Baseado nos artigos publicados da matéria Bioquímica Médica da Central de Estudos (fonte principal) e em revisões e diretrizes de alto impacto com DOI verificado — Anfinsen (Science 1973), Dobson (Nature 2003), Luzzatto e Arese (NEJM 2018), Petersen e Shulman (Physiol Rev 2018), Cahill (Annu Rev Nutr 2006), Häberle (Orphanet J Rare Dis 2012), Grundy (Circulation 2019) — com Lehninger e Harper como apoio de leitura. Resumo de estudo — valores de referência variam entre laboratórios; confira o do seu serviço na prática.
01
Estrutura e função de proteínas
aminoácidos e ligações · quatro níveis de estrutura · enovelamento (Anfinsen) · mioglobina × hemoglobina · derivados da Hb · doenças de enovelamento
Aminoácidos
20
proteogênicos; 9 essenciais no adulto
Níveis de estrutura
4
primária → secundária → terciária → quaternária
Insulina
51 resíduos
cadeia A (21) + cadeia B (30) + peptídeo C
Vida da hemácia
~120 dias
janela que a HbA1c reflete
1. Aminoácidos: o alfabeto e as regras
Todos os 20 aminoácidos proteogênicos são L-alfa-aminoácidos e diferem pela cadeia lateral (grupo R), que define carga, polaridade e papel metabólico. No pH fisiológico, funcionam como zwitteríons; no ponto isoelétrico (pI) a carga líquida é zero — base da separação por eletroforese. Nove são essenciais (não sintetizados): His, Ile, Leu, Lys, Met, Phe, Thr, Trp e Val; Arg, Gln e Tyr são condicionais (necessários em situações de alta demanda).
2. Quatro níveis de estrutura — e o que a banca cobra em cada um
Nível
O que é
Interação dominante
Exemplo clínico
Primária
sequência de aminoácidos
ligação peptídica (covalente)
HbS: Glu6Val na beta-globina muda tudo a partir dela
Secundária
alfa-hélice e folha beta-pleated
pontes de hidrogênio do esqueleto
alfa-hélice da queratina; folhas beta da amiloide
Terciária
enovelamento 3D da cadeia única
hidrofóbicas, S-S, iônicas, van der Waals
insulina (2 pontes dissulfeto entre cadeias + 1 intracadeia)
Quaternária
montagem de subunidades
mesmas não covalentes entre cadeias
HbA (alfa2 beta2); HbS polimeriza entre tetrâmeros
3. Mioglobina × hemoglobina: o modelo de alosterismo que cai
A mioglobina é monômero de curva hiperbólica (armazém de O2 no músculo); a hemoglobina é tetrâmero alfa2 beta2 de curva SIGMOIDE, porque a ligação de cada O2 aumenta a afinidade das demais subunidades (transição do estado T, de baixa afinidade, para o R, de alta). Três moduladores fisiológicos agem estabilizando o estado T, ou seja, DIMINUINDO a afinidade para entregar O2 nos tecidos: H+ e CO2 (efeito Bohr), o 2,3-BPG (liga a Hb desoxigenada) e a temperatura. A HbF (alfa2 gama2) liga fracamente o 2,3-BPG e por isso tem afinidade maior por O2 — a adaptação que puxa O2 da mãe.
Derivado da hemoglobina
Mecanismo
Correlação clínica
HbA1c
glicação NÃO enzimática da valina N-terminal da cadeia beta
reflete a glicemia média de ~2–3 meses (vida da hemácia); meta geral < 7%
CarboxiHb
CO liga ~200–250× mais forte que O2 no mesmo sítio
intoxicação por monóxido: curva deslocada à esquerda, pele cereja pode faltar
MetHb
ferro oxidado de Fe2+ para Fe3+ (incapaz de ligar O2)
nitratos/dapsona/anilinas; azul de metileno reduz de volta
HbS
Glu6Val expõe patch hidrofóbico na beta
polimeriza quando desoxigenada → falcização e hemólise
4. Doenças de enovelamento: quando a proteína erra o caminho
HbS (Pauling, 1949 — a primeira “doença molecular” descrita): troca polar→hidrofóbico na superfície cria vala que aceita a Phe85/Leu88 de outra Hb desoxigenada; polimeriza, distorce a hemácia e vira o quadro clínico da anemia falciforme.
Amiloidoses: proteínas parcialmente desdobradas formam folhas beta cruzadas insolúveis — cadeias leves (AL, mieloma), TTR (senil e familiar), beta2-microglobulina (diálise).
Príons: PrPc se converte em PrSc (resistente a proteinase, autorreplicante) — Creutzfeldt-Jakob, kuru.
Fibrose cística: deltaF508 no CFTR trava o enovelamento no retículo endoplasmático; a proteína é degradada e nunca chega à membrana.
Deficiência de alfa1-antitripsina (variante Z): a antitripsina mal dobrada se agrega no hepatócito (cirrose) e não sai para o plasma (enfisema, piorado pelo cigarro).
Prognóstico e raciocínio final: em todas essas doenças o defeito primário é o mesmo — informação errada na sequência ou falha do ambiente de enovelamento — e a consequência muda conforme a função da proteína (transporte, sinalização, protease ou barreira). É a lógica que conecta este módulo a todos os outros: enzimas, receptores, canais e fatores de coagulação são proteínas.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioAdulto saudável passa 2 semanas adaptando-se à altitude de 3.500 m. Qual adaptação bioquímica do eritrócito favorece a liberação de oxigênio nos tecidos?
