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A avaliação da função diastólica e das pressões de enchimento é relevante no risco perioperatório e em cenários especiais. A ecocardiografia auxilia a identificar disfunção diastólica, cardiomiopatia cirrótica e pericardite constritiva. A meta de reanimação guiada por tempo de enchimento capilar melhora desfechos compostos no choque séptico precoce.
[1] Avaliação cardiovascular perioperatóriaória e ecocardiografia de disfunção diastólica. . · DOI 10.36660/abcimg.20260029 | [2] ANDROMEDA-SHOCK-2 Investigators for the ANDROMEDA Research Network, Spanish Society of Anesthesiology, Reanimation and Pain Therapy (SEDAR), and Latin American Intensive Care Network (LIVEN), Hernandez G, Ospina-Tascón GA. Personalized Hemodynamic Resuscitation Targeting Capillary Refill Time in Early Septic Shock: The ANDROMEDA-SHOCK-2 Randomized Clinical Trial. JAMA. 2025 Dec 9 · DOI 10.1001/jama.2025.20402 · PMID 41159835 | [3] Miranda WR, Oh JK. Constrictive Pericarditis: A Practical Clinical Approach. Progress in cardiovascular diseases. 2017 Jan-Feb · DOI 10.1016/j.pcad.2016.12.008 · PMID 28062267 | [4] Cios TJ, Klick JC, Roberts SM. Managing Diastolic Dysfunction Perioperatively. Seminars in cardiothoracic and vascular anesthesia. 2023 Mar · DOI 10.1177/10892532221142441 · PMID 36473032 | [5] Kaur H, Premkumar M. Diagnosis and Management of Cirrhotic Cardiomyopathy. Journal of clinical and experimental hepatology. 2022 Jan-Feb · DOI 10.1016/j.jceh.2021.08.016 · PMID 35068798 | [6] Gefen S, Havakuk O, Zornitzki L. Association Between Diastolic Dysfunction and Postoperative Heart Failure in Non-cardiac Surgeries. . 2026 · DOI 10.15420/cfr.2026.04 · PMID 42741231 · DOI 10.36660/abcimg.20260029
A avaliação cardiovascular perioperatória é um pilar da prática anestésica porque identifica pacientes com risco aumentado de eventos adversos e orienta estratégias de monitorização, escolha anestésica e manejo hemodinâmico. A anamnese e o exame físico buscam sintomas de insuficiência cardíaca, angina ou equivalentes anginosos e valvopatias. Em pacientes com capacidade funcional adequada, diretrizes atuais raramente recomendam ecocardiografia pré-operatória de rotina. Entretanto, muitos pacientes têm capacidade funcional reduzida ou histórico que torna o ecocardiograma disponível para revisão. Nesse cenário, a função diastólica costuma ser negligenciada em favor da fração de ejeção e das valvopatias maiores.
A disfunção diastólica é a alteração do relaxamento ativo e ou da complacência passiva do ventrículo esquerdo, levando a elevação das pressões de enchimento. Ela pode ocorrer com fração de ejeção preservada e é um mecanismo central da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. A classificação ecocardiográfica mais usada deriva das recomendações da American Society of Echocardiography de 2016. Didaticamente, separa-se em pressão de enchimento normal, representada por função normal ou grau 1, e pressão de enchimento elevada, representada por graus 2 e 3. Essa distinção é importante porque o grau 2 e o grau 3 se associam a pior prognóstico perioperatório.
| Classificação | Padrão principal | Pressão de enchimento | Implicação perioperatória |
|---|---|---|---|
| Normal | E/A normal, e linha normal, átrio esquerdo normal | Normal | Baixo risco atribuível à diástole |
| Grau 1 | Relaxamento prejudicado, E/A menor ou igual a 0,8, E menor ou igual a 50 cm/s | Normal ou baixa | Tolera menos taquicardia e perda da contração atrial |
| Grau 2 | Padrão pseudonormal, E/A entre 0,8 e 2, E/e linha elevado | Elevada | Risco de congestão pulmonar e hipotensão |
| Grau 3 | Padrão restritivo, E/A maior ou igual a 2, tempo de desaceleração menor que 160 ms | Elevada | Alto risco de edema agudo e instabilidade |
A disfunção diastólica é frequente na população cirúrgica, sobretudo em idosos, hipertensos, diabéticos e pacientes com doença renal ou cardíaca estrutural. Um estudo retrospectivo com 3.882 adultos submetidos a cirurgia não cardíaca entre 2011 e 2021 avaliou a função diastólica pré-operatória. Os pacientes foram categorizados em pressão de enchimento normal, incluindo normal e grau 1, ou pressão de enchimento elevada, incluindo graus 2 e 3. O desfecho primário composto de mortalidade hospitalar e insuficiência cardíaca aguda ocorreu em 22,3 por cento dos pacientes com pressão elevada e em 11,6 por cento daqueles com pressão normal. A razão de chances foi de 2,1, com intervalo de confiança de 95 por cento de 1,7 a 2,6.
