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Revisão completa da gastroenterite aguda na criança: avaliação do grau de desidratação, planos A, B e C de reidratação, realimentação precoce, probióticos, racecadotril, ondansetrona e indicações restritas de antibióticos, com doses e esquemas prontos para prova.
[1] Guarino A, Ashkenazi S, Gendrel D, Lo Vecchio A, Shamir R, Szajewska H. ESPGHAN/ESPID Evidence-Based Guidelines for the Management of Acute Gastroenteritis in Children in Europe: Update 2014. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2014;59(1):132-152 · DOI 10.1097/MPG.0000000000000375 · PMID 24739189 | [2] World Health Organization. The Treatment of Diarrhoea: A Manual for Physicians and Other Senior Health Workers. 4th rev. Genebra: WHO; 2005 · ISBN 92-4-159318-0 · https://www.who.int/publications/i/item/9241593180 | [3] Kotloff KL, Nataro JP, Blackwelder WC, et al. Burden and aetiology of diarrhoeal disease in infants and young children in developing countries (GEMS): a prospective, matched, case-control study. Lancet. 2013;382(9888):209-222 · DOI 10.1016/S0140-6736(13)60844-2 · PMID 23661551 | [4] Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Gastroenterologia. Diarreia aguda: diagnóstico e tratamento. Rio de Janeiro: SBP; 2017 · https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2017/03/Guia-Pratico-Diarreia-Aguda.pdf · DOI 10.1097/MPG.0000000000000375
A gastroenterite aguda é a infecção mais comum da infância e continua entre as principais causas de morte em menores de 5 anos no mundo, com cerca de 1,7 bilhão de episódios anuais e em torno de meio milhão de óbitos por ano, a maioria por desidratação que poderia ser evitada com terapia de reidratação oral (TRO). No Brasil, a introdução da vacina contra rotavírus no calendário nacional em 2006 derrubou em aproximadamente metade as internações e mortes por diarreia nessa faixa etária, mudando o perfil etiológico, mas não a lógica do tratamento: reidratar, realimentar cedo e evitar medicações desnecessárias. Para a prova, o candidato precisa dominar três eixos: graduar a desidratação corretamente, escolher o plano de reidratação (A, B ou C) com volumes e tempos exatos e saber as poucas situações em que antibiótico, antiemético ou exames de fezes estão indicados.
Define-se diarreia aguda como a eliminação de três ou mais evacuações amolecidas ou líquidas por dia (ou evolução para padrão mais amolecido que o habitual da criança), com duração inferior a 14 dias. A classificação por duração separa diarreia aguda (menos de 14 dias), persistente (14 a 29 dias) e crônica (30 dias ou mais). Pela características das fezes, separa-se o mecanismo secretor (diarreia aquosa, volumosa, sem pus, sem sangue, geralmente sem febre alta) do mecanismo inflamatório ou invasivo (disenteria: fezes com muco e/ou sangue, tenesmo, febre, dor abdominal), distinção que orienta etiologia, exames e antibioticoterapia.
A carga global concentra-se em países de baixa renda, onde cada criança pequena apresenta 2 a 3 episódios por ano. O estudo GEMS, maior estudo de caso-controle prospectivo sobre o tema (7 países da África e da Ásia, crianças de 0 a 59 meses), mostrou que os principais patógenos associados à diarreia moderada a grave são rotavírus (líder absoluto em quase todos os sítios), Cryptosporidium (segundo em lactentes), Shigella e ETEC toxigênica. Em lactentes menores de 6 meses, a diarreia tem maior letalidade, e Cryptosporidium e rotavírus ganham peso. No Brasil, após a vacinação universal contra rotavírus (vacina humana atenuada G1P[8], em 2 doses no primeiro semestre de vida), norovírus e rotavírus co-lideram os quadros virais, seguidos por Salmonella não tifoídica, Shigella, Campylobacter, Escherichia coli diarreiogênica e parasitoses como Giardia lamblia e Entamoeba histolytica, conforme a região e a estação.
