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Revisão integra prematuridade, fisiopatologia e desfechos da displasia broncopulmonar. Aborda mortalidade, medicamentos respiratórios, dependência tecnológica e transição ambulatorial. Destaca o escore SAFER e a reabilitação precoce no seguimento.
[1] Displasia broncopulmonar: do pré-termo ao seguimento ambulatorial. . · DOI 10.36489/nursing.2026v32i340p17737-17740 | [2] Aoyama BC, Rice JL, McGrath-Morrow SA. Mortality in Outpatients with Bronchopulmonary Dysplasia. The Journal of pediatrics. 2022 Feb · DOI 10.1016/j.jpeds.2021.09.055 · PMID 34624317 | [3] Patrick-Esteve J, Mumphrey C, Yu D. Extracorporeal membrane oxygenation in the care of a preterm infant with COVID-19 infection: Case report. Frontiers in pediatrics. 2022 · DOI 10.3389/fped.2022.953122 · PMID 36034575 | [4] White H, Berenson A, Mannan J. Utilization trends of respiratory medication in premature infants discharged on home oxygen therapy. Pediatric pulmonology. 2020 Jun · DOI 10.1002/ppul.24735 · PMID 32348638 | [5] Nassel D, Chartrand C, Doré-Bergeron MJ. Very Preterm Infants with Technological Dependence at Home: Impact on Resource Use and Family. Neonatology. 2019 · DOI 10.1159/000496494 · PMID 30909270 | [6] Stephenson N, Lynch SK, Donnelly LF. Creation & implementation of discharge guidelines for preterm infants with bronchopulmonary dysplasia. . 2026 · DOI 10.1038/s41372-026-02725-7 · PMID 42697944 · DOI 10.36489/nursing.2026v32i340p17737-17740
A displasia broncopulmonar é a morbidade respiratória crônica mais prevalente em prematuros. Ela não se limita ao período neonatal, pois repercute na infância, na idade escolar e na adolescência. Revisão sistemática sobre função pulmonar e exercício mostra que escolares ex-prematuros com DBP frequentemente exibem déficits ventilatórios obstrutivos e restritivos. Esses pacientes também apresentam menor desempenho em testes de esforço físico quando comparados a pares nascidos a termo. O acompanhamento multidisciplinar é imperativo para mitigar o impacto da DBP na qualidade de vida e na capacidade funcional. Protocolos de reabilitação precoce são sugeridos para melhorar desfechos.
No contexto brasileiro, a DBP integra o grupo de doenças neonatais do recém-nascido de risco. O pediatra generalista e o neonatologista precisam reconhecer a transição do cuidado hospitalar para o ambulatorial. A alta hospitalar não encerra o problema; ela inicia a vigilância de oxigênio, nutrição, neurodesenvolvimento e função pulmonar. A presença de tecnologia domiciliar aumenta a complexidade e exige coordenação de cuidados.
DBP é definida em prematuros que necessitam de oxigênio suplementar por pelo menos 28 dias. A classificação de gravidade é feita com 36 semanas de idade pós-menstrual para nascidos com menos de 32 semanas. Para nascidos com 32 semanas ou mais, a avaliação ocorre com 56 dias de vida ou na alta, o que ocorrer primeiro. A gravidade reflete o suporte respiratório no momento da avaliação. O diagnóstico exige exclusão de outras causas de doença pulmonar crônica.
Na classificação clássica, DBP leve é a criança que respira em ar ambiente. DBP moderada é a necessidade de oxigênio com FiO2 entre 0,22 e 0,29. DBP grave é a necessidade de FiO2 maior ou igual a 0,30 ou de ventilação mecânica ou CPAP. Novas definições incorporam achados radiológicos e gasométricos, mas a dependência de oxigênio continua central. A gravidade se associa a maior risco de hipertensão pulmonar e mortalidade.
| Categoria | Critério funcional | FiO2 ou suporte |
|---|---|---|
| Leve | Respira em ar ambiente | FiO2 0,21 |
| Moderada | Necessita oxigênio suplementar | FiO2 0,22 a 0,29 |
| Grave | Necessita oxigênio ou pressão positiva | FiO2 maior ou igual a 0,30 ou VM ou CPAP |
Cerca de metade dos extremamente prematuros será diagnosticada com DBP. Aproximadamente um terço é alta com oxigenoterapia domiciliar. Entre prematuros muito prematuros com menos de 29 semanas, 20% precisam de tecnologia médica assistiva ao domicílio. Oxigênio representa 79% desses dispositivos. Sonda para alimentação por gavagem 21%, gastrostomia ou ileostomia 20%, CPAP 5% e traqueostomia 3%.
