Baseado nos artigos publicados da matéria Pneumologia da Central de Estudos (fonte principal) e nas diretrizes vigentes — GINA 2025, GOLD 2025, ATS/IDSA 2019, BTS Pleural 2023, MS/SBPT (tuberculose), ESC 2019, ATS/ERS 2022 (FPI), USPSTF 2021 e definição de Berlim da SDRA (complemento, sempre com DOI). Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
CVF ↓ com VEF1/CVF normal — confirmar na pletismografia
Variabilidade PEF
> 10%
variação diurna média — sustenta asma
1. Padrão obstrutivo × restritivo
Achado
Obstrutivo (asma/DPOC)
Restritivo (FPI/DPID)
VEF1
reduzido
reduzido (proporcional)
CVF
normal ou reduzida (hiperinsuflação)
reduzida
VEF1/CVF
reduzido (< 0,70 ou abaixo do LIN)
normal ou aumentado
Curva fluxo-volume
concavidade expiratória (aspecto côncavo)
curva estreita e alta (empinada)
Capacidade pulmonar total (CPT)
normal ou aumentada (hiperinsuflação)
reduzida (< 80% do previsto)
Volume residual (VR)
aumentado (armadilhamento aéreo)
normal ou reduzido
DLCO
reduzida no enfisema; normal na asma e bronquite
reduzida (FPI, DPID)
2. Prova do broncodilatador e diagnóstico de asma
Resposta positiva (critério clássico ATS/ERS): aumento do VEF1 (ou CVF) ≥ 12% E ≥ 200 mL após 4 jatos de salbutamol com espaçador — responde por asma, mas pode ocorrer na DPOC (não é exclusivo).
Entre crises a espirometria pode ser normal: a variabilidade diurna do PEF > 10% em adultos (média de ≥ 3 dias) ou o teste de broncoprovocação fecham o diagnóstico.
Teste de metacolina: positiva se queda do VEF1 ≥ 20% com PC20 ≤ 8 mg/mL — alta sensibilidade (ótima para excluir), especificidade intermediária (rinite e DPOC também respondem).
Broncoespasmo induzido por exercício: queda do VEF1 > 10% após teste de esforço padronizado.
3. Curva fluxo-volume: as obstruções de vias aéreas superiores
Insuficiência respiratória tipo 1 (hipoxêmica): PaO2 < 60 mmHg com PaCO2 normal ou baixa — TP, SDRA, TEP, DPID. Tipo 2 (hipercápnica): PaO2 < 60 mmHg + PaCO2 > 45 mmHg — exacerbação de DPOC, asma grave, doença neuromuscular, obesidade (hipoventilação). O gradiente alvéolo-arterial [PAO2 − PaO2, com PAO2 = FiO2 × (Patm − 47) − PaCO2/0,8] separa as hipoxemias por hipoventilação pura (gradiente NORMAL — analgésicos opióides, obesidade, miopatias) das por desequilíbrio V/Q, shunt e barreira difusional (gradiente ELEVADO).
Fluxo de leitura da espirometria
Paciente com dispneia — qual o padrão e o próximo passo?
▼
VEF1/CVF reduzido → OBSTRUÇÃO
Prova do broncodilatador: resposta ≥ 12% + 200 mL sustenta asma.
Sem resposta e com tabagismo: DPOC (critério GOLD fixo < 0,70 pós-broncodilatador).
Grave ou atípica: DLCO (asma normal ↑ / enfisema ↓) e CPT (hiperinsuflação).
VEF1/CVF normal com CVF reduzida → POSSÍVEL RESTRIÇÃO
Confirmar com pletismografia: CPT < 80% fecha restrição.
DLCO reduzida aponta parênquima (DPID); DLCO normal aponta parede torácica/neuromuscular/obesidade.
TC de tórax de alta resolução define o padrão (favo de mel, vidro fosco, nodulação).
Espirometria normal com suspeita clínica alta de asma
Variabilidade do PEF (diário, ≥ 3 dias) ou teste de metacolina.
Se dispneia inspiratória/estrídor: curva fluxo-volume completa (ramos inspiratório e expiratório).
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 54 anos, dispneia progressiva há 6 meses e estertores finos basais. Espirometria: VEF1 66% do previsto, CVF 60%, VEF1/CVF 0,94, sem resposta ao broncodilatador. Próximo passo:
2.AvançadoJovem com sibilos recorrentes e dispneia súbita ao inspirar; espirometria com achatamento exclusivo do ramo inspiratório da curva fluxo-volume. Interpretação:
02
Asma
fisiopatologia e fenótipos · diagnóstico funcional · escalonamento GINA (track 1) · exacerbação: classificação e conduta · asma grave e biológicos · receita de alta
1. Clínica e diagnóstico
Sintomas cardinais: dispneia, sibilos, aperto no peito e tosse — recorrentes, piores à noite e de madrugada, disparados por exercício, alérgenos, infecções virais, AINE e refluxo.
Diagnóstico funcional (pelo menos 1): resposta ao broncodilatador VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL; variabilidade diurna do PEF > 10% em adultos; metacolina positiva (PC20 ≤ 8 mg/mL); melhora do VEF1 após 4 semanas de tratamento anti-inflamatório.
Entre crises: exame físico frequentemente normal — espirometria normal NÃO exclui asma com suspeita clínica alta.
Marcadores de tipo 2 para asma grave: eosinófilos sanguíneos e Fração exalada de óxido nítrico (FeNO) elevada orientam corticoide e biológicos.