A cardiomiopatia cirrótica está presente em cerca de 50 por cento dos pacientes com cirrose e cursa com disfunção diastólica, circulação hiperdinâmica, desincronia eletromecânica e prolongamento do intervalo QT. A pericardite constritiva é observada em 0,2 a 0,4 por cento dos pacientes submetidos a cirurgia cardíaca ou com trauma ou inflamação pericárdica. No choque séptico, a reanimação guiada por tempo de enchimento capilar mostrou ganho em desfecho composto hierárquico, sobretudo por redução da duração do suporte vital. Esses dados reforçam que a avaliação diastólica e hemodinâmica não é um detalhe ecocardiográfico, mas um determinante de desfecho.
Na disfunção diastólica, o ventrículo esquerdo apresenta relaxamento prejudicado e aumento da rigidez passiva, de modo que uma pequena variação de volume eleva rapidamente a pressão. O enchimento ventricular torna-se mais dependente da contração atrial e do tempo diastólico. Taquicardia, fibrilação atrial, perda da kick atrial e hipovolemia reduzem o volume sistólico. Ao mesmo tempo, congestão pulmonar pode surgir mesmo com fração de ejeção preservada. No perioperatório, a resposta simpática, a dor, a intubação, o pneumoperitônio, a ventilação com pressão positiva, a sepse e a manipulação cirúrgica amplificam essas alterações.
Na pericardite constritiva, o pericárdio não complacente limita o enchimento diastólico e equaliza as pressões diastólicas das câmaras. O quadro se comporta como insuficiência cardíaca diastólica grave, com predomínio de congestão direita. Na cirrose, a circulação hiperdinâmica e a disfunção diastólica reduzem a reserva cardíaca ao estresse, incluindo sepse, sangramento e transplante. No choque séptico, a avaliação seriada de pressão de pulso, pressão arterial diastólica, responsividade a fluidos e ecocardiografia à beira leito permite personalizar fluidos, vasopressores e inotrópicos.
A disfunção diastólica pode ser assintomática em repouso e manifestar-se apenas sob estresse cirúrgico. Os sintomas incluem dispneia aos esforços, ortopneia, dispneia paroxística noturna, fadiga, intolerância ao exercício e edemas. Ao exame, podem ocorrer crepitações pulmonares, terceira bulha, pressão venosa jugular elevada, refluxo hepatojugular, ascite e edema periférico. A ausência de sopro importante não exclui valvopatia, e a presença de fibrilação atrial muda completamente a interpretação dos parâmetros diastólicos. O anestesiologista deve integrar sintomas, capacidade funcional, comorbidades e exames disponíveis.
A ecocardiografia transtorácica é a primeira ferramenta na avaliação da função diastólica. O exame deve incluir Doppler mitral, Doppler tissular, volume atrial esquerdo indexado e velocidade de regurgitação tricúspide. Os critérios de 2016 da American Society of Echocardiography ajudam a estimar pressão de enchimento do ventrículo esquerdo. Valores de referência incluem e linha septal maior ou igual a 7 cm/s, e linha lateral maior ou igual a 10 cm/s, E/e linha menor ou igual a 14, volume atrial esquerdo indexado menor ou igual a 34 mL/m2 e velocidade de regurgitação tricúspide menor ou igual a 2,8 m/s. A combinação desses parâmetros define probabilidade de pressão normal ou elevada.
| Parâmetro | Normal ou grau 1 | Pressão elevada | Comentário |
|---|---|---|---|
| e linha septal | maior ou igual a 7 cm/s | menor que 7 cm/s | Reflete relaxamento longitudinal |
| e linha lateral | maior ou igual a 10 cm/s | menor que 10 cm/s | Pode ser afetada por cirurgia e sobrecarga |
| E/e linha | menor ou igual a 14 | maior que 14 | Estima pressão de enchimento |
| Volume atrial esquerdo indexado | menor ou igual a 34 mL/m2 | maior que 34 mL/m2 | Marcador crônico de pressão elevada |
| Velocidade de regurgitação tricúspide | menor ou igual a 2,8 m/s | maior que 2,8 m/s | Sugere hipertensão pulmonar |
Em situações especiais, os algoritmos convencionais têm limitações. Na fibrilação atrial, a ausência de onda A e a variabilidade do ciclo cardíaco dificultam o E/A; devem ser valorizados E/e linha, volume atrial esquerdo e velocidade de regurgitação tricúspide. Na doença valvar mitral, a calcificação do anel mitral e as próteses alteram o Doppler mitral. Na hipertensão pulmonar, na valvopatia aórtica, nos distúrbios de condução, na estimulação ventricular e nas miocardiopatias restritivas, a interpretação deve ser individualizada. Um laudo claro deve informar grau, pressão de enchimento estimada e limitações técnicas.
