Baseado no conhecimento canônico do internato cirúrgico e nas diretrizes vigentes, sempre com DOI verificado — RCRI (Lee, Circulation 1999), jejum (ASA 2017), antibioticoprofilaxia (ASHP 2013; DNST/Anvisa), prevenção de ISC (CDC 2017, OMS 2018, PNPCIRC/Anvisa), colecistite (Tokyo Guidelines 2018), apendicite (WSES 2020), TEV e Caprini (CHEST 2012), trauma (ATLS 10ª ed.; diretriz europeia de hemorragia maciça 2019), fechamento de laparotomia (Ann Surg 2010), dor pós-operatória (APS/ASRA/ASA 2016) e estadiamento (AJCC 8ª ed.). Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo institucional.
01
Avaliação pré-operatória e risco cirúrgico
anamnese e exames dirigidos · classificação ASA · risco cardíaco (RCRI de Lee) · risco pulmonar · jejum (ASA 2017) · suspensão de fármacos · antibioticoprofilaxia
ASA III
doença grave
limitação funcional definida — o mais confundido na prova
RCRI ≥ 3 fatores
~9%
risco de evento cardíaco maior (Lee 1999)
Jejum — líquidos claros
2 h
leite materno 4 h · refeição leve 6 h · gordura 8 h
Cefazolina
2 g IV
infusão terminando 30–60 min antes da incisão
1. O que o interno faz na consulta pré-operatória
O objetivo é estratificar risco e otimizar o paciente — não empilhar exames. Anamnese dirigida investiga: doenças cardiovasculares e pulmonares, diabetes, doença renal, cirurgias e anestesias prévias (complicações?), história de sangramento e de trombose, alergias, fármacos em uso (anticoagulantes, antiagregantes, betabloqueador, insulina, corticoide, anticoncepcional), tabagismo e álcool. Capacidade funcional estima-se em METs: subir dois lances de escada sem dispneia equivale a 4 METs — o limiar abaixo do qual o risco perioperatório sobe. Exame físico focaliza via aérea, coração e pulmões, perfusão e o sítio cirúrgico. Jovem saudável para cirurgia de baixo risco não precisa de exames de rotina: pedem-se os que a história, o exame ou a magnitude do procedimento justificarem.
2. Classificação do estado físico (ASA)
Classe
Definição
Taxa aproximada de mortalidade associada (séries clássicas)
doença sistêmica GRAVE com limitação funcional definida (DM com complicações, ICC, DPOC grave)
~2%
ASA IV
doença grave com ameaça CONSTANT à vida (angina instável, IC avançada, insuficiência renal avançada)
~8%
ASA V
moribundo, que não deve sobreviver sem a operação (aneurisma roto em choque, tromboembolismo maciço)
~9–50%
Sufixo E
emergência — acrescentado a qualquer classe (ex.: ASA IIIE)
eleva o risco em todas as classes
3. Risco cardíaco: RCRI de Lee e condições ativas
RCRI (Lee) — fator
Pontos
Cirurgia de alto risco (intraperitoneal, intratorácica ou vascular suprainguinal)
1
História de doença arterial coronariana (IAM, angina, teste positivo, QEC)
1
Insuficiência cardíaca congestiva
1
Doença cerebrovascular (AVC/AIT)
1
Diabetes melito em uso de insulina
1
Creatinina pré-operatória > 2 mg/dL
1
Taxas de evento cardíaco maior no estudo original (Lee, Circulation 1999): 0 fator ≈ 0,5%; 1 fator ≈ 1,3%; 2 fatores ≈ 3,6%; ≥ 3 fatores ≈ 9,1%. Idade e hipertensão NÃO pontuam. A conduta prática segue o algoritmo ACC/AHA: cirurgia de emergência vai direto ao centro cirúrgico; condição cardíaca ATIVA (angina instável, IAM há menos de 30 dias com risco residual, IC descompensada, arritmia grave, estenose aórtica grave sintomática) pede adiamento e avaliação cardiológica; nos demais casos, o RCRI guia — pontuação baixa sem sintomas não precisa de exames cardíacos adicionais, pontuação alta pede otimização e discussão do real benefício da cirurgia.
4. Risco pulmonar: quem complica e como prevenir
Fatores: cirurgia abdominal alta ou torácica, tempo anestésico longo, tabagismo, DPOC, apneia obstrutiva do sono, idade avançada, albumina baixa e dependência funcional.
As complicações (atelectasia, pneumonia, broncoespasmo, falência respiratória) são a principal causa evitável de morbidade pós-operatória.
Prevenção: cessar o tabagismo (idealmente ≥ 4 semanas, mas TODO tempo ajuda), otimizar doença pulmonar com inaladores, ventilação intraoperatória protetora (volume corrente 6–8 mL/kg do peso PREDITO, PEEP 5–8 cmH₂O) e, no pós, espirometria de incentivo, analgesia que permita tossir e deambulação no 1º dia.
5. Jejum (ASA 2017)
Ingestão antes da anestesia
Jejum mínimo
Líquidos claros (água, café sem leite, chá, suco sem polpa)
2 h
Leite materno
4 h
Fórmula infantil, leite não humano, refeição leve
6 h
Refeição com frituras, gordura ou carne
8 h
No pacote ERAS, bebida carboidratada até 2 h antes da cirurgia eletiva reduz sede, fome e resistência insulínica. Jejum prolongado não protege de aspiração — só desconforta e piora o controle glicêmico.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMulher de 52 anos, tabagista ativa, hipertensa controlada com losartana e diabética em metformina com hemoglobina glicada 6,8%, sem sequelas orgânicas, será submetida a herniorrafia inguinal eletiva. Qual a classificação ASA?
2.AvançadoHomem de 66 anos em apixabana 5 mg 12/12 h por fibrilação atrial (CHA2DS2-VASc 3), função renal normal, programado para hernioplastia eletiva de baixo risco de sangramento. Melhor conduta com o anticoagulante:
02
Sala cirúrgica: assepsia, papéis e segurança
assepsia e antissepsia em camadas · antissepsia cirúrgica das mãos · paramentação · papéis da equipe (cirurgião, auxiliares, instrumentador, circulante) · count de compressas, instrumentais e agulhas · checklist da OMS · posicionamento e normotermia
Antissepsia da pele
clorexidina 2%
solução alcoólica, aplicada de dentro para fora — e seca antes do bisturi elétrico
Count de compressas
3 tempos
antes do início · ao fechar a cavidade · ao fechar a pele
Checklist OMS
sign in · time out · sign out
mortalidade 1,5 → 0,8% (Haynes, 2009)
Normotermia
≥ 36 °C
hipotermia perioperatória aumenta ISC e sangramento
1. Assepsia e antissepsia: quem faz o quê
Assepsia é o conjunto de medidas que PREVINE a contaminação (campo, material esterilizado, técnica); antissepsia é a aplicação de antisséptico em tecido vivo.
Paciente: banho pré-operatório (preferência por sabonete com clorexidina), tricotomia SÓ se o pelo atrapalhar o campo — no dia, com clipadora (lâmina na véspera aumenta ISC).
Pele do paciente: clorexidina alcoólica 2%, aplicada de dentro para fora, sem voltar sobre a área limpa; deixar SECAR completamente (o álcool é o agente ativo — e inflamável no eletrocautério). Alternativa: PVPI alcoólico 10%.
Mãos da equipe: antissepsia com solução alcoólica (clorexidina ou PVPI) é equivalente à escovação tradicional, com menos irritação — unhas NÃO se escovam (microlesões liberam flora).
Equipe: unhas curtas e sem esmalte, sem anéis e relógios, gorro cobrindo cabelo, máscara cobrindo nariz e boca; quem tem infecção de pele ou respiratória não entra no campo.
