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A claudicação intermitente causa dor muscular isquêmica induzida pelo exercício e aumenta o risco cardiovascular. O exercício supervisionado, especialmente o treino de marcha, é padrão-ouro na reabilitação da doença arterial periférica. Terapias adjuvantes e o controle de fatores de risco ampliam os benefícios funcionais e reduzem complicações.
[1] Reabilitação da claudicação intermitente: exercício supervisionado na doença arterial periférica. . · DOI 10.51891/rease.v9i1.8261 | [2] Perdigão KFA, Costa LP, Freitas AL. Vascular rehabilitation interventions in people with peripheral arterial disease: an integrative review. . 2025 · DOI 10.1590/1677-5449.202400882 · PMID 40109307 | [3] Erzinger FL, Polimanti AC, Pinto DM. Brazilian Society of Angiology and Vascular Surgery guidelines on peripheral artery disease. . 2024 · DOI 10.1590/1677-5449.202300592 · PMID 39493832 | [4] Mazzolai L, Aboyans V, Agosti V, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of peripheral arterial and aortic diseases. Eur Heart J. 2024;45(43):4310–4423. · DOI 10.1093/eurheartj/ehae179 · DOI 10.51891/rease.v9i1.8261
A doença arterial periférica de origem aterosclerótica compromete artérias dos membros inferiores e reduz a capacidade de conduzir sangue suficiente para a musculatura durante a marcha. A claudicação intermitente é a manifestação clássica desse desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio, gerando dor muscular isquêmica induzida pelo exercício. Além do prejuízo funcional, esses pacientes apresentam risco elevado de eventos cardiovasculares maiores, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. A reabilitação vascular, centrada em exercício físico supervisionado e controle rigoroso de fatores de risco, é considerada o padrão-ouro do tratamento conservador. Ela melhora a distância de deambulação, alivia sintomas, reduz mortalidade cardiovascular e tem baixo custo e baixo risco quando bem indicada.
O manejo da doença arterial periférica é multifacetado e envolve fatores dependentes do paciente, como cessação do tabagismo, dieta e atividade física, e fatores dependentes do médico, como terapia clínica, tratamento endovascular e cirurgia convencional. A adesão ao regime terapêutico reduz complicações limbares, incluindo isquemia crítica crônica ameaçadora de membro e amputação, além de diminuir complicações sistêmicas da aterosclerose. Em pessoas com claudicação, o exercício supervisionado deve ser oferecido precocemente, antes de indicar revascularização para todos os casos. A decisão sobre revascularização considera gravidade dos sintomas, limitação funcional, anatomia da lesão e risco cirúrgico. Assim, a reabilitação não é apenas coadjuvante: é parte central do tratamento da doença arterial periférica sintomática.
Claudicação intermitente é dor, desconforto ou fadiga muscular induzida pelo exercício, tipicamente em panturrilhas, coxas ou glúteos, que surge com a marcha e alivia com o repouso em poucos minutos. Ela decorre da incapacidade da circulação periférica em suprir energeticamente a musculatura ativa dos membros inferiores. A distância percorrida até o início da dor é chamada distância inicial de claudicação, enquanto a distância máxima tolerada é a distância absoluta de claudicação. A progressão para dor em repouso, úlceras ou gangrena define estágios mais avançados, como isquemia crítica crônica ameaçadora de membro. A classificação de Fontaine e a de Rutherford ajudam a padronizar gravidade e conduta.
Na classificação de Fontaine, o estágio I é assintomático, o IIa é claudicação leve, o IIb é claudicação moderada a grave, o III é dor isquêmica em repouso e o IV é perda tecidual, úlcera ou gangrena. Na classificação de Rutherford, a categoria 0 é assintomática, 1 a 3 correspondem a claudicação leve, moderada e grave, 4 é dor em repouso, 5 é perda tecidual menor e 6 é perda tecidual maior. A claudicação pode ser classificada também pela topografia: panturrilha sugere doença femoropoplítea, coxa ou glúteo sugere doença ilíaca ou aorto-ilíaca, e dor no pé sugere doença distal. Essa distinção topográfica orienta o exame físico e a investigação vascular. A classificação não substitui a medida hemodinâmica, pois sintomas e índice tornozelo-braço podem discordar.
