Baseado nos artigos publicados da matéria Diagnóstico por Imagem da Central de Estudos (fonte principal) e no ICRP 103/84, ACR (Contraste 2024, Appropriateness), AHA/ASA Stroke 2019, ATS/IDSA 2019, Fleischner Society 2008/2017, EANM e ensaios pivotais (NLST, PRECISION, DAWN, WAKE-UP, PRESERVE, AMACING) — complemento sempre com DOI verificado. Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Radioproteção e doses
justificação · otimização (ALARA) · limites de dose · catálogo de doses por exame · gestação e lactação · normas brasileiras
RX tórax PA
0,02 mSv
o exame mais barato em dose do hospital
Fundo natural
≈ 3 mSv/ano
radiação ambiente: solo, radônio, cosmos
TC abdome/pelve
≈ 10 mSv
≈ 500 radiografias de tórax
Trabalhador
20 mSv/ano
média de 5 anos (ICRP 103); público 1 mSv/ano
1. Por que proteger: efeitos determinísticos × estocásticos
2. Os três pilares da radioproteção (ICRP 103)
JUSTIFICAÇÃO: nenhum exame com radiação ionizante sem indicação — exame sem mudar conduta é dose sem benefício.
OTIMIZAÇÃO: manter a dose tão baixa quanto razoavelmente alcançável (ALARA), mantendo qualidade diagnóstica — colimação, técnica correta, proteção do paciente.
LIMITAÇÃO DE DOSE: limites regulamentares para exposição ocupacional (20 mSv/ano em média de 5 anos, até 50 mSv em ano único) e do público (1 mSv/ano) — pacientes não têm limite, porque se submetem a exames justificados.
Gestante precisa de exame com radiação — como decidir
Exame com radiação ionizante solicitado em paciente gestante ou com possibilidade de gestação — o que fazer?
▼
HÁ ALTERNATIVA SEM RADIAÇÃO QUE RESPONDE?
US e RM sem gadolínio são seguros na gestação — usar primeiro quando resolvem.
Exemplo: dor em quadrante direito na gestante = US, não TC.
NÃO — exame convencional de baixa dose (RX tórax, membro)
RX de tórax com avental plumbífero: dose fetal < 0,01 mGy — risco desprezível; REALIZAR.
Documentar a indicação e a informação de gestação no pedido.
NÃO — TC de abdome/pelve ou procedimento de alta dose
ICRP 84: doses fetais abaixo de 100 mGy não se associam a aumento mensurável de malformações e não justificam interrupção da gestação.
A maioria das TC diagnósticas únicas ficam muito abaixo disso — quando o exame salva vida (trauma, TEP, apendicite), realiza-se com técnica otimizada.
Traçadores com I-131 e terapias radiometabólicas são PROIBIDOS na gestação.
Lactação: exames com Tc-99m permitem amamentar seguindo orientação do serviço de medicina nuclear; I-131 exige suspensão da amamentação. Gadolínio na gestação fica restrito ao agente macrocíclico quando o exame é realmente necessário.
5. Regulação no Brasil
A exposição médica é regulada pela CNEN e, sanitariamente, pela RDC Anvisa 611/2022, que estabelece requisitos para serviços de radiologia diagnóstica e intervencionista: responsável pela proteção radiológica, dosimetria individual do ocupacionalmente exposto, programas de garantia de qualidade e requisitos de informação ao paciente. Para a prova de graduação, o essencial: dose ocupacional monitorada com dosímetro, sinalização de áreas controladas e justificação de cada exame.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalEntre os exames abaixo, qual entrega a MAIOR dose efetiva em um adulto?
2.IntermediárioGestante de 26 semanas com febre, taquipneia e foco pulmonar à direita; o médico solicita radiografia de tórax. Conduta correta quanto à radiação:
quando pedir · qualidade do exame · leitura A-B-C-D-E · sinal da silhueta · padrões alveolar e intersticial · edema · pneumotórax · TB
ICT
> 0,50
diâmetro cardíaco / diâmetro torácico interno = cardiomegalia no PA
Derrame
≈ 200 mL
para obliterar o ângulo costofrênico no ortostatismo
Inspiração
6 arcos
anteriores visíveis acima do diafragma = inspiração adequada
Dose
0,02 mSv
não economize exame indicado
1. Quando pedir (e qual incidência)
A radiografia de tórax é o exame inicial da dispneia aguda, da dor torácica não coronariana e do seguimento de dispositivos — barata, rápida e de dose desprezível. Na pneumonia adquirida na comunidade, a diretriz ATS/IDSA 2019 sugere NÃO pedir RX de rotina no paciente ambulatorial saudável com quadro típico tratado em casa; o RX entra quando se considera hospitalizar, o diagnóstico é incerto ou há falha de tratamento. Incidências: PA em pé (padrão — coração em tamanho real); AP portátil (magnifica o coração — aparente cardiomegalia); decúbito lateral homolateral (revela derrames pequenos, de poucos mL); incidência expirada (realça pneumotórax pequeno).
2. Qualidade antes de interpretar
Inspiração: 6 arcos anteriores (ou 10 posteriores) visíveis acima do diafragma; exame em expiração simula cardiomegalia e congestão.
Rotação: clavículas equidistantes do processo espinhoso — rotação distorce o mediastino.