2. Paramentação e papéis
Ordem de paramentação estéril: gorro e máscara antes da lavagem antiséptica das mãos; depois avental estéril e luvas pela técnica fechada (mãos dentro do avental até o punho, sem expor a pele); dupla luva reduz o risco de contaminação por perfuração e a luva externa é trocada após etapas contaminadas. Cada papel tem função definida — o interno precisa saber o que se espera dele.
Papel
Funções típicas
Cirurgião
decisão, planejamento e execução; responsável pela equipe e pelo ato operatório
Primeiro auxiliar
exposição por contra-tração, ligaduras, corte de fios, contra-incisão, suturas delegadas — é o papel natural do interno
Segundo auxiliar
afastadores (Farabeuf, Deaver), corte de fios, auxílio em hemostasia
Instrumentador (estéril)
monta e mantém a mesa, passa instrumentos, CONTROLA a count com o circulante, vigia o campo
Circulante (não estéril)
abre material estéril, documenta count, reposiciona, conecta aspiração e eletrocautério, registra eventos
3. Count de compressas, instrumentais e agulhas
A contagem é feita em voz alta por INSTRUMENTADOR e CIRCULANTE (um estéril, um não estéril) e registrada em prontuário, em três tempos: antes do início do procedimento (padrão de partida), ao INICIAR o fechamento de qualquer cavidade e ao FECHAR a pele (ou antes de sair da sala). Compressas contam-se uma a uma, separadas e completamente abertas — só valem as com faixa radiopaca. Agulhas e lâminas contam-se também, e as descartáveis saem da sala em recipiente rígido com a count confirmada.
4. Checklist de segurança cirúrgica (OMS)
Sign in (antes da anestesia): identidade, sítio e procedimento confirmados com o paciente, consentimento, sítio marcado, alergias, via aérea e risco de aspiração, perda sanguínea esperada, oxímetro funcionando.
Time out (antes da incisão): equipe se apresenta por nome e função, confirma paciente/sítio/procedimento, antibioticoprofilaxia nos últimos 60 min, imagens essenciais expostas, riscos revisados.
Sign out (antes de sair da sala): nome do procedimento realizado, count de compressas/instrumentais/agulhas CORRETA, identificação de amostras, problemas com equipamentos, cuidados-chave do pós-operatório ditos em voz alta.
No estudo de implantação global (Haynes, NEJM 2009): mortalidade caiu de 1,5% para 0,8% e complicações de 11% para 7%.
5. Posicionamento, normotermia e segurança elétrica
Posicionamento: braços em abdução ≤ 90° com proteção do nervo ulnar (decúbito dorsal); rolo axilar no decúbito lateral; olhos protegidos e não comprimidos no prono; calcanhares e proeminências com almofadas — lesão por pressão começa NA MESA.
Normotermia: manter temperatura central ≥ 36 °C com mantas de aquecimento e fluidos aquecidos — a hipotermia perioperatória aumenta ISC, sangramento e eventos cardíacos.
Placa dispersora do eletrocautério monopolar: sobre massa muscular bem vascularizada (coxa, glúteo), pele seca e tricotomizada, checando adesão — queimaduras de placa são iatrogenia evitável.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioAo iniciar o fechamento da parede abdominal, o instrumentador comunica divergência na contagem de compressas (uma compressa a menos). Conduta correta da equipe:
2.FundamentalSobre a preparação da equipe e do paciente para uma cirurgia abdominal eletiva, assinale a sequência correta:
03
Pós-operatório: da recuperação à alta
sala de recuperação e Aldrete · vigilância das primeiras 24–48 h · hipotensão e oligúria · NVPO e febre · dor pós-operatória e opioide racional (doses, PCA, naloxona) · delirium · critérios de alta cirúrgica e curativos
Aldrete
≥ 9/10
critério clássico de alta da sala de recuperação
Oligúria
< 0,5 mL/kg/h
avaliar volêmia e buscar a causa — não é diagnóstico, é sinal
Morfina IV
2–4 mg
bolus titrado a cada 5–10 min (0,05–0,1 mg/kg)
Naloxona (sedação)
0,04–0,4 mg
IV titulada; apneia: 0,4–2 mg — meia-vida curta, re-dosar
1. Sala de recuperação pós-anestésica: Aldrete
O paciente sai da sala de recuperação quando reúne condições clínicas para o quarto — e a escala de Aldrete organiza essa decisão: cinco domínios (atividade, respiração, circulação, consciência e saturação de oxigênio) pontuados de 0 a 2, com alta habitual com escore ≥ 9. Acrescente ao julgamento: ausência de sangramento ativo, dor controlada, náusea tratada e temperatura próxima da normal. Quem recebeu opioide longo ou tem apneia do sono precisa de monitorização prolongada — a alta não é horário, é estado.
2. Vigilância das primeiras 24–48 h
Sinal
Pensar primeiro
Conduta inicial
Taquicardia + hipotensão no pós-op imediato
sangramento até prova contrária (depois: efeito residual de anestésico, analgesia insuficiente)
volume limitado + revisar Hb e foco; avisar o cirurgião; instável = sala
Oligúria (< 0,5 mL/kg/h)
hipovolemia — depois fármacos (AINE, IECA), retenção, lesão renal
avaliar volêmia e diurese respondente, revisar prescrição, excluir obstrução da sonda
Hipoxemia/dispneia
atelectasia, residual de anestesia, opioide, edema pulmonar por volume, TEP tardio
O₂, ausculta, revisar analgesia e volume; gasometria/radiografia conforme gravidade
NVPO
anestésicos e opioides
ondansetrona 4–8 mg IV de 8/8 h; dexametasona como adjuvante profilático
Retenção urinária
anestesia raquidiana e opioides, BPH
sondagem de alívio única e reavaliação; cuidar para não virar cateterismo de demora
Febre nas primeiras 48 h
atelectasia (clássico) e reação a fármacos — febre > 48–72 h muda a lista de focos (5 W)
fisioterapia, deambulação, analgesia; sem antibiótico sem foco
3. Dor pós-operatória: multimodal primeiro, opioide racional depois
Dor mede-se pela escala numérica (NRS 0–10): leve 1–3, moderada 4–6, intensa 7–10. O princípio da analgesia multimodal é somar fármacos de mecanismos diferentes (dipirona/paracetamol + AINE ± adjuvante) para POUPAR opioide — menos náusea, menos íleo, menos sedação, menos depressão respiratória. O opioide entra titulado, na menor dose eficaz, com prescrição de resgate documentada e vigilância de sedação antes de cada dose. Dor que muda de padrão ou desproporcional à cirurgia é COMPLICAÇÃO até prova contrária (sangramento, isquemia, coleção) — não é para aumentar analgésico às cegas.
