Baseado nos artigos publicados da matéria Pediatria e Puericultura da Central de Estudos (fonte principal) e nas diretrizes vigentes — AAP, OMS, Ministério da Saúde/PNI, ESPGHAN 2014, PIDS/IDSA 2011, Surviving Sepsis 2021, KDIGO 2021 e SBP (complemento, sempre com DOI quando existe). Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Puericultura, crescimento e desenvolvimento
agenda de consultas · curvas da OMS e escores-z · dinâmica de crescimento · marcos do desenvolvimento · triagens (M-CHAT-R/F, audição, vitamina D) · bandeiras vermelhas
Peso
3× aos 12 m
dobra aos 4–5 meses; quadruplica aos 2 anos
Estatura
+25 cm 1º ano
+12 cm no 2º ano; desacelera depois
Vitamina D
400 UI/dia
todo RN/lactente, amamentado ou não (AAP)
M-CHAT-R/F
16–30 m
20 itens; ≥ 3 → entrevista de follow-up
1. O que é puericultura (e qual a agenda mínima)
Puericultura é o acompanhamento sistemático de saúde da criança saudável: crescimento, desenvolvimento, imunizações, prevenção de agravos e vínculo familiar. Instrumento central: a Caderneta de Saúde da Criança (MS), que registra curvas, marcos e vacinas. Agenda preconizada pelo Ministério da Saúde: 1ª consulta entre 5 e 7 dias de vida; mensal até 6 meses; bimestral de 6 a 12 meses; semestral de 1 a 2 anos; depois anual.
2. Crescimento: medir, plotar e interpretar
Padrão de referência: curvas da OMS (2006), expressas em escores-z. Indicadores: peso/idade (desnutrição global), estatura/idade (desnutrição crônica), peso/estatura e IMC/idade (desnutrição aguda e excesso de peso). Normal entre −2 e +2 escores-z; microcefalia = perímetro cefálico < −2; > +2 de IMC/idade = excesso de peso (obesidade > +3).
Peso: nasce ~3,3 kg; dobra aos 4–5 meses; triplica aos 12 meses; quadruplica aos 2 anos.
Estatura: +25 cm no 1º ano (≈ 50 → 75 cm), +12 cm no 2º, +8 cm no 3º; estirão puberal na adolescência.
Perímetro cefálico: ~35 cm ao nascer, ~47 cm aos 12 meses (≈ 2 cm/mês no 1º trimestre); fontanela anterior fecha entre 9 e 18 meses.
A tendência importa mais que o ponto: cruzar 2 linhas do escore-z (para cima = obesidade; para baixo = doença) é bandeira vermelha mesmo dentro do “normal”.
3. Desenvolvimento: as 4 áreas e os marcos
Avaliar sempre 4 áreas: motora grossa, motora fina/adaptativa, linguagem e pessoal-social. O desenvolvimento é sequencial e contínuo; a faixa normal é ampla — use intervalos, não datas fixas.
Idade
Marco motor
Linguagem/social
2 meses
eleva a cabeça em decúbito ventral; controle cefálico iniciando
sorriso social (6–8 semanas); fixa e segue objetos
4–6 meses
rola (4–6 m); senta com apoio (5–6 m)
balbucia; ri alto; reconhece a mãe
6–8 meses
senta sem apoio; começa a engatinhar (8–10 m)
sílaba duplicada (“mamama”); ansiedade de estranhamento
9–12 meses
pinça superior (9–12 m); fica de pé; anda entre 12–15 m
primeira palavra com significado (~12 m); entende “não”
18 meses
sobe escada com ajuda; faz torre de 3 blocos
10–20 palavras; aponta o que quer
2 anos
corre; sobe e desce escada
frases de 2–3 palavras; brincadeira simbólica
3–4 anos
pedala triciclo (3 m); salta em um pé (4 m)
frases completas; conta história; veste-se com ajuda
4. Suplementos e triagens de rotina
Vitamina D 400 UI/dia do nascimento ao 1º ano (toda criança, inclusive em aleitamento exclusivo); 600 UI/dia a partir de 1 ano (AAP).
Prematuro: ferro elemental 2 mg/kg/dia a partir de 1 mês de vida até a dieta complementar garantir as necessidades (AAP).
Visão: reflexo vermelho ao nascimento (leucocoria = retinoblastoma/catarata até prova contrária); audição: otoemissões acústicas antes da alta maternidade (triagem universal).
Dentes: 1º dente entre 5 e 12 meses; atraso além disso reavalia. Consulta odontológica no 1º ano.
Escala de Apgar 1 e 5 minutos (0–10): avalia frequência cardíaca, respiração, tônus, irritabilidade reflexa e cor; < 7 continua a reavaliar a cada 5 min até 20 min.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMãe leva lactente de 8 meses, nascido a termo, para consulta de puericultura. Senta sem apoio desde os 7 meses, balbucia “mamama”, sorri ao examinador e estranha a mãe do coleguinha. O desenvolvimento desta criança está:
2.IntermediárioLactente de 10 meses, consultas em dia. Peso sempre entre os percentis 50 e 75 até os 6 meses; hoje está no percentil 10 (peso/idade −1,2 escore-z), a mãe relata introdução de alimentação complementar “jantar de adulto” e 600 mL de sucos/dia. A conduta correta é:
recomendações OMS · composição e benefícios · técnica e manejo dos problemas · contraindicações · alimentação complementar · suplementação
Exclusivo
6 meses
sem água, chás ou outros alimentos (OMS)
Complementado
2 anos ou +
junto com a alimentação complementar
AE < 6 m (Brasil)
45,7%
ENANI 2019 — meta muito aquém
Complementar
180 dias
início da introdução de alimentos
1. Recomendação e evidência
OMS e Ministério da Saúde: aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses e complementado até 2 anos ou mais. A série de revisões do Lancet (Victora 2016) estima que maior amamentação poderia evitar cerca de 823.000 mortes de menores de 5 anos por ano no mundo e ~20.000 mortes por câncer de mama materno. No Brasil (ENANI 2019), o aleitamento exclusivo em menores de 6 meses é de 45,7% e aos 12 meses cerca de 53% ainda mamam — cobertura muito abaixo da meta.
2. Técnica e manejo dos problemas mamários
Pegada adequada: boca bem aberta, lábio evertido, aréola (não só o mamilo) abocanhada, queixo tocando a mama, sem ruídos de estalos; sucção rítmica com deglutição audível.
Fissuras mamilares: corrigir a pegada (causa principal); continuar amamentando; usar leite materno próprio no mamilo; evitar sabões e pomadas oclusivas.
Ingurgitamento mamário: mamadas frequentes, esvaziamento (ordenha manual), compressas mornas antes e frias depois.
Mastite: mama dolorosa, eritematosa, endurecida, febre — manter a amamentação (não desmamar!), esvaziar a mama, analgesia; se persistir > 24 h ou sinais de abscesso: antibiótico ( cobertura para S. aureus) e drenagem se fluctuação.