| Agente | Padrão clínico típico | Fezes | Nota de prova |
|---|---|---|---|
| Rotavírus | Vômitos precedem a diarreia, febre baixa, evacuações líquidas abundantes, duração 3 a 8 dias | Aquosas, sem sangue | Principais causas de desidratação grave em menores de 2 anos; vacina oral no primeiro semestre |
| Norovírus | Vômitos intensos predominantes, diarreia leve, resolução em 1 a 3 dias | Aquosas | Principal causa de gastroenterite viral em crianças vacinadas contra rotavírus e surtos em creches |
| ETEC | Diarreia aquosa volumosa tipo cólera, sem febre, viajantes | Aquosas | Toxinas LT (semelhante à colérica) e ST; higiene de alimentos e água |
| Shigella | Disenteria com febre alta, tenesmo, prostração, risco de convulsão | Muco e sangue | Principal indicação de antibiótico na disenteria; doses baixas de patógeno contaminam |
| Salmonella não tifoídica | Diarreia com febre e dor abdominal, fezes fétidas, bacteremia rara em imunocompetentes | Aquosas ou pastosas | Antibiótico só em menores de 3 meses, imunossuprimidos, bacteremia ou doença grave |
| Campylobacter jejuni | Diarreia aquosa que evolui para disenteria, febre, dor abdominal em cólica | Aquosa evoluindo para muco e sangue | Associado a síndrome de Guillain-Barré pós-infecção |
| Escherichia coli productora de toxina Shiga (STEC) | Diarreia aquosa que evoluí com fezes sanguinolentes pouco frequentes, sem febre alta | Sangue, pouco muco | Risco de síndrome hemolítico-urêmica; antibiótico e antidiarreico são contraindicados |
| Giardia lamblia | Diarreia crônica ou persistente, esteatorreia, distensão abdominal, flatulência | Pastosas, gordurosas | Causa clássica de diarreia persistente em crianças em creches |
Os vírus enterotrópicos (rotavírus e norovírus) infectam e destroem os enterócitos maduros das vilosidades do intestino delgado proximal, causando perda das dissacaridases da borda em escova (principalmente a lactase), encurtamento das vilosidades e diarreia osmótica. O rotavírus ainda produz a proteína não estrutural NSP4, com efeito enterotóxico secretor ativo. Nas diarreias bacterianas, as toxinas (toxina colérica, LT da ETEC) ligam-se a receptores da mucosa e aumentam o AMPc intracelular, gerando secreção ativa de cloreto e inibição da absorção de sódio, com perda de água eletroliticamente rica em sódio e potássio; as bactérias invasivas (Shigella, Salmonella, Campylobacter) ulceram a mucosa colônica e provocam resposta inflamatória com leucócitos fecais e sangue.
O fundamento fisiológico da terapia de reidratação oral é o cotransportador sódio-glicose SGLT1, que permanece intacto na membrada dos enterócitos jovens das criptas mesmo durante a infecção: a co-absorção de glicose e sódio arrasta passivamente água. Por isso a SRO da OMS contém glicose em proporção estequiométrica com o sódio (75 mmol/L de cada), sódio reduzido (75 mmol/L contra 90 da fórmula antiga), potássio 20 mmol/L, citrato 10 mmol/L (alcalinizante, substitui o bicarbonato) e cloreto 65 mmol/L, totalizando osmolaridade de 245 mOsm/L — daí o nome solução hipossódica ou de baixa osmolaridade, que reduz vômitos, volume fecal e necessidade de hidratação intravenosa em relação à fórmula clássica de 311 mOsm/L. O zinco, por sua vez, acelera a regeneração do epitélio intestinal, aumenta a absorção de água e eletrólitos e reduz a duração e a severidade do episódio, além de prevenir novos episódios nos 2 a 3 meses seguintes.
O quadro clássico começa com vômitos e febre, seguidos de evacuações líquidas que variam de poucas a mais de dez por dia. Os sinais que gradam a desidratação devem ser buscados ativamente: aspecto geral (normal, irritado ou prostrado/letárgico), olhos (normais ou escavados), mucosas e lágrimas, turgor da pele, enchimento capilar e diurese. A perda percentual de peso estimada classifica a desidratação em leve ou ausente (menos de 5%, ou menos de 3% em lactentes), moderada (5 a 10% em crianças; 6 a 9% em lactentes) e grave (acima de 10%; acima de 9% em lactentes). A Escala Clínica de Desidratação (4 sinais: aparência geral, olhos, mucosas e lágrimas, pontuadas de 0 a 2, total de 0 a 8) estratifica risco e é útil em serviços: 0 significa sem desidratação, 1 a 4 desidratação alguma e 5 a 8 desidratação moderada a grave.
