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Protocolo de diagnóstico e tratamento da hemorragia intracraniana espontânea. Aborda controle pressórico intensivo, expansão do hematoma, craniectomia descompressiva e diagnóstico etiológico por imagem. Inclui evidências de ensaios como INTERACT3, RAINS e SWITCH.
[1] Hemorragia intracraniana espontânea: protocolo de diagnóstico e tratamento. . · DOI 10.20344/amp.19432 | [2] Ma L, Hu X, Song L. The third Intensive Care Bundle with Blood Pressure Reduction in Acute Cerebral Haemorrhage Trial (INTERACT3): an international, stepped wedge cluster randomised controlled trial. Lancet (London, England). 2023 Jul 1 · DOI 10.1016/S0140-6736(23)00806-1 · PMID 37245517 | [3] Curtinot O, Maghfour T, Nataf S. Early imaging in spontaneous intracranial hemorrhage: Practices and etiological diagnosis. The neuroradiology journal. 2025 Dec 22 · DOI 10.1177/19714009251409304 · PMID 41424254 | [4] Rodriguez-Luna D, Pancorbo O, Llull L. Effects of Achieving Rapid, Intensive, and Sustained Blood Pressure Reduction in Intracerebral Hemorrhage Expansion and Functional Outcome. Neurology. 2024 May 14 · DOI 10.1212/WNL.0000000000209244 · PMID 38598746 | [5] Beck J, Fung C, Strbian D. Decompressive craniectomy plus best medical treatment versus best medical treatment alone for spontaneous severe deep supratentorial intracerebral haemorrhage: a randomised controlled clinical trial. Lancet (London, England). 2024 Jun 1 · DOI 10.1016/S0140-6736(24)00702-5 · PMID 38761811 | [6] Rosi J, Sekula JG, Brenner LBO. The natural history of untreated small (< 5 mm) intracranial aneurysms: a five-year angiographic follow-up study. . 2026 · DOI 10.1007/s10143-026-04507-3 · PMID 42809122 · DOI 10.20344/amp.19432
A hemorragia intracraniana espontânea é uma emergência neurológica não traumática com alta morbimortalidade e grande dependência de tempo. Ela engloba a hemorragia intraparenquimatosa, a hemorragia subaracnóidea e a hemorragia intraventricular, frequentemente superpostas. O diagnóstico precoce e a estabilização fisiológica nas primeiras horas mudam o desfecho funcional. Este material organiza o protocolo de diagnóstico e tratamento com base em ensaios e coortes recentes. A abordagem deve ser sistematizada, mas individualizada conforme a etiologia provável e a gravidade.
O INTERACT3 demonstrou que um pacote de cuidados com controle intensivo da pressão arterial, glicemia, temperatura e anticoagulação melhorou a recuperação funcional em seis meses. A coorte RAINS mostrou que atingir alvo de pressão sistólica em até 60 minutos reduziu expansão hematoma e deterioração neurológica. O estudo SWITCH avaliou craniectomia descompressiva em hematomas profundos graves. A imagem precoce, sobretudo ressonância magnética, melhora a definição etiológica. Estudos sobre aneurismas pequenos ajudam a orientar a conduta conservadora em lesões menores que 5 mm.
Na prática, o primeiro atendimento deve responder a quatro perguntas: há hemorragia? qual o compartimento? qual a causa provável? qual a velocidade de deterioração? As respostas guiam exames complementares, reversão de coagulopatia, controle pressórico e indicação cirúrgica. Erros frequentes incluem atraso na imagem, controle pressórico irregular e reversão incompleta de anticoagulação. A sistematização reduz variação e melhora a segurança do paciente.
Hemorragia intracraniana espontânea é sangramento não traumático no crânio. A forma intraparenquimatosa ocorre no parênquima cerebral e é a mais estudada nos ensaios recentes. A hemorragia subaracnóidea acomete o espaço subaracnóideo e frequentemente decorre de ruptura de aneurisma. A hemorragia intraventricular pode ser primária ou secundária à extensão de hematoma profundo. A classificação topográfica orienta prognóstico e decisão cirúrgica.