2. Tratamento de manutenção — GINA track 1 (preferido)
Desde 2019 a GINA proíbe a monoterapia com broncodilatador de ação curta isolado (SABA) na asma: alivia o sintoma sem tratar a inflamação e aumenta risco de morte. A base do track 1 é a combinação corticoide inalatório + formoterol em dose baixa, usada como alívio (anti-inflammatory reliever) e, dos degraus 3 a 5, também como manutenção (MART).
idem + considerar budesonida diária em quem não tolera combinação
3
manutenção budesonida-formoterol 200/6 µg 1 inalação 12/12 h + alívio com o mesmo inalador
4
manutenção em dose média (budesonida-formoterol 400/12 µg 12/12 h ou 2 inalações de 200/6) + alívio
5 — asma grave
adicionar tiotrópio 5 µg/dia inalatório; referenciar para biológico; considerar ACO/teofilina de resgate
3. Exacerbação: classificar e tratar
Achado
Moderada
Grave
Com risco de vida
Discurso
frases completas
palavras soltas
não fala / exaustão
Frequência respiratória / pulso
aumentadas
FR > 30 irpm; pulso > 120 bpm
bradicardia, hipotensão, arritmia
Musculatura acessória / SpO2 ar ambiente
não usual; ≥ 95%
presente; 90–92%
movimento respiratório paradoxal; SpO2 < 90%; cianose
PEF (% do melhor/previsto)
60–80%
30–50%
< 30% — ou sibilos silenciosos (“tórax silente”)
Consciência
normal, pode agitar-se
normal, agitada
confusa, sonolenta
Fluxo da exacerbação
Respondeu à 1ª hora de tratamento?
▼
SIM — resposta boa
PEF > 60–80%, SpO2 ≥ 95% em ar ambiente, discurso contínuo: alta com prednisona 40–50 mg/dia por 5–7 dias, corticoide inalatório + formoterol, plano de ação escrito e revisão em 1–4 semanas.
Reavaliar continuamente; gasometria se deterioração (paCO2 crescente = má notícia).
SEM RESPOSTA / risco de vida
PEF < 30%, exaustão, silêncio auscultatório, paCO2 ↑ ou rebaixamento sensor: UTI e ventilação mecânica com estratégia permissiva — e acionar ajuda sênior cedo.
4. Asma grave e biológicos
Asma grave = exige tratamento do degrau 4–5 (corticoide inalatório em dose alta + segundo controlador, ou corticoide oral) para manter controle, ou permanece não controlada apesar disso.
Omalizumabe (anti-IgE): asma alérgica com IgE elevada.
Anti-IL5/IL5R (mepolizumabe 100 mg SC a cada 4 semanas, reslizumabe, benralizumabe): asma eosinofílica (eosinófilos ≥ 150/mm³) — cortam exacerbações à metade (MENSA).
Dupilumabe (anti-IL4Rα, 200–300 mg SC 14/14 dias): asma tipo 2 não controlada — reduz exacerbações graves e melhora o VEF1 (QUEST).
Tezepelumabe (anti-TSLP): adição sem exigir eosinofilia.
5. Complicações e prognóstico
Exacerbações recorrentes aceleram a queda do VEF1 (remodelamento); asma grave não controlada é causa de morte evitável. Fatores de risco de morte: exacerbação prévia com ventilação, PEF/VEF1 muito baixos, uso de > 1 frasco de SABA por mês, não-adesão ao corticoide inalatório, sintomas noturnos frequentes e baixo nível socioeconômico. Asma “difícil” exige excluir diagnósticos alternativos (disfunção de cordas vocais, DPOC, DPID, refluxo) antes de escalar.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 24 anos, sibilos e tosse noturna 3×/semana há 3 meses, piora com exercício; espirometria com VEF1/CVF 0,68 e aumento do VEF1 de 14% e 280 mL após salbutamol. Melhor tratamento de manutenção conforme GINA:
2.AvançadoMulher, 29 anos, crise de asma: fala em palavras, FR 32, pulso 128, uso de musculatura acessória, SpO2 90% em ar ambiente, PEF 38% do previsto. Recebeu O2, 3 doses de salbutamol por espaçador + ipratrópio e prednisona 50 mg VO há 40 minutos, com melhora parcial. O que acrescentar agora:
definição e diagnóstico · classificação ABE e gravidade VEF1 · farmacoterapia inicial e seguimento · exacerbação (VNI, corticoide 5 dias, antibiótico) · O2 domiciliar · alfa-1-antitripsina
Diagnóstico
VEF1/CVF < 0,70
pós-broncodilatador (GOLD)
Corticoide na crise
40 mg × 5 dias
REDUCE: 5 dias = 14 dias
O2 na crise
SpO2 88–92%
alvo em risco de hipercapnia
O2 domiciliar
PaO2 ≤ 55
mmHg em repouso (ou ≤ 88% SatO2)
1. Diagnóstico e classificação
Todo paciente > 40 anos com tabagismo, exposição de risco, tosse crônica com expectoração ou dispneia progressiva merece espirometria — sintomas + VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador fecham o diagnóstico.
Gravidade do fluxo (GOLD 1–4): VEF1 ≥ 80% · 50–79% · 30–49% · < 30% do previsto — complementa, mas não substitui, o grupo ABE.
Grupo ABE (GOLD 2023+, vigente em 2025): conta o histórico de exacerbações e a carga de sintomas (mMRC ≥ 2 ou CAT ≥ 10).
Grupo GOLD
Exacerbações no último ano
Sintomas
Tratamento inicial
A
0 ou 1 moderada, sem internação
baixos (mMRC 0–1, CAT < 10)
1 broncodilatador de longa ação (LABA ou LAMA)
B
0 ou 1 moderada, sem internação
altos (mMRC ≥ 2 ou CAT ≥ 10)
LABA + LAMA em associação
E
≥ 2 moderadas OU ≥ 1 com internação
quaisquer
LABA + LAMA; tripla (com corticoide inalatório) se eosinófilos ≥ 300/mm³
Fluxo farmacológico do seguimento (após início)
Persistem dispneia ou exacerbações em LABA + LAMA — o que ajustar?
▼
Dispneia persistente
Checar técnica, adesão, diagnóstico diferencial e causas de dispneia não pulmonar antes de trocar.
