Baseado no conhecimento canônico do internato de pediatria — diretrizes e manuais vigentes: NRP 2020 e PALS 2020 (AHA), Surviving Sepsis Campaign pediátrica 2020, diretriz AAP de líquidos de manutenção 2018 e de hiperbilirrubinemia 2022, PIDS/IDSA de pneumonia 2011, ESPGHAN de gastroenterite 2014, ILAE/AES de status epiléptico, planos A/B/C da OMS e manuais da SBP (com DOI verificado quando existe). Resumo de estudo — na conduta real, siga o protocolo do serviço e confira sempre doses e diluições na bula e no manual vigente.
01
Admissão e avaliação da criança grave
triângulo de avaliação pediátrica (PAT) · sinais vitais por idade · reconhecer gravidade e pré-parada · quando chamar · critérios de UTI pediátrica
PAT
30–60 s
3 eixos: aparência · trabalho respiratório · circulação à pele
Hipotensão 1–10 a
PAS < 70 + 2×idade
achado TARDIO — a criança compensa antes
Pré-parada
bradicardia
FC caindo + apneia + rebaixamento = comprimir
GCS
≤ 8
via aérea definitivamente comprometida → proteção/UTI
1. O triângulo de avaliação pediátrica (PAT)
A criança não admite a avaliação longa do adulto: antes da anamnese completa, em 30–60 segundos e à distância (antes de tocar a criança), o PAT responde se ela está grave por 3 eixos. APARÊNCIA (TICLS: tônus, interação, consolabilidade, olhar, fala/choro) reflete perfusão e oxigenação cerebrais. TRABALHO RESPIRATÓRIO (tiragem, batimento de asa de nariz, retratação esternal, sibilos, estridor, gemência, apneia) reflete o esforço para ventilar. CIRCULAÇÃO À PELE (pálido, marmóreo, cianótico, tempo de reperfusão capilar prolongado) reflete o débito cardíaco e a vasoconstrição periférica. O PAT tem alta sensibilidade e especificidade menor: serve para TRIAR — qualquer eixo alterado pede avaliação imediata, não tranquilidade (Horeczko 2013).
2. Sinais vitais por idade — a tabela que o interno precisa de cor
Idade
FC (ipm)
FR (irpm)
PAS mínima (mmHg)
RN (0–28 d)
100–180
30–60
60 (abaixo disso = hipotensão)
1–12 meses
100–160
30–60
70
1–3 anos
90–150
24–40
70 + 2×idade (anos)
3–6 anos
80–140
22–34
70 + 2×idade (anos)
6–12 anos
70–120
18–30
70 + 2×idade (anos); > 12 a: > 90
Adolescente
60–100
12–20
> 90
Toda medida pede CONTEXTO: FC e FR caem com sono, analgesia e antitérmicos; sobem com febre (≈ 10 ipm de FC por °C), dor e agitação — o que não excusa taquicardia persistente fora do choro.
Tempo de reperfusão capilar normal: ≤ 2–3 s; > 3 s com pele marmórea = hipoperfusão.
Diurese esperada: 1–2 mL/kg/h (lactente pode chegar a 2 mL/kg/h); < 1 mL/kg/h sustentada é sinal de hipoperfusão renal.
SaO₂ alvo no agudo: ≥ 92–94%; oxímetro com má perfusão lê mal — confie no exame.
Escalonar é decisão, não pedido: piora do PAT, apneia, bradicardia, rebaixamento progressivo, SpO₂ < 90% apesar de O₂ em máscara e necessidade de mais de 1 bolus de volume são motivos para chamar o senior/equipe de UTI AGORA — a chamada precoce (“chame antes de precisar”) é o padrão do internato.
Fluxo da criança que chega mal na enfermaria
Criança encaminhada como “grave” — qual a sequência?
▼
1. PAT + ABC em 60 s
Aparência (TICLS) + trabalho respiratório + circulação à pele.
Glicemia capilar e temperatura em TODOS os que chegam mal — hipoglicemia e hipotermia simulam qualquer coisa.
2. Estabilizar ANTES de investigar
Via aérea/posicionamento, O₂ se SpO₂ < 92–94%, acesso venoso (falhou 2× → intraósseo).
Anormal e grave: monitorização contínua, senior no leito, laboratório mínimo (hemograma, ureia/creatinina, eletrólitos, glicose, lactato, gasometria).
Choque = bolus de cristaloide 10–20 mL/kg titulado e investigar a causa em paralelo (febre? sangramento? desidratação? cardiopatia?).
3. Definir destino
Enfermaria: precisa de IV, oxigenoterapia simples, hidratação venosa, medicação de horário — mas está estável e monitorável.
UTI pediátrica: via aérea avançada/ventilação mecânica, vasoativo, hipoperfusão refratária a volume, GCS ≤ 8, piora progressiva apesar do tratamento, procedimento de alto risco.
Transporte interno SEMPRE com profissional acompanhando, O₂ e monitorização — o transporte é um momento de risco.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalVocê admite criança de 2 anos trazida por “falta de ar e moleza”. À distância: hipotônica no colo da mãe, não responde quando chamada, tiragem subcostal e intercostal visível, pele marmórea nos joelhos. Quais os três eixos do triângulo de avaliação pediátrica e qual a conduta imediata?
2.IntermediárioMenino de 6 anos em uso de soro venoso por gastroenterite evolui durante a noite com FC caindo de 140 para 52 ipm, respiração superficial com apneias e resposta apenas a estímulo doloroso. PA 74/40. A conduta correta é:
02
A enfermaria do interno: admissão, visita, prescrição e alta
admissão e segurança · balanço hídrico e gotejamento · doses de rotina por peso · a boa evolução e a visita · critérios de alta e orientação da família
Microgotas
60/mL
microgotas/min ≈ mL/h — a regra da prescrição
Macrogotas
20/mL
macrogotas/min ≈ mL/h ÷ 3
Dipirona
10–15 mg/kg
VO/IV de 6/6 h — antitérmico de rotina em enfermaria
Paracetamol
10–15 mg/kg
VO de 6/6 h; via retal tem absorção irregular
A criança na visita: leitura rápida da evolução
Como a criança está HOJE comparada com ontem — comer, brincar, aceitar via oral, sinais vitais?
▼
Melhora clara: lúdica, aceitando dieta, febre em regressão, suporte sendo retirado
anunciar a tendência na visita e fixar o próximo passo (trocar IV por VO, alta em 24–48 h)
preparar a alta desde já: receita com doses por peso, critérios de retorno, consulta de seguimento agendada
Estável sem melhora: fever persistente ou sintoma que não cede como esperado
rever o diagnóstico e a antibioticoterapia (esquema certo? dose certa por peso? via certa?)
re-examinar de ponta a ponta e buscar complicação (coleção, abscesso, plastrão, derrame parapneumônico)
discutir conduta com o preceptor antes de trocar o esquema por conta própria
Piora: taquipneia, dessaturação, má perfusão, recusa total de líquidos, sonolência
avaliação imediata à beira do leito (vias, monitor, oxigênio) — não espera a próxima visita
acionar o preceptor/UTI com SBAR: situação, avaliação, recomendação
documentar horários e respostas às medidas — é o que a equipe seguinte precisará
1. Admissão: as cinco coisas que evitam 90% dos problemas
PESO real medido (não estimado pela mãe) e estatura — todo cálculo da internação depende disso; na criança que não pode ser pesada, estimar por fórmula é exceção registrada em prontuário.