2.FundamentalNa anemia falciforme, a substituição Glu6Val na cadeia beta altera diretamente qual nível de estrutura da hemoglobina?
catálise e energia de ativação · Michaelis-Menten · tipos de inibição (tabela) · regulação alostérica, covalente e zimogênios · isoenzimas no diagnóstico · enzimas como alvo de fármacos
Km
[S] em ½Vmax
Km baixa = alta afinidade (no mesmo Vmax)
Competitivo
Km ↑ · Vmax =
superado pelo excesso de substrato
Não competitivo
Vmax ↓ · Km =
sítio alostérico; não é superado
CK-MB no IAM
4–6 h
sobe; pico ~24 h; normaliza em 48–72 h
1. Cinética de Michaelis-Menten
Para muitas enzimas, v = Vmax[S] / (Km + [S]): a velocidade cresce com o substrato até aproximar-se de Vmax (saturação), e Km é a concentração de substrato que metade saturada — logo, quanto MENOR a Km, MAIOR a afinidade pelo substrato. A glicoquinase hepática (Km alto, ~10 mM, sem inibição por glicose-6-P) e a hexoquinase da maioria dos tecidos (Km baixo, ~0,1 mM, inibida por glicose-6-P) mostram como a mesma química vira fisiologia diferente: o fígado só captura glicose quando ela está abundante, depois da refeição.
Inibição
Km
Vmax
Mecanismo e exemplos
Competitiva
aumenta (aparente)
inalterada
análogo disputa o sítio; superada por [S] alto — metotrexato na diidrofolato redutase, estatinas na HMG-CoA redutase
Não competitiva
inalterada
diminui
liga sítio alostérico de E e ES; metais pesados em enzimas com grupos SH
Incompetitiva
diminui
diminui
liga só o complexo ES (rara) — clássico: lítio sobre a inositol monofosfatase
Irreversível
—
cai progressivamente
covalente no sítio ativo: aspirina acetila a COX; omeprazol na H+/K+-ATPase; organofosforados na acetilcolinesterase
2. Regulação da atividade enzimática
Alostérica: moduladores mudam conformação e Vmax/afinidade (AMP ativa a PFK-1; ATP e citrato inibem).
Modificação covalente: fosforilação/desfosforilação por quinases e fosfatases — a PKA fosforila a glicogênio fosforilase (ativa) em segundos, no rastro do glucagon/adrenalina.
Zimogênios: sintetizados inativos e clivados onde agem — pepsinogênio, tripsinogênio, quimotripsinogênio, protrombina; protegem a célula que os produz.
Indução/repressão de síntese: mais lenta (horas a dias) — o etanol crônico induz a GGT; a insulina induz glicoquinase e enzimas lipogênicas.
Isoenzimas: mesma reação, isoformas tecido-específicas com genes distintos — a base diagnóstica a seguir.
3. Isoenzimas e enzimas séricas: o laboratório lendo o tecido
Enzima/isoenzima
Tecido de origem
Leitura clínica
CK-MM / CK-MB / CK-BB
músculo esquelético e cardíaco / miocárdio / SNC
CK-MB relativa alta aponta miocárdio; sobe 4–6 h, pico ~24 h, normaliza 48–72 h
LDH1 (H4) × LDH5 (M4)
coração × fígado/músculo
“flip” LDH1 > LDH2 após necrose miocárdica (história clássica, hoje trocada pela troponina)
Troponinas I/T (não são enzimas, mas o padrão atual)
miocárdio
4ª definição universal de IAM: elevação e/ou queda acima do 99º percentil + critério clínico; permanecem altas 7–14 dias
AST × ALT
fígado (AST também músculo/coração)
ALT mais específica do hepatócito; AST > ALT 2:1 sugere álcool
FA (ALP) + GGT
canalicular/óssea × hepática
FA e GGT juntas = origem hepática; FA isolada em crescimento/gestação/óssea; GGT sobe com etanol e indutores
Amilase e lipase
pâncreas
lipase mais específica e mais tardia na pancreatite aguda
4. Enzimas como alvo de fármacos — a farmacologia mora aqui
Estatinas: inibem competitivamente a HMG-CoA redutase, passo limitante da síntese de colesterol.
Metotrexato: análogo do folato que inibe competitivamente a diidrofolato redutase (DHFR), travando a síntese de timidilato em células em proliferação.
AINEs: inibem a COX (aspirina de modo irreversível por acetilação); o paracetamol age centralmente.
Alopurinol: análogo da hipoxantina; inibe a xantina oxidase e baixa o urato.
Inibidores da protease do HIV e IECA (cininase/metaloproteases do sistema RAA) completam a lista que mais cai.
Complicações do conceito na prática: a medida de enzima sérica só faz sentido porque a enzima escapando do tecido lesado é proporcional à necrose — e a cinética (janela de subida e queda) informa O MOMENTO do evento. É por isso que o protocolo moderno de IAM combina troponina de alta sensibilidade em algoritmos 0 h/1 h: a cinética substituiu a espera.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioPaciente em uso de metotrexato em altas doses. Em ensaio laboratorial com a diidrofolato redutase (DHFR) dele, qual achado cinético é esperado?
