Baseado nos marcos e protocolos que regem a atenção primária brasileira (Portaria GM/MS 2.436/2017 — PNAB, Portaria 4.279/2010 — RAPS de doenças crônicas, Portaria 3.088/2011 — Rede de Atenção Psicossocial, Lei 10.216/2001, calendário do PNI, Cadernetas da Criança e da Gestante, rotinas INCA) e nas diretrizes clínicas vigentes com DOI verificado (SBC, SBD, OMS, Cochrane). Resumo de estudo — na prática, confira sempre a versão vigente da norma e o protocolo do serviço; portarias, calendários e limiares mudam.
01
A APS e o papel do interno na ESF
PNAB 2017 e Rede de Atenção Primária · eSF, eSB, NASF-AB e ACS · território e população adscrita · o internato como prática supervisionada · agenda do interno · indicadores da equipe (SISAB)
PNAB
2.436/2017
Portaria GM/MS que rege a atenção básica
eSF
≤ 3.500
pessoas adscritas por equipe
ACS
1 : 750
um ACS por até 750 pessoas (microárea)
Jornada
40 h
carga horária mínima semanal da equipe
1. O desenho das equipes na PNAB 2017
Equipe/dispositivo
Composição e parâmetro
Ponto de prova
eSF
médico (preferencialmente com formação em MFC), enfermeiro, técnico/auxiliar de enfermagem e ACS; até 3.500 pessoas adscritas; jornada mínima de 40 h semanais
o parâmetro populacional é POR EQUIPE — a UBS pode ter várias equipes
eSB
cirurgião-dentista + auxiliar/técnico em higiene dental, em modalidades I, II ou III conforme composição
integrada à eSF, não funciona em paralelo
NASF-AB
profissionais de áreas diversas (psicologia, nutrição, farmácia, fisioterapia, serviço social etc.)
apoio MATRICIAL a conjuntos de eSF (modalidade 1: 5 a 15 equipes; modalidade 2: 3 a 9) — não recebe demanda espontânea
ACS
morador da microárea, 1 para até 750 pessoas, com cobertura de 100% da população adscrita
vínculo territorial, cadastro, visita domiciliar — não é agente de endemias
eMulti
equipes multiespecialidades em intervenção comunitária
atuação no território junto às eSF
2. O que o interno faz na ESF (prática supervisionada)
Acolhimento e demanda espontânea: avaliação inicial de risco, resolução do que cabe na APS e agendamento quando programável.
Consultas programadas de crônicos (hipertensos e diabéticos), prénatal e puericultura — o coração da agenda do internato.
Visitas domiciliares junto ao ACS e à enfermagem: cadastramento, risco familiar, busca ativa de faltosos, puerpério e recém-nascido.
Atividades coletivas (grupos operativos) e ações no território, com registro no prontuário e nos sistemas (e-SUS AB/SISAB).
Discussão de casos e matriciamento com NASF-AB e referência especializada; participação nas reuniões de equipe.
Projetos de intervenção local com o preceptor (módulo 8) — o internato é também aprendizado de planejamento e gestão.
3. Indicadores que a equipe monitora (e que o interno alimenta)
Indicador
O que mede
Onde o interno interfere
Cobertura da APS/eSF
proporção da população sob responsabilidade de equipes
cadastro, captação no território
Prénatal (início no 1º trimestre; ≥ 6 consultas)
acesso oportuno e longitudinalidade
captação de gestantes, busca ativa de faltosas
Cobertura do citopatológico
rastreamento do câncer do colo
coleta/chamada programada
Cadastramento de hipertensos e diabéticos e produção de consultas
manejo programático das crônicas
consultas programadas com metas documentadas
Internações por condições sensíveis à APS (ICSAP)
proxy de resolutividade da equipe
bom manejo das crônicas e seguimento
Usuário chega à UBS — como a equipe organiza?
A necessidade pode ser resolvida com os recursos da própria APS?
▼
SIM → resolvo na APS
Consulta completa (anamnese, exame físico, conduta) e registro — a APS resolve a maioria das necessidades.
Agendar retorno conforme risco (crônicos: 3 a 6 meses; gestante e lactente: cronograma próprio).
PARCIAL → programa com apoio
Discutir com NASF-AB (apoio matricial) ou saúde bucal e pactuar plano com o usuário (projeto terapêutico).
Reavaliar em prazo curto definido; documentar a pactuação.
NÃO → interconsulta regulada
Encaminhamento com informação clínica completa e responsabilidade mantida pela APS.
Ler e incorporar a contrarreferência; agendar retorno na UBS após a especialidade.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalSobre a equipe de Saúde da Família conforme a Política Nacional de Atenção Básica vigente, é correto afirmar:
2.AvançadoA equipe discute reorganizar o fluxo para reduzir espera: alguém propõe que o psicólogo do NASF-AB passe a atender toda demanda espontânea de ansiedade encaminhada por qualquer usuário, sem discussão com as eSF, para descongestionar a agenda médica. A avaliação correta da proposta é que ela:
02
A consulta na APS: acolhimento, longitudinalidade e coordenação
acolhimento como postura · clínica ampliada · consulta centrada na pessoa (ICE) · queixa, necessidade e demanda · lista de problemas e plano · responsabilidade pela referência e contrarreferência
Atributos
PuLIC
primeiro contato · longitudinalidade · integralidade · coordenação
ICE
3 perguntas
ideias, preocupações e expectativas do usuário
Crônicos
3–6 meses
intervalo usual da consulta programada conforme controle
Tríade
Q-N-D
queixa, necessidade e demanda — a divergência gera conflito
1. A consulta centrada na pessoa (o padrão-ouro da APS)
A consulta centrada na pessoa explora dois registros: a DOENÇA (sintomas, sinais, exames) e a doença NA PERSPECTIVA DO USUÁRIO — suas IDEIAS sobre o que acontece, PREOCUPAÇÕES (concernências) e EXPECTATIVAS, além do impacto na vida (modelo de Stewart, amplamente validado: melhora adesão, satisfação e desfechos, com pouca sobrecarga de tempo). Ignorar o segundo registro é a causa clássica de insatisfação, peregrinação entre serviços e não adesão — e é o cenário favorito das questões.
Dimensão
Consulta centrada só no biomédico
Consulta centrada na pessoa
Foco
doença e procedimento
pessoa + doença, contexto de vida e família
Perguntas
sintomas, duração, fatores modificadores
as mesmas + o que você acha que é? o que te preocupa? o que esperava de hoje?
Registro
queixa → hipótese → exames
lista de problemas clínicos e biográficos + plano pactuado
Resultado
exame pedido, sem pacto
adesão maior, vínculo, longitudinalidade
2. Instrumentos da longitudinalidade e da coordenação
Prontuário único e LISTA DE PROBLEMAS (ativos e inativos/resolvidos): memória clínica da equipe e instrumento direto da longitudinalidade.