Exacerbações persistentes com eosinófilos ≥ 300/mm³
Subir para terapia TRIPLA (LABA + LAMA + corticoide inalatório) — ETHOS: reduz exacerbações e mortalidade vs dupla.
Exacerbações persistentes com eosinófilos < 100/mm³
Manter LABA + LAMA e acrescentar roflumilast oral (bronquite crônica com VEF1 < 50%) ou azitromicina (~250 mg/dia; preferir ex-fumantes).
2. Exacerbação: definição e conduta
Exacerbação = piora aguda de dispneia, tosse/expectoração e/ou purulência além da variação diária, exigindo mudança de tratamento. Conduta: broncodilatador de curta ação (salbutamol + ipratrópio nebulizados), O2 com alvo SpO2 88–92%, prednisona 40 mg VO/dia por 5 dias, antibiótico se purulência ou 2 dos 3 critérios de Anthonisen (aumento de dispneia + volume + purulência), e VNI na acidose respiratória.
O2 domiciliar: PaO2 ≤ 55 mmHg ou SatO2 ≤ 88% em repouso; ou PaO2 56–59 mmHg com cor pulmonale/policitemia (Ht > 55%) — usar ≥ 15 h/dia.
Cirurgia redutora de volume em enfisema de lobos superiores com baixa capacidade ao exercício; bullectomia no bolhão gigante; transplante no caso selecionado.
Ventilação não invasiva domiciliar pode ser considerada na hipercapnia crônica com internações repetidas, em avaliação individualizada.
4. Complicações e prognóstico
Exacerbações frequentes aceleram a perda funcional e cada internação marca pior prognóstico; a mortalidade na DPOC vem de insuficiência respiratória, infecções, neoplasia de pulmão (risco independente do tabagismo) e doença cardiovascular (a principal comorbidade e causa de morte não pulmonar). Hipercapnia, cor pulmonale, perda de peso e de massa muscular são marcadores de gravidade — baixo IMC piora sobrevida e a suplementação nutricional entra no manejo.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 67 anos, ex-fumante (45 anos-maço), DPOC com VEF1 44% do previsto, mMRC 2, 2 exacerbações no último ano (1 com internação), eosinófilos 380/mm³, sem asma. Tratamento de manutenção inicial:
2.FundamentalHomem, 71 anos, exacerbação de DPOC: dispneia importante, sonolento, pH 7,27, paCO2 62 mmHg, SpO2 89%; mantém ventilação espontânea e deglutição preservada. Conduta ventilatória:
Pneumonia adquirida na comunidade e derrame pleural
etiologia e risco de resistência · CURB-65/PSI e UTI · antibioticoterapia com doses · derrame parapneumônico e empiema · critérios de Light · pleurisia tuberculosa e derrame neoplásico
Streptococcus pneumoniae segue sendo a bactéria mais frequente da PAC em qualquer cenário; atípicos (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Legionella pneumophila) e vírus (em hospitalizados, vírus em ~27% e bactérias em ~14% no estudo EPIC, com S. pneumoniae a bactéria líder) completam o quadro. Fatores de risco para pneumococo resistente: idade > 65 anos, betalactâmico nos últimos 3 meses, alcoolismo, imunossupressão, comorbidades e contato com crianças em creche. Pseudomonas e MRSA entram apenas com fatores específicos (bronquiectasia/DPOC grave com corticoide frequente, internação recente com ATB IV, colonização conhecida).
2. Diagnóstico e local de tratamento
RX de tórax com nova opacidade em paciente com sintomas agudos (febre, tosse, expectoração, dispneia) — outpatient saudável pode ser tratado clinicamente quando a probabilidade é alta.
Hemocultura e antígenos urinários (pneumococo, Legionella) reservados ao quadro grave, derrame importante, cavitação ou falha de tratamento; PCR viral conforme temporada.
CURB-65 (1 ponto cada: confusão, ureia > 40 mg/dL, FR ≥ 30, PAS < 90 ou PAD ≤ 60, idade ≥ 65): 0–1 ambulatorial; 2 internação curta; ≥ 3 PAC grave.
PSI (Fine) classes I–V: I–II de baixo risco (< 1% de mortalidade) — mais regra de decisão que o CURB-65, mais trabalhoso.
Fluxo de local de tratamento e antibiótico
Onde tratar e com o quê?
▼
Ambulatório, saudável, sem uso recente de ATB
Amoxicilina 1 g VO 8/8 h, OU doxiciclina 100 mg 12/12 h, OU macrolídeo (se resistência local < 25%): azitromicina 500 mg/dia.
Ambulatório com comorbidade/risco de resistência
Amoxicilina-clavulanato 875/125 mg VO 12/12 h, OU cefalosporina (cefpodoxima/cefuroxima) + macrolídeo/doxiciclina, OU fluorquinolona respiratória (levofloxacino 750 mg/dia, moxifloxacino 400 mg/dia).
Enfermaria
Betalactâmico IV (ceftriaxona 1–2 g/dia, ampicilina-sulbactama 3 g 6/6 h) + macrolídeo (azitromicina 500 mg/dia), OU fluorquinolona respiratória isolada.
UTI (1 critério maior OU ≥ 3 menores)
Maiores: necessidade de ventilação mecânica invasiva; choque séptico com vasopressor.
Esquema: betalactâmico + macrolídeo OU betalactâmico + fluorquinolona respiratória; risco de Pseudomonas/MRSA: cobertura dirigida (piperacilina-tazobactam 4,5 g 6/6 h, vancomicina 15 mg/kg 12/12 h ou linezolida 600 mg 12/12 h).
3. Derrame pleural: os critérios de Light
Todo paciente com PAC e derrame significativo (> 10 mm no decúbito ou subpulmonar) deve ser puncionado. Exsudato se QUALQUER um: proteína pleural/proteína sérica > 0,5 · LDH pleural/LDH sérica > 0,6 · LDH pleural > 2/3 do limite superior sérico. Transudato (insuficiência cardíaca, cirrose com hidrotórax, síndrome nefrótica, mixedema) dispensa investigação pleural repetida — trata-se a causa. Exceção: transudato “falsificado” na IC diurética (proteína sobe) — clínica e NT-proBNP pleural resolvem.