Fármaco
Dose usual adulto
Cuidados
Dipirona
1–2 g IV ou VO de 6/6 h (máx 4 g/dia)
primeira linha; vigiar hipotensão na infusão rápida
Paracetamol
500–1000 mg VO/IV de 6/6 h (máx 3 g/dia em geral; menos em hepatopata e idoso)
hepatotoxicidade com dose cumulativa e álcool
Cetoprofeno
100 mg VO/IV de 12/12 h
evitar em disfunção renal, sangramento ativo e úlcera péptica
Tramadol
50–100 mg VO/IV de 8/8 h (máx 400 mg/dia)
náusea e tontura; cautela em idosos, epilepsia e com antidepressivos (serotonina)
Morfina
2–4 mg IV em bolus a cada 5–10 min titulado (0,05–0,1 mg/kg); PCA bolus 1 mg com intervalo de bloqueio 6–10 min
sedação antes de depressão respiratória; agendar laxante; não usar infusão basal no opioide-naive
Oxicodona
5–10 mg VO de 6/6 h (resgate 2,5–5 mg)
bom para conversão da analgesia IV em oral; mesmos cuidados do opioide
Meperidina
EVITAR como padrão
metabólito normeperidina convulsivante e cumulativo — só casos excepcionais e curtos
4. Delirium pós-operatório
Comum no idoso cirúrgico (maior risco: idade, deficiência sensorial, privação de sono, opioide e anticolinérgicos, infecção, retenção urinária, desidratação). Diagnóstico clínico com a CAM: início agudo e curso flutuante, inatenção, pensamento desorganizado e nível de consciência alterado. O tratamento é CAUSA + ambiente: tratar dor, infecção, retenção e hipoxia; óculos e aparelhos auditivos; reorientação; luz de dia e mobilização; evitar restrição física. Antipsicótico (haloperidol 0,5–2 mg) fica para agitação com risco de dano — não é rotina nem previne delirium.
5. Alta cirúrgica e curativos
Critérios clássicos de alta: afebril e estável hemodinamicamente por 24–48 h, dor controlada com analgesia oral, aceitação da dieta, deambulação independente (ou plano de fisioterapia), curativo seco sem drenagem ativa, função intestinal compatível com a cirurgia realizada.
Checklist de saída: prescrições domiciliares (incluindo profilaxia de TEV quando indicada — em cirurgia oncológica pode ser até 4 semanas), orientação de sinais de alarme (febre, dor crescente, secreção, vômitos, perna dolorosa), retorno marcado, laudo e orientação de curativo.
Curativo da ferida fechada: 1ª troca em 24–48 h; se seco e íntegro, não precisa de troca diária; banho liberado após 24–48 h com secagem posterior — SF 0,9% basta na ferida limpa; antisséptico tópico de rotina não melhora a cicatrização.
Retirada de pontos: face 5–7 dias · tronco 10–14 · membros 10–14 (até 21 sob tensão ou em diabético); grampos seguem a mesma janela.
Orientar sinais de infecção da ferida (dor crescente, eritema, calor, secreção) e a regra do interno: febre + ferida a partir do 3º dia = olhar a ferida, não só o prontuário.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioPaciente no 1º dia pós-operatório de colecistectomia, recebendo dipirona + cetoprofeno, relata dor 8/10 em períodos de tosse. Está lúcido, FR 18, SpO₂ 96%. Melhor prescrição:
2.Prova difícilNo 2º dia pós-operatório de cirurgia oncológica, paciente sedado (só abre os olhos ao chamar), FR 8/min, SpO₂ 91% com oxigênio, após dose de morfina. Conduta imediata:
04
Abdome agudo: operar ou não operar
definição e raciocínio de decisão · exame físico e sinais de alarme · exames que mudam conduta · apendicite (Alvarado, WSES) · colecistite (Tokyo 2018) · obstrução intestinal · perfuração de víscera oca · isquemia mesentérica · diverticulite · preparo para a sala
Beta-hCG
SEMPRE
em toda mulher em idade fértil com dor abdominal
Colecistectomia precoce
ideal ≤ 72 h
TG18 aceita até ~1 semana do início nos graus I–II
Ar livre
Rx em ortostatismo
TC é mais sensível para pneumoperitônio
Abdome em tábua
peritonite difusa
indicação de sala — não de mais exames
1. Definição e a pergunta do interno
Abdome agudo é a dor abdominal de início recente (classicamente < 7 dias) que pode significar doença com risco de vida. O raciocínio do interno responde, em ordem: este paciente PRECISA de cirurgia agora? Se não, qual investigação e qual tratamento clínico? Se sim, qual o preparo do paciente para a sala? As três respostas que mandam para o centro cirúrgico são: instabilidade hemodinâmica com foco abdominal, peritonite difusa (abdome em tábua) e lesão/collection com indicação cirúrgica específica.
Palpação: começar longe da dor; procurar defesa (contração involuntária), contusão, descompressão (Blumberg) e masses; descompressão SEM defesa, isolada, não faz o diagnóstico de peritonite.
Abdome em tábua (defesa involuntária generalizada) = peritonite difusa até prova contrária — é indicação de sala.
Ausculta: ruídos aumentados e metálicos sugerem obstrução mecânica; silêncio abdominal sugere íleo paralítico ou peritonite avançada.
Sinais de alarme sistêmicos: taquicardia, hipotensão, febre alta, oligúria, confusão (idoso) — o abdome agudo é uma emergência sistêmica, não só local.
Idoso, imunossuprimido e corticoide-usuário apresentam-se ATENUADOS: febre e defesa podem faltar — limiar baixo para imagem e para internação.
3. Exames que mudam conduta
Laboratório: hemograma com desvio, PCR, amilase/lipase (pancreatite), transaminases e bilirrubinas (colecistite/colangite), ureia/creatinina, lactato (isquemia/sepse), urina tipo 1.
Beta-hCG em toda mulher em idade fértil — antes de qualquer imagem e de qualquer decisão; gravidez ectópica rota muda tudo.
Ultrassonografia: 1º exame no quadrante superior direito (colecistite) e em crianças/gestantes (sem radiação).
Tomografia de abdome com contraste endovenoso: padrão no adulto com quadro não claro — obstrução, diverticulite, apendicite duvidosa, complicações; não atrasa a sala do paciente instável com peritonite difusa.
Radiografia de abdome em ortostatismo: ar sob o diafragma confirma pneumoperitônio (perfuração); a TC é mais sensível e mapeia a causa.
Fluxo de decisão do abdome agudo
Paciente com dor abdominal aguda — qual conduta?
▼
INSTÁVEL OU PERITONITE DIFUSA
Sala cirúrgica: jejum, dois acessos calibrosos, reanimação volêmica, antibiótico de amplo espectro 30–60 min antes, analgesia, consentimento e profilaxia de TEV.
Não gastar tempo com tomografia — a laparotomia é diagnóstica e terapêutica.
QUADRO LOCALIZADO SUGESTIVO
Dirigir o exame: US no QSD (colecistite), TC com contraste no restante (apendicite, diverticulite, obstrução, coleções).
Tratamento conforme a entidade: antibiótico, drenagem percutânea de coleção, descompressão por sonda, ou cirurgia eletiva/precoce programada.
SEM SINAIS DE ALARME, DOR INESPECÍFICA
Analgesia, hidratação, reavaliação SERIADA com repetição do exame físico e do laboratório em horas.
Melhora → alta com orientação de retorno; piora ou focalização → entrar no ramo anterior.
