Baseado no conhecimento canônico do pronto-socorro de urgência hospitalar e nas diretrizes e estudos fundadores vigentes — AHA 2020 (CPR/ECC), ATLS 10ª edição, ESC 2020 (SCA sem supra), AHA/ACC 2021 (dor torácica), AHA/ASA 2019 (AVC isquêmico), Surviving Sepsis Campaign 2021 e ensaios clínicos de referência (todos com DOI verificado no Crossref). Resumo de estudo — na conduta real, siga o protocolo institucional e a versão vigente das diretrizes.
01
Fluxo do PS e classificação de risco
acolhimento com classificação de risco · Manchester: cores e tempos · discriminadores · colas do plantão (NEWS2, qSOFA) · decisão de plantão: alta, observação, internação
Vermelho
0 min
atendimento imediato — risco de vida
Laranja
≤ 10 min
muito urgente — tempo alvo de consulta
Amarelo
≤ 60 min
urgente
Verde / Azul
120 / 240 min
padrão / não urgente
1. O fluxo da porta para dentro
Acolhimento imediato com classificação de risco para todos os pacientes que chegam — o registro do horário de chegada e da cor abre o direito ao tempo alvo de atendimento.
No Brasil, a classificação de risco é considerada ato médico privativo pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM nº 2.158/2004) — a enfermagem faz o acolhimento e a coleta, a definição de risco clínico é médica.
Reavaliação contínua: a cor não é vitalícia — paciente que piora na sala de espera (dor, sudorese, rebaixamento, taquipneia) é retríado e sobe de categoria.
Rede de atenção às urgências: regulação médica (SAMU 192, complexo regulador) para leitos de UTI e procedimentos de alta complexidade; o PS do internato é o destino ou a origem dessas decisões.
Cor (Manchester)
Categoria
Tempo alvo de consulta médica
Vermelho
imediato
0 min — risco de vida, atendimento já
Laranja
muito urgente
até 10 min
Amarelo
urgente
até 60 min
Verde
padrão
até 120 min
Azul
não urgente
até 240 min
2. As colas do plantão: escalas de apoio à decisão
5–6 (ou um parâmetro em 3) = reavaliação urgente; ≥ 7 = resposta de emergência e escalonamento do nível de cuidado
qSOFA
FR ≥ 22/min · PAS ≤ 100 mmHg · alteração do nível de consciência
≥ 2 de 3 = risco elevado de mau desfecho no paciente suspeito de infecção (Sepsis-3) — gatilho para o pacote da primeira hora
Glasgow
ocular (4) + verbal (5) + motora (6)
≤ 8 = proteger a via aérea; 9–12 = vigilância estreita; resposta motora é a que melhor prevê desfecho
3. Decisões de plantão: alta, observação ou internação
Paciente já avaliado — qual a destinação?
O paciente está estável e com diagnóstico de trabalho definido?
▼
Estável + baixo risco estruturado + alta segura possível
ALTA: plano por escrito, sinais de alarme, analgesia, retorno 24–48 h e rede de suporte confirmada.
Estável agora, mas risco de deterioração ou diagnóstico não fechado
OBSERVAÇÃO: dor torácica de risco intermediário, TCE menor em anticoagulado, intoxicação com risco de recaída, asma pós-crise (reavaliar em 1 h), sincope de risco intermediário, dor abdominal mal definida.
Reavaliar vitais e exame a cada 1–2 h; repetir exames conforme o alvo (troponina, lactato, repetição de Glasgow).
Disfunção de órgão, necessidade de via aérea/monitores ou sem alta segura
INTERNAR (enfermaria ou UTI conforme gravidade) e ativar a regulação quando o leito estiver fora do serviço.
Critérios de UTI: instabilidade hemodinâmica com vasopressor, via aérea avançada/VM, rebaixamento sem proteção, disfunção multiorgânica em curso.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalPaciente classificado como MUITO URGENTE (laranja) pelo Protocolo de Manchester deve ser atendido por médico em tempo alvo de:
2.IntermediárioHomem, 52 anos, hipertenso e tabagista, dor torácica atípica há 3 h. ECG sem alterações isquêmicas, HEART 5 (história moderadamente suspeita + 1 fator de risco + idade 45–64 + ECG normal + troponina de chegada negativa). Conduta de plantão:
02
ABCDE e a primeira avaliação do instável
varredura em ordem de letalidade · letra por letra · ddx do instável por sistema · ECG de rotina · glicemia em todo rebaixamento · escalonamento e chamar o especialista
GCS
≤ 8
proteger a via aérea
Recarga capilar
> 2 s
hipoperfusão — letra C
Glicemia
todo rebaixado
coma é hipoglicemia até prova contrária
ECG
todo instável
arritmia muda a conduta em minutos
1. Letra por letra no pronto-socorro
A — via aérea: fala normal é proxy de via permeável; estridor, tiragem, suor e postura de defesa (sentado, inclinado para frente) = obstrução iminente. Angioedema com estridor: via aérea definida PRECOCE (intubação ou via cirúrgica) — esperar o edema fechar é perder a janela.
B — respiração: SpO₂, FR e ausculta sistemática. Fisiopatias que matam: tensão-pneumotórax (diagnóstico CLÍNICO — descomprimir antes de imagem), hemotórax, consolidação difusa (SDRA), sibilância difusa (asma grave com silêncio torácico = piora, não melhora).
C — circulação: FC e regularidade, pulso central, pele (fria/quente, recarga), jugulares (colapsadas × cheias), sangramento externo, 2 acessos periféricos calibrosos (16–18 G); ECG de 12 derivações é exame da letra C em todo instável.
D — incapacidade: Glasgow, pupilas, foco motor, glicemia IMEDIATA em todo rebaixamento; convulsão em curso > 5 min = status — benzodiazepínico IV.
E — exposição: despir e examinar por inteiro (costas incluídas), temperatura, pele (urticária = anafilaxia; petéquias purpurantes = meningococo; cicatrizes de venopunção = usuário de drogas).
Sistema
Causas que matam em minutos
Achado-chave
Via aérea
angioedema, corpo estranho, hematoma de pescoço
estridor, voz abafada, tiragem
Respiratório
tensão-pneumotórax, TEP maciço, asma grave, hemotórax maciço
murmúrio ausente + hipotensão; tórax silencioso
Cardiovascular
arritmia grave, IAM, tamponamento cardíaco
ECG com arritmia/supra; jugulares cheias com hipotensão
Circulatório
hemorragia oculta, sepse, anafilaxia
pele fria e mosqueada, recarga > 2 s, lactato alto
Neurológico
TCE com herniação, AVC de tronco, status epiléptico não convulsivo
anisocoria, postura anormal, GCS caindo
Metabólico/tóxico
hipoglicemia, opioide, antidepressivo tricíclico
glicemia < 70; miose; QRS > 100 ms no ECG
Paciente instável — por onde começar?
