Baseado no conhecimento clínico e normativo canônico: escada analgésica da OMS (Cancer Pain Relief, 1986; guia da OMS de 2018), diretriz ESMO de dor oncológica (Fallon e cols., 2018), princípios de opioides (Portenoy e Ahmed, 2014), protocolo SPIKES (Baile e cols., 2000), OSCE (Harden e cols., 1975; AMEE Guide 81), ciência do aprendizado (Cepeda e cols., 2006; Roediger e Karpicke, 2006), eventos adversos e disclosure (Brennan e cols., 1991; Gallagher e cols., 2003), fadiga (Dawson e Reid, 1997) e burnout (Maslach e Leiter, 2016), além da legislação brasileira (CF/1988, Leis 8.080/1990, 8.142/1990, 6.932/1981, 12.711/2012, Código Civil e Código Penal) e das normas do sistema de residência. Datas, pesos e editais de residência variam por ano e por instituição — o resumo apresenta panorama e intervalos; confira sempre o edital vigente.
01
Eletivos, externato e eletivo internacional
internato nas DCN (30% da carga) · escolha orientada a objetivo de carreira · contrato de aprendizagem com o preceptor · externato · intercâmbio: convênio, visto, seguro e escopo do estudante
Internato (DCN 2014)
30%
da carga total do curso, distribuído em estágio clínico e cirúrgico (Res. CNE/CES 3/2014, consolidada pela 7/2018)
Planejamento do intercâmbio
6–12 meses
convênio, visto, seguro-saúde, imunizações e idioma
Pedido de carta
2–4 semanas
antecedência mínima para recomendação de preceptor
Regra de ouro
1 objetivo
cada eletivo responde a um objetivo declarado de carreira ou de habilidade
1. O que é eletivo — e por que não é folga clínica
Nas Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina, o internato deve corresponder a 30% da carga horária total do curso, organizado em estágio clínico e estágio cirúrgico; dentro dele, a faculdade reserva uma parcela de rodízios eletivos, em que o estudante escolhe a área. Eletivo é tempo de escolha orientada: o erro mais caro do 6º ano é tratá-lo como descanso ou ocupá-lo apenas com a especialidade alvo da residência. A lógica correta é de portfólio: um eletivo reforça o núcleo que cai em prova (emergência, UTI, medicina interna, cuidados paliativos), outro aprofunda a especialidade alvo, outro desenvolve habilidade deficitária (procedimentos, comunicação, gestão) e, quando possível, um quarto projeta a carreira (eletivo internacional, gestão, pesquisa).
Objetivo
Eletivo de melhor retorno
O que perguntar ao preceptor
Reforçar o núcleo da prova de residência
emergência, UTI, medicina interna, paliativos
volume de casos, autonomia do intern, rotina de discussões de caso
Aprofundar a especialidade alvo
eletivo específico com preceptor da área
se há carta de recomendação ao fim, contato com o programa, procedimentos
Fechar lacuna de habilidade
eletivo de habilidades/procedimentos ou de comunicação
simulação disponível, número de procedimentos supervisionados
Explorar carreira e sistema
gestão em saúde, saúde coletiva, eletivo internacional
02
Cuidados paliativos e dor oncológica: a escada da OMS
definição e início precoce · princípios da analgesia · degraus 1 a 3 com doses · dose de resgate · adjuvantes · dor neuropática e óssea
Escada da OMS
1986
Cancer Pain Relief; guia atualizado da OMS para dor oncológica em 2018
Controle da dor
70–90%
dos pacientes oncológicos com a abordagem em degraus corretamente aplicada
Morfina oral (início)
5–10 mg 4/4 h
padrão do degrau 3; barata e disponível no Brasil
Resgate
1/6 da DDT
10–20% da dose diária total em morfina de liberação imediata
1. Cuidados paliativos: definição e início precoce
Cuidados paliativos são a abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e famílias diante de doenças que ameaçam a vida, pela prevenção e alívio do sofrimento — identificação precoce, avaliação rigorosa e tratamento da dor e de problemas físicos, psicossociais e espirituais. Três pontos que a prova cobra: não exigem prognóstico de semanas (iniciam-se junto ao diagnóstico, em paralelo ao tratamento modificador da doença); são prestados por equipe multiprofissional (médico, enfermagem, psicologia, assistência social, fisioterapia, nutrição, capelania); e melhoram desfechos objetivos — no câncer de pulmão metastático, paliativos precoces associados ao tratamento oncológico aumentaram qualidade de vida, reduziram depressão e aumentaram a sobrevida mediana (11,6 vs 8,9 meses; Temel e cols., NEJM 2010). A revisão Cochrane de cuidados paliativos domiciliares mostra maior chance de morrer em casa e menor sobrecarga de luto dos cuidadores.
2. Os cinco princípios da analgesia da OMS
A analgesia oncológica obedece a cinco princípios: pela boca (via oral sempre que possível), pelo relógio (doses fixas programadas, não prn), pela escada (degrau conforme a intensidade), para o indivíduo (titulação individual, sem dose máxima de opioide puro enquanto a dor persiste e os efeitos adversos forem manejáveis) e com atenção aos detalhes (reavaliação sistemática, adjuvantes por mecanismo, manejo dos efeitos adversos desde a primeira prescrição).
3. A escada em degraus com doses
Degrau
Dor
Fármacos e doses de referência
Degrau 1
leve (EVA 1–3)
03
Opioides na prática: equivalências, efeitos adversos e metadona
equipotência e DEM · tabela de equivalências · rotação de opioides · efeitos adversos e manejo · naloxona titulada · metadona e fentanil
Morfina VO : parenteral
3 : 1
10 mg IM/SC ≈ 30 mg VO
Fentanil TD 25 mcg/h
≈ 60–90 mg/dia
de morfina oral; nunca na titulação inicial
Meia-vida da metadona
8–59 h
variável e longa — risco de acúmulo nos dias 3–7
Efeito adverso sem tolerância
constipação
laxante obrigatório desde a primeira prescrição
1. Equipotência: a morfina é a régua
Todas as conversões entre opioides passam pela dose equivalente de morfina (DEM): soma-se a dose diária total do opioide atual, converte-se para DEM pela tabela e aplica-se o novo fármaco com margem de segurança, reduzindo 25 a 50% do valor calculado na rotação — a variabilidade interindividual da resposta é grande e as tabelas são ponto de partida, não destino. A via oral é a régua: 30 mg de morfina VO equivalem a 10 mg de morfina IM, SC ou IV (razão 3:1).
Equivalência analgésica (dor oncológica, adulto)
Razão/memo
Morfina VO 30 mg ≈ morfina SC/IM/IV 10 mg
3:1 — a base de todas as conversões
Morfina VO 30 mg ≈ oxicodona VO 15–20 mg
oxicodona é 1,5–2× mais potente por via oral
Morfina VO 30 mg ≈ hidromorfona VO 6–8 mg
hidromorfona ≈ 4–5× mais potente por via oral
Fentanil transdérmico 25 mcg/h ≈ morfina VO 60–90 mg/dia
converter com DDT estável; titulado, só depois
Codeína VO ≈ 200 mg ≈ morfina VO 30 mg
aproximado; metabolismo CYP2D6 variável limita a codeína
2. Efeitos adversos: o que gera tolerância e o que não gera
Efeito
Tolerância
Manejo padrão
Constipação
NÃO gera tolerância — persiste no tratamento todo
laxante estimulante (sene) ± osmótico (lactulose) desde o início; revisar se fecaloma
04
Comunicação de más notícias: protocolo SPIKES
o que é má notícia · os 6 passos do SPIKES · resposta empática (NURS) · bloqueios de comunicação · verdade, família e registro
Passos do SPIKES
6
Baile e cols., The Oncologist 2000 — protocolo mais citado de comunicação em oncologia
Dever de informar
CEM art. 34
diagnóstico, prognóstico, riscos e objetivos — ao paciente, não à família em primeiro lugar
sempre há o que fazer: aliviar, cuidar, acompanhar
1. O que é má notícia e por que é procedimento clínico
Má notícia é toda informação que altera de forma grave e negativa a visão que o paciente tem do futuro (Buckman) — o diagnóstico de câncer, a recidiva, a progressão, a necessidade de cuidados paliativos exclusivos. Comunicação de más notícias é procedimento clínico treinável, com as mesmas exigências de um procedimento invasivo: preparo, técnica, manejo de complicações e registro. A literatura mostra que boa comunicação reduz ansiedade e depressão, melhora a adesão e a memória da informação e diminui o sofrimento da equipe; a má comunicação é fonte de queixas e processos mesmo quando a técnica médica foi impecável.