2.AvançadoHomem, 58 anos, teve IAM com supra de ST há 5 dias (troponina T ainda elevada: 900 ng/L). Chega agora com nova dor isquêmica prolongada de 3 h. Qual marcador melhor detecta a nova onda de necrose?
1. As três reações irreversíveis (e sua regulação)
Enzima
Reação
Regulação que cai
Hexoquinase / glicoquinase
glicose → glicose-6-P
hexoquinase: Km baixa, inibida por G6P; glicoquinase hepática: Km alta (~10 mM), induzida por insulina, NÃO é inibida por G6P
PFK-1 (passo limitante)
F6P → F1,6-BP
ativada por AMP, ADP e frutose-2,6-bisfosfato (o mais potente); inibida por ATP e citrato — o sensor energético da via
Piruvato quinase
PEP → piruvato
ativada por F1,6-BP (feed-forward); fosforilação pela PKA a inativa no jejum hepático
Destinos do piruvato: à piruvato desidrogenase (PDH), o piruvato vira acetil-CoA de forma IRREVERSÍVEL, com 5 cofatores — tiamina (B1), lipoato, CoA (ác. pantotênico/B5), FAD (B2) e NAD (B3). O arsênico inativa o lipoato e o beribéri (carência de B1) trava a PDH: piruvato e lactato se acumulam. O NADH citosólico da glicólise entra na mitocôndria pelos shuttles: o malato-aspartato rende ~2,5 ATP por NADH e o glicerol-3-fosfato (músculo/cérebro), ~1,5 — é a razão do intervalo 30–32 ATP para a glicose completa.
2. Via das pentoses fosfato (PPP): NADPH + ribose
Fase oxidativa (irreversível): glicose-6-P desidrogenase (G6PD, passo limitante) e 6-fosfogluconato desidrogenase produzem 2 NADPH, CO2 e ribulose-5-P.
Fase não oxidativa (reversível): transquetolases e transaldolases trocam carbonos e podem devolver F6P e gliceraldeído-3-P à glicólise — a via se ajusta à demanda de NADPH × ribose.
Usos do NADPH: síntese redutora (ácidos graxos, colesterol, hormônios esteroides), manutenção da glutationa reduzida, explosão respiratória do fagócito (NADPH oxidase — sua falha é a doença granulomatosa crônica) e monoxigenases do citocromo P450.
Transquetolase é a enzima dependente de tiamina (B1) da PPP — cobrada como marcador funcional do B1.
Complicações e correlações que fecham o módulo: deficiência de piruvato quinase é a segunda enzimopatia eritrocitária mais comum e causa anemia hemolítica crônica (a glicólise falha e o ATP da bomba Na+/K+ cai); a deficiência de G6PD se manifesta em episódios agudos com corpúsculos de Heinz; e a regulação da PFK-1 pelo F2,6-BP conecta este módulo à insulina e ao glucagon, no módulo 7.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalDurante um sprint, o AMP intramuscular sobe muito. Qual enzima da glicólise é diretamente ativada por esse sinal e qual seu papel na via?
2.IntermediárioHomem, 22 anos, descendente do Mediterrâneo, desenvolve icterícia e urina escura 48 h após iniciar primaquina para malária. Hemograma com anemia hemolítica e esfregação com corpúsculos de Heinz. O mecanismo da hemólise é:
balanço do ciclo · reações reguladas · caráter anfibólico e anaplerose · complexos I–IV e ATP sintase · inibidores e desacopladores · doenças mitocondriais
Por acetil-CoA
3 NADH · 1 FADH2 · 1 GTP
≅ 10 ATP por volta do ciclo
NADH → ATP
~2,5
FADH2 → ~1,5 (entra na ubiquinona)
Glicose completa
30–32 ATP
glicólise + PDH + 2 voltas de Krebs + OXPHOS
Palmitato completo
~106 ATP
8 acetil-CoA + 7 NADH + 7 FADH2 − 2 da ativação
1. As oito reações — marco as três reguladas
Passo
Enzima
Tipo de reação / renda
1
citrato sintase
condensação acetil-CoA + OAA → citrato; IRREVERSÍVEL, regulada pela disponibilidade de substratos
3
isocitrato desidrogenase
oxidação-descarboxilação → alfa-cetoglutararato + CO2 + NADH; PRINCIPAL ponto de controle: ADP e Ca2+ ativam; ATP e NADH inibem
4
alfa-cetoglutararato desidrogenase
oxidativa semelhante à PDH; MESMOS 5 cofatores (B1, lipoato, B5, B2, B3); regulada igual
6
succinato-CoA sintetase
gera o único GTP por volta (fosforilação ao nível do substrato)
8
malato desidrogenase
regenera o OAA + NADH, fechando o ciclo
2. Cadeia respiratória: onde o O2 realmente entra
Os complexos I (NADH desidrogenase) e II (succinato desidrogenase — a única enzima do Krebs ancorada na membrana) entregam elétrons à UBIQUINONA (CoQ); o complexo III os passa ao citocromo c e o complexo IV os entrega ao O2, que se reduz a H2O — o único aceptor final. Complexos I, III e IV bombeiam H+ para o espaço intermembranas; o gradiente eletroquímico resultante move H+ pela ATP sintase (F0 canal + F1 motor), condensando ADP + Pi em ATP — a hipótese quimiosmótica. NADH rende ~2,5 ATP e FADH2 ~1,5, porque o complexo II não bombeia H+.