Identificação correta (pulseira, dois identificadores) e ALERGIAS registradas em destaque.
Diagnóstico de admissão e estado: o que trouxe a criança, o que já foi feito (antibiótico prévio? hidratação?) e o que esperar nas próximas 12 h.
Prescrição inicial completa: dieta (ou jejum com justificativa e prazo), soro de manutenção com VOLUME E VELOCIDADE explícitos, antitérmico de resgate, medicações de horário com dose em mg/kg, e cuidados de enfermagem (balanço hídrico, sinais vitais de 6/6 h ou conforme gravidade, peso diário).
Segurança do leito: grades, higiene de mãos (a infecção nosocomial é a doença da internação prolongada), restrição de visitantes conforme serviço, e cateter: o dia da punção (troca/remoção) planejado — todo acesso venoso que não tem indicação é removido.
2. A visita: como fazer a evolução que decide
A visita diária segue uma ordem fixa: (1) como foi a noite (febre, vômitos, diurese, dor, aceitação da dieta); (2) exame focado e COMPARATIVO (o fígado desceu? a tiragem sumiu? a criança brinca?); (3) dados objetivos: curva térmica, balanço hídrico, peso diário, resultados de exames; (4) DECISÃO do dia: manter/trocar/suspender antibiótico, descer via (IV → oral), retirar sonda/cáteter, liberar dieta, previsão de alta; (5) comunicação: falar com a família, o que esperar e quando retornar. Evolução boa é curta, objetiva e termina com conduta — “paciente mantém quadro” não é evolução, é desistência.
Sinais de que a criança está MELHORANDO: apetite e brincadeira voltam, febre espaçando (tendência importa mais que pico isolado), necessidade de antitérmico caindo, sem necessidade de O₂/IV.
Sinais de que algo está ERRADO: febre persistente além do esperado para a doença tratada (> 48–72 h de antibiótico adequado na pneumonia = repensar diagnóstico/complicação), piora do exame, diurese caindo, criança “que não brinca”.
Hospitalismo: criança internada que regredir hábitos (sono, alimentação, choro), risco de infecção nosocomial e de eventos relacionados a procedimentos — a melhor “conduta” contra hospitalismo é a alta no dia em que ela é segura, nem antes, nem por burocracia.
Higiene de mãos antes e após cada contato é a medida isolada mais eficaz contra infecção relacionada à assistência — e é cobrada em prova de internato como conduta, não como frase.
3. Alta: critérios e a orientação que previne o retorno
Critérios gerais de alta: causa tratada ou estável, sem febre prolongada sem explicação, aceitando dieta e hidratada, dor controlada por via oral, sem necessidade de O₂/monitorização, familiares capazes da conduta domiciliar.
Alta com receita legível: dose em mg e em mL (concentração do xarope), intervalo, DURAÇÃO total (o antibiótico de 10 dias que a família interrompe no dia 3 é clássico de retorno).
Orientação ESCRITA + verbal de sinais de retorno: febre persistente/piora, vômitos intolerância, respiração rápida, sonolência, diminuição de urina.
Reavaliação programada: consulta de retorno definida (dias) e/ou exame agendado — alta sem destino é reinternação em potencial.
Documentar: critérios de alta preenchidos, orientações dadas, destino e responsabilidade de seguimento.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalLactente de 9 kg prescrito para receber 63 mL/h de soro. Com equipo de microgotas (60 microgotas/mL), a velocidade correta em microgotas por minuto é:
2.IntermediárioCriança de 4 anos internada por pneumonia, em ceftriaxona IV desde a admissão. No 3º dia, mantém febre de 39 °C de 6/6 h, segue sem desands de toxemia, mas a ausculta mostra abolição do murmúrio na base direita. A conduta mais adequada é:
03
Desidratação e hidratação venosa na enfermaria
graus de desidratação · planos A/B/C da OMS · déficit + manutenção (Holliday-Segar) · composição do soro · potássio sem acidente · distúrbios de sódio
Plano B (OMS)
75 mL/kg/4 h
SRO no serviço, reavaliar e reclassificar
Plano C (OMS)
100 mL/kg EV
30 mL/kg rápido + 70 mL/kg (2,5 h criança / 5 h lactente)
Manutenção 4-2-1
mL/h
4 mL/kg/h até 10 kg; +2 nos 2ºs 10 kg; +1 acima de 20 kg
Potássio EV
≤ 0,5 mEq/kg/h
nunca em bolus; ECG se dose alta/concentrada
1. Classificar antes de calcular
Achado
Desidratação leve/moderada
Desidratação severa
Estado geral
inquieta, sede, choro com lágrimas escassas
letárgica/comatosa, incapaz de beber
Olhos/fontanela
levemente fundos
muito fundos
Prega cutânea
retorna < 2 s
retorna ≥ 2 s
Pulsos/perfusão
palpáveis; TRC ≤ 2–3 s
finos ou impalpáveis; TRC > 3 s, marmoreio
Perda de peso estimada
≈ 5–9%
≥ 10%
Choque
ausente
pode estar presente → PLANO C AGORA
2. Os planos da OMS e a hidratação venosa do internado
PLANO A (casa): continuar dieta e leite materno; SRO após cada evacuação (< 2 a: 50–100 mL; 2–10 a: 100–200 mL por evacuação); orientar sinais de retorno.
PLANO B (serviço): SRO 75 mL/kg em 4 h, em tomas fracionadas, reavaliando a cada 1–2 h; se vomitar, pausar 10 min e retomar em volumes menores (ondansetrona em dose única ajuda a segurar a SRO).
PLANO C (severa): se choque/consciência alterada/ileus/intolerância total — cristaloide isotônico (SF 0,9% ou Ringer) 100 mL/kg: 30 mL/kg em 30 min (criança) ou 1 h (lactente) e 70 mL/kg nas 2,5 h (criança) ou 5 h (lactente) seguintes; reavaliar continuamente e voltar à via oral o quanto antes.
Internado sem choque: hidratação = DÉFICIT + MANUTENÇÃO. Déficit (mL) = % estimada × peso (5% = 50 mL/kg; 10% = 100 mL/kg). Reposição clássica: déficit em 24 h (leve/moderada) ou 24–48 h (grave, sobretudo hiponatrêmica), com metade do volume + manutenção nas primeiras 8 h e o restante nas 16 h seguintes — sempre reavaliando clínica e eletrólitos, não computadorizando cegueira.