O diagnóstico diferencial perioperatório inclui insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, insuficiência cardíaca sistólica, pericardite constritiva, miocardiopatia restritiva, cardiomiopatia cirrótica, valvopatias, fibrilação atrial e causas não cardíacas de congestão. A distinção orienta tratamento específico, como pericardiectomia, controle de frequência, otimização volêmica ou manejo de sepse. A tabela abaixo resume achados-chave e condutas iniciais.
| Condição | Achado clínico | Ecocardiograma | Manejo perioperatório |
|---|---|---|---|
| Insuficiência cardíaca diastólica | Dispneia, congestão, fração de ejeção preservada | E/e linha elevado, átrio esquerdo aumentado | Controle de frequência, volume, após carga e congestão |
| Insuficiência cardíaca sistólica | Baixo débito, fadiga, congestão | Fração de ejeção reduzida | Inotrópicos, vasodilatadores e suporte hemodinâmico |
| Pericardite constritiva | Congestão direita predominante, ascite, edema | Septal bounce, variação respiratória, interdependência | Pericardiectomia em centro experiente, evitar taquicardia e hipovolemia |
| Miocardiopatia restritiva | Congestão, intolerância a esforço | Átrios muito aumentados, paredes espessadas ou infiltrativas | Tratar causa, controlar frequência e congestão |
| Cardiomiopatia cirrótica | Cirrose, ascite, hiperdinamia | Disfunção diastólica, QT longo, reserva reduzida | Avaliar TIPS e transplante, titular betabloqueador, considerar ivabradina |
| Valvopatia mitral ou aórtica | Sopro, dispneia, angina | Lesão valvar e repercussões | Corrigir lesão quando indicado, evitar extremos de volume e frequência |
| Fibrilação atrial | Pulso irregular, palidez, dispneia | Ausência de onda A, átrio esquerdo aumentado | Controle de frequência, anticoagulação e restauração do ritmo quando possível |
| Choque séptico | Hipotensão, lactato elevado, perfusão alterada | Avaliação seriada de função e responsividade | Protocolo personalizado com tempo de enchimento capilar, fluidos, vasopressores e inotrópicos |
O manejo perioperatório da disfunção diastólica visa manter ritmo sinusal, frequência cardíaca adequada, pré-carga ótima e perfusão tecidual. Taquicardia é mal tolerada porque encurta o enchimento; bradicardia extrema também reduz débito cardíaco. A congestão deve ser tratada com diuréticos, mas a hipovolemia pode causar hipotensão em ventrículos rígidos e pré-carga dependentes. A escolha anestésica deve evitar taquicardia, hipoxemia, hipercapnia, dor e grandes oscilações de volume. Monitorização invasiva, ecocardiografia à beira leito e avaliação dinâmica de responsividade a fluidos são úteis em casos de alto risco.
No choque séptico inicial, a reanimação guiada por tempo de enchimento capilar foi comparada ao cuidado usual no estudo ANDROMEDA-SHOCK-2. O protocolo incluiu avaliação de pressão de pulso, pressão arterial diastólica, responsividade a fluidos e ecocardiografia à beira leito. A partir desses dados, a equipe ajustou fluidos, vasopressores e inotrópicos de forma personalizada. O estudo randomizou 1.501 pacientes em 86 centros de 19 países, com 1.467 incluídos na análise primária. A média de idade foi 66 anos, e 43,3 por cento eram mulheres. O desfecho primário foi composto hierárquico de mortalidade, duração do suporte vital e tempo de internação.
O benefício do protocolo foi atribuído principalmente à menor duração do suporte vital, com vantagem no composto hierárquico. Esse resultado dialoga diretamente com a avaliação cardiovascular perioperatória, pois reforça a utilidade de parâmetros de perfusão e ecocardiografia à beira leito para individualizar decisões. Em pacientes com disfunção diastólica, a avaliação seriada ajuda a evitar tanto a hipovolemia quanto a congestão. A ecocardiografia não substitui o julgamento clínico, mas acrescenta dados sobre função sistólica, diastólica, derrame pericárdico, responsividade e tolerância a volume.
