Baseado em conhecimento canônico de internato em psiquiatria e nas fontes primárias da prática brasileira — Lei nº 10.216/2001, Portaria GM/MS nº 3.088/2011 (RAPS), Resolução CFM nº 1.640/2002 (ECT) — e em literatura internacional com DOI verificado: Project BETA, C-SSRS, CIWA-Ar, PADIS 2018, MIND-USA, CANMAT/ISBD 2018, Leucht 2013/2012, UK ECT Review Group 2003 e revisões de NEJM/Lancet/Nature Reviews. Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre o protocolo institucional e a bula.
01
Avaliação psiquiátrica e exame do estado mental
estrutura da entrevista · EEM em 7 eixos · humor × afeto e delírio × alucinação · tri-avaliação de risco · MEEM · apresentação de caso na OSCE
EEM
7 eixos
aparência/comportamento · fala · humor e afeto · pensamento · percepção · cognição · insight
Risco
3 eixos
suicídio · violência · autonegligência — avaliados em TODA entrada
MEEM
≥ 24
exclui déficit relevante em escolarizados; o corte varia com a escolaridade
Perguntar
não induz
perguntar sobre suicídio, mania, psicose e substâncias é conduta-padrão documentada
1. Conceito: a avaliação é o procedimento que decide a conduta
A avaliação psiquiátrica é clínica: não existe exame complementar que diagnostique transtorno mental — exames servem para excluir causa orgânica e monitorar segurança do tratamento. Ela tem quatro objetivos: estabelecer vínculo, gerar hipóteses diagnósticas, graduar o risco (o dado que decide o nível de cuidado) e construir o plano terapêutico com o paciente e a família. Toda avaliação termina respondendo a três perguntas: qual é o risco, preciso internar e quem segue este caso na rede.
2. Estrutura da entrevista
Identificação e queixa principal: idade, escolaridade, ocupação, com quem vive; a queixa na fala do próprio paciente.
História do episódio atual: início, duração, gatilhos, sintomas de humor, psicose, ansiedade, sono, apetite e função (trabalho, estudo, relações).
Antecedentes pessoais: gestação/parto e desenvolvimento, escolaridade, hospitalizações e tratamentos psiquiátricos prévios (dose e tempo — foi trial adequado?), tentativas de suicídio, álcool e outras drogas, medicações em uso, doenças clínicas.
História familiar: transtornos de humor, psicose, suicídio e alcoolismo.
História social: trabalho, rede de apoio, situação jurídica, violência doméstica, acesso a armas.
Exame físico e exames complementares conforme o caso: TSH, hemograma, eletrólitos, glicemia, Beta-hCG, função renal e hepática, ECG, toxirescreen, sorologias e imagem quando houver sinais neurológicos.
alucinações (modalidade, vozes em 3ª pessoa/comentário), ilusões, despersonalização/desrealização
vozes masculinas que comentam sua conduta
Cognição
orientação, atenção, memória, cálculo — MEEM quando indicado
orientado em tempo e espaço; atenção preservada
Insight e juízo
reconhece o adoecimento? aceita tratamento e ajuda?
sem insight; recusa medicação
4. Tri-avaliação de risco
Risco de suicídio (módulo 4), risco de violência (histórico de agressão, ideação homicida com alvo definido, acesso a arma — o que se avalia é o perfil, pois a previsibilidade individual é baixa) e risco de autonegligência (não se alimenta, não toma medicação, perdeu moradia, recusa alimentar em depressão/psicose). O risco comanda a conduta: iminente → internação; moderado → cuidado intensificado (CAPS, retorno em dias, restrição de meios); baixo → ambulatório. A avaliação de risco deve estar DOCUMENTADA no prontuário.
5. Cognição e exames no internato
O MEEM (30 pontos: orientação, memorização, cálculo/atenção, evocação, linguagem e praxia) com corte clássico de 24 exclui comprometimento cognitivo relevante em pessoas escolarizadas — cortes variam com a escolaridade. Confusão nova em paciente psiquiátrico ou clínico é delirium até prova contrária (módulo 9), não demência: início agudo e curso flutuante diferenciam.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalAssinale o registro de exame do estado mental tecnicamente correto:
2.IntermediárioO interno é chamado à clínica médica: mulher, 84 anos, internada por infecção urinária, 'confusa e agressiva à noite, normal de manhã', conforme a equipe. Primeira conduta do internato:
02
Internação psiquiátrica e Lei 10.216/2001
critérios para internar · voluntária × involuntária × compulsória · prazos da lei (72 h; 30 e 7 em 7 dias) · direitos do internado · alta planejada
Modalidades
3
voluntária · involuntária · compulsória
Comunicação ao MP
72 h
internação involuntária, com laudo médico circunstanciado (Lei 10.216/2001)
Sumário clínico
30 + 7/7
aos 30 dias da involuntária e depois de 7 em 7 dias
Critério da lei
último recurso
internar só quando os recursos extra-hospitalares forem insuficientes (art. 4º)
1. Conceito: internar é decisão de risco — e exceção na lei
A internação psiquiátrica protege vidas, mas tira liberdade: a Lei 10.216/2001 definiu-a como exceção — só é indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes (art. 4º) — e proibiu internar pessoas com transtorno mental em asilos, albergues e instituições de caráter assistencial (art. 5º). Indicações clínicas: risco iminente de suicídio ou violência, incapacidade de satisfazer necessidades básicas (recusa alimentar, autonegligência grave), quadros que exigem manejo intensivo impossível fora do hospital (mania grave, psicose com recusa de medicação, abstinência severa, catatonia) e falha comprovada do tratamento na rede.
Devo internar este paciente?
Há risco iminente à vida (própria ou de terceiros) ou incapacidade de autocuidado básico?
▼
NÃO — tratar na rede
Intensificar CAPS/ambulatório, envolver família, plano de crise escrito e retorno em dias.
Reavaliar risco a cada contato — risco é dinâmico.
RISCO EMERGENTE, ainda controlável
Desescalação, medicação por via oral e envolvimento da família no plantão.
Discussão formal de equipe sobre a necessidade de internação — documentar a decisão.
