Baseado nos artigos publicados da matéria Metodologia Científica e Comunicação da Central de Estudos (fonte principal) e em fontes complementares com DOI — ICMJE, BMJ (PRISMA 2020, PRISMA-S, CONSORT 2010, Docherty & Smith), JAMA (Declaração de Helsinque, Chan 2004), Science (TOP Guidelines, OSC 2015, Baker 2016), PLOS (Weissgerber, Head, Ioannidis, Fraser), Spine/J Clin Epidemiol (Beaton, COSMIN, Terwee) e SciELO (Alexandre & Coluci, Amorim) — além do marco legal brasileiro (CNS 466/2012, PNE/Lei 13.005/2014, CNE/CES 7/2018). Resumo didático — na pesquisa real, confira sempre a versão vigente de cada norma.
01
Pergunta de pesquisa, PICO e busca bibliográfica
FINER · PICO/PICOT · tipo de pergunta × desenho · bases (PubMed, Embase, LILACS, CENTRAL) · MeSH/DeCS · booleanos · sensibilidade × precisão · PRISMA-S e PRESS
com o que se compara (placebo, cuidado usual, outra técnica)
cuidado habitual sem exercício estruturado
O — Desfecho (Outcome)
o que se mede no fim
reinternação hospitalar em 12 meses
T — Tempo / Tipo de estudo (opcional)
prazo de seguimento ou desenho desejado
12 meses · ensaio randomizado
A pergunta completa: em idosos com insuficiência cardíaca, o exercício domiciliar supervisionado reduz reinternação hospitalar em 12 meses comparado ao cuidado habitual? Nem toda pergunta tem C (perguntas de diagnóstico e prognóstico frequentemente não têm comparador) — e O é desfecho, nunca objetivo. Perguntas de contexto (background) são gerais; perguntas PICO (foreground) são específicas e são as que a literatura responde por busca estruturada.
Qual desenho responde à pergunta?
Qual é o TIPO da pergunta clínica?
▼
TERAPIA/INTERVENÇÃO
Melhor evidência: ensaio clínico randomizado (e metanálise de ECRs).
Ex.: exercício domiciliar reduz reinternação?
DIAGNÓSTICO
Estudo transversal com padrão de referência, calculando sensibilidade, especificidade e valores preditivos.
Ex.: a PCR point-of-care detecta infecção bacteriana?
PROGNÓSTICO
Coorte: acompanha expostos/não expostos no tempo até o desfecho.
Ex.: fração de ejeção reduzida prevê mortalidade em 5 anos?
ETIOLOGIA/DANO (desfecho raro ou exposição rara)
Coorte para exposição rara; caso-controle para desfecho raro (parte do desfecho e olha para trás).
Ex.: profissional de saúde exposto a agulhas tem mais hepatite B?
2. Hierarquia de evidências (para perguntas de terapia)
Nível
Desenho
Nota de prova
1
Metanálise de ensaios clínicos randomizados
soma poder; depende da qualidade dos estudos incluídos
2
Ensaio clínico randomizado
controla confusão pelo aleatorizador; padrão-ouro de intervenção
3
Coorte
segue no tempo; mede incidência; sujeito a perdas e confusão
4
Caso-controle
olha para trás; rápido e barato; sujeito a viés de memória
5
Transversal
fotografia de prevalência; não estabelece causalidade
6
Série de casos / relato / opinião de especialista
gera hipótese, não testa
3. Bases de dados: onde buscar
Base
Mantenedora / vocabulário
Nota de prova
PubMed / MEDLINE
NLM (gratuito) · MeSH
a porta de entrada; PubMed indexa MEDLINE e mais conteúdo em processamento
Embase
Elsevier · Emtree
forte em farmacologia e literatura europeia; complementar ao MEDLINE
LILACS / BVS
BIREME · DeCS
literatura latino-americana; DeCS é o vocabulário em português/espanhol alinhado ao MeSH