A etiologia é dividida em arteriolosclerose, angiopatia amiloide cerebral, doença cerebrovascular de pequenos vasos mista, malformação vascular, tumor e indeterminada. A ressonância magnética precoce aumenta a identificação etiológica de 50% com tomografia para 80% com ressonância. Na coorte de 450 pacientes, causas por ressonância incluíram doença mista de pequenos vasos em 34%, arteriolosclerose em 23%, angiopatia amiloide em 14% e malformações vasculares em 7%. A localização profunda sugere arteriolosclerose, enquanto a lobar em idoso sugere angiopatia amiloide.
| Etiologia | Pistas | Localização típica |
|---|---|---|
| Arteriolosclerose | Hipertensão, idade avançada | Gânglios da base, tálamo, ponte |
| Angiopatia amiloide | Idoso, sem hipertensão relevante | Lobar, cortical, recidivante |
| Doença mista de pequenos vasos | Microbleeds e leucoaraiose | Múltiplas topografias |
| Malformação vascular | Jovem, lobar, hemorragia subaracnóidea | Variável |
| Tumor | Edema desproporcional, realce | Variável |
| Indeterminada | Sem causa definida após investigação | Variável |
A hemorragia intracerebral espontânea é uma causa importante de acidente vascular cerebral com elevada mortalidade hospitalar. Na coorte de imagem precoce, a idade média foi 71 mais ou menos 16 anos e 52% eram homens. A tomografia isolada foi inicial em 58,5% e a ressonância em até 72 horas em 53%. Pacientes avaliados apenas com tomografia eram mais velhos, tinham hematomas maiores e maior mortalidade hospitalar.
A hipertensão arterial é o principal fator de risco modificável para hemorragia profunda. A anticoagulação aumenta o risco e a expansão do hematoma. A angiopatia amiloide cerebral predomina em idosos e favorece hemorragias lobares. O tabagismo e o uso de contraceptivos orais aparecem em estudos de aneurismas, mas com associações variáveis. A história familiar e doenças genéticas do tecido conjuntivo também importam em casos selecionados.
A ruptura de pequenas artérias profundas lesadas por lipohialinose e arteriolosclerose causa hematoma em gânglios da base e tálamo. Em idosos, a angiopatia amiloide cerebral fragiliza vasos corticais e meníngeos, favorecendo hematomas lobares. Malformações arteriovenosas e aneurismas causam sangramento por anomalias vasculares. O hematoma gera efeito de massa, dissecção tecidual e aumento da pressão intracraniana. A extensão intraventricular pode obstruir o líquor e causar hidrocefalia.
Após a hemorragia, ocorre inflamação, ativação da coagulação, edema e toxicidade por hemoglobina. A expansão do hematoma, definida como aumento maior que 6 mL ou maior que 33% em 24 horas, ocorre em cerca de 25,6% dos pacientes. A deterioração neurológica precoce, definida como aumento de pelo menos 4 pontos no NIHSS em 24 horas, ocorreu em 19,9% na coorte RAINS. A variabilidade pressórica de 24 horas foi 21,0 mais ou menos 7,6 mm Hg e associou-se a pior desfecho.
A apresentação típica inclui déficit focal súbito, hemiparesia, disartria, afasia, desvio de rima e alteração de consciência. Cefaleia, náuseas e vômitos são comuns, sobretudo em hemorragias lobares e subaracnóideas. A hemorragia subaracnóidea aneurismática clássica causa cefaleia intensa e súbita, muitas vezes occipital ou holocraniana. Crises epilépticas podem ocorrer no início ou durante a evolução. Rebaixamento progressivo sugere expansão, hidrocefalia ou herniação.