4. Entidades que o interno precisa dominar
Entidade
Como reconhecer
Conduta
Apendicite aguda
dor periumbilical migrando para FID, anorexia, náuseas; febre baixa; leucocitose; dor à descompressão em McBurney; Alvarado ≥ 7 aumenta muito a probabilidade; TC com contraste é o padrão no adulto com dúvida
apendicectomia (laparoscópica é o padrão — WSES 2020); antibiótico isolado por 3–5 dias apenas em não complicada selecionada; plastrão/abcesso: antibiótico ± drenagem (abcesso > ~3 cm), apendicectomia intervalar discutida caso a caso
Colecistite aguda (TG18)
dor QSD + Murphy; US: espessamento de parede > 3 mm, distensão > 4 cm, Murphy sonográfico, pericolecístico; gravidade: grau I (leve), II (moderada — disfunção de órgão), III (grave — disfunção de órgão cardiovascular, renal, hepático, hematológico ou neurológico)
antibiótico precoce (ceftriaxona + metronidazol no leve/moderado; amplo espectro no grave) + colecistectomia precoce (idealmente nas primeiras 72 h; aceitável até ~1 semana do início nos graus I–II); drenagem biliar percutânea (PTGBD) na grade III ou alto risco operatório
Obstrução intestinal
dor cólica, distensão, vômitos, cesamento de fezes/gases; hérnias encarceradas na inspeção; aderências (cirurgias prévias) e neoplasia como causas; TC com contraste identifica nível, transição e sofrimento
jejum, SNG se distensão/vômitos, hidratação, analgesia, profilaxia de TEV; cirurgia: hérnia encarcerada não redutível, sinais de estrangulamento (febre, taquicardia, peritonismo, leucocitose, acidose), alça fechada, falha do tratamento clínico
Perfuração de víscera oca
dor súbita e intensa, abdome em tábua; ar livre no Rx/TC; úlcera péptica e tumor como causas clássicas
reanimação + antibiótico amplo + cirurgia (sutura + omentopexia de Graham na úlcera; ressecção com anastomose/ostomia conforme o sítio e o estado do paciente)
Isquemia mesentérica aguda
dor INTENSA desproporcional ao exame (abdome flácido no início), FA/aterosclerose/estado hipercoagulável; acidose, lactato alto, leucocitose; TC angio confirma
dor em FIE, febre, leucocitose; TC classifica Hinchey: I pericólica, II abcesso, III peritonite purulenta, IV fecalóide
não complicada (I): antibiótico, frequentemente ambulatorial; II: antibiótico IV ± drenagem de abcesso > ~4 cm; III–IV: cirurgia (Hartmann ou lavagem + derivação); colonoscopia após 6–8 semanas para excluir neoplasia
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem de 24 anos, com 18 h de dor periumbilical que migrou para a fossa ilíaca direita, anorexia e dois vômitos. Temperatura 37,8 °C, leucócitos 14.500 com desvio à esquerda, dor à descompressão em McBurney, sem sinais de peritonite generalizada. US inconclusivo. Conduta:
2.AvançadoMulher de 70 anos com obstrução intestinal por aderência há 48 h em tratamento clínico (jejum, SNG, hidratação). Evolui com febre 38,6 °C, taquicardia 118, dor localizada com defesa na fossa ilíaca direita, leucócitos 17.800 e distensão crescente. Conduta:
05
Ferida operatória: deiscência e infecção do sítio cirúrgico
classes de incisão e risco · fechamento da laparotomia (fio, bite, razão fio/ferida) · deiscência e evisceração · classificação da ISC (CDC) · conduta na ISC · prevenção (CDC 2017, OMS 2018, PNPCIRC/Anvisa) · curativos da ferida operatória
ISC — definição CDC 2017
≤ 30 dias
até 90 dias se houver implante (versão antiga: até 1 ano)
Pico de deiscência
7–10 dias
às vezes precedida de líquido serossanguinolento pela incisão
Razão fio/ferida
≥ 4:1
fechamento de laparotomia com fio lentamente absorvível
1ª troca de curativo
24–48 h
ferida fechada e seca não precisa de troca diária
1. Classes de incisão e risco de ISC
Classe
Definição
ISC aproximada
Limpa
sem abertura de tratos infectados; técnica asséptica ideal
~1–5%
Limpa-contaminada
abertura CONTROLADA de trato digestivo/respiratório/geniturinário sem vazamento
~3–11%
Contaminada
vazamento maior, ferida aberta recente, quebra importante de técnica
~10–17%
Infectada/suja
tecido infectado ou necrótico, perfuração antiga
> 25%
A classe orienta expectativa e profilaxia, mas o CDC 2017 estratifica risco também por fatores do paciente (glicemia, tabagismo, imunossupressão) e do procedimento (tempo, grau de contaminação) — a classe sozinha não decide mais nada sozinha.
2. Fechamento da parede: o que reduz deiscência
Fio de ABSORÇÃO LENTA (polidioxanona ou poliglactina de longa duração), monofilamentado quando possível: a parede só recupera força em semanas — o fio precisa durar tanto.
Ponto simples contínuo ou separado, com bite ≥ 1 cm e espaçamento de ~1 cm, SEM isquemia das bordas — tensão é o inimigo, não o fio.
Razão comprimento do fio / comprimento da ferida ≥ 4:1 — reduz deiscência e hérnia incisional nas revisões sistemáticas de fechamento de laparotomia média.
Fechamento em massa (plano único de peritônio-fáscia) nos casos de risco, evitando camadas isquêmicas; dreno de parede só com indicação específica, nunca como rotina.
Tela profilática em alta risco de hérnia incisional (eletiva em aneurisma de aorta e pacientes com risco elevado) é recomendação das diretrizes de hérnia — discussão do cirurgião, não do interno.
Fatores do paciente corrigíveis antes: glicemia controlada, cessar tabagismo, nutrição (albumina/perda ponderal), treinar tosse no pós.
3. Deiscência e evisceração: conduta
Fluxo da deiscência de parede
Paciente no 8º dia pós-operatório de laparotomia com secreção rosada pela incisão — o que fazer?
▼
AVISO PRECOCE (pele íntegra ou deiscência mínima)
Avisar o cirurgião IMEDIATAMENTE; exame da ferida; jejum; revisar Hb e eletrólitos; corrigir glicemia; prevenir tosse e íleo.
Deiscência cutânea pequena sem evisceração: avaliar fascia (imagem/toque cuidadoso) — deiscência fascial pede retorno à sala na internação.
EVISCERAÇÃO (alças fora)
Paciente em decúbito dorsal, joelhos flexionados; NÃO tentar reintroduzir alças no leito.
Cobrir com compressas estéreis UMIDECIDAS com SF 0,9%; jejum absoluto; acesso calibroso e volume; antibioticoterapia; dor e ansiedade tratadas.
Sala cirúrgica IMEDIATA para lavagem e refixação da parede.
FATORES A CORRIGIR DEPOIS
Rever causas: infecção da ferida, hematoma, tosse não controlada, íleo com esforço, desnutrição, glicemia, obesidade, corticoide.
Planejar fechamento definitivo (2ª intenção, 3ª intenção ou tela tardia) com o cirurgião.
4. Infecção do sítio cirúrgico (ISC): classificação CDC
Tipo
Definição
Tempo de vigilância
Incisional superficial
pele e tecido subcutâneo: dor, eritema, calor, edema OU secreção purulenta; organismo isolado
até 30 dias
Incisional profunda
fáscia/músculo: deiscência com febre, abscesso profundo, secreção de profundidade
até 30 dias (90 dias com implante)
Órgão-espaço
qualquer órgão/espaço manipulado (abcesso intra-abdominal, colecistite pós-op, mediastinite)
até 30 dias (90 dias com implante)
Regra de vigilância: CDC 2017 usa 30 dias (90 dias quando há implante); a versão anterior admitia até 1 ano com implante — a banca pode cobrar qualquer uma das duas, anote a fonte da questão. A maior parte das ISC aparece após a alta: vigilância ambulatorial da ferida faz parte do seguimento.
5. Prevenção de ISC: o pacote que funciona
Paciente: banho pré-operatório (clorexidina), tricotomia só se necessária e com clipadora no dia, glicemia controlada (< 200 mg/dL no perioperatório), cessar tabagismo, corrigir desnutrição quando possível.
Equipe: antibioticoprofilaxia certa (fármaco, dose, horário, suspensão ≤ 24 h), antissepsia com clorexidina alcoólica, dupla luva, cobertura de boca e nariz, disciplina de campo.
Intraoperatório: normotermia (≥ 36 °C), oxigênio suplementar perioperatório conforme a diretriz OMS, técnica cuidadosa com hemostasia e tecido desvitalizado mínimo, fios revestidos com triclosano como adjuvante condicional (OMS).
