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Análise completa do pé diabético, abordando a isquemia, sistemas de classificação e estratégias de revascularização com base em evidências.
[1] Pé diabético: isquemia, classificação e revascularização. . · DOI 10.36557/2674-9432.2026v5n6p58-67 | [2] Adami D, Marconi M, Piaggesi A. Bifurcated bypass in severe chronic limb threatening ischaemia. Vascular. 2022 Feb · DOI 10.1177/1708538121999856 · PMID 33691547 | [3] Azuma N. The Diagnostic Classification of Critical Limb Ischemia. Annals of vascular diseases. 2018 Dec 25 · DOI 10.3400/avd.ra.18-00122 · PMID 30636998 | [4] Cerqueira LO, Duarte EG, Barros ALS. WIfI classification: the Society for Vascular Surgery lower extremity threatened limb classification system, a literature review. Jornal vascular brasileiro. 2020 May 8 · DOI 10.1590/1677-5449.190070 · PMID 34178056 | [5] Ferraresi R, Ucci A, Casini A. GLASS (Global Limb Anatomic Staging System): a critical appraisal. The Journal of cardiovascular surgery. 2021 Apr · DOI 10.23736/S0021-9509.20.11696-3 · PMID 33307645 | [6] Anguiano-Marcos I, Flores-Escobar S, García-Álvarez Y. One-Year Evolution of Macrovascular and Microvascular Parameters After Endovascular Revascularization in Diabetic Foot Ulcers: A Prospective Multicenter Study. . 2026 · DOI 10.3390/jcm15187278 · PMID 42796050 · DOI 10.36557/2674-9432.2026v5n6p58-67
O pé diabético representa uma das complicações mais graves e incapacitantes do diabetes mellitus, sendo a principal causa de amputação não traumática em todo o mundo. Sua patogênese é multifatorial, resultante da interação complexa entre neuropatia periférica, angiopatia micro e macrovascular e infecções. A isquemia, definida como uma redução inadequada do fluxo sanguíneo para atender às necessidades metabólicas do tecido, é um componente crítico que impede a cicatrização de feridas e leva à necrose tecidual. O manejo adequado do pé diabético com isquemia requer uma abordagem multidisciplinar, com ênfase no diagnóstico preciso, classificação da gravidade e na decisão terapêutica entre tratamento conservador, revascularização endovascular e cirúrgica. A escolha da melhor estratégia de revascularização é fundamental para a preservação do membro e a melhoria da qualidade de vida do paciente.
A neuropatia diabética, presente em mais de 50% dos pacientes com diabetes de longa duração, leva à perda da sensação protetora, permitindo que traumas menores passem despercebidos e evoluam para feridas profundas. A angiopatia, por sua vez, compromete a capacidade do corpo de fornecer oxigênio e nutrientes para a reparação tecidual. A combinação desses fatores cria um ciclo vicioso: uma pequena lesão não cicatriza, torna-se uma porta de entrada para bactérias, desencadeando uma infecção que, por sua vez, aumenta a demanda metabólica local, exacerba a isquemia e agrava o dano tecidual. A abordagem clínica deve, portanto, ser holística, considerando não apenas a ferida visível, mas todo o contexto metabólico, vascular e imunológico do paciente.
O pé diabético é uma condição caracterizada por alterações neurológicas, vasculares e cutâneas nos membros inferiores de indivíduos com diabetes, que pode evoluir para úlceras, infecções, destruição óssea e, em casos graves, para amputação. A classificação do pé diabético é essencial para estratificar o risco de amputação e direcionar o tratamento. O sistema mais amplamente utilizado atualmente é a classificação WIfI, proposta pela Society for Vascular Surgery, que avalia três fatores principais: Wound (W - ferida), Ischemia (I - isquemia) e foot Infection (fI - infecção do pé). Este sistema foi desenvolvido para incluir pacientes diabéticos, que antes eram frequentemente excluídos dos critérios tradicionais de isquemia crítica do membro (ICM), devido à sua complexidade clínica.