Glicose < 10–30 mg/dL, LDH altíssimo, RF positivo, baixo complemento
artrite reumatoide (pseudo-empiema)
Leitoso, triglicerídeos > 110 mg/dL
quilotórax (linfoma, pós-cirúrgico)
Hematócrito pleural > 50% do sangue
hemotórax
4. Derrame parapneumônico e empiema
Não complicado (estéril, pH > 7,20): antibiótico para PAC resolve, sem dreno.
Complicado (pH < 7,20, glicose < 40–60, LDH elevada, Gram positivo, loculações): tubo de dreno (10–14 F guiado por imagem) + antibiótico — drenagem incompleta é a causa clássica de falha.
Empiema franco (pus ou cultura positiva): dreno obrigatório + antibiótico; se a drenagem falha por loculação, fibrinolítico intrapleural (tPA + DNase, MIST2: a combinação reduziu cirurgia e mortalidade, superior a cada um isoladamente) e, persistindo, videotoracoscopia/decorticação.
NUNCA medir pH se o líquido é pus franco — empiema drena, não se analisa.
5. Complicações e prognóstico
Complicações da PAC: empiema/parapneumônico, abscesso pulmonar (cavitação com nível hidroaéreo — anaeróbios, MRSA, gram-negativos), necrose pulmonar (pneumococo tipo 3), pneumatocele, sepse com disfunção de órgãos e PAC grave com necessidade de ventilação. A mortalidade caminha de < 1% (ambulatorial, PSI I–II) a ~30% na PAC em UTI com choque — a decisão de local de tratamento e a cobertura correta nas primeiras horas definem o prognóstico.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 73 anos, PAC: confuso, FR 32, PA 88/50 (respondeu a fluidos), ureia 48 mg/dL, infiltrado multilobar, SpO2 88% em ar ambiente; sem comorbidades, sem ATB recente, sem bronquiectasias. Local de tratamento e esquema:
2.Prova difícilPaciente internado com PAC lobar à direita e derrame pleural moderado: punção mostra exsudato neutrofílico, pH 7,14, glicose 34 mg/dL, LDH 2.100 U/L, Gram negativo, sem pus franco. Conduta:
epidemiologia e transmissão · diagnóstico (baciloscopia, TRM/Xpert, cultura) · esquema RIPE com faixas de peso · efeitos adversos por droga · ILTB e 3HP · TB resistente
1. Diagnóstico
Baciloscopia (BAAR, Ziehl-Neelsen ou fluorescência) de 2 amostras de escarro (a 1ª no ato da consulta): rápida e barata, sensibilidade ~50–60% na pulmonar (menor na paucibacilar e HIV+).
Teste rápido molecular (Xpert MTB/RIF ou Ultra) — método inicial preferido: detecta M. tuberculosis complexo E resistência à rifampicina em ~2 h; sensibilidade ~89% nos baciloscopia-positivos e ~67% nos negativos, especificidade ~99% (Cochrane/Steingart).
Cultura (meio sólido/líquido): padrão de referência, permite tipificação e teste de sensibilidade a todas as drogas; indicada quando TRM negativo com suspeita alta, formas extrapulmonares e acompanhamento de resistentes.
Anatomopatológico (biópsia): granuloma epitelioide com necrose caseosa; pleural e ganglionar frequentemente necessitam.
HIV é rastreio obrigatório em todo caso novo — e o tratamento da TB é o mesmo, interagindo com o antirretroviral.
2. Tratamento da doença: esquema RIPE (autoadministrado ou supervisionado)
Faixas de peso para o RHZE 150/75/400/275 mg: 30–37 kg = 2 comprimidos · 38–54 kg = 3 · 55–70 kg = 4 · ≥ 71 kg = 5 — dose única diária, em jejum; a fase RH (150/75 mg) usa as mesmas faixas.
Total: 6 meses; estender a fase RH para 7 meses (total 9) em TB meníngea, óssea (mal de Pott) e no retratamento conforme avaliação.
Drogas e adversos para decorar: isoniazida — hepatite e neuropatia periférica (piridoxina/B6 25 mg/dia em gestante, HIV+, alcoolista, diabético, DRC e desnutrido); rifampicina — hepatite, urina/suor alaranjados, interação com anticoncepcional hormonal e antirretrovirais (indução do CYP450); pirazinamida — hepatite e hiperuricemia/gota; etambutol — neurite óptica retrobulbar (visão de cores e acuidade mensais).
Gestante: trata com o mesmo esquema RIPE (drogas seguras) — não suspende.
Hepatotoxicidade: suspender quando TGP > 3× o limite COM sintomas/icterícia, ou > 5× assintomático; reintroduzir escalonado conforme protocolo.
3. Infecção latente (ILTB)
Tratar a latência em quem tem risco de progressão: pessoas vivendo com HIV, contatos de caso bacilífero (prioridade absoluta em < 5 anos), transplantados e candidatos a transplante, usuários de anti-TNF, silicóticos, DRC em diálise e pessoas privadas de liberdade. PPD (TS): ≥ 5 mm em HIV+/imunossuprimidos/contatos; ≥ 10 mm na população geral e grupos vulneráveis; IGRA como alternativa (não sofre efeito BCG). O protocolo brasileiro prefere o esquema 3HP: rifapentina + isoniazida uma vez por semana por 12 semanas (12 doses supervisionadas); alternativas: rifampicina diária por 4 meses (4R) ou isoniazida por 6–9 meses (6H/9H). Excluir TB ativa (sintomas + RX) antes de tratar a latente.
4. Resistência e formas graves
TB multidroga-resistente (MDR): resistente a rifampicina + isoniazida — todo Xpert com resistência à rifampicina remete a esquema com bedaquilina em serviço de referência (regimes orais da OMS); nunca prolongar apenas o RIPE.