Manutenção (Holliday-Segar): diária = 100 mL/kg nos primeiros 10 kg + 50 mL/kg nos 10 kg seguintes + 20 mL/kg para cada kg acima de 20; horária = 4-2-1 (4 mL/kg/h até 10 kg; 2 mL/kg/h para o 2º decil de 10 kg; 1 mL/kg/h por kg acima de 20).
Composição: o soro “de manutenção” clássico tem ≈ Na 30 mEq/L (G5% + NaCl 0,18%) + K 20 mEq/L; a diretriz da AAP 2018 recomenda fluidos ISOTÔNICOS com sódio adequado (≈ 130–140 mEq/L, soluções balanceadas) + KCl 20 mEq/L + glicose 5–10% para prevenir hiponatremia adquirida na internação (Feld 2018) — a hiponatremia iatrogênica por fluido hipotônico é o erro de prescrição pediátrica mais estudado (Wang 2014).
3. Distúrbios de sódio que a hidratação provoca (ou corrige)
Hiponatremia desidratação-corrigida (hiponatrêmica): água livre em excesso (SRO caseira, soro hipotônico em grande volume); sintomática (convulsão) = Na 3% 4–6 mL/kg EV em 10–20 min (eleva ≈ 4–5 mEq/L e cessa a crise) + senior/neuro; elevar o sódio NO MÁXIMO ≈ 0,5 mEq/L/h (≈ 8–12 mEq/L em 24 h) — correção rápida induz síndrome de desmielinização osmótica.
Hipernatremia: perda de água > perda de sal (febre, diarreia com oferta de fórmula concentrada); corrigir DEVAGAR (queda ≤ 0,5 mEq/L/h; ≈ 10–12 mEq/L/24 h) — a queda rápida provoca edema cerebral e convulsão.
Acidose metabólica da desidratação: melhora com a reexpansão adequada; bicarbonato só em situações específicas definidas pelo senior (pH muito baixo/hipercalemia grave).
Sempre colher eletrólitos, ureia/creatinina, glicose e gasometria na admissão do desidratado moderado-grave — a prescrição se refaz a cada resultado.
Fluxo da hidratação venosa do internado
Criança desidratada sem indicação de plano C imediato — como prescrever as 24 h?
Colher eletrólitos/glicose antes ou junto do início — sódio muda a prescrição.
2. Distribuir
50% do déficit + manutenção nas primeiras 8 h; restante do déficit + manutenção nas 16 h seguintes.
Grave ou hiponatrêmica: estender a reposição para 24–48 h e reavaliar sódio de 6/6 a 12/12 h.
Registrar velocidade final em mL/h e conferir gotejamento no leito.
3. Reavaliar e desescalar
A cada turno: diurese (1–2 mL/kg/h), peso, prega, estado geral, eletrólitos.
Melhorou e bebe → trocar por SRO/plano A e dieta; soro não é promessa de eternidade.
Piorou (sódio < 130 com sintoma, oligúria persistente, choque) → senior e revisão do plano.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioCriança de 10 kg com desidratação moderada (≈ 8%), aceitando soro mal, sem sinais de choque, internada para hidratação venosa. Considerando déficit + manutenção, o volume total das primeiras 8 h é:
2.AvançadoLactente de 8 kg em hidratação venosa por gastroenterite evolui com convulsão generalizada; eletrólitos: sódio 118 mEq/L, os demais normais; glicemia 90 mg/dL. A conduta correta é:
04
Pneumonia e sepse internadas
critérios de internação · curva de resistências e esquemas antibióticos por gravidade · complicações (empiema) · sepse pediátrica: a primeira hora · escalonamento para UTI
Amoxi ambulatorial
90 mg/kg/dia
dose alta contra pneumococo resistente, 7–10 dias
Ampicilina IV
150–200 mg/kg/dia
internada não grave, 6/6 h (PIDS/IDSA 2011)
Ceftriaxona
75–100 mg/kg/dia
grave/não tolera oral; sepse dentro da 1ª hora
Bolus sepse
10–20 mL/kg
cristaloide titulado; reavaliar a cada dose (SSC 2020)
1. Quem interna e com o que trata (pneumonia adquirida na comunidade)
Internar (PIDS/IDSA 2011): SpO₂ < 90% em ar ambiente, desconforto importante, toxemia/vômitos que impedem via oral, falha do tratamento ambulatorial, suspeita de S. aureus/MRSA, empiema/complicação, doença de base relevante, lactente pequeno (< 3–6 meses) com pneumonia bacteriana.
Curva de resistências: o pneumococo resistente à penicilina não derruba a amoxicilina — derruba a DOSE: ambulatorial usa-se amoxicilina 90 mg/kg/dia (2–3 doses) por 7–10 dias; dose convencional (50 mg/kg/dia) é a resposta errada da prova.
Internada não grave: ampicilina 150–200 mg/kg/dia IV 6/6 h OU ceftriaxona 50–75 mg/kg/dia (doença moderada) — a ampicilina em dose alta permanece o antibiótico de escolha contra pneumococo sensível quando a via venosa já existe.
Grave/complicada ou suspeita de S. aureus: vancomicina 60 mg/kg/dia IV (15 mg/kg 6/6 h) + ceftriaxona 75–100 mg/kg/dia (ou cefepima 100–150 mg/kg/dia conforme serviço); piora clínica ou febre que persiste > 48–72 h = repetir imagem e caçar empiema/necrose.
Empiema: derrame paraneumônico moderado-grave drena-se (toracostomia ± fibrinolítico intrapleural ou toracoscopia conforme serviço) + antibioticoterapia com cobertura estafilocócica prolongada.
Alta da pneumonia: afebril 24–48 h, comendo, sem O₂ — completar via oral (amoxicilina 90 mg/kg/dia) totalizando 7–10 dias conforme resposta.
2. Sepse pediátrica internada: reconhecer e agir na primeira hora
Sepse = infecção suspeita/confirmada + disfunção orgânica (taquipneia, taquicardia fora da faixa, hipoperfusão, oligúria, rebaixamento, lactato elevado); choque séptico = hipoperfusão/hipotensão persistente. Na criança, a hipotensão é TARDIA: taquicardia + TRC prolongada + marmoreio já são choque (Weiss 2020). O lactente não faz “toxemia de adulto”: apresenta-se como “que não mama, que não brinca, hipotérmico ou febril com hipoatividade”.
A primeira hora da sepse pediátrica (SSC 2020)
Criança internada com infecção e sinais de hipoperfusão — sequência:
Antibiótico de amplo espectro dentro da 1ª hora NO CHOQUE (ex.: ceftriaxona/cefepima ± vancomicina conforme foco e epidemiologia local).
Volume titulado, não cego
Cristaloide 10–20 mL/kg em bolus, reavaliando perfusão, FC, diurese, fígado/crepitantes a cada dose.
Em serviços SEM UTI imediata: até 40–60 mL/kg na 1ª hora com transferência; em UTI, estratégia titulada conservadora após o inicial (Weiss 2020).
Hepatoesplenomegalia aguda/crepitantes novas = sobrecarga: pausar e reavaliar.