2. Os 6 passos do SPIKES
Passo
Nome
Ações-chave
S
Setting (preparar)
local privado, sentar-se à altura dos olhos, envolver pessoas-chave que o paciente queira, desligar interrupções, ter papel e tecido à mão, reservar tempo
P
Perception (percepção)
descobrir o que o paciente já sabe/entende: “o que você entendeu até agora da sua doença?” — calibra o quanto informar e revela negação
I
Invitation (convite)
perguntar quanto ele quer saber e quanto quer decidir; respeitar o direito de não saber e de delegar à família (registrar)
K
Knowledge (informar)
disparador de aviso (“tenho notícias difíceis”), linguagem simples sem jargão, informação em blocos pequenos, pausas, checar compreensão, não dar números falsos de prognóstico
E
05
Gestão em saúde e trabalho em rede no SUS
marco legal (CF, 8.080 e 8.142) · princípios e diretrizes · redes de atenção à saúde e linhas de cuidado · complexo regulador e Acesso Único · gestão pública e controle social
Marco legal
CF 1988
arts. 196–200; Leis 8.080/1990 (organização) e 8.142/1990 (participação social)
RAS e regiões
Decreto 7.508/2011
regulamenta regiões de saúde, portas de entrada e regulação (diretrizes: Portaria GM/MS 4.279/2010)
Conselhos de saúde
50% usuários
composição paritária; conferências a cada 4 anos (Lei 8.142/1990)
Regulação
3 funções
acesso · assistencial · de sistemas (complexo regulador, com fila única no Acesso Único)
1. Marco legal e princípios
A Constituição de 1988 institui o Sistema Único de Saúde: saúde é direito de todos e dever do Estado (art. 196), com atendimento integral e prioridade às atividades preventivas; o art. 198 define as diretrizes — descentralização, com direção única em cada esfera de governo, atendimento integral e participação da comunidade. A Lei 8.080/1990 organiza o SUS em dois blocos: princípios doutrinários (universalidade, integralidade e equidade) e princípios organizativos (descentralização, regionalização, hierarquização e participação dos usuários). A Lei 8.142/1990 completa o marco com a participação social: conferências de saúde a cada 4 anos e conselhos paritários de saúde em cada esfera, com composição de 50% usuários, 25% trabalhadores e 25% gestores/prestadores.
Princípio
O que significa
Erro de banca
Universalidade
todo cidadão tem direito ao atendimento
restringir acesso a contribuintes do INSS
Integralidade
ações de promoção, proteção e recuperação integradas
confundir com “atender tudo em qualquer porta”
Equidade
tratar desigualmente os desiguais (priorizar necessidades)
confundir com igualdade estrita de recursos
Descentralização
município como gestor local, direção única por esfera
acentrar decisões no estadual/federal
Regionalização e hierarquização
serviços organizados em região, por complexidade, com fluxos definidos
06
Medicina legal e responsabilidade profissional
erro médico: imprudência, negligência e imperícia · responsabilidade ética, civil e penal · obrigação de meio × resultado · prontuário como defesa · eventos adversos e disclosure
das internações com eventos adversos (Brennan e cols., NEJM 1991)
Homicídio culposo (CP art. 121 §3º)
1–3 anos
detenção; aumento de 1/3 com omissão de socorro, fuga ou inabilitação para socorrer
Instâncias
3
ética (CRM), civil (indenização) e penal — independentes entre si
1. Erro médico: o vocabulário da culpa
Responsabilidade profissional do médico é o conjunto de deveres perante paciente e sociedade, com sanções em três esferas independentes: ética (CRM — advertência a cassação), civil (indenização por dano) e penal (infrações do Código Penal). A base da imputação é a culpa, em suas três formas: imprudência é agir sem cautela (decidir apressadamente), negligência é omitir o cuidado devido (não examinar, não solicitar exame indicado, não acompanhar), imperícia é faltar habilidade técnica exigível (executar procedimento que não domina). Culpa consciente é prever o dano e confiar que não ocorrerá; dolo eventual é prever e ASSUMIR o risco — a fronteira decide se há crime culposo ou doloso. Erro inevitável, complicações informadas no consentimento e intercorrências previsíveis do próprio agravo não geram responsabilidade quando a conduta seguiu o padrão de cuidado.
Conceito
Definição
Exemplo típico de prova
Evento adverso
dano causado pelo cuidado, não pela doença
infecção de sonda venosa central mal manipulada
Quase-incidente (near miss)
erro detectado antes de alcançar o paciente
farmácia bloqueia dose 10× maior antes da dispensa
Erro de medicação
falta em qualquer etapa (prescrição, transcrição, dispensa, administração)
dose 10× por confusão de diluição; os “certos” (paciente, fármaco, dose, via, hora) evitam
Complicação informada
07
OSCE: exame clínico objetivo estruturado
origem e conceito (Harden, 1975) · estrutura em estações · paciente padronizado · checklist e escala global · confiabilidade e número de estações · como treinar
Publicação seminal
1975
Harden e cols., BMJ — exame clínico objetivo estruturado (OSCE)
Estações
5–10 min
duração típica de cada estação; candidatos rotacionam sincronizados
Regra da confiabilidade
~1 h de teste
dividida em várias estações curtas, para confiabilidade aceitável
Avaliação
checklist + escala global
combinação de itens observáveis e juízo global do examinador
1. Conceito e origem
A OSCE (Objective Structured Clinical Examination) é o método de avaliação de competência clínica em que candidatos rotacionam por uma série de estações padronizadas, cada uma com tarefa definida, tempo fixo, material padronizado e critérios objetivos de escore. Foi proposta por Harden e colaboradores (BMJ, 1975) para resolver os vieses do exame clínico tradicional (longa discussão de um único caso, avaliador único, variabilidade interexaminador): na OSCE, o que varia é o candidato, não o caso — cada estação é o mesmo teste para todos. Avalia o que o examinado faz (observável), não o que diz que faria; por isso é o formato padrão de avaliações de habilidades clínicas e comunicação nas escolas médicas e em programas de residência.