Pós: curativo estéril por 24–48 h mantendo a incisão coberta e seca; sem toques desnecessários; vigiar e registrar a ferida nos plantões.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.AvançadoHomem de 63 anos, diabético, no 8º dia pós-operatório de laparotomia mediana por obstrução, refere que “a bandagem molhou”. O curativo apresenta pequeno volume de líquido rosado na linha de sutura; pele íntegra, sem eritema; hemodinamicamente estável, sem febre. Conduta:
2.IntermediárioPaciente no 5º dia pós-operatório de colectomia apresenta dor crescente na metade lateral da incisão, eritema, secreção purulenta e febre 38,2 °C; leucócitos 13.900; sem sinais de peritonite. Conduta inicial:
06
Drenos, sondas e ostomias
sonda vesical de demora (indicações, técnica, CAUTI, retirada) · sonda nasogástrica · drenos cirúrgicos (passivos e ativos, débito, retirada) · colostomia × ileostomia · complicações precoces da ostomia · hiperfluxo e dermatite periestoma
Sonda vesical
retirar cedo
na maioria das cirurgias, ≤ 24–48 h — cada dia aumenta o risco de CAUTI
Balão da SVD
5–10 mL
preencher com SF até o volume do balão impresso na sonda
Ileostomia — hiperfluxo
> 1,5 L/dia
desidratação e hiponatremia: hidratação + loperamida
Dreno JP
retirar < 25–50 mL/24 h
quando o débito caiu e não há fuga entérica/biliar
1. Sonda vesical de demora (SVD)
Indicações legítimas: monitorização de diurese horária em paciente crítico, retenção urinária, cirurgias urológicas, períneo/abdome inferior prolongado, cuidados paliativos selecionados.
Técnica: higiene das mãos, campo limpo/asséptico, gel lubrificante anestésico, sonda do menor calibre que drena (14–16 Fr adulto), balão inflado até o volume indicado com fixação leve no compartimento e bolsa ABAIXO do nível da bexiga, sistema fechado.
CAUTI: a bactériuria aparece em ~3–10% dos pacientes por dia de cateterismo — a prevenção número 1 é a RETIRADA PRECOCE; na maioria das cirurgias a sonda sai em 24–48 h; indicar explicitamente se precisa ficar mais.
Manutenção: higiene diária com água e sabão (antisséptico tópico de rotina não é recomendado), não desclampear sistematicamente, manter fluxo livre (colunas e dobras), substituir cateter fixado por hérnia ou obstruído.
Retirada: sem teste de clampeio prévio — os ensaios clínicos não mostram benefício e o clampeio distende a bexiga; após retirar, vigiar retenção (idoso, BPH, opioide): sem micção por 6–8 h com globo vesical, alívio por sondagem única.
2. Sonda nasogástrica (SNG)
Funções: descompressão (obstrução, distensão, vômitos) e nutrição (nasoenteral posicionada em jejuno) — são INDICAÇÕES diferentes e sondas diferentes.
Confirmação de posição: radiografia é o padrão antes do primeiro uso para nutrição; para descompressão, aspirado ácido (pH < 5,5) + ausculta auxiliam; nunca iniciar dieta em SNG não confirmada.
ERAS: SNG de rotina após cirurgia abdominal NÃO é indicada — atrasa recuperação e aumenta desconforto; a sonda volta quando há distensão/vômitos.
Complicações: epistaxe, sinusite, erosão nasal, pneumonia aspirativa, má posição (traqueobronquica — retirar imediatamente), perfuração rara.
3. Drenos cirúrgicos
Tipo
Mecanismo
Uso e nota
Penrose / laminar
passivo — gravidade e capilaridade
superficial; hoje restrito a espaços pequenos
Jackson-Pratt / Redon
ativo — bulbo de sucção suave, fechado
padrão pós-operatório (parede, mama, axila, retroperitônio); débito diário documentado em cor e volume
Sump (duplo lúmen)
ativo — aspiração contínua com entrada de ar
grandes coleções e fístulas; mantém a ponta livre
Tubo em T (Kehr)
dreno em T na via biliar
após exploração da via biliar; colangiografia antes da retirada
O dreno é ferramenta de VIGILÂNCIA e drenagem de coleção — não compensa hemostasia imperfeita nem substitui o tratamento da fonte.
Retirada progressiva conforme o débito: regra prática para JP/Redon quando < 25–50 mL/24 h de conteúdo seroso e sem risco de fuga; drenos profundos são retirados em etapas pelo cirurgião.
Débito entérico ou biliar pelo dreno = fuga anastomótica/lesão até prova contrária: avisar o cirurgião e investigar.
Drenos profiláticos de rotina após cirurgias abdominais caíram em desuso (ERAS) — indicam-se em coleções, abscessos, risco de fuga e operações específicas.
4. Ostomias: colostomia × ileostomia
Característica
Colostomia
Ileostomia
Alça
cólon (sigmoides na maioria)
íleo terminal
Conteúdo
fezes formadas/semi-formadas
fezes líquidas, ricas em enzimas
Sítio típico
fossa ilíaca ESQUERDA
fossa ilíaca DIREITA
Riscos próprios
hérnia paracolostômica, prolapso, constipação
desidratação e hiperfluxo (> 1,5 L/d), dermatite por enzimas, obstrução por edema precoce
Marcação pré-operatória do sítio (com estomaterapeuta, de pé): evitar pregas, cicatrizes e cintura — dermatite e vazamento começam na mala local errada.
Viabilidade nas primeiras 24–48 h: mucosa ROSA, úmida e brilhante; escurecimento difuso, mucosa pálida ou negra pede avaliação IMEDIATA (isquemia).
Complicações precoces: necrose (avaliar profundidade — serosa escura com mucosa viável pode observar com endoscopia), retração, protrusão, obstrução por edema, hérnia; tardias: hérnia parastomal, estenose, dermatite.
Dermatite periestoma: culpa da ADERÊNCIA mal moldada ou vazamento — cortar a placa no diâmetro exato da estoma (com margem mínima), usar pasta/anel e pó protetor; prolapso? reposicionar e revisar abertura.
Hiperfluxo de ileostomia (> 1,5–2 L/dia): hidratação oral com reposição de sódio, loperamida, refeições fracionadas pobres em resíduo; investigar obstrução proximal — desidratação é a causa mais comum de reinternação do paciente ileostomizado.
Alta do paciente ostomizado: treinamento de troca da placa, material domiciliar garantido, contato do serviço de estomaterapia, orientação de dietas e de sinais de alarme.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioPaciente com ileostomia terminal por trauma de duodeno-pâncreas, no 1º dia pós-operatório, apresenta ostomia com mucosa escurecida e opaca, sem brilho; está hemodinamicamente estável. Conduta:
2.FundamentalSobre a sonda vesical de demora no pós-operatório de cirurgia abdominal geral sem indicação urológica, assinale a conduta correta:
07
Complicações: sangramento, íleo e TEV
sangramento pós-operatório (reconhecer, reanimar, reoperar) · íleo paralítico × obstrução mecânica · pseudo-obstrução colônica (Ogilvie) · escore de Caprini e profilaxia de TEV (CHEST 2012) · doses e duração da profilaxia
Caprini ≥ 5
risco alto
profilaxia farmacológica formal em cirurgia maior
Enoxaparina profilática
40 mg SC/dia
ou HNF 5.000 UI SC de 8/8 h; ClCr < 30: ajuste/HNF
Câncer operado
4 semanas
de profilaxia estendida com enoxaparina (CHEST 2012)
Ceco no Ogilvie
> 12 cm
risco de perfuração: neostigmina ou descompressão colonoscópica
1. Sangramento pós-operatório
Tipo
Quando aparece
Como reconhecer
Primário (do ato cirúrgico)
primeiras horas
taquicardia crescente, hipotensão, oligúria, queda de Hb, dreno com sangue vivo, abdome distendido
Reacionário/coágulo solto
primeiras 24–48 h
queda súbita de débito vascular com dreno que pode estar SECO (coágulo)
Secundário
5–10 dias ou depois
sangramento por erosão vascular, fuga de anastomose, ligadura cedida — frequentemente com febre prévia
Regra do interno: dreno seco não descarta sangramento interno (o coágulo obstruiu o dreno); e a taquicardia é o sinal mais precoce — a hipotensão é tardia (perda de > 30% da volemia). Com hipotensão + taquicardia + oligúria no pós-operatório, a resposta não é “hidratar e ver o turno”: é aviso ao cirurgião, reposição dirigida (sangue se necessário), revisão de anticoagulantes e definição de sala se o sangramento persistir.