Em cirurgias não cardíacas, a disfunção diastólica se associa independentemente a insuficiência cardíaca pós-operatória e mortalidade hospitalar. O estudo retrospectivo de 3.882 adultos mostrou que pressão de enchimento elevada no pré-operatório aumentou o risco do desfecho composto. Assim, incorporar parâmetros diastólicos à avaliação de risco pode melhorar a estratificação. Em pacientes cirróticos, a cardiomiopatia cirrótica está presente em cerca de metade dos casos e inclui disfunção diastólica, circulação hiperdinâmica, alterações eletrocardiográficas e resposta reduzida ao estresse. A avaliação cardíaca orienta a indicação de TIPS, a titulação de betabloqueadores e a elegibilidade para transplante hepático.
As principais complicações perioperatórias associadas à disfunção diastólica são insuficiência cardíaca aguda, edema pulmonar, hipotensão, arritmias, especialmente fibrilação atrial, necessidade de suporte vasoativo, ventilação mecânica prolongada e aumento do tempo de internação. A pressão de enchimento elevada no pré-operatório aumentou o desfecho composto de mortalidade hospitalar e insuficiência cardíaca aguda em cirurgia não cardíaca, com OR de 2,1. A pericardite constritiva, se não tratada, tem prognóstico ruim, mas a pericardiectomia pode ser realizada com baixa mortalidade perioperatória em centros terciários experientes. A cardiomiopatia cirrótica se associa a síndrome hepatorrenal, ascite refratária, pior qualidade de vida e maior morbimortalidade.
O prognóstico depende da gravidade da disfunção diastólica, da presença de comorbidades, do tipo de cirurgia e da qualidade do manejo hemodinâmico. Pacientes com grau 2 ou 3, fibrilação atrial, hipertensão pulmonar, valvopatia significativa ou cirrose descompensada merecem monitorização mais intensiva. A ecocardiografia transesofágica intraoperatória pode ser útil em cirurgias de maior risco, mas não substitui a avaliação pré-operatória. A equipe deve antecipar estratégias para controle de frequência, manejo de volume, tratamento de congestão e suporte circulatório.
Na avaliação pré-operatória, comece pela história e pelo exame físico. Determine a capacidade funcional, procure sintomas de insuficiência cardíaca e valvopatia e revise ecocardiogramas prévios. Se houver dispneia, baixa capacidade funcional ou comorbidades de alto risco, considere ecocardiografia com avaliação diastólica. Classifique a pressão de enchimento como normal ou elevada, lembrando que graus 2 e 3 indicam pior prognóstico. Identifique situações especiais, como fibrilação atrial, hipertensão pulmonar, valvopatia mitral ou aórtica, calcificação do anel mitral, distúrbios de condução, estimulação ventricular, miocardiopatias restritivas, pericardite constritiva e cirrose. Planeje o manejo com metas claras.
| Etapa | Ação | Meta |
|---|---|---|
| Pré-operatório | História, exame físico, capacidade funcional e ecocardiograma quando indicado | Identificar disfunção diastólica e pressão elevada |
| Intraoperatório | Controlar frequência, volume, pós-carga e dor | Manter débito cardíaco e evitar congestão |
| Situações especiais | Individualizar em fibrilação atrial, valvopatia, cirrose e constrição | Evitar algoritmos rígidos |
| Pós-operatório | Monitorar congestão, arritmias e perfusão | Reduzir insuficiência cardíaca e mortalidade |
1.Mulher de 72 anos, hipertensa, sem sintomas, em avaliação pré-operatória para artroplastia total de quadril. Ecocardiograma: FEVE 60%, E/A 0,7, E/e' médio 8, e' septal 6 cm/s, volume atrial esquerdo indexado 30 mL/m2. Qual é a classificação mais provável da função diastólica?
2.Qual parâmetro ecocardiográfico é mais útil para estimar pressões de enchimento do ventrículo esquerdo em paciente com dispneia e fração de ejeção preservada?
3.Homem de 68 anos com história de insuficiência cardíaca e FEVE 58% apresenta E/A 2,1, E/e' médio 16, tempo de desaceleração 140 ms; com Valsalva, E/A reduz para 0,9. Qual grau de disfunção diastólica?
4.Qual princípio é mais adequado no manejo perioperatório de paciente com disfunção diastólica e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada?
5.Sobre a disfunção diastólica na cirrose, qual afirmação é correta?
6.Em reanimação hemodinâmica perioperatória personalizada, qual alvo de tempo de enchimento capilar é considerado adequado?
7.Paciente com disfunção diastólica apresenta edema agudo de pulmão hipertensivo no pós-operatório imediato. Qual conduta é mais apropriada?
8.Idoso com disfunção diastólica grau II vai ser submetido a raquianestesia para correção de fratura de fêmur. Qual mecanismo mais provavelmente causa hipotensão intraoperatória?
9.Qual é uma dose inicial usual de infusão de norepinefrina para hipotensão vasoplégica perioperatória em adulto?
10.Qual paciente apresenta maior risco perioperatório relacionado à disfunção diastólica?
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