SIM — internar
Escolher a modalidade correta (voluntária; se recusa, involuntária; juiz decide a compulsória) e formalizar.
Comunicar família; na involuntária, comunicar o MP em 72 h com laudo; anotar prazos legais.
Plano terapêutico com metas e alta já prevista — internação sem plano é violação.
2. As três modalidades — o que a prova cobra em cada uma
Modalidade
Quem determina
Regras-chave
Voluntária
o próprio paciente (ou representante legal, se incapaz)
assinatura de termo; o paciente pode SAIR A QUALQUER MOMENTO por vontade própria, comunicando a equipe e assinando o registro de saída (art. 6º) — não se retém paciente voluntário que pede alta
Involuntária
terceiro (família/responsável técnico), sem consentimento do usuário
comunicação ao Ministério Público em 72 h, com laudo médico circunstanciado (art. 9º); sumário clínico aos 30 dias e depois de 7 em 7 dias; princípio da desinternação progressiva
Compulsória
determinação judicial
não depende de consentimento do paciente nem de pedido da família; usada quando há risco documentado e recusa — decisão do juiz com avaliação médica
3. Direitos do internado (art. 2º da Lei 10.216/2001)
Melhor interesse do paciente como critério decisivo; tratamento humanizado, com a máxima liberdade possível e sem confinamento desnecessário.
Proteção contra abuso e exploração, castigos coletivos e qualquer trabalho rotulado de 'terapêutico' que não esteja justificado no plano de tratamento.
Vedação ao tratamento que humilhe, culpe ou trate o paciente como perigoso por si só.
Comunicação: acesso a meios de comunicação e recebimento/remessa de correspondência; visitas conforme o regulamento do serviço.
Atendimento em serviços integrados à RAPS, com plano terapêutico caracterizado e alta programada — internação prolongada sem projeto terapêutico é violação de direito.
4. Alta planejada desde a admissão
A alta é planejada desde o primeiro dia, com a família envolvida: medicação revisada e prescrita com clareza (dose, horário, efeitos esperados), consulta na rede agendada idealmente nos primeiros 7 dias (CAPS de referência), plano de crise escrito, sinais de alerta explicados, restrição de meios letais confirmada em casa e, quando não existe rede social, avaliação de unidade de acolhimento ou Serviço Residencial Terapêutico (SRT). Alta sem vínculo na rede é a receita da reinternação — o fenômeno da porta giratória.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 35 anos, internado VOLUNTARIAMENTE por episódio psicótico, comunica à equipe no 6º dia que quer sair. O quadro está parcialmente controlado e sem risco iminente documentado. Conduta correta:
2.Prova difícilSobre a internação INVOLUNTÁRIA na Lei 10.216/2001, assinale a afirmativa correta:
03
Agitação psicomotora: planos A, B e C
desescalação verbal · via oral antes do IM · doses do Project BETA · contenção mecânica com monitorização q15 min · olanzapina IM × benzodiazepínico
Plano A
verbal
desescalação: respeito, escuta, opções, ambiente de baixo estímulo
haloperidol 5 mg + prometazina 25–50 mg · olanzapina 10 mg IM · contenção como último recurso
Contenção
q15 min
monitorizar respiração, circulação e integridade dos membros; nunca em decúbito ventral
1. Conceito: agitação é sintoma — caçar a causa antes (ou enquanto) seda
Agitação é o comportamento verbal/motor que ameaça a segurança do paciente ou de terceiros ou impede a assistência. A primeira tarefa é a CAUSA: intoxicação por estimulantes, abstinência de álcool ou benzodiazepínico, delirium orgânico, psicose, mania, hipoglicemia, hipóxia, dor, retenção urinária — cada causa direciona a droga. Sempre que possível, checar sinais vitais e glicemia: paciente hipóxico contido sem sedação adequada e sem vitais morre no leito. A escada de manejo (Project BETA) é: desescalação verbal → medicação oral → medicação parenteral → contenção mecânica como último recurso.
2. Plano A — desescalação verbal e ambiental
Apresentar-se, voz calma, manter distância segura, não bloquear a saída do paciente.
Oferecer opções ('quer andar ou sentar? quer falar com a família?') — devolver controle reduz agressividade.
Não debater delírios nem ironizar: validar o sofrimento ('sei que a voz é real para você') sem confirmar o conteúdo.
Reduzir estímulos (luz, ruído, plateia), retirar provocadores e acionar acompanhante de confiança.
Limites claros sem desafio: a segurança da equipe e do paciente vem antes de qualquer discussão.
3. Plano B — medicação por via ORAL (preferida)
Risperidona 1–2 mg em solução ± lorazepam 1–2 mg VO — opção de primeira linha na psicose/mania; na abstinência de álcool ou benzodiazepínico, lorazepam/diazepam ISOLADOS.
Olanzapina 5–10 mg orodispersível (a forma ODT contorna quem 'guarda' o comprimido).
Lorazepam 1–2 mg VO isolado quando a causa é abstinência ou intoxicação por estimulante.
Haloperidol 2–5 mg VO ± lorazepam em contexto psicótico; quetiapina 25–100 mg como alternativa sedativa em selecionados.
A via oral tem eficácia semelhante à intramuscular na maioria dos casos, com melhor aceitação — ofereça antes de agulha.
4. Plano C — medicação parenteral e contenção mecânica
Haloperidol 5 mg IM + prometazina 25–50 mg IM (clássico brasileiro: a prometazina seda e reduz EPS; anticolinérgica e hipotensora — cuidado no idoso).
Olanzapina 10 mg IM — PROIBIDO associar a benzodiazepínico parenteral no mesmo momento (depressão respiratória): aguardar ≥ 1 h.
Ziprasidona 10–20 mg IM · aripiprazol 9,75–15 mg IM · lorazepam 2 mg IM · droperidol 5–10 mg IM/IV (atenção ao QT).
Contenção mecânica: decisão de equipe, prescrição médica justificada e com tempo determinado, posicionamento que preserve vias aéreas e tórax (nunca ventral com peso sobre o corpo), monitorização a cada 15 minutos (respiração, circulação, integridade dos membros) e liberação o quanto antes.
