carregando…
carregando…
A síndrome de Sjögren é uma doença autoimune crônica com secura ocular e oral e possível acometimento sistêmico. O diagnóstico combina clínica, autoanticorpos, testes glandulares e, às vezes, biópsia. O tratamento inclui medidas sintomáticas e imunossupressão em casos sistêmicos.
[1] Síndrome de Sjögren: critérios, manifestações e tratamento. . · DOI 10.51891/rease.v10i8.15173 | [2] Negrini S, Emmi G, Greco M. Sjögren's syndrome: a systemic autoimmune disease. Clinical and experimental medicine. 2022 Feb · DOI 10.1007/s10238-021-00728-6 · PMID 34100160 | [3] André F, Böckle BC. Sjögren's syndrome. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft = Journal of the German Society of Dermatology : JDDG. 2022 Jul · DOI 10.1111/ddg.14823 · PMID 35775593 | [4] Stefanski AL, Tomiak C, Pleyer U. The Diagnosis and Treatment of Sjögren's Syndrome. Deutsches Arzteblatt international. 2017 May 26 · DOI 10.3238/arztebl.2017.0354 · PMID 28610655 | [5] Piga M, Tselios K, Viveiros L. Clinical patterns of disease: From early systemic lupus erythematosus to late-onset disease. Best practice & research. Clinical rheumatology. 2023 Dec · DOI 10.1016/j.berh.2024.101938 · PMID 38388232 | [6] Han T, Chang H, Nie N. Case Report: Autoimmune-associated tubulointerstitial nephritis with predominant Sjögren features in a child presenting with recurrent sterile pyuria. . 2026 · DOI 10.3389/fped.2026.1833551 · PMID 42719694 · DOI 10.51891/rease.v10i8.15173
A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune crônica caracterizada por disfunção das glândulas lacrimais e salivares, com secura ocular e oral. Além das manifestações glandulares, pode acometer praticamente qualquer sistema orgânico, produzindo fadiga, dor e sintomas sistêmicos. A apresentação é pleomórfica e a gravidade varia muito entre pacientes, o que atrasa o diagnóstico. O alto índice de suspeição é essencial para identificar precocemente e prevenir complicações.
O diagnóstico é desafiador porque os sintomas secos são comuns na população e podem decorrer de medicamentos, envelhecimento, infecções ou outras doenças reumatológicas. A sobreposição com lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide complica a classificação. Exames laboratoriais e de imagem devem ser usados de forma criteriosa, integrando clínica, histopatologia e autoanticorpos. A identificação precoce melhora o manejo e a qualidade de vida.
Neste material, organizamos o raciocínio da definição ao tratamento, com foco nos critérios ACR/EULAR 2016, nas manifestações glandulares e extraglandulares, no diagnóstico diferencial e nas doses dos principais tratamentos. O objetivo é fornecer base para provas de reumatologia e para a prática clínica supervisionada.
A Síndrome de Sjögren é definida como uma doença autoimune crônica na qual há infiltração linfocítica de glândulas exócrinas, sobretudo lacrimais e salivares, levando a xeroftalmia e xerostomia. O processo não se restringe às glândulas, pois há produção de autoanticorpos, formação de imunocomplexos e ativação imune sistêmica. A tríade clássica inclui sicca, fadiga e dor, conforme a fonte 3. A doença pode ser classificada como primária ou secundária.
Na forma primária, a síndrome ocorre isoladamente, sem outra doença autoimune sistêmica associada. Na forma secundária, ela surge no contexto de lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, esclerose sistêmica limitada ou progressiva, entre outras. A fonte 4 relata associações com LES em 15 a 36 por cento, AR em 20 a 32 por cento e esclerose sistêmica em 11 a 24 por cento. Essa distinção tem implicações prognósticas e terapêuticas.
A prevalência estimada é de pelo menos 0,4 por cento na Alemanha, segundo a fonte 4, o que coloca a Síndrome de Sjögren entre as doenças reumatológicas inflamatórias mais comuns. O diagnóstico costuma ser feito em mulheres, com idade média de 60 anos, conforme a fonte 3. Apesar disso, pode ocorrer em homens, adultos jovens e crianças, como no caso pediátrico de nefrite túbulo-intersticial com características predominantes de Sjögren.
A doença é provavelmente subdiagnosticada porque a secura pode ser atribuída ao envelhecimento ou a medicações. Fatores genéticos, hormonais e ambientais contribuem para a suscetibilidade. A associação com outras doenças autoimunes aumenta a complexidade e exige rastreio dirigido. O lúpus de início tardio, por exemplo, associa-se mais frequentemente a Sjögren secundária e a comorbidades.
