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Ciências Básicas
Princípios físicos aplicados ao organismo: membranas, difusão, osmose e transporte de gases, com aplicação na gasometria, na imagem e na terapia.
Baseado nos artigos publicados da matéria Biofísica da Central de Estudos (fonte principal) e em revisões de periódicos com DOI verificado — Advances in Physiology Education, Physiological Reviews, Neuron, Nature Reviews Neuroscience, Annual Review of Neuroscience, Radiology, RadioGraphics, NEJM, JAMA e diretrizes KDIGO 2024, Berlin 2012 e ICRP 103. Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
mosaico fluido · difusão e lei de Fick · transporte ativo primário e secundário · Na⁺/K⁺-ATPase · osmolaridade × tonicidade · edema · diuréticos · hiponatremia
A membrana plasmática é uma bicamada lipídica de 7–10 nm com proteínas embutidas que se movem lateralmente — o modelo do mosaico fluido (Singer e Nicolson, Science, 1972). Lipídios e moléculas pequenas apolares (O₂, CO₂, N₂, álcoois, esteroides) atravessam por difusão simples; íons e solutos polares (glicose, aminoácidos) SÓ cruzam por proteínas de membrana — canais, transportadores ou bombas. Essa seletividade transforma a membrana em uma interface elétrica e química ativa, não uma parede passiva.
| Mecanismo | Exemplo | Energia | Nota de prova |
|---|---|---|---|
| Difusão simples | O₂ e CO₂ entre alvéolo e sangue | gradiente químico | sem proteína; segue Fick |
| Difusão facilitada | glicose via GLUT4 (insulino-dependente) | gradiente químico | saturável (Vmax) e específica — não é simples difusão |
| Canal iônico | canal de K⁺ de vazamento; canal de Na⁺ de voltagem | gradiente eletroquímico | ultrarrápido (10⁶–10⁸ íons/s); aberto por voltagem, ligante ou tração |
| Ativo primário | Na⁺/K⁺-ATPase: 3 Na⁺ para fora × 2 K⁺ para dentro por ATP | ATP | mantém TODOS os gradientes; alvo da digoxina |
| Ativo secundário (simporte) | SGLT1/SGLT2 (Na⁺ + glicose); NKCC2 na alça de Henle | gradiente de Na⁺ | carona no gradiente criado pela bomba; alvo de gilflozinas e furosemida |
| Ativo secundário (antiporte) | Na⁺/H⁺; Na⁺/Ca²⁺ | gradiente de Na⁺ | base das trocas iônicas nas células tubulares e cardíacas |
| Osmose | água por aquaporinas | gradiente de osmoles efetivos | segue osmoles que NÃO cruzam a membrana (Na⁺, manitol) |
A Na⁺/K⁺-ATPase consome uma fração grande do metabolismo basal celular (≈ 20% no encéfalo) para manter o Na⁺ extracelular em ~142 mEq/L e o intracelular em ~14, e o K⁺ inversamente (140 dentro × 4 fora). A digoxina inibe a bomba, aumenta indiretamente o Ca²⁺ intracelular do cardiomiócito e daí vem o efeito inotrópico positivo — farmacologia aplicada direto ao transportador.
Osmose é o fluxo de água através de membrana semipermeável do meio com menor para o de maior concentração de osmoles EFETIVOS (os que não atravessam a membrana). Osmolalidade sérica normal: 275–295 mOsm/kg, estimada por 2×Na⁺ + glicose/18 + ureia/6 (mg/dL). Tonicidade considera apenas os osmoles efetivos: ureia e etanol cruzam a membrana e sobem a osmolalidade SEM gerar deslocamento de água — são osmoles ineficazes. Ureia alta = osmolalidade alta com tonicidade normal.
| Solução | Osmolaridade (mOsm/L) | Tonicidade efetiva | Uso |
|---|---|---|---|
| NaCl 0,9% | 308 | isotônica | reposição volêmica; não fornece água livre |
| Ringer lactato | 273 | levemente hipotônica | reposição perioperatória |
| Glicose 5% | 278 | isotônica na infusão → HIPOTÔNICA após metabolizar a glicose | fornece água livre — hiponatremia dilucional se usada sem controle |
| NaCl 3% | ≈ 1.026 | hipertônica | hiponatremia sintomática |
| Manitol 20% | ≈ 1.100 | hipertônica | osmoterapia cerebral; diurético osmótico |
No capilar, a água sai empurrada pela pressão hidrostática e retorna retida pela pressão oncótica (albumina). O edema aparece quando uma força se desvia: hidrostática alta (insuficiência cardíaca, trombose venosa, retenção de sódio), oncótica baixa (síndrome nefrótica, cirrose, desnutrição), permeabilidade aumentada (queimadura, sepse, angioedema) ou obstrução linfática (filariose, pós-mastectomia). O interstício tem fatores de segurança (drenagem linfática e complacência) que absorvem acúmulo de ~2–3 L antes de o edema ficar visível — por isso o ganho de peso precede o edema palpável na descompensação cardíaca. A regulação local do líquido intersticial é revisão clássica do Physiological Reviews (Aukland e Nicolaysen, 1981).