2. Estrutura: estações, pacientes e escore
Componente
Descrição
O que a banca cobra
Estações
de 5 a 10 minutos; tipos: anamnese focada, exame físico em simulador/manequim, comunicação (ex.: SPIKES), procedimentos, interpretação de exames, estação de descanso
o candidato recebe CARTÃO com a tarefa exata — ler antes de agir
Paciente padronizado
ator treinado com caso roteirizado e reprodutível (ou simulador de alta fidelidade)
garante que todos os candidatos enfrentem o mesmo caso — objetividade
Escore
checklist analítico de itens observáveis + escala global do examinador (global rating)
a escala global captura competência geral; o checklist, itens específicos
Examinador
fixo na estação, com roteiro e treinamento; às vezes duplo avaliador
08
Prova de residência: estrutura e método de estudo
panorama do sistema brasileiro (edital institucional e estadual — AMRIGS, USP, UNIFESP) · estrutura das provas e prova de títulos · revisão espaçada e prática de recuperação · simulados e plano do 6º ano
Provas teóricas
≈ 100–200 questões
varia por edital e instituição; pesos e títulos definidos a cada ano
testar-se melhora a retenção a longo prazo mais do que reler
Cronograma do 6º ano
3 fases
consolidação → simulados → véspera de revisão
1. Panorama do sistema brasileiro de seleção
O acesso à residência médica no Brasil é por processo seletivo próprio de cada programa, organizado por editais: institucionais (universidades como USP e UNIFESP, hospitais de ensino) ou agregados estaduais (ex.: AMRIGS, que organiza prova conjunta para programas do Rio Grande do Sul; e consórcios como o SUS-SP, na capital paulista). As provas variam em formato e data por instituição e por ano, mas o padrão é: prova teórica objetiva de conhecimentos (na casa de 100 a 200 questões) com predominância do núcleo clínico (clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia, preventiva/saúde coletiva), e componentes adicionais em muitos programas — prova de títulos (especialização, mestrado e doutorado, publicações, atividades de docência, PROVAB) e, em parte dos editais, entrevista ou avaliação de habilidades. O número de alternativas por questão e a regra de correção (com ou sem penalização de erro) variam por banca — ler o edital completo, com datas, documentos e critérios de desempate, é obrigação do candidato e material de prova recorrente.
Componente do edital
O que é
Nota prática
Prova teórica objetiva
questões de conhecimentos clínicos, com pesos por disciplina definidos no edital
o núcleo clínico domina; interpretar casos vale mais que decoreba isolada
Prova de títulos
pontua formação complementar e produção (especialização, mestrado/doutorado, artigos, docência)
montar o Lattes e conferir a tabela de pontos do edital no início do 6º ano
09
Currículo, entrevista e transição para a residência
Lattes e títulos · cartas de recomendação · entrevista · papel do R1 e jornada legal · sono e fadiga · burnout · PROVAB e serviço rural
Jornada da residência
60 h/semana
incluindo plantões; plantão de até 24 h seguidos + 6 h de descanso (Lei 6.932/1981)
Vigília de 17 h
≈ 0,05% álcool
desempenho equivalente à alcoolemia de 0,05%; 24 h ≈ 0,10% (Dawson e Reid, Nature 1997)
1 ano em APS prioritária, com bolsa e benefícios para residência em MFC
1. Currículo Lattes, títulos e cartas
A plataforma Lattes (CNPq) é o currículo padrão dos processos seletivos brasileiros: deve estar completo e atualizado (formação, experiência profissional, produção científica com dados bibliográficos completos, atividades de ensino, idiomas) e coerente com os documentos apresentados na prova de títulos — divergências entre Lattes e certificados geram desclassificação. Cartas de recomendação são solicitadas a preceptores que acompanharam o candidato de perto, com antecedência de 2 a 4 semanas, fornecendo CV atualizado e o programa-alvo; em editais que as exigem, seguem modelo e canal definidos (comumente enviadas pelo próprio remetente, sem passar pelo candidato). Produção e atividades do eletivo (casos apresentados, temas ministrados) entram no Lattes com data e descrição — o registro contínuo durante o internato vale mais que a reconstrução na véspera.
2. Entrevista de residência
A entrevista avalia comunicação, maturidade e aderência ao programa. Preparação mínima: revisar o próprio currículo (tudo o que está lá pode virar pergunta), conhecer o programa (corpo clínico, rodízios, exigência de tese, produção) e treinar respostas estruturadas — situação, ação, resultado — para perguntas clássicas: por que esta especialidade, por que este programa, pontos fortes e fracos com plano de melhoria, caso difícil e conflito com equipe. Conduta: pontualidade, vestimenta adequada, respeito a todos os funcionários (a avaliação começa na recepção) e honestidade — inventar produção ou experiência é eliminação. Ter perguntas próprias para o entrevistador (supervisão, rodízios, tese) demonstra engajamento.
3. Transição internato → residência: novo estatuto
R
Revisão de alta performance
Para a véspera: as doses, as regras do sistema brasileiro e as pegadinhas que decidem a prova
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 Eletivos e externato
Eletivo é escolha orientada a objetivo (núcleo da prova + especialidade + habilidade + carreira), com contrato de aprendizagem e registro; intercâmbio exige convênio e mantém o escopo de estudante.
Internato = 30% da carga (DCN); escopo do estudante no exterior
02 Paliativos e escada da OMS
Pela boca, pelo relógio, pela escada, individual, detalhes; morfina 5–10 mg VO 4/4 h no degrau 3; resgate 1/6 da DDT; adjuvante por mecanismo.
Dor grave entra direto na morfina; Temel 2010 (paliativos precoces)
03 Opioides na prática
Morfina VO 30 mg ≈ SC 10 mg (3:1); fentanil TD 25 mcg/h ≈ 60–90 mg/dia VO; constipação sem tolerância; naloxona diluída e titulada; metadona de conversão não linear.
Equivalências e manejo dos efeitos adversos
04 SPIKES
Setting · Perception · Invitation · Knowledge · Emotions · Strategy; informar em blocos com aviso prévio; responder emoção com NURS; titular da informação é o paciente.
P antes de K; família não autoriza ocultação (CEM art. 34)
05 Gestão e redes do SUS
CF 196–200 + Leis 8.080/1990 e 8.142/1990; RAS com APS coordenadora; complexo regulador em acesso, assistencial e sistemas; fila única no Acesso Único.
Conselhos 50% usuários; contra-referência fecha a rede
06 Medicina legal
Três esferas independentes; culpa em imprudência/negligência/imperícia; médico subjetivo, hospital objetivo; prontuário é a defesa; disclosure é dever.
Estações padronizadas, tempo fixo, pacientes padronizados, checklist + escala global (Harden 1975); confiabilidade cresce com o número de estações.
Ler o cartão; rotina de entrada (apresentação, consentimento, mãos)
08 Prova de residência
Edital manda: prova teórica (≈100–200 questões, núcleo clínico) + títulos ± entrevista; estudar com espaçamento (Cepeda) e recuperação (Roediger), simulados e caderno de erros.
Regra 1-3-7-30; reler/grifar é o distrator clássico
09 Currículo e transição
Lattes e cartas com antecedência; R1 tem jornada de 60 h e plantão 24+6 (Lei 6.932/1981); vigília 17 h ≈ 0,05% (Dawson e Reid); burnout E-C-R; PROVAB (Lei 12.711/2012).
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.FundamentalHomem, 66 anos, câncer de pulmão avançado, dor de intensidade 9/10, sem uso prévio de opioide, sem disfunção orgânica grave. A prescrição inicial correta é:
2.IntermediárioPaciente em morfina de liberação prolongada 60 mg VO 12/12 h, com dor de fundo controlada, usa 3 resgates de 20 mg de morfina de liberação imediata em 24 h. O ajuste correto da dose fixa é:
3.IntermediárioEm consulta de resultado, o médico anuncia: “sinto muito, tenho uma notícia difícil”, e após pausa explica o diagnóstico em linguagem simples, em pequenos blocos, checando a compreensão a cada etapa. No protocolo SPIKES, essa conduta corresponde ao passo:
4.Prova difícilPaciente de 50 anos, capaz e lúcido, pergunta diretamente o resultado da biópsia; os filhos pediram, em conversa separada, que o diagnóstico de neoplasia não fosse revelado. A conduta correta é:
5.AvançadoPaciente da APS precisa de consulta com cirurgião de coluna e exame de imagem de alta complexidade disponíveis apenas na capital; a solicitação protocolizada da unidade entra na central, que prioriza pelo critério clínico e autoriza também o deslocamento pelo TFD. Qual função do complexo regulador foi exercida?