Ter biperideno disponível quando se usa antipsicótico típico: distonia aguda (torcicolo, crise oculógica) resolve com biperideno 2–5 mg IM.
benzodiazepínico (lorazepam/diazepam) guiado por CIWA-Ar
antipsicótico como agente único — reduz limiar convulsivo
Intoxicação por estimulantes
benzodiazepínico VO/IM + resfriamento
betabloqueador isolado; contenção prolongada sem sedação (hipertermia)
Delirium orgânico (idoso)
causa + medidas não farmacológicas; haloperidol 0,5–2 mg só se agitação ameaça segurança
benzodiazepínico (deliriogênico) e anticolinérgicos (prometazina)
Idoso frágil/demência
dose mínima, reavaliar em minutos, não farmacológico em paralelo
doses de adulto jovem; polifarmácia sedativa
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 27 anos, em psicose com agitação intensa (grita, ameaça a equipe), recusa a via oral. Sinais vitais estáveis e glicemia 96 mg/dL. Próximo passo:
2.AvançadoHomem, 82 anos, 2º dia de pós-operatório de quadril, delirium hipercinético: puxa sondas, tenta levantar-se e corre risco de queda. CAM-ICU positivo; hipóxia e infecção em investigação. Conduta do plantão:
04
Risco suicida: avaliação e conduta
C-SSRS em 5 níveis · tentativa prévia como maior preditor · internação × plano de segurança · restrição de meios · lítio e clozapina
C-SSRS
1–5
gradua a ideação: de desejo de estar morto até ativa com plano e intenção
Maior preditor
tentativa prévia
impõe avaliação formal, plano de segurança e seguimento estruturado
Óbitos
~13 mil/ano
no Brasil (MS/SIM); mais de 700 mil/ano no mundo (OMS)
CVV
188
ligação gratuita 24 h — entra no plano de segurança
1. Conceito e epidemiologia
O suicídio é evento multicausal: a maioria dos casos ocorre em pessoas com transtorno mental — sobretudo transtornos de humor, psicose e uso de substâncias. Homens morrem 2–3× mais (meios mais letais), mulheres tentam mais; há picos em jovens e em idosos. No internato, a regra é simples: toda entrada psiquiátrica e todo paciente clínico com fala de desesperança ou gesto autolítico passam por avaliação de risco DOCUMENTADA — perguntar diretamente não induz o comportamento.
2. C-SSRS — a escala que organiza a conversa
Nível 1 — desejo de estar morto; nível 2 — pensamentos ativos de se matar.
Nível 3 — pensamentos com método, sem intenção de agir; nível 4 — intenção de morrer; nível 5 — intenção com plano concreto e meios acessíveis.
Comportamentos (a escala também registra): preparatório (juntar meios), interrompido, abortado e tentativa real — qualquer comportamento prévio eleva o risco de forma persistente.
Na prática: níveis 4–5 ou tentativa recente = risco iminente → internação; níveis 1–3 → estratificar com fatores clínicos e organizar cuidado com plano de segurança.
Fatores de risco
Fatores de proteção
TENTATIVA PRÉVIA (maior preditor isolado)
vínculos familiares e sociais
plano definido + acesso a meios letais (arma, estoque de medicação)
razões para viver declaradas, responsabilidades (filhos, cuidados)
depressão, psicose, transtorno bipolar, uso de substâncias; dor crônica e doença grave
tratamento ativo com acesso rápido ao serviço
perdas recentes, isolamento, impulsividade, história familiar de suicídio
restrição de meios letais; fé/prática religiosa (fator estudado como protetor)
Perguntei sobre suicídio: e agora?
Há intenção ativa com plano e acesso (C-SSRS 4–5) ou tentativa nas últimas semanas?
▼
SIM — risco iminente
Avaliação em espaço seguro; observação contínua (1:1 quando necessário); nunca deixar sozinho.
Retirada de meios: objetos cortantes, cordões/cintos, medicação própria; bag check da enfermaria.
Internação psiquiátrica — voluntária quando possível, involuntária se recusa e risco iminente.
PARCIAL — ideação sem intenção imediata
Plano de segurança escrito + restrição de meios em casa + envolver família.
Retorno em 24–72 h; CAPS/ambulatório; tratar o quadro de base (depressão, substâncias).
NEGATIVO, mas há sintomas
Tratar o quadro, psicoeducar e sinalizar à equipe.
Documentar a avaliação de risco — risco é dinâmico e se reavalia a cada turno.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 41 anos, depressão grave: pensamentos de se matar há 2 semanas, plano definido (medicação estocada e corda), intenção ativa e meios acessíveis em casa. C-SSRS nível 5. Conduta:
2.Prova difícilJovem de 22 anos retorna à emergência 10 dias após tentativa de suicídio por intoxicação medicamentosa. Diz que 'agora está melhor' e nega ideação. Conduta mais adequada:
05
Psicofármacos na enfermaria
antipsicóticos: doses e monitorização · clozapina e ANC · antidepressivos: perfis e armadilhas · lítio e litemia · EPS · troca, associação e washout
Haloperidol
2–10 mg/dia
VO; agitação 5 mg IM; QT com IV e doses altas
Clozapina
ANC
semanal × 6 m → quinzenal × 6 m → mensal; suspender se ANC < 1.000/mm³
Litemia
0,6–1,2
0,6–0,8 manutenção · 0,8–1,2 mania aguda; colher 12 h pós-dose
Trial adequado
6–8 semanas
em dose terapêutica antes de declarar falha (resposta começa em 2–4)
1. Antipsicóticos na enfermaria
Fármaco
Dose usual (mg/dia VO)
Nota de conduta
Haloperidol
2–10 (agitação: 5 mg IM)
mais EPS; QT com IV/doses altas; decanoato 50–200 mg IM a cada 4 semanas para não-aderentes
Risperidona
2–6
prolactina alta (amenorreia, galactorreia); acima de 6 soma EPS sem ganho
Olanzapina
10–20
maior ganho de peso e dislipidemia; ODT e IM disponíveis
esquizofrenia resistente (2 falhas adequadas); hemograma obrigatório; miocardite nas primeiras 8 semanas
Monitorização metabólica (ADA/APA): peso/IMC e circunferência abdominal na base, 4, 8 e 12 semanas, depois trimestral; glicemia de jejum e lipides na base, 12 semanas e anual; PA em toda visita. Ganho ≥ 7% do peso → considerar trocar para aripiprazol/ziprasidona/lurasidona.