Cochrane Library / CENTRAL
Cochrane
registro bibliográfico de ensaios controlados; base obrigatória em revisões Cochrane
SciELO
programa brasileiro, desde 1997
acesso aberto diamante; boa para produção nacional
Google Scholar / literatura cinzenta
buscador acadêmico
complementa; não substitui busca estruturada em bases indexadas
4. Como montar a estratégia (passo a passo)
Para revisões sistemáticas no padrão Cochrane (padrão MECIR do Handbook), o mínimo obrigatório é buscar em CENTRAL, MEDLINE e Embase, complementando com LILACS, busca manual de referências e registros de ensaios clínicos. O fluxo de identificação/remoção de duplicatas/inclusão vai no diagrama do PRISMA 2020.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalEstudante formula: “Pacientes com melanoma espessura > 1 mm submetidos a biópsia de linfonodo sentinela evoluem com menor mortalidade em 5 anos?” O desenho que melhor responde a essa pergunta é:
2.IntermediárioAo buscar evidências para “exercício domiciliar reduz reinternação em idosos com insuficiência cardíaca?”, o estudante recuperou apenas 12 estudos e percebeu que perdeu trabalhos relevantes. Qual ajuste aumenta a SENSIBILIDADE da estratégia sem destruir a precisão?
anatomia do artigo · funil da introdução · métodos que permitem reprodução · resultados sem interpretação · discussão estruturada · título e resumo · autoria ICMJE · plágio e suas formas
IMRAD
4 seções
Introdução · Métodos · Resultados · Discussão
Discussão
7 parágrafos
espinha dorsal proposta por Docherty & Smith (BMJ)
Autoria ICMJE
4 critérios
cumulativos e obrigatórios
Resumo
estruturado
Objetivo · Métodos · Resultados · Conclusão
1. Seção a seção: função e erro clássico
Seção
O que contém
Erro clássico
Título e resumo
título específico, sem abreviações; resumo estruturado com n e desfecho principal
título vago (“Estudo sobre hipertensão”); resumo sem números
Introdução
funil: contexto conhecido → lacuna → objetivo NA ÚLTIMA frase
revisão de literatura interminável; objetivo perdido no meio
Métodos
desenho, cenário, participantes, desfecho primário, tamanho amostral, análise — em passado, com detalhe que permita REPRODUZIR
omitir critérios de inclusão/exclusão, cálculo amostral e desfecho primário
Resultados
achados sem interpretação, com fluxo de participantes, tabelas e figuras autoexplicativas
interpretar (“surpreendentemente, isso ocorre porque…”); duplicar a tabela inteira no texto
Discussão
achado principal → comparação com a literatura → forças/limitações → implicações → perguntas em aberto → conclusão
repetir os Resultados; inflar implicações além dos dados; esconder limitações
2. Autoria: os 4 critérios do ICMJE
1. Contribuição substancial para a concepção/desenho, ou para a aquisição, análise ou interpretação dos dados.
2. Redação do artigo OU revisão crítica relevante do conteúdo intelectual.
3. Aprovação final da versão a ser publicada.
4. Responsabilidade (accountability) por todos os aspectos do trabalho.
Os 4 são cumulativos: quem não cumpre TODOS vai para os AGRADECIMENTOS (com consentimento) — não recebe autoria honorária, nem de “chefia”, nem de “quem mais trabalhou”. Autoria fantasma (ghost) e de presente (guest) são má conduta.