Em clínica ambulatorial de DBP, a mortalidade foi 1,5% em 862 pacientes, cerca de 15,1 mortes por 1000 indivíduos. A incidência anual foi 369,9 por 100000 no pós-neonatal, 310,2 entre 1 e 4 anos e 71,4 entre 5 e 14 anos. Fatores associados à morte após alta incluem maior necessidade de oxigênio na alta da UTIN, gastrostomia e derivação liquórica. Prematuros com complexidade médica também usam mais serviços e têm mais comprometimento neurodesenvolvimental.
A DBP moderna resulta de imaturidade pulmonar e insultos pós-natais. Ventilação mecânica, oxigênio, infecção, inflamação e sobrecarga hídrica alteram a septação alveolar e a angiogênese. Há redução do número de alvéolos, alvéolos maiores e vasculatura anormal. Isso gera menor área de troca gasosa e maior resistência de vias aéreas. O processo não é apenas fibrose; envolve interrupção do desenvolvimento pulmonar.
Prematuros com DBP podem ter obstrução e restrição ventilatória. A inflamação persistente leva a remodelamento e hiperreatividade brônquica. A hipertensão pulmonar pode complicar casos graves e piorar o prognóstico. A lesão inicial ocorre em pulmão imaturo, o que limita a capacidade de recuperação completa. Por isso, a função pulmonar pode permanecer alterada na idade escolar.
No período neonatal, o recém-nascido prematuro evolui com dependência de oxigênio, taquipneia, retrações, batimento de asa nasal e estertores. Pode haver crises de hipoxemia e necessidade de suporte ventilatório prolongado. A alimentação é difícil, com fadiga, refluxo e baixo ganho ponderal. A doença pulmonar crônica interfere na nutrição, no crescimento e no neurodesenvolvimento.
No ambulatorial, a criança pode apresentar sibilância recorrente, tosse crônica, intolerância ao exercício e infecções respiratórias frequentes. Ex-prematuros com DBP têm maior risco de reinternação e uso de serviços. A tecnologia domiciliar, como oxigênio e gastrostomia, marca maior complexidade. A qualidade de vida da família também é afetada, com impacto no emprego dos pais e na rotina doméstica.
| Cenário | Sinais e sintomas | Implicação |
|---|---|---|
| Neonatal | Dependência de O2, taquipneia, retrações, estertores | Suporte ventilatório prolongado e dificuldade alimentar |
| Ambulatorial | Sibilância, tosse, intolerância ao exercício | Reinternações e menor desempenho físico |
| Familiar | Uso de tecnologia domiciliar | Maior carga de cuidado e impacto no emprego |
O diagnóstico é clínico e baseado em história de prematuridade, necessidade de oxigênio por 28 dias e avaliação na idade definida. Para menos de 32 semanas, a avaliação é feita com 36 semanas de idade pós-menstrual. Para 32 semanas ou mais, a avaliação ocorre com 56 dias ou na alta. Exames complementares ajudam a excluir outras doenças e a avaliar complicações.
Radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação, opacidades difusas e atelectasias. Oximetria e gasometria avaliam hipoxemia e hipercapnia. Ecocardiograma rastreia hipertensão pulmonar e cardiopatia congênita. Testes de função pulmonar são úteis no seguimento escolar. A presença de déficits obstrutivos e restritivos reforça o impacto de longo prazo.