| Achado | Sem desidratação | Deshidratação moderada (plano B) | Desidratação grave (plano C) |
|---|---|---|---|
| Aspecto geral | Bem, alerta, sedento ou não | Inquieto, irritado, sedento | Prostrado, letárgico ou inconsciente |
| Olhos | Normais | Escavados | Muito escavados e secos |
| Mucosas e lágrimas | Úmidas, chora com lágrimas | Secas, chora sem lágrimas | Muito secas, sem lágrimas |
| Turgor cutâneo | Retorno imediato | Retardo menor que 2 segundos | Retardo maior que 2 segundos |
| Sinais de choque | Ausentes | Pulso normal ou cheio, enchimento capilar menor que 3 s | Pulso rápido e fino ou impalpável, enchimento capilar maior que 3 s, extremidades frias |
| Diurese | Normal | Reduzida | Ausente há 6 horas ou mais |
| Perda de peso estimada | Menos de 5% (ou 3% em lactentes) | 5 a 10% | Maior que 10% |
Sinais de alarme para internação: desidratação grave ou choque, falha da TRO por vômitos persistentes, perda de peso maior que 5% durante a observação, idade menor de 3 meses, suspeita de doença cirúrgica, diarreia com sangue e febre alta em lactente, malnutrição grave, immunossupressão, convulsão ou alteração do nível de consciência e oligúria persistente. A desidratação hiponatrêmica (sódio menor que 135 mEq/L) é a forma mais perigosa: a criança fica prostrada com olhos muito escavados, tem risco maior de convulsão e corre risco de edema cerebral se corrigida rapidamente; a hipernatrêmica (sódio maior que 150 mEq/L) cursa com irritabilidade, turgor conservado ou aumentado (aspecto de criança bem hidratada) e risco de trombose cerebral, e deve ser corrigida devagar, ao longo de 48 a 72 horas.
O diagnóstico de gastroenterite aguda é clínico e epidemiológico. Exames de fezes de rotina NÃO estão indicados na diarreia aquosa sem complicações, pois não alteram a conduta, que é hidratação e dieta. A coprocultura, a pesquisa de leucócitos fecais, toxinase ou testes rápidos de rotavírus têm indicação seletiva, resumida a seguir:
| Diagnóstico diferencial | Elementos diferenciais da gastroenterite |
|---|---|
| Apendicite aguda | Dor localizada em fossa ilíaca direita, defesa, vômitos após a dor, diarreia ausente ou discreta |
| Infecção do trato urinário | Lactente com febre alta sem foco, vômitos, irritabilidade; diarreia ocasional; urina tipo 1 e urocultura definem |
| Intussuscepção intestinal | Lactente 6 meses a 2 anos, crises de dor com flexão de membros, vômitos biliosos, fezes em geléia de morango, massa abdominal em salsicha |
| Diabetes mellitus em cetose | Poliúria, polidipsia, emagrecimento, respiração de Kussmaul, hálito cetônico, glicosúria e cetonúria |
| Síndrome hemolítico-urêmica | Pallor, oligúria e hematúria após diarreia sanguinolenta; anemia com esquizócitos e plaquetopenia |
| Intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca | Diarreia crônica ou recorrente sem prostração, melhora com exclusão do açúcar ou da proteína |
A OMS organiza a conduta em três planos, escolhidos pelo grau de desidratação. O plano A (tratamento domiciliar) aplica-se à criança sem desidratação: orientar mais líquidos que o habitual (SRO após cada evacuação solta: crianças até 2 anos, 50 a 100 mL; de 2 a 10 anos, 100 a 200 mL; maiores de 10 anos, à vontade), continuar alimentação habitual e zinc por 10 a 14 dias, com retorno se surgirem sinais de alarme (sangue nas fezes, vômitos persistentes, sede intensa, piora da diarreia ou prostração).