Consulta programada para crônicos (3 a 6 meses conforme controle) com metas documentadas — o acompanhamento não depende do usuário lembrar de voltar.
Busca ativa de faltosos (prénatal, crônicos descompensados, vacinas) — a equipe procura o usuário, não o contrário.
Interconsulta com informação clínica completa, mantendo a responsabilidade pela condução geral do caso.
Contrarreferência lida, discutida e incorporada à lista de problemas; retorno programado na UBS após a especialidade.
Demanda espontânea na UBS
O acolhimento identifica sinal de urgência ou gravidade?
▼
SIM
Conduta urgente imediata (estabilização) e regulação para o ponto adequado da rede.
Registrar o episódio e comunicar a equipe para o seguimento posterior.
NÃO — resolvível na APS
Consulta centrada na pessoa (ICE incluída), exame físico dirigido, conduta com plano e retorno.
Elicitar expectativas previne a consulta insatisfeita — mesmo quando a resposta é negar um exame desnecessário.
NÃO — precisa de especialista
Interconsulta regulada com informação completa; APS permanece responsável pelo plano geral.
Contrarreferência incorporada e retorno agendado na UBS.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher de 34 anos volta à consulta por cefaleia tensional recorrente; na primeira consulta o interno pediu tomografia e exames laboratoriais, todos normais, e a paciente retorna dizendo que “não foi ouvida” e que teme um tumor. A falha principal da consulta anterior foi:
2.Prova difícilPaciente com dermatite foi encaminhado à dermatologia há 4 meses; não houve retorno, a contrarreferência nunca chegou e o usuário hoje recorre ao pronto-socorro para renovar receita. Na análise do caso, o atributo da APS rompido e a conduta de correção são, respectivamente:
03
Hipertensão e diabetes na APS: protocolo com metas
RAPS de doenças crônicas e malhas de cuidado · diagnóstico com valores · mudança de estilo de vida · metformina e escalonamento · metas de PA, HbA1c e LDL · exame dos pés e fundo de olho · cadastro e consulta programada
Meta PA
< 140/90
mmHg (considerar < 130/80 em alto risco cardiovascular)
Meta HbA1c
< 7%
individualizar (7–8%) em idoso frágil
DM2 — diagnóstico
≥ 126 / ≥ 6,5% / ≥ 200
glicemia jejum (mg/dL) · HbA1c · 2 h TOTG ou casual com sintomas
Metformina
1ª linha
titulada até 2.000–2.550 mg/dia; contraindicada com TFG < 30
1. Hipertensão arterial: diagnóstico e avaliação inicial
Diagnóstico: PA ≥ 140/90 mmHg na consulta, confirmada em pelo menos duas ocasiões, com técnica correta (5 min de repouso, sentado, manguito adequado ao braço, 2–3 medidas por ocasião).
MAPA/MRPA para dúvidas diagnósticas (hipertensão do avental branco, efeito de avental branco, avaliação de resposta ao tratamento).
Avaliação inicial (uma vez): creatinina/TFG, potássio, urina tipo I (proteinúria/hematúria), glicemia de jejum, lipidograma e ECG — detecta lesão de órgão-alvo e causas secundárias óbvias.
Estratificação de risco cardiovascular global orienta início e intensidade do tratamento e as metas dos demais fatores.
2. HT: conduta (estilo de vida sempre; fármaco conforme risco)
Bloco
Conteúdo prático
Ponto de prova
Estilo de vida
sal < 5 g/dia (≈ 2 g de sódio); perda de peso se sobrepeso; atividade física moderada 150–300 min/semana; moderação de álcool; cessação do tabagismo
recomendações da OMS/diretrizes vigentes — 150–300 min/sem é o número mais cobrado
Fármacos de 1ª linha
diurético tiazídico, IECA ou BRA, antagonista de canal de cálcio (amlodipina) — iniciar monoterapia em risco baixo
combinação em dose fixa/pastilhão melhora adesão
Combinação inicial
admitida quando PA ≥ 160/100 mmHg ou alto risco cardiovascular
usar classes COMPLEMENTARES
Nunca
IECA + BRA juntos
a pegadinha farmacológica nº 1 — risco de lesão renal e hiperpotassemia sem benefício
HT resistente
PA acima da meta com 3 fármacos em dose plena, incluindo diurético
3. Diabetes melito tipo 2: diagnóstico com valores
Teste
Valor de corte
Observação
Glicemia de jejum
≥ 126 mg/dL
jejum de 8–14 h; 100–125 mg/dL = pré-diabetes
TOTG 75 g (2 h)
≥ 200 mg/dL
140–199 mg/dL = pré-diabetes (intolerância)
HbA1c
≥ 6,5%
método certificado; 5,7–6,4% = pré-diabetes
Glicemia casual
≥ 200 mg/dL + sintomas clássicos
poliúria, polidipsia, perda de peso — pode dispensar o 2º teste
Regra de confirmação
dois testes alterados (mesmo ou distintos)
exceto casual ≥ 200 com sintomas clássicos
Rastreamento
a partir dos 35 anos com excesso de peso e ≥ 1 fator de risco (e antes em obesidade grave, DMG prévia, parente de 1º grau, HAS, dislipidemia)
fatores acumulam: filho de diabético com pressão alta entra mais cedo
4. DM2: conduta, metas e monitoramento na APS
Base sempre: alimentação saudável + atividade física (150 min/semana de intensidade moderada) + educação e adesão.
Metformina é a primeira linha: iniciar 500–850 mg 1x/dia junto à refeição, titular gradualmente até 1.000 mg 2x/dia (máximo usual 2.000–2.550 mg/dia); contraindicada com TFG < 30 mL/min/1,73 m² (reduzir entre 30 e 45); suspender em descompensação aguda/hipóxia — a titulação lenta minimiza efeitos gastrointestinais.
Segundo agente conforme perfil (evitar hipoglicemia em idoso: preferir iDPP-4 ou iSGLT2 a sulfonilureia; iSGLT2 com benefício cardiorrenal; GLP-1 em obesidade) — e insulina quando há HbA1c muito elevada com sinais de catabolismo ou falência do esquema oral.
Metas: HbA1c < 7% (individualizar 7–8% em idoso frágil/multimorbidades); PA < 140/90 mmHg; LDL-colesterol conforme risco cardiovascular global: < 130 mg/dL (baixo risco), < 100 (intermediário), < 70 (alto risco) — com estatinas quando indicadas.
Monitoramento: HbA1c a cada 3 meses até atingir a meta (2x/ano quando estável); exame dos PÉS em toda consulta (pele, pulsos, deformidades) + monofilamento de 10 g e diapasão de 128 Hz ao menos 1x/ano; fundo de olho 1x/ano; pesquisa de albuminúria na avaliação e periodicamente.