TB meníngea: 12 meses de tratamento com RHZE estendido + corticoide adjunto (dexametasona) — reduz mortalidade.
TB pericárdica: corticoide adjunto reduz a evolução para constricção; TB pleural tratada como doença (RIPE), sem corticoide de rotina.
Adenite e formas paucibacilares: diagnóstico por anatomopatológico/cultura; tratamento padrão.
Complicações e prognóstico: hemoptise maciça (emergência — isolar o pulmão que sangra), destruição pulmonar, fistulização ganglionar, TB miliar e meningoencefalite (as formas com maior mortalidade), sequelas fibróticas e maior risco de câncer de pulmão na cicatriz. Com tratamento correto a cura supera 90% — a falha humana (adesão) é o principal motivo de persistência da transmissão e de resistência.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 43 anos, tosse produtiva há 5 semanas, sudorese noturna e perda de 4 kg; TRM (Xpert) do escarro positivo para M. tuberculosis, sem resistência à rifampicina; 62 kg. Esquema correto:
2.AvançadoMulher, 28 anos, HIV+ (CD4 320), contato domiciliar de irmão com TB pulmonar bacilífera; sem sintomas, RX de tórax normal, PPD de 9 mm. Conduta:
tríade de Virchow e risco · probabilidade clínica (Wells/PERC) · D-dímero ajustado à idade · angioTC · estratificação de risco (PESI, VD) · anticoagulação e duração · lise e TEP crônico
Wells
≤ 4 improvável
> 4 provável — imagem direto
D-dímero > 50 anos
idade × 10
µg/L FEU — ADJUST-PE
Alto risco
instabilidade
choque/hipotensão → lise
Lise
alteplase 100 mg/2 h
TEP de alto risco sem contraindicação
1. Clínica e probabilidade pré-teste
Dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquipneia e taquicardia; hemoptise com infarto pulmonar; síncope ou hipotensão sugerem TEP maciço. ECG inespecífico (taquicardia, inversão de T em V1–V4, padrão S1Q3T3 raro); gasometria mostra hipoxemia com gradiente A-a elevado e alcalose respiratória. Como nenhum achado isolado fecha, tudo começa pela PROBABILIDADE CLÍNICA:
PERC (8 itens, todos negativos + baixa suspeita): idade < 50, FC < 100, SatO2 ≥ 95%, sem hemoptise, sem estrogenioterapia, sem cirurgia/trauma com internação ≤ 4 semanas, sem TVP/TEP prévio, sem edema unilateral de perna — dispensa qualquer exame.
D-dímero: excelente para EXCLUIR com probabilidade baixa/improvável; após 50 anos usar o limiar ajustado à idade (idade × 10 µg/L) — ADJUST-PE validou a segurança e evita exames.
Gestante: D-dímero sobe fisiologicamente — probabilidade clínica + imagem (cintilografia V/Q de baixa dose ou angioTC) decidem.
Fluxo diagnóstico do TEP estável
Suspeita de TEP sem instabilidade — por onde começar?
▼
Baixa suspeita + PERC negativo
Nenhum exame — TEP praticamente excluído.
Wells improvável
D-dímero (ajustado à idade se > 50 anos): negativo exclui; positivo → angioTC.
Wells provável
AngioTC de tórax direto (D-dímero desnecessário — já será positivo/irrelevante).
TC indisponível/contraindicada (alergia, gestação, nefropatia grave): cintilografia V/Q ou ecografia de membros.
2. Estratificação de risco do TEP confirmado
Risco
Como identifica
Conduta
ALTO (mortalidade > 15%)
choque ou hipotensão persistente (PAS < 90 por > 15 min)
reperfusão IMEDIATA: alteplase 100 mg IV em 2 h; se contraindicada → embolectomia cirúrgica/percutânea + anticoagulação
Intermediário-alto
PESI III–V (ou sPESI ≥ 1) + disfunção de VD (ECO/TC) E biomarcador (troponina/BNP) positivos
monitorização intensiva; anticoagulação plena; lise de resgate se deteriorar — lise de rotina não (PEITHO: reduz desfecho 2,6% × 5,6%, mas aumenta sangramento grave e AVC hemorrágico)
Intermediário-baixo
um dos dois (VD ou biomarcador) positivo
anticoagulação + vigilância
BAIXO
sPESI 0, sem disfunção de VD nem biomarcador
anticoagulação; alta precoce e tratamento domiciliar são possíveis
3. Anticoagulação
Início: anticoagulação plena assim que a suspeita for de alto risco (antes da imagem) e nos demais assim que confirmar — heparina não fracionada em bolus (situações de alto risco/procedimentos prováveis) ou enoxaparina 1 mg/kg 12/12 h SC.
DOAC é a base: rivaroxabana 15 mg 12/12 h × 21 dias → 20 mg/dia; apixabana 10 mg 12/12 h × 7 dias → 5 mg 12/12 h (ambas sem necessidade de heparina prévia); edoxabana/dabigatrana após ≥ 5 dias de parenteral.
Exceções que seguem com heparina/varfarina (INR 2–3): gestação (varfarina é teratogênica — usar heparina de baixo peso molecular), câncer ativo (HBPM de preferência; DOAC aceita conforme risco), grave disfunção renal e antifosfolípido.
Duração: TEP provocado por fator transitório (cirurgia, imobilização) = 3 meses; não provocado = 3 meses e reavaliar risco de recorrência (D-dímero após suspensão, extensão) para decidir tratamento estendido; recorrência não provocada ou câncer ativo = estendido/indefinido.