ECG de base antes de iniciar (ou ao aumentar dose de) antipsicótico típico, ziprasidona, clozapina ou lítio — obrigatório em idoso e cardiopata.
Sintomas extrapiramidais (EPS): distonia aguda (dolorosa, horas) → biperideno 2–5 mg IM, manutenção 2–6 mg/dia VO; acatisia (inquietação interna — não confundir com piora psicótica) → reduzir dose + propranolol 30–90 mg/dia ou trocar; parkinsonismo → reduzir dose, biperideno ou trocar por quetiapina/clozapina; discinesia tardia (movimentos orofaciais após meses/anos) → reduzir/trocar, clozapina quando é preciso manter potência.
2. Antidepressivos na enfermaria
Fármaco
Faixa usual (mg/dia)
Nota de conduta
Sertralina
50–200
1ª linha geral; melhor perfil de segurança cardiovascular
Escitalopram
10–20
bem tolerado; boa escolha no idoso (vigiar sódio)
Fluoxetina
20–60
60 mg é a dose da bulimia; meia-vida longa — quase sem descontinuação, washout de 5 semanas para IMAO
Paroxetina
20–50
pior síndrome de descontinuação; inibe CYP2D6
Citalopram
20–40
máx. 40 por QT (20 acima de 60 anos)
Venlafaxina
75–225
↑ PA dose-dependente; descontinuação marcada
Mirtazapina
15–45
seda e aumenta peso — insone/emagrecido
Bupropiona
150–450
sem disfunção sexual; CONTRAINDICADA em convulsão e bulimia
Tricíclicos
75–150
2ª linha; letais em superdosagem — evitar quando há risco suicida
Armadilhas de enfermaria: hiponatremia (SIAD) no idoso nas primeiras semanas — dosar sódio diante de confusão/letargia; risco de sangramento com AAS/anticoagulantes; ativação e alerta de ideação em < 25 anos nas primeiras semanas (orientar retorno próximo, não é contraindicação); efeito inicia em 2–4 semanas, trial adequado de 6–8 semanas.
Cocktail perigoso: ISRS + tramadol, linezolida, triptanos, IMAO ou erva-de-são-joão → síndrome serotoninérgica (clônus + hiperreflexia; critérios de Hunter).
3. Lítio — o estabilizador da enfermaria
4. Troca, associação e a lógica da falha
O tratamento não respondeu
Adesão confirmada? Dose terapêutica por tempo suficiente (6–8 semanas)? Diagnóstico revisado (mania, substância, hipotireoidismo)?
▼
RESPONDEU PARCIAL
Otimizar dose até o máximo tolerado; potenciação quando indicado (ex.: aripiprazol 2–5 mg/dia, lítio, quetiapina 150–300, tri-iodotironina 25–50 mcg na depressão).
NÃO RESPONDEU — TROCAR
Cross-tapering: reduzir um enquanto aumenta o outro — evita descontinuação e recaída.
Regras de washout: IMAO exige 14 dias de intervalo para/de qualquer antidepressivo; vindo da fluoxetina, 5 semanas.
2 FALHAS ADEQUADAS
Depressão resistente → ECT, esketamina intranasal ou rTMS.
Esquizofrenia resistente → CLOZAPINA (única superior comprovada) com protocolo de hemograma.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalPaciente iniciou clozapina há 4 meses para esquizofrenia resistente, com hemogramas normais até agora. A frequência CORRETA de monitorização do ANC hoje é:
2.AvançadoMulher, 52 anos, TB-I em carbonato de lítio 900 mg/dia (litemia 0,7 mmol/L), passou a usar ketoprofeno por lombalgia e está desidratada por vômitos. Chega com tremor grosseiro das mãos, náusea e marcha atáxica; litemia 1,8 mmol/L; creatinina no basal. Conduta:
06
Transtorno psicótico internado
primeiro episódio: excluir organicidade e substância · antipsicótico único em dose de 1º episódio · ambiente estruturado e adesão · LAI · duração do tratamento
Durações
< 1 m · 1–6 m · ≥ 6 m
psicótico breve · esquizofreniforme · esquizofrenia (≥ 1 mês ativo)
TC/RM e exames conforme a pista; nunca antecipar antipsicótico dopaminérgico na intoxicação por estimulante
Afetivo com sintomas psicóticos
sintomas psicóticos que só aparecem no pico do humor (congruente)
tratar o humor: lítio/valproato + antipsicótico; revisão do quadro pregresso
Esquizofrenia/psicose primária
≥ 1 mês de sintoma ativo, disfunção funcional, sem organicidade nem substância
antipsicótico único em dose de 1º episódio + psicoeducação + rede (CAPS) na alta
1. Conceito: internar a psicose é tratar a crise e reconstruir a adesão
A internação psiquiátrica na psicose acontece no primeiro episódio (família sem suporte, recusa de tratamento, risco), na recaída por não-adesão — o cenário mais comum — e nos quadros com risco. Os objetivos são quatro: segurança, antipsicótico titulado até dose eficaz, psicoeducação com a família e construção do vínculo com a rede (CAPS) — a alta sai com plano de adesão ou antipsicótico injetável de longa duração (LAI), não apenas com a caixa de comprimidos.
2. Primeiro episódio: excluir organicidade e substância antes do rótulo
Toxirescreen (cocaína, anfetaminas, cannabis) — psicose de início agudo com uso recente é induzida até prova contrária.
TSH, hemograma, eletrólitos, cálcio, função renal e hepática, Beta-hCG; HIV e sífilis quando indicado.
Imagem cerebral e avaliação neurológica se: sinais focais, cefaleia progressiva, início após ~45 anos, trauma ou febre/convulsão — considerar encefalite autoimune quando a evolução é rápida com convulsões e disautonomia.
A duração define o nome: < 1 mês com retorno basal = psicótico breve; 1–6 meses = esquizofreniforme; ≥ 6 meses com ≥ 1 mês de fase ativa = esquizofrenia; critério A = 2 de 5 sintomas, sendo 1 entre delírios, alucinações ou discurso desorganizado.
