e cavidade oral · tireoide e linfonodos cervicais (massa no adulto) · coluna: dor inflamatória × mecânica · joelho, ombro e mão: testes provocativos com LR
1. Cabeça: olhos, ouvidos e boca
Olhos: palidez conjuntival (anemia), icterícia escleral, pupilas (tamanho, simetria, reação), movimentos e campos por confrontação; exame do fundo de olho em hipertensos, diabéticos e cefaleia (papiledema, hemorragias, exsudatos).
Otoscopia: tracionar a orelha para trás e para cima (adulto); observar conduto, tímpano (transparência, reflexo, abaulamento, perfuração) e realizar pneumatoscopia quando indicado.
Nariz e seios: transparência e obstrução; palpação/percussão dos seios maxilares e frontais (senso clínico — dor à percussão sugere sinusite bacteriana).
Boca e orofaringe: mucosas, dentes, gengivas, lesões brancas/verrugosas ou ulceradas que persistem além de 2–3 semanas exigem investigação — tabagismo e etilismo multiplicam o risco de carcinoma espinocelular oral; palpar as amígdalas e verificar a elevação simétrica do paladar.
2. Pescoço: linfonodos, tireoide e vasos
Linfonodos: palpar cadeias pré e retroauriculares, occipital, cervical anterior e posterior, submandibular, submental, supraclavicular e axilares, com as polpas dos dedos, pescoço levemente fletido; registre tamanho, consistência, mobilidade e dor.
Massa cervical no ADULTO que persiste além de 2 semanas sem causa infecciosa definida é considerada NEOPLÁSICA até prova contrária (diretriz AAO-HNS 2017) — investigação com imagem contrastada e biópsia por agulha fina; tabagismo/etilismo aumentam a probabilidade de carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço.
Linfonodo supraclavicular esquerdo endurecido (sinal de Troisier/Virchow): suspeita de neoplasia gástrica ou pulmonar — investigar.
Tireoide: inspeção com extensão do pescoço, palpação bimanal por trás do paciente durante a deglutição — nódulos, consistência, dor; sinal de Pemberton (congestão facial ao elevar os braços) sugere bócio mergulhante.
Traqueia (desvio), pulsos carotídeos (amplitude) e ausculta de sopros cervicais; jugulares conforme módulo cardiovascular.
Achado cervical
Pensar em
Linfonomegalia occipital
lesões do couro cabeludo, rubéola
Cervical posterior difusa, febre e faringite no jovem
mononucleose infecciosa
Supraclavicular esquerdo duro (Troisier)
neoplasia gástrica/pulmonar
Massa lateral dura e fixa no adulto > 2 semanas
carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço
Linfonodo supraclavicular direito
neoplasia pulmonar/mediastinal
Bócio com nódulo e adenopatia cervical rápida
carcinoma de tireoide — investigar
3. Sistema osteomuscular: a sequência geral
Inspeção: alinhamento, deformidades, atrofia muscular (compare os lados), tumefação, eritema, cicatrizes; marcha e postura.
Palpação: dor pontos (inserções, linha articular), calor, derrame (joelho: sinal da tecla; bolsa suprapatelar), crepitação.
Amplitude de movimento: ATIVA primeiro (o paciente executa), depois PASSIVA (o examinador) — dor ativa + passiva = articular; dor só ativa = tendínea/muscular.
Força muscular por grupo e testes provocativos específicos de cada articulação; sempre compare com o lado contralateral.
4. Coluna: dor inflamatória × mecânica e testes
Dor lombar CRÔNICA em paciente jovem com início insidioso antes dos 40–45 anos, rigidez matinal prolongada que MELHORA com atividade e piora com o repouso (inclusive segunda metade da noite) configura dor inflamatória — a porta de entrada da espondiloartrite axial. Rudwaleit e colaboradores (Ann Rheum Dis, 2004) quantificaram: com prevalência basal de 5% de espondiloartrite axial entre dorsais crônicas, as características de dor inflamatória elevam a probabilidade para cerca de 14%; são necessárias 2 a 3 características adicionais de espondiloartrite para elevar a probabilidade a cerca de 90%, e os exames com maiores razões de verossimilhança são HLA-B27 e ressonância de sacroilíacas.
Schober modificado: marque 10 cm acima e 5 cm abaixo da linha interespinhosa lombossacra; na flexão máxima, expansão < 5 cm sugere limitação axial (espondiloartrite).
