Baseado nos artigos publicados da matéria Psicologia Médica e Humanidades da Central de Estudos (fonte principal) e em fontes primárias com DOI verificado — Baile (SPIKES), Emanuel (JAMA 1992), Rotenstein (JAMA 2016), Shear (NEJM 2015 / JAMA 2005), Osterberg (NEJM 2005), DiMatteo (2000), Zolnierek (2009), Lundahl (Patient Educ Couns 2013), West (Lancet 2016), Maslach (World Psychiatry 2016), Moynihan (BMJ 2002), Charon (JAMA 2001), Eisenberg (JAMA 1998) — mais Código de Ética Médica (CFM 2.217/2018), OMS/CID-11 e DSM-5-TR. Resumo de estudo — na prática real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Relação médico-paciente e empatia clínica
modelos de Emanuel · entrevista centrada no paciente · empatia (conceito, escalas e declínio) · ética CFM
Até a 1ª interrupção
~18 s
tempo médio que o paciente fala antes de ser interrompido (Beckman & Frankel)
JSE
20 itens
Jefferson Scale of Physician Empathy — a escala de referência
Declínio da empatia
3º ano
queda consistente na entrada do ciclo clínico (Hojat; Neumann)
Treino de comunicação
OR 1,62
odds de adesão maiores quando o médico foi treinado (Zolnierek)
1. Conceito: a relação é um instrumento terapêutico
A relação médico-paciente é o veículo do diagnóstico (a anamnese gera a maioria das hipóteses), do tratamento (define confiança e adesão) e do suporte. A perspectiva contemporânea é o modelo biopsicossocial (Engel, 1977): a doença se produz e se trata na intersecção de fatores biológicos, psicológicos e sociais — não apenas na lesão. A qualidade da relação muda desfecho mensurável: pacientes de médicos que comunicam mal têm 19% mais risco de não aderir ao tratamento; treinar médicos em comunicação eleva as odds de adesão em 1,62 vez (Zolnierek & DiMatteo, 2009).
2. Os 4 modelos de Emanuel (JAMA, 1992) — a tabela que cai
Modelo
Papel do médico
Quem decide e com quais valores
Onde falha
Paternalista
guardião: decide o “melhor interesse” do paciente
o médico decide com os valores DELE; paciente passivo
viola a autonomia sempre que os valores divergem
Informativo
cientista/fornecedor de fatos técnicos
o paciente decide sozinho com os valores dele; médico neutro
médico se omite do bem-estar: vira vendedor de opções
Interpretativo
conselheiro: elucida os valores do paciente
o paciente decide; o médico orienta e esclarece alternativas
abre mão de discutir o que é melhor para a saúde
Deliberativo
professor-amigo: persuade com razões sobre valores saudáveis
decisão compartilhada: médico dialoga valores e recomenda
pode escorregar para paternalismo se a persuasão vira imposição
O modelo deliberativo é o ideal contemporâneo (autonomia informada + engajamento do médico). A prova identifica o modelo pelo PAPEL do médico: quem só informa é informativo; quem aconselha sem recomendar é interpretativo; quem debate valores e recomenda é deliberativo; quem decide pelo paciente é paternalista.
3. Habilidades da entrevista (estrutura Calgary-Cambridge)
Iniciar a sessão: saudação, identificação, razão da consulta, agenda compartilhada.
Colher informação: pergunta ABERTA primeiro, escuta sem interromper (o paciente organiza o raciocínio se falar 1–2 minutos), depois perguntas fechadas para completar.
Explicação e planejamento: dar informação em blocos, checar compreensão, combinar plano.
Fechar a sessão: resumo, próximos passos, segurança de retorno.
Tarefas contínuas: construir a relação (empatia, linguagem sem jargão) e dar estrutura à consulta.
4. Empatia clínica: conceito e medida
Empatia clínica é a compreensão da perspectiva e das emoções do paciente (componente cognitivo), associada à comunicação dessa compreensão e à ação em benefício do paciente (componentes afetivo e comportamental). Não é simpatia (compartilhar o afeto) nem fusão emocional — o médico compreende sem perder o limite profissional.
Instrumento
O que mede
Nota de prova
Jefferson Scale of Physician Empathy (Hojat, 2001)
20 itens em 3 fatores: tomada de perspectiva, cuidado compassivo, colocar-se no lugar do paciente
escala de referência para médicos e estudantes
Interpersonal Reactivity Index (Davis, 1983)
4 subescalas: tomada de perspectiva, fantasia, preocupação empática e desconforto pessoal (personal distress)
empatia é multidimensional; o desconforto pessoal é sofrimento do observador, não cuidado
CARE Measure
empatia na consulta, pela perspectiva do paciente
medida relacional, pós-consulta
5. O declínio da empatia na graduação
Hojat (Academic Medicine, 2009 — “the devil is in the third year”): escores de empatia estáveis nos dois primeiros anos, com queda acentuada no 3º ano, na transição para o ciclo clínico. Neumann (2011, revisão sistemática): declínio consistente de empatia em estudantes e residentes, concentrado justamente nesse momento. Causas associadas: sobrecarga, privação de sono, currículo oculto (preceptores cínicos, “bate-rebote”), priorização da tecnologia e perda de contato com a história do paciente. O declínio não é definitivo: revisões de intervenções educacionais (simulação, artes, treino de comunicação) mostram melhora dos escores mensurados (Batt-Rawden, 2013).