3. Conduta na enfermaria
Ambiente de baixo estímulo, horários estruturados, equipe consistente; engajar sem debater o delírio ('discordo, mas sei que a voz é real para você').
ANTIPSICÓTICO ÚNICO (evitar polifarmácia): no 1º episódio começa em dose menor — o paciente é mais sensível à droga e aos efeitos adversos: risperidona 1 mg → 2–6 mg/dia, olanzapina 5 → 10–20 mg/dia, aripiprazol 10–15 mg/dia; reavaliar tolerabilidade em dias (EPS, sedação, QT).
Adesão como eixo central: psicoeducação com a família; LAI quando não-adesão — decanoato de haloperidol 50–200 mg IM a cada 4 semanas, decanoato de flufenazina, palmitato de paliperidona mensal.
TCC para psicose como adjuvante e reabilitação psicossocial; os sintomas negativos (5 A: afeto embotado, alogia, avolição, anedonia, associalidade) são os que definem a funcionalidade a longo prazo.
Duração do tratamento: remissão no 1º episódio → manter 1–2 anos; múltiplos episódios → 5 anos a indefinido. Sem manutenção, a recaída em ~1 ano é de ~64%, contra ~27% com o antipsicótico (Leucht, Lancet 2012).
Escalar imediatamente ao psiquiatra assistente: agitação que ameaça segurança, catatonia, suspeita de SMN, recusa alimentar e decisão de conversão involuntária.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 21 anos, primeiro episódio psicótico (delírios persecutórios, vozes) com isolamento há 3 meses; exames orgânicos e toxirescreen negativos; sem risco agressivo, aceita internação. Conduta mais adequada:
2.Prova difícilPaciente de 34 anos com esquizofrenia tem 4 internações nos últimos 3 anos — todas após abandonar o antipsicótico oral; na crise atual respondeu bem à olanzapina. A estratégia que melhor previne nova recaída:
07
Mania e depressão grave: quando internar e ECT
critérios de internação nos dois polos · lítio/valproato na mania · depressão psicótica: AD + antipsicótico · ECT: indicações, série e consentimento
Mania
≥ 1 semana
ou QUALQUER duração se a internação for necessária (critério DSM)
Mania: risco financeiro/sexual descontrolado, psicose, agressividade, exaustão e desidratação, ausência de suporte familiar, falha do manejo ambulatorial. Mania que exige internação já fecha o critério de duração, mesmo com < 1 semana.
Depressão grave: risco suicida iminente, características psicóticas, recusa alimentar e desidratação, catatonia, incapacidade de autocuidado, falha ambulatorial com estrutura insuficiente.
Discussão com o psiquiatra assistente em toda decisão de internar, de iniciar ECT e de usar antipsicótico/estabilizador em gestante, idoso e cardiopata.
Situação
Conduta de primeira linha
Mania grave (± psicose)
estabilizador com nível-alvo (lítio com litemia 0,8–1,2 mmol/L ou valproato 20–30 mg/kg/dia) ± antipsicótico (olanzapina, risperidona, haloperidol) — combinação nas graves/psicóticas
Depressão grave sem psicose
antidepressivo em dose plena + suporte; ECT quando há urgência (alto risco, recusa alimentar)
Depressão com características psicóticas
antidepressivo + antipsicótico (ex.: sertralina + olanzapina) OU ECT direta quando há risco de vida
Catatonia
lorazepam 1–2 mg IV como teste e tratamento (doses altas fracionadas nos graves); ECT na catatonia maligna/refratária
Gestante com quadro grave
ECT tem papel estabelecido quando a medicação é insuficiente ou insegura — decisão compartilhada e documentada
2. Mania na enfermaria — conduta prática
Lítio 600–1.200 mg/dia titulado a litemia de 0,8–1,2 mmol/L (colher 12 h após a dose), ou valproato 20–30 mg/kg/dia com nível de 50–125 mcg/mL — contraindicado em mulher com potencial gestacional. O antipsicótico é a ponte dos primeiros dias (resposta mais rápida nos sintomas agudos e na agitação) e o benzodiazepínico controla insônia e psicomotricidade em curto prazo. Vigiar o corpo do maníaco: desidratação, exaustão e hipertermia são as urgências físicas da mania — hidratação, vitais e, quando o quadro não cede, discussão de ECT.
3. ECT — o que o interno precisa dominar
Indicações: catatonia (inclusive maligna), risco suicida iminente, depressão psicótica com urgência, negação alimentar, refratariedade após 2 tratamentos adequados, mania/psicose refratárias selecionadas e gravidez com quadro grave.
Técnica: estímulo eléctrico breve sob ANESTESIA GERAL com succinilcolina e monitorização (EEG, cardíaca), unilateral ou bilateral conforme a urgência e a tolerância cognitiva; série típica de 6–12 sessões, 2–3×/semana.
Eficácia: superior ao antidepressivo e à ECT simulada na depressão grave (UK ECT Review Group, Lancet 2003) — é o tratamento mais eficaz disponível para a depressão grave.
Efeitos adversos: confusão pós-ictal, cefaleia e mialgia; amnésia anterógrada/retrógrada geralmente transitória — o tema que a banca explora.
Aspectos legais e éticos: no Brasil, a ECT exige consentimento informado do paciente ou do representante legal (Resolução CFM nº 1.640/2002); não é punição, não causa lesão cerebral e não é 'choque bruto'.