Onde está o problema que ameaça a vida agora?
▼
Via aérea ameaçada / não respira
Manobra de abertura, aspiração, O₂ com bolsa-máscara; ISR quando indicado.
Estridor progressivo/angioedema: chamar a mão mais experiente e preparar via cirúrgica ANTES de falhar.
Hipoxemia ou desconforto intenso
O₂ titulado ao alvo; VNI quando indicado; tensão-pneumotórax = agulha imediata.
2 acessos, volume/sangue conforme o tipo, vasopressor se necessário.
ECG em todo instável: bradi/taquiarritmia instável muda a conduta em minutos.
Rebaixamento sem causa respiratória/circulatória óbvia
Glicemia IMEDIATA; naloxona se suspeita de opioide (miose + depressão respiratória).
Exposição completa, temperatura, tóxicos e síndromes neurológicas em pauta.
2. Escalonar: quando chamar o especialista
Via aérea que falha ou vai falhar (angioedema, queimadura de via aérea, CICO iminente): anestesista/otorrino imediatamente — não gastar tentativas sozinho.
Abdome agudo hipotenso ou sangramento incontrolável: cirurgião na cabeceira, não por telefone.
Déficit neurológico agudo dentro da janela: code stroke ativado na chegada, não após exames.
Instável de causa cardíaca (IAM com supra, arritmia refratária): cardiologista/cirurgião cardíaco e centro de referência.
Comunicação estruturada (SBAR — situação, background, avaliação, recomendação): o escalonamento é competência avaliada no internato e em provas de conduta.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 40 anos, levado ao PS com nível de consciência rebaixado (GCS 10), sem história disponível. Primeiro exame a realizar durante o ABCDE:
2.Prova difícilIdosa, 78 anos, com síncope, FC 30 bpm, PAS 70 mmHg, fria e confusa. ECG: bloqueio AV de 3º grau. Conduta:
03
Parada cardiorrespiratória no plantão (ACLS)
código azul organizado · ritmos: chocável × não chocável · adrenalina e amiodarona na ordem certa · capnografia e POCUS · quando parar · pós-parada (PCIR)
Adrenalina
1 mg IV/IO 3–5/3–5 min
após o 2º choque no ritmo chocável; precoce no não chocável
Amiodarona
300 mg
após o 3º choque; 2ª dose 150 mg após o 5º
PetCO₂
< 10 / > 40 mmHg
compressão ineficaz / sugere ROSC
Ciclo
2 min
compressões contínuas, análise e troca de compressor
1. Reconhecer e começar certo
Diagnóstico: não responde + respiração ausente ou agônica (gasping) — checar pulso central por ≤ 10 s; na dúvida, começar compressões.
Compressão: centro do tórax, 5–6 cm, 100–120/min, retração completa, pausas < 10 s; trocar o compressor a cada 2 min.
Desfibrilador no paciente o quanto antes; compressões continuam enquanto as pás são posicionadas.
Acesso IV/IO sem interromper compressões; via intraóssea é a alternativa imediata quando o IV falha.
Algoritmo da parada — o que diz o monitor?
Qual o ritmo na análise do ciclo de 2 minutos?
▼
CHOCÁVEL — FV / TV sem pulso
Choque bifásico 120–200 J não sincronizado; retomar compressões imediatamente por 2 min (sem checar pulso).
Adrenalina 1 mg IV/IO a cada 3–5 min, entrando APÓS o 2º choque.
Amiodarona 300 mg IV em bolus após o 3º choque; 2ª dose de 150 mg após o 5º (alternativa: lidocaína 1–1,5 mg/kg).
NÃO CHOCÁVEL — assistolia / AESP
Adrenalina 1 mg IV/IO o mais precoce possível, a cada 3–5 min.
Compressões contínuas + caçar a causa reversível (4 H e 4 T) — a AESP tem complexos organizados SEM pulso: a resposta está na causa, não no choque.
Via aérea avançada obtida: 1 ventilação a cada 6 s (10/min) sem pausar compressões.
TAQUICARDIA COM PULSO, instável
Cardioversão SINCRONIZADA com sedação quando possível — não é parada, mas é a borda do algoritmo.
Fármacos dirigidos: sulfato de magnésio 1–2 g IV na torsades de pointes e na hipomagnesemia; bicarbonato de sódio 1 mEq/kg na hipercalemia e na intoxicação por tricíclicos; cálcio na hipercalemia e na intoxicação por bloqueador de canal de cálcio.
Suspeita de TEP maciço como causa da parada: trombólise durante a reanimação é conduta aceita nos protocolos.
Atropina NÃO tem papel na assistolia; antiarrítmicos além dos listados não mudam desfecho.
Dupla desfibrilação sequencial na FV refratária não demonstrou benefício (DOSE VF) — não é resposta de prova nem substitui compressão e adrenalina.
2. Capnografia e POCUS: os olhos da reanimação
Capnografia quantitativa confirma o tubo (padrão quadrático mantido), valida a compressão (PetCO₂ < 10 mmHg = ineficaz — revisar profundidade, posição e fadiga) e antecipa o retorno da circulação (salto súbito > 40 mmHg sugere ROSC).
Futilidade: PetCO₂ persistentemente < 10 mmHg após 20 min de RCP otimizada embasa a decisão de parar (AHA 2020) — somada ao contexto clínico e às diretivas do paciente.
POCUS nos ciclos (sem prolongar pausas): tamponamento, pneumotórax, coração vazio (hipovolemia), ventrículo direito dilatado (TEP) — cada achado aponta uma causa reversível.
3. Pós-parada (PCIR): a segunda chance
ECG de 12 derivações imediato: STEMI ou instabilidade → cineangiocoronariografia sem demora.
Oxigenação titulada: SpO₂ alvo 92–98% — hiperoxia lesiona; FiO₂ se reduz, não se fixa em 100%.
Perfusão: MAP ≥ 65 mmHg (noradrenalina se preciso); glicemia controlada sem hipoglicemia.
Controle de temperatura no paciente comatoso: prevenir e tratar febre (normotermia 36–37,5 °C); o TTM-2 não demonstrou benefício da hipotermia ativa a 33 °C sobre a normotermia com prevenção de febre.