A doença arterial periférica é comum e sua prevalência aumenta com a idade, especialmente após os 60 anos, em tabagistas, diabéticos, hipertensos e portadores de doença renal crônica. Muitos pacientes são assintomáticos ou atribuem a limitação ao envelhecimento, o que subestima a carga real da doença. A claudicação intermitente está associada a grande prejuízo funcional e aumento do risco de mortalidade cardiovascular. Estudos mostram que a doença arterial periférica, por distúrbios das artérias dos membros inferiores, associa-se a altas taxas de mortalidade cardiovascular. O risco de infarto, acidente vascular cerebral e morte cardiovascular é substancialmente maior do que na população sem aterosclerose periférica.
A presença de claudicação reduz a capacidade de caminhar, prejudica a qualidade de vida e pode levar ao sedentarismo, criando um ciclo de piora funcional e progressão de fatores de risco. Diabetes mellitus aumenta o risco de doença distal e de isquemia crítica, enquanto o tabagismo é um dos principais fatores de risco modificáveis. A mortalidade é influenciada por doença coronariana e cerebrovascular concomitantes, frequentemente silenciosas. Por isso, a avaliação do paciente claudicante deve incluir estratificação global de risco cardiovascular. A reabilitação supervisionada atua tanto na função física quanto no controle de fatores de risco, com impacto potencial na sobrevida.
A base da claudicação é a aterosclerose, com placas que estreitam ou ocluem artérias dos membros inferiores. Durante o exercício, a demanda metabólica muscular aumenta, mas a oferta de oxigênio não acompanha, levando a metabolismo anaeróbio, produção de lactato, acidose local e ativação de nociceptores. Isso gera dor muscular isquêmica e limita a marcha. Com o repouso, a demanda cai e o fluxo residual consegue suprir o músculo, aliviando o sintoma. A limitação não depende apenas da estenose anatômica, mas também de disfunção endotelial, inflamação, alterações hemorreológicas e descondicionamento físico.
O treinamento físico melhora a função endotelial, a vasodilatação dependente do endotélio, a densidade capilar e a capacidade oxidativa mitocondrial. Há também melhor coordenação neuromuscular, economia de marcha e menor resposta inflamatória ao esforço. Esses efeitos aumentam a distância de deambulação e reduzem a intensidade dos sintomas. O exercício não elimina a placa aterosclerótica principal, mas otimiza a utilização periférica de oxigênio e a perfusão regional. Programas supervisionados e treino de marcha são as modalidades mais indicadas por terem eficácia comprovada no alívio da claudicação.
O sintoma típico é dor em panturrilha ao caminhar, que piora com inclinação, velocidade ou subida e melhora ao parar. A dor pode ocorrer em coxa, glúteo, quadril ou pé, dependendo do território arterial acometido. O paciente costuma relatar redução progressiva da distância percorrida ao longo dos meses. Dor em repouso, especialmente noturna e aliviada ao pendurar a perna para fora da cama, sugere isquemia mais avançada. Úlceras de aspecto seco, pálido, com bordas bem definidas e pouca granulação também sugerem origem arterial.
A história deve quantificar a distância inicial e a distância absoluta de claudicação, além de documentar tabagismo, diabetes, hipertensão, dislipidemia e doença coronariana ou cerebrovascular. Sintomas de disfunção erétil podem indicar doença aorto-ilíaca. Claudicação de glúteo e coxa pode sugerir doença ilíaca bilateral ou oclusão aórtica distal. A ausência de dor não exclui doença arterial periférica, pois diabéticos e idosos podem ter neuropatia ou limitação por outras causas. A avaliação funcional com questionários e teste de caminhada complementa a anamnese.
O exame vascular começa com inspeção de pele, temperatura, pelos, unhas e integridade de tecidos. Palpar pulsos femorais, poplíteos, tibiais posteriores e pediosos, comparando os lados. Ausculta de sopros femorais ou ilíacos pode revelar estenoses significativas. A presença de feridas, necrose ou infecção muda a classificação para isquemia crítica e exige avaliação urgente. A manobra de elevação e dependência pode pode mostrar palidez à elevação e rubor à dependência em isquemia grave.
A medida central é o índice tornozelo-braço, obtido pela razão entre a maior pressão arterial no tornozelo e a maior pressão no braço. Valores de 0,90 ou menos diagnosticam doença arterial periférica, valores entre 0,91 e 0,99 são limítrofes e valores de 1,00 a 1,40 são normais. Valores acima de 1,40 sugerem artérias não compressíveis, comuns em diabetes e doença renal crônica, e exigem medida do índice dedo-braço ou pressão transcutânea de oxigênio. Pressões segmentares, Doppler e registro de volume de pulso ajudam a localizar a lesão. Teste de esforço com medida de índice tornozelo-braço pode revelar queda significativa após exercício.