Agente
Alvo
Consequência clínica
Rotenona, amobarbital
complexo I
bloqueia a entrada de elétrons do NADH; letal em altas doses
Malonato
complexo II
análogo do succinato (competitivo) — ferramenta didática
Antimicina A
complexo III
trava a transferência para o citocromo c
Cianeto, CO, H2S
complexo IV (citocromo a3)
hipóxia HISTOTÓXICA: O2 não é usado, lactato sobe, sangue venoso fica bem oxigenado
Oligomicina
ATP sintase (F0)
sem síntese de ATP; gradiente satura e a cadeia para
Desacopladores (DNP, termogenina/UCP-1)
membrana interna
H+ volta SEM sintetizar ATP → calor (gordura marrom do recém-nascido; DNP é tóxico)
Atractilosídeo
translocador ADP/ATP
ADP não entra, ATP não sai — trava o intercâmbio
3. Doenças mitocondriais: herança materna e heteroplasmia
Herança exclusivamente MATERNA: todas as células têm mitocôndrias da mãe; o pai não transmite (o espermatozoide contribui quase só com o núcleo).
Heteroplasmia: cada célula tem uma mistura de mtDNA normal e mutado; a doença aparece quando a carga mutante supera um limiar tecido-específico — dois irmãos podem ter gravidade diferente.
MELAS (m.3243, tRNA-Leu): encefalomiopatia com episódios stroke-like, acidose láctica e mitocôndrias anormais (fibra vermelha rasgada na biópsia).
LHON (ND4, com frequência homoplástico): neuropatia óptica bilateral aguda em adultos jovens, predominante em homens, com penetrância incompleta.
Tecidos mais afetados: os de maior demanda energética — cérebro, músculo, retina, coração e rim.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioTrabalhador resgatado de incêndio industrial apresenta coma, acidose metabólica com lactato de 12 mmol/L e gasometria venosa com saturação de O2 inesperadamente alta. O alvo bioquímico do tóxico é:
2.AvançadoMulher com MELAS confirmado (mutação m.3243) pergunta sobre o risco de transmissão. Qual afirmação é correta?
digestão e quilomícrons · β-oxidação e sua regulação · corpos cetônicos · lipoproteínas e apolipoproteínas · hipercolesterolemia familiar
Densidade energética
9 kcal/g
versus 4 kcal/g de glicídios/proteínas; estoque anidro
Palmitato (C16)
~106 ATP
7 voltas de β-oxidação + 8 acetil-CoA no Krebs − 2 da ativação
Corpos cetônicos
3
acetoacetato · beta-hidroxibutirato (principal na CAD) · acetona
LDL que suspeita de DHF
≥ 190 mg/dL
heterozigoto ~1:250 — monogênica mais comum
1. Digestão, absorção e a rodovia dos quilomícrons
Sais biliares emulsificam; a lipase pancreática (com colipase) hidrolisa os TAG da dieta em 2-monoacilglicerol e ácidos graxos; os produtos viajam em MICELAS até o enterócito, são re-ésterificados e embalados em QUILOMICRONS com apoB-48, lançados na LINFA (não na veia porta). Na circulação, a lipoproteína lipase (LPL) do endotélio — ativada pela apoC-II — hidrolisa os TAG para os tecidos; o remanescente volta ao fígado pela apoE. É o caminho exógeno dos lipídeos.
2. β-oxidação: ativação, transporte (carnitina) e a espiral
Ativação: acil-CoA sintetase consome ATP → AMP (2 equivalentes de alta energia).
Transporte: a CPT-1 (face externa da membrana mitocondrial) troca acil-CoA por carnitina — e é AQUI que a via é regulada: o MALONIL-CoA (sinal do estado alimentado, produzido pela acetil-CoA carboxilase insulino-estimulada) INIBE a CPT-1 e trava a oxidação quando se está sintetizando ácido graxo.
Espiral: 4 reações por volta (oxidação FAD → hidratação → oxidação NAD+ → tiólise) cortam 2 carbonos e liberam 1 acetil-CoA; C16 palmitato = 7 voltas → 8 acetil-CoA + 7 FADH2 + 7 NADH − 2 da ativação ≈ 106 ATP.
Cadeias muito longas entram pelo sistema da carnitina ou são primeiro peroxissomais (Zellweger, X-ALD).
3. Corpos cetônicos: o combustível do jejum que o fígado produz mas não usa
No jejum prolongado, o glucagon hepático induz a HMG-CoA sintase MITOCONDRIAL e o acetil-CoA da β-oxidação vira acetoacetato e beta-hidroxibutirato (o acetona se perde pela respiração e dá o hálito característico). O fígado produz mas NÃO CONSOME cetonas: lhe falta a tiophorase (succinil-CoA:3-cetoácido CoA transferase). Músculo, coração e rim usam-nas desde o início; o cérebro, após alguns dias de adaptação, passa a cobrir a maior parte de sua energia delas — poupando proteína muscular. Na carência absoluta de insulina (CAD), a cetogênese é descontrolada e cetonas acidificam: acidose metabólica com anion gap elevado e beta-hidroxibutirato dominante.