3. Plágio e integridade na publicação
Forma
O que é
Como se protege
Plágio direto
copiar texto sem aspas nem crédito
citar com aspas + referência, inclusive trechos curtos
Mosaicismo (parafraseio)
trocar palavras mantendo a estrutura/ideia alheia sem crédito
parafrasear de fato E citar a fonte da ideia
Autoplágio
reutilizar texto próprio já publicado como se fosse inédito
declarar e citar a publicação anterior; respeitar direitos autorais
Plágio de ideias
apropriar hipótese/método de colega (ex.: de revisor ou orientador)
documentar autoria de ideias; registar contribuições
Fabricação/falsificação
inventar dados ou manipulá-los
guardar dados brutos e cadeia de custódia; segue para o módulo de ciência aberta
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalAo revisar um manuscrito, o avaliador lê nos Resultados: “Nossos achados são surpreendentes e podem ser explicados por um mecanismo inflamatório ainda não descrito.” O problema e o destino correto do conteúdo:
2.AvançadoEm um estudo, uma técnica de laboratório executou todas as coletas e parte das dosagens; não participou da concepção, da análise, da redação ou da revisão crítica, e não aprovou a versão final. Ela pede autoria. Pelo ICMJE:
marcos históricos (Nuremberg → Helsinque → Belmont) · Resolução CNS 466/2012 · sistema CEP-CONEP e Plataforma Brasil · TCLE e grupos vulneráveis · áreas temáticas especiais · Lei 14.874/2024
Nuremberg
1947
código: consentimento voluntário é absoluto
Helsinque
1964
WMA; revisão de 2013 em Fortaleza
Belmont
1979
autonomia · beneficência · justiça
CNS 466
2012
diretrizes vigentes; lei 14.874/2024 consolida o sistema
1. Marcos históricos (a linha do tempo que cai)
Marco
Ano
Contribuição
Código de Nuremberg
1947
consentimento voluntário e essencial; base de tudo que veio depois
Declaração de Helsinque (WMA)
1964
ética da pesquisa médica; revisões sucessivas (a de 2013 ocorreu em Fortaleza, Brasil)
Relatório Belmont
1979
3 princípios: respeito às pessoas (autonomia), beneficência/não maleficência, justiça
Diretrizes CIOMS/OMS
2016 (4ª ed.)
versão internacional para pesquisa em saúde, incluindo países em desenvolvimento
Resolução CNS 196
1996
criou o sistema CEP-CONEP no Brasil
Resolução CNS 466
2012
diretrizes e normas regulamentadoras vigentes de pesquisa com seres humanos
Lei 14.874
2024
converte a avaliação ética e o sistema CEP-CONEP em política de Estado
2. Resolução CNS 466/2012: o que ela exige
Define pesquisa envolvendo seres humanos de forma ampla — INCLUI pesquisa com dados identificáveis (prontuários, bases).
Fundamentos: autonomia (respeito à dignidade e autodeterminação), não maleficência e beneficência (máximo benefício com mínimo risco) e justiça e equidade.
Toda pesquisa inicia somente APÓS parecer de CEP registrado na CONEP — sem exceção para estudos retrospectivos ou sem intervenção.
TCLE obrigatório, salvo situações previstas na própria resolução (sempre decididas pelo CEP, nunca pelo pesquisador).
Grupos com proteção específica: crianças e adolescentes (consentimento do responsável + assentimento), gestantes, povos indígenas e comunidades tradicionais, pessoas institucionalizadas e com deficiência.
Áreas temáticas especiais (ex.: pesquisas com povos indígenas e genética humana) têm apreciação obrigatória também na CONEP.
Uso de placebo quando existe intervenção eficaz consagrada é fortemente restrito — exige justificativa e salvaguardas (Helsinque, art. 33).
Fluxo de aprovação ética no Brasil
Protocolo submetido na Plataforma Brasil ao CEP da instituição proponente — qual o caminho?
▼
TEMA COMUM → parecer do CEP encerra a análise
Aprovação (ou pendência com emendas) → coleta pode iniciar.
Pesquisador deve manter relatórios (inclusive o final) e submeter toda alteração como emenda.
ÁREA TEMÁTICA ESPECIAL → CONEP também aprecia
Ex.: povos indígenas, genética humana, novos equipamentos e dispositivos em seres humanos.
O parecer do CEP local é necessário, mas não suficiente.
COLETAR ANTES DA APROVAÇÃO
Infração ética — inclusive análise retrospectiva de prontuários sem parecer.
Dados coletados sem aprovação não são publicáveis em periódico sério (ICMJE exige aprovação ética descrita nos Métodos).
3. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
Elemento do TCLE
Conteúdo
O que é a pesquisa
justificativa, objetivos e procedimentos em linguagem acessível
Riscos e desconfortos
listados de forma realista, com condutas em caso de dano
Benefícios e alternativas
o que se espera; opções existentes fora do estudo
Liberdade
direito de recusar ou RETIRAR o consentimento a qualquer momento, sem penalização e sem prejuízo ao cuidado
Sigilo e indenização
garantia de confidencialidade e indenização por danos decorrentes da pesquisa
Contatos
do pesquisador e do CEP responsável
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioPesquisador pretende revisar 500 prontuários para descrever desfechos de uma doença, sem qualquer intervenção ou contato com pacientes, e afirma que “pesquisa retrospectiva e documental não precisa de CEP”. A afirmação está:
2.Prova difícilProtocolo de pesquisa com uma comunidade indígena na Amazônia foi submetido ao CEP da universidade proponente. Além do parecer consubstanciado do CEP institucional, a apreciação obrigatória envolve:
crise de reprodutibilidade em números · p-hacking e HARKing · relato seletivo e viés de publicação · pré-registro e TOP guidelines · acesso aberto (ouro, diamante, verde) · preprints (arXiv, bioRxiv, medRxiv)
OSC 2015
36%
das replicações significativas (97% nos originais)
Baker 2016
70%
dos pesquisadores falharam em reproduzir estudo alheio
Simmons 2011
61%
falso-posititivo com flexibilidade analítica
medRxiv
2019
arXiv 1991 · bioRxiv 2013 · medRxiv 2019
1. A crise de reprodutibilidade em números
Estudo
Achado
Open Science Collaboration (Science, 2015)
100 experimentos de psicologia replicados com poder adequado: 97% dos estudos originais tinham p < 0,05; apenas 36% das replicações — e os efeitos das replicações ficaram em cerca da METADE dos originais
Baker (Nature, 2016)
mais de 70% dos ~1.500 pesquisadores entrevistados já falharam em reproduzir experimento de outro grupo; mais da metade falharam em reproduzir o PRÓPRIO experimento
Ioannidis (PLoS Med, 2005)
com amostras pequenas, efeitos modestos, flexibilidade analítica e conflitos de interesse, a maioria dos achados publicados em campos quentes pode ser falsa
2. As práticas que fabricam falsos positivos
Prática
O que é
Salvaguarda
p-hacking
testar análises, subgrupos e desfechos até surgir p < 0,05 (Head, PLoS Biol 2015: disseminada, embora em geral discreta)
pré-registro do plano de análise; relatar TODAS as análises
HARKing
formular a hipótese DEPOIS de ver os dados e apresentá-la como a priori
registro de hipóteses antes da coleta (OSF, ClinicalTrials.gov)
Relato seletivo de desfechos
reportar só o desfecho que deu significativo (Chan, JAMA 2004: comparou protocolos a publicações)
protocolo público com desfechos primário/secundários fixados
Viés de publicação
estudos negativos engavetados — a literatura fica enviesada para o positivo (gaveta de arquivo)
registros de resultados; periódicos que publicam resultados nulos; revisões que buscam literatura cinzenta
Publicação salami
fatiar um estudo em vários artigos mínimos
declaração de publicações derivadas do mesmo banco
3. As soluções do movimento de ciência aberta
Pré-registro de estudos e de planos de análise (OSF, ClinicalTrials.gov) — hipóteses e análises datadas ANTES dos dados.
Registered Reports — o artigo é aceito ANTES dos resultados: publica-se o que foi encontrado, negativo ou positivo.
TOP Guidelines (Nosek, Science 2015): 8 padrões de transparência (citação, dados, métodos analíticos/código, materiais, desenho e análise, pré-registro do estudo, pré-registro do plano de análise, replicação) em 3 níveis de exigência.
Dados e códigos abertos, seguindo os princípios FAIR (localizáveis, acessíveis, interoperáveis, reutilizáveis).