Prognóstico neurológico: exame confiável só após ≥ 72 h, sem sedação residual nem distúrbios metabólicos — declarar mau prognóstico antes disso é erro clássico.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioPaciente hospitalizado entra em parada: monitor mostra AESP (atividade elétrica organizada sem pulso). Acesso IV já disponível. Conduta prioritária:
2.AvançadoApós retorno da circulação espontânea, paciente comatoso com SpO₂ 100% em FiO₂ 1.0, PAS 96/54 mmHg e febre 38,2 °C. Ajustes corretos:
04
Politrauma (ATLS) e múltiplas vítimas
survey primário A–E e XABCDE do PHTLS · fisiopatias do tórax · classes de choque · transfusão maciça e TXA · eFAST · triagem START e comando de incidente
GCS
≤ 8
via aérea definitiva no trauma
Ácido tranexâmico
1 g + 1 g/8 h
IV, até 3 h da lesão (CRASH-2)
Transfusão maciça
1:1:1
hemácias : plasma : plaquetas
START
FR > 30
ou recarga > 2 s / não obedece = vermelho
1. Survey primário: o essencial de cada letra
A — via aérea com restrição cervical: colar + estabilização manual em linha; intubar se GCS ≤ 8, falha ventilatória, via ameaçada (inalação de fumaça, hematoma expansivo) ou hipotenso com consciência reduzida; ISR com estabilização em linha.
B — respiração: tensão-pneumotórax é CLÍNICO — hipotensão + murmúrio ausente ± turgência jugular + desvio traqueal = descompressão por agulha imediata (4º/5º espaço intercostal na linha axilar anterior), depois dreno. Pneumotórax aberto: curativo oclusivo valvulado (3 bordas) + dreno. Hemotórax maciço (> 1.500 mL imediato ou > 200 mL/h persistente): dreno calibroso (28–32 Fr) e discussão de toracotomia.
C — circulação: compressão direta e torniquete no sangramento externo; cintura pélvica na instabilidade pélvica; 2 acessos calibrosos; classes de choque guiam a reposição (tabela); hemorragia maciça se trata com SANGUE e controle da fonte.
D — neurológico: Glasgow (≤ 8 intubar), pupilas, sinais de herniação (Cushing) → neuroimagem urgente; no TCE, PAS ≥ 100–110 mmHg e SpO₂ > 90% — hipotensão e hipóxia dobram a mortalidade.
E — exposição e ambiente: despir, revisar costas, AQUECER — hipotermia alimenta a tríade letal (acidose + hipotermia + coagulopatia).
Classe
Perda sanguínea
FC
PAS
Estado mental
I
< 15% (< 750 mL)
< 100
normal
leve ansiedade
II
15–30% (750–1.500 mL)
100–120
normal, pressão de pulso estreitada
ansioso
III
30–40% (1.500–2.000 mL)
120–140
reduzida
confuso
IV
> 40% (> 2.000 mL)
> 140
muito baixa
letárgico
2. Ressuscitação do hemorrágico: regras que valem ponto
Transfusão maciça com proporção balanceada 1:1:1 (hemácias : plasma : plaquetas) — cristaloide aquecido é ponte, não tratamento.
Ácido tranexâmico 1 g IV em 10 min + 1 g em 8 h, se iniciado até 3 h da lesão, no trauma com sangramento significativo (CRASH-2: reduz mortalidade).
Hipotensão permissiva (PAS 80–90 mmHg) até o controle do sangramento no trauma PENETRANTE sem TCE — não aplicar no TCE (alvo PAS ≥ 100–110) nem na gestante.
Ringer lactato/SF com parcimônia: excesso de cristaloide dilui fatores, agrava a coagulopatia e a tríade letal.
REBOA (balão de oclusão aórtica ressuscativa, do inglês resuscitative endovascular balloon occlusion of the aorta) aparece na 10ª edição do ATLS como ponte temporária no choque hemorrágico de origem torácico-abdominal em centros capacitados.
Janelas: recessos hepatorrenal (Morrison) e esplenorrenal, pelve e pericárdio + varredura torácica (pneumotórax e hemotórax) — o “e” estende o FAST ao tórax.
Instável + FAST abdominal positivo = laparotomia; o exame não precisa ser repetido para confirmar.
FAST negativo NÃO exclui lesão: retroperitônio, víscera cheia e lesão diafragmática escapam — o estável segue para TC com contraste.
Pneumotórax sob tensão é clínico: o ultrassom pode confirmar, mas nunca atrasa a agulha.
4. Múltiplas vítimas: triagem START e comando
START — avaliação de 30 segundos por vítima
A vítima deambula ao comando?
▼
Deambula
VERDE (minor): lesões leves — área de espera e reavaliação.
Não deambula — não respira após abrir a via aérea
PRETO (falecido/expectante): na cena de múltiplas vítimas NÃO se inicia RCP — recurso vai para os vermelhos.
Não deambula e respira — avaliar 3 parâmetros
FR > 30/min → VERMELHO (imediato).
Perfusão: recarga capilar > 2 s ou pulso radial ausente → VERMELHO; sangramento externo → compressão na hora.
Comandos simples não obedecidos → VERMELHO; os três normais → AMARELO (retardado).
Crianças: JumpSTART — apneica com pulso recebe 5 insuflações de resgate antes de classificar (se passar a respirar, é vermelho).
Ética da triagem: maior bem para o maior número — inverte a lógica individual (o mais grave não é necessariamente o primeiro tratado).
Comando de incidentes: segurança da cena PRIMEIRO (não entra quem não está seguro), comando único, cadeia de comando, postos de triagem, tratamento e transporte; reavaliar categorias continuamente.
No hospital: ativar plano de emergência interna, definir porta e área de atendimento, prever tipos sanguíneos e salas operatórias — o fluxo externo determina o interno.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMotociclista vítima de colisão: FR 34/min, FC 132 bpm, PAS 78 mmHg, confuso, pele fria, pressão de pulso estreita. Classificação do choque hemorrágico e conduta prioritária:
2.AvançadoDesabamento com 20 vítimas. Na triagem START, uma vítima não deambula, respira 34/min após abertura da via aérea, pulso radial presente, obedece comandos e sangra em membro inferior. Categoria:
05
Dor torácica e SCA no pronto-socorro
as seis que matam · ECG em 10 minutos · troponina de alta sensibilidade · HEART score (tabela) · reperfusão no STEMI · estratificação e conduta do NSTEMI
ECG
≤ 10 min
da chegada, em toda dor torácica
HEART ≤ 3
≈ 1,7–2,8%
MACE em 6 semanas — baixo risco para alta com troponina seriada
AAS
162–325 mg
mastigado, na chegada
Porta-balão
≤ 90 min
PCI primária no STEMI (ou trombolítico ≤ 30 min)
1. ECG e troponina: ler rápido, interpretar certo
STEMI: supradesnivelamento de ST NOVO em ≥ 2 derivações contíguas (limiares maiores em V2–V3: ≥ 2 mm no homem ≥ 40 anos, ≥ 2,5 mm no homem < 40 e ≥ 1,5 mm na mulher; ≥ 1 mm nas demais derivações).