4. Lipoproteínas: o mapa que organiza a dislipidemia
Lipoproteína
Carga principal
Apo principal
Destino/defeito
Quilomícron
TAG da dieta
B-48 (intestino)
LPL/apoC-II: defeito → hiperquilomicronemia com pancreatite e xantomas eruptivos
VLDL
TAG hepático endógeno
B-100
sobre-produzida na resistência insulínica/esteatose
ABCA1 defeituoso = doença de Tangier (tonsilas laranja)
A hipercolesterolemia familiar heterozigótica (~1:250, a monogenia mais comum) dá LDL ≥ 190 mg/dL, xantomas TENDÍNEOS e arco corneano antes dos 45 anos, com história familiar de doença coronariana precoce; o homozigoto ultrapassa 500 mg/dL com xantomas cutâneos na infância e doença aterosclerótica acelerada. O tratamento explora a bioquímica: estatinas inibem a HMG-CoA redutase e aumentam a expressão do receptor LDL; ezetimiba trava a absorção (NPC1L1); inibidores da PCSK9 preservam os receptores. Nas formas homozigotas somam-se aférese de LDL e, mais recentemente, inibição da ANGPTL3 (evinacumabe).
Complicações que fecham o raciocínio: o excesso crônico de lipídeos na célula (fígado, músculo) gera lipotoxicidade — intermediários como diacilglicerol ativam quinases C e iniciam a resistência à insulina, tema do módulo 7; e a cetogênese descontrolada da CAD é a complicação aguda do defeito hormonal.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioAdolescente, 15 anos, LDL 340 mg/dL, xantomas nos tendões de Aquiles e tio com IAM aos 38 anos. O defeito molecular mais provável:
2.IntermediárioLactente de 14 meses, previamente sadio, apresenta vômitos e letargia após um resfriado com recusa alimentar de 12 h: glicose 38 mg/dL, cetonas ausentes, gasometria sem acidose significativa, urina com ácidos dicarboxílicos e perfil de acilcarnitinas com excesso de cadeia média. O diagnóstico é:
transaminação e transporte do nitrogênio · as 5 enzimas do ciclo · hiperamonemia e defeitos do ciclo · aminoacidopatias clássicas (tabela diferencial)
Custo da ureia
3 ATP
4 ligações de alta energia por molécula
Nitrogênios da ureia
2
um do amônia (CPS1), outro do aspartato (ASS)
Passos mitocondriais
2
CPS1 e OTC — os primeiros do ciclo
OTC
X-linked
o único do ciclo ligado ao X
1. Como o nitrogênio viaja (e não envenena)
A amônia é tóxica, sobretudo ao SNC, e viaja bloqueada: TRANSAMINAÇÃO (ALT: alanina + alfa-cetoglutararato ↔ piruvato + glutamato; AST: aspartato + alfa-cetoglutararato ↔ oxaloacetato + glutamato — ambas com piridoxal fosfato, B6) move o amino entre aminoácidos e alfa-cetoácidos; a DESAMINAÇÃO OXIDATIVA do glutamato (glutamato desidrogenase) libera NH4+ no fígado. No cérebro e músculo, o excesso é fixado em GLUTAMINA (glutamina sintetase) — e o músculo exporta nitrogênio ao fígado como ALANINA, no ciclo glicose-alanina, que ao mesmo tempo leva carbono para a gliconeogênese.
2. O ciclo da ureia: cinco enzimas, uma lógica
MITOCÔNDRIA: CPS1 fixa NH4+ + CO2 em carbamoil-fosfato (2 ATP) — ativada alostericamente pelo N-acetilglutamato (NAG), produzido quando há acetil-CoA + glutamato em excesso (o sinal “aminoácidos sobrando”).
MITOCÔNDRIA: OTC une carbamoil-fosfato + ornitina → citrulina, que sai para o citosol.
CITOSOL: argininosuccinato sintetase (ASS) soma o ASPARTATO (segundo nitrogênio da ureia) com gasto de 1 ATP → argininosuccinato.
CITOSOL: argininosuccinato liase (ASL) divide em fumarato (que vai ao Krebs — a conexão dos dois ciclos) e arginina.
CITOSOL: ARGINASE hidrolisa a arginina → ureia (2 N) + ornitina, que reentra na mitocôndria.