Lasègue (elevação da perna estendida): dor radicular irradiando abaixo do joelho entre 30–60° sugere radículopatia (hérnia discal); dor lombar alta isolada é inespecífica.
Teste de FABER (flexão, abdução, rotação externa): dor inguinal = quadril; dor lombossagrada posterior = articulação sacroilíaca.
Palpação de processos espinhosos e pontos paravertebrais; teste de Adams (flexão anterior) para escoliose e giba costal.
5. Joelho: os testes e a acurácia real
Teste
Estrutura avaliada
Valor (Solomon et al., JAMA 2001)
Lachman (flexão 20–30°, tração anterior da tíbia)
ligamento cruzado anterior
LR+ 25,0 (IC 2,7–651) e LR− 0,1 — o melhor teste isolado do LCA
Gaveta anterior (flexão 90°)
ligamento cruzado anterior
LR+ 3,8 — menos acurado que o Lachman, sobretudo no agudo
McMurray
meniscos
LR+ 1,3 (0,9–1,7) e LR− 0,8 — praticamente não muda a probabilidade
Dor na linha articular
meniscos
LR+ 0,9 / LR− 1,1 — achado isolado sem valor
Exame composto (história + conjunto de manobras)
LCA e meniscos
LCA: LR+ 25,0 / LR− 0,04 · meniscos: LR+ 2,7 / LR− 0,4 — o conjunto supera o teste isolado
6. Ombro e mão: testes provocativos clássicos
Teste
Estrutura/síndrome
Neer (elevação anterior com rotação interna) e Hawkins (flexão 90° + rotação interna)
síndrome do impacto subacromial
Jobe (abdução 90° contra resistência)
manguito rotador (supraespinal)
Arco doloroso (dor entre 60–120° de abdução)
tendinopatia do supraespinal/impacto
Tinel e Phalen no punho
síndrome do túnel do carpo (mediano)
Teste de Finkelstein (desvio ulnar com polegar fletido)
tenossinovite de De Quervain
Nódulos de Heberden (DIP) e Bouchard (PIP)
osteoartrite de mãos
Primeiro MTF quente, vermelho e doloroso (podagra)
gota aguda
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 58 anos, tabagista e etilista, apresenta massa cervical lateral direita endurecida e fixa há 3 semanas, sem febre nem foco infeccioso. A conduta propedêutica correta é:
2.AvançadoApós entorse de joelho com estalido e derrame imediato, suspeita-se lesão do ligamento cruzado anterior. Qual teste isolado tem a melhor performance para essa lesão?
processo duplo e vieses · hipóteses e illness scripts · sensibilidade, especificidade, VPP/VPN e razões de verossimilhança · testes em paralelo e em série · erros diagnósticos
1. Vieses cognitivos que geram erro diagnóstico
Viés
Como derruba o diagnóstico
Ancoragem
prende à primeira impressão e ignora dados novos que a contradizem
Disponibilidade
julga provável o diagnóstico mais recente ou memorável (o caso da semana passada)
Confirmação
só aceita achados que confirmam a hipótese, pede exames para provar o que já crê
Enquadramento (framing)
deixa-se levar pelo rótulo recebido na passagem de plantão (o alcoolatra, o ansioso)
Fixação
mantém o foco numa única hipótese apesar de evolução divergente
Satisfação da busca
encerra a investigação no primeiro achado positivo (parar no primeiro diagnóstico)
Aversão ao risco × inércia
pede excesso de exames por segurança ou adia decisão esperando o inespecífico
Contramedidas ensinadas na literatura de segurança do paciente (Scott, BMJ 2009): metacognição (pensar sobre o próprio pensamento), considerar ativamente o OPONENTE da hipótese dominante, gerar diferenciais obrigatórios (o que não posso deixar passar?), checagens estruturadas nos casos de alta incerteza e feedback do desfecho para calibrar o próprio julgamento.
2. Do sintoma à hipótese: illness scripts
O clínico experiente arma scripts de doença: epidemiologia + fisiopatologia + apresentação típica + curso + resposta a tratamento.
Script de pneumonia pneumocócica: adulto com comorbidades, febre alta súbita, tosse com escarro ferruginoso, dor pleurítica, consolidação focal — reconhecimento em segundos (Sistema 1).
