Dissecção Aórtica Aguda: Diagnóstico, Imagem e Tratamento
Análise completa da dissecção aórtica aguda, abordando desde a fisiopatologia até as estratégias de imagem e manejo, com base em evidências robustas.
[1] Dissecção aórtica aguda: diagnóstico, imagem e tratamento. . · DOI 10.47820/recima21.v5i9.5754 | [2] Sayed A, Munir M, Bahbah EI. Aortic Dissection: A Review of the Pathophysiology, Management and Prospective Advances. Current cardiology reviews. 2021 · DOI 10.2174/1573403X16666201014142930 · PMID 33059568 | [3] Bossone E, Eagle KA. Epidemiology and management of aortic disease: aortic aneurysms and acute aortic syndromes. Nature reviews. Cardiology. 2021 May · DOI 10.1038/s41569-020-00472-6 · PMID 33353985 | [4] Evangelista A, Isselbacher EM, Bossone E. Insights From the International Registry of Acute Aortic Dissection: A 20-Year Experience of Collaborative Clinical Research. Circulation. 2018 Apr 24 · DOI 10.1161/CIRCULATIONAHA.117.031264 · PMID 29685932 | [5] Cochennec F, Marzelle J. [Acute aortic syndromes]. Presse medicale (Paris, France : 1983). 2018 Feb · DOI 10.1016/j.lpm.2018.02.001 · PMID 29526427 | [6] Oluwademilade Nee Ogunmola OJ, Osigbeme A, Abiyere HO. Acute aortic dissection masquerading as large bowel obstruction: a case report. . 2026 · DOI 10.1186/s43044-026-00775-y · PMID 42752716 · DOI 10.47820/recima21.v5i9.5754
01Introdução e Contexto Clínico
A dissecção aórtica aguda é uma emergência médica catastrófica, caracterizada por uma separação das camadas da parede da aorta, criando um falso lume que pode comprimir o lume verdadeiro e levar a ruptura, isquemia de órgãos ou morte súbita. A aorta, descrita como a 'maior artéria', transporta mais de 200 milhões de litros de sangue ao longo da vida média, suportando uma pressão e tensão imensas com cada batimento cardíaco. O diagnóstico rápido é fundamental, pois a mortalidade é estimada em 1% a 2% por hora nos primeiros 48 horas após o início dos sintomas se não for tratada. Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, o peso da doença aórtica permanece elevado, exigindo alta suspeição clínica e uma abordagem sistemática para maximizar as chances de sobrevivência.
A doença representa um desafio significativo para sistemas de saúde, com custos hospitalares elevados e uma carga de morbidade substancial. A incidência anual é estimada em 2 a 3 casos por 100.000 habitantes, com uma prevalência crescente devido ao envelhecimento da população e ao aumento da prevalência da hipertensão. A dissecção aórtica é uma das síndromes aórticas agudas mais letais, superando em mortalidade o infarto agudo do miocárdio e a hemorragia subaracnóide nas primeiras horas. A sobrevivência do paciente depende críticamente de uma cadeia de sobrevivência robusta, que vai da suspeição clínica inicial no atendimento pré-hospitalar até o manejo intensivo e a intervenção definitiva em um centro especializado.
02Definição e Classificação da Dissecção Aórtica
A dissecção aórtica é definida como uma separação da íntima da aorta, permitindo que o sangue entre na camada média, criando um novo canal ou falso lume. Esse processo patológico pode se propagar proximal ou distalmente ao longo da aorta, comprometendo ramos vitais e levando a complicações fatais. A classificação é essencial para determinar a estratégia de tratamento, pois a localização anatômica da dissecção dita a abordagem cirúrgica ou endovascular. Além disso, a classificação ajuda a prever o risco de complicações específicas, como insuficiência aórtica ou isquemia de órgãos.
Classificação de Stanford: É a mais utilizada na prática clínica por sua simplicidade e relevância terapêutica. Tipo A envolve a aorta ascendente, independentemente da extensão para a aorta descendente. Esses pacientes são candidatos a cirurgia de emergência. Tipo B envolve apenas a aorta descendente, distal ao arco aórtico. O tratamento inicial é médico, com cirurgia reservada para complicações.
Classificação de DeBakey: É mais anatômica e detalhada. Tipo I começa na aorta ascendente e se estende além do arco aórtico para a aorta abdominal. Tipo II é restrito à aorta ascendente. Tipo III começa na aorta descendente, sendo subdividido em IIIa (até o diafragma) e IIIb (abaixo do diafragma). Essa classificação é útil para planejar a extensão da cirurgia.