Além do WIfI, outras classificações são historicamente importantes para a compreensão da gravidade. A classificação de Wagner, por exemplo, é amplamente conhecida e descreve a profundidade e a presença de infecção na úlcera, variando de grau 0 (pés de risco sem úlcera) a grau 5 (gangrena). Embora seja intuitiva, a Wagner não incorpora a variável isquemia, sendo menos útil para a tomada de decisão terapêutica em casos complexos. A classificação Texas, por sua vez, combina a profundidade da úlcera (estágios A a D) e a presença de infecção ou isquemia (estágios 1 a 3), oferecendo uma avaliação mais detalhada. A escolha do sistema de classificação deve ser guiada pelo objetivo: a Wagner é útil para comunicação simplificada, enquanto o WIfI é superior para estratificação de risco e planejamento de revascularização.
A diabetes mellitus atinge mais de 400 milhões de pessoas globalmente, e a prevalência de pé diabético é estimada entre 4% e 10% dos pacientes diabéticos. Cerca de 15% a 25% dos pacientes com diabetes desenvolverão uma úlcera no pé ao longo da vida, e destes, 20% a 30% evoluirão para uma infecção ou amputação. O custo econômico do pé diabético é astronômico, envolvendo internações prolongadas, procedimentos cirúrgicos complexos e reabilitação. A introdução de novas tecnologias terapêuticas, como a ozonioterapia, tem sido proposta como uma forma de reduzir os custos para os sistemas de saúde, como o SUS, ao acelerar a cicatrização das feridas e evitar internações. A pesquisa sobre a eficácia dessas terapias é crucial, não apenas do ponto de vista acadêmico, mas também social e gerencial.
No Brasil, a diabetes afeta aproximadamente 13 milhões de adultos, e o Sistema Único de Saúde (SUS) registra milhares de internações anuais relacionadas ao pé diabético. O custo direto de um tratamento de úlcera de pé pode variar de R$ 2.000 a R$ 20.000, dependendo da complexidade e da duração. As amputações majoram esses custos exponencialmente, com uma amputação abaixo do joelho podendo custar mais de R$ 30.000, sem contar os custos indiretos com perda de produtividade e necessidade de cuidados de longo prazo. A mortalidade associada ao pé diabético também é significativa, com uma sobrevida de 50% em pacientes submetidos a amputação major em cinco anos, um índema comparável ao de alguns tipos de câncer. Esses dados destacam a importância de políticas de prevenção e acesso precoce ao tratamento.
A isquemia no pé diabético é resultado de dois processos principais: a macroangiopatia e a microangiopatia. A macroangiopatia é caracterizada pelo desenvolvimento de doença arterial oclusiva periférica (DOAP), com estenose ou oclusão de artérias de médio e grande calibre, como artéria femoral, poplítea e tibial. Essas lesões são frequentemente multifocais e extensas, devido à aterosclerose acelerada presente no diabetes. A microangiopatia envolve alterações na microcirculação, incluindo a disfunção endotelial, a hipertrofia da membrana basal capilar e a redução do fluxo sanguíneo tecidual. Essas alterações são agravadas pela neuropatia, que leva à disfunção muscular da bomba venosa, aumentando a pressão capilar e comprometendo ainda mais o fluxo.
A disfunção endotelial é um evento central na microangiopatia diabética. A hiperglicemia crônica induz a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs), que inativam o óxido nítrico (NO), um potente vasodilatador. A diminuição da biodisponibilidade de NO resulta em vasoconstrição, aumento da adesividade plaquetária e um estado pró-inflamatório e pró-trombótico. Além disso, a hipertrofia da membrana basal capilar aumenta a distância para a difusão de oxigênio, criando um ambiente hipóxico mesmo na presença de um fluxo sanguíneo aparentemente normal. A combinação de fluxo sanguíneo inadequado (macro e microvascular) e aumento da demanda metabólica das feridas crônicas cria um ambiente propício para a necrose e a infecção, fechando o ciclo patológico do pé diabético isquêmico.
Os sintomas de isquemia no pé diabético podem ser atípicos devido à presença concomitante de neuropatia. Pacientes podem não relatar dor clássica de claudicação, mas apresentar dor em repouso, parestesias ou formigamento. A dor em repouso, frequentemente descrita como uma dor queimação ou latejante que piora à noite e é aliviada pela dependência do membro (pendurar a perna da cama), é um sinal de gravidade e indica isquemia crítica. Outros sintomas incluem a perda de cabelo na perna e no pé, unhas quebradiças e deformidades dos dedos, como joanete e hammertoes, resultantes de desequilíbrios musculares e microtraumas repetidos.