Programar: cadastro da equipe, consulta com intervalos de 3 a 6 meses, busca ativa de faltosos, vacinação (influenza anual) e grupo de crônicos.
Item
Frequência na APS
Valor-alvo
Consulta programada HT/DM
3 a 6 meses conforme controle
PA < 140/90 · HbA1c < 7%
HbA1c
cada 3 meses até a meta; 2x/ano se estável
< 7% (7–8% em idoso frágil)
Exame dos pés
inspeção em toda consulta; monofilamento 10 g + diapasão 128 Hz ao menos 1x/ano
sem lesão/alteração sensitiva
Fundo de olho (retinopatia)
1x/ano
sem retinopatia ou em seguimento
Lipides/risco CV
na avaliação e conforme conduta
LDL < 130 / < 100 / < 70 mg/dL conforme risco
Pressão arterial elevada na consulta
PA ≥ 140/90 mmHg confirmada em segunda ocasião?
▼
NÃO (primeira medida elevada)
Repetir medidas na mesma consulta e agendar segunda ocasião (ou solicitar MAPA/MRPA).
Iniciar estilo de vida desde já: sal, peso, atividade física.
SIM — risco baixo, sem lesão de órgão
Estilo de vida e monoterapia de 1ª linha (tiazídico, IECA/BRA ou CCI); reavaliar em 2–4 semanas.
Meta < 140/90 mmHg; exames iniciais (creatinina, potássio, urina I, glicemia, lipides, ECG).
SIM — PA ≥ 160/100 ou alto risco
Iniciar com combinação de classes complementares; nunca IECA + BRA.
Metas mais estritas conforme risco; investigar causas secundárias se sugestivas e referenciar quando protocolo indicar.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem de 47 anos, tabagista, comparece a duas consultas com PA de 152/96 e 148/94 mmHg; sem lesão de órgão-alvo, com exames iniciais normais e risco cardiovascular baixo. A conduta correta é:
2.Prova difícilMulher de 58 anos com DM2 em metformina 1.000 mg 2x/dia e estilo de vida orientado; TFG normal, sem sintomas. HbA1c atual: 8,9% (era 8,1% há 6 meses). A conduta mais adequada é:
04
Puericultura e saúde da criança
caderneta da criança · curvas da OMS e z-escores · marcos do desenvolvimento e sinais de alerta · aleitamento materno e introdução alimentar · vitamina D · calendário vacinal · visita da primeira semana
AM exclusivo
6 meses
e complementado até 2 anos ou mais
Curvas OMS
2006
padrão internacional (0–5 anos)
Vitamina D
400 UI/dia
suplementação para lactentes, conforme recomendação vigente
Alerta nutricional
z < -2
peso/estatura abaixo de -2 DP exige avaliação; < -3 é grave
1. Cronograma de consultas e antropometria
Cronograma usual: na maternidade/alta; 5–7 dias; 1º, 2º, 4º, 6º, 9º e 12º meses; a cada 3 meses no 2º ano; semestrais a partir dos 3 anos conforme risco.
Medidas: peso, comprimento (até 2 anos; altura depois), perímetro cefálico até 24 meses e IMC — sempre registradas na caderneta e reportadas ao SISVAN.
Curvas: OMS 2006 de 0 a 5 anos (padrão de crianças em aleitamento materno, ambiente saudável) e OMS 5–19 anos depois.
Índice
Classificação
Conduta
Peso/estatura < -3 DP
desnutrição grave
avaliação clínica imediata (internar se complicada/sinais de perigo)
Peso/estatura -3 a -2 DP
alerta nutricional
avaliar amamentação/alimentação, intercorrências; reavaliar em 15–30 dias
Peso/estatura entre -2 e +1 DP
adequado
manter seguimento programado
IMC > +1 DP
sobrepeso
orientação alimentar e atividade; investigar causas se indicado
IMC > +2 DP / > +3 DP
obesidade / obesidade grave
avaliação completa (comorbidades) e plano familiar
Cruzamento de ≥ 2 canais percentilares
sinal de alerta
avaliar causas — em qualquer direção
2. Aleitamento materno e alimentação complementar
Aleitamento materno EXCLUSIVO até os 6 meses; complementado (não interrompido) até 2 anos ou mais.
Impacto da série Lancet de 2016: amamentar nos padrões recomendados poderia evitar cerca de 823 mil óbitos de crianças menores de 5 anos por ano no mundo, além de reduzir câncer de mama materno — na consulta, avaliar PEGA e posição em toda falha de ganho de peso.
Suplementação de vitamina D 400 UI/dia para lactentes (conforme recomendação vigente) — o leite materno cobre quase tudo, menos essa dose de segurança.
Introdução alimentar aos 6 meses: comida da família em consistência adequada, sem açúcar no primeiro ano (e evitado até os 2 anos), MEL contraindicado antes de 1 ano (risco de botulismo) e leite de vaca não oferecido antes de 12 meses.
Fórmula infantil só quando indicada por protocolo (o leite comum não substitui) — e sempre com orientação escrita e retorno.
3. Marcos do desenvolvimento e sinais de alerta
Idade
Marcos esperados (referências usuais)
Sinal de alerta se ausente
2 meses
sorriso social; fixa o olhar
sem interação visual/sorriso após 2–3 meses
3–4 meses
sustentação cefálica; segue objetos
cabeça caída após 4 meses
4–6 meses
rola; alcança e leva objetos à boca
—
6–8 meses
senta sem apoio; balbucia
não senta sem apoio aos 9–10 meses
9–12 meses
fica em pé com apoio; primeiras sílabas/palavras
—
12–15 meses
marcha independente; 2–3 palavras
não anda aos 18 meses
18 meses
± 10 palavras; usa colher; aponta
nenhuma palavra aos 18 meses
24 meses
frases de 2 palavras; corre
sem frases aos 24 meses
Idade
Vacinas (âncoras do PNI)
Nota
Ao nascer
BCG-ID + hepatite B (preferencialmente nas primeiras 24 h)
z < -3 ou sinais de perigo (desidratação, letargia, mamar mal)
Avaliação clínica imediata e encaminhamento/hospitalização conforme gravidade.
Registrar na caderneta e notificar/investigar conforme protocolo se houver agravo.
z entre -3 e -2 ou cruzou canais para baixo
Avaliar técnica e pega da amamentação (mãe e bebê observados mamando), intercorrências e alimentação.
Reforçar aleitamento, agendar retorno em 15–30 dias com pesagem — a APS resolve a maioria.