Refratário → vasoativo e UTI
Epinefrina ou norepinefrina em infusão contínua (≈ 0,05–0,3 mcg/kg/min, titulada) como 1º vasoativo; monitorização e UTI pediátrica.
Hidrocortisona (≈ 2 mg/kg/dia) no choque refratário a catecolamina com suspeita de insuficiência adrenal (asfixia perinatal grave, HAC, corticoide crônico — 50 mg/m²/dia nesses).
Corrigir hipoglicemia e hipocalcemia; não usar meta rotineira de ScvO₂/pressão venosa central (SSC 2020); retorno do lactato e da diurese guiam a resposta.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioCriança de 3 anos, 14 kg, pneumonia em enfermaria há 36 h, recebendo ampicilina 150 mg/kg/dia IV. Mantém febre de 39 °C, a taquipneia piorou e a ausculta mostra murmúrio abolido na metade inferior do hemitórax direito; SpO₂ 92% com O₂ 2 L/min. Conduta:
2.Prova difícilCriança de 5 anos internada por celulite evolui com taquicardia 165, TRC 4 s, marmoreio, PA 78/42, diurese reduzida e lactato 4,5 mmol/L. Recebeu cristaloide 20 mL/kg com resposta parcial. Dentro da primeira hora, a conduta correta é:
05
Crise convulsiva e status epilepticus no plantão
definição ILAE (5 min) · glicemia primeiro · escada de tratamento com doses (midazolam, fenitoína, levetiracetam, fenobarbital) · causas a caçar · convulsão febril · alta e orientação
Status
≥ 5 min
crise contínua ou em série sem recuperação (ILAE 2015)
Midazolam IM
0,2 mg/kg
máx 10 mg — 1ª linha sem acesso (RAMPART)
Diazepam IV
0,3 mg/kg
máx 10 mg, lento; repetir 1× (2 doses no máx.)
Fenitoína
20 mg/kg IV
2ª linha; ≤ 1 mg/kg/min (máx 50 mg/min), ECG/PA
1. Definição e a escada de tratamento
Status epilepticus convulsivo = crise ≥ 5 minutos OU crises em série sem recuperação da consciência entre elas (Trinka 2015). Cada minuto que passa reduz a chance de a crise ceder a benzodiazepínico e aumenta o consumo cerebral de energia: o tratamento é cronometrado, e glicemia capilar entra junto com o primeiro fármaco (Glauser 2016).
Tempo
Etapa
Fármaco e dose
0–5 min
Estabilização
via aérea/O₂, monitorização, glicemia capilar; posição lateral de segurança
5–10 min
1ª linha: benzodiazepínico
com acesso: midazolam IV 0,1–0,15 mg/kg OU diazepam IV 0,3 mg/kg (máx 10 mg), lento — repetir 1× se persistir (máx 2 doses); SEM acesso: midazolam IM/intranasal 0,2 mg/kg (máx 10 mg) — não inferior ao IV (RAMPART)
10–20 min
2ª linha
fenitoína 20 mg/kg IV (máx 1 g; velocidade ≤ 1 mg/kg/min, máx 50 mg/min, com ECG/PA) OU levetiracetam 40–60 mg/kg IV OU ácido valproico 20–40 mg/kg IV (fosfenitoína 15–20 mg PE/kg é alternativa sem risco de necrose por extravasação)
20–40 min
3ª linha
fenobarbital 15–20 mg/kg IV lento OU midazolam em infusão contínua — ambiente de UTI, via aérea garantida
> 40 min
Refratário
anestesia (midazolam alto débito, tiopental/pentobarbital) com EEG contínuo e caça ativa à causa
2. Convulsão febril: o diferencial que tranquiliza (e quando investiga)
SIMPLES: 6 meses–5 anos, generalizada, < 15 min, única em 24 h, recuperação completa — conduta: suporte durante a crise, antitérmico para conforto, investigação do foco febril, SEM EEG, SEM neuroimagem, SEM punção lombar de rotina (se vacinada e sem sinais meníngeos), SEM anticonvulsivante crônico.
COMPLEXA: > 15 min, focal, ou recorrente em 24 h — investigar: afastar meningite (PL conforme idade, vacinação e estado), considerar imagem/EEG conforme padrão; o status febril prolongado pode precisar do protocolo completo de status.
Orientação de alta: antitérmico na dose certa alivia (não previne recorrência), o que fazer na próxima crise (cronometrar, posição lateral, NADA na boca), quando ir ao pronto-socorro (crise > 5 min, recorrente, déficit).
Primeira crise não febril sem causa aguda: não se inicia antiepiléptico crônico de rotina após uma crise isolada — decisão individualizada com neurologia; alta com orientação de risco e retorno.
Fluxo da crise no plantão
Criança convulsionando na enfermaria — o que fazer em ordem?
▼
0–5 min: proteja e cronometre
Posição lateral de segurança, nada na boca, O₂, cronômetro ligado.
Glicemia capilar; acesso se fácil; medicação NÃO espera o acesso: midazolam IM.
5–10 min: benzodiazepínico
Midazolam IV 0,1–0,15 mg/kg (ou IM 0,2 mg/kg máx 10 mg); repetir 1× no máximo.
Crise cedeu → exame pós-ictal, glicose/eletrólitos, decidir investigação e destino.
10–20+ min: 2ª linha e escalonar
Fenitoína 20 mg/kg na velocidade certa (≤ 1 mg/kg/min; ECG/PA) ou levetiracetam 40–60 mg/kg.
Caça à causa em paralelo: eletrólitos, toxico, imagem quando indicado.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalCriança de 4 anos (18 kg) convulsiona na enfermaria há 7 minutos. Sem acesso venoso, glicemia capilar 96 mg/dL. Primeira medicação:
2.AvançadoApós 2 doses de diazepam IV, criança de 6 anos segue em crise tônico-clônica. Acesso venoso patente, glicemia normal, eletrólitos em análise. Próximo degrau adequado:
06
Crise asmática grave na emergência e na enfermaria
classificar gravidade (score clínico) · salbutamol + ipratrópio · corticoide sistêmico precoce · magnésio na grave · critérios de internar, UTI e alta · ajuste da terapia controladora
prednisolona 1–2 mg/kg/dia (máx 40–60 mg) por 3–5 dias
Magnésio IV
50 mg/kg
25–75 mg/kg (máx 2 g) em 20 min na grave refratária
Alta
PEF ≥ 70%
assintomático 1 h após a última inalação, SpO₂ normal em ar ambiente
1. Classificar a gravidade (o score que decide conduta)
Achado
Leve
Moderada
Grave / ameaça à vida
Fala
frases completas
frases curtas
palavras soltas; incapaz de falar
Consciência
normal
normal/agitada
agitação intensa, confusão ou sonolência
Trabalho respiratório
leve
tiragem, uso de acessórios
tiragem intensa, sopro que DIMINUI, movimentos paradoxais
Sibilos
expiratórios difusos
inspiratórios e expiratórios
ausentes (“tórax silencioso”) = exaustão
SpO₂ / PEF
≥ 95% / PEF > 70%
90–94% / PEF 50–70%
< 90% / PEF < 50% ou não coopera
Cianose/bradicardia
ausentes
ausentes
cianose, bradicardia = pré-parada
2. Tratamento em camadas, com doses
O₂ para SpO₂ ≥ 92–94% (máscara/névoa de salbutamol oxigenada).