| Classe | Alvo molecular | Efeito/efeito adverso |
|---|---|---|
| Osmótico (manitol 20%, 0,25–1 g/kg IV) | osmole não reabsorvido no túbulo | diurese osmótica + extração de água cerebral; contraindicado se anúria |
| De alça (furosemida 20–40 mg VO/IV) | cotransportador NKCC2 (alça de Henle) | mais potente; ototoxicidade e depleção de K⁺ |
| Tiazídico (hidroclorotiazida 25 mg/dia) | cotransportador NCC (túbulo distal) | hipocalemia; é o diurético que MAIS causa hiponatremia |
| Poupador de K⁺ (espironolactona 25 mg/dia; amilorida) | receptor mineralocorticoide; ENaC | hipercalemia — monitorar K⁺ e creatinina |
Na⁺ < 135 mEq/L. Sintomas (náusea, cefaleia, letargia) e risco de convulsão aumentam abaixo de 120. Classifique sempre em dois eixos: osmolalidade sérica (hipotônica na imensa maioria) e estado volêmico. Na hiponatremia hipotônica euvolêmica com Na⁺ urinário > 30 mEq/L e osmolalidade urinária > 100 mOsm/kg, o diagnóstico é SIADH. Correção: o incremento máximo seguro é ≤ 8 mEq/L em 24 h — correção mais rápida desencadeia desmielinização osmótica. Na hiponatremia GRAVEMENTE sintomática (convulsão), a meta imediata é elevar 4–6 mEq/L nas primeiras horas com NaCl 3% (a diretriz europeia permite bolus de 150 mL), interrompendo os sintomas sem ultrapassar o limite diário.
1.IntermediárioHomem, 60 anos, com hipertensão intracraniana por trauma, recebe manitol 20% IV. O mecanismo da diurese osmótica é:
2.Prova difícilMulher, 67 anos, 5º dia de pós-operatório, mantida com glicose 5%; Na⁺ 112 mEq/L, osmolalidade sérica 236 mOsm/kg, Na⁺ urinário 45 mEq/L, osmolalidade urinária 320 mOsm/kg, euvolêmica, sem edema. Há 30 minutos apresentou convulsão generalizada. Conduta:
na centralBiofísica de Membranas: Transporte Celular, Alveolar e em Membranas Sintéticas →
Nernst e Goldman · geração do repouso (−70 mV) · fases do potencial de ação neuronal e cardíaco · limiar e refração · condução e mielina · hipercalemia e anestésicos locais
| Íon | Extracelular | Intracelular | Potencial de equilíbrio (37 °C) |
|---|---|---|---|
| Na⁺ | 142 mEq/L | ≈ 14 mEq/L | ≈ +60 mV |
| K⁺ | 4 mEq/L | ≈ 140 mEq/L | ≈ −90 mV |
| Cl⁻ | ≈ 103 mEq/L | variável (4–40) | tipicamente próximo do repouso |
| Ca²⁺ | 2,4 mmol/L | ≈ 0,0001 mmol/L | ≈ +125 mV |
A equação de Nernst dá o potencial de membrana no qual o fluxo líquido de um íon é zero: E = (61/z) × log([X]ext/[X]int) mV a 37 °C. O repouso de −70 mV NÃO é o E_K: fica ~20 mV ACIMA dele.
| Fase | Neurônio | Cardiomiócito ventricular |
|---|---|---|
| 0 — despolarização | entrada rápida de Na⁺ (canal de voltagem) | entrada rápida de Na⁺ |
| 1 — repolarização parcial | inativação do Na⁺ + saída de K⁺ | corrente de K⁺ transitória |
| 2 — platô | ausente (PA dura 1–2 ms) | ENTRADA DE Ca²⁺ (canal L) equilibrada com saída de K⁺ — 200–300 ms |
| 3 — repolarização | saída de K⁺ | saída dominante de K⁺ |
| 4 — repouso | −70 mV estável | estável no ventrículo; no nó sinusal, despolarização diastólica espontânea (canal I_f) |
Princípios do potencial de ação: lei do tudo-ou-nada (estímulo abaixo do limiar não dispara; acima dele o PA tem sempre a mesma amplitude — a intensidade é codificada pela FREQUÊNCIA de disparos, não pela altura); período refratário absoluto (canais de Na⁺ inativados — novo PA impossível) e relativo (disparo só com estímulo mais forte). A base quantitativa é o modelo de Hodgkin e Huxley (Journal of Physiology, 1952); a estrutura do canal de Na⁺ voltagem-dependente é revisada por Catterall (Neuron, 2000).
K⁺ extracelular alto torna o E_K menos negativo e despolariza o repouso. Inicialmente a célula fica MAIS próxima do limiar (irritabilidade, T apiculada no ECG); mas a despolarização sustentada mantém os canais de Na⁺ INATIVADOS — a excitabilidade cai (fraqueza muscular) e o QRS alarga. Sequência clássica do ECG: T apiculada → achatamento da P → alargamento do QRS → onda sinusoidal → parada. Tratamento da hipercalemia com alteração de ECG: gluconato de cálcio 10% IV (estabiliza a membrana, não abaixa o K⁺), insulina regular com glicose IV (desloca K⁺ para dentro das células) e diálise se refratária.
A lidocaína bloqueia o canal de Na⁺ voltagem-dependente por dentro do canal (a forma ionizada penetra pela face citoplasmática), com preferência pelos estados ABERTO e INATIVADO — por isso bloqueia mais os nervos que disparam repetidamente (bloqueio uso-dependente) e as fibras finas antes das grossas. Na hipocalcemia, a menor concentração de Ca²⁺ extracelular estabiliza menos a superfície da membrana, facilita a abertura dos canais de Na⁺ e aproxima o limiar do repouso: tetania (sinais de Chvostek e Trousseau). Na hipercalcemia, o contrário: excitabilidade deprimida, fraqueza e constipação.