Após a série: MANUTENÇÃO farmacológica (antidepressivo ± estabilizador ou ECT de manutenção em selecionados) — a série isolada não previne recaída.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 58 anos, depressão grave com delírios de ruína e NEGAÇÃO ALIMENTAR há 4 dias (não aceita dieta nem líquidos); risco suicida iminente. Conduta:
2.AvançadoHomem, 30 anos, mania grave com psicose (grandiosidade delirante, agitação, insônia, gastos descontrolados) há 9 dias, internado. Conduta de primeira linha:
08
Abstinência alcoólica e outras retiradas
CIWA-Ar e tratamento guiado por escore · diazepam/clordiazepóxido/lorazepam · tiamina antes da glicose · convulsão e delirium tremens · retirada de BZD, opioide e nicotina
Tremor
6–24 h
após a última dose; CIWA-Ar ≥ 8–10 indica tratamento farmacológico
Convulsão/alucinose
12–48 h
convulsão tônico-clônica; alucinose com consciência preservada
Delirium tremens
48–96 h
mortalidade até 20% sem tratamento e 1–5% tratado
Tiamina
300 mg/dia
IV/IM, ANTES de qualquer glicose — todo alcoólico internado
1. Timeline e CIWA-Ar
Tempo após a última dose
Quadro
6–24 h
tremor, ansiedade, náusea, insônia, hiperatividade autonômica (PA e FC altas)
12–48 h
convulsões tônico-clônicas (1–2, geralmente autolimitadas com tratamento); alucinose alcoólica (auditiva, com consciência preservada)
Interpretação e conduta: < 8 = leve (observação e reavaliação periódica); ≥ 8–10 = tratar com benzodiazepínico guiado pelo escore; > 15 = grave (alto risco de convulsão/DT — reavaliação frequente e consideração de UTI).
O esquema guiado por sintomas (symptom-triggered) gasta menos benzodiazepínico que o esquema fixo — exige escala aplicada de hora em hora por equipe treinada.
Todo paciente com histórico de uso pesado de álcool internado por QUALQUER motivo entra em vigilância de abstinência: muitas internações começam como cirurgia e terminam em DT no 3º dia.
2. Outras retiradas que o interno encontra na enfermaria
Substância
Quadro e prazos
Conduta
Benzodiazepínico
quadro idêntico ao da abstinência alcoólica (tremor, ansiedade, insônia → convulsão e delirium); início conforme a meia-vida (dias a semanas)
reintroduzir/titrar benzodiazepínico na retirada complicada e planejar taper LENTO (semanas a meses) — nunca corte abrupto em uso crônico
Opioide
dor difusa, midríase, piloereção, diarreia, yawning, craving; começa em horas (curta ação); NÃO causa convulsão e raramente mata diretamente — a morte é a superdose na recaída
buprenorfina só com abstinência moderada (COWS ≥ 8–12); suporte sintomático (antiemético, antidiarreico, AINE)
Nicotina
irritabilidade, inquietação, fome, dificuldade de concentração — piora a agitação do internado com proibição de fumar
terapia de reposição de nicotina no hospital (adesivo 21 mg/dia se > 10 cigarros/dia ± goma 2–4 mg sob demanda); vareniclina planejada após a alta
Cocaína/crack
compulsão e disforia na retirada, sem síndrome física grave
psicoterapia (gestão de contingências tem a melhor evidência); tratar complicações cardiovasculares e psicose
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 49 anos, dependente de álcool, internado em clínica cirúrgica, sem bebida há 48 h: tremor grosseiro, sudorese, PA 176/102, FC 114, agitação; CIWA-Ar 18. Conduta:
2.Prova difícilMulher, 44 anos, em clonazepam 4 mg/dia há 9 anos, suspendeu abruptamente por conta própria. No 4º dia: ansiedade intensa, tremor, sudorese, insônia e uma convulsão tônico-clônica presenciada. Diagnóstico e conduta:
09
CAPS e RAPS, psiquiatria de ligação e alta
Portaria 3.088/2011 · CAPS I/II/III, CAPSi e CAPSad · delirium no paciente clínico · depressão no doente clínico · alta com vínculo na rede
RAPS
Portaria 3.088/2011
rede psicossocial: CAPS, emergência, leitos em HG, acolhimento, SRT
CAPS III
24 h
população > 200 mil hab; leitos de atenção intensiva de curta permanência
Delirium
CAM/CAM-ICU
hipoativo é o subtipo mais comum e o mais perdido — quieto não é resolvido
Retorno pós-alta
≤ 7 dias
CAPS/ambulatório agendado ANTES da alta
1. RAPS e CAPS — onde o paciente vai depois da porta
A reforma psiquiátrica brasileira (Lei 10.216/2001) substituiu o modelo asilar pela atenção territorial, organizada pela Rede de Atenção Psicossocial (Portaria GM/MS nº 3.088/2011). Os pontos da rede: atenção básica (porta de entrada e cuidado contínuo), CAPS, urgência/emergência psiquiátrica (UPS), leitos de saúde mental em hospital geral, unidades de acolhimento, Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), centros de convivência e consultórios na rua. O CAPS é o substitutivo ao hospital: cuidado intensivo diurno sem tirar o paciente do território.
Serviço
População de referência
Característica-chave
CAPS I
20.000–70.000 hab
porte menor para municípios pequenos, equipe básica; cuidado intensivo diurno
CAPS II
70.000–200.000 hab
equipe multidisciplinar ampliada; o CAPS 'padrão' dos transtornos mentais graves
CAPS III
> 200.000 hab
FUNCIONA 24 h com leitos de atenção intensiva de curta permanência
CAPSi
70.000–200.000 hab
infantojuvenil — transtornos mentais graves e persistentes de crianças e adolescentes
CAPSad
—
álcool e outras drogas; oferta intensiva, semi-intensiva e não intensiva (alguns 24 h)
Descompensação de paciente crônico conhecido da rede
O CAPS consegue manejar com intensificação ou há critério de internação?
Registrar no projeto terapêutico o plano de crise para o próximo episódio.
RISCO CONTROLÁVEL EM CURTO PRAZO
CAPS III com leito de curta permanência quando disponível — internação breve dentro da rede.
Discussão entre CAPS e hospital antes de decidir o leito.
RISCO IMINENTE / quadro grave
Internação hospitalar (enfermaria psiquiátrica ou leito em hospital geral) com formalização da lei.
Alta SEMPRE com retorno ao CAPS agendado (≤ 7 dias) e plano de crise.
2. Psiquiatria de ligação — o psiquiatra no paciente clínico
Delirium (a chamada mais comum): distúrbio de atenção com início agudo e curso flutuante; subtipo hipoativo é o mais frequente e o mais perdido. Tratar a CAUSA + medidas não farmacológicas (protocolo HELP: reorientação, óculos/aparelho auditivo, ciclo luz-sono, mobilização, hidratação, retirar sondas e contenções).