O plano B (reidratação supervisionada em serviço, para desidratação moderada) usa SRO na quantidade de 50 a 100 mL/kg em 3 a 4 horas (a OMS preconiza 75 mL/kg em 4 horas), administrada em goles ou por sonda nasogástrica pequenas frações frequentes — 5 mL a cada 1 a 2 minutos, com pausa se vomitar e reinício 10 minutos depois. Após a reidratação, reavaliar, realimentar e liberar com plano A se houver melhora. A sonda nasogástrica é alternativa quando a criança vomita repetidamente mas não tem indicação de via intravenosa.
O plano C (desidratação grave ou choque) exige via intravenosa imediata com solução de Ringer com lactato (ou solução salina 0,9% se aquela não estiver disponível): infundir 100 mL/kg divididos em duas fases — para menores de 12 meses, 30 mL/kg na primeira hora e 70 mL/kg nas 5 horas seguintes; para crianças de 12 meses a 5 anos, 30 mL/kg nos primeiros 30 minutos e 70 mL/kg nas 2,5 horas seguintes. Reavaliar a cada 1 a 2 horas: se houver melhora e a criança beber, completar a reidratação por via oral e passar ao plano B/A; se a via intravenosa não estiver disponível, usar via intraóssea. Criança com desnutrição grave merece reidratação mais lenta e cautelosa (risco de sobrecarga e insuficiência cardíaca).
A realimentação deve ser precoce: a dieta habitual da criança é retomada logo após a reidratação (ou nas primeiras 4 a 6 horas), com aumento calórico nas refeições seguintes para recuperar o peso. O leite mativo deve ser mantido inclusive durante a reidratação — amamentar em livre demanda. Fórmulas infantis não precisam ser diluídas nem trocadas rotineiramente; a dieta isenta de lactose fica reservada para diarreia persistente com esteatorreia, distensão abdominal importante, teste do pH fecal ácido ou substâncias redutoras positivas, ou piora clínica documentada com a reintrodução do leite. Dietas restritivas (só chá, só soro, dieta BRAT — banana, arroz, maçã e torrada) são formalmente desaconselhadas por serem hipocalóricas e prolongarem a doença. Alimentos ricos em potássio (banana, batata-doce, carne moída) e zinco ajudam a recuperação; evitar refrigerantes e sucos hiperosmolares, que pioram a diarreia osmótica.
| Droga | Dose e via | Duração | Nível de recomendação |
|---|---|---|---|
| Zinco (sulfato ou gluconato) | 10 mg/dia se menor de 6 meses; 20 mg/dia se 6 meses ou mais, VO | 10 a 14 dias | Fortemente recomendado pela OMS; reduz duração, severidade e recorrência |
| Lactobacillus rhamnosus GG | Pelo menos 10 elevado a 10 UFC/dia, VO | 5 a 7 dias | Recomendado pela ESPGHAN como coadjuvante em doença aguda leve a moderada |
| Saccharomyces boulardii | 250 a 750 mg/dia conforme a idade, VO | 5 a 7 dias | Recomendado pela ESPGHAN; reduz duração da diarreia em cerca de 1 dia |
| Racecadotril (antisecretório encefalinase) | 1,5 mg/kg/dose de 8 em 8 horas (criança até 9 kg: 10 mg; 9 a 13 kg: 20 mg; 13 a 27 kg: 30 mg; acima de 27 kg: 100 mg), VO | Até 7 dias, enquanto durar a diarreia | Pode ser usado como adjuvante; não trata a causa nem substitui a reidratação |
| Ondansetrona | 0,15 mg/kg VO ou EV, dose única, máximo 4 mg em menores de 12 anos | Dose única, eventual repetição em serviço | Considerada para vômitos que impedem a TRO; facilita a hidratação oral e reduz necessidade de EV |
| Loperamida, difenoxilato, bismuto | Não usar em crianças | — | Contramanifestados: risco de íleo, depressão do SNC e morte, especialmente em menores de 2 anos |
Metoclopramida e domperidona não têm lugar na gastroenterite aguda infantil por eficácia duvidosa e risco de efeitos extrapiramidais e arritmias. A ondansetrona merece cautela em crianças com QT longo conhecido ou em uso de outros fármacos que prolongam o QT, e a primeira dose é preferencialmente oral em pacientes sem desidratação importante. Em nenhuma hipótese o adjunto substitui a reidratação: ele serve para viabilizá-la.