1.FundamentalO principal determinante do potencial de repouso de −70 mV em um neurônio é:
2.AvançadoHomem, 54 anos, doença renal crônica avançada, com fraqueza progressiva; K⁺ 7,8 mEq/L; ECG com T apiculadas, P de baixa amplitude e QRS de 140 ms. A sequência fisiopatológica que explica o ECG é:
na centralPotencial de Repouso e Potencial de Ação: biofísica da membrana excitável →
junções comunicantes (conexinas) · acoplamento excitação–secreção · SNARE e Ca²⁺ · PPSE/PPSI e sumação · placa motora · miastenia × Lambert-Eaton × botulismo
Na sinapse elétrica, as membranas de duas células são unidas por canais de conexina — cada célula aporta 6 conexinas formando uma conexona, e as duas se alinham criando um poro de 1,5–2 nm que conecta os citoplasmas. Íons e pequenas moléculas (IP₃, cAMP, ATP) passam diretamente: a transmissão é praticamente instantânea, na maioria das vezes bidirecional e sem amplificação. É a base da contração sincronizada do miocárdio (os discos intercalares reúnem junções comunicantes), da sincronização de redes neuronais e do acoplamento metabólico entre astrócitos e neurônios (Pereda, Nature Reviews Neuroscience, 2014; Connors e Long, Annual Review of Neuroscience, 2004).
| Propriedade | Sinapse elétrica | Sinapse química |
|---|---|---|
| Velocidade | praticamente instantânea | atraso sináptico ≈ 0,5 ms |
| Direção | predominantemente bidirecional | unidirecional (pré → pós) |
| Amplificação | sem ganho — o que entra é o que passa | um terminal pode ativar milhares de pós-sinápticos |
| Plasticidade | limitada (modulada por pH, Ca²⁺, fosforilação) | base do aprendizado e da memória (LTP/LTD) |
| Função típica | sincronizar (miocárdio, redes neuronais) | processar, integrar, decidir (SNC, placa motora) |
| Alvo farmacológico | poucos fármacos | quase toda a neurofarmacologia |
Na junção neuromuscular, a acetilcolina abre o receptor nicotínico (canal catiônico ligado a ligante) e o potencial de placa motora ultrapassa o limiar com grande fator de segurança — um único potencial de ação pré-sináptico sempre contrai a fibra. A acetilcolinesterase na fenda encerra o sinal em milissegundos. Daí a farmacologia: piridostigmina e neostigmina inibem a acetilcolinesterase (miastenia, reversão de bloqueio competitivo); rocurônio e tubocurarina competem com a ACh no receptor nicotínico (bloqueio cirúrgico); a succinilcolina é agonista despolarizante (intubação de sequência rápida — cuidado com hipercalemia); a toxina botulínica impede a liberação de ACh (espasticidade, estrabismo, uso estético).
| Achado | Miastenia grave | Lambert-Eaton | Botulismo |
|---|---|---|---|
| Alvo | receptor de ACh pós-sináptico (anticorpo) | canal de Ca²⁺ P/Q pré-sináptico (anticorpo) | proteínas SNARE (clivagem pela toxina) |
| Padrão de fraqueza | ocular-bulbar; PIORA com o esforço repetido | proximal de membros; MELHORA com o esforço repetido (facilitação pós-tetânica) | paralisia descendente (crânio → membros) |
| Pupilas | normais | podem estar alteradas pela disautonomia | midriase fixa (bloqueio colinérgico periférico) |
| Reflexos | preservados | hipoativos | hipoativos |
| Associação | timoma (10–15%) | câncer de pulmão de pequenas células (fumante) | ferimento, mel e hortícolas caseiros, lactentes |
| Tratamento | piridostigmina 60 mg VO 3×/dia + imunossupressão/timectomia | tratar o tumor; 3,4-diaminopiridina | antitoxina + suporte ventilatório |
1.FundamentalNo terminal pré-sináptico, o evento que diretamente dispara a liberação de neurotransmissor por exocitose é:
2.AvançadoHomem, 62 anos, tabagista de 40 anos-maço, com fraqueza proximal de cinturas há 4 meses. Relata que ao levantar repetidamente da cadeira as primeiras repetições são difíceis e depois a força melhora por alguns segundos. Reflexos patelares hipoativos. A lesão e o mecanismo são:
na centralBiofísica da Sinapse: Potencial de Ação, Transmissão Elétrica e Química →
definição ΔV/ΔP · lei de Laplace e surfactante · curva pressão-volume e CRF · complacência alta × baixa · SDRN · ARDS e ventilação protetora (Berlin, ARDSNet, driving pressure)
Complacência é a distensibilidade do sistema respiratório: C = ΔV/ΔP, em mL/cmH₂O. A complacência combinada pulmão + parede torácica do adulto é ≈ 100 mL/cmH₂O (o pulmão isolado, ≈ 200; a parede isolada, ≈ 200 — combinadas em série, o resultado é menor que cada uma). Elastância é o inverso (E = 1/C): o recuo elástico que devolve o volume. O recuo pulmonar vem de duas fontes: as fibras de elastina e colágeno (tecido) e a tensão superficial da película líquida alveolar — esta responde pela maior parte do recuo elástico.