Peso adequado, mas IMC subindo (z > +1)
Orientação alimentar da família (açúcar, ultraprocessados), atividade lúdica e reavaliação programada.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalLactente de 4 meses, nascido a termo, em aleitamento materno exclusivo com boa pega e ganho de peso adequado pela curva da OMS. A mãe pergunta o que deve fazer com a alimentação dele. A orientação correta é:
2.AvançadoCriança de 18 meses trazida à UBS: anda apoiado, mas não marcha independente; a família refere nenhuma palavra intencional; nada foi perdido de habilidades já adquiridas. A conduta correta é:
05
Saúde da mulher: pré-natal, rastreamento e contracepção
pré-natal de baixo risco (rotina do MS) · exames e suplementos · TOTG e diabetes gestacional · sífilis na gestação · citopatológico (INCA) · contracepção: eficácia e critérios de elegibilidade · puerpério
Prénatal
≥ 6 consultas
início no 1º trimestre; mensal até 28 sem · quinzenal até 36 · semanal até o parto
VDRL
2 momentos
1º e 3º trimestres (+ parto)
TOTG 75 g
24–28 sem
DMG: jejum ≥ 92 · 1 h ≥ 180 · 2 h ≥ 153 mg/dL
Citopatológico
25–64 anos
anual; trienal após 2 anuais normais consecutivos
1. Pré-natal de baixo risco: rotina mínima do Ministério da Saúde
Item
Rotina
Ponto de prova
Consultas
mínimo de 6, com 1ª no 1º trimestre; mensais até 28 semanas, quinzenais até 36, semanais até o parto
gestante captada tarde = busca ativa e ajuste de rotina
1ª consulta
tipagem ABO/Rh, hemograma, VDRL, anti-HIV, HBsAg, urina tipo I, parasitológico de fezes, glicemia de jejum + USG para datação (ideal 1º trimestre)
USG de datação evita erros de idade gestacional
Repetições
VDRL no 3º trimestre e no parto; hemograma e urina conforme achados; TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas
VDRL tem DOIS momentos + parto — a banca troca
Suplementos
ácido fólico 5 mg/dia + sulfato ferroso 40 mg elementar/dia; vitamina A 200.000 UI dose única no pós-parto imediato em áreas de deficiência, conforme protocolo
doses do Programa Nacional de Suplementação
Vacinas
dTpa (1 dose por gestação, a partir da 20ª semana) e influenza anual; vacinas vivas contraindicadas
dTpa protege o RN da coqueluche pela passagem de anticorpos
Rh negativo
imunoglobulina anti-D (300 µg) na 28ª semana e até 72 h após o parto se RN Rh positivo, em gestante não sensibilizada
Coombs indireto negativo = não sensibilizada
2. Diabetes gestacional: rastreamento e critérios
TOTG com 75 g entre 24 e 28 semanas para todas as gestantes (rotina do MS), após glicemia de jejum normal na 1ª consulta.
Critérios (um valor alterado define DMG): jejum ≥ 92 mg/dL; 1 h ≥ 180 mg/dL; 2 h ≥ 153 mg/dL.
Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL na 1ª consulta sugere DM pré-gestacional — conduta conforme protocolo de DM.
Conduta inicial do DMG: dieta e monitorização glicêmica; insulina quando as metas não são atingidas (metformina admitida em protocolos vigentes, conforme indicação).
3. Rastreamento do câncer do colo do útero (INCA) e puerpério
Citopatológico: mulheres de 25 a 64 anos com vida sexual; periodicidade ANUAL e, após dois exames anuais normais consecutivos, TRIENAL.
Causa: HPV — por isso a vacinação HPV do PNI (9–14 anos) é o rastreamento primário; citopatológico é secundário e continuam complementares.
Puerpério: consulta na 1ª semana (até o 10º dia, com rastreio de depressão pós-parto) e aos 42 dias; planejar contracepção e amamentação; visita domiciliar da equipe na 1ª semana.
4. Contracepção: eficácia típica e pontos de elegibilidade
Método
Eficácia típica (gravidês/100 mulheres-ano)
Nota de prova
Implante subdérmico de etonogestrel
≈ 0,05%
o mais eficaz de todos — uso típico = uso perfeito
DIU de cobre
≈ 0,8%
pode aumentar fluxo/dismenorreia; emergência até 5 dias
Injetável trimestral (MPA 150 mg IM)
≈ 6%
aplicação a cada 3 meses; retardo de retorno da fertilidade
Pílula combinada (COC)
≈ 9% (0,3% uso perfeito)
depende da usuária; iniciá-la cedo e orientar esquecimento
Preservativo
≈ 18% (uso típico)
eficácia menor, mas ÚNICO que protege contra IST
Contracepção de emergência (levonorgestrel 1,5 mg)
reduz risco se tomada precoce
até 5 dias; quanto antes, melhor; não é abortiva
MAM (lactação e amenorreia)
≈ 98% nos 6 primeiros meses
só com AM exclusivo + amenorreia + < 6 meses pós-parto
Gestante chega à UBS para o pré-natal
Há critério de alto risco (comorbidade, idade < 17 ou ≥ 35 com fator, intercorrência, cirurgia uterina prévia)?
▼
NÃO — baixo risco
Prénatal completo na APS: rotina de exames, suplementos, vacinas, cronograma e educação em saúde.
PA em toda consulta; alertar para sinais de pré-eclâmpsia (cefaleia, escotomas, epigastralgia).
SIM — risco elevado
Manter vínculo e cuidado na APS + referência ao prénatal de alto risco (co-responsabilidade, não abandono).
Ajustar cronograma e exames conforme a comorbidade.
Sinais de urgência obstétrica
PA ≥ 160/110, sangramento, dor abdominal intensa, cefaleia/escotomas/epigastralgia: regulação para urgência obstétrica — não esperar a próxima consulta.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioGestante de 24 anos, primigesta, comparece com 12 semanas para a primeira consulta de pré-natal na ESF. Além de exame físico e histórico completo, a rotina correta desta consulta inclui:
2.Prova difícilGestante submetida a TOTG com 75 g entre 24 e 28 semanas: jejum 104 mg/dL, 1 h 165 mg/dL, 2 h 140 mg/dL. A interpretação e conduta corretas são:
06
Adulto e idoso na APS: prevenção, rastreamentos e quedas
prevenção cardiovascular global · tabagismo (5 passos) · rastreamentos (mama, colo, próstata, intestino, DM, lipides) · avaliação do idoso e quedas (TUG) · polifarmácia e deprescrição · vacinação do adulto/idoso
Mamografia
50–69 anos
bienal — rastreamento do MS/INCA
Polifarmácia
≥ 5 fármacos
definição mais usada na literatura
TUG
> 12 s
tempo acima do limiar usual sugere risco de queda
Atividade física
150–300
minutos/semana de intensidade moderada (OMS 2020)
1. Prevenção cardiovascular: a consulta do adulto saudável
Medir PA em TODA consulta; peso/IMC e circunferência abdominal periodicamente.
Tabagismo: perguntar sempre; abordagem breve em 5 passos — perguntar, avaliar, aconselhar, auxiliar, acompanhar (a cessação é a intervenção isolada de maior ganho em anos de vida).
Atividade física: 150–300 min/semana de intensidade moderada (OMS 2020) + força 2x/semana; alimentação com redução de ultraprocessados e sal.