6. Ética da relação (Código de Ética Médica, CFM 2.217/2018)
Vedações diretas à relação: negar atendimento em emergência, abandonar o paciente, discriminar por qualquer condição, desrespeitar a dignidade.
Deveres centrais: informar diagnóstico, prognóstico e riscos em linguagem compreensível; obter consentimento; guardar sigilo (inclusive após a morte).
A verdade é direito do paciente: omitir diagnóstico “para protegê-lo” só se justifica na exceção legal prevista (risco de dano grave à saúde, a critério do médico e com anuência do responsável) — não como rotina por conforto da família.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMédico apresenta ao paciente todas as opções de tratamento com riscos e benefícios, responde às perguntas e, questionado sobre qual escolher, responde que sua função é apenas fornecer a informação técnica — a decisão é exclusiva do paciente. Qual modelo de relação médico-paciente (Emanuel & Emanuel, 1992)?
2.IntermediárioQual assertiva sobre empatia clínica está correta?
da informação médica é esquecida de imediato (Kessels 2003)
Do que lembram
~metade
está incorreta (Kessels 2003)
Treino
Funciona
cursos de habilidades melhoram a comunicação em oncologia (Barth & Lannen 2011)
1. Conceito: o que é uma má notícia
Má notícia é qualquer informação que altera negativa e duradouramente a visão de futuro do paciente — a definição depende do impacto para QUEM recebe, não da gravidade “objetiva”. Não se restringe ao prognóstico terminal: diagnóstico de doença crônica, recidiva, sequela permanente, mudança obrigatória de estilo de vida, resultado inesperado de exame e erro assistencial são todas más notícias. Por que é difícil (Buckman, BMJ 1984): formação voltada a curar, medo de causar sofrimento, medo de ser responsabilizado, medo de destruir a esperança e ausência de treinamento formal.
2. SPIKES — a tabela de prova (Baile et al., The Oncologist, 2000)
Passo
Objetivo
Como fazer
S — Setting
preparar o cenário
local privativo, sentado ao nível do paciente, sem pressa, celular silenciado; conectar-se antes de começar
P — Perception
descobrir o que o paciente sabe
“o que o senhor entende sobre a sua doença?” — alinha expectativa e corrige erros antes de informar
I — Invitation
descobrir o que ele quer saber
perguntar quanto quer saber e quem deve estar presente; respeitar a recusa momentânea de informação
K — Knowledge
transmitir a informação
disparo de aviso (“tenho uma notícia difícil”), linguagem simples, frases curtas, pausas, blocos pequenos checando compreensão
E — Emotions
acolher a emoção
silêncio, contato visual, resposta empática (nomear, entender, respeitar, apoiar, explorar) ANTES de continuar o conteúdo
S — Strategy/Summary
planejar e fechar
plano concreto para os próximos passos, resumo do combinado, porta aberta para dúvidas e retorno
3. Memória e compreensão: por que repetir, escrever e checar
Kessels (J R Soc Med, 2003): 40–80% da informação médica é esquecida imediatamente e quase metade do que é recordado está incorreta — o esquecimento cresce com o volume de informação, a ansiedade do momento e a idade. Estratégias com base nesse dado: priorizar o essencial (no máximo alguns pontos-chave), falar em blocos pequenos checando a compreensão (teach-back: “me conta como você vai tomar em casa”), repetir no fim, entregar material escrito e envolver um acompanhante.
Fluxo da notícia difícil
Depois do disparo de aviso, o paciente faz silêncio e chora. Qual o próximo passo?
▼
Acolher antes de continuar (passo E)
Permanecer alguns segundos em silêncio, sem preencher com palavras ou técnica.
Nomear e validar a emoção: “vejo que essa notícia foi muito forte para o senhor”.
Retomar o conteúdo só quando o paciente der sinal (pergunta, olhar, pedido).
Continuar o protocolo e detalhar o plano
Erro clássico: usar informação técnica para escapar da emoção.
Sobrecarga cognitiva: novo conteúdo não será retido — 40–80% já se perde em condições neutras.
Encerrar e remarcar para outro dia
Aceitável apenas se o paciente pedir; sair sem plano gera angústia e queixa.
Combinar retorno curto, suporte da equipe e participação da família.
4. Evidência: treinar comunicação funciona
Barth & Lannen (Annals of Oncology, 2011; revisão sistemática com metanálise): cursos de treino de habilidades de comunicação melhoram as competências comunicativas dos profissionais em oncologia. O SPIKES é a espinha dorsal desses cursos: organiza a consulta, reduz a ansiedade do profissional, permite documentar o que foi dito e padroniza o ensino. O benefício é da comunicação estruturada — não existe “dom nato” que substitua protocolo.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalAmbulatório de oncologia. Paciente aguardava resultado de biópsia; médico encontra o laudo em mãos, chama o paciente para sala privativa e senta-se ao seu lado. Qual o próximo passo segundo o protocolo SPIKES?