A comparação do script com o caso concreto gera a lista de hipóteses: a mais provável (tratar/testar), as alternativas e as que não podem ser perdidas (diagnósticos sentinela).
Cada achado do exame físico funciona como um teste: soma ou subtrai verossimilhança — é o motor matemático da beira do leito.
3. Se, Sp, VPP, VPN e razões de verossimilhança
Sensibilidade = a/(a+c): proporção de DOENTES com teste positivo — teste muito sensível, quando NEGATIVO, afasta (SnNout).
Especificidade = d/(b+d): proporção de SADIOS com teste negativo — teste muito específico, quando POSITIVO, confirma (SpPin).
VPP e VPN dependem da PREVALÊNCIA (probabilidade pré-teste): com doença rara, até teste específico gera muitos falsos positivos — a pegadinha do rastreio em população de baixo risco.
Razão de verossimilhança positiva: LR+ = Se/(1 − Sp); negativa: LR− = (1 − Se)/Sp — medem quanto o resultado multiplica as chances (odds) da doença.
Aplicação: odds pós-teste = odds pré-teste × LR. Quanto mais o LR se afasta de 1, maior o efeito — valores próximos de 1 não mudam nada (McMurray: 1,3).
Exemplo deste resumo (verificado)
LR+
LR−
Leitura
Lachman para LCA (Solomon, JAMA 2001)
25,0
0,1
positivo quase confirma; negativo quase afasta
Impressão clínica global na colecistite (Trowbridge, JAMA 2003)
25–30
—
o conjunto do examinador experiente é o melhor teste
Murphy clínico isolado (Trowbridge, 2003)
2,8
—
levanta, não fecha
McMurray para menisco (Solomon, 2001)
1,3
0,8
praticamente não altera a probabilidade
Dor na linha articular (Solomon, 2001)
0,9
1,1
sem valor isolado
4. Testes em paralelo e em série
Paralelo (pede 2+ testes juntos): aumenta a SENSIBILIDADE e reduz a especificidade — padrão na emergência (afastar o pior primeiro).
Em série (só pede o próximo se o anterior for positivo): aumenta a ESPECIFICIDADE — padrão de confirmação (ex.: rastreio positivo → teste confirmatório).
Escolha do exame complementar: o que muda a conduta? Resultado que não altera decisão não se pede.
Cuidado com o viés de espectro: Se/Sp publicadas vêm de centros de referência (casos graves); na atenção primária a performance cai.
Como interpretar o resultado de um teste
Recebi o resultado — qual o efeito na probabilidade da doença?
▼
LR+ alto (ex. ≥ 10) e resultado positivo
A probabilidade sobe fortemente — trate/acione a conduta (ex.: Lachman positivo, impressão clínica de colecistite).
LR− baixo (ex. ≤ 0,1) e resultado negativo
A probabilidade despenca — afaste a hipótese e siga para a próxima.
LR perto de 1 (ex. McMurray 1,3)
O resultado quase não muda nada — não decida por ele; busque achado ou teste com mais força.
Pré-teste muito baixa + positivo fraco
Provável falso positivo: confirme com teste específico em série antes de expor o paciente a risco.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalUm teste com sensibilidade de 99% e especificidade de 60% é usado como rastreio em população de baixa prevalência. Um resultado POSITIVO nesse cenário:
2.AvançadoPlantonista recebe passagem de plantão rotulando paciente como asma complicando pneumonia, mantém broncodilatador sem reavaliar, apesar de nova febre alta com escarro ferruginoso e consolidação focal — evolução divergente do rótulo. O erro cognitivo predominante e a contramedida:
Procedimentos básicos e ultrassom à beira do leito
venóclise e calibres · coleta de sangue e ordem dos frascos · sonda vesical de demora e prevenção de ITU associada · sonda nasogástrica e confirmação · protocolo BLUE
1. Venóclise periférica: material, técnica e complicações
Calibre (cor)
Uso típico
18 G (verde)
grande volume, transfusão, contraste, trauma
20 G (rosa)
rotina do adulto — hidratação e antibióticos
22 G (azul)
adultos com veias frágeis, pediatria
24 G (amarelo)
recém-nascidos e lactentes
Escolha membro não dominante quando possível, veias distais primeiro (preserve as proximais), evite articulações, pregas e membros com fístula, mastectomia, linfedema ou infecção local.
Higiene das mãos e antissepsia da pele (clorhexidina alcoólica ou álcool 70%); garrote 10–15 cm acima do ponto, sem fechamento arterial; veja e palpe antes de puncionar.