Demanda livre: livre demanda nos primeiros meses; o leite regula-se por oferta e demanda (quanto mais o bebê mama, mais a mãe produz).
3. Contraindicações (a tabela que derruba candidato)
Situação
Amamentar?
Galactosemia clássica da criança
PROIBIDO — leite sem lactose/galactose (fórmula de soja)
HIV materna (no Brasil)
CONTRAINDICADO por política do MS/BR — substituir por fórmula; em países de baixa renda a OMS libera com ART suprimindo a carga viral
HTLV-1/2 materna
CONTRAINDICADO — transmissão pelo leite
Tuberculose materna (doença ativa não tratada)
separar até iniciar tratamento e tornar-se não transmissível; pode ordenhar
Quimioterápicos, radioisótopos, drogas ilícitas
CONTRAINDICADO conforme fármaco
Hepatite B e C, citomegalovírus (termo)
NÃO contraindicam
Mãe fumante, resfriado comum, mastite, diabetes
NÃO contraindicam
Recém-nascido prematuro ou lactente com ictericia
NÃO contraindica — aumentar frequência das mamadas
4. Alimentação complementar (a partir dos 6 meses)
Início aos 6 meses completos (180 dias), mantendo o leite materno como alimento principal até 1 ano.
Consistência: papa bem consistente (não liquidificada/sopa rala) desde o início; evoluir para comida da família picada até 12 meses.
2–3 refeições ao dia a partir de 6–8 meses, progredindo; oferecer água; frutas como sobremesa/lanche.
PROIBIR até 1 ano: leite de vaca integral como bebida principal, mel (botulismo), sal e açúcar em excesso, sucos em volume que desloca a dieta.
Alergias: a introdução NÃO deve ser tardia — alimentos alergênicos (ovo, amendoim em pasta) podem entrar a partir dos 6 meses em textura segura.
Vitamina D 400 UI/dia mantida; ferro garantido por carnes/vísceras e vegetais escuros associados a fonte de vitamina C.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalPuérpera de 7 dias, aleitamento exclusivo, apresenta fissuras mamilares dolorosas bilaterais. A conduta de primeira linha é:
2.IntermediárioLactente de 5 meses, aleitamento materno exclusivo, ganho de peso adequado. Mãe questiona se deve oferecer água e iniciar papas, pois faz muito calor. A resposta correta é:
bronquiolite viral aguda · pneumonia adquirida na comunidade (agentes por idade, doses) · crupe (laringite viral) · o que NÃO fazer
Bronquiolite · VSR
50–80%
dos casos/hospitalizações; pico < 2 anos
O₂ na bronquiolite
SpO₂ < 90%
limiar de suplementação (AAP 2014)
Amoxicilina CAP
90 mg/kg/dia
1ª linha ambulatorial, 7–10 dias
Dexametasona crupe
0,15 mg/kg
dose única VO/IM, qualquer gravidade
1. Bronquiolite aguda: o protótipo da criança que sibila a 1ª vez
Doença viral de lactentes (pico 2–6 meses, meses frios), definida clinicamente: 1º episódio de sibilos com quadro viral prévio (rinorreia, tosse), taquipneia, tiragem subcostal e/ou sibilos difusos. VSR é o agente mais comum (50–80% das hospitalizações); seguem rinovírus, adenovírus, metapneumovírus e vírus parainfluenza. Diagnóstico é clínico — a Diretriz da AAP 2014 é o guia da prova.
2. Pneumonia adquirida na comunidade (CAP)
Agente varia com a idade e com o estado vacinal — a febre alta com toxemia, abolição do murmúrio e estertores focais sugere bactéria; quadro insidioso, tosse e difuso sugere vírus ou Mycoplasma. Raio-X não é rotina no ambulatório: tratar empiricamente a criança estável (PIDS/IDSA 2011).
Faixa etária
Agentes mais comuns
Tratamento empírico
1–3 meses (pneumonia afebril)
Chlamydia trachomatis, vírus
quadro “tosse paroxística + infiltrado difuso, sem febre, RN de mãe não tratada”: macrolídico
3 meses–5 anos
vírus, Streptococcus pneumoniae (Hib se não vacinado)
amoxicilina 90 mg/kg/dia VO em 2–3 doses, 7–10 dias
> 5 anos/adolescente
S. pneumoniae, Mycoplasma pneumoniae
amoxicilina; se forte suspeita de micoplasma: macrolídico (azitromicina) ou doxiciclina > 8 anos
Internado, não grave
pneumococo típico
ampicilina 200 mg/kg/dia IV 6/6 h OU ceftriaxona 75–100 mg/kg/dia IV
Internado, grave/complicado
pneumococo, S. aureus
vancomicina 60 mg/kg/dia IV + ceftriaxona (cobertura estafilocócica)
Critérios de internação (PIDS/IDSA): SpO₂ ≤ 90% em ar ambiente, desconforto respiratório importante, apneia, instabilidade, empiema, complicações, doença de base, falha do tratamento ambulatorial, menores de 3–6 meses com confirmação bacteriana.
Complicações: derrame pleural/empiema (pneumococo, CA-MRSA), necrose, pneumatocele (estafilococo), abcesso pulmonar — piora após 48–72 h de tratamento adequado = complicar e repetir imagem.
3. Crupe (laringotraqueobronquite viral)
Parainfluenza (principal), lactente/pré-escolar, tosse metálica, estridor inspiratório, rouquidão, piora noturna. Gravidade pelo estridor em repouso, tiragem e agitação. Tratamento que salva: dexametasona 0,15 mg/kg VO/IM em dose ÚNICA em qualquer gravidade (mesmo leve); moderado/grave: adrenalina nebulizada (1:1000, 0,5 mL/kg diluída em 3 mL de SF, máx 5 mL), O₂ e observação por 2 h (efeito pode regredir). Manter a criança calma (agitação piora o estridor).
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioLactente de 5 meses, previamente saudável, com rinorreia há 3 dias, agora taquipneico com tiragem subcostal e sibilos difusos, SpO₂ 93% em ar ambiente, hidratado, aceitando o peito. Conduta:
2.FundamentalCriança de 3 anos, tosse metálica, rouquidão e estridor inspiracional há 12 h, sem tiragem em repouso, hidratada, SpO₂ 97%. Conduta terapêutica:
agentes (GEMS) · graus de desidratação · planos A/B/C da OMS · SRO reduzida · zinco · drogas: o que tem e o que não tem lugar
Plano A
sem desidr.
casa: continuar alimentando + SRO após cada evacuação
Plano B
75 mL/kg
SRO ao longo de 4 h no serviço + reavaliar
Plano C
100 mL/kg
severa: 30 mL/kg rápido (30–60 min) + 70 mL/kg em 2,5 h — EV se choque
Zinco
20 mg/dia
≥ 6 meses (10 mg se < 6 m), 10–14 dias (OMS)
1. Etiologia e epidemiologia
A maioria é viral e autolimitada — rotavírus segue entre os principais agentes de diarreia moderada-grave em menores de 5 anos no mundo (GEMS, Lancet 2013), e a vacinação universal reduziu drasticamente as hospitalizações; seguem norovírus, adenovírus entérico, Shigella (líder bacteriana na diarreia moderada-grave e na disenteria), Salmonella nontyphi, Campylobacter, E. coli. Transmissão fecal-oral; inverno para vírus; creche e água contaminada são clássicos.