Equivalentes que não podem passar: BRAS novo, padrão de Wellens (T bifásica/profundamente invertida em V2–V3 = lesão crítica de descendente anterior) e padrão de De Winter (ST descendente ascendente upsloping com T alta em precordiais).
Troponina de alta sensibilidade: algoritmo 0/1 h ou 0/2 h (ESC) — a regra que manda é o DELTA (subida ou queda), não o valor absoluto; protocolo convencional 0/3 h.
Troponina elevada ≠ IAM: TEP, sepse, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, miocardite e TCE também elevam — interpretar com o quadro clínico e o delta.
2. HEART score: a cola da estratificação
Componente
0
1
2
History (história)
levemente/sem suspeita
moderadamente suspeita
altamente suspeita
ECG
normal
alteração inespecífica da repolarização
desvio significativo do ST
Age (idade)
< 45 anos
45–64 anos
≥ 65 anos
Risk factors (fatores)
nenhum
1–2 fatores
≥ 3 fatores ou aterosclerose documentada
Troponin (troponina)
≤ limite superior
1–3 × limite
> 3 × limite
HEART 0–3: risco baixo (MACE ≈ 1,7–2,8% em 6 semanas nas coortes) — com troponina seriada negativa, autoriza alta com retorno orientado.
HEART 4–6: moderado (~16%) — observação, troponina seriada e estratificação de isquemia.
Fatores de risco contados: hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes, obesidade, tabagismo, história familiar de doença coronariana precoce.
Dor torácica no PS — a bifurcação do ECG
O que mostra o ECG de 10 minutos?
▼
SUPRA de ST novo (ou equivalente)
Ativar reperfusão: PCI primária em ≤ 90 min; sem acesso em tempo → trombolítico em ≤ 30 min e transferir.
AAS 162–325 mg mastigado, anticoagulação, nitrato se PAS > 90 mmHg e sem contraindicação.
Sem supra persistente — suspeita de SCA sem supra
Troponina hs 0/1–2 h (ou 0/3 h) + HEART; muito alto risco (instabilidade, arritmia, insuficiência cardíaca, ST dinâmico) → estratégia invasiva imediata (< 2 h).
Alto risco → invasiva em < 24 h; intermediário → observação com troponina seriada e exame de isquemia.
ECG normal — dor persistente
Excluir as outras: dissecção (assimetria de pulsos/pressão, alargamento mediastinal), TEP (taquipneia, hipoxemia, fatores de risco), pneumotórax (murmúrio ausente), pericardite (derrame de 4 fases, supra difuso côncavo).
Baixo risco estruturado (HEART ≤ 3 + troponina seriada negativa) → alta segura com plano de retorno.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMulher, 58 anos, chega ao PS com dor precordial há 40 min. Qual o prazo alvo para a realização do ECG de 12 derivações?
2.Prova difícilHomem, 42 anos, tabagista e hipertenso, dor precordial inespecífica há 2 h, sem sudorese. ECG normal. Troponina hs de chegada e em 1–3 h: normais. Pela HEART score, qual a pontuação e a conduta?
06
Insuficiência respiratória aguda
tipo 1 × tipo 2 · oxigenoterapia e alvos de SpO₂ · VNI: CPAP e BIPAP (tabela) · indicações de intubação e ISR · ventilação protetora · sinais de fadiga
Tipo 1
PaO₂ < 60
mmHg — hipoxêmica (PaCO₂ normal/baixa)
Tipo 2
PaCO₂ > 45
mmHg — hipercápnica (pH < 7,35)
SpO₂ alvo
92–96%
88–92% no DPOC hipercápnico
VM protetora
6 mL/kg
do peso previsto; platô < 30 cmH₂O
1. Oxigenoterapia: dispositivo e alvo
Dispositivo
Fluxo
FiO₂ aproximada
Cateter nasal
1–5 L/min
24–40%
Máscara simples
5–10 L/min
40–60%
Máscara com reservatório
10–15 L/min
60–90%
Cânula nasal de alto fluxo
até 60 L/min
até ~100%, com pequena PEEP e conforto
VNI (CPAP/BIPAP)
pressão positiva
controlada por ajuste de FiO₂
Alvos: SpO₂ 92–96% no adulto geral; 88–92% no DPOC com hipercapnia crônica (oxigênio em excesso amplia o espaço morto e piora a hipercapnia).
Hiperoxia faz mal: no STEMI sem hipoxemia, O₂ de rotina aumentou o tamanho do infarto (AVOID) — oxigenar só quando hipoxêmico.
SpO₂ normal NÃO exclui hipercapnia: quem respira depressivo precisa de gasometria, não de oxímetro.
2. VNI: CPAP e BIPAP no PS
Cenário
Modo
Conduta e alvo
Edema agudo de pulmão cardiogênico
CPAP 5–10 cmH₂O
reduz intubação e mortalidade; junto com nitrato IV e diurético de alça
evidência de redução de intubação e mortalidade (Brochard); reavaliar com gasometria em 1–2 h — não melhorou, intubar
Imunocomprometido com insuficiência respiratória
VNI precoce
tentar antes da intubação (menos complicações infecciosas)
Qualquer um: contraindicações
—
rebaixamento sem proteção de via, obstrução/vômitos, instabilidade hemodinâmica, pneumotórax não drenado, trauma facial, recusa
Insuficiência respiratória — qual a rota?
Qual o padrão do quadro na avaliação?
▼
Hipoxemia isolada, paciente colaborativo
O₂ titulado ao alvo; alto fluxo nasal se necessidade crescente; tratar a causa (pneumonia, TEP).
EAP cardiogênico
CPAP 5–10 cmH₂O + nitrato IV + furosemida IV; monitorizar diurese e pressão.
DPOC acidótica
BIPAP com alvo de SpO₂ 88–92% + broncodilatador + corticoide; gasometria de reavaliação em 1–2 h.
Fadiga, rebaixamento, via não protegida, instabilidade
INTUBAÇÃO com ISR — sem negociar com números satisfatórios de SpO₂ de momento.
3. Intubação e ventilação inicial
Quatro indicações de via aérea definitiva: proteger (falta de reflexos/obstrução), oxigenar (falha apesar de O₂/VNI), ventilar (hipercapnia com acidose progressiva) e antecipar (fadiga, curso previsível de piora).
ISR: pré-oxigenação 3 min + posição de rampa; etomidato 0,3 mg/kg ou cetamina 1–2 mg/kg + succinilcolina 1–1,5 mg/kg (proibida em risco de hipercalemia) ou rocurônio 1,2 mg/kg; confirmação por capnografia (padrão quadrático ≥ 6 ventilações).