A avaliação deve registrar escala de coma de Glasgow, NIHSS quando aplicável e escala de Rankin modificada prévia. A escala de Rankin modificada varia de 0, sem sintomas, a 6, morte. Na coorte RAINS, a mediana da escala de Rankin modificada em 90 dias foi 4, com intervalo interquartil de 2 a 5. No SWITCH, 58% dos pacientes tratados apenas clinicamente apresentaram Rankin modificado 5 ou 6 em 180 dias. Esses escores ajudam a comunicar gravidade e a definir metas de tratamento.
A tomografia computadorizada sem contraste é o exame inicial de escolha por rapidez e disponibilidade. Ela identifica sangue agudo como hiperdensidade e estima volume, localização e extensão intraventricular. A angiotomografia deve ser considerada para excluir malformação, aneurisma ou fístula, sobretudo em pacientes jovens, hemorragia lobar ou subaracnóidea. A ressonância magnética precoce, idealmente em até 72 horas, é superior para diagnóstico etiológico. Na coorte de 450 pacientes, a ressonância identificou etiologia em 80% contra 50% da tomografia.
A ressonância detectou hiperintensidades de substância branca em 76%, lacunas em 43%, infartos em 14%, isquemias agudas em 6% e microbleeds em 65%. A tomografia foi mais frequente, usada como imagem inicial em 58,5%, enquanto 53% realizaram ressonância em até 72 horas. Contraste foi usado em 46% das imagens basais. Imagem de seguimento em até 72 horas foi feita em 42%, majoritariamente tomografia. A angiografia digital por subtração é reservada para planejamento terapêutico e casos duvidosos.
| Exame | Força | Limitação |
|---|---|---|
| Tomografia sem contraste | Rápida, amplamente disponível, detecta sangue | Menor acurácia etiológica |
| Angiotomografia | Detecta malformações e aneurismas | Contraste e radiação |
| Ressonância magnética | Melhor para etiologia e microbleeds | Menos disponível e mais lenta |
| Angiografia digital | Alta resolução vascular | Invasiva |
| Tomografia de seguimento | Detecta expansão e hidrocefalia | Radiação adicional |
O diagnóstico de hemorragia intracraniana espontânea é confirmado por imagem mostrando sangue no parênquima, espaço subaracnóideo ou ventrículos, sem trauma cranioencefálico compatível. Devem ser excluídas causas secundárias como tumor, infecção, trombose venosa e malformação vascular. A avaliação inicial inclui glicemia capilar, hemograma, plaquetas, tempo de protrombina, relação normalizada internacional, tempo de tromboplastina parcial ativada, creatinina, eletrólitos, gasometria, eletrocardiograma e troponina. Em mulheres em idade fértil, teste de gravidez pode ser necessário.
O protocolo INTERACT3 define alvos específicos para pacientes com hemorragia intracerebral espontânea nas primeiras 6 horas. A pressão arterial sistólica deve ser reduzida para menos de 140 mm Hg. A glicemia deve ficar entre 6,1 e 7,8 mmol/L em pacientes sem diabetes e entre 7,8 e 10,0 mmol/L em pacientes com diabetes. A temperatura corporal deve ser mantida em 37,5 graus Celsius ou menos. Em uso de varfarina, a relação normalizada internacional deve ser revertida para menos de 1,5 em até 1 hora.