Os achados físicos incluem ausência ou diminuição dos pulsos pediosos e tibiais posteriores, palidez ou cianose do pé, resfriamento da pele, atrofia muscular e alterações ungueais. Em estágios avançados, pode ocorrer desenvolvimento de úlceras isquêmicas, geralmente nos pontos de pressão, como o calcanhar ou os dedos, e gangrena seca ou úmida. A classificação de Rutherford é frequentemente usada para graduar a gravidade da isquemia, com os estágios 4 a 6 correspondendo à isquemia crítica do membro (ICM), caracterizada por dor em repouso, úlceras ou gangrena. É crucial que o clínico realize um exame vascular completo, incluindo a avaliação da cor da pele, a temperatura, a presença de edema e a capilaroscopia, que avalia o tempo de enchimento capilar, um indicador simples da perfusão tecidual.
O diagnóstico da isquemia no pé diabético é baseado na avaliação clínica e complementar. O índice tornozelo-braquial (ITB) é o teste inicial, com valores abaixo de 0,9 indicando doença arterial. No entanto, em pacientes com calcificação da artéria tibial (comum em diabéticos), o ITB pode ser falso-positivo (>1,3), nesses casos, o índice dedo-braquial (IDB) é mais confiável, com valores abaixo de 0,7 indicando isquemia. A pressão transcutânea de oxigênio (TcPO2) e a pressão de perfusão cutânea (PPC) são exames não invasivos que avaliam a microcirculação. Valores de TcPO2 abaixo de 30 mmHg indicam isquemia severa, enquanto valores abaixo de 20 mmHg são um preditor de falha na cicatrização de feridas.
A angiografia por ressonância magnética (ARM), a tomografia computadorizada (angio-TC) e a angiografia por cateterismo são os padrões-ouro para a avaliação anatômica das lesões arteriais, essenciais para planejar a revascularização. A angio-TC é rápida e amplamente disponível, mas envolve radiação e contraste iodado. A angio-ARM não utiliza radiação e é excelente para avaliar a artéria poplítea e distalmente, mas pode ser limitada por artefatos de movimento e contraste gadoliníaco. A angiografia por cateterismo (arteriografia) permite a avaliação mais detalhada e, simultaneamente, a realização de procedimentos endovasculares. A escolha do exame de imagem deve considerar a função renal do paciente (risco de nefropatia por contraste), a presença de marcapassos e a necessidade de avaliação hemodinâmica.
| Sistema | Componentes | Graus/Estágios | Objetivo |
|---|---|---|---|
| WIfI (Wound, Ischemia, foot Infection) | W (Ferida): 0-3 (sem ferida a úlcera extensa). I (Isquemia): 0-3 (ITB/IDB normais a isquemia crítica). fI (Infecção): 0-2 (sem infecção a infecção extensa/osteomielite). | Estágios de 1 a 3 (soma dos graus). | Estratificar risco de amputação em 1 ano e guiar a necessidade de revascularização. |
| GLASS (Global Limb Anatomic Staging System) | Classificação por segmento: Femoropoplíteo (FP) e Infrapoplíteo (IP), cada com graus 0-4 (doença ausente a oclusão total). | Estágios: 1 (FP 0-1 e IP 0-1), 2 (FP 0-1 e IP 2-4 ou FP 2-4 e IP 0-1), 3 (FP 2-4 e IP 2-4). | Classificar a complexidade anatômica da doença para planejar a revascularização endovascular. |
A classificação WIfI combina a gravidade da ferida, o grau de isquemia e a presença de infecção para prever o risco de amputação. Por exemplo, um paciente com W3, I3, fI2 tem um risco de amputação muito maior que um com W1, I1, fI0. O risco de amputação major em 1 ano para os estágios WIfI 1, 2 e 3 é de aproximadamente 4%, 15% e 40%, respectivamente. O GLASS, por outro lado, foca na anatomia das artérias, sendo útil para planejar a abordagem endovascular. Um estudo mostrou que a maioria dos pacientes com isquemia crítica do membro (CLTI) apresenta doença avançada, com 51,6% sendo classificados como estágio 3 do GLASS, indicando alta complexidade anatômica e maior probabilidade de necessidade de revascularização cirúrgica.