Muitas condições mimetizam DBP e devem ser excluídas. A distinção é importante porque muda tratamento e prognóstico. A presença de prematuridade e curso neonatal típico favorece DBP. Entretanto, sibilância recorrente, hipoxemia crônica e baixo ganho ponderal podem ter outras causas. A investigação direcionada evita atraso diagnóstico.
| Condição | Pistas clínicas | Exames chave |
|---|---|---|
| Bronquiolite viral | Sibilância após quadro viral em lactente | PCR viral e radiografia de tórax |
| Asma | Atopia, sibilância recorrente, resposta a broncodilatador | Espirometria e prova broncodilatadora |
| Fibrose cística | Íleo meconial, desnutrição, pneumonia de repetição | Teste do suor e genética |
| Cardiopatia congênita | Sopro, cianose, baixo ganho ponderal | Ecocardiograma |
| Traqueomalácia | Estridor, piora em decúbito, dificuldade de desmame | Broncoscopia |
| Aspiração recorrente | Engasgos, disfagia, pneumonia de repetição | Videofluoroscopia e pHmetria |
| Discinesia ciliar | Rinossinusite, otite, situs inversus | Óxido nítrico nasal e biópsia |
| Malformação pulmonar | Diagnóstico pré-natal ou achado incidental | Tomografia de tórax |
| Hipertensão pulmonar | Hipoxemia crônica, dispneia, sinais de sobrecarga | Ecocardiograma e cateterismo |
O tratamento começa com oxigenoterapia para manter saturação adequada. Em geral, o alvo de SpO2 é entre 90 e 95% para evitar hipoxemia e limitar hiperóxia. Oxigênio domiciliar é indicado se hipoxemia persistente. Nutrição otimizada, imunização completa, evitar tabagismo passivo e poluição são medidas essenciais. Fisioterapia respiratória e reabilitação precoce melhoram a tolerância ao exercício.
A transição de alta deve seguir protocolo. O escore SAFER inclui consulta com pneumologia, plano de ação, agendamento de seguimento, educação sobre equipamento de oxigênio e radiografia de tórax antes da alta. A padronização melhora a confiabilidade do processo. O tempo até consulta de pneumologia pode cair de 42,7 para 25,1 dias. O escore médio pode subir de 3,0 para 3,9.
Medicamentos são usados de forma sintomática e variável. Broncodilatadores inalatórios: salbutamol 90 mcg por jato, 1 a 2 jatos a cada 4 a 6 horas conforme necessidade. Ipratrópio pode ser associado em crises. Corticoides inalatórios são prescritos em alguns centros, mas não reduzem a duração da oxigenoterapia domiciliar. A escolha deve ser individualizada e reavaliada periodicamente.
Diuréticos: furosemida 1 a 2 mg/kg/dose, via oral ou intravenosa, uma a duas vezes ao dia, com monitorização de eletrólitos. Espironolactona 1 a 3 mg/kg/dia pode ser usada como adjuvante. Cafeína citrato: ataque 20 mg/kg IV e manutenção 5 a 10 mg/kg/dia para apneia da prematuridade. A cafeína pode facilitar o desmame ventilatório em prematuros.
Dexametasona sistêmica é reservada para DBP grave com dependência ventilatória. Protocolo DART: 0,15 mg/kg/dia dividido a cada 12 horas por 3 dias; 0,10 mg/kg/dia por 3 dias; 0,05 mg/kg/dia por 3 dias; 0,02 mg/kg/dia por 3 dias, total 10 dias. Palivizumabe 15 mg/kg IM mensal na estação de VSR para elegíveis. A duração do oxigênio domiciliar é variável e pode chegar a centenas de dias.
| Medicamento | Dose | Via e duração |
|---|---|---|
| Salbutamol | 1 a 2 jatos de 90 mcg | Inalatória, a cada 4 a 6 horas se necessário |
| Furosemida | 1 a 2 mg/kg/dose | Oral ou IV, 1 a 2 vezes ao dia |
| Espironolactona | 1 a 3 mg/kg/dia | Oral, uso adjuvante |
| Cafeína citrato | Ataque 20 mg/kg; manutenção 5 a 10 mg/kg/dia | IV ou oral, para apneia |
| Dexametasona DART | 0,15 a 0,02 mg/kg/dia em redução | IV ou oral, 10 dias |
| Palivizumabe | 15 mg/kg | IM, mensal na estação de VSR |
Complicações incluem hipertensão pulmonar, cor pulmonale, infecções respiratórias, atelectasias, bronquiectasias e distúrbios nutricionais. Reinternações são frequentes. A mortalidade ambulatorial é maior que a da população geral. O comprometimento pulmonar pode persistir na idade escolar, com déficits obstrutivos e restritivos. A capacidade funcional e a tolerância ao exercício podem ser menores.