Síndromes Aórticas Agudas: A dissecção é uma das síndromes aórticas agudas, que também incluem hematoma intramural (separação da camada média sem intimal tear), úlcera penetrante (úlcer aterosclerótica que rompe a íntima e penetra na camada média) e aneurisma roto ou contido. Essas condições compartilham apresentações clínicas semelhantes e exigem investigação de imagem urgente.
Classificação
Características Principais
Implicações Terapêuticas
Stanford Tipo A
Envolve a aorta ascendente (com ou sem extensão para descendente).
Indicação cirúrgica de emergência.
Stanford Tipo B
Envolve apenas a aorta descendente, distal ao arco aórtico.
Tratamento médico inicial; cirurgia/endovascular para complicações.
DeBakey Tipo I
Dissecção que começa na ascendente e se estende para a descendente abdominal.
Cirurgia complexa com reimplante de vasos.
DeBakey Tipo II
Dissecção restrita exclusivamente à aorta ascendente.
Cirurgia da raiz e ascendente.
DeBakey Tipo III
Dissecção que começa na aorta descendente.
Tratamento médico ou endovascular.
03Epidemiologia e Fatores de Risco
A dissecção aórtica é uma condição que geralmente afeta idosos, com pico de incidência entre a 6ª e 7ª décadas de vida, mas pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em jovens. A epidemiologia da doença aórtica, incluindo aneurismas e síndromes agudas, continua a representar um fardo significativo para a saúde pública. Os fatores de risco podem ser divididos em dois grandes grupos: aqueles que aumentam a tensão na parede da aorta (pressão arterial) e aqueles que causam degeneração estrutural da parede aórtica.
Hipertensão arterial sistêmica é o fator de risco mais prevalente e modificável, presente em até 70-80% dos pacientes. A pressão elevada aumenta a tensão na parede aórtica (tensão = pressão x raio), acelerando a progressão da dissecção e aumentando o risco de ruptura.
Doenças do tecido conjuntivo são causas importantes, especialmente em pacientes mais jovens. A síndrome de Marfan, causada por mutações no gene FBN1, é a mais comum, associada a dilatação da raiz aórtica e dissecção. A síndrome de Ehlers-Danlos vascular e a Loeys-Dietz também conferem risco elevado devido à fragilidade da camada média.
Valvopatias como a válvula aórtica bicúspide estão associadas a dilatação e dissecção da aorta ascendente. Cerca de 10% dos pacientes com dissecção têm uma válvula bicúspide, e a presença de uma aortopatia associada é uma indicação para cirurgia profilática.
Outros fatores incluem aterosclerose avançada, vasculites inflamatórias (como a arterite de Takayasu), infecções (sífilis, tuberculose), uso de cocaína (que causa hipertensão aguda e aumento da contratilidade cardíaca), levantamento de peso intenso e trauma (deslizamento ou deceleração brusca).
04Fisiopatologia da Dissecção Aórtica
A fisiopatologia da dissecção aórtica é um processo em cascata que começa com uma lesão na íntima da aorta, criando uma entrada por onde o sangue sob pressão penetra na camada média. Essa penetração descola as camadas da parede aórtica, formando um falso lume que pode se estender proximal ou distalmente. A propagação da dissecção é determinada pela pressão arterial e pela integridade da parede aórtica. O falso lume pode comprimir o lume verdadeiro, levando à isquemia de órgãos vitais, como coração, cérebro, rins e membros.
Mecanismo de Início: A lesão na íntima pode ser causada por hipertensão crônica, que causa degeneração da íntima e da camada média, ou por doenças genéticas que enfraquecem a estrutura da parede. A entrada do sangue na camada média cria um plano de clivagem que se propaga.
Dinâmica do Falso Lume: O falso lume pode ser comunicante (comunica-se com o lume verdadeiro através de uma ou mais reentrâncias) ou não comunicante. Um falso lume crescente aumenta a pressão na parede aórtica, elevando o risco de ruptura. A trombose do falso lume é um evento favorável, pois reduz a pressão e o risco de ruptura, mas pode levar à isquemia se ocluir ramos vitais.