6.IntermediárioMédico recém-formado é escalado para realizar drenagem de abscesso, procedimento que nunca executou sequer observado, e evolui com lesão vascular relevante no paciente. A classificação da falha e o regime de responsabilidade civil do médico são:
7.FundamentalSobre a OSCE (exame clínico objetivo estruturado), é correto afirmar:
8.AvançadoR2 de clínica médica apresenta há 3 meses exaustão persistente, atitude cínica com os pacientes (“eles nunca melhoram mesmo”) e sentimento de que nada do que faz tem valor, com queda de desempenho documentada pela preceptoria. A síndrome e suas dimensões são:
Gabarito rápido
1-C · 2-B · 3-D · 4-C · 5-B · 6-B · 7-B · 8-B
Referencial teórico
18 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoWorld Health Organization. Cancer Pain Relief. Geneva: WHO; 1986. World Health Organization. WHO guidelines for the pharmacological and radiotherapeutic management of cancer pain in adults and adolescents. Geneva: WHO; 2018.
diretriz / revisãoFallon M, Giusti R, Aielli F, et al. Management of cancer pain in adult patients: ESMO Clinical Practice Guidelines. Ann Oncol. 2018;29(Suppl 4):iv166-iv191.doi.org/10.1093/annonc/mdy152
diretriz / revisãoPortenoy RK, Ahmed E. Principles of opioid use in cancer pain. J Clin Oncol. 2014;32(16):1662-1670.doi.org/10.1200/JCO.2013.52.5188
diretriz / revisãoBaile WF, Buckman R, Lenzi R, Glober G, Beale EA, Kudelka AP. SPIKES—A six-step protocol for delivering bad news: application to the patient with cancer. The Oncologist. 2000;5(4):302-311.doi.org/10.1634/theoncologist.5-4-302
diretriz / revisãoTemel JS, Greer JA, Muzikansky A, et al. Early palliative care for patients with metastatic non-small-cell lung cancer. N Engl J Med. 2010;363(8):733-742.doi.org/10.1056/NEJMoa1000678
diretriz / revisãoGomes B, Calanzani N, Curiale V, McCrone P, Higginson IJ. Effectiveness and cost-effectiveness of home palliative care services for adults with advanced illness and their caregivers. Cochrane Database Syst Rev. 2013;(6):CD007760.doi.org/10.1002/14651858.CD007760.pub2
diretriz / revisãoHarden RM, Stevenson M, Downie WW, Wilson GM. Assessment of clinical competence using objective structured examination. BMJ. 1975;1(5955):447-451.
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2. Aproveitamento estruturado: o contrato de aprendizagem
Eletivo rende quando tem meta mensurável desde o primeiro dia. A ferramenta é o contrato de aprendizagem com o preceptor: 3 a 5 objetivos escritos (procedimentos a dominar, temas a apresentar, pacientes a acompanhar), a forma de avaliação e a data de balanço. O segundo eixo é a presença ativa: chegar antes, apresentar os próprios pacientes, propor discussões, ser o primeiro a puxar exames — a carta de recomendação futura nasce do que o preceptor observou, não do que foi pedido por mensagem. O terceiro eixo é o registro: anotar o que fez (casos, procedimentos, atividades de ensino) alimenta o Lattes, a prova de títulos e a entrevista de residência.
3. Externato e eletivo internacional
Externato é a realização de rodízio em serviço fora da própria instituição (hospital público, privado ou de outra universidade), sempre com formalização pela faculdade (matrícula, termo de compromisso, preceptor responsável e avaliação) — externato informal sem supervisão acadêmica não vira histórico e pode configurar prática irregular. O eletivo internacional exige planejamento de 6 a 12 meses: convênio entre instituições (ou programa formal da universidade estrangeira), seguro-saúde, imunizações em dia, visto adequado, certificado de idioma e carteira de estudante (nos Estados Unidos, a experiência clínica de estudantes costuma passar pelo ECFMG e por plataformas de documentação como a VSLO). Custos, em geral, são do estudante. O limite ético é inegociável: estudante de medicina observa e assiste sob supervisão, não substitui o médico local; praticar além do escopo em serviço estrangeiro é infração ética e jurídica.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalSegundo as Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina vigentes, o internato do curso médico deve corresponder a qual proporção da carga horária total, organizada em estágio clínico e estágio cirúrgico?
2.IntermediárioEstudante de medicina brasileiro em eletivo internacional é convidado pelo serviço estrangeiro a executar, sozinho, punção venosa central em paciente instável, porque o residente local não chegou. A conduta correta é:
dipirona 500–1.000 mg VO 6/6 h (máx 4 g/dia) · paracetamol 500–750 mg VO 6/6 h (máx 3–4 g/dia) · AINE para dor óssea/metaestática (ex.: ibuprofeno 400–600 mg 8/8 h) — atentar a disfunção renal, mielossupressão e sangramento
Degrau 2
moderada (EVA 4–6) ou falha do degrau 1
codeína 30–60 mg VO 4/4 h a 6/6 h (eficácia limitada; metabolismo variável via CYP2D6) · tramadol 50–100 mg VO 6/6 h (máx 400 mg/dia; risco de convulsão e síndrome serotoninérgica; reduzir em idosos e insuficiência renal) ± adjuvante
Degrau 3
moderada a grave (EVA ≥ 7) ou dor que não cede
morfina VO 5–10 mg 4/4 h (início) · oxicodona 5–10 mg VO 4/4 h (ou 10–20 mg LP 12/12 h) · hidromorfona · fentanil transdérmico apenas após titulação estável · metadona (casos especiais) ± adjuvante
4. Titulação, resgate e dor irruptiva
A titulação usa morfina de liberação imediata (LI): dose fixa de 4/4 h mais dose de resgate igual a 1/6 da dose diária total (10–20%) para dor irruptiva. Regra prática de reavaliação em 24 a 48 h: se o paciente precisou de 3 ou mais resgates por dia, soma-se o consumo total de resgates, converte-se em dose fixa e aumenta-se 25 a 50% (não dobrar de uma vez). Estabilizada a dor, converte-se a DDT em formulação de liberação prolongada (LP) 12/12 h, mantendo o resgate de LI. Dor irruptiva é exacerbação transitória sobre dor de fundo controlada (tipicamente por movimento — dor incidente); seu tratamento é o resgate, e a profilaxia é antecipar eventos previsíveis.
5. Adjuvantes por mecanismo
Mecanismo/clínica
Adjuvante e dose de referência
Nota de prova
Dor neuropática (queimadura, choque, alodínia)
gabapentina 300 mg/dia → titular até 900–3.600 mg/dia · pregabalina 75–150 mg 12/12 h (máx 600 mg/dia) · amitriptilina 10–25 mg à noite (titular até 75–150 mg)
opioides isolados controlam mal — sempre somar adjuvante; amitriptilina tem efeitos anticolinérgicos
Dor óssea metastática
AINE + dexametasona 4–8 mg/dia; bisfosfonatos ou denosumabe; radioterapia paliativa para lesão foco
corticoide melhora dor, náusea e apetite; não usar como analgésico crônico isolado
Dor por compressão/edema (plexo, hepática, hipertensão intracraniana)
dexametasona 4–16 mg/dia conforme o quadro
resposta rápida; titular para menor dose eficaz
Cólica visceral, secreções
antiespasmódico anticolinérgico (ex.: butilbrometo de escopolamina)
evitar anticolinérgico em glaucoma de ângulo fechado
Fluxo de titulação da dor oncológica
Paciente oncológico com dor em uso de analgésicos — qual a conduta?