2.AvançadoIdosa de 74 anos recém-diagnosticada com insuficiência cardíaca recebe alta com cinco medicações novas. Na consulta seguinte, toma as drogas de forma errada e não sabe citar os nomes. Com base na evidência sobre memória para informação médica (Kessels, 2003), qual conduta melhora efetivamente a retenção?
ambivalência e espírito PACE · técnicas OARS · change talk e estágios de mudança · adesão: magnitude, causas, medida e intervenções
Adesão em crônicos
~50%
média em países desenvolvidos (OMS 2003; Osterberg, NEJM 2005)
Depressão × não-adesão
OR 3,0
IC 95% 1,96–4,89 (DiMatteo 2000)
EM em cenários médicos
OR 1,55
vantagem modesta e consistente; 48 ECRs (Lundahl, PEC 2013)
Comunicação
+19%
risco de não-adesão com má comunicação; treino dá 1,62× em odds (Zolnierek)
1. Conceito: o problema é a ambivalência, não a ignorância
Entrevista motivacional (Miller & Rollnick) é um estilo COLABORATIVO de conversa para fortalecer a motivação PRÓPRIA da pessoa para mudar, resolvendo a ambivalência — querer e não querer ao mesmo tempo. Não é aconselhar, persuadir, confrontar ou dar sermão. Aplicações típicas: tabagismo, álcool e outras drogas, dieta, atividade física, adesão a medicamentos.
2. Espírito (PACE) e técnicas (OARS)
Espírito da EM (PACE)
Significado
Parceria (Partnership)
decidir junto, com autoridade compartilhada — não exercer poder
Aceitação (Acceptance)
aceitação incondicional da pessoa, escuta precisa, afirmação do esforço e respeito à autonomia
Compaixão (Compassion)
promover o bem do paciente, e não a agenda do profissional
Evocação (Evoking)
as razões para mudar saem do paciente — não do manual
Técnica (OARS)
Exemplo
Pergunta aberta (Open questions)
“o que você faria de diferente se tivesse certeza de que vale a pena?”
Afirmação (Affirmations)
“conseguiu cortar pela metade — isso exigiu esforço real”
Escuta reflexiva (Reflections)
“pelo que entendi, parar importa, mas o cigarro ainda segura o seu estresse...”
Somatório (Summaries)
“deixa eu ver se entendi: você quer parar, duvida da sua força de vontade e a família vive pressionando...”
Complementos de prova: régua 0–10 de importância e confiança (“por que 5 e não 2?” faz o paciente defender o lado positivo) e troca de informação com EPE (elicit–provide–elicit): perguntar o que ele sabe, pedir permissão para informar, checar o que fez sentido.
3. Estágios de mudança (Prochaska & DiClemente) — o matching que cai
Estágio
Como o paciente fala
Postura correta
Pré-contemplação
“não tenho problema nenhum”
informar COM PERMISSÃO, explorar percepção; nunca pressionar
Contemplação
“sei que faz mal, mas ainda não decidi”
explorar a ambivalência: prós, contras, régua de importância
Preparação
“quero parar no próximo mês”
negociar plano concreto, com data e passos
Ação
“parei semana passada”
reforçar, apoiar, resolver barreiras práticas
Manutenção
“estou limpo há 6 meses”
prevenir recaída: gatilhos, plano de emergência
Recaída
“recaí no fim de semana”
normalizar como parte do processo e retomar o ciclo
4. Evidência de eficácia
Lundahl et al. (Patient Education and Counseling, 2013; 48 ensaios randomizados, 9.618 participantes): em cenários de cuidado médico, a EM apresenta vantagem global modesta e estatisticamente significativa (OR 1,55; IC 95% 1,40–1,71), incluindo desfechos de adesão e fatores de risco como pressão arterial e glicemia. Miller & Rose (American Psychologist, 2009): a teoria da EM — a conversa sobre a mudança é o mecanismo ativo; fidelidade técnica (empatia + evocação de change talk) é o que separa EM de aconselhamento comum.
5. Adesão: definição, magnitude e causas (OMS 2003)
Adesão é o grau com que o comportamento da pessoa — tomar medicação, seguir dieta, mudar hábitos — corresponde às recomendações ACORDADAS com o profissional de saúde (OMS, 2003). Nos países desenvolvidos, a adesão a terapias de longa duração em doenças crônicas é em média de 50% (OMS 2003; Osterberg, NEJM 2005). A não-adesão corta eficácia comprovada: o melhor fármaco falha se não é tomado.
Dimensão de causas (OMS)
Exemplos de barreira
Socioeconômica
custo do medicamento, transporte, baixa escolaridade em saúde, rede de apoio frágil
Equipe/sistema de saúde
acesso difícil, consulta curta, vínculo precário, falta de seguimento
complexidade do regime (número de doses), efeitos adversos, duração indefinida
Paciente
crenças e expectativas, depressão (OR 3,0 — DiMatteo), cognição, esquecimento
6. Medir a adesão e intervir
Método de medida
Nota de prova
Pergunta direta sem julgamento
“quantas doses o senhor acha que esqueceu na última semana?” — rápida; formulação acolhedora reduz a mentira por vergonha
Questionários validados
ex.: Morisky (4 ou 8 itens) em hipertensão e diabetes
Contagem de comprimidos e taxas de dispensação
objetivas, mas sujeitas a “encher o cartão” sem tomar
Monitoramento eletrônico (MEMS)
registro de aberturas do frasco — o mais preciso e o mais caro
Marcadores biológicos
níveis séricos do fármaco; HbA1c como proxy indireto no diabetes
Intervenções (Nieuwlaat, Cochrane 2014): nenhuma medida isolada resolve; os efeitos são em geral modestos e melhores quando as intervenções são COMBINADAS e adaptadas ao paciente — simplificação do regime (menos tomadas diárias, comprimido único), lembretes, envolvimento da família, seguimento ativo, feedback e tratamento de comorbidades (sobretudo depressão). A EM é a técnica baseada em evidência para o componente de ambivalência.
Fluxo do crônico fora da meta
Hipertenso ou diabético retorna com pressão/glicemia fora da meta — por onde começar?