| Variável | Alvo INTERACT3 | Prazo |
|---|---|---|
| Pressão arterial sistólica | Menor que 140 mm Hg | Precoce, nas primeiras horas |
| Glicemia sem diabetes | 6,1 a 7,8 mmol/L | Controle contínuo |
| Glicemia com diabetes | 7,8 a 10,0 mmol/L | Controle contínuo |
| Temperatura | Menor ou igual a 37,5 graus Celsius | Controle contínuo |
| INR em uso de varfarina | Menor que 1,5 | Até 1 hora |
A hemorragia intracraniana espontânea deve ser diferenciada de acidente vascular cerebral isquêmico, hemorragia subaracnóidea, trombose venosa cerebral, tumor com sangramento, abscesso, encefalite e crise convulsiva com paralisia de Todd. A tomografia sem contraste diferencia rapidamente sangramento de isquemia, mas a isquemia inicial pode ser normal. A angiotomografia e a ressonância ajudam em casos duvidosos. A hipotensão intracraniana espontânea, embora não seja hemorragia, causa cefaleia ortostática incapacitante por redução do volume liquórico e fístula de líquido cefalorraquidiano, afetando sobretudo mulheres em idade ativa.
A hipotensão intracraniana espontânea é provavelmente subdiagnosticada e não mostra sangramento na tomografia. A cefaleia ortostática, pior ao ficar em pé e melhor ao deitar, é a pista principal. No diferencial da hemorragia subaracnóidea, a punção lombar pode ser necessária se a tomografia for negativa e a suspeita persistir. A punção lombar é contraindicada na presença de efeito de massa ou hidrocefalia não comunicante. Sempre correlacionar clínica, tempo de início e imagem.
| Condição | Pistas clínicas | Imagem | Conduta inicial |
|---|---|---|---|
| Hemorragia intraparenquimatosa | Déficit focal súbito, cefaleia, vômitos | TC com hiperdensidade | Suporte, PA, reversão de coagulação |
| Hemorragia subaracnóidea | Cefaleia intensa súbita, rigidez de nuca | TC com sangue subaracnóideo | AngioTC, nimodipino, neurocirurgia |
| AVC isquêmico | Déficit focal sem cefaleia intensa | TC sem sangue, RM com restrição | Trombólise ou trombectomia se elegível |
| Trombose venosa cerebral | Cefaleia progressiva, crises, papiledema | RM com venografia | Anticoagulação |
| Tumor com sangramento | Déficit insidioso, edema desproporcional | RM com realce | Avaliação neurocirúrgica |
| Hipotensão intracraniana espontânea | Cefaleia ortostática incapacitante | Sem hemorragia, RM pode mostrar realce meníngeo | Hidratação, cafeína, tampão sanguíneo |
O atendimento inicial segue o ABC, com via aérea segura se escala de coma de Glasgow menor ou igual a 8, hipoxemia ou incapacidade de proteger vias aéreas. Manter oxigenação adequada, normocapnia e cabeceira elevada a 30 graus quando não houver choque. Evitar hipertermia, hipoglicemia e hiperglicemia. Corrigir distúrbios de sódio, potássio e coagulação. A pressão intracraniana elevada exige tratamento com medidas osmóticas e, em casos selecionados, monitorização invasiva.
A hemostasia é prioridade em pacientes anticoagulados. O INTERACT3 incluiu reversão rápida de anticoagulação relacionada à varfarina. Anticoagulantes orais diretos exigem agentes específicos quando disponíveis. Antiagregantes plaquetários não devem ser transfundidos rotineiramente, salvo situações individuais. A transfusão de plaquetas pode piorar desfecho em alguns contextos e deve ser discutida com hematologia e neurocirurgia. Vitamina K e complexo protrombínico são usados na reversão de varfarina.
A pressão arterial é o alvo terapêutico mais estudado na hemorragia intracerebral aguda. O RAINS incluiu pacientes com menos de 6 horas de sintomas e pressão sistólica maior ou igual a 150 mm Hg. O protocolo visava atingir pressão sistólica menor que 140 mm Hg em até 60 minutos e manter estabilidade por 24 horas. Atingir o alvo em até 60 minutos ocorreu em 57,1% e associou-se a menor expansão hematoma, menor deterioração neurológica e melhor Rankin modificado em 90 dias. A variabilidade pressórica elevada associou-se a mais deterioração e pior desfecho.