Revisão por pares aberta e relato de revisões — o processo também é público.
4. Acesso aberto e preprints
Modelo
O que é
Exemplo/nota
Ouro
revista de acesso aberto; às vezes cobra APC do autor
PLOS, BMC, SciELO (sem APC)
Diamante
acesso aberto SEM custo para autor nem leitor
SciELO, desde 1997, no Brasil
Verde
versão depositada em repositório (institucional/temático)
universidades; repositórios nacionais
Híbrido
periódico por assinatura que abre artigos isolados (muitas vezes com APC)
modelo criticado pelo movimento aberto
Preprint é o manuscrito depositado em servidor público ANTES (ou independentemente) da revisão por pares: recebe DOI e é citável, mas NÃO é publicação revisada. Servidores: arXiv (1991, física/matemática), bioRxiv (2013) e medRxiv (2019). Na pandemia de COVID-19, o preprinting explodiu — antecipou ciência útil, mas também expôs o público a achados não revisados que a mídia tratou como definitivos (Fraser, PLoS Biol 2021).
Encontrei um preprint — como usar?
O manuscrito está depositado em servidor de preprint (medRxiv, bioRxiv, arXiv). Qual a conduta?
▼
EXISTE VERSÃO PUBLICADA APÓS REVISÃO
Citar a versão do periódico (revisada e, se houve, corrigida).
O preprint vira histórico do processo, não a fonte principal.
SÓ EXISTE O PREPRINT
Usar com cautela, citando explicitamente como preprint (não revisado por pares).
Não basear conduta clínica ou política em preprint isolado; checar metodologia e atualizações.
PREPRINT RETATADO OU COM ALERTA
Descartar — servidores retratam preprints, e a mídia raramente noticia a retratação.
Sempre buscar no registro se houve publicação posterior com correção.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioNa discussão de um trabalho, o grupo cita: “conforme publicado no BMJ (medRxiv, 2024)”. O erro:
2.AvançadoUm ensaio planejou 10 desfechos secundários; o artigo final reporta apenas o único com p = 0,04 e omite os demais. A prática e a salvaguarda correspondente são:
construto e construção de itens · validade de conteúdo · adaptação transcultural (Beaton, ISPOR) · propriedades psicométricas (COSMIN) · alfa de Cronbach · escalas Likert
Beaton
5 estágios
adaptação transcultural de instrumentos
Pré-teste
30–40
pessoas da população-alvo (estágio 5 de Beaton)
Alfa de Cronbach
≥ 0,70
piso usual para consistência interna
COSMIN
3 domínios
validade · confiabilidade · responsividade
Construir ou adaptar?
Preciso de um instrumento para o meu construto. Qual o caminho?
▼
JÁ EXISTE INSTRUMENTO NO ESTRANGEIRO
Adaptação transcultural (Beaton, 5 estágios) + verificação das propriedades na nova cultura.
Nunca traduzir sozinho e aplicar direto.
JÁ EXISTE VERSÃO BRASILEIRA VALIDADA
Usar a versão validada, citando o estudo de validação.
Checar se a população (idade, clínica) se assemelha à sua.
NÃO EXISTE INSTRUMENTO
Construção: definição do construto e domínios → geração de itens (teoria + população) → validade de conteúdo com juízes → pré-teste cognitivo → estudo de validação (fatorial, confiabilidade).
É o caminho mais longo — justifique por que os existentes não servem.
1. Adaptação transcultural: os 5 estágios de Beaton (Spine, 2000)
1. Tradução inicial por 2 tradutores independentes (um conhecedor do construto, um leigo ao tema de saúde).
2. Síntese das duas traduções em uma versão consensual, documentando decisões.
3. Retrotradução (back-translation) por 2 tradutores fluentes, CEGOS à versão original — é o controle de qualidade semântico.
4. Comitê de especialistas (metodologistas, clínicos, tradutores) consolida a versão pré-final.
5. Pré-teste da pré-final em 30 a 40 pessoas da população-alvo, com entrevistas cognitivas.
As diretrizes ISPOR (Wild, 2005) organizam os princípios de boa prática do mesmo processo; a validação psicométrica vem DEPOIS da adaptação.