O diagnóstico de doença arterial periférica em pacientes com claudicação é confirmado por história típica associada a índice tornozelo-braço alterado. Índice tornozelo-braço menor ou igual a 0,90 tem alta sensibilidade e especificidade para doença obstrutiva. Em pacientes com artérias não compressíveis, usar índice dedo-braço menor ou igual a 0,70 ou pressão transcutânea de oxigênio reduzida. Ultrassonografia com Doppler é exame inicial não invasivo para localizar lesões e avaliar hemodinâmica. Angiotomografia e angiorressonância são reservadas para planejamento de revascularização ou discordância entre sintomas e exames não invasivos.
Critérios de gravidade incluem índice tornozelo-braço menor que 0,40, pressão de tornozelo menor que 50 mmHg, pressão de dedo menor que 30 mmHg ou pressão transcutânea de oxigênio menor que 30 mmHg, que sugerem isquemia crítica crônica ameaçadora de membro. Teste de caminhada em esteira padronizado mede distância livre de dor e distância máxima, sendo útil para indicar reabilitação e documentar resposta. O teste de caminhada de seis minutos avalia capacidade funcional submáxima. A arteriografia permanece padrão de referência anatômico quando há indicação de intervenção. A avaliação deve sempre incluir estratificação de risco cardiovascular global.
| Exame | Achado | Interpretação |
|---|---|---|
| Índice tornozelo-braço | ≤ 0,90 | Diagnóstico de DAP |
| Índice tornozelo-braço | 0,91 a 0,99 | Limítrofe, repetir ou teste de esforço |
| Índice tornozelo-braço | > 1,40 | Não compressível, usar índice dedo-braço |
| Índice dedo-braço | ≤ 0,70 | DAP distal ou não compressível |
| Pressão de tornozelo | < 50 mmHg | Isquemia crítica |
| Pressão de dedo | < 30 mmHg | Isquemia crítica |
| Teste de esteira | Queda do ABI > 20 por cento | Doença hemodinamicamente significativa |
Nem toda dor em membros inferiores ao caminhar é vascular. A claudicação neurogênica por estenose de canal lombar costuma piorar com a extensão da coluna e melhorar com flexão ou sentado, enquanto a claudicação vascular melhora com a parada da marcha. Dor radicular tem distribuição dermatomal, com parestesia, e pode ser reproduzida por manobras específicas. Insuficiência venosa crônica causa peso, edema e dor que pioram ao longo do dia e melhoram com elevação das pernas. Osteoartrite de quadril ou joelho piora com carga e movimento articular, com rigidez e crepitação. Neuropatia periférica diabética causa dor em queimação, dormência e perda de sensibilidade em bota.
| Condição | Característica da dor | Alívio | Pistas clínicas |
|---|---|---|---|
| Claudicação vascular | Dor muscular induzida por marcha, reprodutível | Repouso em 2 a 5 minutos | Pulsos reduzidos, soprosros, ABI baixo |
| Claudicação neurogênica | Dor, peso ou parestesia com extensão | Flexão do tronco ou sentar | Dor lombar, déficit neurológico, imagem de canal |
| Radiculopatia | Dor em faixa, queimação ou choque | Posição antálgica | Distribuição dermatomal, Lasègue |
| Insuficiência venosa | Peso, ardor, edema | Elevação dos membros | Varizes, hiperpigmentação, úlcera maleolar |
| Osteoartrite | Dor articular com carga | Repouso e analgésico | Crepitação, rigidez, limitação articular |
| Neuropatia diabética | Queimação, dormência | Varia, piora noturna | Perda de sensibilidade, reflexos reduzidos |
| Síndrome compartimental | Dor tensa após esforço | Repouso prolongado | Aumento de pressão compartimental |
O exercício físico é a melhor forma de tratamento conservador para claudicação intermitente, especialmente para aumentar a capacidade de deambulação e aliviar sintomas. Programas supervisionados são superiores à orientação isolada para caminhada domiciliar, pois garantem intensidade, progressão, segurança e adesão. O treino de marcha é a modalidade com maior evidência, promovendo aumento da distância de caminhada e melhora da qualidade de vida. O controle simultâneo de fatores de risco potencializa o benefício cardiovascular. Os principais benefícios incluem melhora da distância de deambulação, alívio dos sintomas, redução da mortalidade cardiovascular e de seus fatores de risco, baixo custo e natureza não invasiva.