▼
Suspeita de não-adesão (o mais comum)
Perguntar sem julgar + método objetivo (contagem, questionário, dispensação).
Simplificar: comprimido único, 1 tomada/dia se possível; lembretes; associar a rotina diária.
Rastrear depressão (OR 3,0), efeitos adversos e custo do esquema.
Adesão confirmada e persistente fora da meta
Revisar doses e classe, interações, causas secundárias, álcool, AINE contínuo.
Considerar medida fora do consultório (MAPA/automedição) antes de escalar por leitura isolada.
Ambivalência clara em mudança de hábito
Entrevista motivacional: OARS + régua de importância e confiança.
Acordar UMA meta pequena e específica com retorno curto para reforçar.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem de 52 anos, tabagista, hipertenso. Na consulta, o médico lista os riscos do cigarro, mostra estatísticas de câncer e exige uma data para parar “senão não adianta voltar”. O paciente retruca que o avô fumou até os 90 anos. Qual a melhor conduta para retomar a consulta segundo a entrevista motivacional?
2.Prova difícilIdosa de 68 anos com diabetes tipo 2: HbA1c 9,5% apesar de metformina plena e insulina noturna. Afirma tomar “tudo direitinho”; a filha relata esquecimentos frequentes. Há duas semanas relata humor deprimido quase diário, perda de prazer e insônia. Qual a melhor sequência de conduta?
conceito e modelos · luto × depressão · critérios DSM-5-TR × CID-11 · terapia do luto complicado (CGT) · conduta na consulta
DSM-5-TR
12 meses
após a morte em adultos (6 em crianças/adolescentes) + ≥ 3 de 8 sintomas
CID-11
6 meses
mínimo para transtorno do luto prolongado
CGT
16 sessões
terapia do luto complicado, ao longo de ~19 semanas (Shear 2005)
Resposta CGT × TIP
51% vs 28%
JAMA 2005 — NNT 4,3
1. Conceito: luto normal oscila
Luto é a resposta à perda de um vínculo, com componentes emocionais (saudade, dor), físicos (fadiga, opressão precordial), cognitivos (incredulidade, preocupação com o falecido), comportamentais (choro, busca) e espirituais (perda de sentido). O padrão normal é OSCILANTE: alternância entre momentos de dor ligada à perda e momentos de funcionamento e até prazer, com integração gradual ao longo de meses a 1 ano — e piora esperada em datas marcantes.
2. Modelos descritivos que a prova cita
Tarefas do luto (Worden): aceitar a realidade da perda, elaborar a dor, ajustar-se a um mundo sem o falecido, reinvestir emocionalmente mantendo um vínculo simbólico.
Fases de Kübler-Ross (negação, raiva, barganha, depressão, aceitação): descritas originalmente para a experiência de PACIENTES QUE MORREM, não para os enlutados; não são lineares nem obrigatórias.
Logoterapia (Viktor Frankl): diante do sofrimento inevitável, resta a liberdade de atribuir sentido — a reconstrução de sentido é um dos fios das terapias do luto e da medicina narrativa.
3. Luto normal × luto prolongado × episódio depressivo maior
Achado
Luto (normal)
Luto prolongado
Episódio depressivo maior
Curso temporal
oscila em ondas; melhora gradual ao longo dos meses
travado: ≥ 12 meses (DSM-5-TR, adulto) sem integração
≥ 2 semanas de humor deprimido/anedonia, quase todos os dias
Núcleo afetivo
saudade do falecido, desencadeada por lembranças
saudade e preocupação com o falecido dominam; mundo “parado”
humor baixo e anedonia DIFUSOS, não ligados à lembrança
Autoestima
preservada
culpa circunscrita às circunstâncias da morte
desvalia e culpa GENERALIZADAS
Prazer em outras áreas
possível, sem culpa (rir de um neto não é traição)
muito reduzido; evita e reprime
perdido (anedonia persistente)
Função e risco
preservada em grau variável; piora em datas
incapacitante estável; risco aumentado de ideação suicida
prejuízo funcional; risco aumentado de suicídio
4. Critérios: luto prolongado no DSM-5-TR e na CID-11
DSM-5-TR (adultos): morte de pessoa próxima há pelo menos 12 meses (6 meses em crianças e adolescentes) + saudade intensa/preocupação com o falecido praticamente todos os dias + pelo menos 3 de 8 sintomas (descrença, evitação de lembretes, dor emocional intensa, entorpecimento, dificuldade de reintegração na rotina, solidão, perda de sentido, ruptura da identidade) + sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo + para além do esperado pelas normas culturais e religiosas. CID-11: transtorno do luto prolongado a partir de 6 meses, com saudade pervasiva e prejuízo, fora do padrão sociocultural. A DIVERGÊNCIA DE TEMPO (6 × 12 meses) é prova garantida — sempre citar qual sistema está sendo usado.
5. Acompanhamento e tratamento
Luto NORMAL: suporte social, escuta, psicoeducação sobre “ondas” e datas difíceis, atenção ao sono e ao autocuidado; terapia formal universal NÃO é indicada — a maioria das pessoas integra a perda sem tratamento (Shear, NEJM 2015). Luto prolongado/complicado: a terapia do luto complicado (CGT) de Shear — 16 sessões individuais ao longo de ~19 semanas, baseada no modelo do processo dual, com trabalho de exposição à realidade da perda e restauração de projetos — foi superior à terapia interpessoal em ensaio randomizado (JAMA 2005): resposta de 51% contra 28%, com NNT 4,3. Antidepressivos: tratam depressão comórbida; a evidência para o luto prolongado isolado é limitada.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioViúva de 60 anos, 14 meses após a morte súbita do marido. Refere não conseguir acreditar na morte, evitou entrar no quarto do casal desde então, sente dor emocional intensa e solidão diárias, a vida “perdeu o sentido” e não retomou o trabalho nem as amigas. Chora ao falar dele, mas ri ao contar do neto; nega sentir-se “um nada” ou culpada por outras áreas da vida. Sono e apetite preservados. Qual o diagnóstico?