Salbutamol nebulizado 0,15 mg/kg/dose (mínimo 2,5 mg) de 20/20 min nas 3 primeiras doses; câmara espaçadora com 4–10 jatos equivale à névoa na leve/moderada; melhora → espaçar para 1/1 h e depois 4/4 h; não melhora → nebulização contínua em monitorização.
Ipratrópio 0,25 mg (< 20 kg) ou 0,5 mg (≥ 20 kg) somado às 3 primeiras nebulizações na moderada e grave — reduz internação quando combinado.
CORTICOIDE SISTÊMICO nas primeiras horas (até 1 h) — é a única medida que muda o desfecho da crise (reduz internação, reintervenção e mortalidade): prednisolona 1–2 mg/kg/dia (máx 40–60 mg) VO por 3–5 dias, ou dexametasona em esquemas curtos conforme serviço; corticoide inalatório NÃO substitui o sistêmico na crise (Rowe, Cochrane).
Grave refratária: sulfato de magnésio IV 25–75 mg/kg (máx 2 g) em 20 min reduz internação na crise grave (Cheuk 2005); considerar adrenalina SC apenas se anafilaxia associada; UTI se falha, exaustão, hipercapnia ou alteração de consciência.
NÃO fazer na crise: sedativos, fisioterapia respiratória, mucolíticos, antibiótico de rotina (só se foco bacteriano evidente), hidratação em grande volume (sobrecarga), metilxantinas de rotina.
3. Internar, escalar e dar alta
Internar: resposta incompleta após o tratamento inicial (persiste tiragem/PEF < 60–70%, precisa de inalações a cada < 4 h, SpO₂ < 92% em ar ambiente), vômitos que impedem corticoide oral, fatores de risco de morte asmática (crise prévia em UTI/intubação, uso recente de corticoide, adesão ruim, psiquiátricos).
UTI: piora progressiva apesar do esquema completo, exaustão (sopro apagado, consciência alterada), hipercapnia na gasometria, necessidade de nebulização contínua sem melhora — intubação é último recurso de criança em parada iminente (e de alto risco).
Alta da emergência: assintomático/taquipneia resolvida ≥ 1 h após a última inalação, PEF ≥ 70% do previsto/melhor, SpO₂ normal em ar ambiente, corticoide oral prescrito pelo curso completo, inalador de resgate com técnica revisada e PLANO DE AÇÃO escrito.
Alta da enfermaria: sem necessidade de inalação por > 4 h, sem O₂, tolerando via oral, com plano de ação e revisão da terapia CONTROLADORA (corticoide inalatório de manutenção conforme GINA) e consulta de reavaliação em dias — a crise é falha do controle de base; dar alta sem revisar a terapia de fundo é plantar a próxima internação.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMenina de 7 anos (22 kg) asmática chega falando palavras soltas, SpO₂ 89% em ar ambiente, tiragem intensa, sibilos escassos. Após O₂, 3 nebulizações de salbutamol + ipratrópio e prednisolona oral (já administrada), permanece com PEF 45% e tiragem. Próxima conduta:
2.FundamentalCriança de 4 anos tratada de crise moderada está há 90 min assintomática após a última inalação, PEF 78%, SpO₂ 98% em ar ambiente, aceitando dieta. A alta correta inclui:
07
Sala de parto e reanimação neonatal
preparo e antecipação de risco · os primeiros 60 segundos · ventilação com pressão positiva · compressões 3:1 · epinefrina e volume · Apgar e pós-reanimação
PPV
20–25 cmH₂O
40–60 ventilações/min; termo inicia em AR 21%
Golden minute
60 s
FC, respiração e tônus avaliados aos 60 s definem o próximo passo
1:10.000 IV/IO (veia umbilical) a cada 3–5 min se FC < 60
1. Antecipar, preparar, aquecer
Riscos que exigem presença de equipe de reanimação: prematuridade, líquido meconial, sofrimento fetal/acidose, parto instrumentado, corioamnionite/febre materna, uso materno de magnésio/opioides, sangramento, malformação conhecida, gestação múltipla.
Aquecimento é a primeira reanimação: temperatura da sala 23–25 °C, toalhas pré-aquecidas; RN < 32 semanas: saco plástico de polietileno + calor radiante sem secar antes; alvo de normotermia 36,5–37,5 °C — hipotermia é mortalidade.
Material conferido ANTES do parto: balão/T-piece, máscaras (0 e 1), laringoscópio com lâminas 0 e 1, tubos 2,5–3,5, fonte de O₂/AR comprimido com blender, oxímetro, aspirador, adrenalina 1:10.000 diluída, acesso de veia umbilical pronto.
Apgar aos 1, 5 e (se < 7) 10 minutos descreve a condição do RN e a resposta — NÃO comanda a reanimação: a conduta vem da avaliação de respiração, FC e tônus a cada 30–60 s.
2. Os primeiros 60 segundos e a sequência do NRP
Passos iniciais (< 30 s): aquecer, posicionar cabeça em posição neutra/levemente estendida, limpar vias aéreas se necessário (aspiração apenas se obstrução visível — a aspiração de rotina, mesmo no líquido meconial, NÃO é recomendada), SECAR, estimular suavemente, reposicionar.
Avaliar aos 60 s: respiração (apneia/gaspando?) e FC (palpando cordão ou oxímetro/ECG — o ECG dá leitura rápida e é recomendado).
FC < 100 ou apneia/gaspando → VENTILAÇÃO COM PRESSÃO POSITIVA (PPV): máscara com técnica E-C ou T-piece; pressão inicial 20–25 cmH₂O (até 30–40 se necessário para movimento torácico); 40–60 mov/min; a termo inicia em AR 21% (O₂ só conforme oximetria); < 35 semanas: começar 21–30%.
O CRITÉRIO de PPV eficaz é o MOVIMENTO TORÁCICO: sem ele, corrigir a via aérea (MRSOPA: máscara, reposicionar cabeça, sucção, abrir boca, aumentar pressão, via aérea alternativa) — não trocar de fármaco.
SpO₂ alvo pré-ductal (mão direita): 1 min ≈ 60–65%, 2 min 65–70%, 3 min 70–75%, 4 min 75–80%, 5 min 80–85%, 10 min 85–95% — é NORMAL SpO₂ baixa nos primeiros minutos; não acelerar O₂ por pânico.
Fluxo NRP — o que fazer conforme a FC
RN em reanimação — FC define o próximo degrau:
▼
FC ≥ 100
PPV pode cessar se respiração eficaz; observação com calor, SpO₂ e tônus.