Penetração: corpos vertebrais apenas visíveis atrás do coração.
Cobertura: ambos os campos, diafragmas e ápices inclusos; procurar dispositivos e artefatos.
3. Leitura sistemática A-B-C-D-E (a ordem que evita erro)
A — vias aéreas e mediastino: traqueia central, carina, botão aórtico; alargamento do mediastino (> 8 cm na altura do botão aórtico no trauma levanta dissecção/lesão vascular).
B — bones (ossos): fraturas de costelas e clavículas, coluna, escápulas; pneumotórax por fratura.
C — coração e hilo: ICT, contornos cardíacos, hilos (adenomegalia? massa? lesão retrocardíaca — sempre olhar ATRÁS do coração).
D — diafragmas: livre e côncavo; cúpula direita até 2,5 cm mais alta; obliteração do ângulo costofrênico = derrame; ar sob a cúpula direita = pneumoperitônio.
E — everything else: campos pulmonares, partes moles, axilas (mamas, linfonodos, subcutâneo), dispositivos e a revisão final das áreas esquecidas (ápices, atrás do coração, sob os diafragmas).
4. Padrões clássicos em texto
Padrão
Achados descritos
Significado
Alveolar (consolidação)
opacidade homogênea mal definida, broncograma aéreo (bronquios com ar dentro do consolidado), distribuição acinar, sinal da silhueta
sinais de RETRAÇÃO: desvio de traqueia/mediastino e hilos para o lado, elevação do diafragma, vasos e bronquios agrupados; sinal do S de Golden (fissura menor com concavidade periférica e convexidade central por massa hilar)
colapso: obstrução bronquica (corpo estranho, tampão, carcinoma) ou compressão
Edema pulmonar
redistribuição vascular (vasos apicais prominentes), linhas B, opacidades perihilares em asa de borboleta, derrames, cardiomegalia
linha pleural visceral fina com avascularização periférica além dela; hiperinsuflação e desvio de mediastino no hipertensivo; sinal do sulco profundo (hiperclaridade do sulco costofrênico no decúbito = pneumotórax anterior)
ar na cavidade pleural — trauma, ruptura de bolha, barotrauma, cateterismo
Tuberculose pulmonar
consolidação apical/posterior com cavitação de paredes irregulares; primária: complexo de Ghon (consolidação + adenopatia hilar calcificada); padrão miliar (micronódulos disseminados)
Dor torácica aguda + dispneia — o que o RX resolve na hora
Paciente com dor torácica aguda e dispneia; RX de tórax obtido. Qual achado muda a conduta imediatamente?
▼
Linha pleural visceral + colapso pulmonar
Pneumotórax — drenagem torácica se hipertensivo (desvio de mediastino, cúpula achatada).
Consolidação com broncograma aéreo + febre
Pneumonia — antibioticoterapia e estratificação de gravidade (o RX não diferencia o agente).
Menisco / ângulo costofrênico obliterado
Derrame pleural — se único achado em paciente estável, ecografia e toracocentese diagnóstica.
RX NORMAL
RX normal NÃO exclui: TEP, dissecção de aorta (sensibilidade baixa), síndrome coronariana aguda e pneumonia inicial.
Seguir para o algoritmo específico (ECG/troponina, D-dímero/angio-TC conforme probabilidade).
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 54 anos, febre e tosse. RX de tórax PA: consolidação na base direita que APAGA a borda direita do coração, poupando o hemidiafragma direito. Qual o segmento comprometido e por quê?
2.AvançadoHomem, 63 anos, tabagista, tosse e perda de peso. RX de tórax: opacidade homogênea do lobo superior direito com elevação da fissura menor e convexidade do contorno hilar inferior formando um S invertido. Interpretação:
unidade Hounsfield · janelas · protocolos e fases do contraste · quando pedir · rastreamento de câncer de pulmão (NLST) · nódulos (Fleischner 2017) · redução de dose
Água
0 HU
ar −1000 · osso ≈ +1000 — a escala de Hounsfield
TC tórax
7 mSv
tc de abdome/pelve ≈ 10 mSv
TC baixa dose
≈ 1,5 mSv
rastreamento de pulmão (NLST)
NLST
− 20%
mortalidade por câncer de pulmão vs radiografia
1. Conceito: a escala de Hounsfield
Densidade
Valor típico (HU)
Ar / pulmão enfisematoso
−1000 a −900
Gordura
−50 a −100
Líquido simples (água, bile, cisto)
0 a 20
Sangue agudo
30 a 80 (cai com a organização)
Parênquima hepático
≈ 55–65
Contraste iodado / realce vascular
acentuadamente hiperdenso (> 100)
Calcificação
> 200
Osso cortical
≈ 1000
2. Janelas: olhar com a janela certa
A janela define que faixa de HU vira a escala de cinza: janela PULMONAR (nível ≈ −600, largura ≈ 1500) para parênquima, pneumotórax e nódulos; janela MEDIASTINAL (nível ≈ 40, largura ≈ 400) para coração, vasos, hilos e linfonodos; janela ÓSSEA (nível ≈ 500, largura ≈ 1500–2000) para fraturas. Ler TC de tórax só na janela mediastinal perde nódulo; só na pulmonar perde adenomegalia.