Cerca de 90% dos episódios de gastroenterite aguda na criança são virais ou autolimitados e não se beneficiam de antimicrobianos, que podem prolongar a eliminação de Salmonella, aumentar o risco de síndrome hemolítico-urêmica na infecção por STEC e selecionar resistência. As indicações clássicas são: disenteria bacteriana suspeita (fezes com sangue e muco com febre), cólera, diarreia do viajante moderada a grave com suspeita bacteriana, bacteremia ou foco extraintestinal, giardíase e amebíase sintomáticas, lactentes menores de 3 meses com suspeita de bacteremia e imunossuprimidos com doença invasiva.
| Cenário | Esquema de primeira linha | Alternativa |
|---|---|---|
| Disenteria (suspeita de shigelose) | Ciprofloxacino 15 mg/kg/dia VO de 12 em 12 horas por 3 dias | Azitromicina 10 a 12 mg/kg/dia VO uma vez ao dia por 3 dias (máximo 500 mg/dia) |
| Cólera | Azitromicina 20 mg/kg VO dose única | Doxiciclina 300 mg VO dose única em maiores de 8 anos |
| Campylobacter grave | Azitromicina 10 mg/kg/dia VO por 3 dias | Eritromicina 40 mg/kg/dia de 6 em 6 horas por 5 dias, iniciada até o 4º dia de doença |
| Giardíase | Metronidazol 15 mg/kg/dia VO de 8 em 8 horas por 5 a 7 dias (máximo 750 mg/dia) | Tinidazol 50 mg/kg VO dose única (máximo 2 g) ou albendazol 400 mg/dia por 5 dias |
| Amebíase intestinal | Metronidazol 35 a 50 mg/kg/dia VO de 8 em 8 horas por 7 a 10 dias | Seguido de amebicida luminal: furoato de diloxanida ou paramomicina |
| STEC (E. coli Shiga-toxigênica) | Não tratar com antibiótico nem antidiarreico | Suporte hidroeletrolítico e monitorização para síndrome hemolítico-urêmica |
As complicações decorrem da perda de água e eletrólitos: desidratação com choque hipovolêmico e necrose tubular aguda, acidose metabólica grave, hipopotassemia (íleo, distensão abdominal, fraqueza), hiponatremia com convulsões e edema cerebral, hipernatremia com trombose e sequelas neurológicas, hipoglicemia em lactentes e desnutridos, e morte. A síndrome hemolítico-urêmica é a principal causa de insuficiência renal aguda em crianças pequenas e complica principalmente a infecção por STEC. Diarreia persistente (14 a 29 dias), intolerância secundária à lactose e déficit nutricional completam a lista, mais frequentes em lactentes desnutridos e em creches. O prognóstico da gastroenterite aguda tratada adequadamente é excelente: a mortalidade concentra-se em lactentes desnutridos sem acesso à reidratação; nos serviços com TRO e zinco a letalidade é menor que 1% e a maioria dos casos resolve em 3 a 7 dias. Medidas preventivas: aleitamento materno exclusivo até 6 meses, vacinação contra rotavírus, água tratada, saneamento e higiene das mãos.
1.A solução de reidratação oral recomendada pela OMS tem qual composição e por que funciona mesmo com a mucosa intestinal doente?
2.Criança de 2 anos com desidratação moderada por diarreia aquosa deve receber, segundo o plano B:
3.A dose e a duração do zinco na diarreia aguda são, respectivamente:
4.Sobre exames complementares na gastroenterite aguda infantil, é correto afirmar:
5.Lactente de 10 meses com desidratação grave recebe plano C. O esquema intravenoso correto com Ringer com lactato é:
6.Criança de 4 anos com febre alta, tenesmo e fezes com muco e sangue há 2 dias. O antimicrobiano de primeira linha para o agente mais provável é:
7.Sobre a infecção por E. coli produtora de toxina Shiga (STEC), a conduta correta é:
8.Qual dos seguintes medicamentos é formalmente contraindicado no tratamento da diarreia aguda em crianças?
9.Sobre a conduta alimentar na gastroenterite aguda, a recomendação atual é:
10.A ondansetrona na gastroenterite aguda infantil deve ser empregada:
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