2. Íleo pós-operatório: paralítico × mecânico
O íleo fisiológico do pós-operatório dura em geral 3–5 dias e recupera-se nesta ordem: intestino delgado, estômago e por último o cólon. Passado esse prazo (ou com piora), a pergunta muda: é íleo PARALÍTICO prolongado (fármacos, eletrólitos, processo inflamatório) ou obstrução MECÂNICA precoce (aderências, hérnia, estenose na anastomose)?
Causa do íleo prolongado
Como procurar
Conduta
Opioides e anticolinérgicos
revisar prescrição
reduzir/pausar opioide, reforçar multimodal
Hipocalemia e hipomagnesemia
eletrólitos séricos
corrigir de forma direcionada
Processo intra-abdominal (coleção, fuga, pancreatite, hematoma retroperitoneal)
Conduta base do íleo: jejum, SNG se distensão/vômitos importantes, correção de eletrólitos, deambulação, revisão de opioides — e paciência: a maioria paralítica resolve.
Goma de mascar e metoclopramida têm evidência limitada; não substituem a busca da causa.
Cuidado: laxantes de estimulação em íleo por obstrução mecânica pioram a dor e podem romper alça já distendida — diagnóstico primeiro.
3. Tromboembolismo venoso: Caprini e profilaxia (CHEST 2012)
Pontos Caprini
Itens representativos
1 ponto
idade 41–60 · IMC > 25 · edema/varizes de MMII · anticoncepcional ou reposição hormonal · gravidez/puerpério · sepse < 1 mês · doença pulmonar grave (DPOC) · IAM ou ICC < 1 mês · repouso no leito · doença inflamatória intestinal · membro imobilizado
2 pontos
idade 61–74 · cirurgia maior aberta ou laparoscópica > 45 min · malignidade (presente ou prévia) · imobilizado > 72 h · gesso imobilizador · cateter venoso central
3 pontos
idade ≥ 75 · história pessoal ou familiar de TEV · trombofilias (fator V de Leiden, mutação da protrombina, anticoagulante lúpico, anticorpos anticardiolipina, hiper-homocisteinemia, HIT)
Estratificação: 0 = risco muito baixo; 1–2 = baixo; 3–4 = moderado; ≥ 5 = alto. Conduta conforme CHEST 2012: cirurgia maior de risco moderado/alto recebe profilaxia farmacológica — enoxaparina 40 mg SC 1×/dia (iniciar ~2 h antes do ato ou ≥ 12 h depois, conforme protocolo) ou heparina não fracionada 5.000 UI SC de 8/8 h (12/12 h no risco moderado); na contraindicação farmacológica (sangramento ativo), métodos mecânicos (meias de compressão graduada + compressão pneumática intermitente) até o sangramento cessar e a farmacológica entrar; duração mínima 7–10 dias ou até a deambulação plena; cirurgia oncológica abdominal/pélvica: estender a enoxaparina por 4 semanas. ClCr < 30 mL/min: HNF ou enoxaparina 30 mg/dia.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.Prova difícilHomem de 69 anos, no 2º dia pós-operatório de colectomia por adenocarcinoma, estável, deambulando com auxílio, com cateter central, IMC 31, sem história prévia de trombose e sem trombofilia conhecida. Sobre o risco e a profilaxia de TEV:
2.IntermediárioNo 6º dia pós-operatório de ressecção retal, paciente com distensão abdominal crescente, vômitos e ruídos hidroaéreos metálicos, dor cólica; opioide suspenso, potássio e magnésio normais. Radiografia mostra alças delgadas dilatadas. Próximo passo:
08
Trauma: FAST, ATLS e laparotomia
avaliação primária ABCDE e exames X · FAST/eFAST: janelas, acurácia e limites · indicações de laparotomia no trauma · ressuscitação do sangramento (hipotensão permissiva, TXA, sangue balanceado) · cirurgia de controle de danos
FAST
4 janelas
Morrison, periesplênica, pélvica e pericárdica (+ eFAST tórax)
Sensibilidade do FAST
~74%
especificidade ~96% (metanálise CJEM 2019) — negativo não exclui
TXA
1 g + 1 g
IV, dentro de 3 h da lesão
Hipotensão permissiva
PAS 80–90
até o controle do sangramento (não no TCE)
1. O interno na sala de trauma
O ATLS (10ª ed.) organiza a atenção: avaliação primária (ABCDE) com ressuscitação SIMULTÂNEA, exames adjuvantes da primária (radiografia de tórax, radiografia de pelve e FAST/eFAST), avaliação secundária (AMPLE + exame cefalocaudal com log roll) e terciária (revisão nas primeiras 24 h). Papel do interno: chamar a sequência em voz alta, garantir acesso calibroso e amostras de cruzamento, registrar o GCS a cada reavaliação, documentar débitos e avisar os tempos (entrada, transfusão, sala). Hipotensão no trauma é HEMORRAGIA até prova contrária — e qualquer deterioração devolve o paciente à letra A.
2. FAST e eFAST
Janela
O que se procura
Nota
Peri-hepática (Morrison)
líquido livre entre fígado e rim direito
a mais produtiva no trauma de abdome
Periesplênica (esplenorrenal)
líquido entre baço e rim esquerdo
avaliar SEMPRE as 4 janelas — uma janela negativa não exclui hemoperitônio
Pélvica (cavidade de Douglas)
líquido na pelve
hemoperitônio assenta aqui em decúbito dorsal
Pericárdica (subxifoide)
derrame pericárdico (tamponamento)
positiva no trauma penetrante precordial = sala
eFAST — tórax
pneumotórax (ausência de deslizamento) e hemotórax (linha efusiva) nas bases
completa o exame sem sair do leito
3. Indicações de laparotomia no trauma
Indicação
Situação
Instabilidade hemodinâmica com FAST positivo
hemoperitônio em choque — sala imediata
Instabilidade sem outro foco evidente
abdome suspeito: sala, não tomografia
Peritonite ou evisceração
contaminação/lesão de víscera oca
Pneumoperitônio
perfuração de víscera oca confirmada
Sangramento gastrointestinal ou geniturinário
urina/franjas com sangue após trauma significativo
Débito do dreno torácico
> 1500 mL imediato ou > 200 mL/h por 2–4 h → toracotomia
4. Ressuscitação e cirurgia de controle de danos
Hipotensão permissiva: PAS ~80–90 mmHg até o controle do sangramento (não aplicar no traumatismo craniencefálico) — pressão alta solta o coágulo.
Ácido tranexâmico 1 g IV em ~10 min + 1 g em infusão de 8 h, até 3 h da lesão (janela da evidência); depois disso o benefício desaparece.
Cristaloide em volume mínimo — dilui fatores e agrava a tríade.