A reabilitação deve começar com avaliação médica, estratificação de risco cardíaco e definição de metas individualizadas. Pacientes com isquemia crítica, dor em repouso, úlcera infectada ou gangrena não devem iniciar exercício intenso sem avaliação vascular e consideração de revascularização. Para claudicação estável, a caminhada intermitente é segura e eficaz. A supervisão permite ajustar velocidade, inclinação e intervalos de repouso conforme sintomas e resposta hemodinâmica. O programa deve ser contínuo, com reavaliação periódica da distância de marcha e do índice tornozelo-braço.
A prescrição clássica é caminhar em esteira ou percurso externo até atingir dor moderada, interromper, repousar e recomeçar por 30 a 45 minutos por sessão. A intensidade pode ser guiada por escala de dor de 0 a 10, buscando 3 a 5, ou por escala de Borg modificada entre 11 e 14. A velocidade e a inclinação devem ser progressivas, respeitando sintomas cardiovasculares e musculoesqueléticos. A frequência ideal é de 3 a 5 sessões semanais, com pelo menos 12 semanas de programa. O treino resistido, 2 a 3 vezes por semana, com 2 a 3 séries de 8 a 12 repetições para grandes grupos musculares, pode melhorar força e função.
O treino resistido com restrição de fluxo sanguíneo pode otimizar força muscular em pacientes com baixa tolerância ao exercício convencional. Hidroterapia e terapia térmica podem atuar como adjuvantes, melhorando adesão e função cardiovascular e física. A monitorização inclui frequência cardíaca, pressão arterial quando indicada, sintomas de angina, dispneia e tontura. Pacientes com doença coronariana conhecida podem necessitar teste ergométrico prévio ou monitorização durante as primeiras sessões. A meta é aumentar a distância livre de dor, a distância máxima e a capacidade funcional percebida. A resposta ao treinamento deve ser registrada em diário de caminhada e reavaliada a cada 4 a 8 semanas.
| Componente | Recomendação prática | Observação |
|---|---|---|
| Modalidade | Caminhada supervisionada | Padrão-ouro |
| Frequência | 3 a 5 vezes por semana | Aumentar conforme tolerância |
| Duração | 30 a 60 minutos por sessão | Inclui intervalos de repouso |
| Intensidade | Dor 3 a 5 em 10 ou Borg 11 a 14 | Não ultrapassar dor intensa |
| Progressão | Aumentar tempo antes da velocidade | Reavaliar a cada 4 a 8 semanas |
| Resistido | 2 a 3 vezes por semana | Grandes grupos musculares |
| Restrição de fluxo | Adjuvante em casos selecionados | Otimtimiza força muscular |
| Hidroterapia | Adjuvante | Melhora adesão e função |
O manejo medicamentoso da doença arterial periférica é multifacetado e inclui redução de colesterol, terapia antitrombótica, controle da pressão arterial, controle do diabetes e cessação do tabagismo. A aspirina na dose de 75 a 100 mg por dia é antiagregante inicial, e clopidogrel 75 mg por dia é alternativa em intolerância ou alergia. Em pacientes sintomáticos selecionados, rivaroxabana 2,5 mg por via oral a cada 12 horas associada a aspirina 100 mg por dia reduz eventos cardiovasculares e limbares, com atenção ao risco de sangramento. Estatinas de alta intensidade, como atorvastatina 40 a 80 mg por dia ou rosuvastatina 20 a 40 mg por dia, são indicadas para reduzir LDL e eventos. Cilostazol 100 mg por via oral a cada 12 horas melhora distância de caminhada, mas é contraindicado em insuficiência cardíaca.
O controle da pressão arterial deve ser rigoroso, preferindo agentes bem tolerados e eficazes, como inibidores da enzima conversora de angiotensina ou bloqueadores do receptor de angiotensina, diuréticos e bloqueadores de canais de cálcio conforme indicação. Diabetes mellitus exige controle glicêmico individualizado, com metformina ou outras terapias conforme função renal e risco cardiovascular. A cessação do tabagismo é a intervenção isolada de maior impacto e pode ser apoiada por terapia de reposição de nicotina, bupropiona 150 mg por dia ou vareniclina com titulação até 1 mg a cada 12 horas. Pentoxifilina 400 mg a cada 8 horas tem benefício limitado e não é primeira linha. Vacinação contra influenza e pneumococo deve ser considerada no seguimento.