2. Propriedades psicométricas (taxonomia COSMIN)
Propriedade
O que avalia
Como se avalia
Validade de conteúdo
os itens cobrem todo o construto, na perspectiva da população
julgamento de juízes/especialistas e de pacientes; índices como o CVI
Validade de construto — estrutural
a estrutura de fatores reproduz a teoria
análise fatorial (exploratória/confirmatória)
Validade convergente/discriminante
correlaciona com instrumentos relacionados e diferencia de não relacionados
hipóteses pré-especificadas testadas com correlações
Validade de critério
concorda com padrão de referência
correlação/acordo com o gold standard, quando existe
Consistência interna
homogeneidade dos itens de uma escala unidimensional
alfa de Cronbach (piso usual ≥ 0,70)
Confiabilidade teste-reteste
estabilidade no tempo com participante estável
coeficiente de correlação intraclasse (CCI)/kappa
Erro de medida
magnitude do erro em unidades do instrumento
erro padrão de medida, acordo
Responsividade
capacidade de detectar mudança real ao longo do tempo
mudança esperada em intervenções conhecidas
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalEstudante traduziu sozinho, do inglês para o português, uma escala de ansiedade validada nos EUA e a aplicou em sua amostra brasileira. O problema:
2.AvançadoUm novo questionário de qualidade de vida exibe alfa de Cronbach 0,92, porém correlaciona-se fracamente com o instrumento de referência e a análise fatorial revela 6 fatores onde a teoria previa 1. A conclusão correta:
revisões sistemáticas (com fluxo de identificação/seleção)
27
Rede EQUATOR
repositório que reúne todas as diretrizes de relato por desenho de estudo
—
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioFigura de TCC: gráfico de barras com média ± erro padrão da média comparando dois grupos de n = 8 em um desfecho contínuo. A crítica metodológica correta (Weissgerber, PLoS Biol 2015):
2.Prova difícilApresentação de indústria: sobrevida global de 95% (droga nova) contra 92% (padrão), com eixo Y iniciando em 90% e escala ampliada, sugerindo grande diferença. A distorção e a correção:
marco legal (CF art. 207, PNE, Res. CNE/CES 7/2018) · mínimo de 10% da carga horária · princípios e tipologias · extensão × assistencialismo · extensão na formação médica
Carga horária
≥ 10%
do total do curso em extensão (piso legal)
CF art. 207
1988
indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão
PNE
2014–2024
meta 12, estratégia 12.7: 10% dos créditos
Res. CNE/CES
7/2018
diretrizes e universalização da extensão
1. Marco legal (a linha que cai em prova de curso)
Norma
O que estabelece
Constituição Federal, art. 207 (1988)
autonomia universitária e princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão
Política Nacional de Extensão (FORPROEX, 2012)
conceito, princípios e tipologias da extensão no Brasil
Lei 13.005/2014 (PNE 2014–2024), meta 12, estratégia 12.7
prever no mínimo 10% do total de créditos curriculares da graduação em programas e projetos de extensão
DCN de Medicina (Res. CNE/CES 3/2014)
exigem inserção do estudante na rede de atenção e no território (SUS e comunidade)
Resolução CNE/CES 7/2018
diretrizes para a extensão: atividade curricular OBRIGATÓRIA, com no mínimo 10% da carga horária total dos cursos, registrada no PPC
A atividade configura extensão universitária?
A proposta articula universidade e sociedade com intencionalidade pedagógica?
▼
SIM — interação dialógica planejada
Objetivos educativos definidos + integração com ensino/pesquisa + participação da comunidade + avaliação.
Vira extensão CURRICULAR: carga horária no PPC, supervisão docente, avaliação do estudante e da atividade.
SÓ PRESTAÇÃO DE SERVIÇO/COMBATE PONTUAL
Aferir pressão na praça sem plano pedagógico nem ação com a comunidade = assistencialismo/prestação isolada.