Lipides e glicemia conforme risco cardiovascular global; rastrear DM2 a partir dos 35 anos com excesso de peso/fatores de risco.
Vacinas do adulto: dT (reforço a cada 10 anos), influenza anual, pneumocócicas e COVID-19 conforme calendário vigente.
Rastreamento
Recomendação (MS/INCA)
Ponto de prova
Câncer de mama
mamografia bienal em mulheres de 50 a 69 anos
USG/RM não são rastreio populacional; 40 anos não é a faixa do MS
Câncer do colo do útero
citopatológico: 25–64 anos; anual; trienal após 2 anuais normais consecutivos
coleta na UBS; vacina HPV 9–14 anos é primária
Próstata
sem rastreio populacional organizado no MS; sociedades admitem decisão compartilhada com o homem informado
a questão cobra a divergência: não é rastreio obrigatório universal
Câncer colorretal
sem programa populacional organizado no Brasil; investigar sangramento, anemia, alteração do hábito intestinal e risco familiar (colonoscopia)
sintoma de alarme nunca é rastreio — é investigação
Diabetes tipo 2
a partir dos 35 anos com excesso de peso e ≥ 1 fator de risco (e antes em casos de alto risco)
mesmo corte da diretriz DM
Dislipidemia
avaliação do risco CV global com lipidograma conforme diretriz vigente
Avaliação multidimensional: funcionalidade (AVDs), cognição, humor, visão/audição, vacinação, rede de apoio e medicamentos — no idoso, o cuidado é organizado pelas síndromes geriátricas (quedas, fragilidade, polifarmácia), não pela soma de diagnósticos.
Quedas: perguntar QUEDA(s) no último ano em toda consulta do idoso; responder com avaliação multifatorial.
Instrumentos de quadro: TUG (Timed Up and Go — tempo acima de ~12 s sugere risco), teste de sentar-levantar 5x, força de preensão.
Fatores a investigar: hipotensão ortostática (queda ≥ 20 mmHg sistólica ou ≥ 10 diastólica em 1–3 min em pé), visão (catarata/óculos), pé e calçado, ambiente (tapete, iluminação, corrimão) e medicamentos.
3. Intervenções nas quedas (o que a evidência sustenta)
Exercício multicomponente (força + equilíbrio) é a intervenção de maior consistência em revisões Cochrane — prescreva como conduta, não como conselho vago.
Revisão de medicamentos: retirar o que cai (benzodiazepínicos, anticolinérgicos, sedativos, anti-hipertensivos em excesso) — deprescrição planejada.
Correção ambiental domiciliar (parceiro: ACS na visita), correção visual (catarata/óculos) e vitamina D quando há deficiência.
4. Polifarmácia e deprescrição
Polifarmácia é definida na literatura como uso de ≥ 5 medicamentos simultâneos (definição mais frequente em revisão sistemática). Cada prescrição nova no idoso multimorbído aumenta o risco de eventos adversos, quedas, internação e a chamada prescrição em cascata (efeito adverso tratado como nova doença). Critérios como Beers e STOPP-START listam medicamentos potencialmente inapropriados; a deprescrição é planejada: um fármaco por vez, com desmame quando indicado (nunca interromper benzodiazepínico de golpe), metas claras e reavaliação. Combinações que matam: IECA/BRA + diurético + AINE (lesão renal aguda) e benzodiazepínico + opioide (depressão respiratória).
Idoso referiu queda
Há lesão grave, fratura suspeita, síncope ou uso de anticoagulante?
▼
SIM
Avaliação urgente/regulação — trauma craniano com anticoagulante exige imagem e observação.
NÃO — queda isolada
Avaliação multifatorial: TUG, força, visão, hipotensão ortostática, pé/calçado, ambiente e revisão de medicamentos.
Plano escrito: exercício de força + equilíbrio, ajustes de medicamentos, correções domiciliares (com ACS) e reavaliação.
Queda recorrente
Reforçar o plano e avaliar referência a geriatria/reabilitação; investigar síncope e hipotensão postural formalmente.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalSobre o rastreamento populacional do câncer de mama no Brasil (Ministério da Saúde/INCA), é correto afirmar:
2.AvançadoMulher de 79 anos, mora sozinha, usa 9 medicamentos contínuos, incluindo clonazepam há 10 anos para insônia; refere duas quedas em 6 meses e TUG de 15 segundos, sem lesão. A conduta mais adequada na APS é:
07
Vigilância em saúde, notificação e trabalho no território
notificação compulsória (prazos e lista) · Sinan e sistemas de informação · visita domiciliar e busca ativa · cadastro e risco das famílias · ciclo de vida · raiva: profilaxia pós-exposição · TB (TDO) e contatos
notifica a SUSPEITA; investigação e medidas de controle vêm em seguida
Semanal
dengue clássica, tuberculose, hanseníase, HIV/aids, sífilis (adquirida, em gestante e congênita), hepatites virais, coqueluche, tétano, leptospirose, intoxicação exógena, violência interpessoal/autoprovocada
entrada de rotina no SINAN
Negativa
ausência de casos de agravos selecionados em áreas definidas
mantém a vigilância ativa — esquecer é erro
2. Trabalho no território: cadastro, risco e visita domiciliar
Microárea e cadastro (fichas A do e-SUS AB): o denominador de tudo o que a equipe planeja.
Classificação de risco das famílias: as de maior risco recebem visitas mais frequentes (recomenda-se ao menos mensal para risco alto).
Objetivos da visita: cadastramento, seguimento de famílias em risco, busca ativa de faltosos (prénatal, vacinas, crônicos descompensados, TB), puerpério/RN na 1ª semana e educação em saúde.
Ciclo de vida: agenda programática — criança (puericultura/vacinas), adolescente (HPV 9–14 anos, saúde sexual), adulto (crônicos), idoso (quedas, vacinas).
A visita é procedimento: registra-se no sistema — visita não registrada não existe para a equipe nem para o avaliador.
3. TB e hanseníase: a APS na ponta do controle
Sintomático respiratório (tosse ≥ 3 semanas): investigar com baciloscopia/exames conforme protocolo — a busca ativa é da APS, não da especialidade.
TB diagnosticada: notificar (semanal), organizar o TDO — tratamento diretamente observado — na UBS/domicílio e investigar os contatos domiciliares.
Hanseníase: notificar, examinar contatos domiciliares e registrar avaliação de incapacidades.
Febre amarela em área de recomendação: investigar suspeita (notificação imediata) e verificar caderneta vacinal de toda a família — bloqueio vacinal quando indicado.
ACS encontra, na visita, criança com febre + exantema + tosse
O quadro configura caso suspeito de agravo de notificação IMEDIATA?
▼
SIM (sinal de sarampo, por exemplo)
Notificar em até 24 h — a SUSPEITA notifica, sem esperar laboratório.