Triagem: permanecer com a mãe/berçário ou observação prolongada conforme risco.
FC < 100 após 30 s de PPV eficaz
Reavaliar movimentação torácica e via aérea (MRSOPA); considerar intubação se PPV eficaz não se mantém.
FC melhorando: continuar PPV até ≥ 100 e respiração regular.
FC < 60 apesar de PPV eficaz 30–60 s
INTUBAR (ou garantir via aérea definitiva) + COMPRESSÕES TORÁCICAS: relação 3:1 — 90 compressões + 30 ventilações/min (120 eventos), profundidade 1/3 do diâmetro ântero-posterior; reavaliar FC após 60 s.
FC ainda < 60 → EPINEFRINA 0,01–0,03 mg/kg (1:10.000) IV/IO — preferência pela veia umbilical; repetir a cada 3–5 min (via endotraqueal, se inevitável: 0,05–0,1 mg/kg 1:1.000).
Suspeita de perda volêmica (sangramento, palidez extrema, choque): volume — cristaloide isotônico 10 mL/kg EV/IO (sangue O negativo se disponível); reavaliar resposta.
3. Pós-reanimação: o RN não acaba quando começa a respirar
Manter normotermia (admissão em temperatura controlada), monitorar FC/SpO₂/PA conforme gravidade.
Glicemia: hipoglicemia é comum pós-asfixia — medir e corrigir (G10%).
Gasometria e lactato de CORDÃO (pH, base) documentam a acidose perinatal no RN deprimido.
Encefalopatia hipóxico-isquêmica (rebaixamento, crises, tonus alterado após asfixia): hipotermia terapêutica em centro especializado — transferir CEDO (janela de horas).
Encaminhamento: RN reanimado com intubação/compressões/epinefrina vai para UTIN com acompanhamento do pediatra no transporte.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioRN a termo, parto vaginal, sem fatores de risco. Aos 60 s está apneico com FC 55 ipm. Recebeu PPV com máscara bem posicionada há 30 s, com movimento torácico visível e FC em 50 ipm. Conduta:
2.Prova difícilRN de 29 semanas vai nascer por cesárea por pré-eclâmpsia grave com alterações de bem-estar. Quais medidas de ANTECIPAÇÃO estão corretas para a sala?
08
Berçário: icterícia, triagens e o RN de rotina
icterícia: Bhutani, fototerapia e seguimento · triagem neonatal ampliada (pezinho, orelhinha, olhinhos, coração) · amamentação e perda de peso · hipoglicemia do berçário · critérios de UTI neonatal
Icterícia < 24 h
patológica
hemólise/sepse até prova contrária — medir e investigar
Nomograma Bhutani
hora-específico
bilirrubina em TODO RN antes da alta (AAP 2022)
Oximetria triagem
24–48 h
pré e pós-ductal: ≥ 95% e diferença < 3%
Pezinho
3º–5º dia
mín. 48 h de vida e de alimentação
1. Icterícia do berçário: o risco é por HORAS e por FATORES, não por “carinha amarela”
Hiperbilirrubinemia indireta é o achado mais comum do berçário; o risco é o kernicterus (dano neurológico irreversível). A decisão de fototerapia/exsanguineotransfusão NÃO é por valor isolado: é pelo NÍVEL de bilirrubina × IDADE EM HORAS × FATORES DE RISCO (prematuridade, hemólise imune, sepse, hipoalbuminemia, ingestão insuficiente), plotados nos limiares da AAP 2022 — daí a regra da diretriz: medir bilirrubina (sérica ou transcutânea) em TODO RN antes da alta e interpretar no nomograma hora-específico (Bhutani 1999; Kemper 2022).
Icterícia nas primeiras 24 h: sempre patológica — Coombs, hemograma/reticulócitos, esfregaço, TSB; pensar hemólise (Rh/ABO, esferocitose, G6PD) e sepse.
Icterícia do aleitamento por ingestão insuficiente (RN perde muito peso, mama pouco): a conduta é AUMENTAR as mamadas (apoio à amamentação), nunca suspender o leite materno.
Fototerapia INTENSIVA (irradiância ≥ 30 μW/cm²/nm) conforme limiar hora-específico; suspender quando a bilirrubina cai 1–2 mg/dL abaixo do limiar; reavaliar em 6–12 h após suspender conforme risco.
Exsanguineotransfusão: acima do limiar de troca ou sinais de encefalopatia bilirrubínica — em centro especializado; IVIG 0,5–1 g/kg em 2 h na hemólise imune (isoimunização) com TSB subindo apesar de fototerapia intensiva ou próxima do nível de troca (Kemper 2022).
Alta do RN ictérico: seguir no nomograma — retorno para bilirrubina em 24–48 h conforme zona de risco e fatores; a família sai sabendo OLHAR: letargia, sucção fraca, opistótono, choro agudo = retorno imediato.
Colestase (fração DIRETA elevada, urina escura, fezes acólicas): não é berçário de rotina — investigação urgente (atresia de vias biliares e a janela do Kasai).
falha → repetir no 1º mês; falha 2× → PEATE/avaliação especializada — janela crítica de linguagem
Olhinhos (reflexo vermelho)
na consulta neonatal
leucocoria = retinoblastoma/catarata até prova contrária — oftalmo urgente
Coração (oximetria pré/pós-ductal)
24–48 h de vida
passa: SpO₂ ≥ 95% (mão direita e pé) com diferença < 3%; SpO₂ < 90% → eco imediata; 90–94% ou diferença ≥ 3% → repetir em 1 h; 3 falhas → ecocardiograma
Umbigo/habitual
alta e puericultura
coto seco e limpo; onfalite (eritema, secreção fétida, febre) = antibiótico e investigar
3. Rotina do berçário: amamentação, glicemia e o RN “que não vai bem”
Amamentação em livre demanda (8–12 vezes/dia); registrar mamadas e evacuações; perda de peso > 7% ou mamadas escassas → avaliar pega/técnica, suplementar com leite materno ordenhado/fórmula conforme protocolo e planejar reavaliação bilirrubina/peso em 24–48 h.
Hipoglicemia do berçário (RN de mãe diabética, GIG, PIR, prematuro tardio, sofrimento): triagem conforme protocolo do serviço; limiar clássico de ação < 40–45 mg/dL nas primeiras horas; assintomático → alimentar e repetir; sintomático ou persistente → G10% EV 2 mL/kg em bolus lento + infusão contínua com monitorização.
Sepse neonatal de início precoce (< 72 h): RN “que não vai bem” (instabilidade térmica — hipotermia conta —, recusa, letargia, apneia, icterícia precoce, distensão): hemocultura + antibiótico (ampicilina + gentamicina) conforme avaliação; profilaxia intraparto materna para GBS orienta a vigilância (Polin/AAP).
Critérios usuais de UTI NEONATAL (variam por serviço): extremo baixo peso/prematuridade grave (< 32 semanas ou < 1.500 g), suporte ventilatório, vasoativo, pós-operatório de grande porte, instabilidade persistente, convulsão. Berçário compartilhado/UCI cuida do RN estável de risco (fototerapia, prematuro tardio alimentando-se, observação pós-profilaxia).