| Condição | Características Clínicas-Chave | Exames Diferenciais |
|---|---|---|
| Úlcera Neuropática | Localização em pontos de pressão, fundo limpo, bordas bem definidas, sem sinais de isquemia (pulsos presentes, ITB normal). | Avaliação neurológica, biópsia de borda (se dúvida). |
| Osteomielite | Dor óssea localizada, edema, eritema, drenagem purulenta, sinais sistêmicos de infecção. Pode ser secundária a úlcera neuropática ou isquêmica. | Ressonância magnética com contraste, biópsia óssea. |
| Celulite | Eritema, calor, dor e edema difusos, geralmente sem necrose profunda ou pus. Associada a infecção de pele e tecido celular subcutâneo. | Cultivo de secreção, hemograma, marcadores inflamatórios. |
| Gota | Inflamação aguda de uma articulação, geralmente o hálux, dor intensa, vermelhidão e calor. Pósprandial, em paciente com hiperuricemia. | Dosagem de ácido úrico, aspiração de líquido sinovial para cristais. |
| Paniculite Necrobiótica | Úlceras indolentes com bordas violáceas, centro necrótico. Associada a doenças inflamatórias como artrite reumatoide ou diabetes. | Biópsia de pele e tecido adiposo subcutâneo. |
O diagnóstico diferencial é crucial para evitar tratamentos ineficazes. A úlcera neuropática, por exemplo, não se beneficiará de uma revascularização se a causa principal for a perda de sensação. A osteomielite deve ser suspeitada em qualquer úlcera profunda com duração superior a 30 dias, especialmente se haver exposição óssea ou drenagem purulenta. A ressonância magnética com contraste é o exame de escolha, com sensibilidade e especificidade superiores a 90%. A biópsia óssea é o padrão-ouro, mas sua realização pode ser desafiadora. A celulite deve ser distinguida da infecção do tecido profundo, pois o tratamento é primariamente antibiótico. A gota e a paniculite necrobiótica são menos comuns, mas devem ser consideradas em casos atípicos ou com resposta inadequada ao tratamento padrão.
O tratamento inicial do pé diabético isquêmico inclui medidas gerais e controle da infecção. O controle glicêmico rigoroso é fundamental para promover a cicatrização, com o objetivo de manter a hemoglobina glicada (HbA1c) abaixo de 7%. A terapia de pressão negativa (TPN) pode ser utilizada para criar um ambiente úmido e estimular o granulação, removendo exsudato e aumentando o fluxo sanguíneo local. A ozonioterapia tem sido proposta como um adjuvante, utilizando o ozônio para sua ação antimicrobiana, anti-inflamatória e de estimulação da oxigenação tecidual. A aplicação tópica ou em bolsa de vácuo pode ser realizada por enfermeiros capacitados, visando reduzir a carga bacteriana e melhorar a perfusão.
A antibioticoterapia deve ser guiada pela gravidade da infecção. Para infecções leves a moderadas (WIfI fI1), uma terapia empírica com agentes cobrindo Staphylococcus aureus e Streptococcus é geralmente suficiente. Para infecções graves (WIfI fI2), incluindo osteomielite, uma cobertura mais ampla, incluindo anaeróbios e bactérias Gram-negativas, é necessária. A duração do tratamento é de 4 a 6 semanas para osteomielite. O desbridamento cirúrgico de tecidos necróticos e infectados é essencial para remover o foco infeccioso e permitir a granulação. A dor em repouso é tratada com analgésicos potentes, como opioides, e o controle da dor é um componente essencial da qualidade de vida. Medidas de apoio, como o repouso do membro, elevação e uso de calçados de descarga, são fundamentais para reduzir a pressão sobre a ferida.