Punção com bisel para cima a 15–30°, avanço após flash, retirada suave do mandril, fixação com curativo transparente datado, flush e conexão do equipo.
Complicações: hematoma (compressão), flebite (dor, calor, trajeto endurecido — retirar o cateter e reposicionar), infiltração/extravasamento (solução fora do vaso; extravasamento de vesicante é urgência), oclusão e infecção local.
Padrão INS 2024: avaliar o sítio diariamente e trocar o cateter periférico por INDICAÇÃO CLÍNICA (sinais de complicação), não por intervalo fixo de rotina; documentar cada avaliação.
2. Sonda vesical de demora: técnica e prevenção da ITU associada
Indicações: retenção urinária/obstrução, débito urinário estrito no instável, cirurgias longas/urologia, imobilização prolongada selecionada, conforto em cuidados paliativos — sondar por conveniência é a causa número um de ITU associada a cateter.
Material: campo estéril, luvas estéreis, antisséptico, lubrificante hidrossolúvel, sonda do calibre adequado, seringa com 10 mL de água destilada para o balão (adulto), sistema coletor fechado.
Técnica: higiene das mãos, assepsia da região, introdução com lubrificante — mulher ~5–7 cm, homem ~15–20 cm (ou até retorno de urina); avançar mais um pouco, liberar a urina e SÓ ENTÃO insuflar o balão (nunca antes do retorno de urina: risco de uretra/lesão).
Fixar a sonda na coxa (mulher) ou no abdome (homem) sem tração; manter o coletor ABAIXO do nível da bexiga e sem contato com o chão.
Prevenção (CDC/HICPAC 2009, Gould et al.): sondar apenas quando indicado, remover o mais cedo possível, técnica asséptica na inserção, sistema fechado, higiene das mãos antes/depois de manipular e NÃO trocar a sonda em intervalos fixos sem indicação.
3. Sonda nasogástrica: medida, passagem e confirmação obrigatória
Medida: da asa do nariz ao lóbulo da orelha e deste ao apêndice xifoide (alternativa: nariz-orelha-umbigo); marcar o ponto e incluir na documentação.
Passagem: paciente sentado quando possível, cabeça em flexão neutra, lubrificante, avançar na direção do plano horizontal da face; solicite deglutição ao passar a faringe; tosse persistente/estridor = posição traqueal — RETIRAR imediatamente.
Confirmação da posição ANTES de instalar dieta ou medicação: pH do aspirado ≤ 5,5 ou radiografia — a ausculta com ar insuflado é considerada não confiável (alerta internacional de segurança do paciente, NPSA 2011); registrar o método.
Complicações: intubação traqueal/broncoaspiração, epistaxe, necrose de asa nasal (fixação sem rotação), enrolamento; conferir posição a cada refeição em pacientes de risco.
4. Ultrassom à beira do leito (POCUS): o exame físico estendido
O protocolo BLUE (Lichtenstein e Mezière, Chest 2008) aplica perfis ecográficos na insuficiência respiratória aguda e forneceu o diagnóstico correto em 90,5% dos casos: perfil B (linhas B anteriores difusas com deslizamento pleural) identificou edema pulmonar com sensibilidade 97% e especificidade 95%; linhas A com deslizamento apontou asma/DPOC (Se 89%, Sp 97%); perfil anterior normal + trombose venosa profunda identificou TEP (Se 81%, Sp 99%); ausência de deslizamento pleural + linhas A + ponto de pulmão identificou pneumotórax (Se 81%, Sp 100%); padrões assimétricos/consolidações posteriores identificaram pneumonia (Se 89%, Sp 94%). As recomendações internacionais de 2012 (Volpicelli et al.) consolidaram o método — inclusive superior à radiografia de tórax no pneumotórax.