O registro NEAR II documentou que complicações hemodinâmicas e hipoxêmicas são frequentes na intubação na emergência — corrigir hipovolemia e antecipar hipotensão ANTES de induzir.
VM inicial: volume corrente 6–8 mL/kg do peso previsto (4–8 na SARA/SDRA), platô < 30 cmH₂O, PEEP titulada, SpO₂ alvo 92–96%, frequência ajustada ao pH (hipercapnia permissiva aceita).
Pós-intubação: sedoanalgesia contínua SEMPRE; cabeceira 30–45° (prevenção de pneumonia associada à VM); RSBI (FR/VT) < 105 orienta candidatura ao desmame.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 66 anos, DPOC, piora há 2 dias: RR 32/min, SpO₂ 82% em ar ambiente, usando músculos acessórios, alerta. Gasometria: pH 7,22, PaCO₂ 72 mmHg, PaO₂ 48 mmHg. Conduta inicial de primeira linha:
2.AvançadoIdosa, 75 anos, edema agudo de pulmão: RR 36/min, SpO₂ 84% com máscara de reservatório, PA 190/100 mmHg, alerta, estertores difusos. Conduta prioritária:
07
AVC agudo: code stroke
reconhecimento e ativação · NIHSS e TC em ~20 min · trombólise até 4,5 h (alteplase 0,9 mg/kg) · trombectomia 0–24 h · metas de pressão · piora pós-lise
Porta-agulha
≤ 60 min
meta do code stroke (ideal < 45)
Alteplase
0,9 mg/kg (máx 90 mg)
10% em bolo de 1 min + restante em 60 min
Janela da lise
4,5 h
desde o INÍCIO dos sintomas (last seen well)
PA antes da lise
< 185/110
mmHg — e < 180/105 nas 24 h seguintes
1. Na porta: o que fazer nos primeiros minutos
Reconhecimento: assimetria facial, fraqueza de membro, fala arrastada (FAST) — déficit súbito em vasculopata é AVC até prova contrária.
Glicemia IMEDIATA: hipoglicemia (< 50 mg/dL) simula AVC — corrigir e reavaliar antes de decidir.
NIHSS: quantifica o déficit e orienta a gravidade/trombectomia; ECG contínuo e acesso venoso (sem punções profundas/femorais pela anticoagulação possível).
TC de crânio sem contraste: exclui hemorragia e estima o núcleo (ASPECTS); angio-TC cervical-intracraniana junto quando trombectomia em pauta.
2. Reperfusão: janelas e condições
Tratamento
Janela
Condições-chave
Alteplase IV
0–4,5 h do início
sem hemorragia na TC; PA < 185/110; sem contraindicação; > 80 anos e NIHSS > 25 com cautela (ECASS III para a janela estendida)
Tenecteplase IV
0–4,5 h (selecionados)
0,25 mg/kg em bolo (máx 25 mg) — razoável como alternativa ao alteplase (AHA 2019)
Trombectomia mecânica
0–6 h
circulação anterior; oclusão de ACI/M1; NIHSS ≥ 6; ASPECTS ≥ 6; alcançável em < 6 h
Trombectomia estendida
6–24 h
mismatch clínico-núcleo na imagem de perfusão (critérios DAWN/DEFUSE-3)
Alteplase 0,9 mg/kg (máximo 90 mg): 10% em bolo IV de 1 min + restante em infusão de 60 min.
Pressão: antes da lise < 185/110 mmHg (labetalol 10–20 mg IV ou nicardipina 5 mg/h titulada); após, manter < 180/105 por 24 h.
Antiagregante e anticoagulante NÃO entram nas primeiras 24 h pós-lise; AAS entra depois, com neuroimagem mostrando ausência de sangramento.
Glicemia 140–180 mg/dL, temperatura normal, cabeceira conforme orientação; neuroavaliação seriada (15–30 min na lise).
Contraindicações principais da lise: hemorragia intracraniana prévia, TCE/AVC nos últimos 3 meses, sangramento ativo, cirurgia maior recente (< 14 d), plaquetas < 100.000/mm³, INR > 1,7 ou DOAC recente, PA > 185/110 refratária, hipodenso extenso (> 1/3 do território de ACM) na TC.
Code stroke — a rota da tomografia
O que mostra a TC de crânio imediata?
▼
Sem hemorragia + dentro da janela
Alteplase 0,9 mg/kg (10% bolo + 60 min) + angio para trombectomia se oclusão de grande vaso; UTI/stroke unit com metas de PA e vigilância neurológica.
Sem hemorragia + fora da janela
Imagem de perfusão: mismatch dentro dos critérios DAWN/DEFUSE-3 → trombectomia até 24 h; senão, cuidado padrão (antiagregação, atorvastatina, prevenção).
Hemorragia intracraniana
Suspender anticoagulante e reverter (vitamina K + concentrado de complexo protrombínico; dabigatrana → idarucizumabe); PA alvo ~140 mmHg (nicardipina); neurocirurgia conforme volume/localização.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 68 anos, 65 kg, AVC isquêmico dentro da janela, sem contraindicações. Qual o esquema correto da trombólise com alteplase?
2.AvançadoDurante a infusão de alteplase, paciente apresenta cefaleia súbita intensa, vômitos e PA 210/120 mmHg, com queda do nível de consciência. Conduta:
08
Intoxicações no plantão
suporte primeiro: ABCDE, glicemia, ECG · antídotos (tabela) · acetaminofeno e NAC · naloxona e flumazenil · carvão ativado · alta e avaliação psiquiátrica
Carvão ativado
1 g/kg
VO, dose única, idealmente ≤ 1 h da ingestão
NAC
≤ 8 h
janela de máxima eficácia no acetaminofeno
Nomograma
≥ 4 h
nível de acetaminofeno a partir de 4 h da ingestão
Naloxona
0,04–0,4 mg
IV titulada, repetindo a cada 2–3 min
1. Antídotos que o plantão precisa saber de cor
Tóxico
Antídoto
Nota de plantão
Acetaminofeno
N-acetilcisteína (NAC)
IV 21 h ou VO 72 h; máxima eficácia ≤ 8 h — mas indicado também depois
Opioide
naloxona
titulada a partir de 0,04 mg IV; meia-vida curta → observar recaída
Benzodiazepínico
suporte (via aérea)
flumazenil só em exceção — risco de convulsão refratária
Antidepressivo tricíclico
bicarbonato de sódio IV
QRS > 100 ms, hipotensão ou convulsão = alcalinizar
Organofosforado/carbamato
atropina + pralidoxima
atropina até secar as secreções; pralidoxima para os efeitos nicotínicos
Metanol / etilenoglicol
fomepizol (+ hemodiálise nos graves)
acidose com ânion gap + osmolar gap elevada
Monóxido de carbono
O₂ a 100% (hiperbárica em selecionados)
dosar carboxiHb; nível tardio normal não exclui
Metemoglobinemia
azul de metileno 1–2 mg/kg IV
cianose que não responde a O₂; dapsona, anestésicos locais, nitratos
Digoxina
fragmentos Fab antidigoxina
arritmias potencialmente fatais, hipercalemia importante
Ferro
deferoxamina
vômitos + diarreia + acidose/choque na fase gastrointestinal
Isoniazida
piridoxina
convulsões refratárias com acidose
Cianeto
hidroxicobalamina
acidose láctica grave em vítima de fumaça
Raticida anticoagulante (cumarínicos)
vitamina K1 + concentrado de complexo protrombínico
sangramento ou INR muito elevado
2. Os três casos de plantão mais cobrados
Acetaminofeno: hepatotoxidez por NAPQI com depleção de glutationa; pico de dano 24–72 h. Nível sérico a partir de 4 h (nomograma); NAC idealmente ≤ 8 h da ingestão — após 8 h continua indicado (benefício menor, porém real). Protocolo IV de 21 h: 150 mg/kg em 1 h → 50 mg/kg em 4 h → 100 mg/kg em 16 h. Falência hepática definida por coagulopatia (INR) + encefalopatia → centro de transplante (Larson).