Complicações e prognóstico: morte por falência aguda do VD, recorrência (maior nos não provocados e no câncer), sangramento da anticoagulação, síndrome pós-trombótica e evolução para CTEPH (~2–4% dos sobreviventes em 2 anos — investigar dispneia persistente com V/Q). A sobrevida do TEP de baixo risco tratado supera 95%.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 58 anos, 5º dia de pós-operatório de artroplastia: dispneia súbita, FR 28, FC 112, SpO2 89%, PAS 118; escore de Wells 7,5. Melhor próximo passo:
2.AvançadoHomem, 63 anos, TEP extenso: PAS 76/48, lactato elevado, ECO com dilatação e hipocinesia de VD. Conduta:
classificação das DPIDs · padrões de TCAR · FPI (UIP, antifibróticos) · sarcoidose · pneumoconioses e drogas · pneumonia de hipersensibilidade
FPI
60–70 anos
homens, dispneia + tosse seca + velcro
Padrão UIP
favo de mel
retícula basal subpleural + bronquiectasias de tração
Antifibróticos
nintedanibe · pirfenidona
reduzem a queda da CVF (INPULSIS/ASCEND)
Sarcoidose BAL
CD4/CD8 > 3,5
linfocitose com predomínio de CD4
1. Apresentação e função
Dispneia progressiva de esforço + tosse seca, meses a anos; estertores finos bilaterais em “abertura de velcro” nas bases e baqueteamento digital (presente em boa parte das FPI); na doença avançada, cianose e sinais de hipertensão pulmonar. Espirometria: padrão restritivo (VEF1/CVF normal com CVF ↓; CPT ↓ na pletismografia) com DLCO reduzida; teste de caminhada de 6 minutos pode dessaturar (SpO2 < 88%).
2. Padrões de TCAR que resolvem questão
Padrão TCAR
Entidade
Pistas
Retícula basal/subpleural + bronquiectasias de tração + favo de mel
UIP — FPI
idoso, velcro, baqueteamento; DLCO baixa
Vidro fosco basal + retícula, sem favo de mel marcado
NSIP
conectivopatia (esclerodermia); resposta ao corticoide melhor
A mais comum das pneumopatias intersticiais idiopáticas: homem 60–70 anos, dispneia + tosse seca + velcro basal + baqueteamento, TCAR com UIP (favo de mel basal subpleural) — quando o padrão é típico, a biópsia é dispensável. Evolui com declínio da CVF e exacerbações agudas (piora hipoxêmica sem infecção — mortalidade alta). Sobrevida média histórica de 3–5 anos sem terapia.
4. Sarcoidose
Granulomatose não caseosa multissistêmica: pulmão e linfonodos hilares lideram; pele (eritema nodoso, lupus pernio), olhos (uveíte), parótidas, SNC e coração completam.
BAL com linfocitose e CD4/CD8 > 3,5; biópsia quando o quadro não é clássico; TCAR com nodulação perilinfática.
Tratar com corticoide (prednisona ~0,5 mg/kg/d com redução lenta; manutenção ≥ 1 ano) se sintomático, hipercalcemia, ocular, cardíaca, neurológica ou pulmonar progressiva; metotrexato poupador na recorrência.
Complicações e prognóstico: hipertensão pulmonar e cor pulmonale, insuficiência respiratória, exacerbações agudas (FPI), pneumotórax (linfangioleiomiomatose, histiocitose), maior risco de câncer (FPI, silicose, asbestose — mesotelioma). A causa identificável (droga, antígeno, conectivopatia) muda todo o prognóstico — sempre buscar antes de rotular idiopática.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 68 anos, ex-fumante, dispneia progressiva há 1 ano, tosse seca, estertores em velcro nas bases e baqueteamento. Espirometria: VEF1/CVF 0,95, CVF 64%, CPT 68%, DLCO 52%. TCAR: retícula basal subpleural com favo de mel e bronquiectasias de tração. Conduta:
2.Prova difícilMulher, 32 anos, febre, dor articular em tornozelos e nódulos eritematosos dolorosos nas pernas; RX com alargamento hilar bilateral, sem opacidade parenquimatosa; SpO2 97%. Conduta:
histologia (CPC × CPPC) · rastreio com TC de baixa dose · nódulo pulmonar e Fleischner · estadiamento TNM 8ª edição · síndromes paraneoplásicas e locais
Rastreio (USPSTF 2021)
50–80 anos
≥ 20 anos-maço, atual ou cessou ≤ 15 anos — TCBD anual
NLST
−20%
mortalidade por câncer de pulmão com TCBD × RX
Nódulo: agir
≥ 8 mm
TC em 3 meses, PET-CT ou biópsia (Fleischner)
CPC
~15%
central, tabagismo intenso, SIADH/Eaton
1. Epidemiologia e histologia
Câncer de pulmão é a causa isolada de morte por câncer mais frequente no mundo e no Brasil (GLOBOCAN 2022: ~2,5 milhões de casos novos e 1,8 milhão de mortes/ano), com tabagismo responsável pela grande maioria dos casos. CPC (microcítico, ~15%): central, tabagismo intenso, disseminação precoce, quimiossensível — quase sempre doença sistêmica ao diagnóstico. CPPC (não microcítico, ~85%): adenocarcinoma (o mais comum atualmente, periférico, mutações acionáveis — EGFR, ALK — em jovens/não fumantes), epidermoide (central, cavita, hipercalcemia por PTHrP) e de grandes células.
2. Rastreio com TC de baixa dose
NLST: 3 rodadas anuais de TCBD em fumantes pesados (55–74 anos, ≥ 30 anos-maço) reduziram a mortalidade por câncer de pulmão em 20% vs radiografia.
NELSON confirmou o benefício (redução ~24% da mortalidade em homens) e o USPSTF 2021 ampliou: 50–80 anos, ≥ 20 anos-maço, fumante atual ou que cessou há ≤ 15 anos — TCBD anual; parar o rastreio após 15 anos de cessação ou limitação de expectativa.
Radiografia de tórax NÃO é exame de rastreio; citologia de escarro também não. Cessação do tabagismo acompanha todo rastreio (a “intervenção” de maior impacto).
Recomendações brasileiras (SBCT/SBPT/CBR, 2024) indicam TCBD para grupos de alto risco — o rastreio seletivo é a norma, não o populacional.