A patogênese da Síndrome de Sjögren ainda não é totalmente elucidada, mas modelos genéticos e ambientais não mutuamente exclusivos foram propostos. A emergência de linfócitos B autorreativos, com produção de autoanticorpos e formação de imunocomplexos, parece crucial. Há ativação de linfócitos T, produção de citocinas e interferons, e destruição progressiva do epitélio glandular. A infiltração linfocítica focal é o marco histológico.
Nas glândulas salivares e lacrimais, o infiltrado linfocitário cerca os ácinos e ductos, levando à disfunção secretora. A resposta imune pode se estender para órgãos extraglandulares, explicando manifestações pulmonares, renais, neurológicas e hematológicas. Autoanticorpos anti-Ro/SSA e anti-La/SSB são marcadores importantes e participam da formação de imunocomplexos. O interferon tipo I e a sobrevida anormal de células B favorecem autoimunidade e risco de linfoma.
As manifestações glandulares dominam o quadro inicial e incluem xeroftalmia e xerostomia. A secura ocular causa ardor, sensação de areia, fotofobia e visão turva. A secura oral causa dificuldade para engolir alimentos secos, cáries de repetição, candidíase oral e queilite angular. O aumento das parótidas pode ocorrer e é um sinal de alerta para linfoma quando persistente e assimétrico.
| Sinal | Achado | Implicação |
|---|---|---|
| Xeroftalmia | Sensação de areia e olho seco | Avaliar Schirmer e coloração ocular |
| Xerostomia | Boca seca e cáries | Medir fluxo salivar não estimulado |
| Aumento de parótida | Tumefação persistente | Excluir linfoma e infecção |
| Xerose cutis | Pele seca e prurido | Hidratação e emolientes |
A avaliação glandular deve quantificar a disfunção, não apenas registrar sintomas. Testes objetivos ajudam a separar secura subjetiva de doença autoimune ativa. A biópsia labial é reservada para casos selecionados e quando há dúvida diagnóstica. O manejo inicial das manifestações glandulares é sintomático, com medidas tópicas e sialogogos quando indicados.
A Síndrome de Sjögren pode envolver praticamente qualquer órgão, o que justifica a descrição de doença sistêmica pleomórfica. Além da secura, fadiga e dor mioarticular são frequentes e impactam a qualidade de vida. A pele pode apresentar xerose cutis e prurido, seguidos de vasculite leucocitoclástica e lúpus cutâneo subagudo. Sintomas neuropsiquiátricos e mioartralgia são comuns, conforme a fonte 3.
| Sistema | Manifestação | Pista clínica |
|---|---|---|
| Pele | Vasculite leucocitoclástica | Púrpura palpável e úlceras |
| Pulmão | Doença intersticial | Tosse seca e dispneia |
| Rim | Nefrite túbulo-intersticial | Poliúria, polidipsia e piúria estéril |
| Nervo | Neuropatia periférica | Dor, parestesia e déficit sensitivo |
| Sangue | Citopenias | Fadiga, infecções e sangramentos |
A presença de manifestações extraglandulares graves muda o tratamento, que deixa de ser apenas sintomático e passa a incluir imunossupressão. A avaliação deve ser sistematizada com exames dirigidos por sintomas. O envolvimento renal e pulmonar pode ser insidioso e exigir imagem e função orgânica. O caso pediátrico de nefrite túbulo-intersticial com características de Sjögren ilustra a importância de investigar autoimunidade em manifestações atípicas.
O diagnóstico começa com história de sicca ocular ou oral persistente por mais de três meses, após exclusão de causas alternativas. A fonte 3 reforça que o diagnóstico é feito com sintomas secos persistentes e uso dos critérios ACR/EULAR 2016. Deve-se revisar medicamentos, cirurgias, radioterapia, infecções e outras doenças autoimunes. O exame físico busca aumento de parótidas, cáries, lesões cutâneas e sinais sistêmicos.
A sorologia revela anticorpos antinucleares, anti-Ro/SSA, anti-La/SSB e fator reumatoide. O achado histológico clássico é infiltração linfocítica focal em ácinos glandulares aparentemente normais. A biópsia labial pode ser negativa em formas precoces ou em casos com predomínio extraglandular, como no caso pediátrico com anti-Ro e anti-La negativos. Por isso, o diagnóstico deve integrar todos os dados e não se apoiar em um único exame.