Opioide: miose + depressão respiratória + rebaixamento. Naloxona titulada a partir de 0,04 mg IV a cada 2–3 min até restaurar a respiração — dose plena no dependente precipita abstinência e agitação. A meia-vida da naloxona é CURTA: fentanil e opioides de longa ação recaem — observar por horas (e considerar infusão se necessário).
Benzodiazepínico: depressão de consciência sem antídoto de rotina — a conduta é via aérea e suporte. Flumazenil é perigoso: usuário crônico de BZD e coingestão de tricíclico apresentam convulsões refratárias com o antídoto.
Paciente rebaixado com suspeita de intoxicação
Por onde começar?
▼
ABC + glicemia + ECG
Via aérea e ventilação primeiro; glicemia capilar imediata; ECG de 12 derivações (QRS/QT).
Toxidrome sugere opioide
Naloxona titulada 0,04–0,4 mg IV até recuperar a respiração; observar recaída por horas.
Ingestão recente e via aérea protegida
Carvão ativado 1 g/kg VO em dose única, idealmente ≤ 1 h — NÃO adsorve álcoois, lítio, ferro, hidrocarbonetos e cáusticos.
3. Alta segura no intoxicado
Alta só quando o paciente estiver FORA do pico de toxicidade do agente, com exame normal e função de órgãos estáveis.
Recaída tardia conhecida exige observação prolongada: sulfonilureia, opioide de longa ação, bupropiona de liberação prolongada, antidepressivos e fármacos de absorção retardada (formações de concremento).
Toda tentativa de autoextermínio permanece internada até avaliação psiquiátrica formal — a alta sem essa avaliação é alta insegura e tema garantido de prova.
Intoxicação exógena é agravo de notificação compulsória (SINAN); contatar o centro de toxicologia de referência nos casos graves.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 20 anos, 60 kg, ingeriu 30 comprimidos de paracetamol 750 mg há 6 h, assintomática. Conduta:
2.Prova difícilHomem, 34 anos, dependente de benzodiazepínicos, é encontrado sonolento com RR 8/min após ingestão de clonazepam; ECG mostra QRS de 120 ms (coingestão provável de antidepressivo tricíclico). Conduta:
09
Choque no pronto-socorro
hipoperfusão e lactato · os 4 tipos (tabela) · RUSH à beira do leito · fluidoterapia e pacote da primeira hora · noradrenalina e coadjuvantes · choques especiais
Lactato
> 2 / ≥ 4
mmol/L — elevado / gravemente elevado
Meta de perfusão
MAP ≥ 65
mmHg — noradrenalina para atingir
Expansão na sepse
30 mL/kg
cristaloide IV na primeira hora
Anafilaxia
0,3–0,5 mg IM
adrenalina 1:1.000 na face lateral da coxa
1. Os quatro tipos e o perfil à beira do leito
Tipo
Mecanismo
Exemplos no PS
Jugulares
Pele
Hipovolêmico
perda de volume
hemorragia, desidratação, queimadura
colapsadas
fria, recarga > 2 s
Cardiogênico
falha de bomba
IAM extenso, miocardite, arritmia
cheias
fria
Obstrutivo
obstrução mecânica ao fluxo
tamponamento, TEP maciço, tensão-pneumotórax
cheias
fria
Distributivo
vasodilatação (queda das resistências)
séptico, anafilático, neurogênico
colapsadas/normal
quente no início
RUSH (POCUS de choque): coração (tamponamento, disfunção, VD dilatado), veia cava (colapsada = hipovolemia; plena = obstrutivo/cardiogênico), MORRISON/esplenorrenal/pelve (líquido livre = sangramento), tórax (pneumotórax, derrame, consolidação) e aorta (aneurisma/dissecção) — diferencia os quatro tipos em minutos.
Lactato seriado orienta a resposta (clearance ≥ 10%/h é meta; persistência exige repensar a conduta).
Índice de choque (FC/PAS) ≥ 0,9 sugere gravidade hemodinâmica melhor que a PAS isolada.
Choque no PS — classificar antes de infundir
Como estão as jugulares e a pele?
▼
Frio + jugulares colapsadas
HIPOVOLÊMICO: achou sangramento? controle + sangue (1:1:1). Sem sangramento? cristaloide titulado e procurar perdas (vômitos, diarreia, terceiro espaço).
Frio + jugulares cheias
CARDIOGÊNICO × OBSTRUTIVO: POCUS agora — derrame pericárdico → pericardiocentese; VD dilatado + hipoxemia → TEP (reperfusão); ECG com supra → reperfusão + inotrópico; tensão → agulha.
Volume restrito: infundir piora o cardiogênico e não resolve o obstrutivo.
Quente (precoce) + foco infeccioso ou exposição alérgica
DISTRIBUTIVO: sepse → pacote da primeira hora (lactato, hemoculturas, antibiótico ≤ 1 h, 30 mL/kg, noradrenalina); anafilaxia → adrenalina IM 0,3–0,5 mg na coxa, repetindo 5–15 min + cristaloide.
Hipotensão + BRADICARDIA + pele seca após trauma/preservar coluna = neurogênico → noradrenalina ± atropina, volume não corrige a vasoplegia.