▼
Dor leve (EVA 1–3)
Degrau 1: dipirona ou paracetamol em horário fixo + AINE se dor óssea.
Reavaliar em 24–48 h; identificar mecanismo para adjuvante.
Dor moderada persistente
Degrau 2 ou morfina inicial: tramadol 50–100 mg 6/6 h ou morfina 5 mg VO 4/4 h + resgate.
Somar adjuvante conforme o mecanismo (neuropática, óssea).
Dor grave (EVA ≥ 7) ou em opioide fraco sem controle
Degrau 3 direto: morfina 5–10 mg VO 4/4 h + resgate 1/6 da DDT + laxante.
Reavaliar 24–48 h e titular (aumento de 25–50%); estabilizou → converter em LP 12/12 h.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 58 anos, câncer de mama metastático, dor óssea em coluna e quadril com intensidade 8/10, ainda em tramadol 100 mg 6/6 h, sem efeitos adversos. A conduta correta é:
2.AvançadoPaciente com dor oncológica em morfina de liberação prolongada 60 mg VO 12/12 h usa 3 resgates de morfina 20 mg em 24 h, com dor controlada entre eles. Qual o ajuste correto?
Náusea e vômito
sim — dias a 1–2 semanas
metoclopramida ou antiemético nos primeiros dias; persistindo, considerar rotação
Sedação inicial
sim — 3 a 5 dias
orientar; reavaliar causas associadas (benzodiazepínicos, hipercapnia) antes de reduzir dose
Prurido e rubor (liberação de histamina)
parcial
anti-histamínico; persistindo, rotação de opioide
Retenção urinária, miose, boca seca
variável
sintomático; miose persiste sem significar intoxicação
Depressão respiratória
com titulação cuidadosa é rara
FR < 10/min ou sedação profunda → naloxona DILUÍDA e titulada (ver fluxo)
3. Rotação de opioide
Indica-se rotação quando há efeito adverso não controlado (ex.: sedação, alucinação), dor não controlada apesar de titulação adequada, impossibilidade da via atual ou custo/acesso. Passos: calcular a DDT em DEM, escolher o novo opioide pela tabela, reduzir 25 a 50% por margem de segurança, manter resgate de morfina LI (ou do novo opioide) e retitular. O fentanil transdérmico é exemplo prático: converte-se a DDT de morfina oral (25 mcg/h ≈ 60–90 mg/dia), escolhe-se o patch imediatamente superior, troca-se o adesivo a cada 72 h e mantém-se resgate oral — nunca usar patch como estreia, pois a absorção lenta impede titulação segura. A metadona é o opioide da rotação difícil: agonista μ com ação adicional no receptor NMDA (útil em dor neuropática), meia-vida longa e variável (8–59 h) e conversão NÃO linear — a razão morfina:metadona aumenta conforme a dose de morfina cresce, e é exatamente aí que a banca aplica o caso de superdosagem na conversão de altas doses. Inicia-se baixo e devagar (ex.: 2,5–5 mg VO 8/8 h, com supervisão experiente), monitorando sedação e intervalo QT.
Fluxo: depressão respiratória em paciente em opioide
Paciente sedado com frequência respiratória de 6/min em morfina — o que fazer?
▼
FR < 10/min ou sedação profunda
Suspender nova dose/infusão do opioide; estímulo verbal e físico; oxigênio e suporte básico.
Naloxona DILUÍDA e titulada: 1 ampola (0,4 mg) em 10 mL de SF (0,04 mg/mL) → 0,04 mg IV a cada 1–2 min até FR ≥ 10 e paciente despertável.
Objetivo: respiração recuperada SEM reverter analgesia
Ampola inteira de naloxona de uma vez causa abstinência aguda, dor intensa e agitação — erro clássico de plantão e de prova.
Meia-vida da naloxona é curta: observar recidiva e repetir titulação se necessário.
Depois da reversão
Investigar causa: acúmulo (insuficiência renal, hepática), associação com sedativos, erro de dose.
Retomar analgesia com dose reduzida ou rotação de opioide; intensificar vigilância.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalPaciente em uso de morfina 30 mg VO a cada 4 h precisará trocar para via subcutânea por disfagia progressiva. Qual a dose equivalente subcutânea por 4 h?
2.Prova difícilHomem em morfina oral há 3 dias evolui com sonolência leve e FR de 7/min, responsivo apenas a estímulos dolorosos. A conduta correta é:
Emotions (emoções)
identificar e acolher a reação emocional antes de prosseguir: pausa, nomear a emoção, resposta empática (NURS)
S
Strategy and Summary (estratégia)
resumir, definir plano com objetivos realistas e próximas etapas, nunca retirar a esperança (reorientar metas), checar dúvidas, agendar retorno
3. O passo E: responder à emoção com NURS
Naming — nomear a emoção observada: “vejo que essa notícia assustou o senhor”.
Understanding — legitimar: “qualquer pessoa se sentiria assim”.
Respecting — valorizar: “o senhor vem enfrentando tudo isso com muita força”.
Silêncio é resposta válida: segurar a pausa sem encher de fala é técnica, não falha.
4. Bloqueios clássicos e a conversa que não pode acontecer
Bloqueios que a banca enumera: mentira piedosa (não informar por proteger), falsa tranquilização (“vai ficar tudo bem”), mudança de assunto, jargão técnico, monopolizar a fala, antecipar toda a má notícia sem espaço de pausa, prognóstico em números absolutos falsos e a frase “não há mais nada a fazer” — que é falsa em qualquer cenário: sempre há alívio de sintomas, presença, cuidado espiritual e acompanhamento. A estratégia final (S) reorienta esperança: metas de conforto, presença de pessoas queridas, objetivos realistas — a esperança muda de objeto, não desaparece. A conversa se registra no prontuário: o que foi comunicado, como o paciente reagiu, decisões tomadas e plano — o registro protege o paciente e a equipe e garante continuidade.
Fluxo: paciente pergunta “é câncer, doutor?”
Paciente capaz, em consulta de resultado de biópsia, pergunta diretamente. Como conduzir?
▼
Percepção e convite primeiro (P e I)
“O que o senhor já sabe/suspeita até agora?” e “quanto o senhor quer saber dos detalhes?”.
Calibrar: quem diz “só a minha filha pode saber” tem direito de não saber — registrar e orientar a família.
Quem quer saber (K e E)
Aviso prévio, nome da doença em linguagem clara, informação em blocos com pausas.
Acolher a reação com NURS; silêncio e tecido; não preencher o silêncio com jargão.
Registrar a conversa no prontuário e agendar retorno; envolver equipe multiprofissional.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalNa consulta de resultado, o médico começa perguntando: “antes de falar dos exames, o que o senhor já entendeu da sua doença até agora?” No protocolo SPIKES, essa conduta corresponde a qual passo?