3. Protocolos e fases do contraste — pedir o exame certo
Protocolo/fase
Quando usar
Nota de prova
SEM contraste (nativa)
urolitíase (uro-TC), sangramento agudo, calcificação, caracterizar vs realce
uro-TC da cólica renal é SEM contraste — pedir com contraste atrasa e irradia sem ganho
Arterial (≈ 25–40 s)
extravasamento ativo no trauma (blush), lesões hepáticas hipervasculares (HCC), endoleak, dissecção (flap de íntima)
hiperdenso no lúmen fora do vaso = sangramento ativo → embolização
caracterização de lesões hepáticas, vias urinárias (fase excretora)
complementa, não substitui as anteriores
Angio-TC
TEP (defeito de repleção no contraste vascular), aorta, coronárias, vasos do pescoço
TEP: angio-TC é o exame de primeira linha na maioria dos pacientes
4. Quando pedir TC — as indicações que a prova cobra
Trauma contuso ESTÁVEL: TC com contraste é o padrão-ouro (caracteriza lesões de órgãos sólidos e sangramento ativo).
TEP: angio-TC de tórax na suspeita com probabilidade intermediária/alta (pós D-dímero ou direto, conforme critério).
Abdome agudo: apendicite, diverticulite, pancreatite, obstrução intestinal, perfuração (ar livre).
Cefaleia súbita em trovo: TC sem contraste — hemorragia subaracnóidea é praticamente 100% detectável nas primeiras 6 h, e a sensibilidade cai progressivamente depois.
Neoplasias: estadiamento, resposta ao tratamento, acompanhamento de nódulos.
Neuro: trauma craniano (classificação de Marshall/hematomas), AVC agudo, demência (atrofia).
5. Rastreamento de câncer de pulmão e nódulos incidentais
O NLST randomizou fumantes de alto risco para TC de baixa dose anual × radiografia anual: redução de 20% da mortalidade por câncer de pulmão com TC de baixa dose (≈ 1,5 mSv). Critérios do NLST: 55–74 anos, ≥ 30 maços-ano, fumante atual ou que cessou há menos de 15 anos, assintomático. A contrapartida do rastreamento são achados incidentais — para nódulos pulmonares em pacientes ≥ 35 anos aplica-se o Fleischner 2017:
Nódulo sólido incidental (≥ 35 anos)
Conduta
< 6 mm (baixo risco)
seguimento de rotina NÃO indicado
6–8 mm
TC em 6–12 meses
> 8 mm
considerar TC em 3 meses, PET-CT ou biópsia
Nódulo em vidro fosco ≥ 6 mm
TC em 6–12 meses e, se persistente, seguimento anual por 5 anos
Parte sólido ≥ 6 mm com componente sólido < 6 mm
TC em 3–6 meses para confirmar persistência; depois anual por 5 anos
6. Redução de dose em TC
Estratégias validadas (McCollough): modulação automática da corrente (mA ajustada à espessura do paciente), redução do kilovoltage em pacientes magros e estudos vasculares, reconstrução iterativa (menos ruído com menos dose), limitar a extensão do estudo ao volume de interesse e evitar fases desnecessárias. Em pediatria, protocolos específicos por peso são obrigatórios — crianças têm maior risco estocástico por mSv.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalTC de abdome mostra lesão hepática arredondada, homogênea, com densidade de 5 HU e AUSÊNCIA de realce após contraste IV. Interpretação:
2.IntermediárioHomem, 58 anos, ex-tabagista, TC de tórax incidental mostra nódulo pulmonar SÓLIDO de 9 mm, margens lisas, sem other achados, paciente de baixo risco. Conduta segundo o Fleischner 2017:
rápida, disponível, melhor para osso e sangramento agudo
Miocardite / cardiomiopatias
RM cardíaca com realce tardio
padrão de realce diferencia etiologia
3. Próstata: PI-RADS 2.1 e o ensaio PRECISION
A RM multiparamétrica avalia T2, difusão (DWI) e realce, e grada as lesões de 1 (definitivamente benigna) a 5 (altamente suspeita). Regra de leitura: na ZONA PERIFÉRICA manda o DWI (foco marcadamente hipointenso em T2 com restrição < 15 mm = PI-RADS 4; ≥ 15 mm ou extensão extraprostática = PI-RADS 5); na ZONA DE TRANSIÇÃO manda o T2 (aspecto heterogêneo organizado). Lesões PI-RADS 4–5 vão a biópsia dirigida por fusão. O PRECISION randomizou RM antes da biópsia × biópsia aleatória padrão: a via por RM detectou MAIS câncer clinicamente significativo (38% vs 26%) e MENOS câncer insignificante (10% vs 22%).
4. Segurança: o magnético e o gadolínio
Triagem ferromagnética obrigatória: clips de aneurisma antigos, corpo estranho metálico ocular, marca-passos e dispositivos (checar se MR-conditional/MR-safe), bombas de insulina.
Projetil: materiais ferromagnéticos podem ser lançados pelo campo — a triagem é conduta de segurança, não burocracia.
Claustrofobia e tempo longo de exame limitam o uso; pacientes críticos precisam de equipamento compatível.