Controle de danos em 3 fases: (1) sala — hemostasia provisória com clampes, ligaduras e compressas (packing), fechamento temporário; (2) UTI — corrigir hipotermia, acidose e coagulopatia; (3) reoperação em 24–48 h para reconstrução e anastomoses, quando a fisiologia permitir.
Pelve instável: fixador/cinto pélvico antes de mais nada; fraturas de ossos longos imobilizadas cedo.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem de 28 anos, vítima de acidente motociclístico, chega com PAS 76/48 mmHg, FC 132, pálido e confuso. Radiografia de tórax sem alteração, pelve estável no exame, FAST com líquido livre na janela de Morrison e na pélvica. Conduta:
2.Prova difícilMulher de 34 anos vítima de colisão chega instável (PAS 70 mmHg, FC 140), com FAST NEGATIVO em todas as janelas, tórax sem pneumotórax/hemotórax, sangramento externo controlado e cinto pélvico aplicado com pelve clinicamente estável. Qual a melhor conduta imediata?
09
Cirurgia oncológica e estadiamento
biópsia: citologia × histologia (agulha fina × tronco de agulha) e planejamento da incisão · estadiamento TNM e prefixos (c, p, y, r) · marcadores tumorais · comitê multidisciplinar · neoadjuvante × adjuvante · ressecção en bloc, margens (R0/R1/R2) e linfonodo sentinela · preparo do paciente oncológico
Prefixo y
pós-neoadjuvante
ypT2N0 = estadiamento patológico após terapia prévia
rápida e barata; NÃO preserva arquitetura — não define invasão nem grade; insuficiente para planejar cirurgia oncológica em muitas situações
Biópsia por tronco de agulha (core)
cilindro de tecido (histologia)
padrão para massas sólidas suspeitas (sarcoma, mama, linfonodos): preserva arquitetura, invade menos que incisional
Biópsia incisional
fragmento da lesão
para lesões grandes: incisão ao longo do EIXO LONGITUDINAL (com o membro), incluir margem viva (não só necrose), hemostasia cuidadosa (hematoma espalha e dificulta o planejamento)
Biópsia excisional
lesão inteira
só para lesões pequenas e superficiais confirmadas clinicamente — NUNCA de massas profundas suspeitas de sarcoma sem discussão: contamina planos e compromete a ressecção
2. Estadiamento TNM e prefixos
O sistema TNM (AJCC, 8ª edição, 2017) descreve o tumor em três eixos: T (extensão do tumor primário e invasão em profundidade), N (linfonodos regionais) e M (metástase à distância). O estadiamento clínico (cTNM) usa exame e imagem e guia a terapia inicial; o patológico (pTNM) usa a peça cirúrgica e refina o prognóstico.
Prefixo
Significado
Exemplo
c
clínico (exame, imagem, biópsia)
cT3N1M0 — diagnóstico inicial
p
patológico (peça cirúrgica)
pT2N0 — estadiamento definitivo
y
após terapia neoadjuvante
ypT0N0 — resposta completa patológica
r
recorrência
rT2 — tumor recorrente reestadiado
Exames de estadiamento típicos: TC de tórax, abdome e pelve com contraste; RM quando a definição local muda conduta (reto, fígado, sarcoma de partes moles, colo); PET-CT em situações selecionadas (linfomas, melanoma, dúvidas de atividade metabólica).
O comitê multidisciplinar (tumor board) discute cirurgião + oncologista + radioterapeuta + radiologista + patologista antes das decisões maiores — a cirurgia oncológica é planejamento, não improviso.
Neoadjuvante (antes da cirurgia): reduz o tumor, converte lesões irressecáveis, testa a sensibilidade e avalia resposta (yp — resposta completa patológica tem valor prognóstico); adjuvante (após): reduz a recorrência quando a doença local já foi controlada.
3. Marcadores tumorais que o interno acompanha
Marcador
Tumores clássicos
Uso
CEA
colorretal (também pancreático, gástrico)
monitorização de resposta e recorrência; NÃO é rastreamento
CA 19-9
pancreático, vias biliares
estadiamento/resposta; limitado em icterícia e Ca 19-9 negativo (Lewis negativo)
AFP
hepatocarcinoma, tumores germinativos não seminomatosos
diagnóstico de apoio e vigilância
β-hCG
tumores germinativos, coriocarcinoma
diagnóstico, estadiamento e monitorização
PSA
próstata
rastreio discutido, estadiamento e vigilância
CA 125
epitelial de ovário
resposta ao tratamento e recorrência
Calcitonina
carcinoma medular de tireoide
diagnóstico e vigilância
Regra geral para prova e para plantão: marcadores servem a MONITORAR (resposta e recorrência) e, em poucas situações, a diagnosticar; não servem de rastreamento populacional na maioria dos tumores — nem substituem imagem para decidir operar.
4. O planejamento da cirurgia oncológica
Ressecção en bloc: tumor + trajeto de disseminação potencial em bloco único, sem entrar no tumor (“no touch” do colorretal é o conceito histórico; princípio vale geralmente).
Margens: R0 (microscopicamente livres — o objetivo curativo), R1 (microscópica comprometida), R2 (doença macroscópica residual); a margem é definida pelo patologista na peça.
Linfonodos: linfadenectomia regional (terapêutica/estadiamento da peça, com número mínimo exigido pela doença) × biópsia de linfonodo sentinela (1º dreno linfático, mapeado com azul + radioisótopo — mama e melanoma), que evita morbilidade da linfadenectomia completa quando o sentinela é negativo.
Preparo do paciente: nutrição (perda ponderal importante e hipoalbuminemia pedem suporte; imunonutrição 5–7 dias antes em ressecções maiores selecionadas), glicemia, cessar tabagismo, revisar anticoagulação e planejar ostomia quando previsível (marcação prévia).
Pós-operatório do paciente oncológico: profilaxia de TEV estendida (4 semanas em abdominal/pélvica), analgesia multimodal, fisioterapia, vigilância de deiscência (radioterapia e quimioterapia prévias pioram a cicatrização) e plano de seguimento com marcadores e imagem.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioNo laudo de uma peça de ressecção retal após quimiorradioterapia neoadjuvante, o patologista descreve “ypT3N1, margens livres”. Interpretação correta:
2.AvançadoAdolescente de 16 anos com massa firme e profunda de 8 cm em coxa (dor noturna, sem trauma), suspeita de sarcoma de partes moles. Conduta correta sobre a investigação:
R
Revisão de alta performance
Para a véspera do plantão ou da prova: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 Avaliação pré-operatória
ASA pela limitação funcional; RCRI de Lee (6 fatores, ≥ 3 ≈ 9%); jejum de líquidos claros 2 h; cefazolina 2 g IV ≤ 60 min antes e suspensão em ≤ 24 h.
ASA II × III; RCRI; suspensão de fármacos; horário da profilaxia
02 Sala cirúrgica
Clorexidina 2% alcoólica secando antes do bisturi; count em 3 tempos com instrumentador + circulante; checklist OMS em sign in, time out e sign out.
Count divergente; antissepsia; papéis da equipe
03 Pós-operatório e dor
Aldrete ≥ 9 para alta da recuperação; taquicardia + hipotensão = sangramento; analgesia multimodal poupadora de opioide; naloxona titulada com vigilância prolongada.
Febre pelos 5 W; opioide racional; critérios de alta
04 Abdome agudo
Peritonite difusa e instabilidade operam; quadro colecionado dirige (antibiótico/drenagem); beta-hCG sempre; TC com contraste no estável, sala no instável.
Apendicite; colecistite TG18; obstrução com estrangulamento
05 Ferida operatória e ISC
Líquido rosado pela incisão no 7º–10º dia é deiscência fascial iminente; ISC abre-se, cultiva-se e drena-se; prevenção: glicemia, normotermia, profilaxia ≤ 24 h.