2.AvançadoPaciente com luto complicado confirmado (14 meses de evolução, prejuízo importante, sem depressão maior comórbida). Qual conduta tem a melhor evidência de eficácia?
conceitos (medicalização, biomedicalização, disease mongering) · casos clássicos · o filtro diagnóstico · conduta clínica e ética
BMJ 2002
Disease mongering
Moynihan et al. — “vender doença” para vender tratamento
Illich
1976
Medical Nemesis — a iatrogenia social da expropriação da saúde
Depressão (DSM-5-TR)
≥ 5 sintomas · 2 semanas
+ prejuízo — o filtro contra a medicalização da tristeza
Propaganda
Lei 6.360/76
art. 58 — propaganda de medicamentos dirigida a prescritores, não ao público
1. Conceito
Medicalização é o processo pelo qual condições e problemas NÃO-médicos da vida cotidiana passam a ser definidos e tratados como problemas médicos. Não exige conspiração: emerge da interação de interesses comerciais, desenvolvimento tecnológico, ansiedade social por certeza e da própria medicina (Conrad, 2007). Illich (1976, Medical Nemesis) denominou iatrogenia social a expropriação da capacidade das pessoas lidarem com sua própria saúde. Clarke (2003) propôs biomedicalização: a tecnociência (genômica, marcadores de risco, marketing) transforma profundamente como se define saúde e doença.
Termo
Definição
Exemplo típico
Medicalização
condição da vida transformada em diagnóstico
tristeza rotulada de depressão sem critérios; criança inquieta rotulada de TDAH sem avaliação formal
Biomedicalização
medicalização amplificada pela tecnociência
risco genético/valor laboratorial limítrofe tratado como doença em si
Disease mongering
vender doença para vender tratamento (Moynihan, BMJ 2002)
“timidez” ampliada para fobia social; disfunção sexual feminina; “deficiência de androgênio” do envelhecimento
Desmedicalização
devolver à vida/direitos o que era tratado como doença
desinstitucionalização psiquiátrica; homossexualidade retirada das classificações
2. Casos clássicos de prova
Infância e educação: TDAH diagnosticado sem critérios formais; “criança quieta demais” como patologia.
Afeto: tristeza e luto normais rotulados como depressão; “síndrome do pânico” para medos situacionais.
Mulheres: menopausa como doença endócrina a tratar por tempo indeterminado; TPM medicalizada em toda a sua extensão.
Envelhecimento: queda hormonal fisiológica como “deficiência”; mercado anti-aging.
Sexualidade: diminuição situacional do desejo como disfunção a tratar.
Estilo de vida/estética: obesidade e envelhecimento cutâneo como “doenças” de mercado.
Contraponto necessário: SUBDIAGNÓSTICO também é iatrogenia — depressão em idosos e transtornos mentais comuns seguem subdetectados no Brasil e no mundo. O eixo ético não é negar rótulos, é aplicar CRITÉRIO e medir PREJUÍZO: sofrimento esperado da vida recebe suporte; síndrome definida recebe diagnóstico e tratamento.
3. Conduta clínica e ética na demanda limítrofe
Fluxo da demanda limítrofe
Paciente chega PEDINDO um diagnóstico/tratamento para uma queixa limítrofe (estimulante “para o TDAH”, hormônio “para envelhecer melhor”, ansiolítico “para o estresse”). Como conduzir?
Avaliar DURAÇÃO, intensidade e prejuízo funcional — não apenas a presença do sintoma.
Não preenche critérios
Nomear o sofrimento sem rotular: psicoeducação, higiene de vida, psicoterapia de apoio.
Watchful waiting com retorno marcado — nunca “alta sem plano” nem prescrição para encerrar a consulta.
Presença de pressão comercial/autoprescrição
Não prescrever por insistência: receitar para satisfazer a demanda é iatrogenia.
Registrar a decisão; ficar atento a propaganda e a vínculos com a indústria — a propaganda de medicamentos sob controle é dirigida a prescritores (Lei 6.360/76, art. 58) e a ética médica veda condicionar a prescrição a interesse comercial.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalIndústria farmacêutica financia campanha de “conscientização” que amplia os limites da fobia social, retrata a timidez comum como doença incapacitante e conclui pela necessidade de tratamento farmacológico — coincidentemente do novo produto da empresa. Como se denomina esse fenômeno (Moynihan et al., BMJ 2002)?