Gadolínio: NÉFROSE SISTÊMICA FIBROSANTE — os agentes LINEARES antigos (grupo I) são evitados quando TFGe < 30 mL/min; os MACROCÍCLICOS (gadobutrol, gadoteridol, gadoterato — grupo II) têm risco muito baixo mesmo em função reduzida, e são os de escolha quando o exame é necessário.
Deposição de gadolínio (Kanda): hiperintensidade T1 em núcleo dentado e globo pálido relacionada à dose cumulativa de agentes lineares — usar macrocíclico, dose mínima e justificar cada exame.
Gestação: RM sem contraste é segura quando indicada; gadolínio apenas macrocíclico e se indispensável.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalQual sequência de ressonância detecta isquemia cerebral AGUDA dentro de poucos minutos do início?
2.Prova difícilHomem, 66 anos, TFGe 26 mL/min/1,73 m², precisa de RM com contraste para caracterizar lesão hepática suspeita que mudará a conduta. Escolha do agente:
Ultrassonografia clínica (POCUS) e imagem no trauma
física e artefatos · protocolos BLUE e RUSH · FAST/eFAST · ATLS: estável × instável · coluna cervical (NEXUS × Canadian) · TC total-body (REACT-2)
Radiação
0
primeira escolha em jovem, gestante e seguimento
eFAST
≈ 0,87
sensibilidade agrupada para líquido livre; especificidade > 0,9
NEXUS
99%
sensibilidade para lesão cervical significativa
BLUE
≈ 90%
acurácia na causa da insuficiência respiratória aguda
1. Conceito: som, artefatos e o operador
2. POCUS: os dois protocolos que a prova cobra
Protocolo
Pergunta clínica
Lógica
BLUE (dispneia aguda)
qual a causa da insuficiência respiratória?
perfil A (linhas A + deslizamento) com trombose venosa à compressão = TEP; perfil A-prime (deslizamento abolido) = pneumotórax; perfil B bilateral = edema pulmonar; perfis B-prime, A/B assimétrico ou consolidação = pneumonia; acurácia ≈ 90,5% (Lichtenstein)
RUSH (choque)
hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo ou distributivo?
PUMP (eco: fração de ejeção, dilatação de VD do TEP, tamponamento) · TANK (veia cava colapsável = vazio/hipovolemia; cheia = congestão/obstrução; linhas B = edema) · PIPES (aneurisma de aorta, trombose venosa à compressão)
3. FAST e eFAST no trauma (ATLS)
O FAST (focused assessment with sonography in trauma) procura LÍQUIDO LIVRE em 4 janelas: pericárdica (subxifoide), hepatorenal (Morrison), esplenorrenal e pélvica. O eFAST acrescenta as janelas torácicas (pneumotórax e hemotórax). A metanálise de Netherton confirma acurácia alta para líquido intraperitoneal (sensibilidade ≈ 0,87; especificidade > 0,9) e o US supera a radiografia na detecção de pneumotórax. Limitações do FAST: não vê retroperitônio, lesão de intestino oco e lesões de órgão sólido SEM hemoperitônio; volumes pequenos e obesidade reduzem a sensibilidade — FAST NEGATIVO NÃO EXCLUI LESÃO.
Trauma abdominal contuso — quem vai para a TC e quem vai para a sala de cirurgia
Paciente vítima de trauma abdominal contuso — está hemodinamicamente estável?
▼
INSTÁVEL + FAST/eFAST POSITIVO (líquido livre)
Laparotomia imediata — a TC atrasa o controle do sangramento.
FAST positivo em instável = indicação de operação, não de confirmação por imagem.
INSTÁVEL + FAST NEGATIVO
Buscar sangramento FORA do abdome: tórax (hemotórax), pelve (fratura instável), ossos longos, extra-abdominal — e reavaliar com FAST seriado.
ESTÁVEL
TC com contraste (fase portal) é o padrão-ouro: grau da lesão de órgão sólido e blush (extravasamento ativo) que define embolização/cirurgia.
FAST pode orientar na triagem, mas não substitui a TC no estável.
4. Coluna cervical: NEXUS × Canadian C-spine
Nem todo trauma precisa de imagem cervical. O NEXUS libera a coluna SEM radiografia quando os 5 critérios estão ausentes: (1) déficit neurológico focal, (2) intoxicação, (3) alteração do nível de consciência, (4) dor à palpação da LINHA MÉDIA cervical e (5) lesão dolorosa que distrai — sensibilidade 99%, especificidade baixa (≈ 13%). O Canadian C-spine (só para alertas e estáveis) aumenta a especificidade: fatores de alto risco (idade ≥ 65, mecanismo perigoso, parestesias) mandam imagear; na ausência deles, fatores de baixo risco + capacidade de rodar o pescoço 45° liberam sem exame.