2. Classificar a desidratação (antes de tratar)
Achado
Alguma (leve/moderada)
Severa
Estado geral
inquieta/irritada, olhos fundos, sede intensa
apática/letárgica ou comatoso, olhos muito fundos
Mucosas/sinal da prega
secas; prega retorna < 2 s
muito secas; prega retorna ≥ 2 s
Pulso/respiração
normal/taquicardia
rápido e fino ou impalpável; respiração rápida e profunda (acidose)
Perda de peso estimada
< 5%
≥ 10% (5–10% zona cinzenta)
Mama/bebe
bebe com avidez
incapaz de beber
Sinais de choque
ausentes
presentes — PLAN C imediato
Fluxo da reidratação (OMS/ESPGHAN)
Qual o grau de desidratação da criança com diarreia aguda?
▼
SEM desidratação → PLANO A
Continuar alimentação habitual e leite materno em livre demanda.
SRO após cada evacuação solta (crianças < 2 anos: 50–100 mL; 2–10 anos: 100–200 mL).
Orientar sinais de retorno: sangue nas fezes, vômitos persistentes, oligúria, sonolência.
ALGUMA desidratação → PLANO B
SRO 75 mL/kg ao longo de 4 h no serviço, em tomas fracionadas (colher/copo para lactentes).
Reavaliar a cada 1–2 h e reclassificar; alta quando sem desidratação, com plano A em casa.
Se vomita: esperar 10 min e retomar devagar, em pequenos volumes.
SEVERA → PLANO C
Se choque/alteração de consciência/íleo/in tolerância oral: solução isotônica EV — SF 0,9% ou Ringer — 100 mL/kg: 30 mL/kg em 30 min (criança) a 1 h (lactente) e 70 mL/kg nas 2,5 h seguintes.
Reavaliar a cada 1–2 h; assim que possível, retomar TRO e realimentação precoce.
Glicemia e eletrólitos: convulsão ou letargia levanta hiponatremia/hipoglicemia.
Complicações: desidratação grave e choque, distúrbios eletrolíticos (hiponatremia convulsiva), hipoglicemia, desnutrição por dietas restritivas repetidas, morte — a diarreia segue entre as principais causas de mortalidade infantil evitável no mundo. Prognóstico com TRO correta é excelente.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioCriança de 18 meses com diarreia aquosa há 2 dias, sem sangue, vomitando ocasionalmente. Exame: inquieta, olhos levemente fundos, mucosas secas, sede intensa, pulso presente, sem sinais de choque. Peso 11 kg. Conduta:
2.AvançadoLactente de 9 meses com diarreia há 4 dias chega letárgico, com olhos muito fundos, prega cutânea que retorna em 3 segundos e pulso femoral fino; a mãe relata ter oferecido apenas “água com açúcar e chá”. Além de expandir com solução isotônica (plano C), a vigilância imediata deve incluir:
reconhecer sepse e a 1ª hora · meningite por faixa etária e LCR · dexametasona · calendário PNI · atraso vacinal · contraindicações e eventos adversos
Choque séptico
≤ 1 h
antibiótico de amplo espectro após culturas (SSC 2021)
Ceftriaxona
100 mg/kg/dia
meningite > 2 meses, IV 12/12 h
Dexametasona
0,15 mg/kg 6/6 h
4 doses — antes/na 1ª dose do antibiótico
Pentavalente
2 · 4 · 6 m
DTP + Hib + Hep B (PNI)
1. Sepse pediátrica: reconhecer e agir na 1ª hora
Criança com infecção suspeita/confirmada + disfunção orgânica (taquicardia/taquipneia fora da faixa, oligúria, alteração do nível de consciência, lactato alto, leucometria anormal) = sepse; choque séptico = hipotensão ou má perfusão persistente apesar de expansão volêmica. A criança descompensa com taquicardia e má perfusão ANTES da hipotensão — esperar PA baixa é perder a janela (SSC 2021).
A primeira hora do choque séptico (SSC 2021 — criança)
Criança com infecção e sinais de choque/má perfusão — o que fazer na 1ª hora?
▼
PRIMEIRO: reconhecer e medir
Glicemia capilar, lactato, hemoculturas (≥ 2 frascos) e culturas de foco — SEM preterir o antibiótico.
Acesso venoso (ou intraósseo) e monitorização contínua.
EXPANSÃO TITULADA
Cristaloide (SF 0,9%) 10–20 mL/kg em bolus, reavaliando entre as doses.
Até 40–60 mL/kg na 1ª hora, com reavaliação contínua de perfusão, hepatoesplenomegalia/crepitantes (sobrecarga).
REFRATÁRIO A VOLUME → VASOATIVO
Epinefrina ou norepinefrina como primeiro vasoativo na criança (SSC 2021); monitorização invasiva e UTI.
Antibiótico de amplo espectro DENTRO da 1ª hora no choque (amplo: ex. ceftriaxona/cefepima ± vancomicina conforme foco e idade).
Corrigir hipoglicemia, hipocalcemia e acidose; considerar hidrocortisona no choque catecolamina-refratário com suspeita de insuficiência adrenal (ex. HAC).
2. Meningite bacteriana aguda
Tríade: febre + cefaleia/rigidez de nuca + vômitos; na criança pequena: febre + irritabilidade/letargia + fontanela tensa ou abaulada (sinais meníngeos clássicos são tardios). Sinais de alarme: petéquias/púrpura (meningococo — emergência), convulsão, coma. Diagnóstico: punção lombar com LCR (se não houver contraindicação: sinais de focalização, coma, instabilidade, hipertensão intracraniana, coagulopatia — nesses casos, antibiótico antes e TC).
Exame
Normal (criança > 1 m)
Bacteriana
Viral (asseptica)
Células/mm³
≤ 5 (linfócitos)
centenas a milhares, neutrófilos
dezenas a centenas, linfócitos
Glicose (mg/dL)
≥ 40–50 (≈ 2/3 da glicemia)
< 40 (dissociação)
normal
Proteínas (mg/dL)
< 40
> 100
normal ou levemente ↑
Aspecto/Outros
cristalino
turvo/purulento; Gram e antigeno/PCR +
cristalino; PCR viral +
RN/lactente pequeno
até ~20 células; proteínas até ~150
—
—
Faixa etária
Agentes
Esquema empírico
< 2 meses
GBS (S. agalactiae), E. coli, Listeria
ampicilina 200–300 mg/kg/dia IV + cefotaxima 200–300 mg/kg/dia IV (ou gentamicina)
> 2 meses
S. pneumoniae, N. meningitidis (Hib se não vacinado)
ceftriaxona 100 mg/kg/dia IV (12/12 h) OU cefotaxima 300 mg/kg/dia + vancomicina 60 mg/kg/dia IV (15 mg/kg 6/6 h) até sensibilidade do pneumococo
3. Imunizações: o calendário que previne tudo isso
O calendário do PNI (MS) muda com atualizações — decore os MARCOS e confira a caderneta vigente. Coberturas abaixo de 95% reabrem espaço para surtos (coqueluche, sarampo): o Brasil convive com atraso vacinal importante nas coortes recentes (Rozman 2025), e a recuperação de atraso NÃO reinicia esquemas já iniciados.