Sinal do líquido rosado; conduta na ISC; classes de incisão
06 Drenos, sondas e ostomias
SVD sai em 24–48 h (CAUTI: 3–10%/dia); SNG com indicação, não rotina; ostomia escura nas primeiras 24–48 h é isquemia; ileostomia desidrata (> 1,5 L/dia).
Retirada da sonda; ostomia escura; colostomia × ileostomia
ABCDE com ressuscitação simultânea; instável + FAST positivo = sala; TXA 1 g + 1 g até 3 h; controle de danos em três fases.
FAST e seus limites; indicações de laparotomia; tríade letal
09 Cirurgia oncológica
Biópsia planejada dentro do campo da futura ressecção (core/incisional); TNM com prefixos c, p, y e r; marcadores monitoram, não rastreiam; o objetivo é margem R0.
Prefixos do TNM; biópsia de sarcoma; CEA × rastreamento
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.Prova difícilMulher de 58 anos em empagliflozina para diabetes tipo 2 será submetida a colecistectomia eletiva em 2 dias. Ela relata que “só vai faltar a pílula do diabetes” no dia da cirurgia. Sobre o fármaco:
2.IntermediárioIdoso de 78 anos, 2º dia pós-operatório de colectomia, com dor 7/10, creatinina 2,1 mg/dL (basal 2,0) e história de úlcera péptica sangrante há 2 anos. Analgesia mais adequada:
3.IntermediárioMulher de 45 anos com colecistite aguda calculosa, Tokyo grade I: dor em QSD há 20 h, febre 38,1 °C, Murphy positivo, leucócitos 13.200, sem disfunção de órgãos. US: múltiplos cálculos, parede 5 mm, sem pericolecístico. Conduta:
4.FundamentalNo 9º dia pós-operatório de laparotomia, ao trocar o curativo o interno identifica alças intestinais expostas através da deiscência completa da parede (evisceração). Paciente consciente, FC 108, PA 110/70. Primeira conduta:
5.AvançadoPaciente no 4º dia pós-operatório de ressecção retal com ileostomia protetora apresenta débito estomal de 2,2 L/dia, taquicardia 104, sódio 132 mEq/L, ureia elevada e mucosa estomal rosa e viável. Conduta:
6.IntermediárioHomem de 66 anos, Caprini 8 (neoplasia + cirurgia maior + idade + cateter central), no 1º dia pós-operatório de gastrectomia, apresenta sangramento ativo pelo dreno com queda de Hb (9,1 → 7,6 g/dL), mantendo PA 96/54 e FC 110. Sobre a profilaxia de TEV neste momento:
7.AvançadoDurante laparotomia por trauma com sangramento maciço, o cirurgião anuncia cirurgia de controle de danos. O que isso significa para o interno que assiste:
8.FundamentalSobre o uso do antígeno carcinoembrionário (CEA) no câncer colorretal:
Gabarito rápido
1-B · 2-B · 3-B · 4-B · 5-B · 6-B · 7-B · 8-B
Referencial teórico
18 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoAmerican College of Surgeons Committee on Trauma. Advanced Trauma Life Support (ATLS) Student Course Manual. 10ª ed. Chicago: American College of Surgeons; 2018.
diretriz / revisãoWorld Health Organization. Global Guidelines for the Prevention of Surgical Site Infection. 2ª ed. Genebra: WHO; 2018.
diretriz / revisãoAgência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRC): medidas de prevenção de infecção do sítio cirúrgico. Brasília: Anvisa; 2017.
diretriz / revisãoLee TH, Marcantonio ER, Mangione CM, et al. Derivation and prospective validation of a simple index for prediction of cardiac risk of major noncardiac surgery. Circulation. 1999;100(10):1043-1049.doi.org/10.1161/01.CIR.100.10.1043
diretriz / revisãoApfelbaum JL, Agarkar M, Connis RT, et al. Practice guidelines for preoperative fasting: carbohydrates, clear liquids with or without carbohydrates, chew gum, and fasting duration for pulmonary aspiration risk reduction. Anesthesiology. 2017;126(3):376-393.doi.org/10.1097/ALN.0000000000001452
diretriz / revisãoBratzler DW, Dellinger EP, Olsen KM, et al. Clinical practice guidelines for antimicrobial prophylaxis in surgery. Am J Health Syst Pharm. 2013;70(3):195-283.doi.org/10.2146/ajhp120568
diretriz / revisãoBerríos-Torres SI, Umscheid CA, Bratzler DW, et al. Centers for Disease Control and Prevention Guideline for the Prevention of Surgical Site Infection, 2017. JAMA Surg. 2017;152(8):784-791.doi.org/10.1001/jamasurg.2017.0904
diretriz / revisãoHaynes AB, Weiser TG, Berry WR, et al. A surgical safety checklist to reduce morbidity and mortality in a global population. N Engl J Med. 2009;360(5):491-499.doi.org/10.1056/NEJMsa0810119
diretriz / revisãoChou R, Gordon DB, de Leon-Casasola OA, et al. Management of postoperative pain: a clinical practice guideline from the American Pain Society, the American Society of Regional Anesthesia and Pain Medicine, and the American Society of Anesthesiologists' Committee on Regional Anesthesia. J Pain. 2016;17(2):131-157.doi.org/10.1016/j.jpain.2015.12.008
diretriz / revisãoLjungqvist O, Scott M, Fearon KC. Enhanced Recovery After Surgery: a review. JAMA Surg. 2017;152(3):292-298.doi.org/10.1001/jamasurg.2016.4952
diretriz / revisãoDi Saverio S, Podda M, De Simone B, et al. Diagnosis and treatment of acute appendicitis: 2020 update of the WSES Jerusalem guidelines. World J Emerg Surg. 2020;15:27.doi.org/10.1186/s13017-020-00306-3
diretriz / revisãoYokoe M, Hata J, Takada T, et al. Tokyo Guidelines 2018: diagnostic criteria and severity grading of acute cholecystitis (with videos). J Hepatobiliary Pancreat Sci. 2018;25(1):41-54.doi.org/10.1002/jhbp.515
diretriz / revisãoGould MK, Garcia DA, Wren SM, et al. Prevention of VTE in nonorthopedic surgical patients: antithrombotic therapy and prevention of thrombosis, 9th ed: American College of Chest Physicians evidence-based clinical practice guidelines. Chest. 2012;141(2 Suppl):e227S-e277S.doi.org/10.1378/chest.11-2297
diretriz / revisãoSpahn DR, Bouillon B, Cerny V, et al. The European guideline on management of major bleeding and coagulopathy following trauma: fifth edition. Crit Care. 2019;23:98.doi.org/10.1186/s13054-019-2347-3
diretriz / revisãoNetherton S, Milenkovic V, Taylor M, Davis PJ. Diagnostic accuracy of eFAST in the trauma patient: a systematic review and meta-analysis. CJEM. 2019;21(6):737-748.doi.org/10.1017/cem.2019.381
diretriz / revisãoDiener MK, Voss S, Jensen K, et al. Elective midline laparotomy closure: the INLINE systematic review and meta-analysis. Ann Surg. 2010;251(5):843-856.doi.org/10.1097/SLA.0b013e3181d973e4
diretriz / revisãoAmin MB, Greene FL, Edge SB, et al. The Eighth Edition AJCC Cancer Staging Manual: continuing to build a bridge from a population-based to a more personalized approach to cancer staging. CA Cancer J Clin. 2017;67(2):93-99.doi.org/10.3322/caac.21388
notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
acesso de membros
Entre para acessar
Matérias, materiais na íntegra, resumos, quiz e revisões ficam liberados na sua conta — a prévia desfocada é só um gostinho.