5. REACT-2: o estudo que freou o pan-scan
O REACT-2 randomizou pacientes de trauma grave para TC de corpo inteiro imediata × estratégia convencional (imagem direcionada): não houve diferença de mortalidade. Conclusão prática: a TC imediata total-body pode agilizar o diagnóstico em centros com sala de TC junto à emergência, mas não é medida que salva vidas por si — a seleção continua clínica.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMotoqueiro chega hipotenso (PA 76/40), abdome distendido e doloroso à palpação. FAST: líquido livre no espaço de Morrison. Próxima conduta:
2.IntermediárioHomem, 29 anos, queda de bicicleta, consciente (GCS 15), sem intoxicação, sem déficit neurológico, sem dor na linha média cervical e sem outras lesões dolorosas. Melhor conduta para a coluna cervical:
TC sem contraste: por que primeiro · sinais precoces · ASPECTS · RM/DWI · DWI-FLAIR (WAKE-UP) · perfusão e janelas DAWN/DEFUSE 3
TC na porta
≤ 20 min
meta AHA/ASA para ≥ 50% dos casos suspeitos
Trombólise IV
4,5 h
alteplase 0,9 mg/kg (máx 90 mg)
Trombectomia
6–24 h
≤ 6 h por oclusão; 6–24 h com seleção por perfusão
ASPECTS
≤ 7
extensão grande: pior prognóstico
1. Sinais da isquemia na TC sem contraste (descritos em texto)
ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA HIPERDENSA (hiperdense MCA sign): o trombo no lúmen aparece mais denso que o contralateral — sinal precoce de oclusão proximal, candidata a trombectomia.
Sinal do vaso em PONTO (dot sign): trombo em ramo M2/M3, versão distal do mesmo princípio.
HIPODENSIDADE precoce: perda da diferenciação córtex-substância branca, especialmente em ínsula e núcleos da base (edema citotóxico visível dentro de horas).
HIPODENSIDADE extensa (> 1/3 do território da ACM): infarto estabelecido grande — contraindicação relativa à trombólise (risco de transformação hemorrágica).
Perda da definição insular (sinal da ínsula) e do putamen: sutis, precoces, de alto valor quando presentes.
2. ASPECTS — a nota do território da ACM
3. RM no AVC agudo: DWI e o truque do WAKE-UP
DWI com ADC reduzido detecta isquemia em MINUTAS, com sensibilidade muito superior à TC nas primeiras horas — padrão para confirmar infarto e datação.
DWI-FLAIR MISMATCH (DWI positivo com FLAIR ainda normal): marca lesão provavelmente com menos de ~4,5 h — é a seleção que permitiu trombolisar o AVC com hora desconhecida no ensaio WAKE-UP (p.ex., o déficit presente ao acordar), com benefício do alteplase.
T2*/SWI: micro-hemorragias e hemossiderina — histórico de sangramento que modula a decisão antitrombótica.
Angio-RM/angio-TC: demonstram a oclusão de grande vaso (artéria cerebral média M1, carótida intracraniana terminal) que define candidato a trombectomia.
4. Perfusão e a janela estendida (DAWN/DEFUSE 3)
Janela
Seleção
Fonte
Até 6 h do início
oclusão de grande vaso (M1/ICA terminal) + ASPECTS adequado — sem necessidade de perfusão
AHA/ASA 2019
6–16 h
imagem de perfusão: core < 70 mL, razão mismatch ≥ 1,8 e volume de penumbra ≥ 15 mL
DEFUSE 3
6–24 h
mismatch clínico-imagem: ≥ 80 anos com NIHSS ≥ 10 → core < 21 mL; < 80 anos com NIHSS ≥ 10 → core < 31 mL; < 80 anos com NIHSS < 10 → core < 31 mL
DAWN
Na prática: core (tecido já infartado, rCBF reduzido) × penumbra (tecido salvable, Tmax > 6 s) — trombectomia na janela estendida exige core PEQUENO com penumbra GRANDE.
Suspeita de AVC agudo — conduta guiada pela imagem
Déficit neurológico agudo — qual a TC sem contraste inicial?
▼
HIPERDENSA (hemorragia)
Sem trombólise — reverter anticoagulação, controlar pressão arterial e neurocirurgia se indicado (hematoma expansivo, hidrocefalia).
HIPODENSA / sinais precoces de isquemia
Trombólise IV até 4,5 h se elegível (alteplase 0,9 mg/kg, máx 90 mg, 10% em bolus).
Angio-TC: oclusão de grande vaso → trombectomia até 6 h; 6–24 h com seleção por perfusão (DAWN/DEFUSE 3).
NORMAL
TC normal NÃO exclui isquemia hiperaguda — prosseguir com o protocolo de tempo (trombólise se dentro da janela) e RM-DWI para confirmar/data.
Se suspeita de HSA com TC negativa (dor em trovo, horas depois): punção lombar.