Coletar amostras conforme protocolo, isolar e realizar bloqueio vacinal dos contatos.
NÃO — quadro comum
Registrar a visita, orientar sinais de alerta e agendar consulta/vacinas em atraso.
Família com vínculo rompido (faltosa)
Buscar ativa programada: prénatal, vacinação, crônicos — e classificar risco para o ritmo de visitas.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem de 54 anos busca a UBS com tosse produtiva há 5 semanas, emagrecimento e sudorese noturna. Sobre a conduta da equipe, é correto afirmar:
2.AvançadoCriança de 7 anos é trazida à UBS após ser mordida por cão não vacinado, com ferimento profundo na mão direita. A conduta correta é:
08
Planejamento local e internato em cenários rurais e remotos
diagnóstico situacional e priorização (gravidade × viabilidade) · PES de Matus e projeto de intervenção (PIR) · projeto terapêutico singular · telessaúde e regulação · transferência segura · práticas clínicas ampliadas · segurança do estudante
projeto terapêutico singular: pactuado com o usuário
Telessaúde
2ª opinião
apoio à decisão clínica em cenário remoto
1. Os quatro momentos do PES (e a pergunta de cada)
Momento
Pergunta-chave
Exemplo no internato
Explicativo
por que o problema existe? quem atua sobre ele (atores, recursos, governabilidade)?
por que os diabéticos da microárea estão descompensados — adesão, estoque, transporte?
Normativo
o que deve ser, segundo normas e diretrizes?
o que o protocolo exige do acompanhamento do diabético (metas, exames, periodicidade)?
Estratégico
o que é possível fazer, dados os jogos de atores?
que alianças mobilizar — gestão, NASF, parceiros intersetoriais?
Tático-operacional
como fazer, quando e com quem?
ações, responsáveis, prazos e indicadores do plano da equipe
2. Projeto terapêutico singular (PTS) — o PIR de uma pessoa
PTS = plano construído COM o usuário (e família quando couber): metas realistas, papéis de cada um, revisão periódica — aplica-se a casos complexos (adolescente com abandono escolar, idoso frágil, usuário em sofrimento mental).
Grupos operativos e projetos coletivos são a versão comunitária: atividade coletiva planejada tem objetivo, público, método e avaliação — não é palestra improvisada.
3. Internato rural e cenários remotos: prática com o que se tem
Anamnese e exame físico valem mais: com recursos limitados, o raciocínio clínico é a tecnologia principal — pedir exame só quando mudar conduta.
Telessaúde (ex.: Telessaúde Brasil Redes): teleconsulta e segunda opinião formativa para apoiar decisão em tempo real — usar antes de transferir quando não há urgência.
Regulação e transporte sanitário: o fluxo de referência é organizado pelo gestor; o usuário nunca se desloca por conta própria em caso grave.
Transferência segura: estabilizar (vias aéreas, hemodinâmica, imobilização, medicação de urgência) → contatar a regulação/destino → registrar documento clínico completo → definir responsabilidade; o serviço de origem responde até a admissão no destino.
Práticas clínicas ampliadas conforme o serviço (suturas, imunização, nebulização, ECG, curativos) — com supervisão e protocolo.
Segurança do estudante e adaptação cultural: plano de emergência local, comunicação com o preceptor, respeito aos modos de vida da comunidade e autocuidado (o internato rural é desgastante — planeje descanso).
Problema priorizado na reunião de equipe
Qual a combinação de gravidade e viabilidade do problema?
▼
Gravidade ALTA + viabilidade ALTA
Executar agora: ganhos rápidos sustentam o grupo e o usuário (ex.: busca ativa de faltosos do prénatal).
Definir meta e indicador para revisão em 30–60 dias.
Gravidade ALTA + viabilidade BAIXA
Mobilizar atores (gestão, intersetorial, região de saúde) e dividir em etapas viáveis — nunca simplesmente arquivar.
Gravidade baixa
Registrar no plano de saúde da equipe e reavaliar em próxima revisão — não gastar a energia do grupo ali.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioNo internato, a equipe identifica que grande parte das gestantes de uma microárea não comparece ao prénatal programado. Após descrever e explicar o problema, o interno desenha um projeto de intervenção. O componente que falta no rascunho abaixo é: eixos de intervenção; ações com responsáveis e prazos; ________. Alternativa que completa corretamente:
2.Prova difícilNo posto rural onde você está de internato, homem de 60 anos apresenta dor precordial intensa há 40 minutos, sudoreia e hipotensão; o ECG disponível sugere supra de ST. O serviço não tem cardiologista e a referência fica a 2 horas de estrada. A sequência correta de conduta é:
09
Saúde mental na APS e MFC como carreira
reforma psiquiátrica e Lei 10.216/2001 · Rede de Atenção Psicossocial (Portaria 3.088/2011) e CAPS · triagem com AUDIT, PHQ-9 e Escala de Edimburgo · matriciamento · risco suicidário e crise · internação involuntária · residência e título em MFC
Lei 10.216/2001
direitos
internação como último recurso; rede substitutiva
AUDIT
≥ 8
pontos de corte: 8–15 risco · 16–19 nocivo · ≥ 20 dependência provável
Edimburgo
10 itens
escore elevado (≥ 12 a 13, conforme protocolo) orienta avaliação da depressão pós-parto
Residência MFC
2 anos
acesso direto — não exige residência prévia
1. A RAPS na prática: quem cuida do quê
Dispositivo
Função
Nota de prova
UBS/ESF
porta preferencial: transtornos comuns (ansiedade, depressão), triagem, seguimento e matriciamento
a maioria dos casos NÃO sai da APS
CAPS I/II
cuidado intensivo comunitário por área (II em município maior)
referência para casos que excedem a APS
CAPS III
funcionamento 24 horas — crise sem internação hospitalar
crise psicótica/risco com possibilidade de cuidado contínuo
CAPSi
infantojuvenil
crianças e adolescentes em sofrimento mental grave
CAPS AD
álcool e outras drogas
redução de danos + abordagem breve na APS
Leitos em hospital geral + matriciamento
internação breve quando necessária, com apoio do CAPS à equipe
internação é exceção, não trajeto natural
SRT (serviço residencial terapêutico)
moradia para usuários egressos de longas internações
marco da desinstitucionalização
2. Instrumentos que o interno usa na UBS
Instrumento
Para quê
Leitura
AUDIT (10 itens)
rastrear padrão de consumo de álcool
≥ 8 = positivo; 8–15 uso de risco (intervenção breve); 16–19 uso nocivo; ≥ 20 provável dependência (encaminhamento)
PHQ-9
rastrear depressão
≥ 10 = rastreio positivo sugestivo de depressão (avaliar sempre risco suicidário)
Acolher sem estigma e sem reduzir a queixa a sintomas físicos; explorar funcionalidade, sono, álcool, rede de apoio e risco.