O INTERACT3 implementou pacote com alvo de pressão sistólica menor que 140 mm Hg e demonstrou melhora funcional em 6 meses. A escolha do anti-hipertensivo depende da disponibilidade e do perfil do paciente. A monitorização intra-arterial é preferível em casos graves. Evitar quedas bruscas que causem hipoperfusão. A meta deve ser individualizada em idosos, doença renal e estenose carotídea significativa.
| Estudo | População | Intervenção | Desfecho principal |
|---|---|---|---|
| INTERACT3 | Hemorragia intracerebral espontânea até 6 horas | Pacote com PAS menor que 140 mm Hg, glicemia, temperatura e reversão de varfarina | Melhora funcional com OR comum 0,86 |
| RAINS | Hemorragia intracerebral até 6 horas e PAS maior ou igual a 150 mm Hg | PAS menor que 140 mm Hg em até 60 minutos e estável por 24 horas | Menor expansão, menor END e melhor mRS |
| SWITCH | Hemorragia profunda grave de gânglios da base ou tálamo | Craniectomia descompressiva mais tratamento clínico | mRS 5-6 em 44% contra 58%, p igual a 0,057 |
Pacientes anticoagulados apresentam maior risco de expansão hematoma e pior prognóstico. A reversão deve começar antes da confirmação laboratorial completa quando a suspeita é alta. Na varfarina, administrar vitamina K intravenosa na dose de 5 a 10 mg e complexo protrombínico de quatro fatores na dose de 25 a 50 UI por kg, ajustando conforme relação normalizada internacional. O alvo é relação normalizada internacional menor que 1,5 em até 1 hora. Plasma fresco congelado na dose de 10 a 20 mL por kg é alternativa se não houver complexo protrombínico.
Para dabigatrana, idarucizumabe na dose de 5 g intravenoso é o antídoto específico. Para inibidores do fator Xa, andexanete alfa pode ser usado em doses baixas ou altas conforme o agente e o tempo da última dose. Na indisponibilidade, complexo protrombínico de quatro fatores na dose de 50 UI por kg é opção. Para heparina não fracionada, protamina na dose de 1 mg para cada 100 unidades, máximo 50 mg. Para enoxaparina, protamina na dose de 1 mg para cada 1 mg, máximo 50 mg.
| Anticoagulante | Antídoto ou reversão | Dose | Alvo |
|---|---|---|---|
| Varfarina | Vitamina K mais complexo protrombínico de quatro fatores | Vitamina K 5 a 10 mg IV; CCP 25 a 50 UI por kg | INR menor que 1,5 em 1 hora |
| Dabigatrana | Idarucizumabe | 5 g IV | Reversão rápida |
| Rivaroxabana ou apixabana | Andexanete alfa ou CCP | Andexanete conforme dose; CCP 50 UI por kg | Controle de sangramento |
| Heparina não fracionada | Protamina | 1 mg para cada 100 unidades, máximo 50 mg | Neutralização |
| Enoxaparina | Protamina | 1 mg para cada 1 mg, máximo 50 mg | Neutralização parcial |
A decisão cirúrgica depende de localização, volume, deterioração neurológica e hidrocefalia. Hematomas cerebelares maiores que 3 cm, com compressão do tronco ou hidrocefalia, geralmente exigem evacução. Hematomas lobares acessíveis com deterioração progressiva podem se beneficiar de cirurgia. Hematomas profundos têm pior acesso e maior morbidade. O SWITCH avaliou craniectomia descompressiva mais melhor tratamento clínico em hematomas graves de gânglios da base ou tálamo. O estudo foi interrompido por falta de financiamento e mostrou evidência fraca de superioridade.
No SWITCH, a mediana do volume do hematoma foi 57 mL e a idade mediana foi 61 anos. A escala de Rankin modificada 5 ou 6 em 180 dias ocorreu em 44% com craniectomia mais tratamento clínico e 58% com tratamento clínico isolado. O risco relativo ajustado foi 0,77, com intervalo de confiança de 0,59 a 1,01 e p igual a 0,057. Eventos adversos graves ocorreram em 41% e 44%, respectivamente. Os resultados não se aplicam a hemorragias de outras localizações e a sobrevida associou-se a incapacidade grave em ambos os grupos.