Os critérios ACR/EULAR 2016 classificam pacientes com sintomas sugestivos e pontuação total maior ou igual a 4. Eles são úteis para pesquisa e podem apoiar a prática clínica, mas não substituem o julgamento médico. A pontuação inclui biópsia de glândula salivar, anti-Ro/SSA, coloração ocular, teste de Schirmer e fluxo salivar. É obrigatório excluir causas de secura secundária antes de aplicar os critérios.
| Item | Peso | Valor de corte |
|---|---|---|
| Sialoadenite linfocítica focal | 3 | Foco maior ou igual a 1 por 4 mm² |
| Anti-Ro/SSA positivo | 3 | Presença do anticorpo |
| Coloração ocular | 1 | Escore maior ou igual a 5 em pelo menos um olho |
| Teste de Schirmer | 1 | Menor ou igual a 5 mm em 5 minutos |
| Fluxo salivar não estimulado | 1 | Menor ou igual a 0,1 mL por minuto |
A soma máxima é 9, mas o ponto de corte é 4. Anti-La/SSB não entra como item ponderado, embora seja marcador relevante e frequente. A biópsia e o anti-Ro/SSA são os itens de maior peso. Assim, um paciente com biópsia positiva e anti-Ro positivo já atinge 6 pontos e preenche critério, desde que não haja exclusão.
O diagnóstico diferencial da secura é amplo e inclui causas exócrinas, infiltrativas, infecciosas, medicamentosas e funcionais. A sobreposição com LES e AR é frequente, e a classificação pode ser difícil. O caso pediátrico de nefrite túbulo-intersticial associada a autoimunidade com características predominantes de Sjögren mostra que nem sempre os critérios são preenchidos. Por isso, a investigação deve ser sindrômica e não apenas sorológica.
| Condição | Pistas | Exames úteis |
|---|---|---|
| Lúpus eritematoso sistêmico | Rash, artrite, nefrite | anti-dsDNA, anti-Sm, complemento baixo |
| Artrite reumatoide | Sinovite simétrica e erosões | fator reumatoide, anti-CCP |
| Esclerose sistêmica | Esclerodactilia, Raynaud e fibrose cutânea | anticentrômero, anti-Scl70 |
| Hepatite C | Secura e crioglobulinemia | anti-HCV, PCR HCV |
| HIV | Secura e aumento parotídeo | sorologia HIV |
| Sarcoidose | Adenopatia, pulmão e hipercalcemia | biópsia granulomatosa |
| Doença IgG4 | Aumento glandular e fibrose | IgG4 sérica e histologia |
| Secura medicamentosa | Início após fármaco | revisão de anticolinérgicos |
| Fibromialgia | Dor difusa e fadiga sem inflamação | diagnóstico clínico |
Diante de secura com artrite, rash, nefrite ou citopenias, a investigação deve priorizar lúpus e outras colagenoses. A presença de piúria estéril, poliúria e polidipsia exige avaliação renal e pode indicar nefrite túbulo-intersticial. Em crianças, manifestações urinárias recorrentes com culturas negativas devem levantar a possibilidade de doença autoimune. O diagnóstico final pode permanecer como síndrome autoimune com características predominantes de Sjögren quando os critérios não são plenamente preenchidos.
O tratamento da Síndrome de Sjögren começa com medidas locais e sintomáticas para controlar secura, dor e fadiga. A fonte 2 destaca que a terapia varia de medidas tópicas a medicamentos sistêmicos e biológicos. Para olho seco, usam-se lágrimas artificiais, géis, pomadas e ciclosporina tópica. Para boca seca, hidratação, goma sem açúcar, saliva artificial e sialogogos são pilares.
| Medida | Dose ou uso | Observação |
|---|---|---|
| Lágrimas artificiais | Conforme necessidade | Preferir sem conservantes se uso frequente |
| Ciclosporina colírio | 0,05 por cento 2 vezes ao dia | Pode arder inicialmente |
| Pilocarpina | 5 mg via oral 3 a 4 vezes ao dia | Cuidado com sudorese e sintomas GI |
| Cevimelina | 30 mg via oral 3 vezes ao dia | Evitar em glaucoma não controlado |
| Flúor tópico | Diário | Prevenção de cáries |
O tratamento sintomático melhora a qualidade de vida, mas não controla manifestações sistêmicas. Efeitos adversos dos sialogogos incluem sudorese, rubor, náusea e diarreia. A adesão às medidas não farmacológicas é essencial e deve ser reforçada em cada consulta. Pacientes com secura grave podem se beneficiar de acompanhamento oftalmológico e odontológico regular.