Vacina
Esquema PNI (criança)
BCG-ID + Hepatite B
ao nascer (Hep B idealmente nas primeiras 12 h de vida)
Pentavalente (DTP+Hib+HepB) + VIP
2 · 4 · 6 meses
VOP (reforços)
15 meses e 4 anos
Pneumocócica conjugada (VPC)
2 · 4 · 6 meses + reforço ~12–15 meses
Rotavírus (atenuada oral)
2 e 4 meses — janela: iniciar preferencialmente antes da 15ª semana e completar até 8 meses (OMS)
Meningocócica C conjugada
3 · 5 meses + reforço 12 meses
Influenza
a partir de 6 meses (1º ano: 2 doses com 30 dias; depois anual)
Tríplice viral (SCR)
12 e 15 meses — sarampo: 2 doses
Varicela + DTPa + Hep A
15 meses (varicela 2ª dose aos 4 anos)
HPV
2 doses (0 e 6–12 meses) na faixa de 9–14 anos, conforme calendário vigente
Complicações da meningite bacteriana: perda auditiva (por isso a dexametasona e a avaliação auditiva na alta), hidrocefalia, convulsões, déficits focais, epilepsia e óbito; sequelas neurológicas em 10–20% dos sobreviventes do pneumococo. Vacinas conjugadas (Hib, pneumococo, meningococo C) mudaram a epidemiologia — a vacinação é a maior intervenção isolada de redução de meningite na infância.
Questões do módulo · 05
3 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.AvançadoCriança de 4 anos, febre 39,5 °C há 8 h, letárgica, petéquias difusas, TR 4 s, FC 160, PA 68/40, lactato 5 mmol/L. Após acesso venoso, a sequência CORRETA da 1ª hora é:
2.IntermediárioLactente de 1 mês com febre, fontanela tensa e convulsão. PL: 2.500 células (90% neutrófilos), glicose 22 mg/dL, proteínas 320 mg/dL. O esquema empírico correto é:
3.FundamentalMenino de 18 meses em dia com o calendário do PNI, exceto a 2ª dose de tríplice viral (feita apenas a de 12 meses) e a varicela. A conduta de recuperação é:
O recém-nascido: icterícia, RN de risco e erros inatos
avaliação neonatal · icterícia fisiológica × patológica · nomograma e fototerapia · atresia de vias biliares · sepse neonatal · hipoglicemia · teste do pezinho · EIM agudos
Icterícia patológica
< 24 h
nas primeiras 24 h = investigar sempre (hemólise/sepse)
Pezinho
3º–5º dia
coleta ideal; Lei 14.154/2021 ampliou
Hipoglicemia RN
< 40–45
mg/dL nas primeiras horas — tratar
Sepse precoce
< 72 h
GBS e E. coli; ampicilina + gentamicina
1. Icterícia neonatal: a urgência que não pode ser erroneamente classificada como “fisiológica”
Hiperbilirrubinemia indireta é o achado neonatal mais frequente; o perigo é a bilirrubina livre cruzar a barreira hemato-encefálica e causar encefalopatia bilirrubínica (kernicterus). O risco depende do NÍVEL de bilirrubina × IDADE em HORAS × FATORES DE RISCO (prematuridade, hemólise por incompatibilidade Rh/ABO, sepse, hipoalbuminemia, aleitamento com perda de peso excessiva) — por isso a AAP 2022 recomenda medir bilirrubina TOTAL (TSB ou transcutânea) em TODO RN antes da alta e interpretar em nomograma hora-específico (Bhutani), com seguimento em 24–48 h conforme risco.
Característica
Fisiológica
Patológica (investigar)
Início
após 24 h (2º–3º dia)
nas primeiras 24 h — sempre anormal
Pico
3º–5º dia, ~5–6 mg/dL no termo
> limiar do nomograma para idade/fator de risco; subida > 5 mg/dL/dia
Fototerapia intensiva conforme nomograma; exsanguineotransfusão se acima da curva de exchange/iminência de encefalopatia; IVIG na hemólise por incompatibilidade grave.
Após 24 h–2 semanas, indireta, RN bem
Medir TSB e plotar no nomograma hora-específico; avaliar fatores de risco e perda de peso.
Aumentar frequência das mamadas (icterícia do aleitamento por ingestão insuficiente melhora com mais leite, não com suspensão).
Fototerapia ambulatorial/hospitalar se acima do limiar; reavaliar em 24 h.
Fração DIRETA elevada / > 14 dias / fezes acólicas
Urina escura + fezes acólicas/despigmentadas + hepatomegalia = ATRESIA DE VIAS BILIARES até prova contrária.
Bilirubina direta, TGO/TGP, GGT, US abdomen, e encaminhamento cirúrgico rápido: portoenterostomia (Kasai) idealmente até 60 dias de vida.
Prematuro (< 37 semanas) e/ou baixo peso (< 2.500 g): imaturidade multi-sistêmica — desconforto respiratório (deficiência de surfactante → CPAP/surfactante), apneia da prematuridade, enterocolite necrosante, displasia broncopulmonar, retinopatia da prematuridade, hemorragia peri/intraventricular, anemia, hiperbilirrubinemia mais precoce e grave.
Pequeno para a idade gestacional (PIR < percentil 10) ou grande para (GIG > 90): PIR = restrição de crescimento (hipóxia crônica, hipoglicemia, policitemia); GIG/filho de mãe diabética = hipoglicemia, macrosomia, hipocalcemia, poliglobulia, cardiopatia.
Hipoglicemia: limiar terapêutico < 40–45 mg/dL nas primeiras horas; assintomático → alimentar e repetir; sintomático ou persistente → glicose 10% IV 2 mL/kg em bolus seguida de infusão.
Filho de mãe com colonização por GBS (swab vaginal-retal 35–37 semanas): penicilina cristalina IV na admissão — dose inicial 5.000.000 UI, depois 2.500.000 UI 4/4 h (alternativa: ampicilina 2 g → 1 g 4/4 h) — prevenção de sepse precoce.
Outros riscos: ROM > 18 h, febre intraparto, corio, UTI materna, asfixia perinatal (Apgar baixo/acidose).
3. Sepse neonatal
O RN com sepse não faz febre alta com repercussão dramática: apresenta-se como “RN que não vai bem” — instabilidade térmica (hipo OU hipertermia), recusa alimentar, letargia ou irritabilidade, apneia, taquipneia, icterícia, distensão abdominal, hemograma alterado. Precoce (< 72 h, transmissão vertical): GBS e E. coli; tardia (após 72 h–7 dias ou mais): estafilococos coagulase-negativa (cateter), S. aureus, E. coli, Candida em internados, e vírus. Diagnóstico: hemocultura + hemograma/PCR; empírico na suspeita: ampicilina + gentamicina (precoce) ou vancomicina + aminoglicosídeo conforme perfil e persistência (Polin 2012; Simonsen 2014).