A curva pressão-volume pulmonar é sigmoide: no trecho íngreme (volumes médios) a complacência é máxima; nos extremos (volumes baixos com atelectasia, ou altos com hiperinsuflação) ela cai. A capacidade residual funcional é o ponto de equilíbrio entre o recuo elástico pulmonar (para dentro) e o recuo da parede torácica (para fora) — e a histerese (caminho de insuflação diferente do de desinsuflação) é marca registrada do surfactante. Ventilar no trecho íngreme é o objetivo: o PEEP mantém os alvéolos abertos acima do ponto de fechamento.
| Condição | Complacência | Mecanismo |
|---|---|---|
| Fibrose intersticial | diminuída | colágeno substitui o parênquima distensível |
| Enfisema | AUMENTADA | destruição de elastina — recuo menor (com aprisionamento aéreo) |
| ARDS / edema alveolar | diminuída | inativação de surfactante + preenchimento alveolar (pulmão “baby”) |
| SDRN do prematuro | diminuída | deficiência primária de surfactante |
| Obesidade, ascite, cifoescoliose | diminuída (parede) | carga externa sobre o sistema |
| Envelhecimento | levemente aumentada | degradação de elastina |
O trabalho por respiração soma o componente elástico (vencer a elastância — maior na fibrose e no volume corrente alto) e o resistivo (vencer a resistência das vias aéreas — maior na obstrução e nos fluxos altos). O padrão ventilatório se adapta à física: na restrição (complacência baixa) o paciente adota respiração RÁPIDA E SUPERFICIAL (menos trabalho elástico por ciclo); na obstrução, expiração prolongada — o franzir labial do DPOC é PEEP caseiro, evitando o colapso das vias na expiração. Músculos acessórios e respiração paradoxal marcam a falência do trabalho.
O surfactante amadurece por volta de 34–35 semanas de gestação; o prematuro abaixo disso tem complacência muito baixa, atelectasias difusas e raio-X com padrão de vidro fosco. Clínica nas primeiras minutos a horas: taquipneia, tiragem subcostal e intercostal, gemido (expiração contra a glote fechada = PEEP fisiológico) e cianose. Prevenção: corticoide antenatal para gestações de risco entre 24 e 34 semanas; tratamento: CPAP e surfactante exógeno. A relação lecitina/esfingomielina no líquido amniótico acima de 2 indica maturidade pulmonar.
Na definição de Berlin (JAMA, 2012), o ARDS exige: início dentro de 7 dias, opacidades bilaterais, quadro não totalmente explicado por insuficiência cardíaca e PaO₂/FiO₂ ≤ 300 com PEEP ≥ 5 cmH₂O — leve 201–300, moderada 101–200, grave ≤ 100. A hipoxemia do ARDS é por SHUNT (alvéolos preenchidos e colapsados), por isso responde mal ao oxigênio sozinho: recrutar alvéolo com PEEP é atuar diretamente na complacência. O ARDSNet (NEJM, 2000) mostrou que volume corrente de 6 mL/kg do peso previsto com pressão de platô ≤ 30 cmH₂O reduziu a mortalidade de 39,8% para 31,0% contra 12 mL/kg — a hiperdistensão (volutrauma) lesa mesmo com boa oxigenação. Amato e colaboradores (NEJM, 2015) mostraram que a driving pressure (Pplat − PEEP) é a variável mais associada à sobrevida: alvo ≤ 15 cmH₂O (revisão do mecanismo em Slutsky e Ranieri, NEJM, 2013).
1.IntermediárioRecém-nascido de 30 semanas, com desconforto respiratório desde a primeira hora, tiragem e gemido; raio-X com opacidades em vidro fosco. A base biofísica do quadro e a intervenção que a corrige diretamente são:
2.Prova difícilPaciente com ARDS em ventilação mecânica: VC 8 mL/kg do peso previsto, PEEP 12 cmH₂O, pressão de platô 28 cmH₂O, SpO₂ 90%. Qual o ajuste priorizado pela evidência?
na centralBiofísica Respiratória: Complacência, Elastância e Trabalho Ventilatório →
Q = ΔP/R · lei de Poiseuille (r⁴) · viscosidade · laminar × turbulento · Laplace do vaso e do ventrículo · choque · circulação fetal
Como a lei de Ohm (I = V/R), o fluxo sanguíneo em um vaso é Q = ΔP/R: a pressão que impulsiona dividida pela resistência. A pressão arterial média (≈ 70–100 mmHg; PAD + 1/3 da pressão de pulso) é o produto do débito cardíaco pelas resistências vasculares sistêmicas — por isso a hipotensão só tem três origens físicas: caiu a bomba (DC), caiu o volume (pré-carga/retorno) ou caiu a resistência (vasoplegia). Em série, as resistências se somam; em paralelo, se dividem (1/R total = Σ 1/Ri) — a rede capilar gigante em paralelo explica a resistência total baixa e a VELOCIDADE baixa no capilar, exatamente o que a troca de gases e nutrientes precisa (velocidade ∝ 1/área de secção total).
Para fluxo laminar em tubo retilíneo, Q = ΔP × πr⁴ / (8ηL) e R = 8ηL / (πr⁴). Consequências: dobrar o raio reduz a resistência a 1/16 (e multiplica o fluxo por 16, à mesma pressão); mesmo um vasodilatador discreto (raio +20%) quase dobra o fluxo local. Determinantes: o RAIO (arteriolar — controlado pelo tônus de músculo liso, o regulador fisiológico por excelência), a VISCOSIDADE (hematócrito: anemia reduz a viscosidade e facilita o fluxo; policitemia o opõe) e o COMPRIMENTO (fixo no adulto). A maior queda de pressão do circuito ocorre nas arteríolas — por isso são os vasos de resistência.
O fluxo laminar paralelo à parede gera força de cisalhamento que mantém o endotélio saudável (liberação de NO). Nas bifurcações e curvas, o fluxo perturbado (recirculação, cisalhamento oscilatório) ativa o fenótipo endotelial pró-inflamatório e aterogênico — é a razão física de as placas nascerem na bifurcação carotídea, na aorta abdominal e nas coronárias proximais (Chiu e Chien, Physiological Reviews, 2011). A mesma física orienta a leitura de estenoses: estreitar o lúmen à metade multiplica a resistência local por 16.