5. Hematomas extra-axiais e HSA
Coleção
Aspecto na TC
Clássico de prova
Hematoma epidural
lenticular/biconvexa, NÃO ultrapassa suturas, hemisférica, associa fratura temporal
artéria meníngea média; jovem com TCE e intervalo lúcido
Hematoma subdural
em crescente, ULTRAPASSA suturas, acompanha a convexidade; crônico é hipodenso
idoso/alcoólatra (veias pontentes); queda banal semanas antes
Hemorragia subaracnóidea
sangue HIPERDENSO em cisternas e sulcos
dor súbita em trovo; TC quase 100% até 6 h, cai depois
Hematoma intraparenquimatoso
hiperdenso (30–80 HU) na fase aguda
HAS é a maior causa; sinal de swirl (área hipodensa dentro = sangramento ativo)
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 71 anos, déficit de hemisfério direito há 50 minutos. TC sem contraste: artéria cerebral média esquerda hiperdensa, sem hipodenso parenquimatoso. O achado da ACM hiperdensa significa:
2.Prova difícilHomem, 64 anos, acordou com hemiparesia direita e afasia (última vez visto bem ao deitar, 9 h antes). RM: restrição de difusão no território da ACM esquerda com FLAIR NORMAL na mesma região. Conduta com melhor evidência:
radiofármacos e SPECT × PET · quando pedir por indicação · V/Q no TEP (PIOPED) · FDG-PET: oncologia e infecção · tireoide e I-131
Tc-99m
6 h
meia-vida física do radionuclídeo workhorse
F-18 (FDG)
110 min
meia-vida do traçador do PET
PET-CT
≈ 14 mSv
dose comparável a TC extensa
V/Q alta + clínica alta
96%
probabilidade de TEP (PIOPED)
1. Conceito: imagem FISIOLÓGICA, não anatômica
2. Quando pedir — a tabela por indicação
Exame
Traçador típico
Indicação clássica
Nota de prova
Cintilografia óssea
Tc-99m MDP
metástases osteoblásticas (próstata, mama) com dor/PSA elevado; estadiamento
alta sensibilidade PRECOCE — muito antes do RX; lesões puramente líticas (mieloma) podem não captar
Cintilografia de ventilação/perfusão (V/Q)
Tc-99m MAA + aerossol
TEP quando angio-TC é indesejável: gestante (RX normal), alergia ao iodo, insuficiência renal grave
PIOPED: V/Q de alta probabilidade + clínica alta = TEP em 96%; normal/quase-normal com clínica baixa exclui — maioria dos exames é não diagnóstica
PET-CT com FDG
F-18 fluorodesoxiglicose
estadiamento/reestadiamento de linfoma (escore de Deauville), melanoma, pulmão; nódulo pulmonar isolado (SUV alto = suspeito); febre de origem desconhecida e infecção de prótese
SUV alto = maior consumo glicolítico (malignidade, inflamação); jejum 4–6 h e glicemia preferencialmente < 200 mg/dL
Perfusão miocárdica (SPECT)
Tc-99m sestamibi
isquemia suspeitada com teste ergométrico inconcluso/indeterminado; viabilidade pré-revascularização
imagem de estresse + repouso; dose efetiva ≈ 10 mSv
Cintilografia tireoidiana
I-123 ou Tc-99m
etiologia do hipertireoidismo: captação difusa (Graves) × nódulo tóxico (Plummer)
nódulo hipercaptante suprime o restante = tóxico; nódulo FRIO tem maior risco de malignidade
Paratireoide (sestamibi)
Tc-99m sestamibi
localizar adenoma antes de paratiroidectomia no hiperparatireoidismo primário
captação precoce e tardia diferenciando adenoma de tireoide
Renal (DMSA/DTPA/MAG3)
Tc-99m
DMSA: cicatrizes corticais (pielonefrite de repetição); DTPA/MAG3 com captopril: suspeita de estenose de artéria renal
cintilografia antes do captopril e depois: queda da captação lateraliza a estenose funcional
DaTscan (dat SCAN)
I-123 ioflupano
diferenciar tremor parkinsoniano de tremor essencial
captação estriatal reduzida no parkinsonismo
3. TEP: angio-TC × V/Q — e o lugar do PIOPED
Hoje a angio-TC é a primeira linha para TEP. A cintilografia V/Q sobrevive nos pacientes em quem o contraste iodado é problema: gestante (com RX de tórax normal, prefere-se V/Q — menor dose à mama), alergia ao iodo e insuficiência renal grave. Interpretação PIOPED: alta probabilidade + probabilidade clínica alta = TEP em 96%; exame normal/quase-normal com clínica baixa exclui com segurança; o problema histórico é o grande meio-termo de exames não diagnósticos — por isso o relatório vem sempre acoplado à probabilidade clínica.
4. PET com FDG além do câncer
Infecção e inflamação: próteses articulares suspeitas (dor + VHS/PCR altos, punção inconclusa), endocardite com ecocardiograma duvidoso, vasculite de grandes vasos — diretriz EANM/SNMMI.
Fever de origem desconhecida após investigação convencional negativa.
Nódulo pulmonar isolado: SUV elevado aumenta a probabilidade de malignidade (integrar com Fleischner).
Linfoma: resposta ao tratamento pelo escore de Deauville (1 = sem captação a 5 = nova lesão).