Achado ecográfico
Significado
Deslizamento pleural presente
pleura visceral em movimento — afasta pneumotórax no ponto examinado
Ausência de deslizamento + linhas A
suspeita de pneumotórax — confirmar com ponto de pulmão (Sp 100%)
Linhas B (3+ por campo, bilaterais, difusas)
edema pulmonar intersticial (congestão)
Consolidação com broncograma aéreo
pneumonia/atelectasia
Derrame anecoico + colapso do pulmão
derrame pleural — guia punção com segurança
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioEnfermagem relata que a sonda nasogástrica do paciente está posicionada e solicita autorização para iniciar a dieta por via enteral. A segurança exige confirmar a posição ANTES da infusão por:
2.AvançadoPaciente com insuficiência respiratória aguda é avaliado com ultrassom pulmonar à beira do leito: linhas B anteriores difusas e bilaterais, com deslizamento pleural presente. Segundo o protocolo BLUE (Lichtenstein e Mezière, Chest 2008), o perfil indica:
Sequência inspeção → ausculta → percussão → palpação; pontos dolorosos (Murphy, McBurney, Giordano) e sinais de peritonite; impressão global vale mais que sinal isolado.
Sequência e sinais de peritonite; Murphy com LR+
06 Neurológico e psíquico
Glasgow e UMN × LMN organizam o exame; sinais meníngeos têm Sp alta e Se baixa; déficit focal agudo = glicemia + relógio; psiquismo em sequência fixa.
Glasgow ≤ 8; UMN × LMN; delirium × demência
07 Cabeça/pescoço e osteomuscular
Massa cervical no adulto > 2 semanas = neoplásica até prova contrária; dor inflamatória axial rastreia espondiloartrite; joelho se examina composto (Lachman LR+ 25).
Conduta na massa cervical; Lachman × McMurray
08 Raciocínio e exames
Processo duplo + vieses; LR multiplica odds (Lachman 25 confirma, McMurray 1,3 não muda nada); VPP depende da prevalência.
Cálculo e leitura de LR; SnNout/SpPin; vieses
09 Procedimentos e POCUS
Calibres e ordem dos frascos; balão da sonda só após urina; SNG confirmada por pH/radiografia; BLUE diagnostica 90,5% das insuficiências respiratórias.
Confirmação da SNG; prevenção de ITU-VC; perfis do BLUE
Números que você precisa saber de cor
Tema
Número
Rendimento da anamnese
66/80 diagnósticos (Hampton, BMJ 1975); exame e exames: 7/80 cada
PA adulto
normal < 120/80 · HAS ACC/AHA estágio 1: 130–139/80–89 · SBC/ESC: ≥ 140/90
Técnica da PA
desinsuflar 2–3 mmHg/batida · manguito ~40% do braço · medir nos 2 braços na 1ª consulta
FR adulto
12–20 irpm; SpO₂ ≥ 95% em ar ambiente
Temperatura
média oral 36,8 °C · limite superior à tarde ≈ 37,7 °C (Mackowiak, JAMA 1992)
NEWS2
≥ 5 revisão urgente · ≥ 7 risco crítico
Jugulares
pulsação visível até ~3 cm acima do ângulo esternal
localização/irradiação, caráter, intensidade, cronologia, fatores de melhora/piora, associados, contexto — decore como checklist fixo.
Manobras dos sopros
INSPIRA o lado direito (Carvallo); VALSALVA favorece a hipertrófica (MH) e derruba estenoses/regurgitações; AGACHAMENTO/HANDGRIP é o contrário (ia da IA/IM).
Sequência do abdome
I-A-P-P: inspeção, ausculta, percussão, palpação — o único lugar onde a ausculta vem primeiro.
UMN × LMN
De cima: espástico, hiper, Babinski, sem atrofia (piramidal); De baixo: flácido, abolido, atrofia e fasciculação (unidade motora periférica).
Romberg
fecha o olho e cai = propriocepção/vestibular; já cai de olho aberto = cerebelo.
SnNout / SpPin
Sensível Negativo afasta (SnNout); esPecífico Positivo confirma (SpPin) — o N e o P em maiúscula.
Balão e dieta
balão da vesical só com urina voltando; dieta na SNG só com pH ≤ 5,5 ou raio-X — as duas confirmações que a prova adora cobrar.
As pegadinhas mais cobradas
Manguito estreito SUPERESTIMA a pressão (o candidato marca subestima).
Ausculta do abdome vem antes de percussão e palpação — estimular o abdome altera os RHA.
Todo sopro diastólico é patológico; sopro funcional é ≤ 2/6, sem frêmito e sem sintomas.
Valsalva AUMENTA o sopro da miocardiopatia hipertrófica — quase todos os outros diminuem.
B3 em adulto é patológico (IC); B4 indica ventrículo rígido — não são a mesma bulha.
No derrame pleural o frêmito DIMINUI; na consolidação AUMENTA — a troca é a pegadinha mais comum do tórax.