2.AvançadoUniversitário saudável, sem sintomas de TDAH na infância, com bom desempenho prévio, procura o serviço pedindo metilfenidato “para render mais nas provas”; sono curto e ritmo irregular. Qual a conduta correta?
definição (CID-11) e 3 dimensões · epidemiologia do estudante de medicina · áreas de vida laboral · rastreio (depressão, SCOFF) · prevenção
Sintomas depressivos
27,2%
estudantes de medicina — meta-análise JAMA 2016 (Rotenstein)
Ideação suicida
11,1%
entre estudantes (JAMA 2016)
Buscam tratamento
15,7%
dos que rastreiam positivo para depressão
Burnout global
54% → 44%
redução com intervenções individuais e organizacionais (Lancet 2016)
1. Conceito: síndrome ocupacional com três dimensões
Burnout (CID-11, código QD85) é uma síndrome resultante de estresse crônico no trabalho que não foi gerenciado com sucesso — classificada pela OMS como FENÔMENO OCUPACIONAL, não como transtorno mental. As três dimensões clássicas de Maslach: EXAUSTÃO emocional (esgotamento dos recursos), DISTANCIAMENTO mental/cinismo (despersonalização: tratar pacientes e colegas como objetos) e senso reduzido de EFICÁCIA/realização profissional (sentir-se incompetente e inútil no trabalho).
2. Onde nasce: as 6 áreas de vida laboral (Maslach & Leiter)
Área
Desequilíbrio típico no estudante/interno
Carga de trabalho
provas acumuladas, plantões, privação crônica de sono
Controle
pouca autonomia sobre agenda, horários e escolhas do aprendizado
Recompensa
reconhecimento raro; competição por notas e vagas
Comunidade
relações de “bate-rebote”; humilhação didática (currículo oculto)
Justiça
avaliações opacas; seleções punitivas
Valores
conflito entre o ideal humanístico e a realidade técnica vivida
O burnout nasce do DESAJUSTE (mismatch) entre pessoa e essas áreas de vida laboral — logo, a solução não pode ser apenas “mais resiliência individual”: exige mudança do ambiente.
3. Estudante de medicina: os números que caem
Rotenstein et al. (JAMA 2016; revisão sistemática com metanálise): prevalência agrupada de depressão ou sintomas depressivos de 27,2% (IC 95% 24,7–29,9) entre estudantes de medicina; ideação suicida de 11,1%; e apenas 15,7% dos estudantes com rastreio positivo buscaram tratamento psiquiátrico. No Brasil, a metanálise de Pacheco et al. (Rev Bras Psiquiatr 2017) confirma problemas de saúde mental consistentemente elevados entre estudantes de medicina brasileiros. Fatores: carga horária, privação de sono, competição, currículo oculto, estigma (“quem pede ajuda é fraco”) e medo de consequências no curso.
4. Rastreio na prática
Burnout: Maslach Burnout Inventory (MBI), instrumento de referência, com escores nas 3 dimensões.
Depressão: PHQ-9 (rastreio e severidade).
Transtornos alimentares no estudante: SCOFF (Morgan et al., BMJ 1999) — 5 perguntas: provocar vômito quando se sente desconfortavelmente cheio? perdeu o CONTROLE sobre o quanto come? perdeu mais de 6,3 kg (uma “stone”) em 3 meses? acha-se GORDO quando outros dizem que está magro? a COMIDA domina sua vida? — ponto de corte ≥ 2 positivos: rastreio positivo, encaminhar para avaliação diagnóstica.
5. Prevenção e tratamento: individual E organizacional
West et al. (Lancet 2016; metanálise de intervenções em médicos e estudantes): tanto intervenções individuais quanto organizacionais reduzem burnout — a prevalência agrupada de burnout geral caiu de 54% para 44% (diferença de 10 pontos percentuais), a exaustão emocional alta caiu de 38% para 24% e a despersonalização alta de 38% para 34%. Individuais: mindfulness, grupos de reflexão, pequenos grupos curriculares, autocuidado (sono, exercício) e tratamento de comorbidades. Organizacionais: desenho curricular (mentoria, avaliação pass/fail, limitar carga), flexibilidade e cultura de apoio com acesso facilitado ao cuidado. Consequências do burnout para o sistema: pior qualidade assistencial e erros, queda de profissionalidade e intenção de abandonar a profissão (West, J Intern Med 2018).
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalEstudante do 3º ano de medicina: cansaço constante, ironia crescente com pacientes (“mais um folgado que veio atrapalhar o plantão”) e sensação de que “não aprende nada e não serve para nada”. Melhora nas férias; nega anedonia difusa fora do contexto do curso ou ideação suicida. Pela CID-11, esse quadro classifica-se como:
2.IntermediárioQual assertiva sobre a saúde mental do estudante de medicina é apoiada pela metanálise de Rotenstein et al. (JAMA, 2016)?
Medicina narrativa é a medicina praticada com COMPETÊNCIA NARRATIVA: capacidade de reconhecer, absorver, interpretar e ser movido pelas histórias da doença (Charon, JAMA 2001) — um modelo para empatia, reflexão, profissionalismo e confiança. A distinção estruturante é DISEASE (a doença do médico: lesão, mecanismo, exame) × ILLNESS (o adoecimento do paciente: sofrimento, significado, ruptura biográfica). A anamnese é a co-construção dessas duas histórias.
Conceito
Definição
Aplicação prática
Competência narrativa
reconhecer, interpretar e agir sobre as histórias de adoecer
escuta atenta, atenção ao enredo e não só aos sintomas
Modelo explicativo (Kleinman)
o que paciente, família e médico acreditam sobre causa, gravidade e tratamento
perguntas: “o que a senhora acha que causou? por que com a senhora? por que agora? o que o tratamento vai fazer? quem deve cuidar?”