Alta do berçário: RN estável, mamando, exames e triagens em dia, bilirrubina avaliada no nomograma, vacinas (BCG/Hep B conforme idade), seguimento em 48–72 h (peso, icterícia, amamentação) definido por escrito.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioRN a termo, 38 h de vida, prestes a receber alta. Mãe O+, RN A+, amamentação em livre demanda, perda de peso de 6%. Icterícia discreta em face. Segundo a AAP 2022, a conduta correta é:
2.AvançadoRN a termo de 30 h de vida, filho de mãe diabética, apresenta tremores e letargia no berçário; glicemia capilar 34 mg/dL. Após alimentação, persiste 36 mg/dL com sintomas. Conduta:
09
Emergências do plantão: a caixa de ferramentas do interno
anafilaxia e adrenalina IM · hipoglicemia sintomática · parada cardiorrespiratória pediátrica (PALS) · abdomen cirúrgico: invaginação · quando escalar e como comunicar
Adrenalina anafilaxia
0,01 mg/kg IM
1 mg/mL, máx 0,5 mg, face anterolateral da coxa; repetir 5–15 min
Glicose criança
D25% 2–4 mL/kg
adolescente: D50% 1–2 mL/kg (PALS); RN: G10%
Adrenalina PCR
0,01 mg/kg
IV/IO (0,1 mL/kg de 1:10.000) a cada 3–5 min
Choque elétrico
2 J/kg → 4 J/kg
FV/TV sem pulso; máx 10 J/kg ou dose adulta
Cenário do plantão
Reconhecimento
Primeira conduta
Depois
Anafilaxia
urticária/difusão + respiratório ou hipotensão, início rápido
adrenalina 0,01 mg/kg IM na coxa AGORA
posição, O2, volume se hipotenso; corticoide/hidroxizina como adjuvantes; observar biphasic
pensar nas causas que mudam a conduta: pneumotórax, corpo estranho, anafilaxia, asma
Abdome cirúrgico (invaginação)
dor cólica em paroxismos + letargia intermitente; tardio: 'geleia de groselha'
NPO, hidratação IV, radiografia/US e cirurgia pediátrica no mesmo movimento
enema com contraste é terapêutico se sem perfuração/peritonite — decisão do cirurgião
1. Anafilaxia: adrenalina logo, nada depois dela
Diagnóstico: início rápido (minutos a 2 h) de reação cutâneo-mucosa + comprometimento respiratório e/ou cardiovascular e/ou digestivo grave; na suspeita de anafilaxia grave, a adrenalina é imediata — antihistamínico e corticoide são ADJUVANTES e nunca atrasam a adrenalina.
Epinefrina IM 0,01 mg/kg (solução 1 mg/mL; máximo 0,5 mg) na face ANTEROLATERAL da coxa; repetir a cada 5–15 min se a reação persistir; demora da adrenalina é o principal fator de morte.
Posição supina com membros elevados (sentar em pé piora retorno venoso), O₂, monitorização; hipotensão refratária → cristaloide 10–20 mL/kg em bolus rápido + infusão de epinefrina.
Asma + alergia alimentar é o binômio de maior risco de anafilaxia fatal; depois da estabilização: observação prolongada (recidiva bifásica), plano de ação com caneta de epinefrina e investigação alergológica.
2. Hipoglicemia sintomática: segundos para tratar
Causas no plantão: jejum + infecção (o clássico do lactente), desidratação grave, sepse, intoxicação por hipoglicemiante/álcool, erro inato do metabolismo, hiperinsulinismo.
Glicemia < 40–45 mg/dL (ou < 60 em criança maior sintomática, conforme protocolo) com sintomas (tremor, sudorese, rebaixamento, convulsão):
RN: G10% 2 mL/kg EV em bolus lento + infusão contínua (5–8 mg/kg/min) e monitorização.
Lactente/criança (PALS): D25% 2–4 mL/kg EV (ou D10% em volume maior quando disponível); adolescente: D50% 1–2 mL/kg; seguido de dieta/infusão de glicose e reavaliação seriada — nunca interromper a vigilância após o bolus.
Incapaz de beber sem acesso: acesso intraósseo é legítimo na urgência; glicosímetro com leitura duvidosa em criança em choque: confiar na clínica e tratar.
3. Parada cardiorrespiratória pediátrica (PALS)
Início: FC < 60 ipm com má perfusão (bradicardia sintomática) já indica compressões — a PCR pediátrica é, na maioria, ASFÍXICA (hipóxia → bradicardia → parada): via aérea e oxigenação são metade do tratamento.
Compressões: centro do tórax, profundidade 1/3 do diâmetro ântero-posterior (≈ 4 cm lactente; 5 cm criança), 100–120/min, retorno total do tórax, troca de socorrista a cada 2 min.
Via: 15:2 com dois socorristas (30:2 se um); acesso IO se venoso falha.
Ritmo não desfibrilável (assistolia/SEP): adrenalina 0,01 mg/kg IV/IO (0,1 mL/kg da diluição 1:10.000) a cada 3–5 min, o mais cedo possível, sem interromper compressões.
Ritmo desfibrilável (FV/TV sem pulso): choque 2 J/kg → 4 J/kg (máx 10 J/kg ou dose adulta) + adrenalina + antiarrítmico (amiodarona 5 mg/kg IV/IO ou lidocaína 1 mg/kg) na refratariedade; minimizar pausas (< 10 s).
Pós-retorno: oxigenação titulada (evitar hiperoxemia), PA, glicemia, temperatura, e investigar as 4H4T (hipóxia, hipovolemia, hipo/hipercalemia, hipotermia; tensão, tamponamento, tóxicos, trombose) — a causa que parou continua presente.
4. Dor abdominal no plantão: quando é cirúrgica
INVAGINAÇÃO INTESTINAL: lactente 5–9 meses (pico clássico) com crises de dor intensa em cólica (a criança flexiona as pernas e grita) separadas por intervalos assintomáticos, vômitos e, depois, fezes com sangue e muco (“geleia de morango”) ± massa em RD/mesogástrio e “sinal da dança”. Diagnóstico: ultrassom (sinal do alvo/pseudorim). Conduta: estabilizar com hidratação e senior/cirurgia — enema terapêutico (hidrostático/aéreo) se estável, sem perfuração, peritonite ou choque; cirurgia nos critérios de falha/complicação.
Apendicite: dor que migra para FID, anorexia, febre baixa, defesa/rebote; criança pequena apresenta-se TARDIA e difusa — sempre que a dor abdominal não fecha, o abdomen é reexaminado por horas (evolução é o melhor exame).