2. Fluidos e vasopressores: a receita do primeiro bloco
Acesso: 2 periféricos calibrosos (16–18 G) — o central não deve atrasar o início do vasopressor.
Fluidoterapia titulada e reavaliada (bolus e resposta clínica + lactato + diurese); cristaloide equilibrado como padrão; na hemorragia, SANGUE (proporção 1:1:1) em vez de empilhar cristaloide.
Sepse (Surviving Sepsis 2021): lactato → hemoculturas → antibiótico amplo em ≤ 1 h → cristaloide 30 mL/kg se hipotensão/lactato ≥ 4 → noradrenalina para MAP ≥ 65 mmHg.
Noradrenalina é o vasopressor de primeira linha na maioria dos choques (SOAP II: dopamina com mais arritmias); iniciar e titular à resposta, com via periférica aceita temporariamente enquanto o acesso central se organiza.
Refratário: vasopressina 0,03 U/min como segundo agente; hidrocortisona 200 mg/dia IV se choque dependente de vasopressor; dobutamina quando baixo débito persiste com MAP atingida.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalAdolescente, 16 anos, urticária generalizada, sibilância e PAS 70 mmHg 20 min após ingestão de amendoim. Conduta imediata:
2.AvançadoHomem, 50 anos, dispneia e hipotensão (PAS 72 mmHg), jugulares ingurgitadas, murmúrio cardíaco abafado, POCUS com derrame pericárdico abundante e colapso do VD na diástole. Conduta:
R
Revisão de alta performance
Para a véspera: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem a prova
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 Fluxo do PS e triagem
Classificar risco pelo tempo de deterioração (Manchester 0-10-60-120-240), reavaliar sempre e decidir destino com critério: alta segura, observação ou internação.
Cores e tempos do Manchester; alta segura; NEWS2/qSOFA
02 ABCDE do instável
Varredura em ordem de letalidade, tratando na letra; glicemia em todo rebaixado; ECG em todo instável; bradi × taqui instável têm rotas opostas.
ABCDE; cardioversão × atropina; quando chamar o especialista
03 PCR (ACLS)
Compressão + choque valem mais que fármaco; adrenalina após o 2º choque, amiodarona 300 mg após o 3º; pós-PCR sem hiperoxia e sem febre.
Algoritmo chocável × não chocável; ordem dos fármacos; PCIR
04 Politrauma e múltiplas vítimas
A–E inflexível (XABCDE no PHTLS); tensão é clínico; sangue 1:1:1 e TXA até 3 h; START faz o maior bem ao maior número.
Classes do ATLS; transfusão maciça; START preto sem RCP
05 Dor torácica e SCA
ECG em 10 min separa o STEMI; HEART ≤ 3 com troponina seriada alta segura; O₂ só se SpO₂ < 90%.
HEART score; porta-balão ≤ 90 min; delta da troponina
06 Insuficiência respiratória
O número não intuba, a tendência intuba; CPAP no EAP, BIPAP na DPOC acidótica com gasometria em 1–2 h; VM 6 mL/kg do peso previsto.
Alvos de SpO₂; VNI; sinais de fadiga
07 AVC (code stroke)
Relógio do último momento visto bem; alteplase 0,9 mg/kg até 4,5 h; trombectomia até 24 h com perfusão; piora pós-lise suspende a infusão.
Janelas e doses; metas de PA; piora pós-lise
08 Intoxicações
Suporte + glicemia + ECG primeiro; antídoto é exceção; alta só fora do pico e com avaliação psiquiátrica em toda tentativa voluntária.
NAC ≤ 8 h; naloxona titulada; flumazenil proibido na coingestão
09 Choque
Hipoperfusão com lactato, não hipotensão; classificar antes de infundir; noradrenalina para MAP ≥ 65; obstrutivo é desobstruir.
4 tipos; hour-1 da sepse; adrenalina IM na anafilaxia
Números que você precisa saber de cor
Tema
Número
Manchester
vermelho 0 min · laranja ≤ 10 · amarelo ≤ 60 · verde ≤ 120 · azul ≤ 240 min
NEWS2
somatório 0–20 · 5–6 (ou um 3) reavaliação urgente · ≥ 7 resposta de emergência
qSOFA
FR ≥ 22 · PAS ≤ 100 · rebaixamento — ≥ 2 = alto risco no séptico
Bradicardia instável
atropina 1 mg IV a cada 3–5 min (máx 3 mg) + marcapasso transcutâneo
RCP
5–6 cm · 100–120/min · pausas < 10 s · ciclo de 2 min · adrenalina 1 mg 3–5/3–5 min
Amiodarona na parada
300 mg IV após o 3º choque → 150 mg após o 5º (alternativa: lidocaína 1–1,5 mg/kg)
PetCO₂
< 10 mmHg = compressão ruim/futilidade após 20 min · salto > 40 = ROSC
1 g IV em 10 min + 1 g em 8 h · só até 3 h da lesão (CRASH-2)
Transfusão maciça
1:1:1 · hipotensão permissiva PAS 80–90 no penetrante SEM TCE · PAS ≥ 100–110 no TCE
START
FR > 30 · recarga > 2 s/pulso radial ausente · não obedece comandos = VERMELHO; não respira após via aérea = PRETO
Dor torácica
ECG ≤ 10 min · HEART ≤ 3 alta (MACE ≈ 1,7–2,8%) · AAS 162–325 mg · porta-balão ≤ 90 min · O₂ só se SpO₂ < 90%
IRA
tipo 1: PaO₂ < 60 · tipo 2: PaCO₂ > 45 · alvo 92–96% (88–92% DPOC) · VM 6 mL/kg, platô < 30 cmH₂O
VNI
EAP: CPAP 5–10 cmH₂O · DPOC: BIPAP com pH < 7,35 + PaCO₂ > 45, gasometria em 1–2 h
AVC
alteplase 0,9 mg/kg máx 90 (10% bolo + 60 min) até 4,5 h · porta-agulha ≤ 60 min · PA < 185/110 antes, < 180/105 depois · trombectomia 6–24 h (DAWN/DEFUSE-3)
Toxicologia
carvão 1 g/kg ≤ 1 h · NAC ≤ 8 h (IV 21 h: 150→50→100 mg/kg) · nível ≥ 4 h · naloxona 0,04–0,4 mg titulada
Choque
lactato > 2/≥ 4 · 30 mL/kg na sepse · noradrenalina para MAP ≥ 65 · vasopressina 0,03 U/min · hidrocortisona 200 mg/dia
Anafilaxia
adrenalina 0,3–0,5 mg IM (1:1.000) na coxa, 5–15/5–15 min
Macetes que salvam
Macete
Regra
0-10-60-120-240
os tempos do Manchester: vermelho, laranja, amarelo, verde e azul — em minutos.