Isquemia de Órgãos: A compressão do lume verdadeiro ou a oclusão de ramos aórticos por dissecção ou trombo no falso lume pode causar isquemia. As manifestações incluem infarto agudo do miocárdio (envolvimento da artéria coronária), AVC (envolvimento dos troncos supra-aórticos), isquemia renal (insuficiência renal aguda), isquemia mesentérica (dor abdominal aguda) e isquemia de membros (claudicação aguda ou isquemia aguda do membro).
Ruptura Aórtica: É a complicação mais temida, resultando em hemorragia catastrófica e morte. A ruptura é mais provável em dissecções tipo A e em pacientes com hipertensão não controlada. A pressão arterial elevada é um fator determinante na progressão e ruptura da dissecção, tornando o controle pressórico uma prioridade no manejo inicial.
05Apresentação Clínica e Diagnóstico Diferencial
A apresentação clínica da dissecção aórtica é variável e pode mimetizar outras condições, o que representa um desafio diagnóstico. A dor é o sintoma mais comum e característico. Em pacientes com dor torácica ou abdominal aguda e suspeita de síndrome coronariana aguda, a dissecção aórtica deve ser considerada, especialmente se houver hipertensão severa ou achados físicos inconsistentes. O diagnóstico diferencial é amplo e inclui todas as causas de dor torácica e abdominal aguda.
Sintoma/Achado
Frequência/Descrição
Dor torácica aguda
Sensação de rasgamento, perfuração ou dor intensa, que pode migrar ao longo do trajeto da aorta. Pode ser confundida com infarto agudo do miocárdio.
Dor abdominal aguda
Pode ocorrer em dissecções tipo B, simulando uma obstrução intestinal, pancreatite, úlcera perfurada ou outra causa de 'abdomem agudo'.
Hipertensão severa
Encontrado em até 70% dos pacientes, especialmente em dissecções tipo B. A ausência de hipertensão sugere envolvimento da aorta ascendente ou ruptura.
Hipotensão ou choque
Indica ruptura ou envolvimento da aorta ascendente (insuficiência aórtica aguda). É um sinal de mau prognóstico.
Pulso diferencial ou ausente
Sinal de perfusão inadequada de membros, associado a alta mortalidade. Pode ser devido a oclusão da artéria subclávia, ilíaca ou femoral.
Sopro de insuficiência aórtica
Indica envolvimento da raiz da aorta e dilatação do anulo aórtico. É um achado comum em dissecções tipo A.
Sintomas neurológicos
AVC, isquemia medular ou paralisia de membros devido à oclusão de ramos da aorta. Pode ser a manifestação inicial em alguns pacientes.
Condição
Pontos-Chave para Diferenciação
Infarto Agudo do Miocárdio
Dor tipica retroesternal, elevação de troponina, alterações no ECG. A dissecção pode causar isquemia se ocluir uma artéria coronária.
Tromboembolismo Pulmonar
Dispneia súbita, taquicardia, dor pleurítica. A dissecção pode envolver a artéria pulmonar (tipo A).
Aneurisma da Aorta Abdominal Roto
Dor abdominal aguda, massa pulsátil, hipotensão. A dissecção tipo B pode se apresentar de forma semelhante.
Pancreatite Aguda
Dor epigástrica intensa, náuseas, vômitos, elevação de amilase/lipase. A dissecção tipo B pode causar dor abdominal devido a isquemia mesentérica.
Síndrome Aórtica Aguda
Hematoma intramural e úlcera penetrante têm apresentação clínica muito semelhante à dissecção e exigem imagem para diferenciação.
06Diagnóstico por Imagem: O Papel do POCUS
O diagnóstico de dissecção aórtica aguda requer confirmação por imagem. A tomografia computadorizada (TC) com contraste é o padrão-ouro, mas a ultrassonografia à beira do leito (POCUS) tem emergido como uma ferramenta essencial para avaliação rápida e eficaz. O POCUS é um estudo de imagem rápido, não invasivo e portátil, ideal para pacientes instáveis. Foi demonstrado que o POCUS reduz significativamente o tempo para o diagnóstico, com alta sensibilidade e especificidade para diagnosticar a doença, e contribui para a redução da mortalidade.
Ultrassonografia à Beira do Leito (POCUS): A ecocardiografia transtorácica (ETT) via POCUS pode identificar dilatação da aorta (>4.5 cm na raiz), hematoma periaórtico e, em alguns casos, o flap intimal. É particularmente útil para avaliar a raiz da aorta e o envolvimento da válvula aórtica. A sensibilidade para dissecção da aorta ascendente é de 78-98%, mas cai para 31-63% para a aorta descendente. A ecocardiografia transesofágica (TEE) tem sensibilidade maior (>98%) para a aorta ascendente e descendente, mas é invasiva e requer um especialista.