4. Triagem neonatal (teste do pezinho) e erros inatos do metabolismo
Coleta entre o 3º e o 5º dia de vida (mínimo 48 h de vida e de alimentação). Painel básico: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística (IRT), hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase; a Lei 14.154/2021 amplia para mais de 50 doenças em fases (incluindo imunodeficiências, toxoplasmose congênita e EIM), conforme implantação estadual.
EIM
Pista clínica
Conduta
Acidémias/acidúrias orgânicas; defeitos da β-oxidação (MCAD)
RN/lactente com letargia, vômitos, convulsão, acidose metabólica ou hipoglicemia HIPocetótica em jejum/infecção
EMERGÊNCIA METABÓLICA: parar proteína/oferta tóxica, glicose 10% IV abundante, corrigir acidose, hemodiafiltração se hiperamoniemia/acidose refratária (Saudubray)
Defeitos do ciclo da ureia (OTC etc.)
Hiperamoniemia + letargia → coma, com hiperventilação (alcalose respiratória) e sem acidose metabólica significativa
mesma emergência: dialisar; arginina/benzoato conforme defeito
Galactosemia
ICterícia direta + hepatomegalia + catarata + sepse por E. coli + galactosuria (reducing substances)
dieta isenta de galactose (fórmula de soja)
Fenilcetonúria
após semanas-meses: atraso mental, pele clara, eczema, odor de mofo na urina; pezinho alterado
dieta restrita em fenilalanina — prevenir deficiência intelectual
perda de sal (vômitos, desidratação, hiponatremia/hiperK) + genitália ambígua feminina; crise adrenal
SF + hidrocortisona IV 50–100 mg/m²/dia na crise; reposição crônica
Questões do módulo · 06
3 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioRN a termo, 30 horas de vida, icterícia em tronco e face, letárgico, com hematomas cefálicos após parto operatório difícil. Mãe O+ e RN A+. Conduta inicial correta:
2.Prova difícilLactente de 20 dias, icterícia desde a 2ª semana, fezes esbranquiçadas e urina escurecendo a fralda; bilirrubina total 12 mg/dL com fração direta 6 mg/dL, GGT elevada. A conduta é:
3.AvançadoRN de 4 dias, filho de mãe com diabetes gestacional, nascido a termo com 4.100 g, apresenta tremores e letargia; glicemia capilar 32 mg/dL, sem cetonas. Após alimentação, nova medida 34 mg/dL. Conduta:
Cardiopatias congênitas, síndrome nefrótica e oncologia
cianóticas × acianóticas · RN cianótico e PGE1 · crise hipóxica · critérios e receita da nefrótica · leucemia linfoblástica · tumores sólidos e marcadores
Cardiopatias
~9/1.000
nascidos vivos (van der Linde 2011)
Prednisolona
60 mg/m²/dia
nefrótica: 4–6 sem diário → alternado
ALL
> 90%
sobrevida 5 anos em centros de alto padrão
Leucemias
~30%
dos cânceres na infância — 1º em frequência
1. Cardiopatias congênitas: reconhecer no RN e no lactente
Prevalência ao nascimento ~9/1.000 nascidos vivos. A suspeita nasce de 3 síndromes: (1) CIANOSE persistente que NÃO melhora com O₂ (shunt direita-esquerda); (2) INSUFICIÊNCIA CARDÍACA do lactente (taquipneia, sudorese com as mamadas, hepatomegalia, falha de crescimento) — típica do 1º–2º mês, quando cai a resistência vascular pulmonar e as shunts esquerda-direita aumentam fluxo; (3) sopro/HTA de membro superior com pulsos femurais fracos (coartação).
Grupo
Exemplos
Apresentação
Acianóticas (shunt E→D / obstrução ao fluxo sistêmico)
CIV (a mais comum de todas), CIA, persistência do canal arterial, estenose aórtica/pulmonar, coartação da aorta
ICC do lactente (CIV/PDA grandes), sopro contínuo (PCA), HTA de MMSS + pulsos femurais fracos (coartação), B2 desdobrado fixo (CIA)
Cianóticas (shunt D→E)
Tetralogia de Fallot (a cianótica mais comum), transposição das grandes artérias (a mais comum no RN), tronco arterial, drenagem venosa anômala total, atresia tricúspide/pulmonar
Cianose precoce refratária a O₂ (TGA nas primeiras horas; TGF com crises hipóxicas no lactente)
Fluxo do RN cianótico
RN com cianose central que não corrige com oxigênio — raciocínio:
▼
1. Teste da hiperóxia
FiO₂ 100% e gasometria: se PaO₂ permanece baixa, sugere shunt cardíaco direita-esquerda (cardiopatia) — pulmão normal.
Concomitantemente excluir causas pulmonares (SIR, pneumotórax), hematológicas (metahemoglobinemia) e sepse.
2. Suspeita de cardiopatia ducto-DEPENDENTE
Cianose grave nas primeiras horas (TGA, atresias) ou choque com pulsos difusos (interrupção do arco/coartação grave): iniciar prostaglandina E1 IV 0,01–0,05 mcg/kg/min para MANTER o canal arterial.
Efeito adverso da PGE1: apneia, febre, hipotensão — ambiente preparado para via aérea.
Ecocardiograma confirmatório e centro de cardiopediatria.
3. Lactente maior com crise hipóxica (TGF)
Posição genupeitoral (agachamento aumenta a resistência sistêmica e o retorno), O₂, calmar.
Morfina 0,1 mg/kg IV/SC, betabloqueador (propranolol 0,05–0,1 mg/kg IV lento ou esmolol) e fenilefrina para elevar a resistência sistêmica.
Correção cirúrgica eletiva (cirurgia de Fallot) após estabilização.
1b. Transposição das grandes artérias: da ecografia pré-natal ao switch
Rastreio pré-natal: a ecocardiografia fetal com as vias de SAÍDA (além das 4 câmaras) identifica a TGA — ventrículos paralelos com crossover ausente das grandes artérias; o diagnóstico IN UTERO permite parto em centro com cardiologia pediátrica e cirurgia, reduzindo morbidade da cianose neonatal.
Ao nascer: cianose precoce refratária a O₂ com tórax limpo; a sobrevida depende da MISTURA (forame oval + ducto) — PGE1 contínuo para manter o ducto e, se a mistura for insuficiente, SEPTOSTOMIA ATRIAL com balão (Rashkind) de urgência.
Tratamento definitivo: OPERAÇÃO DE SWITCH ARTERIAL (Jatene) nas primeiras 2 semanas de vida — as grandes artérias são reposicionadas com reimplante das coronárias; quanto mais cedo, antes que o ventrículo esquerdo perda a condição de bomba sistêmica.