Prontuário paralelo (Charon)
registro narrativo do que não cabe no prontuário técnico — o impacto humano do caso
instrumento de treino de reflexão e empatia em programas de medicina narrativa
2. Os três tipos de narrativa do adoecer (Frank)
Tipo
Enredo
Sinal na consulta
Resposta clínica
Restituição
“ontem eu era são, hoje estou doente, amanhã serei são de novo”
“quando é que eu volto a ser como antes?”
plano de reabilitação com metas realistas — sem prometer o impossível
Caos
relato fragmentado, sem fio, vivendo um dia após o outro
“é uma coisa atrás da outra, não consigo nem pensar”
acolher, devolver estrutura, priorizar 1–2 medidas, escuta sem pressa
Busca (quest)
a doença como jornada que transforma a pessoa
“depois de tudo isso, eu sou outra pessoa”
validar a reconstrução de sentido e acompanhar
3. Medicinas tradicionais, complementares e integrativas: conceitos
Medicina tradicional (OMS): saberes e práticas ancestrais com base em teorias próprias — medicina tradicional chinesa, ayurveda.
Alternativa: usada NO LUGAR da medicina convencional.
Complementar: usada JUNTO com a convencional.
Medicina integrativa: combina práticas com a assistência convencional de forma coordenada, com atenção a evidência e segurança.
No Brasil, cada sistema coerente de diagnóstico e terapêutica (homeopatia, medicina tradicional chinesa) é tratado como racionalidade médica — com modelo próprio, não técnica isolada.
4. Magnitude: o mundo usa, e não conta ao médico
OMS: em alguns países asiáticos e africanos, cerca de 80% da população depende da medicina tradicional para a atenção primária; a Estratégia da OMS para Medicina Tradicional 2014–2023 orienta integrá-la com segurança ao sistema de saúde. Nos Estados Unidos, o uso de ao menos 1 das 16 terapias alternativas pesquisadas subiu de 33,8% (1990) para 42,1% (1997) dos adultos; as visitas a prestadores saltaram de 427 para 629 milhões ao ano em 1997 — mais que o total de consultas de atenção primária —, com gasto de bolso estimado em 27 bilhões de dólares; apenas 38,5% dos usuários revelaram o uso ao médico e ~15 milhões de adultos usavam plantas concomitantemente a medicamentos de prescrição (Eisenberg, JAMA 1998).
Marco no SUS
Conteúdo
Portaria GM/MS 971/2006
cria a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) com 5 práticas: medicina tradicional chinesa/acupuntura, homeopatia, plantas medicinais e fitoterápicos, termalismo social e medicina antroposófica
Portarias 849/2017 e 352/2018
ampliam a oferta para 29 práticas no SUS, incluindo auriculoterapia, meditação, yoga, tai chi chuan, arteterapia, hipnoterapia e terapia comunitária integrativa, entre outras
Fluxo do uso de prática integrativa
Paciente relata (ou você descobre) uso de prática integrativa/planta medicinal. Como conduzir?
▼
Mapear o uso
O quê, para quê, quem indicou, há quanto tempo, custo e autoavaliação do benefício.
Registrar no prontuário junto da lista de medicações.
Checar segurança
Interações farmacológicas (fitoterápico = fármaco; Hypericum via CYP3A4).
Riscos da condição clínica e perioperatórios; procedência e regulação (Anvisa para fitoterápicos).
Negociar o plano com respeito cultural
Se seguro, desejado e compatível: integrar ao plano, mantendo o tratamento de indicação formal.
Se arriscado ou ineficaz: dialogar sem ridicularizar, apresentar alternativa e acompanhar.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem de 45 anos, uma semana após infarto agudo do miocárdio sem complicações, pergunta repetidamente: “doutor, quando é que eu volto a jogar bola e a trabalhar como antes? Preciso voltar logo”. Qual o tipo de narrativa do adoecer (Frank) e a resposta clínica correspondente?
2.AvançadoMulher de 29 anos, em anticoncepcional oral, refere tomar há meses um fitoterápico “para dar disposição” que contém Hypericum perforatum (erva-de-são-joão), indicado por uma amiga. Qual a conduta que melhor protege a paciente?
R
Revisão de alta performance
Para a véspera: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem a prova
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 Relação e empatia
Modelo deliberativo de Emanuel (decisão compartilhada) + pergunta aberta sem interromper (18 s) + empatia cognitivo-afetiva mensurável; a qualidade da relação muda adesão (OR 1,62 com treino).
Identificar os 4 modelos pelo papel do médico; declínio da empatia no 3º ano
02 Más notícias (SPIKES)
S-P-I antes do conteúdo, K com disparo de aviso, E (emoção) antes de S (estratégia); 40–80% da informação se perde — blocos, teach-back, repetição, escrito.
A ordem dos passos e o acolhimento da emoção (E)
03 EM e adesão
Ambivalência se resolve evocando change talk (PACE + OARS); adesão crônica ~50%, depressão OR 3,0 — confirmar adesão antes de escalar tratamento.
Righting reflex; matching estágio de mudança × postura
04 Luto
Oscilar entre perda e restauração é o normal; travado ≥ 12 meses (DSM-5-TR) / 6 meses (CID-11) = prolongado; CGT 16 sessões vence a terapia interpessoal.
Luto prolongado: DSM-12 meses (adulto), CID-6 meses — sempre citar o sistema.
Luto × depressão
luto dói em ondas ligadas ao falecido e preserva a autoestima; depressão dói em plano contínuo e corrói a autoestima (culpa e desvalia globais).
Siglas das PICS
Alternativa no LUGAR de; Complementar JUNTO com; Integrativa COORDENADA com evidência e segurança.
Macete das siglas de escala
JSE mede o médico; IRI mede a pessoa; CARE mede a consulta.