5. Preparo e segurança
Radiofármacos implicam dose efetiva semelhante à de TC (óssea ≈ 6 mSv; PET-CT ≈ 14 mSv). Gestação é contraindicação relativa que pesa indicação a indicação (I-131, absoluta); na lactação, traçadores de Tc-99m permitem amamentar seguindo orientação do serviço, I-131 suspende. Pacientes devem ser instruídos sobre preparo (jejum no FDG, hidratação, medicamentos da tireoide suspensos nos exames de captação) e sobre o intervalo recomendado antes de engravidar após radioiodoterapia.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioGestante de 30 anos, 26 semanas, dispneia aguda, FC 115, D-dímero elevado (esperado na gestação), RX de tórax normal. Melhor exame de imagem para investigar TEP:
2.AvançadoMulher, 68 anos, prótese total de quadril há 2 anos, dor persistente no quadril, VHS e PCR elevados, radiografia e punção articular inconclusivas. O exame de imagem com maior acurácia para infecção da prótese nesse cenário é:
elevação de creatinina em 48 h (ou ≥ 1,5× em 7 dias)
TFGe
< 30
maior risco de PC-AKI — e cautela máxima com gadolínio linear
Premedicação
13–7–1 h
prednisona 50 mg VO + anti-H1 1 h antes (ACR)
Adrenalina
0,3–0,5 mg IM
coxa anterolateral, repetir 5–15 min na reação grave
1. Os contrastes e seus problemas
Iodados (TC, angiografia, urografia): os atuais são não iônicos de baixa osmolaridade, com reações muito menos frequentes que os antigos. Gadolínio (RM): risco principal é a nefrose sistêmica fibrosante nos agentes lineares com função renal gravemente reduzida. Bário (digestivo): contraindicado na suspeita de perfuração ou obstrução completa — usar hidrossolúvel. Reações idiossincrásicas NÃO dependem de dose (não é superdosagem): podem ocorrer com 1 mL, e o risco de reação grave em quem já reagiu é maior que o da população geral — daí a premedicação e a troca de agente.
2. Reações de hipersensibilidade imediatas: classificar para tratar
Grau (Ring e Messmer)
Manifestações
Conduta
I
cutâneo-mucosas: eritema, urticária, prurido
parar a infusão, observar, anti-histamínico sintomático
adrenalina IM 0,3–0,5 mg + posição supina com pernas elevadas + expansão volêmica
III
choque, broncoespasmo grave, laringoespasmo/edema de vias aéreas
adrenalina IM (repetir 5–15 min), oxigênio, via aérea, expansão vigorosa
IV
parada cardiorrespiratória
RCP e adrenalina conforme protocolo de parada
3. Quem já reagiu: premedicação e alternativas (ACR)
4. Lesão renal pós-contraste (PC-AKI)
Definição: elevação da creatinina ≥ 0,3 mg/dL em 48 h ou ≥ 1,5× o basal em até 7 dias após contraste iodado intravascular, SEM outra causa identificada — diagnóstico de exclusão; na maioria dos casos o curso é autolimitado, com pico em 3–5 dias e recuperação em 1–2 semanas. Estratificação de risco pela função renal: TFGe < 30 mL/min/1,73 m² (ou lesão renal aguda) = risco mais alto; 30–44 = intermediário; ≥ 45 = baixo. Demais fatores: desidratação, insuficiência cardíaca congestiva, diabetes com nefropatia, doses altas e repetidas.
5. Profilaxia: o que sobreviveu aos ensaios
HIDRATAÇÃO com solução salina isotônica IV é a profilaxia padrão nos pacientes de alto risco (regimes usuais de 1–3 mL/kg/h, antes e depois do exame).
AMACING: em pacientes eletivos com TFGe 30–59, NÃO hidratar foi não inferior à hidratação IV profilática — a profilaxia universal está em revisão; decisões individualizadas.
PRESERVE: bicarbonato de sódio não é superior à salina, e a N-acetilcisteína não é melhor que placebo — NAC saiu da prática (e da prova atualizada).
Usar a MENOR dose de contraste necessária, espaçar exames com contraste e corrigir hipovolemia.
Metformina: não causa PC-AKI, mas se vier a ocorrer lesão renal há risco de acidose lática — suspender por 48 h após o contraste quando TFGe < 30 ou lesão renal aguda, reintroduzindo após confirmar função renal estável.
Diálise crônica não é contraindicação absoluta ao contraste iodado — programar em conjunto com a nefrologia.
Paciente que reagiu antes ao iodado — o que fazer antes do novo exame
Qual foi a reação prévia ao meio de contraste iodado?
▼
Tardia, cutânea leve (exantema dias depois)
Premedicação de rotina NÃO é necessária; orientar o paciente e usar agente diferente quando possível.
Imediata leve a moderada (urticária, broncoespasmo leve)
Premedicação ACR (13–7–1 h) + trocar o agente + sala preparada para emergência.
Se o exame é em menos de 13 h: regime acelerado 4–5 h IV ou remarcar.
Imediata grave (choque, laringoespasmo) ou cutânea grave (SJS/TEN/DRESS)
Evitar reexposição ao iodado: alternativa de modalidade (US, RM sem/sem contraste) ou protocolo de risco compartilhado.
Se inevitável: regime completo + agente diferente + ambiente de terapia intensiva na sala.
6. Gadolínio revisitado no contexto do contraste
Nefrose sistêmica fibrosante: relacionada sobretudo aos agentes lineares de grupo I em TFGe < 30 mL/min/1,73 m². Conduta prática: usar agentes macrocíclicos de grupo II (risco muito baixo), dose mínima, e registrar a justificativa em função renal gravemente reduzida. Gravidez: gadolínio apenas macrocíclico e quando indispensável. Deposição intracraniana cumulativa (sinal de Kanda) reforça a mesma diretriz: macrocíclico, dose mínima, indicação justificada.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioPaciente em injeção de contraste iodado desenvolve urticária difusa, estridor e hipotensão (PA 70/40) em minutos. Primeira conduta:
2.Prova difícilHomem, 70 anos, TFGe 28 mL/min/1,73 m², estável, precisa de angio-TC eletiva; usa metformina. Conduta profilática mais adequada:
instável + FAST positivo = sala de operação; estável = TC; FAST negativo não exclui.