Antipsicótico NÃO encurta delirium (PADIS 2018; MIND-USA, NEJM 2018): haloperidol 0,5–2 mg apenas se a agitação ameaça segurança, na menor dose pelo menor tempo; benzodiazepínico é deliriogênico — exceto abstinência de álcool/BZD.
Delirium associa-se a maior mortalidade e declínio cognitivo posterior (Marcantonio, NEJM 2017) — é sinal vital mental, não 'confusão normal do idoso'.
Depressão no doente clínico: frequente pós-IAM, AVC, câncer e em diálise; piora prognóstico e adesão; rastreio com PHQ-2/PHQ-9, diferenciar sintomas somáticos da doença base e tratar (ISRS — sertralina com melhor segurança cardiovascular; cuidado com interações e QT).
Sempre avaliar risco suicida no paciente clínico que chama atenção por desesperança, recusa de alta ou gesto — o leito clínico tem meios letais à mão (medicações).
3. Alta com rede — o fim da internação começa na admissão
Medicação revisada e prescrita com clareza para o período até a consulta já agendada.
Consulta no CAPS/ambulatório marcada ANTES da alta, idealmente nos primeiros 7 dias.
Plano de crise escrito com sinais de alerta, o que fazer e CVV 188; família orientada sobre medicação e risco.
Restrição de meios letais confirmada em casa; quando não existe rede social, avaliar unidade de acolhimento/SRT.
Sumário de alta completo (quadro, conduta, medicação, plano) para o serviço de destino — a continuidade do cuidado é medida de desfecho, não burocracia.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.AvançadoO cirurgião liga para o internato: 'meu paciente de 79 anos está muito calmo desde ontem, dorme o dia todo, não conversa e não se alimenta'. Exames: hiponatremia, infecção urinária; em uso de omeprazol e benzodiazepínico noturno. Avaliação mais adequada:
2.FundamentalSobre a rede de atenção psicossocial (RAPS), o CAPS III caracteriza-se por:
R
Revisão de alta performance
Para a véspera: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem a prova e a plantonada
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 Avaliação e EEM
Avaliação clínica com 7 eixos de EEM e tri-avaliação de risco documentada; os quatro que não podem faltar: suicídio, mania, psicose, substâncias.
Vocabulário do EEM (humor × afeto; delírio × alucinação) e apresentação de caso
02 Internação e Lei 10.216
Internar é exceção (art. 4º); voluntária sai a qualquer momento; involuntária: MP em 72 h e sumário 30/7; compulsória é do juiz.
Modalidades, prazos e direitos do internado
03 Agitação (A/B/C)
Desescalação → VO (risperidona 1–2 ± lorazepam; olanzapina ODT) → IM (haloperidol 5 + prometazina 25–50) → contenção com monitorização q15 min.
Doses do Project BETA e olanzapina IM × BZD
04 Risco suicida
C-SSRS 1–5; níveis 4–5 = internar + retirar meios + observação; plano de segurança em 6 passos; contrato não protege.
C-SSRS, restrição de meios e plano de segurança
05 Psicofármacos
Antipsicóticos e antidepressivos com doses e monitorização; clozapina e ANC; lítio com litemia-alvo; cross-tapering e washout de IMAO.
Doses, clozapina (ANC) e litemia
06 Psicose internada
Excluir organicidade/substância; antipsicótico único em dose de 1º episódio; LAI para não-adesão; manter 1–2 anos no 1º episódio.
1º episódio: dose menor e exclusão orgânica
07 Mania e depressão grave
Internar por risco/psicose/recusa alimentar; mania com litemia 0,8–1,2; depressão psicótica = AD + antipsicótico ou ECT; ECT 6–12 sessões.
Critérios de internação e ECT
08 Abstinência e retiradas
CIWA-Ar ≥ 8–10 → benzodiazepínico; tiamina antes da glicose; convulsão 12–48 h e DT 48–96 h; BZD taper lento; opioide não convulsiona.
Timeline da abstinência e CIWA-Ar
09 CAPS, RAPS e ligação
Portaria 3.088/2011; CAPS III 24 h com leitos; delirium: causa + não farmacológico, antipsicótico não é rotina; alta com rede em ≤ 7 dias.
Tipos de CAPS e delirium do paciente clínico
Números que você precisa saber de cor
Tema
Número
EEM e risco
7 eixos de EEM · 3 eixos de risco (suicídio, violência, autonegligência) · MEEM ≥ 24 em escolarizados
Lei 10.216/2001
internar só se extra-hospitalar insuficiente (art. 4º) · MP em 72 h (involuntária) · sumário aos 30 dias e de 7 em 7 · alta voluntária imediata
6–24 h tremor · 12–48 h convulsão/alucinose · 48–96 h DT · CIWA ≥ 8–10 trata · diazepam 10–20 mg · tiamina 300 mg/dia antes da glicose
Psicose
breve < 1 m · esquizofreniforme 1–6 m · esquizofrenia ≥ 6 m · manutenção 1–2 anos no 1º episódio · recaída ~64% × ~27%
Rede e alta
CAPS I 20–70 mil · CAPS II 70–200 mil · CAPS III > 200 mil (24 h com leitos) · consulta pós-alta ≤ 7 dias
Macetes que salvam
Macete
Regra
Os quatro que não podem faltar
em toda avaliação: suicídio · mania · psicose · substâncias — cada um muda a conduta.
Planos A-B-C da agitação
A: desescalação verbal · B: via oral · C: IM/contenção — subir degrau só quando o anterior falha.
Voluntário sai, involuntário informa, compulsório é do juiz
alta imediata por vontade própria · MP em 72 h + sumário 30/7 · ordem judicial.
Clozapina 6-6-1
semanal por 6 meses → quinzenal por 6 meses → mensal; suspender se ANC < 1.000/mm³.
Tiamina antes da glicose
alcoólico desnutrido + glicose venosa sem B1 = Wernicke iatrogênico.
Humor relata, afeto observa
delírio é crença, alucinação é percepção sem estímulo, ilusão é estímulo distorcido.
As pegadinhas mais cobradas
Paciente VOLUNTÁRIO que pede alta não pode ser retido — se há risco iminente, converte-se formalmente em involuntária, não se segura a porta.