Tomografia Computadorizada (TC): A TC angiográfica com contraste intravenoso é o padrão-ouro, com sensibilidade e especificidade superiores a 95% para o diagnóstico de dissecção. Permite visualizar o flap intimal, o verdadeiro e o falso lume, e a extensão exata da dissecção. É rápida, amplamente disponível e permite avaliar outras estruturas torácicas e abdominais. Desvantagens inclinação radiação e contraste iodado, que podem ser contraindicados em pacientes com insuficiência renal ou alergia.
Ressonância Magnética (RM): Oferece excelente visualização das estruturas da aorta sem radiação, com sensibilidade e especificidade de >95%. É excelente para caracterizar o falso lume, identificar trombose e avaliar a perfusão dos órgãos. Desvantagens incluem tempo mais longo, custo elevado, disponibilidade limitada e contraindicações como marcapassos e claustrofobia. É reservada para casos mais estáveis ou quando a TC é contraindicada.
Angiografia: Raramente usada como primeira linha, mas pode ser útil em casos de isquemia de órgãos para definir a localização da oclusão e permitir angioplastia e stent. A angiografia digital subtração pode mostrar o flap intimal e a oclusão de ramos, mas não é tão boa quanto a TC ou RM para avaliar a parede da aorta.
Rápida, sem radiação, visualização excelente da aorta torácica.
Invasiva, requer especialista, desconforto para o paciente.
Ecocardiografia TTE
78-98% (ascendente)
31-63% (descendente)
Não invasiva, portátil (POCUS), rápida.
Visualização limitada da aorta descendente, depende do operador.
07Marcadores Bioquímicos: D-Dímero
Embora a imagem seja o pilar do diagnóstico, marcadores bioquímicos podem auxiliar na suspeição clínica. O D-dímero, um produto de degradação da fibrina, tem sido investigado como um marcador para dissecção aórtica aguda. Um nível normal de D-dímero tem um alto valor preditivo negativo, ajudando a excluir a dissecção em pacientes com baixa probabilidade clínica. No entanto, um D-dímero elevado é inespecífico e pode estar elevado em outras condições como trombose venosa profunda ou infarto agudo do miocárdio. Portanto, seu uso é limitado como ferramenta de triagem em pacientes de alto risco.
Utilidade Clínica: O D-dímero tem uma sensibilidade de 95-100% para dissecção aórtica, o que significa que quase todos os pacientes com dissecção terão um nível elevado. No entanto, a especificidade é baixa (40-60%), pois muitos outros processos inflamatórios e trombóticos podem elevar o D-dímero. Um D-dímero normal (<500 ng/mL) tem um valor preditivo negativo de quase 100%, sendo útil para excluir a dissecção em pacientes com baixa probabilidade clínica, como aqueles com dor torácica atípica.
Limitações: O uso do D-dímero como teste de triagem em pacientes de alto risco (com dor torácica típica e hipertensão) não é recomendado, pois a alta prevalência de resultados falso-positivos levaria a um número excessivo de exames de imagem desnecessários. Além disso, pacientes com dissecção de baixo fluxo ou trombose do falso lume podem ter um D-dímero normal, resultando em um falso-negativo.
Outros Marcadores: Não há marcadores bioquímicos específicos para dissecção aórtica. A proteína C-reativa (PCR) pode estar elevada, mas é inespecífica. A troponina pode estar elevada se houver envolvimento coronário e isquemia miocárdica. A creatinina deve ser avaliada para orientar o uso de contraste iodado.
08Tratamento: Manejo Médico, Cirúrgico e Endovascular
O tratamento da dissecção aórtica aguda depende do tipo (A ou B), da presença de complicações e da estabilidade hemodinâmica do paciente. A escolha da intervenção varia significativamente entre os tipos, com a cirurgia aberta sendo o padrão para o tipo A e o tratamento endovascular ganhando destaque para o tipo B complicado. O objetivo do tratamento é interromper a progressão da dissecção, prevenir a ruptura e tratar as complicações isquêmicas.