Contraste: 3 números
0,3 mg/dL em 48 h (PC-AKI) · TFGe 30 (risco/gadolínio linear) · 13–7–1 h (premedicação).
As pegadinhas mais cobradas
RX de tórax em gestante com avental é SEGURO (fetal < 0,01 mGy) — recusá-lo por radiofobia é o erro.
AP portátil magnifica o coração — cardiomegalia em filme de leito só vale confirmada em PA.
Broncograma aéreo não exclui neoplasia; consolidação que não resolve em 4–6 semanas = investigar câncer.
TC sem contraste não exclui TEP (é angio-TC) e uro-TC da cólica renal é SEM contraste.
Cintilografia óssea pode ser normal no mieloma (lesões líticas puras) — RX/TC de esqueleto no estadiamento.
NEXUS com os 5 critérios ausentes dispensa imagem cervical — sensibilidade de 99%.
FAST negativo não exclui lesão abdominal (retroperitônio e intestino são cegos ao US).
TC total-body de rotina não reduziu mortalidade (REACT-2) — seleção continua clínica.
TC normal não exclui AVC isquêmico hiperagudo — prossegue o protocolo de tempo.
Na anafilaxia ao contraste, corticoide IV não substitui adrenalina IM na coxa.
NAC e bicarbonato saíram da profilaxia de PC-AKI (PRESERVE) — salina isotônica é o padrão no alto risco.
Premedicação não zera o risco: reações de escape ocorrem com gravidade semelhante.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda prescrição de exame com radiação começa pela justificação: este exame muda a conduta deste paciente, agora?
Toda dispneia aguda com US à beira do leito: linhas A/B e deslizamento pleural orientam o diagnóstico antes de qualquer TC.
Todo trauma abdominal instável: FAST e, se positivo, sala de operação — a TC é do estável.
Todo AVC com hora definida dentro de 4,5 h: não espere RM — TC exclui sangue e libera a trombólise.
Todo paciente que já reagiu ao iodado: graduar a reação prévia, premedicar (13–7–1 h) ou trocar de agente — e preparar a adrenalina.
Todo contraste iodado em TFGe < 30: salina isotônica, dose mínima e metformina suspensa por 48 h.
Todo gadolínio: preferir macrocíclico (grupo II), dose mínima, indicação justificada.
Todo nódulo pulmonar incidental: classificar por Fleischner 2017 (tamanho, atenuação, risco) antes de pedir mais exames.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Consolidação que apaga a borda cardíaca direita
Lobo médio (sinal da silhueta)
Fissura menor em S invertido com massa hilar
Sinal de Golden — carcinoma com atelectasia do LSD
Hiperclaridade do sulco costofrênico no decúbito
Sinal do sulco profundo — pneumotórax anterior
Artéria cerebral média hiperdensa na TC
Trombo proximal — trombectomia
DWI hiperintenso com FLAIR normal
AVC de hora desconhecida dentro da janela (WAKE-UP)
Lesão hepática de 5 HU sem realce
Cisto simples — sem seguimento
Deslizamento pleural abolido com linhas A e lung point
Pneumotórax ao ultrassom
Trauma instável com líquido em Morrison
Laparotomia imediata
Gestante com suspeita de TEP e RX normal
Cintilografia V/Q
Prótese articular dolorosa com PCR alto e punção inconclusiva
PET-CT com FDG
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.IntermediárioNa discussão de um caso, a equipe compara exames por dose efetiva em adulto. A ordem crescente correta (menor → maior) é:
2.IntermediárioRX de tórax PA: consolidação que APAGA a borda cardíaca ESQUERDA, poupando os diafragmas. Localização:
3.FundamentalHomem, 48 anos, cólica renal à direita, hematura microscópica. Exame de imagem de primeira linha com melhor acurácia para litíase:
4.AvançadoHomem, 34 anos, dor intensa no ombro direito há 1 semana seguida de fraqueza de rotação externa; RM com hiperintensidade T2/STIR dos músculos supra e infraspinhal, tendões íntegros, sem lesão compressiva. Diagnóstico:
5.FundamentalNo RUSH de um paciente em choque: coração hipercontrátil, veia cava colapsável, ausência de linhas B e aorta abdominal normal. Perfil compatível com:
6.Prova difícilMulher, 82 anos, last seen normal há 14 h; NIHSS 13; TC sem contraste com ASPECTS 8; perfusão: core 16 mL, penumbra extensa; angio-TC: oclusão de M1 à esquerda. Conduta:
7.IntermediárioHomem, 72 anos, câncer de próstata com PSA em elevação e dor em coluna. Exame de imagem de varredura mais sensível para metástases ósseas nesse cenário:
8.Prova difícilPaciente com histórico de urticária generalizada imediata a contraste iodado tem angio-TC eletiva marcada para daqui a 4 horas. Conduta:
Gabarito rápido
1-B · 2-C · 3-B · 4-B · 5-C · 6-B · 7-C · 8-C
Referencial teórico
29 fontes reais · DOI verificado
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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