Não configura extensão curricular, ainda que socialmente útil.
ESTÁGIO REMUNERADO OU TRABALHO VOLUNTÁRIO SOLTOS
Estágio segue legislação própria; voluntariado sem vínculo pedagógico não entra como extensão.
Extensão não é sinônimo de trabalho gratuito — é atividade formativa avaliada.
2. Princípios e tipologias
Princípios: indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão; diálogo e bidirecionalidade (a sociedade também ensina); participação social; avaliação de processo e impacto.
Tipologias clássicas (FORPROEX): projetos, programas, cursos, eventos, prestação de serviços e centros/núcleos de extensão — instituições podem reconhecer outras (ex.: práticas jurídicas).
O projetista responde: qual necessidade da comunidade (diagnóstico participativo), qual objetivo educativo, como ensino e pesquisa se integram, como se avalia.
3. Por que isso na formação médica
As DCN de Medicina de 2014 já direcionam o estudante ao território e ao SUS desde os primeiros anos — a curricularização dá lastro institucional a essa inserção.
Extensão em saúde: educação em saúde comunitária, ações planejadas com a equipe e a comunidade, grupos de apoio, programas federais de educação pelo trabalho (linha PET-Saúde).
Habilidade que a extensão treina e a grade convencional não: comunicação com o público leigo, escuta das necessidades reais, determinantes sociais da saúde in loco.
O estudante de 1º ano encontra na extensão o primeiro contato com a prática — com planejamento, supervisão e avaliação, em vez de improviso.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalA exigência de reservar no mínimo 10% da carga horária dos cursos de graduação para atividades de extensão está regulamentada, entre outras normas, pela:
2.IntermediárioEstudantes realizam um “mutirão de aferição de pressão arterial” em uma praça: sem objetivos pedagógicos estruturados, sem planejamento com a comunidade e sem avaliação. Sob a Res. CNE/CES 7/2018 e a Política Nacional de Extensão, a atividade:
estrutura de 7 parágrafos, abrindo com o achado principal
Autoria ICMJE
4 critérios cumulativos e obrigatórios
Reprodutibilidade
OSC 2015: 97% dos originais × 36% das replicações significativas, efeitos à metade · Baker 2016: 70% falharam em reproduzir estudo alheio
Flexibilidade analítica
Simmons 2011: falso-posititivo de até 61%
Adaptação transcultural
Beaton: 5 estágios · pré-teste com 30 a 40 pessoas
Alfa de Cronbach
≥ 0,70 como piso usual de consistência interna
Ética — marcos
Nuremberg 1947 · Helsinque 1964 (rev. 2013 em Fortaleza) · Belmont 1979 · CNS 466/2012 · Lei 14.874/2024
Preprints
arXiv 1991 · bioRxiv 2013 · medRxiv 2019
Extensão
mínimo de 10% da carga horária (PNE meta 12.7 + Res. CNE/CES 7/2018)
Macetes que salvam
Macete
Regra
OR soma, AND corta
sinônimos dentro do conceito com OR (sensibilidade); conceitos entre si com AND (precisão); NOT quase nunca.
PICO vira busca
cada letra é um bloco conceitual da estratégia — pergunta e busca são o mesmo objeto.
Em cima a tabela, embaixo a figura
título acima da tabela, legenda abaixo da figura, sempre com N e unidades.
Discussão em espiral
abre com o achado principal em uma frase e fecha com a mensagem para levar — nada de repetir Resultados.
DP descreve, EPM estima
gráfico descritivo da amostra pede DP; melhor ainda, os pontos individuais (Weissgerber).
10% é piso
curricularização: mínimo legal de carga horária em extensão, registrado no PPC e com avaliação.
As pegadinhas mais cobradas
O de PICO é Outcome (desfecho), não Objective — e o C pode não existir em perguntas de diagnóstico e prognóstico.
Google Scholar não substitui PubMed/Embase/LILACS/CENTRAL numa busca estruturada para revisão.