Fatores de risco para morte após alta: maior necessidade de oxigênio na alta da UTIN, gastrostomia e derivação de líquor. Os hazard ratios ajustados foram 4,10 para oxigênio, 8,13 para gastrostomia e 4,31 para derivação liquórica. Neurodesenvolvimento: 30% dos com complexidade médica tiveram comprometimento significativo versus 13% sem complexidade. Reinternação teve OR 3,6 e necessidade de dois ou mais serviços ambulatoriais teve OR 4,4.
O seguimento deve ser multidisciplinar: neonatologia, pneumologia, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e serviço social. Enquanto usa oxigênio domiciliar, consultas mensais são recomendadas. Após a retirada do oxigênio, seguimento em 1, 3 e 6 meses. A avaliação deve incluir crescimento, saturação, adesão, uso de medicamentos, desenvolvimento e vacinação.
A espirometria pode ser feita em idade escolar. A tolerância ao exercício deve ser monitorada. A reabilitação precoce é sugerida para mitigar o impacto na qualidade de vida. A coordenação do cuidado é essencial para evitar fragmentação. Famílias precisam de suporte social e educativo para manejar tecnologia domiciliar.
A transição exige coordenação. O cuidado fragmentado pode gerar desfechos adversos. Protocolo de alta padronizado melhora a confiabilidade. O escore SAFER mostrou melhora de 3,0 para 3,9. O tempo até consulta de pneumologia caiu de 42,7 para 25,1 dias. A alta deve incluir plano de ação, educação do cuidador e seguimento agendado.
Prevenção inclui evitar parto prematuro, uso racional de oxigênio e ventilação protetora, tratamento de infecções e controle de ducto arterioso. No seguimento, evitar tabagismo passivo, poluição e infecções. A reabilitação precoce é sugerida. A coordenação entre neonatologia e pneumologia pediátrica reduz variação de cuidado. O objetivo é melhorar função pulmonar, nutrição e neurodesenvolvimento.
1.Recém-nascido pré-termo de 27 semanas e 800 g permaneceu em CPAP com FiO2 0,25 no 28º dia de vida e chegou às 36 semanas de idade pós-menstrual em ar ambiente. Qual é a classificação mais adequada?
2.Qual critério é mais aceito para definir displasia broncopulmonar no recém-nascido pré-termo de muito baixo peso?
3.Em relação à epidemiologia da displasia broncopulmonar, qual afirmação é correta?
4.Qual conjunto de alterações histológicas caracteriza a chamada nova displasia broncopulmonar?
5.Lactente de 4 meses, ex-prematuro de 26 semanas com DBP, apresenta tosse crônica, sibilância recorrente e baixo ganho ponderal. Qual achado é mais esperado na avaliação respiratória futura?
6.Prematuro com DBP em oxigênio domiciliar apresenta piora súbita de tosse, coriza, febre baixa e sibilância durante o outono. Qual diagnóstico diferencial deve ser considerado com maior prioridade?
7.Qual medida não farmacológica é fundamental para reduzir lesão pulmonar e prevenir DBP em prematuros extremos?
8.Qual é o esquema de citrato de cafeína mais utilizado para apneia e prevenção de DBP em prematuros extremos?
9.Prematuro de 28 semanas com DBP permanece aos 36 semanas de idade pós-menstrual em cânula nasal de baixo fluxo com FiO2 0,25. Qual classificação de gravidade corresponde?
10.No seguimento do lactente com DBP grave, qual complicação cardiovascular deve ser ativamente rastreada?
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