2.IntermediárioMulher de 46 anos, capaz e lúcida, com diagnóstico recente de linfoma, pede para saber tudo. Os filhos adultos pedem ao médico, separadamente, que não revelem o diagnóstico “para não tirar a esperança dela”. A conduta correta é:
achar que hierarquia significa “APS não resolve nada”
2. Redes de atenção à saúde e linhas de cuidado
Redes de Atenção à Saúde (RAS) são arranjos poliárquicos de serviços, integrados por sistemas de apoio e logístico, organizados por região de saúde, com a Atenção Primária à Saúde como centro de comunicação e coordenadora do cuidado (Decreto 7.508/2011; Portaria GM/MS 4.279/2010). Componentes: APS; atenção ambulatorial especializada e hospitalar; urgência e emergência; apoio diagnóstico e terapêutico; assistência farmacêutica. O modelo de atenção define como esses componentes funcionam: o modelo biomédico centrado na doença e na porta hospitalar gera filas e internações evitáveis; o modelo de atenção integral organiza a rede por linhas de cuidado — fluxos verticais por condição (materno-infantil, crônicos como diabetes e hipertensão, saúde mental — RAPS/CAPS, câncer — via rápida de diagnóstico, idoso, reabilitação — CER, urgência — SAMU 192, UPA 24 h, salas de estabilização e hospitais de referência certificados). A APS assume quatro papéis clássicos: porta de entrada preferencial, responsabilidade sanitária pelo território, longitudinalidade do cuidado e coordenação (com referência e CONTRA-referência).
3. Complexo regulador e Acesso Único
Função
O que regula
Exemplo de prova
Regulação do acesso
autorização, programação e agendamento de consultas, exames, internações e procedimentos de média e alta complexidade; TFD (Tratamento Fora do Domicílio)
fila única regionalizada acompanhada pelo usuário no Acesso Único (sistema nacional de regulação do SUS)
Regulação assistencial
gestão em tempo real da rede: leitos, transferências entre serviços, fluxos de urgência
central estadual redistribui leito de UTI entre municípios da região
Regulação de sistemas
controle, avaliação e auditoria dos serviços e dos repasses
auditoria do SUS aponta irregularidade em hospital contratualizado
4. Gestão pública: regras do jogo administrativo
O gestor de saúde é administrador público: obedece aos princípios do art. 37 da Constituição (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência), contrata por licitação (nova Lei de Licitações e Contratos, Lei 14.133/2021) e presta contas. A gestão é tripartite: União, estados e municípios articulam-se em comissões intergestores (CIT e CIB), que pactuam a programação da rede; o financiamento flui por repasses fundo a fundo, com blocos de custeio, e a auditoria do SUS (regulação de sistemas) verifica a correspondência entre o que foi pago e o que foi feito. Instrumentos de planejamento: plano de saúde de cada esfera, programação pactuada e integrada (PPI) e contratos organizativos da ação pública de saúde (COAP) na região.
Fluxo: paciente com suspeita de câncer na APS
Sintoma sugestivo de neoplasia é identificado na unidade básica — como a rede deve funcionar?
▼
APS identifica e estratifica
Avaliação clínica, exames iniciais e registro da suspeita; entrada na linha de cuidado do câncer (via rápida).
Solicitação protocolizada encaminhada à regulação do acesso.
Regulação prioriza e agenda (acesso)
Central de regulação prioriza por critério clínico e agenda especialista/exame; o usuário acompanha no Acesso Único.
Se necessária alta complexidade ou serviço fora do município, envolve regulação estadual e, quando couber, TFD.
Especialista atende e devolve (coordenação)
Diagnóstico confirmado, plano terapêutico e CONTRA-referência para a APS.
APS retoma a coordenação do cuidado (seguimento, reabilitação, paliativos) — rede fechada.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioSobre a participação social no SUS, prevista na Lei 8.142/1990, é correto afirmar:
2.AvançadoNa madrugada, um hospital da rede estadual solicita leito de UTI para paciente com insuficiência respiratória; a central redistribui um leito de outro município da região e organiza a transferência. Qual função do complexo regulador está sendo exercida?
desfecho adverso previsível e aceito no consentimento
sangramento pós-operatório em cirurgia de alto risco, informado e conduzido
Erro inevitável
dano que não seria evitado pelo padrão de cuidado aplicado
reação anafilática idiossincrática a fármaco sem exposição prévia conhecida
2. As três esferas de responsabilidade
Esfera
Regime
Pontos de prova
Ética (CRM)
processo ético-profissional; penas de advertência, censuras, suspensão até 30 dias e cassação; sem multa; pretensão punitiva prescreve em 5 anos do conhecimento do fato pelo CRM
independência das instâncias: absolvição penal não impede punição ética
Civil (indenização)
4 elementos: conduta, culpa, nexo causal, dano; médico pessoa física responde por CULPA (subjetivo — CC art. 951); hospital e operadora respondem objetivamente (CDC; Súmulas 339 e 340 do STJ); cirurgia estética embellezativa aproxima-se da obrigação de resultado
inversão do ônus da prova (CDC art. 6º, VIII) não dispensa o paciente de provar dano e nexo, nem converte a culpa do profissional em objetiva
Penal
homicídio culposo (CP art. 121 §3º — detenção 1 a 3 anos, +1/3 com omissão de socorro ou fuga), lesão corporal culposa (art. 129 §6º — detenção 2 meses a 1 ano), omissão de socorro (art. 135 — detenção 1 a 6 meses ou multa; triplicada se resulta morte), violação de sigilo (art. 154), falta de notificação compulsória (art. 269 — detenção 6 meses a 2 anos e multa), atestado falso (art. 302)
prescrição penal segue a pena máxima em concreto (art. 109 do CP) — em regra 2 a 4 anos nas figuras culposas típicas
3. Eventos adversos: dimensão do problema e disclosure
O estudo de Harvard Medical Practice Study (Brennan e cols., NEJM 1991) encontrou eventos adversos em 3,7% das internações hospitalares, com proporção relevante de lesões evitáveis — o trabalho que originou o movimento de segurança do paciente (e, depois, o “To Err is Human” do Instituto de Medicina, com estimativa de dezenas de milhares de mortes hospitalares por eventos evitáveis por ano nos Estados Unidos). A resposta moderna é sistêmica: notificação não punitiva de incidentes, protocolos (cirurgia segura, higiene de mãos, conciliação de medicamentos) e cultura justa. No dano consumado, a conduta obrigatória é o disclosure: comunicar o fato ao paciente/família com transparência — o que aconteceu, o que será feito, como se evitará a repetição — e pedir desculpas pelo sofrimento. Gallagher e cols. (JAMA 2003) mostraram que pacientes e médicos apoiam majoritariamente a divulgação completa, mas as práticas reais ficam aquém. Desculpas e explicação não são confissão de culpa nem renúncia de defesa; o que corrompe a defesa é o registro especulativo no prontuário (“errei a dose” escrito antes da apuração) e a anotação retroativa — o prontuário deve conter o fato técnico objetivo e contemporâneo.
Fluxo: dano potencialmente relacionado ao cuidado
Paciente sofreu dano possivelmente associado a conduta da equipe — qual a sequência?
▼
1. Socorrer
Estabilizar o paciente e corrigir o dano — assistência antes de qualquer documentação.
Comunicar imediatamente o responsável pelo caso e a supervisão.
2. Comunicar (disclosure)
Explicar ao paciente/família o que ocorreu, o que será feito e como se evitará repetição (Gallagher, JAMA 2003).
Registrar no prontuário o fato técnico contemporâneo; notificar o evento ao serviço e, quando exigido, à vigilância.
3. Aprender
Apuração sistêmica (comissão de segurança/eventos), sem cultura de culpabilização individual prematura.
Suporte institucional à equipe envolvida e ajuste de processos (protocolos, barreiras de erro).
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMédico de pronto-socorro atende homem com trauma em mão por corte e, sem realizar exame neurológico do membro nem testar sensibilidade, alta o paciente com “lesão cortante”. O paciente evolui com lesão de tendão extensor não diagnosticada. A falha descrita configura:
2.Prova difícilPaciente processa hospital e médico contratado por dano decorrente de infecção hospitalar grave após cirurgia, alegando falha de técnica asséptica individual e falha de processos institucionais. Sobre o regime de responsabilidade:
padronização reduz viés do avaliador — princípio central do método
Número de estações
mais estações curtas superam menos estações longas
a confiabilidade cresce com o número de estações/amostras de competência
3. Preparo: a rotina universal que pontua
Rotina de entrada em toda estação clínica: bater, apresentar-se com nome e papel, confirmar a identidade do paciente, consentir verbalmente, higienizar as mãos — itens de checklist quase universal.