Interpretar achado dentro de Resultados: mecanismo e implicação vivem na Discussão.
Coletar dados sem redigir/revisar/aprovar não confere autoria (ICMJE): o destino são os agradecimentos.
Coletar antes do parecer do CEP é infração ética — inclusive análise retrospectiva de prontuários.
Preprint não passou por revisão por pares: citar como preprint e checar versão posterior ou retratação.
p < 0,05 não é verdade nem relevância clínica — com flexibilidade, falso-posititivo chega a 61%.
Tradução de escala estrangeira não é validação; só a adaptação transcultural com propriedades medidas autoriza o uso.
Alfa de Cronbach alto não garante validade — consistência interna é uma propriedade, não todas.
Eixo Y truncado e barras com EPM exageram diferenças que não existem.
Aferir pressão na praça sem plano pedagógico é assistencialismo, não extensão curricular.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda pesquisa começa por uma pergunta estruturada (PICO) — e a busca estruturada é a tradução dela em blocos OR/AND documentados (PRISMA-S).
Toda pesquisa com seres humanos — inclusive dados secundários de prontuário — passa pelo CEP antes da coleta; áreas temáticas especiais passam também pela CONEP.
Toda discussão abre pelo achado principal; Resultados não interpretam; autoria exige os 4 critérios do ICMJE.
Toda escala aplicada no Brasil precisa de versão com adaptação transcultural e propriedades psicométricas documentadas para a população-alvo.
Todo manuscrito depositado em servidor de preprint permanece não revisado por pares até (e se) publicar.
Toda escolha de gráfico parte do tipo de variável e do objetivo; dado contínuo com n pequeno pede pontos/boxplot, não barras com erro padrão.
Toda graduação reserva no mínimo 10% da carga horária à extensão curricularizada — interação dialógica, não assistencialismo.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Analisou subgrupos até aparecer p < 0,05
p-hacking
Hipótese formulada depois de ver os dados
HARKing
Estudo negativo engavetado
viés de publicação
Retrotradução feita por tradutores cegos à versão original
adaptação transcultural (Beaton)
Representante de usuários no comitê de ética
CEP/CONEP (R466/2012) — controle social
Pesquisa com povos indígenas
área temática especial — apreciação na CONEP
Manuscrito depositado no medRxiv
preprint sem revisão por pares
Barras com média ± EPM em n pequeno
apresentação inadequada de dados contínuos (Weissgerber)
Mínimo de 10% da carga horária do curso
curricularização da extensão (Res. CNE/CES 7/2018)
Prova final — bateria geral
7 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.Fundamental“Em adultos com diabetes tipo 2 (P), a metformina (I) comparada à dieta isolada (C) reduz eventos cardiovasculares (O).” Sobre essa estrutura:
2.IntermediárioPela estrutura clássica da Discussão (Docherty & Smith, BMJ 1999), o primeiro parágrafo deve:
3.IntermediárioAssinado o TCLE, o participante de uma pesquisa longitudinal:
4.AvançadoNo projeto da Open Science Collaboration (Science, 2015), 100 estudos experimentais de psicologia foram replicados com poder estatístico adequado. A proporção de REPLICAÇÕES com resultado estatisticamente significativo foi de aproximadamente:
5.IntermediárioO alfa de Cronbach avalia, em um questionário:
6.FundamentalNa apresentação formal de dados (padrão Vancouver/ABNT), a convenção correta é:
7.IntermediárioO princípio constitucional que sustenta a curricularização da extensão (indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão) está no:
Gabarito rápido
1-B · 2-B · 3-A · 4-D · 5-B · 6-A · 7-C
Referencial teórico
25 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoda Costa Santos CMC, Milagres MC, Nobre MS. The PICO strategy for the research question construction and evidence search. Rev Latino-Am Enfermagem. 2007;15(3).doi.org/10.1590/S0104-11692007000300023
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diretriz / revisãoBrasil. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CES nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira. Diário Oficial da União.
notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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