Seguimento de longo prazo: estenose de ramos pulmonares supravalvar, insuficiência aórtica neosupravalvar, disfunção coronariana (isquemia tardia) e arritmias — o switch não encerra a cardiologia.
Coartação associada/predita: gradiente interarticulação ou hipoplasia do arco na TGA exige planejamento cirúrgico conjunto (switch + reparo do arco).
2. Síndrome nefrótica na infância
Definição (KDIGO 2021): proteinúria nefrótica (≥ 50 mg/kg/dia ou relação proteinúria/creatinina ≥ 2 g/g ou 3+ na fita) + hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL) + edema (hiperlipidemia completa o quadro). Pico 2–6 anos; ~90% das crianças tem doença idiopática — a lesão mínima é a histologia mais frequente (70–80%), com resposta excelente ao corticoide.
Resposta: ~90% remitem com corticoide (sensível — SNSS); corticorresistente (SNRC: sem remissão em 4–8 semanas de dose plena) → biópsia renal, inibidores da calcineurina e investigação de causa secundária/genética.
Recaídas: até 80% recaem ao menos uma vez; recaída = voltar à dose diária plena; recaidante frequente/corticodependente: biópsia e poupadores (cliclosporina/tacrolimo, micofenolato, rituximabe em selecionados).
Complicações: INFECÇÕES (peritonite pneumocóccia é a clássica — perda de fatores imunes na urina), TROMBOSE (perda de antitrombina III — risco de TVP/TRP), hipovolemia (especialmente após diuréticos), hiperlipidemia, DRC tardia nos corticorresistentes, e side effects do corticoide.
Histologia/entidade
Leitura de prova
Doença glomerular mínima (DGM)
70–80% dos casos; corticossensível na grande maioria; microscopia óptica praticamente normal (fusão dos pedicéis à eletrônica)
Esclerose segmentar e focal (ESF)
a causa mais comum de CORTICORRESISTÊNCIA; risco real de progressão para DRC — nos resistentes, pensar nela
Glomerulonefrite membranosa
mais frequente no ADULTO (anti-PLA2R); na criança, suspeitar de causa secundária (lúpus, HBV, drogas)
Doença por IgA e lúpus
apresentam hematúria macroscópica + proteinúria e achados sistêmicos (ANA, anti-DNA) — misturam síndrome nefrítica e nefrótica
3. Oncologia pediátrica: reconhecer e encaminhar
Câncer é a 2ª causa de morte por doença em 1–14 anos (atrás de traumas); leucemias lideram (~30%, sendo a LLA a maioria), seguidas de tumores do SNC (tumor sólido mais comum) e linfomas. Incidência global da ordem de 15–20 casos/100 mil crianças/ano (Ward 2014). LLA: pico 2–5 anos; apresentação = insuficiência medular (palidez, infecções, petéquias) + infiltração (linfonodos, hepatoesplenomegalia, dor óssea — clássica em membro inferior noturna) ± massa mediastinal (LLA-T). Diagnóstico: hemograma (blastos circulantes, pancitopenia) e MIELOGRAMA (blastos ≥ 20%); tratamento em fases (indução, consolidação, manutenção) por 2–3 anos, com sobrevida > 90% em centros de referência (Hunger 2015).
Tumor
Idade típica
Pistas de prova
Neuroblastoma
< 5 anos (mediana ~19 m)
massa abdominal que CRUZA a linha média, HTN, anemia, febre; metástases: equimoses periorbitais (“olhos de guaxinim”); VMA/HVA urinários elevados; opsoclônus-mioclonus
Tumor de Wilms (nefroblastoma)
3–4 anos
massa abdominal firme e lisa, NÃO cruza a linha média; hematuria; HTN; evitar punção/biópsia transcutânea — imagem e cirurgia em centro especializado
Linfoma de Burkitt
criança pequena/adolescente
massa maxilar ou abdominal de crescimento RÁPIDO; risco de síndrome de lise tumoral antes mesmo do tratamento
Retinoblastoma
< 3 anos
LEUCOCORIA (reflexo branco) ± estrabismo; urgência oftalmológica; formas hereditárias com herança autossômica dominante
Tumor cerebral
qualquer idade (pico 3–7 a)
cefaleia NOTURNA/matinal com vômitos em jato, ataxia (cerebelar), papiledema, regressão/crises; 1º tumor sólido em frequência
Questões do módulo · 07
3 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalRN de 6 horas de vida, cianose central que piora e não melhora com oxigênio; ausculta sem crepitantes, tórax simétrico, sem sopro relevante. Conduta imediata:
2.IntermediárioMenino de 4 anos, edema periorbitário e de membros inferiores há 5 dias, urina espumante; albumina 1,8 g/dL, proteinúria 3+ (PU/CR 4 g/g), creatinina normal, sem HTA. Biópsia não realizada. Conduta:
3.AvançadoCriança de 3 anos com dor abdominal e massa abdominal firme que cruza a linha média, hipertensão, anemia e equimoses periorbitais recentes. O achado que fecha a principal hipótese é:
08
Urgências pediátricas: status epiléptico e crise asmática
definição e escada do status epiléptico · glicemia primeiro · convulsão febril simples × complexa · gravidade e tratamento da crise asmática · critérios de internação
Status epiléptico
≥ 5 min
crise contínua ou em série sem recuperação (ILAE)
1ª linha
benzodiazepínico
2 doses máx., trocar via/fármaco depois
Fenitoína
20 mg/kg IV
2ª linha; velocidade ≤ 1 mg/kg/min
Salbutamol
0,15 mg/kg
nebulização 20/20 min nas 1ªs horas (mín 2,5 mg)
1. Status epiléptico: quanto tempo passa, mais difícil reverter
Definição operacional (ILAE 2015): atividade convulsiva contínua ≥ 5 minutos, ou duas ou mais crises sem recuperação da consciência entre elas. O tratamento é uma ESCADA com tempos: a cada degrau que falha, a chance de controle cai e o risco de dano neuronal sobe. Toda criança em crise: GLICEMIA CAPILAR PRECOCE (hipoglicemia é causa reversível tratável em segundos).
Tempo
Etapa
Droga/dose
0–5 min
Estabilização
via aérea/O₂, acesso, glicemia; vias aéreas lateralizadas se convulsionando
5–10 min
1ª linha — benzodiazepínico IV
midazolam IV 0,1–0,15 mg/kg OU diazepam IV 0,3 mg/kg (máx 10 mg), lento; repetir 1× se persistir (máx 2 doses)
Sem acesso IV
1ª linha alternativa
midazolam IM 0,2 mg/kg (máx 10 mg) ou intranasal; diazepam retal
10–20 min
2ª linha IV
fenitoína 20 mg/kg IV (máx 1 g; ≤ 1 mg/kg/min, máx 50 mg/min — monitorar ECG/PA) OU levetiracetam 40–60 mg/kg IV OU ácido valproico 40 mg/kg
20–40 min
3ª linha
midazolam em infusão contínua OU fenobarbital 20 mg/kg IV
> 40 min — refratário
Anestesia/UTI
combarbiturados (tiopental), midazolam alto débito; EEG contínuo e caça à causa
2. Convulsão febril (o diferencial que tranquiliza)
Crise com febre em criança 6 meses–5 anos (pico 12–18 meses) sem infecção do SNC nem causa metabólica. SIMPLES: generalizada, < 15 min, não recorrente em 24 h, com recuperação completa — conduta: reposição lateral, antitérmico para conforto, observar; sem exames, sem anticonvulsivante, sem punção lombar (se vacinada e sem sinais meníngeos). COMPLEXA: > 15 min, focal, ou recorrente em 24 h — investigar (incluindo PL conforme idade/sinais/estado vacinal) e afastar meningite. Prognóstico excelente; risco de epilepsia levemente maior apenas nas complexas/antecedentes familiares.