Além do exercício supervisionado, a revisão integrativa de intervenções de reabilitação vascular em pessoas com doença arterial periférica identificou abordagens complementares que podem ajudar na adesão e nos resultados. Entre elas estão treino resistido, restrição de fluxo sanguíneo, terapia térmica, hidroterapia e outras modalidades de exercício. O exercício supervisionado permanece o método de tratamento padrão-ouro. Terapias complementares não substituem o programa supervisionado, mas podem beneficiar força, função cardiovascular e capacidade física. A escolha deve considerar preferências, comorbidades, disponibilidade e segurança.
A restrição de fluxo sanguíneo associada ao treino resistido pode otimizar força muscular em pacientes com limitação importante. A terapia térmica pode promover vasodilatação e melhora sintomática quando usada como adjuvante. A hidroterapia reduz descarga articular e pode facilitar a marcha em pacientes com dor musculoesquelética concomitante. A reabilitação vascular deve ser integrada ao tratamento farmacológico, mudança de estilo de vida e, quando indicada, revascularização. Após revascularização, o exercício supervisionado continua importante para recuperação funcional e manutenção dos ganhos. A decisão terapêutica é compartilhada e centrada no paciente.
A claudicação intermitente indica aterosclerose sistêmica e aumenta o risco de eventos coronarianos, cerebrovasculares e mortes cardiovasculares. A progressão local pode levar a isquemia crítica crônica ameaçadora de membro, úlceras, infecção, gangrena e amputação. O prognóstico depende de tabagismo, diabetes, doença renal crônica, gravidade do índice tornozelo-braço e adesão ao tratamento. A reabilitação melhora a distância de caminhada e os sintomas, reduzindo fatores de risco e mortalidade cardiovascular. O seguimento deve monitorar sintomas, capacidade funcional, índice tornozelo-braço e controle de fatores de risco.
Complicações do exercício incluem dor musculoesquelética, quedas, eventos cardíacos e sintomas de hipotensão, especialmente em pacientes com comorbidades. A supervisão permite interromper e ajustar o programa diante de angina, arritmia, dispneia desproporcional ou dor persistente. Pacientes com isquemia crítica não devem ser tratados apenas com exercício, pois necessitam avaliação urgente para revascularização. A educação do paciente sobre sinais de alarme, cuidados com os pés e cessação do tabagismo é parte essencial do seguimento. O acompanhamento multidisciplinar melhora adesão e desfechos de longo prazo.
A claudicação intermitente é dor muscular isquêmica induzida pelo exercício, com alívio pelo repouso, causada por doença arterial obstrutiva crônica periférica. O diagnóstico é confirmado por índice tornozelo-braço menor ou igual a 0,90. O exercício supervisionado, especialmente o treino de marcha, é o padrão-ouro do tratamento conservador e melhora distância de deambulação, sintomas, fatores de risco e mortalidade cardiovascular. Programas com 3 a 5 sessões semanais, 30 a 60 minutos, por pelo menos 12 semanas, são recomendados. Cilostazol, estatina de alta intensidade, antiagregante e cessação do tabagismo completam o tratamento. Revascularização é indicada em isquemia crítica, dor em repouso, perda tecidual ou claudicação incapacitante refratária.
1.Homem de 62 anos, tabagista, com dor em panturrilhas ao caminhar cerca de 200 metros, aliviada em 2 a 3 minutos de repouso. Índice tornozelo-braço em repouso de 0,65. Sem dor em repouso ou lesão trófica. Qual é a melhor conduta não farmacológica inicial para melhorar a distância de caminhada?
2.A definição clássica de claudicação intermitente vascular inclui qual característica?
3.Em pacientes com doença arterial periférica e claudicação, a principal causa de mortalidade no seguimento é:
4.Qual mecanismo explica melhor o ganho de capacidade de caminhada após treinamento físico supervisionado na claudicação?
5.Homem de 58 anos com claudicação em nádegas, coxas e panturrilhas, disfunção erétil e pulsos femorais diminuídos bilateralmente. Qual território arterial é mais provavelmente acometido?
6.Paciente com claudicação típica, pulsos distais diminuídos, mas índice tornozelo-braço em repouso de 0,95. Qual exame complementar inicial é mais útil para confirmar doença arterial periférica?
7.Homem de 70 anos, diabético, com claudicação e índice tornozelo-braço de 1,45 no membro sintomático. Qual exame é mais adequado para avaliar a perfusão distal?
8.Qual característica favorece claudicação neurogênica, e não claudicação vascular?
9.Qual é a prescrição típica de exercício supervisionado para claudicação intermitente?
10.Paciente de 65 anos com claudicação, tabagismo ativo e LDL colesterol de 170 mg/dL. Qual medida farmacológica reduz desfechos cardiovasculares maiores?
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