4 H e 4 T
toda AESP/assistolia refratária esconde uma causa reversível — trate a causa, não mais um ciclo.
Tanque, bomba e tubos
hipovolêmico enche · cardiogênico inotrópico · obstrutivo desobstrui · distributivo vasoconstrige + trata a causa.
2º/3º choque
adrenalina entra no 2º choque, amiodarona 300 mg no 3º — a ordem que a banca inverte.
HEART por letras
History + ECG + Age + Risk factors + Troponin — ≤ 3 vai para casa, 4–6 fica, ≥ 7 vai para o laboratório.
88–92 no DPOC, 92–96 no resto
oxigênio em excesso no hipercápnico e no IAM piora — alvo é janela, não 100%.
Último momento visto bem
o relógio do AVC começa antes da chegada — acordar com déficit não abre a janela.
Cores do START
vermelho já · amarelo em horas · verde anda · preto não respira após via aérea — sem RCP na cena.
As pegadinhas mais cobradas
Cor de triagem não é diagnóstico: nenhum paciente sai sem consulta médica, e rebaixamento na triagem é vermelho.
Gasping é parada: a resposta é RCP imediata, não observação.
Amiodarona 300 mg é a 1ª dose (após o 3º choque); 150 mg é a 2ª (após o 5º).
Taquiarritmia instável = cardioversão SINCRONIZADA; bradicardia instável = atropina + marcapasso — a banca troca as rotas.
Tensão-pneumotórax é diagnóstico clínico: agulha antes de RX/TC.
Hipotensão no politrauma quase nunca é do TCE isolado — procure o sangramento oculto.
START: adulto que não respira após abrir a via aérea é preto — RCP não entra na cena de múltiplas vítimas.
O₂ de rotina no IAM sem hipoxemia aumenta o infarto (AVOID) — SpO₂ < 90% é o gatilho.
Troponina elevada não é sinônimo de IAM: TEP, sepse, IC e DRC também elevam — o delta e o quadro mandam.
No DPOC, o pH com a clínica decide intubação — e a gasometria da VNI vem em 1–2 h.
A janela do AVC conta do último momento visto bem; AAS nas primeiras 24 h pós-lise é erro.
Piora neurológica pós-lise: suspender a infusão, TC imediata e crioprecipitado — nunca completar a infusão.
Flumazenil no usuário crônico de BZD e na coingestão de tricíclico provoca convulsões refratárias — suporte de via aérea é a resposta.
Naloxona tem meia-vida curta: alta imediata após o despertar é erro — observar recaída por horas.
Choque é hipoperfusão: pressão normal não tranquiliza — lactato, oligúria e confusão são os sinais confiáveis.
Adrenalina da anafilaxia é IM na coxa (0,3–0,5 mg, 1:1.000) — a dose IV de 1 mg é de parada.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda dor torácica: ECG em 10 minutos — é a regra mais cobrada da matéria.
Todo rebaixado: glicemia na chegada, antes da tomografia.
Todo instável: ECG de 12 derivações — arritmia muda a conduta em minutos.
Toda parada: compressão de qualidade + choque precoce; fármaco nenhum substitui os dois primeiros elos.
Todo politrauma hipotenso: procurar o sangramento (eFAST, tórax, pelve, ossos) antes de culpar o cérebro.
Todo AVC súbito: glicemia + TC no relógio do último momento visto bem — code stroke se ativa na porta.
Todo intoxicado: ABCDE + glicemia + ECG; antídoto é a exceção; tentativa voluntária não sai sem avaliação psiquiátrica.
Todo choque: classificar o tipo antes de empilhar volume — obstrutivo é desobstruir, cardiogênico é inotrópico + reperfusão.
Toda alta do PS: diagnóstico e plano por escrito, sinais de alarme, medicação, retorno programado e rede de suporte.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Dor torácica + chegada ao PS
ECG em até 10 minutos
Não responde + respiração agônica
Parada — RCP imediata
Hipotenso + murmúrio ausente + jugular cheia
Tensão-pneumotórax — agulha imediata
Bradicardia + síncope + PAS 70
Atropina 1 mg + marcapasso transcutâneo
Classe III do ATLS (confuso + hipotenso)
Sangue 1:1:1 + controle do sangramento
Dor de rasgamento + pulsos assimétricos
Dissecção de aorta — imagem antes de anticoagular
DPOC + pH 7,22 + alerta
BIPAP + gasometria de reavaliação em 1–2 h
Déficit súbito + última vez bem há 3 h
Code stroke — alteplase 0,9 mg/kg
Piora + cefaleia durante a lise
Suspender alteplase + TC + crioprecipitado
Paracetamol ingerido há 6 h
Nível (≥ 4 h) + NAC imediato
Miose + RR 8 + rebaixado
Naloxona titulada 0,04 mg
Urticária + sibilância + PAS 70
Anafilaxia — adrenalina IM na coxa
Múltiplas vítimas + não deambula + FR 36
START vermelho
Choque + jugulares cheias + murmúrio abafado
Tamponamento — pericardiocentese
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.FundamentalPaciente classificado como vermelho na triagem de Manchester deve ser atendido:
2.IntermediárioPaciente entra em parada cardiorrespiratória: o monitor mostra fibrilhação ventricular. Já foi administrado o 2º choque bifásico. Qual a sequência correta dos fármacos?
3.Prova difícilMotociclista: FR 36/min, FC 130 bpm, PAS 76 mmHg, confuso, FAST abdominal positivo, pelve estável. Conduta:
4.IntermediárioHomem, 55 anos, dor precordial há 30 min, supra de ST novo em II, III e aVF. SpO₂ 97% em ar ambiente, PAS 118/74 mmHg, sem alergia. Conduta correta:
5.IntermediárioIdosa DPOC exacerbada em BIPAP: pH 7,19 persistente e PaCO₂ 82 mmHg na gasometria de reavaliação após 90 min, agora sonolenta. Conduta:
6.AvançadoDurante a infusão de alteplase, paciente com AVC fica agitado, com cefaleia súbita, vômito em jato e PA 214/118 mmHg. Conduta imediata:
7.IntermediárioJovem ingeriu 20 comprimidos de paracetamol 750 mg há 7 h, assintomática. Conduta:
8.FundamentalPaciente séptico: lactato 5 mmol/L, PAS 80 mmHg após 30 mL/kg de cristaloide, hemoculturas já colhidas. Na primeira hora, além do antibiótico amplo imediato, o vasopressor de escolha e a meta são:
Gabarito rápido
1-E · 2-B · 3-E · 4-B · 5-B · 6-B · 7-B · 8-B
Referencial teórico
27 fontes reais · DOI verificado
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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