3. Crise asmática: classificar e tratar em camadas
1.IntermediárioCriança de 3 anos convulsionando de forma generalizada há 8 minutos na emergência, sem acesso venoso, glicemia 92 mg/dL. Conduta imediata:
2.AvançadoMenino de 7 anos, asmatário, chega à emergência falando palavras isoladas, SpO₂ 89%, tiragem importante, sibilos difusos escassos, PEF 40% do previsto. Já recebeu 3 nebulizações de salbutamol + ipratrópio e corticoide venoso há 40 min. Próxima medida:
3.FundamentalLactente de 18 meses, previamente saudável, vacinado, apresentou crise tônico-clônica generalizada de 4 minutos durante febre de 39 °C, com recuperação completa em seguida, sem déficit. Exame neurológico normal. Conduta:
09
Adolescência, vulnerabilidades e maus-tratos
hebiatria e HEADSS · telas e saúde digital · depressão e suicídio (GLAD-PC) · formas de violência · sinais sentinelas · notificação obrigatória · abuso sexual: profilaxia
Telas 2–5 anos
≤ 1 h/dia
co-viewing de qualidade (AAP 2016)
< 18 meses
evitar
exceto videochamada com familiares (AAP)
Rastreio depressão
≥ 12 anos
anual, PHQ-A na atenção primária (GLAD-PC)
Abuso sexual
≤ 72 h
profilaxia (HIV/IST, contracepção de emergência) e coleta forense
1. Hebiatria: a consulta do adolescente
A adolescência (10–19 anos, OMS) exige abordagem própria: consulta em parte sem os pais, confidencialidade garantida (com os limites legais de risco à própria vida/terceiros) e rastreamento estruturado pela sigla HEADSS — Home (casa/família), Education/Employment (escola/trabalho), Eating (alimentação/imagem corporal), Activities (atividades, sono, telas), Drugs (tabaco, álcool, outras), Sexuality (início, parceiros, proteção, IST/gravidez), Suicide/depression (humor, autolesão, ideação), Safety (violência, bullying, armas, segurança no trânsito).
2. Telas e saúde digital
A exposição excessiva a telas associa-se a pior sono, obesidade, menor atividade física, sintomas depressivos/ansiosos e cyberbullying (revisão sistemática de Stiglic & Viner, BMJ Open 2019; Twenge 2018 descreve aumento de sintomas depressivos e desfechos relacionados a suicídio nos EUA após 2010, em paralelo à difusão das novas mídias). Recomendações práticas (AAP 2016; SBP #MenosTelas #MaisSaúde): família define um PLANO DE MÍDIA; evitar telas < 18 meses (exceto videochamada); 18–24 meses apenas conteúdo de alta qualidade acompanhado; 2–5 anos limitar a ~1 h/dia co-viewing; idades maiores manter limites consistentes, sem telas 1–2 h antes de dormir e sem telas no quarto/à mesa; dormir 8–12 h conforme idade; priorizar sono, atividade física e interação social.
3. Depressão e risco de suicídio na atenção primária
GLAD-PC (AAP): rastrear TODOS os adolescentes ≥ 12 anos anualmente (instrumento tipo PHQ-A); avaliar positivos com entrevista diagnóstica (DSM) e estratificar leve/moderada/grave.
Perguntar DIRETAMENTE sobre ideação, plano e meios (inclusive acesso a armas/medicações) — perguntar não induz ideação; ausência de plano não dispensa vigilância.
Depressão leve-moderada: psicoterapia de primeira linha (TCC/interpessoal); envolver a família; segurança e remoção de meios letais.
Depressão moderada-grave ou com risco: antidepressivo + psicoterapia — fluoxetina é o ISRS de escolha na adolescência (iniciar 10–20 mg; monitorar ativamente surgimento de ideação/ativção nas primeiras semanas); seguir protocolo de segurança e encaminhar quando o risco exigir.
Transtornos alimentares, automutilação e bullying escolar entram no mesmo rastreio psicossocial (PeNSE: parcela relevante dos escolares relata sofrimento mental e exposição a violência).
4. Abuso e negligência: reconhecer, proteger, notificar
Formas: físico, sexual, emocional/psicológico e negligência (a mais frequente). O pediatra é filtro obrigatório: mortalidade e sequelas dependem do reconhecimento precoce. A avaliação de suspeita de abuso físico em < 2 anos inclui survey ósseo e exames de coagulopatia quando há equimoses/fraturas atípicas (Christian, AAP 2015); lesões orofaciais são comuns — lábio/frenulum laceração e lesões de mucosa em lactente que não engatinha são de alta suspeita.
Achado
Peso para abuso físico
Equimose em lactente < 4–5 meses que não se move sozinho, OU equimoses em tronco/orelhas/pescoço (< 4 anos) — regra TEN-4
alta suspeita — trauma intencional até prova contrária
Fratura em criança < 1 ano (especialmente costelas, metafisárias clássicas, sem trauma compatível)
alta suspeita — survey ósseo obrigatório < 2 anos
Queimadura em luva/meia/derme imersão simétrica, ou glúteos/períneo
sinal clássico (forçar alimentação/objeto na boca)
História incompatível com o desenvolvimento da criança ou que muda entre relatores; demora na busca de atendimento
bandeira vermelha transversal
Falha de crescimento, atraso vacinal, higiene/medicações negligenciadas, ausências escolares
negligência (a forma mais comum de maus-tratos)
Diagnóstico diferenciais que a banca cobra: osteogênese imperfeita (fraturas recorrentes + escleras azuis + história familiar), púrpura de Henoch-Schönlein (equimoses/púrpura em membros inferiores + dor abdominal/articular), manchas mongólicas (azuladas, região lombossacral, presentes ao nascimento, NÃO dolorosas e não mudam de cor), distúrbios de coagulação (ITP, hemofilia).
Exposição sexual: profilaxia de IST (HIV ≤ 72 h — PEP; sífilis, gonorreia, clamídia, hepatite B conforme cenário), contracepção de emergência (levonorgestrel até 72–120 h conforme método), coleta forense e acolhimento — equipe multiprofissional, não re-vitimizar.
CONDUTA FINAL: garantir segurança imediata (internar se necessário), notificar por escrito e registrar em prontuário — a notificação é OBRIGATÓRIA e independe de certeza (suspeita já obriga).