O número de Reynolds (Re ∝ ρvD/μ) prevê a turbulência: cresce com a velocidade e o diâmetro, e cai com a viscosidade. Por isso viram turbulentos (e audíveis): as estenoses valvares (velocidade alta no jato), a anemia grave (viscosidade baixa), os fluxos altos nos shunts e a insuficiência aórtica com pressão de pulso ampla. O sopro é a assinatura acústica da turbulência — o fluxo laminar é silencioso. A turbulência também ativa plaquetas e favorece trombose em aneurismas e áreas de estase.
A tensão de parede segue a lei de Laplace: no vaso, T ≈ P × r / w. No aneurisma de aorta, o raio aumenta e a parede fina precisa suportar MAIS tensão à mesma pressão — círculo vicioso que explica o crescimento progressivo e o risco de rotura (por isso o controle da pressão e da velocidade de elevação sistólica com betabloqueador é terapia). No coração, a tensão de parede (pós-carga regional) é σ ≈ P × r / (2h): a dilatação ventricular eleva a tensão a cada sístole; a hipertrofia concêntrica (h maior) é a resposta que a normaliza na hipertensão e na estenose aórtica; reduzir a pré-carga (diurético, venodilatador) reduz r e alivia o ventrículo — hemodinâmica aplicada à insuficiência cardíaca.
| Tipo de choque | Física dominante | Achado |
|---|---|---|
| Hipovolêmico | ↓ volume → ↓ retorno venoso → ↓ DC | frio, taquicardia, pressão de pulso ESTREITA (a vasoconstrição sustenta a diastólica) |
| Cardiogênico | ↓ bomba → ↓ DC com RVP alta | frio, congestão pulmonar/sistêmica, pressão de pulso estreita |
| Distributivo (séptico) | vasoplegia → RVP MUITO baixa | quente no início, pressão de pulso AMPLA, DC alto ou normal |
Circulação fetal: a resistência vascular pulmonar é alta (pulmão cheio de líquido e hipóxico) e o ductus arteriosus desvia o sangue da artéria pulmonar para a aorta — a direção de qualquer shunt é definida pelas resistências relativas dos dois circuitos. Ao nascer, a ventilação oxigena e derruba a resistência pulmonar; o clampeamento do cordão eleva a resistência sistêmica — o fluxo pelo ductus inverte-se e depois cessa (fechamento funcional nas primeiras 24–48 h; anatômico em 2–3 semanas). A prostaglandina E2 mantém o ductus aberto (infusão nas cardiopatias ducto-dependentes) e o ibuprofeno/indometacina o fecha (tratamento do ducto persistente). No feto com restrição de crescimento, o Doppler de artéria umbilical com fluxo diastólico ausente ou reverso marca a falência placentária (ISUOG, 2020) — a mesma física de fluxo aplicada à vigilância fetal.
1.FundamentalSe uma arteríola reduzir seu raio à metade, mantidas a pressão de perfusão, a viscosidade e o comprimento, o fluxo local:
2.AvançadoHomem, 68 anos, aneurisma de aorta abdominal de 5,5 cm, hipertenso. Por que o aneurisma tende a crescer progressivamente e qual a medida que diretamente atenua a tensão de parede?
na centralHemodinâmica: Fluxo e Resistência Vascular — da Lei de Poiseuille ao Coração Fetal →
as quatro forças e a PUF · Kf · o que muda cada força (AINE, IECA, ATII) · medindo a TFG (inulina, CKD-EPI 2021, KDIGO 2024) · autorregulação · barreira glomerular e edema
| Força | Valor típico (mmHg) | Efeito |
|---|---|---|
| Pressão hidrostática glomerular (PGC) | ≈ 60 | FAVORECE a filtração (empurra para a cápsula) |
| Pressão hidrostática na cápsula de Bowman (PBS) | ≈ 18 | OPÕE (líquido já na cápsula) |
| Pressão oncótica capilar (πGC) | ≈ 32 (sobe de ~28 para ~36 ao longo do capilar) | OPÕE (as proteínas que ficam puxam a água de volta) |
| Pressão oncótica na cápsula (πBS) | ≈ 0 | desprezível — o ultrafiltrado não tem proteína |
| PRESSÃO DE ULTRAFILTRAÇÃO (PUF) | ≈ 10 | PGC − PBS − πGC: a força líquida que produz o filtrado |
TFG = Kf × PUF. O coeficiente de filtração (Kf ≈ 12,5 mL/min/mmHg) é a condutância hidráulica da barreira; multiplicado pela PUF de ~10 mmHg gera os ~125 mL/min do adulto jovem — 180 L/dia filtrados, dos quais mais de 99% são reabsorvidos (1–2 L de urina). A πGC sobe ao longo do capilar porque a filtração concentra as proteínas que ficam para trás: é o freio automático que limita a filtração no fim do glomérulo.