Defeito
Marcador bioquímico
Nota de prova
NAGS / CPS1
hiperamonemia, citrulina BAIXA, sem ácido orótico
carbamoi fosfato nunca se forma
OTC (X-linked)
hiperamonemia + acidúria orótica ALTA + citrulina baixa
o carbamoil acumulado vira pirimidinas — meninos graves, heterozigotas variáveis
Citrulinemia (ASS)
citrulina ALTA
assintomático até descompensar
Argininosuccinúria (ASL)
argininosuccinato na urina
quadro também com tricorrexe nodosa
Argininase
arginina alta
o mais brando: espasticidade, sem crises de hiperamonemia grave
3. Aminoacidopatias: a tabela diferencial que decide a questão
Doença
Enzima defeituosa
Assinatura clínico-laboratorial
Fenilcetonúria
fenilalanina hidroxilase (98%) ou BH4 (2%)
odor de mouse/mofo, pele e cabelo claros, deficiência intelectual; Phe alta, Tyr baixa — TIROSINA vira essencial; evitar aspartame; dieta restrita em Phe + suplemento de Tyr; sapropterina nos responsivos a BH4
Doença da urina de xarope de bordo
alfa-cetoácido desidrogenase de cadeias ramificadas (dependente de B1)
cetoacidose neonatal com odor de xarope, leucina neurotóxica; dieta restrita em aminoácidos ramificados
Homocistinúria
cistationina beta-sintase
lente deslocada para BAIXO, hábito marfanoide, trombose venosa arterial precoce, osteoporose; homocisteína alta, metionina alta, cisteína baixa; tratar com B6 (parte responde), B12, folato e restrição de metionina
Alcaptonúria
homogentisato 1,2-dioxigenase
urina que escurece exposta ao ar, ocronose (escleras/cartilagem), artropatia; benigna, tratamento de suporte
Albinismo oculocutâneo
tirosinase
sem melamina a partir da tirosina; hipopigmentação, nistagmo
Cistinúria / Hartnup
transportadores renais/intestinais
cistinúria: cálculos radiopacos HEXAGONAIS (cistina, ornitina, arginina, lisina — o quarteto “COAL”); Hartnup: má absorção de aminoácidos neutros, deficiência de niacina = pelagra
Prognóstico: o desfecho neurológico dos defeitos do ciclo depende da rapidez do diagnóstico e do controle crônico da amônia (dieta, arginina/phenilbutirato, transplante hepático nas graves); a fenilcetonúria diagnosticada na triagem neonatal e tratada na primeira semana permite desenvolvimento normal — é o argumento bioquímico do teste do pezinho.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.AvançadoRN do sexo masculino, 3º dia de vida, iniciou vômitos e letargia após o leite; evoluindo com convulsões. Amônia 780 micromol/L, gasometria com alcalose respiratória, cetonas baixas, citrulina plasmática muito baixa e ácido orótico urinário muito elevado. O defeito enzimático é:
2.FundamentalCriança com fenilcetonúria diagnosticada pelo teste do pezinho iniciou dieta restrita em fenilalanina. Qual aminoácido deve ser SUPLEMENTADO por se tornar essencial nessa doença?
glicogenólise, gliconeogênese, cetogênese (PKA fosforila e ativa a fosforilase)
Músculo
capta glicose via GLUT4, sintetiza glicogênio e proteína
exporta alanina e glutamina; queima ácidos graxos e cetonas (glicogênio é local)
Tecido adiposo
LPL capta TAG; lipogênese (glicerol-3-P da glicólise)
lipase hormônio-sensível fosforilada pela PKA → ácidos graxos livres
Cérebro
glicose (~120 g/dia)
glicose + cetonas crescentes (após adaptação, ~2/3 da energia)
Hemácia
glicólise + PPP (sem mitocôndria — sempre)
idem: glicose OBRIGATÓRIA (não usa cetonas nem ácidos graxos)
1. Insulina: síntese, secreção e sinalização
Síntese: pré-pró-insulina → pró-insulina no ER → peptídeo C clivado + insulina (cadeias A e B ligadas por 2 pontes dissulfeto) nos grânulos da célula beta. Insulina e peptídeo C são secretados EQUIMOLECULARMENTE — o peptídeo C marcador de secreção endógena no paciente em uso de insulina exógena.
Gatilho da secreção: glicose entra pelo GLUT2 (Km alta) → metabolizada → ATP fecha o canal KATP (Kir6.2 poro + SUR1 regulatório) → despolarização → influxo de Ca2+ → exocitose. Sulfonilureias FECHAM o KATP diretamente (tratamento); diazóxido o abre (hipoglicemia).
Sinalização: receptor tirosina quinase → autofosforilação → IRS-1 → PI3K → Akt → translocação do GLUT4 (músculo e adiposo) e síntese proteica/glicogênio; a via MAP-quinase cobre crescimento.
Resistência insulínica: o acúmulo ectópico de lipídio (diacilglicerol → PKC) no músculo e fígado, junto da inflamação adiposa, desacopla receptor-Akt — a célula fica com o receptor ocupado e o GLUT4 fora da membrana (Petersen e Shulman, Physiol Rev 2018).
2. Glucagon e incretinas
Glucagon (29 aminoácidos, célula alfa) age por receptor acoplado a Gs → cAMP → PKA: fosforila e ATIVA a glicogênio fosforilase, INDUZ enzimas gliconeogênicas (PEP carboxiquinase, glicose-6-fosfatase) e da cetogênese (HMG-CoA sintase mitocondrial), e desfosforila/inativa as lipogênicas. As INCRETINAS amplificam a resposta à ingestão: o GIP (células K duodenais) e o GLP-1 (células L ileais/colônicas) aumentam a insulina glucose-dependentemente, e o GLP-1 ainda freia o glucagon e retarda o esvaziamento gástrico — a base dos agonistas de GLP-1 e dos inibidores da DPP-4 que os degradam.