A revascularização é indicada para pacientes com isquemia crítica do membro (ICM) ou ameaça de membro, com o objetivo de aliviar a dor, promover a cicatrização de úlceras e prevenir amputações. A definição de ICM baseia-se na presença de dor em repouso, úlceras ou gangrene associada a uma pressão sistólica no tornozelo inferior a 50 mmHg ou um ITB/IDB anormal. A decisão entre revascularização endovascular e cirúrgica depende da anatomia da lesão, da condição clínica do paciente e da experiência da equipe. O conceito de angiosoma, que visa revascularizar a artéria que irriga diretamente a área da úlcera, é de importância comprovada para a salvaguarda do membro, com estudos mostrando taxas de cicatrização de feridas mais altas quando essa abordagem é utilizada.
A avaliação pré-operatória deve incluir uma análise completa da comorbidades do paciente, função renal, status nutricional e expectativa de vida. Pacientes com doença arterial periférica frequentemente têm doença cardiovascular concomitante, e a avaliação cardíaca pré-operatória é recomendada. A estratégia de revascularização deve ser discutida em uma equipe multidisciplinar, incluendo cirurgiões vasculares, radiologistas intervencionistas, endocrinologistas, infectologistas e enfermeiros de feridas. A abordagem endovascular é geralmente preferida como primeira linha devido à menor morbimortalidade, especialmente em pacientes com alto risco cirúrgico. A revascularização cirúrgica com ponte de veia safena é reservada para pacientes com anatomia complexa ou falha da abordagem endovascular, oferecendo maior durabilidade a longo prazo.
A revascularização endovascular é a primeira linha de tratamento para muitos pacientes, especialmente aqueles com comorbidades que aumentam o risco cirúrgico. Os procedimentos incluem angioplastia com balão, stenting e aterectomia. A abordagem pode ser anterógrada (femoral ou braquial) ou retrógrada (pedal), sendo a retrógrada cada vez mais utilizada para acesso distal em casos de doença infra-poplítea extensa. O uso de stents é mais comum na artéria femoral, enquanto na artéria poplítea e tibial a angioplastia com balão é frequentemente suficiente. A tecnologia de stents drug-eluting (DES) mostrou-se superior aos stents nus na artéria femoropoplítea, reduzindo a reestenose. A aterectoma mecânica pode ser útil em lesões calcificadas e oclusas, mas seu benefício em relação à angioplastia convencional ainda é debatido.
Um estudo prospectivo multicêntrico acompanhou 27 pacientes com úlceras diabéticas isquêmicas submetidos à revascularização endovascular. Após 12 meses, 96,3% das úlceras cicatrizaram completamente, sem amputações maiores ou mortes. Os parâmetros macrovasculares (pressão arterial do tornozelo, ITB, IDB) melhoraram significativamente, enquanto os microvasculares (TcPO2) também se recuperaram, mas com maior variabilidade. A pressão arterial do tornozelo (AP) quatro semanas após o procedimento foi associada a um tempo de cicatrização mais curto, destacando a importância do monitoramento precoce. A taxa de reestenose para lesões infra-poplíteias tratadas com angioplastia é de 30-40% em um ano, mas a maioria dos pacientes permanece assintomática ou com melhora clínica suficiente para a cicatrização da ferida.
A ponte bifurcada é uma técnica cirúrgica complexa, indicada quando a revascularização endovascular não é factível ou falhou, e uma única ponte não consegue revascularizar diretamente a área isquêmica de acordo com o conceito de angiosoma. A cirurgia envolve o enxerto se landing em duas artérias diferentes: uma principal, em continuidade direta com os vasos do pé, e uma secundária, que irriga o distrito do angiosome. A veia safena magna é o enxerto de escolha, devido à sua superioridade durabilidade em comparação com enxertos sintéticos ou de veia safena acessória. A técnica requer um planejamento meticuloso pré-operatório, com mapeamento vascular preciso para identificar os melhores locais de anastomose.