As pegadinhas mais cobradas
Informativo × deliberativo (Emanuel): quem só entrega dados e não opina é o informativo; quem dialoga valores e recomenda é o deliberativo — a banca troca os dois.
Empatia não é simpatia: compreender e comunicar com limite profissional não é compartilhar a emoção.
O declínio da empatia ocorre no 3º ano (entrada do ciclo clínico), não na formatura — e é reversível com intervenções.
No SPIKES, acolher a emoção (E) vem ANTES de detalhar o plano (S); falso consolo e fuga para a técnica são os erros-modelo.
Sermão aumenta resistência: no pré-contemplador/contemplador, conselho não solicitado faz o paciente defender o status quo (righting reflex).
Recaída é estágio previsto do modelo de mudança — tratar como “culpa do paciente” é erro.
Paciente “refratário” pode ser não-aderente: confirmar adesão e rastrear depressão (OR 3,0) antes de aumentar dose.
As fases de Kübler-Ross não são sequência obrigatória do luto (foram descritas para o morrer).
Burnout é fenômeno ocupacional na CID-11 (QD85) — questões que o listam como transtorno mental estão erradas.
SCOFF ≥ 2 é rastreio positivo, não diagnóstico fechado de anorexia ou bulimia.
Diagnosticar com critérios não é medicalizar; medicalizar é rotular a vida sem critérios nem prejuízo.
Natural não é inofensivo: Hypericum induz CYP3A4 e derruba a proteção de anticoncepcionais, anticoagulantes e antirretrovirais.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda consulta abre com pergunta aberta e sem interrupção — 18 segundos de paciência compram o diagnóstico.
Toda má notícia segue SPIKES: saber o que o paciente sabe e quer saber antes de informar; emoção antes de plano.
Toda não-adesão começa por pergunta acolhedora: esquecimento é o mecanismo mais comum, depressão é o agravante mais potente (OR 3,0).
Todo enlutado merece pergunta pelo nome do falecido, checagem de ideação/álcool e retorno com data — sem benzodiazepínico de rotina.
Toda demanda limítrofe recebe critérios diagnósticos, não receita por insistência.
Todo estudante com ideação suicida recebe avaliação imediata — “é fase do curso” não é conduta.
Toda anamnese inclui práticas integrativas e plantas (só 38,5% contam) e o registro do modelo explicativo do paciente.
Toda interação humana na medicina é técnica treinável: comunicação, empatia e entrevista motivacional têm protocolo e evidência.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Médico só fornece dados e não opina sobre a escolha
Modelo informativo (Emanuel)
Queda da empatia na entrada do ciclo clínico
3º ano da graduação (Hojat)
Disparo de aviso + informação em blocos
SPIKES — passo K
Paciente defende o status quo quando o médico argumenta
Righting reflex — trocar por OARS
“Sei que faz mal, mas ainda não decidi”
Contemplação — explorar ambivalência
HAS “refratária” com esquecimentos e humor baixo
Não-adesão + depressão (OR 3,0)
Viúvo travado, incrédulo e sem sentido há 14 meses
Luto prolongado (DSM-5-TR: 12 meses)
Exausto, cínico com pacientes, ineficaz e melhor nas férias
Burnout — fenômeno ocupacional QD85
“Quando volto a ser como antes?”
Narrativa de restituição (Frank)
Campanha que transforma timidez em doença
Disease mongering (Moynihan, BMJ 2002)
Chá “para disposição” + anticoncepcional oral
Hypericum — indução de CYP3A4
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.IntermediárioMédica discute com a paciente os valores envolvidos na decisão (o que ela espera da vida e do tratamento), recomenda o que julga melhor para a sua saúde com base em argumentos — mas a decisão final é da paciente, que concorda após o diálogo. Qual modelo de relação médico-paciente?
2.FundamentalAntes de comunicar o resultado grave de uma biópsia, o médico já preparou ambiente privativo e verificou que o paciente quer saber o diagnóstico. Qual o próximo passo do protocolo SPIKES?
3.AvançadoNo seguimento de usuário nocivo de álcool, o médico pergunta: “numa régua de 0 a 10, o quanto reduzir a bebida é importante para você hoje?” O paciente responde “5”. Qual o próximo passo da entrevista motivacional?
4.IntermediárioHomem de 61 anos com hipertensão retorna com PA média domiciliar 152/94 mmHg em uso de 2 anti-hipertensivos. Afilando a história, admite esquecer doses “umas 3 vezes por semana”; nega efeitos adversos; humor e sono normais. Qual o primeiro passo?
5.Prova difícilHomem de 55 anos, 7 meses após a morte da filha: saudade avassaladora diária, descrença, evita tudo que lembra a morte, perda de sentido, isolamento e prejuízo laboral importante; autoestima preservada; sem anedonia difusa. Considerando DSM-5-TR e CID-11, qual a leitura correta?
6.IntermediárioQual das situações abaixo caracteriza MEDICALIZAÇÃO, e não cuidado legítimo?
7.FundamentalEstudante de medicina responde “sim” para provocar vômito após comer demais, para ter perdido mais de 6 kg em 3 meses sem intenção, e para “a comida domina a minha vida” (as demais perguntas, negativas). O rastreio SCOFF é:
8.AvançadoCom base na pesquisa de Eisenberg et al. (JAMA, 1998) sobre terapias alternativas nos EUA, qual assertiva correta orienta a conduta clínica hoje?
Gabarito rápido
1-D · 2-A · 3-B · 4-D · 5-A · 6-B · 7-B · 8-B
Referencial teórico
43 fontes reais · DOI verificado
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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