Crepitantes que somem com a tosse são secreção (grossos), não ocupação alveolar.
Baço palpável já é anormal (cresceu 2–3 vezes) — não existe baço palpável normal de borda.
Murphy clínico LR+ 2,8: a ultrassonografia confirma a colecistite, o sinal isolado não fecha.
Ausência de sinais meníngeos NÃO exclui meningite (idosos, imunossuprimidos, lactentes).
Babinski, hiperreflexia e clônus = UMN; arreflexia com atrofia e fasciculações = LMN — ELA combina os dois.
VPP cai em população de baixa prevalência: positivo em rastreio de baixo risco pede confirmação, não tratamento.
McMurray (LR+ 1,3) não define lesão meniscal — quem responde é o exame composto.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda anamnese: QP em palavras do paciente e HDA em ordem cronológica com as 7 dimensões.
Toda medida de PA: braço na altura do coração, manguito adequado, 2 braços na primeira consulta.
Todo déficit focal agudo: glicemia capilar (hipoglicemia imita AVC) e horário de início antes de qualquer decisão.
Toda dor torácica: os atributos dimensionais direcionam o diferencial de risco (isquêmica × dissecção × pleurítica).
Toda suspeita de abdome agudo: sinais de peritonite (Blumberg, RHA) mudam a velocidade da conduta.
Toda massa cervical em adulto > 2 semanas: neoplasia até prova contrária — imagem e agulha fina.
Toda sonda (vesical e gástrica): as confirmações de posição antecedem qualquer infusão/insuflação.
Todo exame complementar: perguntar se o resultado muda a conduta antes de pedir — teste que não decide, não se pede.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Pausa inspiratória à palpação do hipocôndrio direito
Sinal de Murphy — colecistite aguda
Sopro ejetivo que aumenta com Valsalva e B4 associado
Rigidez de nuca + febre + cefaleia com Kernig positivo
Meningite — punção lombar apesar de sinais pouco sensíveis
Linfonodo supraclavicular esquerdo endurecido
Sinal de Troisier — investigar neoplasia gástrica/pulmonar
Dor lombar noturna com rigidez matinal que melhora com exercício em jovem
Dor inflamatória — espondiloartrite axial
Tração anterior da tíbia em flexão de 20–30° com folga anterior
Lachman — lesão do LCA
Insuficiência respiratória com linhas B difusas e deslizamento presente
Perfil B do BLUE — edema pulmonar
Prova final — bateria geral
7 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.FundamentalAo registrar a queixa principal de um paciente, o estudante anota: dor precordial em aperto há 2 dias. O erro cometido foi:
2.IntermediárioMulher obesa tem PA medida com manguito adulto regular: 150/95 mmHg, confirmada duas vezes. Qual das afirmações é correta?
3.AvançadoHomem, 70 anos, dispneia e ortopneia. Ao exame: turgência jugular com coluna a 6 cm acima do ângulo esternal, B3 audível no ápice, crepitantes bibasais. Sobre esses achados na insuficiência cardíaca:
4.IntermediárioPaciente com dor torácica pleurítica, febre e tosse. Exame: submateza na base esquerda, frêmito aumentado, sopro brônquico e crepitantes finos locais. A conduta propedêutica correta:
5.IntermediárioCriança de 4 meses com recusa alimentar, vômitos e abaulamento em flanco direito palpável. O examinador deve lembrar que a sequência correta do exame abdominal inclui ausculta ANTES da palpação porque:
6.AvançadoHomem, 24 anos, dor lombar há 6 meses, início insidioso, pior pela madrugada, rigidez matinal de 1 hora que melhora com atividade física. Sobre a investigação de espondiloartrite axial (Rudwaleit, ARD 2004):
7.Prova difícilEm unidade de urgência, um teste rápido muito sensível (99%) e pouco específico (60%) é aplicado a mil pacientes com prevalência de doença de 1%. A interpretação correta é:
Gabarito rápido
1-A · 2-B · 3-B · 4-B · 5-B · 6-B · 7-B
Referencial teórico
23 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoHampton JR, Harrison MJC, Mitchell JRA, Prichard JS, Seymour C. Relative contributions of history-taking, physical examination, and laboratory investigation to diagnosis and management of medical outpatients. BMJ. 1975;2(5969):486-489.doi.org/10.1136/bmj.2.5969.486
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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