Um estudo avaliou 35 pacientes submetidos a 36 pontes bifurcadas para isquemia crônica ameaçadora de membro (CLTI). O sucesso técnico imediato foi de 100%. A permeabilidade primária da ponte foi de 96,7% aos 6 meses, 85,2% aos 12 meses e 59,9% aos 24 meses. A sobrevida livre de amputação foi de 95,6% aos 12 meses e 78,8% aos 24 meses, demonstrando bons resultados, especialmente em pacientes diabéticos, desde que sejam selecionados com cuidado. As complicações pós-operativas incluem infecção da ferida operatória (11,1%), hematoma (5,6%) e insuficiência cardíaca aguda (2,8%). A mortalidade hospitalar foi de 2,8%. A ponte bifurcada representa uma opção poderosa para salvar membros que de outra forma seriam perdidos, mas exige uma equipe cirúrgica experiente e um rigoroso protocolo de cuidado pós-operativo.
As complicações do pé diabético incluem infecções progressivas (celulite, abscesso, osteomielite), gangrena, sepse e amputação. O prognóstico depende da gravidade inicial da lesão, da presença de infecção, do controle glicêmico e do sucesso da revascularização. Pacientes com classificação WIfI de estágio 3 (soma de pontos 7-9) têm um risco significativamente maior de amputação e mortalidade. A mortalidade em pacientes com CLTI é alta, com uma sobrevida global de 91,6% aos 24 meses em um estudo de pontes bifurcadas. A recidiva da úlcera é uma preocupação, ocorrendo em até 40% dos pacientes em um ano, destacando a necessidade de cuidados de pós-tratamento contínuos, como uso de calçados adequados e inspeção diária dos pés.
As amputações podem ser menores (dedos ou antepé) ou maiores (trans-tibial ou trans-femoral). A amputação menor é frequentemente um procedimento de salvamento, mas pode levar a uma cascata de amputações maiores devido à progressão da doença vascular. A amputação maior está associada a uma mortalidade de 20-50% em dois anos. A reabilitação após amputação é crucial e inclui fisioterapia, terapia ocupacional e o uso de próteses. O prognóstico funcional é melhor para amputações transfemorais bem realizadas e para pacientes jovens e saudáveis. A prevenção da recidiva é o objetivo principal do manejo de longo prazo. Isso inclui o controle rigoroso da glicemia, do colesterol e da pressão arterial, a cessação do tabagismo, a inspeção diária dos pés e o uso de calçados personalizados e de descarga de pressão.
Além desses erros, outros pontos de prova importantes incluem a necessidade de uma avaliação cardíaca completa antes de procedimentos de revascularização, devido à alta prevalência de doença arterial coronariana em pacientes com DAP. A escolha do acesso vascular para procedimentos endovasculares deve considerar o risco de complicações, como hematoma ou pseudoaneurisma, e a acessibilidade do vaso. O uso de antiagregantes plaquetários (como aspirina e clopidogrel) é padrão após revascularização, mas o regime ideal para pacientes diabéticos ainda é objeto de pesquisa. Finalmente, a educação do paciente é um pilar do tratamento, garantindo o adesão ao manejo médico e à autoinspeção dos pés.
1.Qual é o principal objetivo da classificação WIfI no pé diabético?
2.Um paciente diabético com úlcera no calcanhar, dor em repouto, ausência de pulsos pediosos e ITB de 0,75. Qual a classificação WIfI mais provável para a isquemia (I)?
3.Qual é o valor do índice dedo-braquial (IDB) que indica isquemia crítica do membro?
4.De acordo com o conceito de angiosoma, qual é o princípio da revascularização ideal?
5.Em um estudo sobre pontes bifurcadas para isquemia crônica ameaçadora de membro (CLTI), qual foi a permeabilidade primária da ponte aos 24 meses?
6.Qual parâmetro vascular, medido quatro semanas após a revascularização endovascular, foi associado a um tempo de cicatrização de úlcera mais curto em um estudo prospectivo?
7.Qual é o principal fator limitante para o uso da ponte bifurcada como tratamento para o pé diabético isquêmico?
8.Qual é o papel da ozonioterapia no tratamento do pé diabético, segundo o texto?
9.De acordo com o sistema GLASS, qual estágio de complexidade é caracterizado por doença severa tanto no segmento femoropoplíteo quanto no infrapoplíteo?
10.Qual foi a sobrevida livre de amputação aos 24 meses em pacientes submetidos à ponte bifurcada, conforme o estudo de Adami et al.?
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