Álcool: abordagem breve (feedback, responsabilidade, conselho, menu de opções, empatia, autoeficácia) na APS; CAPS AD para casos que excedem.
Risco suicidário: PERGUNTAR diretamente sobre ideação, plano, meios e tentativas prévias (perguntar não induz); risco alto = não deixar sozinho, acionar rede (CAPS/urgência) e registrar no prontuário.
Crise psicótica/agitação: acolher, reduzir estímulos, avaliar risco e acionar CAPS III (24 h) ou urgência conforme gravidade — internação apenas se exceder os recursos da rede.
Matriciamento: discutir casos com NASF/CAPS e planejar o cuidado conjunto; o seguimento de longo prazo permanece na APS.
Depressão pós-parto: Edimburgo na consulta puerperal + rede de apoio — o módulo 5 fecha o ciclo com o prénatal.
4. MFC como carreira: o caminho que o internato abre
Residência em Medicina de Família e Comunidade: 2 anos, de ACESSO DIRETO — não exige outra residência prévia (reconhecida pelo CFM entre as especialidades de acesso direto).
Título de especialista: por residência em MFC ou por prova de título (SBMFC) homologada pelo CFM/AMB.
Campos de atuação: eSF/eAP (clínica ampliada e coordenadora), gestão (apoio institucional), docência e preceptoria, atenção domiciliar, saúde indígena e rural, telemedicina.
Argumento de carreira (e de prova): sistemas fortes em APS têm melhores indicadores com custos menores — o MFC é a especialidade central do SUS (Starfield; Macinko).
Usuário chega à UBS com intenso sofrimento mental
Há risco imediato (autoextermínio/heteroagressão, psicose em crise, intoxicação)?
▼
SIM — risco agudo
Acolher e reduzir estímulos; acionar CAPS III (24 h) ou urgência conforme gravidade; internação apenas se a rede não der conta — e involuntária com comunicação ao MP em 24 h.
NÃO — transtorno comum (ansiedade/depressão)
Avaliar com PHQ-9/GAD-7, risco suicidário incluído; conduta na APS com matriciamento quando necessário e plano com retorno programado.
Consumo de álcool/drogas
AUDIT (ou CRAFFT no adolescente); intervenção breve na APS; CAPS AD quando o caso excede.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem de 42 anos responde AUDIT com escore 12 na consulta programada da ESF, sem sinais de dependência nem abstinência. A conduta mais adequada na APS é:
2.Prova difícilUsuário com transtorno mental grave entra em descompensação psicótica; a família não concorda com a internação, mas há risco concreto de agressão a terceiros e o CAPS da região não consegue compor o cuidado naquele momento, optando-se pela internação INVOLUNTÁRIA. Sobre o marco legal, é correto afirmar:
R
Revisão de alta performance
Para a véspera: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem a prova e a OSCE
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 APS e o interno
PNAB 2.436/2017: eSF ≤ 3.500 pessoas (médico + enfermeiro + técnico + ACS, 40 h/semana), ACS 1:750, NASF-AB por matriciamento; APS é porta preferencial e coordenadora; internato = consulta programada + acolhimento + visita + grupos, supervisionado e registrado.
Composição e parâmetros da eSF + papel do NASF-AB
02 Consulta na APS
Acolhimento (escuta + risco + resolutividade); consulta centrada na pessoa com ICE; tríade queixa × necessidade × demanda; lista de problemas e coordenação — referir não desresponsabiliza.
Identificar atributo rompido (PuLIC) e conduta de coordenação
03 HT e DM
HT: PA ≥ 140/90 em 2 ocasiões; 1ª linha tiazídico/IECA-BRA/CCI; nunca IECA+BRA; meta < 140/90. DM2: 126/200/6,5%; metformina 1ª linha; HbA1c < 7%; pés em toda consulta.
Valores de diagnóstico + metas + escalonamento da metformina
04 Puericultura
AM exclusivo 6 m + complementado 2 a; curvas OMS 2006; velocidade de crescimento > valor absoluto; marcos com alertas (regressão sempre); vitamina D 400 UI; mel/leite de vaca proibidos no 1º ano.
Interpretar z-escores + sinais de alerta do desenvolvimento
05 Saúde da mulher
Prénatal ≥ 6 consultas desde o 1º trimestre; VDRL 2x + parto; TOTG 75 g 24–28 sem (92/180/153); ácido fólico 5 mg + ferro 40 mg; dTpa a partir da 20ª sem; citopatológico 25–64 anos.
Rotina do prénatal + critérios do DMG + periodicidade do citopatológico
06 Adulto e idoso
Mamografia bienal 50–69; tabagismo em 5 passos; quedas: perguntar + TUG (> 12 s) + revisão de medicamentos; polifarmácia ≥ 5 fármacos; exercício de força/equilíbrio é a intervenção de evidência.
Faixas de rastreamento + plano multifatorial das quedas
07 Vigilância e território
Notifica-se a SUSPEITA (24 h quando imediata); visita domiciliar (cadastro, risco, busca ativa, puerpério/RN 1ª semana); raiva: lavar 15 min + classificar exposição; TB: sintomático respiratório, TDO e contatos.
Prazos de notificação + conduta da raiva (OSCE)
08 Planejamento e rural
Diagnóstico situacional → priorização gravidade × viabilidade → PIR com metas/indicadores; PES de Matus (4 momentos); PTS pactuado; cenário remoto: estabilizar → comunicar → registrar → transferir com regulação.
Estrutura do PIR + sequência da transferência segura
09 Saúde mental e MFC
Lei 10.216/2001 + RAPS 3.088/2011: APS porta preferencial, CAPS para casos que excedem; AUDIT ≥ 8 com cortes 15/19/20; risco suicidário se pergunta; MFC = residência de 2 anos de acesso direto.
Portas da RAPS + pontos de corte do AUDIT + carreira MFC
residência de 2 anos, acesso direto · título por residência ou prova SBMFC (CFM/AMB)
Macetes que salvam
Macete
Regra
PuLIC
Primeiro contato, Longitudinalidade, Integralidade, Coordenação — atributos da APS que toda questão de consulta testa.
ICE
Ideias, Concernências, Expectativas — as três perguntas da consulta centrada na pessoa (30 segundos que salvam a OSCE).
Q-N-D
Queixa (usuário) × Necessidade (equipe) × Demanda (política) — divergência gera conflito; a saída é pactuar.
2-2-3 da HT
PA em 2 ocasiões para diagnosticar · meta < 140/90 · 4 classes de 1ª linha (tiazídico, IECA, BRA, CCI) — e nunca IECA + BRA.
126-200-6,5
os três números do DM2 (jejum/TOTG/HbA1c) — mais o casual ≥ 200 com sintomas.
Pé-olho-1x/ano
monofilamento 10 g + diapasão 128 Hz e fundo de olho anuais no diabético — inspeção dos pés em TODA consulta.