3. Nódulo pulmonar incidental — Fleischner 2017
Fluxo do nódulo sólido incidental (adulto ≥ 35 anos)
Achou nódulo sólido na TC — o que fazer?
▼
< 6 mm, risco baixo
Sem seguimento de rotina.
Risco alto (fumante, câncer prévio): considerar TC em 12 meses.
6–8 mm
Baixo risco: TC em 6–12 meses, considerando 18–24 meses.
Alto risco: TC em 6–12 meses, depois 18–24 meses.
≥ 8 mm
TC em 3 meses, PET-CT ou biópsia — a probabilidade de malignidade já justifica ação.
Nódulos subsólidos (vidro fosco) persistentes exigem vigilância estendida por até 5 anos; componente sólido ≥ 6 mm aumenta a suspeita.
4. Estadiamento (TNM 8ª edição) e tratamento
Elemento
Definição essencial
T (tumor primário)
T1 ≤ 3 cm (T1a ≤ 1 · T1b > 1–2 · T1c > 2–3) · T2 > 3–5 cm ou brônquio principal (≥ 2 cm da carina)/pleura visceral · T3 > 5–7 cm ou nódulo no mesmo lobo · T4 > 7 cm ou nódulo em outro lobo ipsilateral, carina, mediastino
I–III ressecável: cirurgia (lobectomia + linfadenectomia) + quimio adjuvante; III irressecável: quimiorradioterapia e durvalumabe de consolidação; IV: quimioterapia + imunoterapia/terapia-alvo (osimertinibe para EGFR, alectinibe para ALK)
CPC limitado × extenso
limitado = cabe num campo de radioterapia (hemitórax + mediastino/supraclavicular): cisplatina + etoposido com RT torácica concorrente e irradiação craniana profilática nos respondedores; extenso: quimio ± imunoterapia
Complicações e prognóstico: síndrome da veia cava superior (dispneia, ingurgitamento jugular, edema de face e membros superiores — CPC e linfoma), compressão de via aérea com atelectasia, derrame neoplásico recidivante (drenagem/pleurodese), hemoptise e metástases (cérebro, osso, fígada, adrenal). O prognóstico do CPC extenso e do CPPC IV permanece reservado; nos estágios iniciais ressecados e nos portadores de mutações acionáveis, a sobrevida cresceu ano a ano — motivo pelo qual rastreio seletivo e estratificação molecular viraram padrão.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 62 anos, fumante (40 anos-maço), sem sintomas, exames físicos normais. Conduta de rastreio de câncer de pulmão:
2.AvançadoHomem, 66 anos, fumante intenso, tosse e confusão; Na+ 118 mEq/L com osmolaridade urinária alta e cortisol normal; TC com massa central hilar esquerda e linfonodos mediastinais, sem metástases à distância detectáveis; broncoscopia: carcinoma de pequenas células, estágio limitado. Tratamento:
indicações e modos · parâmetros iniciais (peso previsto) · ventilação protetora · definição de Berlim · pronação e adjuvantes · VNI · desmame e RSBI
Volume corrente
6–8 mL/kg
do PESO PREVISTO (SDRA: 6)
Platô
≤ 30 cmH2O
pressão de platô (ARMA)
Prona
≥ 16 h/dia
se PaO2/FiO2 < 150 (PROSEVA)
RSBI
< 105
FR/Volume corrente (L) prevê sucesso do desmame
1. Conceitos e indicações
Ventilação mecânica assume a bomba (ventilador) quando o trabalho respiratório falha: parada respiratória, apneia, incapacidade de proteger vias aéreas, insuficiência respiratória refratária ao O2/VNI (hipoxêmica grave ou hipercápnica com acidose) e controle da pressão intracraniana/choque com exaustão. O volume corrente e as pressões são calculados sobre o PESO PREVISTO (homens: 50 + 0,91 × (altura cm − 152,4); mulheres: 45,5 + 0,91 × (altura − 152,4)) — nunca sobre o peso real do obeso.
Modo
O que faz
Onde mora a questão
VCV/PCV (controlado)
volume ou pressão mandatórios fixos
paciente sem esforço — sedado/paralisado
SIMV
mandatórias intercaladas com espontâneas
em desuso como rotina; sincroniza
PSV (suporte pressórico)
assiste cada esforço com pressão + PEEP
o modo do DESMAME — paciente dirige
CPAP/PEEP
pressão positiva contínua/expiratória final
recruta alvéolos e mantém-nos abertos
2. SDRA: definição e ventilação protetora
Definição de Berlim (2012): início agudo (< 1 semana de insulto conhecido ou piora respiratória nova), opacidades bilaterais não totalmente explicadas por derrame/atelectasia/nódulos, edema não hidrostático, e oxigenação sob PEEP/CPAP ≥ 5 cmH2O — leve PaO2/FiO2 201–300 (mortalidade ~27%), moderada 101–200 (~32%), grave ≤ 100 (~45%). A definição global 2024 incorpora SpO2/FiO2 ≤ 315 (com SpO2 ≤ 97%), oxigenação em cateter nasal de alto fluxo/VNI e ultrassom. Foco infeccioso (pneumonia, sepse) lidera as causas.
Fluxo da SDRA intubada
SDRA sob ventilação protetora — o que acrescentar e o que evitar?
▼
PaO2/FiO2 < 150
Pronação precoce ≥ 16 h/dia (PROSEVA: mortalidade em 28 dias 16% × 33%, NNT ~11).
Considerar bloqueio neuromuscular nas primeiras 48 h (ACURASYS) e corticoide (dexametasona — DEXA-ARDS).
Refratária (P/F persistente ≤ 80 apesar de otimização)
Referir para ECMO (EOLIA) em centro especializado.
NÃO fazer de rotina
Manobras de recrutamento agressivas com PEEP alta (ART: AUMENTOU mortalidade 28 dias).