A terapia modificadora de doença é reservada para pacientes com envolvimento sistêmico, pois a evidência de eficácia é limitada, conforme a fonte 4. Hidroxicloroquina é usada para sintomas constitucionais, artralgia, mialgia e manifestações cutâneas. Metotrexato, azatioprina e micofenolato podem ser considerados em casos refratários ou com acometimento orgânico. Glicocorticoides são usados em pulsos ou doses baixas pelo menor tempo possível.
| Fármaco | Dose usual | Comentário |
|---|---|---|
| Hidroxicloroquina | 200 a 400 mg por via oral ao dia | Monitorar retina em uso prolongado |
| Prednisona | 0,5 a 1 mg por kg por dia | Reservada para flares ou envolvimento grave |
| Metotrexato | 7,5 a 20 mg por semana | Suplementar ácido fólico e monitorar fígado e medula |
| Azatioprina | 1 a 2 mg por kg por dia | Monitorar hemograma e enzimas hepáticas |
| Micofenolato de mofetila | 1 a 2 g por dia | Opção em manifestações renais ou pulmonares |
| Rituximabe | 1000 mg IV nos dias 1 e 15 ou 375 mg por m² semanal por 4 semanas | Opção em casos graves e refratários |
Drogas biológicas, como rituximabe, têm sido estudadas em manifestações sistêmicas graves, mas o uso é off-label e individualizado. A heterogeneidade da doença exige abordagem personalizada. O tratamento deve ser conduzido com reumatologista e equipe multidisciplinar. A resposta deve ser reavaliada periodicamente e a dose ajustada conforme toxicidade e benefício.
A Síndrome de Sjögren aumenta o risco de linfoma não Hodgkin de células B em cerca de 5 por cento dos pacientes, conforme a fonte 4. O linfoma costuma ser de células B e pode se manifestar por aumento parotídeo persistente, adenopatia, esplenomegalia ou sintomas B. A vigilância deve ser mantida por longo prazo, especialmente em pacientes com fatores de risco. O risco cardiovascular também é aumentado e exige controle de fatores tradicionais.
O prognóstico é heterogêneo. Pacientes com doença apenas glandular costumam ter bom prognóstico funcional, mas a fadiga pode ser incapacitante. Aqueles com envolvimento extraglandular, citopenias, vasculite ou nefrite têm pior desfecho. O diagnóstico precoce e o controle da atividade inflamatória podem reduzir dano acumulado. A vigilância de linfoma deve ser clínica e dirigida por sinais de alarme.
A Síndrome de Sjögren é uma doença autoimune sistêmica, não apenas secura ocular e oral. A tríade sicca, fadiga e dor deve levantar suspeita, principalmente em mulheres de meia idade. O diagnóstico usa sintomas persistentes por mais de três meses, exclusão de diferenciais e critérios ACR/EULAR 2016. A pontuação maior ou igual a 4 classifica, com destaque para biópsia e anti-Ro/SSA.
Na prática, o estudante deve integrar clínica, exames objetivos e sorologia, reconhecendo que que a síndrome pode ser primária ou secundária. A abordagem multidisciplinar é necessária devido ao envolvimento de múltiplos órgãos. O manejo deve priorizar qualidade de vida, controle da atividade e detecção precoce de complicações. A heterogeneidade da doença impede protocolos rígidos e exige decisões individualizadas.
1.Mulher de 55 anos com olhos secos e boca seca há 2 anos. Schirmer 3 mm/5 min em ambos os olhos, coloração ocular 6, fluxo salivar não estimulado 0,05 mL/min, anti-SSA/Ro positivo e biópsia de glândula salivar labial com focus score 0,7. Qual o escore ACR/EULAR 2016 e a interpretação correta?
2.Nos critérios ACR/EULAR 2016, qual item recebe peso 3 na pontuação?
3.Paciente com sintomas de secura e achados compatíveis com síndrome de Sjögren. Qual condição impede a aplicação dos critérios de classificação ACR/EULAR 2016?
4.O focus score na biópsia de glândula salivar labial é definido como:
5.Mulher de 48 anos com síndrome de Sjögren e xeroftalmia persistente apesar do uso frequente de lágrimas artificiais. O exame ocular confirma ceratoconjuntivite seca. Qual a melhor terapia tópica adjuvante?
6.Qual a dose usual de pilocarpina para o tratamento da xerostomia na síndrome de Sjögren?
7.Homem de 60 anos com síndrome de Sjögren apresenta púrpura palpável, neuropatia periférica, crioglobulinas positivas e C4 baixo. Qual tratamento sistêmico é mais apropriado?
8.Qual conjunto de achados confere o maior risco de linfoma B na síndrome de Sjögren?
9.Qual mecanismo é central na fisiopatologia da síndrome de Sjögren?
10.Sobre a epidemiologia da síndrome de Sjögren, qual afirmativa está correta?
acesso de membros
Matérias, materiais na íntegra, resumos, quiz e revisões ficam liberados na sua conta — a prévia desfocada é só um gostinho.
Entrar e continuar