Questões do módulo · 09
3 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioLactente de 5 meses, que não rola ainda, levado ao pronto-socorro por “inchaço na bochecha”: exame mostra equimose em pavilhão auricular e lesão de frenulum labial; os responsáveis relatam queda do berço. Conduta:
2.AvançadoAdolescente de 15 anos, PHQ-A positivo (12 pontos), relata ideação passiva de morte sem plano, sono e apetite ruins há 6 semanas, bullying escolar. Primeiras condutas na atenção primária conforme GLAD-PC:
3.FundamentalPais de criança saudável de 3 anos perguntam sobre tempo de tela adequado. A recomendação correta é:
shunt cardíaco → PGE1 para manter o ducto (lembre da apneia como efeito adverso).
Nefrótica = 3 P
Proteinúria maciça + hipoProteinemia + edema com Pico 2–6 anos; prednisolona 60 mg/m² e Peritonite pneumocóccica como complicação clássica.
Crise hipóxica do Fallot: “agache e aperte”
genupeitoral + fenilefrina elevam a resistência sistêmica; morfina e betabloqueador acalmam e reduz a taquicardia; O₂ junto.
Status epiléptico 5-10-20-40
5 min benzo · 10 min 2ª linha (fenitoína/levetiracetam) · 20 min infusões · 40 min anestesia — e glicemia em TODOS.
TEN-4 e o berço
equimose em Torso-Orelha-Pescoço < 4 anos ou qualquer equimose < 4–5 meses (não se desloca sozinho) = abuso até prova contrária.
As pegadinhas mais cobradas
Aleitamento exclusivo não inclui água nem chás — “água no calor” é isca.
Mastite: continuar amamentando; mel só após 1 ano; leite de vaca após 1 ano.
Bronquiolite sem exames nem medicação de rotina; raio-X “atípico” gera antibiótico desnecessário.
Amoxicilina da CAP é dose alta (90 mg/kg/dia) — 50 mg/kg/dia é resposta errada.
Antibiótico na diarreia apenas em disenteria/cólera/parasitose; loperamida proibida.
Dexametasona da meningite antes/concomitante ao antibiótico — nunca depois.
Alergia ao ovo não contraindica SCR; atraso vacinal se completa, não se reinicia.
Icterícia < 24 h nunca é fisiológica; fezes acólicas = atresia biliar com janela de Kasai.
RN de mãe diabética: risco de HIPOglicemia; sepse neonatal pode dar hipotermia.
CIV grande congestiona entre 4–8 semanas (queda da resistência pulmonar) — RN normal não exclui.
Peritonite pneumocóccica na nefrótica: febre + dor abdominal + ascite = cobrir.
Status epiléptico se define aos 5 minutos, não aos 30.
Mancha mongólica é normal; fratura em lactente < 1 ano sem trauma compatível = suspeita de abuso com survey ósseo.
Notificação de suspeita de maus-tratos é obrigatória (ECA art. 13) — não exige certeza e o sigilo não se aplica.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda criança com queda de percentil cruzando linhas da curva: investigar antes de tranquilizar.
Toda bronquiolite: suporte e sinais de retorno; O₂ só se SpO₂ < 90%.
Toda desidratação: classificar o grau antes de escolher o plano; severa = via venosa.
Todo choque séptico: culturas + antibiótico + volume titulado na 1ª hora; criança hipotensa já está tardia.
Todo RN ictérico: bilirrubina antes da alta interpretada por idade em HORAS.
Todo RN “que não vai bem”: sepse até prova contrária — hipotermia conta.
Todo RN cianótico refratário ao O₂: PGE1 enquanto o eco decide.
Toda crise convulsiva: glicemia capilar na chegada.
Toda suspeita de maus-tratos: documentar, proteger e notificar — o dever é legal.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
1ª sibilância em lactente no inverno com viral
Bronquiolite por VSR
Tosse metálica + estridor + rouquidão
Crupe viral — dexametasona
Lactente 1–3 m com tosse paroxística sem febre e mãe com IST
Pneumonia por Chlamydia trachomatis
Fezes com sangue e muco + febre
Disenteria — Shigella
Feixe de sinais: febre + púrpura + hipotensão
Meningococcemia — ceftriaxona já
RN ictérico < 24 h de vida
Hemólise (Rh/ABO) ou sepse — nunca fisiológica
Icterícia + fezes acólicas + urina escura no lactente
Atresia de vias biliares — Kasai
RN cianótico sem melhora com O₂ e pulmão limpo
Cardiopatia congênita cianótica — PGE1
Edema + urina espumante + albumina baixa em pré-escolar
Síndrome nefrótica — prednisolona
Palidez + petéquias + dor óssea + LSD
Leucemia linfoblástica aguda
Massa abdominal que cruza a linha média + HTN + anemia
Neuroblastoma (VMA/HVA)
Cefaleia noturna + vômitos em jato + ataxia
Tumor de SNC
Crise generalizada < 15 min com febre em 6 m–5 anos
Convulsão febril simples
Equimose em orelha/tronco de lactente que não engatinha
Abuso físico — notificar
Prova final — bateria geral
7 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.IntermediárioLactente de 4 meses, aleitamento materno exclusivo, ganho ponderal adequado. Na consulta, a mãe pergunta sobre água e vitaminas. A orientação correta é:
2.FundamentalCriança de 2 anos com quadro viral há 2 dias passa a ter tosse metálica, voz rouca e estridor em repouso, com tiragem subesternal. Além de oxigênio e mantê-la calma, o tratamento é:
3.AvançadoCriança de 2 anos com diarreia aquosa há 3 dias chega sonolenta, com olhos muito fundos, prega cutânea com retorno em 3 s e pulso fino; glicemia 46 mg/dL. Após duas tentativas frustradas de SRO por vômitos, a conduta é:
4.Prova difícilMenina de 3 anos com febre, vômitos e rigidez de nuca; PL mostra 1.800 células com 85% de neutrófilos, glicose 28 mg/dL, proteínas 240 mg/dL; vacinada em dia (pentavalente, VPC, MenC). A conduta correta é:
5.IntermediárioRN a termo recebe alta com 36 h de vida; a mãe relata que amamenta pouco por “leite fraco” e o RN mama 4–5 vezes/dia. A conduta de seguimento correta conforme AAP 2022 é:
6.AvançadoPré-escolar de 4 anos com síndrome nefrótica em uso de prednisolona diária há 10 dias retorna com dor abdominal difusa, febre 38,8 °C e ascite leve; diurese presente, sem defesa abdominal localizada. Conduta:
7.IntermediárioCriança de 16 meses chega à emergência convulsionando há 6 minutos; mãe relata febre desde a manhã. Glicemia 88 mg/dL; acesso venoso obtido. Primeira medida farmacológica:
Gabarito rápido
1-B · 2-A · 3-B · 4-A · 5-B · 6-B · 7-B
Referencial teórico
33 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoVictora CG, Bahl R, Barros AJD, et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. Lancet. 2016;387(10017):475–490.doi.org/10.1016/S0140-6736(15)01024-7
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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