Padrão-ouro: clearance de inulina (livremente filtrada, não reabsorvida nem secretada). A creatinina endógena é o marcador prático (leve secreção tubular superestima a TFG em ~10–20%); a cistatina C depende menos da massa muscular. As equações CKD-EPI 2021 com creatinina e cistatina C, sem a variável raça (Inker e colaboradores, NEJM, 2021), são as recomendadas pela KDIGO 2024. TFG média do adulto jovem sadio ≈ 120 mL/min/1,73 m² (homens ~125, mulheres ~115), caindo ≈ 0,75–1 mL/min/ano após os 40 anos.
| Categoria KDIGO | TFG (mL/min/1,73 m²) | Nota |
|---|---|---|
| G1 — normal ou alta | ≥ 90 | só é DRC com marcador de dano (albuminúria, imagem, histologia) |
| G2 — levemente reduzida | 60–89 | também exige marcador para rotular DRC |
| G3a / G3b | 45–59 / 30–44 | a partir daqui ajustar doses de fármacos |
| G4 — gravemente reduzida | 15–29 | preparar terapia renal substitutiva |
| G5 — falência | < 15 | diálise/transplante conforme contexto |
| Albuminúria A1/A2/A3 | < 30 / 30–300 / > 300 mg/g | eixo de risco independente da TFG |
Entre pressões médias de ~80 a 180 mmHg, o rim mantém fluxo e filtração constantes por dois mecanismos: resposta MIOGÊNICA (o vaso contrai quando estirado) e FEEDBACK TUBULOGLOMERULAR (a mácula densa sente o NaCl que chega ao túbulo distal; em excesso, libera adenosina, que contrai a aferente e derruba a TFG). Na hipotensão franca, sepse e DRC avançada a autorregulação falha e a TFG passa a seguir passivamente a pressão — a razão fisiológica de a hipotensão ser tão lesiva ao rim.
A barreira tem três camadas: endotélio fenestrado, membrana basal e diafragma de fenda do podócito (nefrina, podocina). A filtração é seletiva por TAMANHO e por CARGA — a albumina é aniônica e repelida pelas cargas negativas da membrana (heparan sulfato). Na doença de mínimas mudanças, o apagamento dos pés dos podócitos derruba a seletividade de carga: proteinúria seletiva maciça (> 3,5 g/dia), albumina < 3 g/dL, edema e lipidúria — síndrome nefrótica (Haraldsson e colaboradores, Physiological Reviews, 2008).
1.IntermediárioIdoso desidratado por vômitos, em uso crônico de ibuprofeno para dor lombar e enalapril para HAS, apresenta creatinina que dobra em 3 dias. O mecanismo biofísico da lesão é:
2.Prova difícilEm um glomérulo com pressão hidrostática glomerular de 58 mmHg, pressão hidrostática na cápsula de Bowman de 18 mmHg e pressão oncótica glomerular média de 35 mmHg, a pressão de ultrafiltração e o efeito esperado de elevar a pressão arterial NESTE RIM SADIO são, respectivamente:
na centralFiltração Glomerular: Forças de Starling, TFG e Marcadores de Função Renal →
tubo de raios-X · kVp × mAs · fotoelétrico × Compton · densidades radiográficas · dose e ALARA (ICRP, Mettler) · piezelétrico, impedância acústica e artefatos (RadioGraphics) · Doppler
No tubo, elétrons acelerados do filamento (cátodo) bombardeiam o alvo de tungstênio (ânodo): a frenagem dos elétrons gera a radiação de freamento (Bremsstrahlung, a maior parte do feixe) e a excitação dos elétrons das camadas internas do tungstênio gera os raios X característicos. Os dois botões que a prova cobra: kVp (qualidade/energia do feixe — controla PENETRAÇÃO e CONTRASTE: subir o kVp penetra mais e LAVA o contraste) e mAs (quantidade de fótons — controla escurecimento/ruído e a dose, de forma linear). O tórax usa kVp alto (atravessar o mediastino); a mamografia usa kVp baixo (maximizar o contraste por efeito fotoelétrico).
| Parâmetro | Controla | Efeito prático |
|---|---|---|
| kVp | energia e penetração do feixe | ↑ kVp → penetra mais tecido e REDUZ o contraste entre estruturas |
| mAs | número de fótons (quantidade) | ↑ mAs → imagem mais exposta (menos ruído) e DOSE proporcionalmente maior |
| Interação | Depende de | Produz | Uso/problema |
|---|---|---|---|
| Fotoelétrica (absorção total do fóton) | número atômico ao cubo e 1/energia ao cubo | CONTRASTE — osso (cálcio), iodo (Z 53) e bário (Z 56) absorvem muito | base do contraste radiográfico; dominante com kVp baixo |
| Compton (espalhamento com perda parcial de energia) | densidade eletrônica (pouco dependente do Z) | borrão e radiação dispersa | principal fonte de dose para a EQUIPE — é o espalhamento do paciente |
As cinco densidades radiográficas básicas, em ordem crescente de atenuação: ar (negro) · gordura · água/tecido mole · osso · metal/contraste (branco). Meios de contraste: iodados (vasculares, excretados pelo rim — atenção à nefropatia por contraste e à alergia) e bário (digestivo — na suspeita de perfuração troca-se por contraste hidrossolúvel, pois o bário na cavidade causa peritonite grave).
Efeitos DETERMINÍSTICOS têm limiar de dose (eritema cutâneo ≈ 2 Gy; catarata ≈ 0,5 Gy) e gravidade crescente com a dose; efeitos ESTOCÁSTICOS (câncer) seguem o modelo linear sem limiar — qualquer dose acarreta risco teórico, que cresce com a dose acumulada. Daí os três pilares: justificação (o exame precisa mudar conduta), otimização (ALARA — As Low As Reasonably Achievable) e limites de dose ocupacional. Referências de dose efetiva típica (Mettler e colaboradores, Radiology, 2008): RX de tórax 0,02 mSv; TC de crânio ~2 mSv; TC de tórax ~7 mSv; TC de abdome/pelve ~8–10 mSv; radiação de fundo natural ~3 mSv/ano. Em gestantes e crianças: justificar bem, otimizar a técnica e preferir ultrassom e ressonância quando resolverem a questão — mas o exame realmente indicado não deve ser negado por medo da dose.