As complicações incluem expansão do hematoma, extensão intraventricular, hidrocefalia, edema perilesional, herniação, crises epilépticas, infecções, tromboembolismo e morte. A expansão ocorre em cerca de 25,6% e a deterioração neurológica precoce em 19,9%. A mediana da escala de Rankin modificada em 90 dias foi 4 na coorte RAINS. Fatores de pior prognóstico incluem volume inicial elevado, localização profunda, rebaixamento de consciência, idade avançada, anticoagulação e variabilidade pressórica. A tomografia de controle em 24 horas ajuda a detectar expansão.
O seguimento inclui reabilitação precoce, controle rigoroso de fatores de risco e investigação etiológica. Aneurismas pequenos menores que 5 mm têm risco baixo de ruptura em cinco anos. Em 113 pacientes acompanhados por 565 pacientes-ano, não houve ruptura ou hemorragia subaracnóidea. A maioria, 77,0%, permaneceu estável; 10,6% cresceram levemente, 5,3% diminuíram, 4,4% resolveram espontaneamente e 2,7% tiveram novos aneurismas. A conduta conservadora com vigilância angiográfica é razoável para a maioria, mas a decisão deve ser individualizada.
| Complicação | Como reconhecer | Conduta |
|---|---|---|
| Expansão hematoma | Queda de consciência, novo déficit, TC 24 h | Reavaliar PA, coagulação e cirurgia |
| Hidrocefalia | Rebaixamento, ventriculomegalia | Derivação ventricular externa |
| Edema e herniação | Anisocoria, resposta extensora | Medidas osmóticas e craniectomia |
| Crises epilépticas | Movimentos focais ou generalizados | Levetiracetam ou fenitoína |
| Infecção | Febre, leucocitose, secreção | Culturas e antibiótico |
| Tromboembolismo | Edema de membro, dispneia | Profilaxia mecânica e química individualizada |
O manejo da hemorragia intracraniana espontânea exige reconhecimento rápido, imagem precoce, controle fisiológico rigoroso e decisão cirúrgica individualizada. A combinação de protocolos padronizados com avaliação caso a caso é o caminho para reduzir mortalidade e dependência. Revise os alvos, as doses de reversão e os critérios de imagem para fixar os pontos mais cobrados.
1.Homem de 72 anos, hipertenso, apresenta hemiparesia direita súbita e cefaleia intensa. TC de crânio sem contraste mostra área hiperdensa em núcleo lentiforme esquerdo com halo hipodenso. Qual é a hipótese mais provável e a conduta diagnóstica inicial?
2.Qual afirmativa sobre classificação topográfica e etiológica da HIC espontânea é correta?
3.Qual é o principal fator de risco modificável para HIC não lobar?
4.Após uma HIC espontânea, qual mecanismo melhor explica a lesão secundária e a deterioração nas primeiras 72 horas?
5.Quais variáveis compõem o ICH score?
6.Paciente de 35 anos apresenta HIC lobar, sem hipertensão e sem trauma. Após a TC, qual exame deve ser realizado para investigar causa secundária?
7.Qual conjunto de exames laboratoriais deve ser solicitado na avaliação inicial da HIC espontânea?
8.Qual característica na TC sem contraste favorece HIC em vez de infarto isquêmico hiperagudo?
9.Homem anticoagulado com varfarina, INR 3,2, apresenta HIC espontânea e PAS 210 mmHg. Qual conduta inicial é mais adequada?
10.Paciente com hemorragia cerebelar espontânea maior que 3 cm, deterioração do nível de consciência e compressão de tronco com hidrocefalia. Qual é a conduta neurocirúrgica mais indicada?
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