Bandeiras vermelhas de abdomen agudo: dor que acorda e não deixa andar, defesa em bloco, distensão com vomito biliar (rotação/volvo no RN), sangue retal com choque, trauma.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioCriança de 12 kg (2 anos) com alergia a amendoim come biscoito e em 15 minutos apresenta urticária difusa, estridor, tiragem e FC 180 com TRC 4 s. A primeira medida é:
2.Prova difícilLactente de 8 kg, 10 meses, com crises repetidas de choro intenso e flexão de pernas há 12 h, entre as quais “volta ao normal”; vomitou 3× e houve evacuação com sangue e muco. Abdomen com massa palpável em mesogástrio, sem defesa; hemodinamicamente estável, hidratado. Conduta:
R
Revisão de alta performance
Para a véspera: o essencial de cada módulo, os números que precisam estar no bolso do jaleco e as pegadinhas que decidem a avaliação
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 Admissão da criança grave
PAT em 30–60 s (aparência, trabalho respiratório, circulação); hipotensão é tardia; bradicardia + apneia = pré-parada; UTI para via aérea/vasoativo/GCS ≤ 8.
Tabela de sinais vitais por idade e os sinais de pré-parada
02 Enfermaria
Peso antes de prescrever; gotejamento (microgotas/min = mL/h); balanço hídrico, diurese e peso diário; visita termina em conduta; alta com orientação escrita.
Prescrição por peso e critérios de alta
03 Desidratação
Planos OMS A/B/C; déficit + manutenção (4-2-1); potássio ≤ 0,5 mEq/kg/h e nunca bolus; sódio corrige devagar dos dois lados.
Plano C e o cálculo déficit + manutenção das 8 h
04 Pneumonia e sepse
Amoxi 90 ambulatorial; ampicilina 150–200 internada não grave; vanco + ceftriaxona na grave; sepse: ATB ≤ 1 h + volume titulado + vasoativo.
Curva de resistências e a 1ª hora do choque
05 Convulsão/status
Status = ≥ 5 min; benzo 2 doses no máx (midazolam IM 0,2 sem acesso); fenitoína 20 mg/kg lenta; glicemia sempre; febril simples não investiga além do foco.
A escada 5-10-20-40 com doses
06 Asma aguda
Salbutamol 0,15 mg/kg 20/20 + ipratrópio + corticoide sistêmico até 1 h; magnésio na grave; tórax silencioso = piora; alta revisa o controlador.
Score de gravidade e o papel do corticoide
07 Sala de parto
60 s decidem; PPV 20–25 cmH₂O com tórax movendo é o fundamento; FC < 60 = compressões 3:1; epinefrina 0,01–0,03 mg/kg IV/IO; termo ventila em ar.
A sequência FC-defined do NRP e as doses
08 Berçário
Bilirrubina em todo RN antes da alta no nomograma hora-específico; icterícia < 24 h é patológica; triagens (pezinho, orelha, olho, oximetria); hipoglicemia e sepse do RN que não vai bem.
Nomograma, fototerapia e o kit de triagens
09 Emergências do plantão
Adrenalina IM na anafilaxia antes de tudo; glicose na hipoglicemia por faixa; PCR asfíxica: FC < 60 com má perfusão comprime; invaginação com US e enema; escalar cedo com SBAR.
Doses de adrenalina/glicose e a dor abdominal cirúrgica
Números que você precisa saber de cor
Tema
Número
PAT
30–60 s · 3 eixos: aparência + trabalho respiratório + circulação à pele
PAS mínima
< 60 (RN) · < 70 (lactente) · < 70 + 2×idade (1–10 a) · < 90 (> 10 a)
PPV 20–25 cmH₂O · 40–60 mov/min · AR 21% a termo · compressões 3:1 (90+30 = 120/min) · epi 0,01–0,03 mg/kg 1:10.000 IV/IO · volume 10 mL/kg
SpO₂ pré-ductal
1 min 60–65% · 5 min 80–85% · 10 min 85–95%
Icterícia
medir em TODO RN antes da alta · < 24 h patológica · fototerapia intensiva ≥ 30 μW/cm²/nm · IVIG 0,5–1 g/kg na hemólise imune · cai 1–2 mg/dL abaixo do limiar para suspender
Triagens RN
pezinho 3º–5º dia · orelhinha antes da alta · reflexo vermelho · oximetria 24–48 h (≥ 95%, dif < 3%)
Patológica — Coombs, hemólise/sepse, TSB no nomograma
RN com tremores, mãe diabética
Hipoglicemia — G10% 2 mL/kg + infusão
Urticária + estridor + hipotensão minutos após alimento
Anafilaxia — adrenalina IM 0,01 mg/kg na coxa agora
Lactente com crises de dor + “geleia de morango”
Invaginação — US alvo, enema se estável
Fosfenitoína existe porque
Fenitoína extravasada necrosa (síndrome da luva roxa) — via central ou fosfenitoína
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.FundamentalCriança de 3 anos trazida à enfermaria está hipotônica, indiferente ao ambiente, com tiragem subcostal e batimento de asa de nariz, pele marmórea nos membros. Pela avaliação rápida (PAT), a conduta imediata é:
2.IntermediárioLactente de 12 kg com desidratação severa por gastroenterite chega letárgico, com pulso femoral fino, sem sinais de choque descompensado. A hidratação venosa inicial correta segue:
3.AvançadoCriança de 8 kg em hidratação venosa por 24 h apresenta diurese preservada e K 2,6 mEq/L assintomático. Prescrição de reposição de potássio correta:
4.Prova difícilCriança de 4 anos internada por pneumonia evolui com taquicardia 170, TRC 4 s, marmoreio, PA 74/40 e lactato 5 mmol/L; hemocultura colhida. Dentro da primeira hora, a sequência correta é:
5.IntermediárioCriança de 5 anos (20 kg) convulsiona há 9 minutos na enfermaria. Sem acesso venoso, glicemia 90 mg/dL. Primeira medida farmacológica:
6.AvançadoRN a termo, 60 s de vida, apneico, FC 48 ipm após 30 s de PPV com máscara bem posicionada e movimento torácico visível. Próximo passo:
7.IntermediárioRN a termo de 40 h de vida, amamentado em livre demanda, com icterícia até o abdome. Mãe O+, RN A+. Antes da alta, a conduta correta conforme AAP 2022 é:
8.Prova difícilCriança de 15 kg com alergia conhecida a ovo ingere bolo e em 10 minutos apresenta urticária generalizada, estridor, tiragem e palidez com TRC 4 s. Sequência correta:
Gabarito rápido
1-B · 2-D · 3-B · 4-A · 5-B · 6-C · 7-B · 8-B
Referencial teórico
18 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoHoreczko T, Enriquez B, McGrath NE, Gausche-Hill M, Lewis RJ. The Pediatric Assessment Triangle: Accuracy of Its Application by Nurses in the Triage of Children. J Emerg Nurs. 2013;39(2):182–189.doi.org/10.1016/j.jen.2011.12.020
diretriz / revisãoTopjian AA, Raymond TT, Atkins D, et al. Part 4: Pediatric Basic and Advanced Life Support: 2020 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation. 2020;142(16_suppl_2):S469–S523.doi.org/10.1161/CIR.0000000000000901
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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