6-V-3 do prénatal
6 consultas · VDRL em 2 momentos + parto · TOTG entre 24 e 28 semanas com cortes 92/180/153.
Lava-15
toda exposição a mamífero começa pela lavagem de 15 minutos com água e sabão — antes de soro ou vacina.
Estabiliza-Comunica-Registra
a ordem da transferência segura em cenário remoto — nunca transferir sem as três.
SAIR antes de ENTRAR
na consulta do idoso polimedicado: revisar e deprescrever antes de acrescentar fármaco.
As pegadinhas mais cobradas
NASF-AB não recebe demanda espontânea: é apoio matricial às equipes.
3.500 é limite POR EQUIPE (eSF) — UBS pode ter várias equipes.
A APS é porta de entrada PREFERENCIAL, não exclusiva — urgência tem porta própria.
Acolhimento não é triagem de enfermagem: é postura de toda a equipe (escuta + risco + resolutividade).
Referir à especialidade não encerra a responsabilidade da APS — coordenação inclui contrarreferência e retorno.
IECA + BRA juntos é proibição expressa das diretrizes — o distrator farmacológico mais cobrado.
Metformina contraindicada com TFG < 30; titulação gradual para tolerar o trato digestivo.
HbA1c a cada 3 meses ATÉ a meta; 2x/ano quando estável — a banca inverte a periodicidade.
Cruzar 2 canais percentilares alerta mesmo com peso normal; velocidade de crescimento vale mais que valor absoluto.
Mel antes de 1 ano (botulismo) e leite de vaca antes de 12 meses são contraindicações — o açúcar também sai do 1º ano.
Regressão de marcos em qualquer idade é sempre patológica — “menino demora mais” é o distrator.
TOTG da gestante: UM valor alterado (92/180/153) já define DMG — o critério de dois valores é do passado.
Próstata: não há rastreio populacional organizado no MS — decisão compartilhada é a resposta correta.
Queda em idoso nunca é “da idade”: é síndrome geriátrica multifatorial; benzodiazepínico sai com desmame, nunca de golpe.
Notifica-se a SUSPEITA (24 h quando imediato); TB é notificação semanal — não imediata.
Exposição grave de raiva (mão, face, mucosa, profunda) = soro + vacina imediatos; a observação de 10 dias suspende o esquema LEVE.
AUDIT ≥ 8 é positivo, mas o corte define a conduta — risco → intervenção breve na APS, não CAPS AD.
Internação involuntária: MP em até 24 h (Lei 13.354/2017); autorização judicial é da internação compulsória.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda consulta centrada na pessoa elicita ICE — e registra na lista de problemas.
Todo crônico da APS tem meta escrita: PA < 140/90, HbA1c < 7%, LDL conforme risco — e retorno programado.
Todo diabético tem pés examinados na consulta (monofilamento 10 g + diapasão 128 Hz ao menos 1x/ano).
Toda gestante captada: rotina do MS, suplementos, dTpa/influenza e cronograma — atrasada entra em busca ativa.
Toda queda de idoso pede avaliação multifatorial (TUG, visão, ortostatismo, medicamentos, ambiente).
Todo quadro compatível com agravo de notificação imediata: notificar a SUSPEITA em 24 h e organizar o controle (bloqueio, contatos).
Toda exposição a mamífero começa pela lavagem de 15 min — e a classificação leve × grave muda a conduta.
Toda internação involuntária é comunicada ao MP em 24 h — e continua sendo último recurso.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Equipe “para descongestionar” recebe demanda espontânea
erro: NASF-AB é apoio matricial, sem demanda espontânea
Usuário refere que “não foi ouvido” e teme uma doença
consulta centrada na pessoa — elicitar ICE
Paciente encaminhado “se perdeu” na especialidade e volta pela urgência
coordenação rompida: contrarreferência + retorno na UBS
PA 150/95 em duas consultas, risco baixo
HT: estilo de vida + monoterapia de 1ª linha, meta < 140/90
HbA1c 8,9% em metformina de dose plena
intensificar (2º agente conforme perfil) e reavaliar em 3 meses
Lactente amamentado com 4 meses e crescimento adequado
manter AM exclusivo + vitamina D 400 UI/dia
Criança sem marcha e sem palavras aos 18 meses
sinal de alerta: avaliar desenvolvimento sem esperar
TOTG 24–28 sem com jejum 104 · 1 h 165 · 2 h 140
DMG (jejum ≥ 92 basta): dieta + monitorização
Gestante com VDRL reagente
penicilina benzatina por período + parceiro + controle de títulos + notificação
Idoso com 2 quedas, benzodiazepínico e TUG 15 s
deprescrição gradual + exercício de força/equilíbrio + ambiente
Mordida profunda em mão de cão não vacinado
exposição grave: lavar 15 min + soro + vacina imediatos
Dor precordial em posto rural sem cardiologista
estabilizar + regulação + documento; telessaúde como apoio
AUDIT 12 sem dependência
uso de risco: intervenção breve na APS
Descompensação psicótica com internação involuntária
último recurso + comunicação ao MP em 24 h (Lei 10.216/13.354)
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.FundamentalSobre a organização da atenção básica conforme a PNAB (Portaria GM/MS 2.436/2017), assinale a correta:
2.IntermediárioUsuária retorna à UBS pela terceira vez com a mesma queixa, dizendo que os exames “não explicam nada” e que sente que algo grave está acontecendo. Na consulta atual, a conduta que melhor aplica a consulta centrada na pessoa é:
3.AvançadoHomem de 50 anos, DM2 em metformina 1.000 mg 2x/dia, HbA1c 7,4%, PA 146/90 em duas consultas, sem lesão de órgão, risco cardiovascular intermediário. As condutas corretas, conforme protocolo da APS, são:
4.Prova difícilNa consulta programada de uma diabética de 66 anos, quais itens fazem parte do protocolo mínimo de acompanhamento na APS?
5.FundamentalSobre a rotina do pré-natal de baixo risco na ESF, assinale a correta:
6.IntermediárioNa consulta de puericultura de um bebê de 6 meses em aleitamento materno exclusivo, a mãe pergunta sobre alimentação e proteção. A orientação correta inclui:
7.AvançadoIdosa de 82 anos, com 8 medicamentos contínuos (incluindo omeprazol há 6 anos e um anticolinérgico para incontinência), refere queda sem lesão há 1 semana. Qual a conduta de maior aderência ao protocolo da APS?
8.Prova difícilDurante o internato rural, mulher de 28 anos chega à UBS com 30 semanas de gestação, PA 168/112 mmHg, cefaleia intensa e escotomas; a referência obstétrica fica a 90 minutos. A sequência correta de conduta é:
Gabarito rápido
1-A · 2-B · 3-B · 4-A · 5-A · 6-A · 7-B · 8-B
Referencial teórico
19 fontes reais · DOI verificado
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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