O cristal piezelétrico do transdutor converte pulso elétrico em onda ultrasônica e o eco que volta em imagem: o TEMPO de retorno dá a profundidade e a AMPLITUDE dá o brilho (modo B). A impedância acústica é Z = densidade × velocidade do som no meio (em MRayl: ar ~0,0004 · água ~1,48 · tecido mole ~1,6 · osso ~7,8). A fração de energia refletida cresce com a diferença de impedâncias — na interface ar/tecido a reflexão é de quase 100%: por isso usa-se GEL (elimina o ar entre transdutor e pele) e por isso pulmão aerado e osso bloqueiam a janela (examina-se por janelas acústicas). Alta frequência resolve melhor e penetra menos — trocar o transdutor é escolher entre resolução e alcance.
| Artefato | Mecanismo | Exemplo clínico |
|---|---|---|
| Sombra acústica | atenuação total do feixe atrás de refletor forte | cálculo vesicular com sombra posterior; calcificação |
| Reverberação / cauda de cometa | ecos que ricocheteiam entre duas interfaces paralelas | linhas B no pulmão (água intersticial); aerobilia |
| Imagem espelhada | reflexão em interface grande antes da estrutura | lesão “duplicada” acima do diafragma (espelho hepático) |
| Refração | mudança de direção do feixe entre meios de velocidades diferentes | duplicação aparente de estruturas superficiais |
| Ring-down | ressonância em bolhas de gás | gás na parede vesicular (colecistite enfisematosa); parasitas |
Doppler: o feixe refletido por hemácias em movimento sofre desvio de frequência Δf = 2·f₀·v·cosθ/c — a magnitude dá a velocidade, o sinal dá a direção e o ângulo de insonação importa (cos 90° = 0: feixe perpendicular ao vaso não vê fluxo). Aplicações que a prova cobra: velocidades na carótida (percentual de estenose), gradiente valvar no ecocardiograma pela equação simplificada de Bernoulli (ΔP = 4v²) e Doppler de artéria umbilical na restrição de crescimento fetal (fluxo diastólico ausente ou reverso = falência placentária). Segurança: o US não usa radiação ionizante; monitoram-se o índice térmico e o mecânico — é a primeira escolha em gestantes e crianças. Os artefatos são catalogados em revisão clássica do RadioGraphics (Feldman e colaboradores, 2009).
1.IntermediárioPara aumentar o CONTRASTE entre o osso e o tecido mole em uma radiografia, e para aumentar simplesmente a QUANTIDADE de fótons da imagem, os ajustes corretos são, respectivamente:
2.Prova difícilAo examinar a região cervical com ultrassom, é obrigatório aplicar gel entre o transdutor e a pele. A razão física é:
na centralFísica da Imagem Médica: Raio-X, Ultrassom e Tomografia →
Para a véspera: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem a prova
| Módulo | A essência | Maior incidência |
|---|---|---|
| 01 Membranas e osmose | Permeabilidade seletiva + Fick + bombas; osmolaridade ≠ tonicidade; glicose 5% vira água livre; hiponatremia corrige-se a ≤ 8 mEq/L/24 h. | Mecanismos de transporte; SIADH; correção da hiponatremia |
| 02 Potencial de repouso/ação | Repouso −70 mV pela permeabilidade ao K⁺ (Goldman); fase 0 = Na⁺, platô = Ca²⁺; a hipercalemia despolariza, inativa o Na⁺ e alarga o QRS. | Nernst/Goldman; fases × antiarrítmicos; ECG da hipercalemia |
| 03 Sinapse | Elétrica sincroniza (conexona, sem atraso); química processa (Ca²⁺ → SNARE → exocitose, ~0,5 ms); miastenia piora com esforço, Lambert melhora. | Ca²⁺ pré-sináptico; elétrica × química; ddx da junção neuromuscular |
| 04 Complacência | C = ΔV/ΔP; Laplace P = 2T/r e o surfactante estabiliza o alvéolo; enfisema aumenta e fibrose/ARDS diminuem a complacência. | Laplace/SDRN; ventilação protetora (6 mL/kg, Pplat 30, ΔP 15); Berlin |
| 05 Hemodinâmica | Q = ΔP/R e R ∝ 1/r⁴ — o calibre arteriolar governa; Laplace explica aneurisma e hipertrofia; choque é física (bomba × volume × resistência). | Poiseuille r⁴; tipos de choque; aneurisma por Laplace |
| 06 Filtração renal | PUF ≈ 10 mmHg (PGC 60 − PBS 18 − πGC 32); AINE + IECA colapsa a PGC; TFGe (CKD-EPI 2021) + albuminúria definem a DRC. | Forças de Starling; golpe duplo AINE/IECA; estágios KDIGO G/A |
| 07 Imagem | kVp = contraste/penetração e mAs = quantidade/dose; a fotoelétrica gera contraste e a Compton gera dispersão; o US segue a impedância (Z) e o Doppler dá velocidade. | kVp × mAs; doses típicas; artefatos do US e Doppler |
| Tema | Número |
|---|---|
| Osmolalidade sérica | 275–295 mOsm/kg · 2×Na⁺ + glicose/18 + ureia/6 |
| Na⁺ sérico | 135–145 mEq/L · hiponatremia < 135 · correção ≤ 8 mEq/L/24 h |
| Na⁺/K⁺-ATPase | 3 Na⁺ para fora × 2 K⁺ para dentro por ATP |