Óxido nítrico inalatório de rotina e volumes correntes altos (> 8 mL/kg) — oxigenação melhor, mortalidade não.
Ventilação protetora (ARMA, 2000): 6 mL/kg do peso previsto com platô ≤ 30 reduziu a mortalidade de 39,8% para 31% — é a base, não opção. A pressão de condução (platô − PEEP) ≤ 15 agrega prognóstico (Amato). Estratégia conservadora de fluidos melhora dias sem ventilação; a posição pronada age recrutando regiões dorsais e salvando o VD. Complicações: barotrauma (pneumotórax hipertensivo = emergência: dreno imediato e agulhamento se instável), pneumonia associada à VM (paciente 30–45°, higiene de mãos, aspiração subglótica e interrupção diária de sedação), delirium e fraqueza adquirida na UTI.
3. Desmame e extubação
Todo dia: triagem de prontidão (causa controlada, estabilidade, FiO2 ≤ 40–50% com PEEP ≤ 5–8, tosse efetiva, estado mental adequado).
Teste de respiração espontânea (TEE) de 30–120 min: tubo-T ou PSV 5–8 cmH2O; RSBI (FR/VC em litros) < 105 prevê sucesso — padrão-ouro funcional.
Falhou o TEE: retornar ao suporte confortável, investigar causa (carga, capacidade, cardíaca) e repetir diariamente — desmame é processo, não evento.
Extubação com risco (DPOC, cardíaco, idoso): VNI profilática pós-extubação; falha de extubação com estridor: corticoide e VNI, reintubando sem demora se falhar.
Traqueostomia: considerada após ~7–10 dias de ventilação prevista longa — conforto e desmame, sem urgência nos primeiros dias.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 170 cm, 95 kg (IMC 33), sepse urinária evoluindo com SDRA; PaO2/FiO2 130 sob PEEP 10. Ventilado em volume controlado. Volume corrente correto inicial:
2.Prova difícilSDRA por pneumonia grave: PaO2/FiO2 110, PEEP 12, platô 27, sedada, hemodinamicamente estável, já em ventilação protetora há 6 h. Próxima intervenção com maior redução de mortalidade:
Idoso + velcro basal + baqueteamento + favo de mel na TCAR
FPI — antifibrótico, sem imunossupressão
Jovem + eritema nodoso + hilos aumentados + febre
Löfgren (sarcoidose) — observação
Fumante 62 a, 40 anos-maço, assintomático
TCBD anual (rastreio)
Massa central + SIADH
CPC (small cell)
Bilateral + P/F 110 com PEEP 10
SDRA moderada — protetora + pronação
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.FundamentalHomem, 64 anos, fumante. Espirometria pós-broncodilatador: VEF1 52% do previsto, CVF 78%, VEF1/CVF 0,62; DLCO 55%. Interpretação:
2.IntermediárioMulher, 34 anos, asma persistente com polipose nasal recidivante e broncoespasmo após ibuprofeno. Entre as opções, a terapêutica com papel MAIS específico nesse fenótipo:
3.IntermediárioHomem, 70 anos, DPOC grave (VEF1 32%), PaO2 52 mmHg e PaCO2 55 mmHg em repouso, hematócrito 58%, sem exacerbação há 3 meses. Conduta que muda a sobrevida:
4.IntermediárioPaciente internado com PAC, afebril há 48 h, FR 18, SpO2 95% em ar ambiente, hemodinamicamente estável, tolerando VO — dia 5 de ceftriaxona + azitromicina, hemocultura negativa. Conduta:
5.AvançadoHomem, 26 anos, derrame pleural direito: exsudado com 88% de linfócitos, ADA 62 U/L, glicose 72 mg/dL, mesoteliais 2%, baciloscopia negativa, RX com adenomegalia hilar. Conduta:
6.AvançadoMulher, 72 anos, dispneia há 2 dias sem fatores de risco; Wells improvável; D-dímero 620 µg/L (FEU). Qual manejo correto do D-dímero?
7.Prova difícilEx-trabalhador de estaleiro, 61 anos, dispneia progressiva; TCAR com retícula basal bilateral e placas pleurais calcificadas nos diafragmas. A associação correta:
8.IntermediárioPaciente ventilado por 5 dias (pós-operatório), sedação interrompida, causa controlada, FiO2 40% com PEEP 5, FR espontânea 26 e volume corrente 350 mL no T-tubo. RSBI e conduta:
Gabarito rápido
1-C · 2-A · 3-B · 4-B · 5-B · 6-B · 7-B · 8-A
Referencial teórico
25 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoGlobal Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention — GINA Report 2025. GINA; 2025. ginasthma.org (relatório, sem DOI).
diretriz / revisãoPizzichini MMM, Carvalho-Pinto RM, Cançado JED, et al. Recomendações para o manejo da asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia — 2020. J Bras Pneumol. 2020;46(1):e20190307.doi.org/10.1590/1806-3713/e20190307
diretriz / revisãoO'Byrne PM, FitzGerald JM, Bateman ED, et al. Inhaled combined budesonide-formoterol as needed in mild asthma (SYGMA 1). N Engl J Med. 2018;378(20):1865-1876.doi.org/10.1056/NEJMoa1715274
diretriz / revisãoCastro M, Corren J, Pavord ID, et al. Dupilumab efficacy and safety in moderate-to-severe uncontrolled asthma (QUEST). N Engl J Med. 2018;378(24):2485-2496.doi.org/10.1056/NEJMoa1804092
diretriz / revisãoGOLD. Global Strategy for the Diagnosis, Management and Prevention of COPD — Report 2025. GOLD; 2025. goldcopd.org (relatório, sem DOI).
diretriz / revisãoRabe KF, Martinez FJ, Ferguson GT, et al. Triple inhaled therapy at two glucocorticoid doses in moderate-to-very-severe COPD (ETHOS). N Engl J Med. 2020;383(1):35-48.doi.org/10.1056/NEJMoa1916048
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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