Manejo Médico Inicial: O objetivo é reduzir a pressão arterial e a velocidade de ejeção ventricular esquerda (dP/dt), diminuindo a tensão na parede aórtica. A meta é uma pressão sistólica entre 100-120 mmHg em pacientes sem perfusão inadequada. O controle da frequência cardíaca é tão importante quanto o controle da pressão, pois a dP/dt é um determinante chave da tensão na parede. As drogas usadas incluem:
Manejo Cirúrgico para Tipo A: A reparação cirúrgica aberta da aorta ascendente é o tratamento de escolha para dissecções tipo A Stanford. A cirurgia envolve a ressecção do segmento dissecado e a substituição por um enxerto de Dacron, com reimplantação dos vasos coronários se necessário. O timing é crítico, com cirurgia emergente em pacientes estáveis (dentro de 24 horas) e imediata em instáveis. A técnica de David ou Bentall-De Bono é usada se houver envolvimento da raiz aórtica e insuficiência aórtica. A mortalidade cirúrgica é de 10-20% em centros especializados.
Manejo Endovascular para Tipo B: O tratamento endovascular com enxertos endovasculares aórticos thorácicos (TEVAR) é indicado para dissecções tipo B complicadas. As indicações para TEVAR incluem dor persistente, hipertensão refratária, isquemia de órgãos (malperfusão), ruptura ou expansão do aneurisma. O procedimento é menos invasivo do que a cirurgia aberta e tem sido associado a melhores resultados em dissecções tipo B complicadas. A técnica envolve a colocação de um stent coberto para selar a entrada da dissecção e restaurar o fluxo sanguíneo para os órgãos. Em dissecções tipo B não complicadas, o tratamento médico otimizado permanece o padrão, embora o TEVAR esteja sendo explorado como uma opção para reduzir a mortalidade a longo prazo.
Tipo de Dissecção
Indicação para Cirurgia/Endovascular
Procedimento
Mortalidade Operatória
Stanford Tipo A
Todos os casos (estáveis ou instáveis)
Reparação cirúrgica aberta da aorta ascendente
10-20%
Stanford Tipo B (Complicada)
Dor persistente, malperfusão, ruptura, expansão
TEVAR ou cirurgia aberta
10-15% (TEVAR), 15-30% (cirurgia)
Stanford Tipo B (Não complicada)
Não é indicada
Tratamento médico otimizado
10-15%
09Complicações e Prognóstico
A dissecção aórtica aguda é associada a altas taxas de morbidade e mortalidade. As complicações são frequentes e determinam o prognóstico do paciente. O International Registry of Acute Aortic Dissection (IRAD), com mais de 7300 casos de mais de 51 sites em 12 países, forneceu insights valiosos sobre as complicações e resultados. O prognóstico depende do tipo de dissecção, da presença de complicações, da rapidez do diagnóstico e do tratamento, e do centro de tratamento.
Principais Complicações: Ruptura aórtica é a complicação mais letal, ocorrendo em até 20% dos pacientes não tratados. A isquemia de órgãos é uma causa importante de morbidade e mortalidade, incluindo infarto agudo do miocárdio (2-5% dos casos), AVC (5-6%), isquemia renal (15-30%), isquemia mesentérica (3-5%) e isquemia de membros (4-15%). A insuficiência aórtica aguda ocorre em 50-70% das dissecções tipo A e pode levar a insuficiência cardíaca aguda. O derrame pericárdico e o tamponamento cardíaco são complicações graves que exigem intervenção imediata.
Prognóstico: A mortalidade hospitalar para dissecções tipo A permanece alta, entre 20-30%, embora tenha diminuído significativamente com o aumento do uso de procedimentos cirúrgicos em centros especializados. A mortalidade para dissecções tipo B também é elevada, entre 10-15%, mas aumenta para 20-50% quando complicadas. O tempo até o diagnóstico é um fator prognóstico crítico; cada hora de atraso aumenta o risco de morte em 1-2%. O manejo em centros especializados é associado a melhores resultados, com redução da mortalidade em até 50%.
10Pontos de Prova e Erros Comuns
Teste-se
10 questões comentadas
1.Qual é a classificação de Stanford para uma dissecção que envolve a aorta ascendente e a aorta descendente?
2.Qual é o tratamento de escolha para uma dissecção aórtica aguda tipo Stanford A?
3.Qual é a principal meta da terapia farmacológica inicial no manejo da dissecção aórtica aguda?
4.Qual exame de imagem é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico de dissecção aórtica aguda?
5.Em qual tipo de dissecção aórtica o tratamento endovascular com TEVAR é geralmente indicado?