| Potenciais | repouso −70 mV · E_K ≈ −90 · E_Na ≈ +60 · limiar ≈ −55 mV |
| Platô cardíaco | fase 2 por Ca²⁺ L · PA ventricular de 200–300 ms |
| Condução | mielinizada 70–120 m/s × não mielinizada 0,5–2 m/s |
| Sinapse química | fenda 20–40 nm · atraso ≈ 0,5 ms · quantum de 5–10 mil moléculas |
| Complacência | total ≈ 100 mL/cmH₂O · pulmão isolado ≈ 200 |
| Surfactante | tensão superficial de ~50 para 5–30 mN/m |
| Ventilação protetora | VC 6 mL/kg do peso previsto · Pplat ≤ 30 · driving pressure ≤ 15 |
| Berlin | P/F ≤ 300 com PEEP ≥ 5 · leve 201–300 · moderada 101–200 · grave ≤ 100 |
| ARDSNet | 6 × 12 mL/kg → mortalidade 31,0% × 39,8% |
| Hemodinâmica | Q = ΔP/R · R ∝ 1/r⁴ · DC ≈ 5 L/min · PAM = PAD + 1/3 da pressão de pulso |
| Starling glomerular | PGC 60 · PBS 18 · πGC 32 → PUF ≈ 10 mmHg · FF ≈ 20% |
| TFG | 100–125 mL/min/1,73 m² (≈ 180 L/dia) · queda de ~0,75–1/ano após os 40 |
| KDIGO | G3a 45–59 · G3b 30–44 · G4 15–29 · G5 < 15 · albuminúria A1 < 30 · A2 30–300 · A3 > 300 mg/g |
| Doses de imagem | RX tórax 0,02 · TC crânio ~2 · TC tórax ~7 · TC abdome ~8–10 mSv · fundo ~3 mSv/ano |
| Macete | Regra |
|---|---|
| Bomba gasta; simporte pega carona | toda a farmacologia diurética é nome de transportador: NKCC2 (furosemida), NCC (tiazídico), ENaC (amilorida), SGLT2 (gilflozina). |
| Glicose 5% vira água livre | após metabolizar o açúcar resta água livre — a causa iatrogênica clássica de hiponatremia no pós-operatório. |
| Platô é cálcio | só o coração tem fase 2 (Ca²⁺ L) — e o coração não tetaniza; antiarrítmicos por fase: I → 0, IV → platô, III → repolarização. |
| Miastenia piora com movimento; Lambert levanta | MG piora com o esforço (pós-sináptico); Lambert-Eaton melhora (o Ca²⁺ acumula e facilita a exocitose) — fumante com fraqueza proximal que melhora = rastrear câncer de pulmão de pequenas células. |
| ΔP = Pplat − PEEP; se > 15, está esticando demais | a variável da ventilação protetora mais associada à sobrevida (Amato, NEJM 2015). |
| R é de r⁴ | raio à metade = resistência × 16; o aneurisma segue Laplace (T = P·r/w) e cresce porque crescer aumenta a tensão. |
| kVp lava, mAs soma | para contraste, BAIXE o kVp (fortalece a fotoelétrica); para fótons (e dose), aumente o mAs. |
| Se a questão diz… | Pense em… |
|---|---|
| Pré-termo com tiragem, gemido e raio-X em vidro fosco | SDRN — deficiência de surfactante (Laplace) |
| Pós-operatório em glicose 5% com Na⁺ 112 e convulsão | Hiponatremia dilucional iatrogênica (água livre) |
| Fumante com fraqueza proximal que melhora ao repetir o movimento | Lambert-Eaton (canal de Ca²⁺ pré-sináptico) |
| Paciente renal com fraqueza + T apiculada + QRS largo | Hipercalemia com inativação dos canais de Na⁺ |
| Pplat 28 com PEEP 12 em ARDS | Driving pressure 16 — reduzir o volume corrente |
| Hipotensão quente com pressão de pulso ampla | Choque distributivo — queda da RVP |
| Idoso desidratado em AINE + IECA com creatinina dobrada | Golpe duplo: constrição da aferente + dilatação da eferente |
| Edema periorbital matinal com albumina de 2,1 g/dL | Queda da pressão oncótica (síndrome nefrótica) |
| Sombra acústica posterior a imagem hiperecogênica na vesícula | Cálculo — atenuação total do feixe de US |
| Anemia grave com sopro sistólico novo | Turbulência por queda da viscosidade (Reynolds) |
1.FundamentalA reabsorção da glicose no túbulo proximal e a ação das gilflozinas envolvem, respectivamente:
2.IntermediárioSobre o potencial de repouso e a equação de Nernst (E = 61/z × log[ext]/[int], a 37 °C), assinale a correta:
3.AvançadoLactente de 5 meses, constipado há 6 dias, com sucção fraca, choro fraco, hipotonia descendente e pupilas midriáticas fixas; a família dá mel à criança. O defeito é:
4.Prova difícilHomem com ARDS (P/F 140) em ventilação mecânica com VC de 10 mL/kg do peso previsto, PEEP 8 cmH₂O e pressão de platô de 37 cmH₂O. O ajuste imediato é:
5.IntermediárioPaciente febril, hipotenso (78/40 mmHg), pele quente, FC 118 bpm, lactato 4 mmol/L, pressão de pulso ampla. Pela física da hemodinâmica, a variável primariamente caída é:
6.AvançadoMulher, 72 anos, hipertensa, creatinina estável de 1,0 mg/dL; TFGe (CKD-EPI 2021) de 46 mL/min/1,73 m² e relação albumina/creatinina urinária de 150 mg/g. Classificação e conduta de base:
7.FundamentalGestante de 24 semanas com dor em fossa ilíaca direita e suspeita clínica de apendicite. O primeiro exame de imagem deve ser:
1-B · 2-B · 3-C · 4-B · 5-B · 6-C · 7-B
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