3. Cetoacidose diabética: a falha hormonal que vira acidose
Na deficiência absoluta de insulina (DM1, ou DM2 descompensado por estresse), o glucagon domina: lipólise máxima → acetil-CoA hepático em excesso → cetogênese descontrolada. A tríade é hiperglicemia (> 250 mg/dL), cetonas (beta-hidroxibutirato dominante) e acidose metabólica com anion gap elevado (pH < 7,30, HCO3 < 18). O potássio SERICO pode estar alto com DEPLEÇÃO corporal total (acidose troca H+ por K+ intracelular) — repor K com insulinização é passo que salva; fluidos, insulina IV contínua e correção do gatilho (infecção, adesão) são os pilares (Kitabchi, Diabetes Care 2009). O mesmo motor explica o hálito cetônico (acetona) e a respiração de Kussmaul.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.AvançadoLactente de 4 meses com diabetes neonatal permanente por mutação ativadora em Kir6.2 (canal KATP), em uso de insulina NPH. Qual a estratégia terapêutica com melhor evidência para a mutação dela?
2.IntermediárioVoluntário sadio permanece 30 horas em jejum absoluto, apenas água. Qual a principal fonte da glicose que mantém sua glicemia nesse momento?
nitisinona (NTBC, bloqueia upstream) + dieta pobre em Tyr/Phe; transplante nas refratárias
Triagem neonatal: o teste do pezinho (sangue em papel-filtro, idealmente 48–72 h de vida) universaliza no Brasil, pela Lei 14.154/2021, seis doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, hemoglobinopatias (inclusive falciforme), hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase — o “pézinho ampliado”; o “expandido/completo” adiciona dezenas (por ex.: galactosemia, MCAD pela acilcarnitina C8, imunodeficiências) conforme o serviço. O princípio é o deste resumo inteiro: cada doença tem janela em que o tratamento dietético ou de reposição muda o desfecho neurológico definitivamente.
3. Hemostasia: do tampão plaquetário à lise
Hemostasia PRIMÁRIA: lesão expõe colágeno → o fator de von Willebrand (vWF) liga o colágeno e o receptor plaquetário GPIb (adesão) → ativação (TXA2 da COX-1, ADP) → agregação pelo GPIIb/IIIa com fibrinogênio — o tampão, frágil e revertível pela prostaciclina endotelial. Hemostasia SECUNDÁRIA: o modelo celular em três tempos (Hoffman e Monroe, 2001) substituiu a cascata rígida — INICIAÇÃO pelo complexo fator tecidual + VIIa na célula portadora de FT (pequenas quantidades de trombina), AMPLIFICAÇÃO pela ativação de plaquetas, XI, VIII e V pela trombina gerada, e PROPAGAÇÃO na superfície plaquetária com IXa-VIIIa e Xa-Va até o BURST de trombina que converte fibrinogênio em fibrina e ativa o XIII (reticulação). O fator XII inicia a via de CONTATO in vitro (TTPa) mas não sangra quando falta — por isso o TTPa alto sem sangramento sugere anticoagulante lúpico.
Fármaco/intervenção
Alvo bioquímico
Monitorização
Varfarina
inibe a epóxido redutase da vitamina K (VKORC1): fatores II, VII, IX, X, C e S ficam sem gamma-carboxilação
TP/INR — o FVII (meia-vida mais curta) cai primeiro
Heparina não fracionada
potencializa a antitrombina contra IIa e Xa
TTPa
Heparinas de baixo peso molecular
predomínio anti-Xa
anti-Xa em selecionados
Ácido acetilsalicílico
acetila irreversivelmente a COX-1 plaquetária → sem TXA2
sem monitorização de rotina
Clopidogrel
bloqueia o receptor P2Y12 do ADP
sem monitorização de rotina
Desmopressina (DDAVP)
libera vWF e FVIII do endotélio
útil na doença de von Willebrand tipo 1 e hemofilia leve
Fluxo de leitura do painel de coagulação
Paciente com sangramento — como ler TP e TTPa?
▼
TP alto · TTPa normal
Via extrínseca: deficiência inicial de vitamina K (FVII cai primeiro), varfarina, hepatopatia inicial.
TTPa alto · TP normal
Via intrínseca: hemofilia A (VIII) ou B (IX), doença de von Willebrand, heparina, anticoagulante lúpico (trombose, não sangramento).
Hemostasia primária: trombocitopenia, urêmia, AINEs, defeito do fator XIII (raríssimo; cordão umbilical e cicatrizes).
Complicações e prognóstico: nas IEM, o desfecho depende do grupo (intoxicação responde a dieta/desintoxicação; energia é mais difícil e pode exigir suporte de órgão e transplante); na hemostasia, o padrão do painel + contagem plaquetária + D-dímero antecipa desde a hemofilia (hemartrose, TTPa alto) até a CIVD da sepse (consumo global) — e é a ponte para as matérias clínicas do ciclo posterior.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioRN de 5 dias, alimentação com leite materno exclusivo desde o nascimento, apresenta vômitos, icterícia, hepatomegalia e quadro séptico — hemocultura positiva para E. coli. Exames: galactose urinária positiva e cataratas à lâmpada de fenda. O defeito e a conduta dietética:
2.FundamentalMenino de 3 anos com hemartroses de repetição no joelho. Exames: TTPa prolongado, TP normal, plaquetas e tempo de sangramento normais; a correção do TTPa ocorre com plasma normal e com fator VIII. O diagnóstico é:
Enzima NÃO altera ΔG, equilíbrio nem espontaneidade — só a velocidade; e competitivo sobe a Km sem tocar o Vmax.