Ler o cartão da estação até o fim antes de agir: metade dos erros é responder tarefa que não foi pedida (pediu informar o paciente, não interrogar).
Abrir com pergunta aberta e escutar; fechar com resumo, checagem de dúvidas e encerramento educado (agradecer, cobrir o paciente).
Gerenciar o tempo: olhar o relógio da estação sem culpa; terminar a tarefa pedida vale mais que refinar um detalhe.
Treinar com checklists em duplas e gravar-se: o que se vê em vídeo (mãos esquecidas, jargão, costas voltadas ao paciente) não se corrige só lendo.
Na estação de comunicação, rodar o SPIKES; na de procedimento, verbalizar os passos de segurança (confirmação de paciente, antissepsia, descarte).
Fluxo de decisão ao entrar na estação
Chegou a vez da sua estação — o que fazer nos primeiros 30 segundos?
▼
Ler o cartão com atenção
Identificar: qual a tarefa (informar? examinar? interpretar?), quem é o paciente, quanto tempo há.
Planejar mentalmente o esqueleto da resposta antes de tocar na porta.
Abrir com pergunta aberta; manter contato visual e posição à altura do paciente.
Gestão do tempo
Dividir a estação em fases (abertura, tarefa central, fechamento) e vigiar o relógio.
Fechamento obrigatório: resumo, dúvidas, agradecimento — o fim da estação é parte do escore.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalSobre a estrutura da OSCE (Objective Structured Clinical Examination), é correto afirmar:
2.IntermediárioUma escola médica quer aumentar a confiabilidade de sua OSCE. Com base na literatura de avaliação clínica, a mudança com maior efeito é:
Entrevista/habilidades
presente em parte dos programas; pode incluir OSCE ou discussão de caso
varia muito por instituição — nunca presumir formato sem ler o edital
Datas e matrícula
inscrições e provas concentradas tipicamente no 2º semestre do 6º ano, com matrícula no ano seguinte
montar planilha pessoal de editais-alvo com datas e taxas
2. A ciência do aprendizado aplicada ao 6º ano
Duas descobertas consistentes da psicologia cognitiva organizam o estudo de quem já tem a base clínica do internato: o efeito de espaçamento — a mesma carga de estudo distribuída em sessões espaçadas no tempo produz retenção muito maior que sessões aglutinadas (Cepeda e cols., Psychological Bulletin 2006) — e a prática de recuperação — recuperar informação da memória por meio de testes fortalece o traço de memória mais que reler ou grifar (Roediger e Karpicke, Psychological Science 2006). A tradução prática: questões comentadas diárias (recuperação + feedback), fichas e resumos revisados em intervalos crescentes (1, 3, 7, 30 dias) e caderno de erros revisitado semanalmente. Reler apostila sublinhada tem a pior relação esforço/retenção — é o distrator clássico de qualquer questão sobre métodos de estudo.
Método
Evidência
Como aplicar
Revisão espaçada
Cepeda e cols., 2006 — síntese quantitativa do efeito de distribuir a prática
revisar cada tema em intervalos crescentes (ex.: 1, 3, 7, 30 dias) por fichas ou aplicativos de repetição espaçada
Prática de recuperação
Roediger e Karpicke, 2006 — testar melhora a retenção de longo prazo
bater 30–50 questões comentadas por dia; responder ANTES de ler o comentário
Simulados cronometrados
treino de raciocínio sob tempo e gestão de ansiedade
simulados parciais semanais e completos mensais, no horário real da prova
Caderno de erros
converte erro em conteúdo
registrar questão, alternativa errada, o porquê do erro e o tema; revisar semanalmente
Questões antigas da banca-alvo
padrão de enunciado e profundidade
resolver provas anteriores dos editais-alvo com gabarito comentado
3. Plano de estudo do 6º ano em 3 fases
Fase 1 — consolidação (primeiros meses do 6º ano): ciclo de conteúdo por disciplina do núcleo clínico com questões diárias; aproveitar o internato como material de estudo (paciente visto no rodízio é o caso da prova). Fase 2 — simulados: simulados parciais semanais e completos mensais, cronometrados, com análise de erros por tema; proporção típica da rotina de 60 a 70% de prática de questões e 30 a 40% de leitura dirigida. Fase 3 — véspera (últimas semanas): parar de abrir conteúdo novo; revisão espaçada das fichas e do caderno de erros, provas anteriores da banca-alvo e descanso programado. Na prova: leitura do comando real da questão (“conduta inicial”, “diagnóstico mais provável”, “exceção”), eliminação de alternativas extremas, tempo médio de 1 a 2 minutos por questão conforme o edital, marcar e voltar quando travar.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioUm intern precisa decidir como distribuir 10 horas de estudo de um tema para retenção a longo prazo. Com base na evidência sobre aprendizagem, a melhor estratégia é:
2.FundamentalSobre a organização das provas de residência médica no Brasil, é correto afirmar:
Dimensão
Internato (6º ano)
Residência (R1)
Papel
estudante em estágio supervisionado
médico residente com responsabilidade profissional plena sobre atos supervisionados
Registro
matrícula acadêmica
contrato de residência (CNRM) e registro no CRM do local
Jornada
rodízios com carga acadêmica
60 h semanais incluindo plantões; plantão de até 24 h + 6 h de descanso (Lei 6.932/1981); bolsa nacional definida em lei (Lei 13.265/2016)
Supervisão
preceptor responsável por cada ato
supervisão escalonada: R1 com preceptor/tutor sempre acessível — autonomia crescente com responsabilidade documentada
Aprendizado
competências básicas
especialização estruturada, com avaliação, portfólio e pesquisa
4. Sono, fadiga e burnout
A fadiga é risco clínico mensurável: Dawson e Reid (Nature, 1997) demonstraram que 17 horas de vigília contínua produzem déficit cognitivo-motor equivalente a alcoolemia de 0,05%, e 24 horas equivalem a cerca de 0,10% — patamar de dirigir proibido na maior parte do mundo. Estratégias práticas: soneca pré-plantão, banco de sono (dormir além da necessidade nos dias livres), higiene do sono e regra de não dirigir após plantão. Burnout é síndrome de três dimensões (Maslach): exaustão emocional, cinismo/despersonalização e queda da realização profissional — fenômeno ocupacional na CID-11 e frequente entre residentes (Maslach e Leiter, World Psychiatry 2016). Sinais de alarme: cinismo novo, queda de empatia, erros incomuns, insônia persistente. A conduta correta é precoce: procurar apoio institucional e pares, ajustar carga e sono — buscar cuidado não é falta ética; ocultar agravo que compromete o cuidado é que põe o paciente e a carreira em risco.
5. PROVAB e serviço rural
O PROVAB (Programa de Valorização da Formação do Médico para Atuação na Atenção Básica, Lei 12.711/2012) oferece bolsa para 1 ano de trabalho em Unidade Básica de Saúde prioritária, com tutoria e avaliação. Benefícios de prova: bonificação prevista em lei para os processos seletivos de residência em Medicina de Família e Comunidade (aplicada conforme o edital) e certificação de área de atuação em MFC após aprovação na avaliação final, conforme a lei. Para vagas em locais de difícil provimento, o sistema brasileiro mantém programas de provimento emergencial de médicos (herdeiros do Mais Médicos, instituído pela Lei 12.871/2013). O serviço rural bem escolhido entrega o que nenhum eletivo dá: responsabilidade ampla, procedimentos, conhecimento da rede real e experiência de APS — perfil cada vez mais valorizado em editais de residência e de contratação.