Comunicação ao MP em 72 h é da INVOLUNTÁRIA (com laudo); ordem judicial é da COMPULSÓRIA — a banca troca as modalidades.
Contenção em decúbito ventral com peso sobre o tórax mata por asfixia; monitorização a cada 15 min é exigência, não sugestão.
Olanzapina IM + benzodiazepínico parenteral no mesmo momento = depressão respiratória — aguardar ≥ 1 h.
Na abstinência de álcool/BZD o benzodiazepínico é 1ª linha; antipsicótico isolado reduz o limiar convulsivo — o erro é inverter os contextos (delirium × abstinência).
Abstinência de opioide NÃO causa convulsão; a convulsão de retirada é de álcool e benzodiazepínico — e fenitoína não previne.
Contrato de não-suicídio não tem eficácia comprovada — plano de segurança, restrição de meios e seguimento sim.
Depressão psicótica não se trata com antidepressivo isolado: AD + antipsicótico ou ECT.
Valproato contraindicado em mulher com potencial gestacional; lamotrigina exige titulação lenta (25 → 200 mg).
Antipsicótico não encurta delirium (PADIS/MIND-USA) — haloperidol 0,5–2 mg só para agitação que ameaça segurança.
Tabagista internado sem cigarro: nível de clozapina SOBE (indução CYP1A2 perdida) — vigiar toxicidade.
ECT exige consentimento informado (CFM 1.640/2002), a amnésia é transitória e a eficácia na depressão grave é superior ao antidepressivo (Lancet 2003).
Informações que não podem ser esquecidas
Toda avaliação psiquiátrica termina com risco documentado (suicídio, violência, autonegligência) e definição do nível de cuidado.
Toda internação começa com: checagem de pertences, exames de entrada, ECG antes de antipsicótico/lítio e formalização correta da modalidade legal.
Todo paciente agitado: vitais + glicemia + causa antes (ou enquanto) seda; abstinência pede benzodiazepínico, não antipsicótico.
Toda ideação suicida: perguntar plano, intenção e acesso a meios; risco é dinâmico — reavaliar a cada turno e em todo retorno.
Todo alcoólico internado: tiamina parenteral antes da glicose e CIWA-Ar de rotina — a internação clínica pode terminar em DT no 3º dia.
Toda prescrição de lítio: checar AINE, IECA, tiazídico e hidratação do leito; tremor grosseiro e ataxia são alarme.
Toda alta: consulta na rede agendada em ≤ 7 dias, plano de crise escrito, restrição de meios em casa e família orientada.
Chamar/escalar o psiquiatra imediatamente diante de: risco iminente, catatonia, suspeita de SMN, litemia > 1,5 sintomática, CIWA > 15, contenção e conversão involuntária.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Confusão flutuante + desatenção no paciente clínico
Delirium — caçar a causa; CAM; antipsicótico só se ameaça segurança
Tremor grosso + taquicardia 48 h após parar o álcool
Abstinência — CIWA-Ar + benzodiazepínico + tiamina antes da glicose
Internado voluntário pede alta por escrito
Pode sair — retenção é ilegal; converter em involuntária só com risco iminente formalizado
Plano concreto + meios acessíveis (C-SSRS 5)
Risco iminente — internar, observação contínua e retirada de meios
Tremor grosseiro + ataxia em quem usa lítio com AINE
Intoxicação por lítio — suspender, hidratar, repetir litemia
4 reinternações por abandonar a medicação oral
LAI + CAPS — não é resistência, é adesão
Idoso pós-operatório quieto, sonolento e sem comer
Delirium hipoativo — o mais grave e o mais perdido
Delírio de ruína + recusa alimentar
Depressão psicótica com risco de vida — internar e ECT
Convulsão no 4º dia após parar clonazepam
Abstinência de benzodiazepínico — reestabilizar e taper lento
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.AvançadoFamília traz homem de 60 anos com psicose há 3 semanas: não se alimenta, corre para a rua, sem insight, recusa internação voluntária. Não há juiz disponível hoje. Modalidade e conduta adequada:
2.AvançadoJovem trazido pela vigilância à emergência, muito agitado, taquicárdico e sudoréico, com midríase; não há história disponível. Primeira abordagem:
3.IntermediárioHomem, 28 anos, depressão moderada (PHQ-9 = 14): admite pensamentos de morte e de se matar, mas nega intenção e plano; família presente, sem tentativa prévia, sem acesso a armas. C-SSRS nível 3. Conduta:
4.Prova difícilPaciente com esquizofrenia resistente iniciou clozapina há 3 meses. Hemograma de rotina: ANC 700/mm³, sem sintomas infecciosos. Conduta:
5.FundamentalSobre a eletroconvulsoterapia (ECT), assinale a afirmativa CORRETA:
6.IntermediárioHomem, 55 anos, dependente de álcool, há 36 h sem beber desde a internação: refere ouvir vozes que o insultam, está consciente, orientado, com tremor e sudorese; CIWA-Ar 12. Diagnóstico e conduta:
7.FundamentalTabagista de 30 cigarros/dia, internado por psicose, está irritado e inquieto porque o hospital proíbe fumar; há 12 h sem nicotina. Além do tratamento do quadro agudo, medida adequada:
8.FundamentalNa rede de atenção psicossocial (RAPS), qual componente funciona 24 horas e dispõe de leitos de atenção intensiva de curta permanência?
Gabarito rápido
1-B · 2-C · 3-C · 4-C · 5-C · 6-B · 7-B · 8-C
Referencial teórico
17 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoWilson MP, Pepper D, Currier GW, Holloman GH, Feifel D. The Psychopharmacology of Agitation: Consensus Statement of the American Association for Emergency Psychiatry Project BETA Psychopharmacology Workgroup. West J Emerg Med. 2012;13(1):26–34.doi.org/10.5811/westjem.2011.9.6866
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diretriz / revisãoBrasil. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001 — dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.
diretriz / revisãoBrasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011 — institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas.
diretriz / revisãoConselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 1.640/2002 — autoriza a utilização da terapia eletroconvulsivante e define requisitos de consentimento.
notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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