Curva de Hb: H+, CO2, 2,3-BPG e temperatura deslocam para a DIREITA (entregam O2); alcalose, CO, HbF e fetalizam para a esquerda.
HbA1c não é glicemia: é média de ~3 meses pela vida da hemácia (120 dias).
Warburg é glicólise aeróbica por vantagem biossintética — não é hipóxia do tumor.
Acetil-CoA de ácido graxo NÃO vira glicose: PDH é irreversível; exceção dos ácidos graxos de cadeia ímpar (propionil-CoA).
O fígado produz cetonas mas não as consome (sem tiophorase); o músculo não exporta glicose (sem G6Pase); a hemácia não usa cetonas (sem mitocôndria).
Ácido orótico alto com hiperamonemia = OTC; com anemia megaloblástica refratária e amônia normal = UMPS.
Na PKU a TIROSINA vira essencial — a dieta restringe fenilalanina (e proíbe aspartame) e suplementa tirosina.
Homocistinúria: cristalino desloca para BAIXO e tromba (Marfan desloca para cima e não tromba).
Varfarina/vitamina K: o TP sobe antes do TTPa (FVII, meia-vida curta) — e a proteína C cai antes, explicando a necrose cutânea inicial.
Deficiência de FXII alonga o TTPa sem sangramento; lúpico idem — e predispõe a trombose.
Diabetes neonatal por Kir6.2 troca insulina por SULFONILUREIA oral (fecha o KATP por via independente do ATP).
Informações que não podem ser esquecidas
Toda via tem um passo limitante que a hormônio/regulador controla: PFK-1 na glicólise, G6PD na PPP, CPS1 na ureia, CPT-1 na β-oxidação, HMG-CoA redutase no colesterol.
Todo cofator deficiente trava sua via: B1 (PDH, alfa-KG DH, transquetolase), B6 (transaminases), biotina (piruvato carboxilase), B12 (metilmalonil-CoA mutase).
Toda medicação clássica tem enzima-alvo: estatina-HMG-CoA redutase, metotrexato-DHFR, AINE-COX, alopurinol-xantina oxidase, omeprazol-H+/K+-ATPase, varfarina-VKORC1.
RN que piora com leite e melhora sem: galactosemia; com proteína e hiperamonemia: ciclo da ureia; com doce na desmama: frutose.
Todo painel de coagulação se lê em trio com plaquetas e D-dímero — o padrão decide entre hemofilia, vitamina K, CIVD e hepatopatia.
Hipóxia histotóxica (cianeto) tem O2 venoso alto e lactato alto — o oposto do choque hemorrágico.
Herança mitocondrial: TODOS os filhos da mãe, gravidade variável pela heteroplasmia; pai não transmite.
Cetose de jejum é fisiológica; a da CAD é insulinopênica: mesma bioquímica, gravidades diferentes.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
RN com hiperamonemia + acidúria orótica + citrulina baixa
Ornitina transcarbamilase (X-linked)
Hemólise 48 h após primaquina com corpúsculos de Heinz
Deficiência de G6PD
Hipoglicemia SEM cetose após jejum intercorrente em lactente
MCAD (β-oxidação)
Coma com lactato alto e saturação venosa de O2 alta
Intoxicação por cianeto (complexo IV)
LDL ≥ 190 + xantoma tendíneo + IAM familiar precoce
Hipercolesterolemia familiar (receptor LDL)
Hemartrose com TTPa alto e TP normal
Hemofilia A (fator VIII)
Lente deslocada para baixo + trombose precoce
Homocistinúria (cistationina beta-sintase)
Odor de xarope de bordo + cetoacidose neonatal
Doença da urina de xarope de bordo
Cegueira óptica bilateral em adulto jovem com mutação mtDNA
LHON (herança materna)
Sépsis por E. coli + catarata + galactosúria no RN
Galactosemia (GALT)
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.FundamentalA hemoglobina glicada (HbA1c) reflete a média glicêmica de aproximadamente quanto tempo e por qual mecanismo?
2.IntermediárioO mecanismo de ação das estatinas na redução do colesterol é:
3.IntermediárioLinhagem tumoral incubada com glicose marcada em presença de O2 abundante converte a maior parte do carbono em lactato. Qual a interpretação bioquímica correta?
4.IntermediárioSe os intermediários do ciclo de Krebs são continuamente desviados para a síntese de ácidos graxos e do heme, qual reação repõe o ciclo e qual seu cofator?
5.AvançadoNo jejum prolongado de semanas, qual tecido NÃO pode utilizar corpos cetônicos como combustível significativo?
6.IntermediárioAdolescente alto e magro, com deformidade torácica, cristalino deslocado para BAIXO à biomicroscopia e história de trombose venosa profunda aos 16 anos. O defeito mais provável e o tratamento de primeira linha:
7.IntermediárioA translocação do transportador GLUT4 para a membrana do músculo esquelético após a ligação da insulina ao seu receptor depende principalmente da cascata:
8.Prova difícilPaciente com fibrilação atrial inicia varfarina. Nos primeiros dias, qual alteração de coagulação é esperada e por quê?
Gabarito rápido
1-B · 2-A · 3-B · 4-A · 5-D · 6-A · 7-A · 8-A
Referencial teórico
17 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoAnfinsen CB. Principles that govern the folding of protein chains. Science. 1973;181(4096):223–230.doi.org/10.1126/science.181.4096.223
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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