Fluxo: primeiro plantão como R1
Você é o R1 de plantão e um caso excede o seu repertório — como agir?
▼
Avaliar e estabilizar com o básico
ABCDE, sinais vitais, exame dirigido, registrar o quadro inicial.
Iniciar condutas de primeira linha do protocolo da unidade.
Acionar a supervisão SEM demora
Chamar o R2/R3 ou o preceptor para todo caso crítico, procedimento não dominado ou decisão de alto risco — esconder a incerteza é o erro da transição.
Comunicar claramente: situação, sinais vitais, o que já foi feito, o que se propõe (SBAR).
Documentar e aprender
Registrar a evolução, as condutas e a supervisão recebida.
Levar o caso à discussão do dia seguinte: é o portfólio do R1 — e o que virá na prova de títulos e na entrevista.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioSobre a jornada de trabalho do médico residente no Brasil, é correto afirmar:
2.AvançadoR1 está acordado há cerca de 17 horas consecutivas durante plantão e precisa interpretar exames e tomar decisões. Com base na evidência de Dawson e Reid (Nature, 1997), o desempenho cognitivo-motor nesse momento é comparável ao de uma alcoolemia de aproximadamente:
Jornada legal; equivalência vigília-álcool; 3 dimensões de Maslach
Números que você precisa saber de cor
Tema
Número
Internato (DCN 2014)
30% da carga total do curso — estágio clínico + cirúrgico
Escada da OMS
3 degraus (1986; guia atualizado 2018) — controle em 70–90%
Dipirona / paracetamol
500–1.000 mg 6/6 h (máx 4 g/dia) / 500–750 mg 6/6 h (máx 3–4 g/dia)
Tramadol
50–100 mg VO 6/6 h — máx 400 mg/dia; reduzir em idosos/renal
gera para náusea/sedação; NÃO gera para constipação (nem miose) — laxante desde o início.
I-I-N da culpa
Imprudência AGE · Negligência OMITE · Imperícia NÃO SABE.
SPIKES
Setting · Perception · Invitation · Knowledge · Emotions · Strategy — e NURS para a emoção.
Complexo regulador A-A-S
Acesso (filas/TFD) · Assistencial (leito em tempo real) · Sistemas (auditoria).
ABC da estação OSCE
Alvo (ler o cartão) · Bem-vindo (apresentar/consentir/mãos) · Cronômetro (fechar com resumo).
Regra 1-3-7-30
revisão espaçada com recuperação ativa — reler é o último recurso.
Burnout E-C-R
Exaustão · Cinismo · Redução da realização — os três juntos definem (Maslach).
As pegadinhas mais cobradas
Dor grave não precisa passar pelo degrau 2: entra morfina direto (OMS 2018; ESMO 2018) — alternativa “aumentar tramadol” em EVA ≥ 7 está errada.
Fentanil transdérmico é para dor estável: nunca iniciar titulação com patch (absorção lenta impede ajuste seguro).
Constipação por opioide não gera tolerância — “laxante só se constipar” é alternativa errada por definição.
Naloxona em ampola inteira de uma vez é o erro de plantão: diluída e titulada (0,04 mg a cada 1–2 min) — reverter a respiração, não a analgesia.
Conversão de metadona não é linear: a razão morfina:metadona cresce com a DEM — aplicação de razão fixa em dose alta causa morte nos dias 3–7.
Família não é titular da informação do paciente capaz: “não informar para não sofrer” contraria o CEM art. 34 (o direito de não saber é do paciente, que o exerce no passo I).
Médico responde por culpa (subjetivo — CC art. 951; CDC art. 14 §4º); hospital/operadora respondem objetivamente (Súmulas 339 e 340 do STJ) — a banca inverte os regimes.
Inversão do ônus da prova (CDC art. 6º, VIII) não converte a responsabilidade do profissional em objetiva.
Omissão de socorro: pena triplicada se resulta morte (não dobrada); homicídio culposo ganha +1/3 com omissão/fuga.
Confiabilidade da OSCE cresce com o NÚMERO de estações (amostras), não com estações mais longas nem checklists maiores.
Reler e grifar é o método de pior retenção: recuperação ativa + espaçamento superam a releitura (Roediger 2006; Cepeda 2006).
Procurar ajuda por saúde mental na residência não é infração ética; ocultar agravo que compromete o cuidado é o risco.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda prescrição de opioide programado sai com laxante e com resgate de 1/6 da DDT — e reavaliação em 24–48 h.
Toda dor neuropática oncológica ganha adjuvante (gabapentina/pregabalina/amitriptilina) — opioide isolado controla mal.
Toda má notícia segue SPIKES: preparar, perceber, convidar, informar em blocos, acolher (NURS) e fechar com plano — e registrar.
Toda suspeita de neoplasia na APS entra na linha de cuidado com protocolo à regulação — e volta com contra-referência.
Todo dano relacionado ao cuidado: socorrer → comunicar com transparência → registrar o fato técnico → notificar e apurar sistemicamente.
Toda estação de OSCE: ler o cartão, entrar padronizado (apresentação, consentimento, mãos), fechar com resumo dentro do tempo.
Todo edital de residência é material de estudo: estrutura, pesos, títulos, datas e regra de correção variam por ano e instituição.
Todo plantão: fadiga é risco clínico (17 h ≈ 0,05%) — soneca antes, higiene do sono, e nunca dirigir depois.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Dor óssea metastática em EVA 8 em tramadol
Degrau 3 direto: morfina 5–10 mg VO 4/4 h + resgate + laxante (± AINE/dexametasona)
Paciente em morfina LP 120 mg/dia com 3 resgates/dia
Somar consumo e aumentar dose fixa 25–50%
FR 7/min e sedação em opioide
Naloxona diluída e titulada (0,04 mg a cada 1–2 min) — nunca ampola inteira
“É câncer, doutor?”
SPIKES: perceber o que sabe (P), perguntar quanto quer saber (I), informar em blocos (K)
Família pede para ocultar diagnóstico de paciente capaz
Vedado — informar o paciente com graduação (CEM art. 34)
diretriz / revisãoKhan KZ, Ramachandran S, Gaunt K, Pushkar P. The Objective Structured Clinical Examination (OSCE): AMEE Guide No. 81. Part I: an historical and theoretical perspective. Med Teach. 2013;35(9):e1427-e1443.doi.org/10.3109/0142159x.2013.818634
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diretriz / revisãoBrasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, arts. 196–200 e 37; Lei nº 8.080/1990; Lei nº 8.142/1990; Decreto nº 7.508/2011; Portaria GM/MS nº 4.279/2010; Lei nº 14.133/2021.
diretriz / revisãoBrasil. Lei nº 6.932/1981 (residência médica); Lei nº 13.265/2016 (valor da bolsa de residência); Lei nº 12.711/2012 (PROVAB); Lei nº 12.871/2013 (programas de provimento); Lei nº 10.406/2002, Código Civil, arts. 186, 927 e 951; Lei nº 8.078/1990, CDC, arts. 6º e 14; Decreto-Lei nº 2.848/1940, Código Penal, arts. 121, 129, 135, 154, 269 e 302; Súmulas 339 e 340 do STJ.
diretriz / revisãoBrasil. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina: Resolução CNE/CES nº 3/2014, consolidada pela Resolução CNE/CES nº 7/2018.
diretriz / revisãoConselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica: Resolução CFM nº 2.217/2018; Resolução CFM nº 1.638/2002 (prontuário) e Resolução CFM nº 1.821/2007 (guarda e armazenamento). Brasília: CFM.
notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.