6.Qual marcador bioquímico tem um alto valor preditivo negativo para excluir a dissecção aórtica aguda em pacientes com baixa probabilidade clínica?
7.Qual é a complicação mais temida e mais comum da dissecção aórtica aguda não tratada?
8.Qual é a droga de primeira linha para reduzir a velocidade de ejeção ventricular (dP/dt) no manejo inicial da dissecção aórtica?
9.Qual síndrome aórtica aguda é caracterizada por um hematoma localizado na parede da aorta sem um flap intimal visível?
10.Qual é a principal limitação do uso da ultrassonografia transtorácica (POCUS) para o diagnóstico de dissecção aórtica?
Pergunta 1Classificação de Stanford para dissecção aórtica
RespostaTipo A: envolve a aorta ascendente. Tipo B: envolve apenas a aorta descendente, distal ao arco aórtico.
Pergunta 2Tratamento de escolha para dissecção tipo A Stanford
RespostaReparo cirúrgico aberto emergente da aorta ascendente.
Pergunta 3Meta da terapia farmacológica inicial na dissecção aórtica
RespostaReduzir a pressão arterial (100-120 mmHg sistólica) e a velocidade de ejeção ventricular (dP/dt).
Pergunta 4Padrão-ouro de imagem para dissecção aórtica aguda
RespostaTomografia computadorizada angiográfica com contraste intravenoso.
Pergunta 5Indicação para tratamento endovascular (TEVAR) em dissecção aórtica
RespostaDissecção tipo B Stanford complicada (dor persistente, isquemia de órgãos, ruptura, hipertensão refratária).
Pergunta 6Marcador bioquímico com alto valor preditivo negativo para dissecção aórtica
RespostaD-dímero: um nível normal ajuda a excluir a dissecção em pacientes de baixo risco.
Pergunta 7Beta-bloqueador de ação rápida de primeira linha para dissecção aórtica
RespostaEsmolol: dose de carga de 500 mcg/kg/min, seguida de infusão contínua de 50-300 mcg/kg/min.
Pergunta 8Síndrome aórtica aguda sem flap intimal visível
RespostaHematoma intramural: hematoma localizado na camada média da parede aórtica.
Pergunta 9Complicação mais temida da dissecção aórtica aguda
RespostaRuptura da aorta, resultando em hemorragia catastrófica e morte.
Pergunta 10Limitação principal da ultrassonografia transtorácica (POCUS) para dissecção
RespostaBaixa sensibilidade para visualizar a aorta descendente.
Pergunta 11Fator de risco mais prevalente para dissecção aórtica
RespostaHipertensão arterial sistêmica.
Referencial teórico
fontes oficiais desta página
Referência base[1] Dissecção aórtica aguda: diagnóstico, imagem e tratamento. . · DOI 10.47820/recima21.v5i9.5754 | [2] Sayed A, Munir M, Bahbah EI. Aortic Dissection: A Review of the Pathophysiology, Management and Prospective Advances. Current cardiology reviews. 2021 · DOI 10.2174/1573403X16666201014142930 · PMID 33059568 | [3] Bossone E, Eagle KA. Epidemiology and management of aortic disease: aortic aneurysms and acute aortic syndromes. Nature reviews. Cardiology. 2021 May · DOI 10.1038/s41569-020-00472-6 · PMID 33353985 | [4] Evangelista A, Isselbacher EM, Bossone E. Insights From the International Registry of Acute Aortic Dissection: A 20-Year Experience of Collaborative Clinical Research. Circulation. 2018 Apr 24 · DOI 10.1161/CIRCULATIONAHA.117.031264 · PMID 29685932 | [5] Cochennec F, Marzelle J. [Acute aortic syndromes]. Presse medicale (Paris, France : 1983). 2018 Feb · DOI 10.1016/j.lpm.2018.02.001 · PMID 29526427 | [6] Oluwademilade Nee Ogunmola OJ, Osigbeme A, Abiyere HO. Acute aortic dissection masquerading as large bowel obstruction: a case report. . 2026 · DOI 10.1186/s43044-026-00775-y · PMID 42752716doi.org/10.47820/recima21.v5i9.5754
notaMaterial didático gerado por IA a partir EXCLUSIVAMENTE do resumo oficial da referência acima (repositório em destaque). Nenhuma informação além da fonte.
Este material foi útil?
acesso de membros
Entre para acessar
Matérias, materiais na íntegra, resumos, quiz e revisões ficam liberados na sua conta — a prévia desfocada é só um gostinho.